AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com

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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ferreiros da Abelheira

FERREIROS DA ABELHEIRA
Na Abelheira existiram grandes artistas, entre eles os ferreiros, que trabalhavam em ferro através da forja, que funcionavam com foles e mais tarde com as ventoinhas de manivela manual, de onde saíam com perfeição os trabalhos que lhes era encomendado, gradeamentos feitos em diversos feitios, varandas, grades para janelas, portões, etc., mas os que mais conheço, e deles vou escrever, são as ferragens.
Antes, porém, quero dar a conhecer o nome desses artistas que, infelizmente, já não se encontram no nosso meio: Domingos Rodrigues Cambão, João Correia Rodrigues Cambão (Bate Malho), Albino Pedro Viana, Luís Pedro Viana, Joaquim Rodrigues Cambão, João Rodrigues Cambão, António Rodrigues Cambão, Manuel Rodrigues Cambão (Arturinho) e Joaquim Lopes da Silva (Pego), entre outros.
Estes homens forneciam as lojas de ferragens da cidade e arredores, com ferragens feitas por si, nas suas pequenas oficinas.
Dobradiças de chumbadouro, que eram utilizadas na construção civil, nas portas de casas, lojas e cortes de gado, (fazia-se um furo na pedra onde entrava o espigão da dobradiça que era chumbada com chumbo derretido e nunca mais saía). Estas dobradiças ainda hoje se vêem em construções antigas como: Igrejas, Mosteiros, Conventos e casas de lavoura; nestas, principalmente, nas portas das lojas.Dobradiças de junta, de desenfiar ou de livro para aplicação nas portas onde já existia o aro em madeira.
Fecho de Bengala, fechos de segurança, depois de fechados e rodados para o lado, não era fácil a sua abertura, os fechos de correr, os descansos para as janelas de guilhotina, os fechos para segurar janelas exteriores com ranhuras que ficavam por fora de vidro para segurança.
As asas de caneca, que se aplicavam nas portas interiores, cujos espelhos enfeitavam e serviam de fecho com a respectiva tranqueta por dentro, que encaixava numa testa com gramilho, para segurança das pessoas que se encontravam por dentro, ainda hoje se encontram algumas em casas antigas.
As aldrabas, que eram utilizadas nos portões de entrada das quintas, lojas e cortes de gado, (eram umas argolas com espelho rodado para enfeitar e pela parte de dentro tinha uma tranqueta com ferrolho, com encaixe numa esfera com gramilho para fechar).
As argolas de alçapão usavam-se nas tampas que existiam nas casas e dava acesso ao andar de baixo, lojas ou cortes de gado. Havia ainda: os fechos para as malas dos militares, para colocação dos cadeados por causa da roubalheira.
Arganéis, para pôr no focinho dos porcos para não fossar.
As fechaduras para as arcas ou salgadeiras.
Os pregos para as dobradiças, fechos e aros das rodas de carros de bois e cavalos.
Caleiras e as escápulas para as colocar nos prédios.
Todos estes materiais, depois de prontos, eram aquecidos na forja e pintados com verniz preto, dando um bom aspecto às peças, que passavam a ser conhecidas por ferragens caldeadas.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O meu Barbeiro não era o Barbeiro de Sevilha!...

















“O meu barbeiro não era o barbeiro de Sevilha”

O barbeiro era, naquele tempo, também o cabeleireiro dos homens.
Cada coisa no seu lugar!
Hoje o cabeleireiro também faz a barba, os bigodes e corta o cabelo às mulheres, assim como, não há barbeiras, mas há cabeleireiras que fazem tudo.
Na véspera de S. João Baptista, das cerejas, festa litúrgica do nascimento de S. João, resolvi fazer uma visita ao “meu barbeiro”, era assim que o tratava.
Quando era criança e adolescente era ali que muitas manhãs passava na brincadeira com o filho dele e com a tia Lurdes a tomar conta de nós. Era um frete que o meu pai lhe fazia quando ia a Viana e não tinha a quem deixar o rapaz, ou então, tinha de dar uma cortadela no cabelo.

Depois veio o seminário de Braga, a Serra d’Arga, Viana e andei por outros lados até que neste momento um trata de me vir cortar o cabelo quando faz falta.
Ora foi um momento muito alegre encontrar o Antonino Oliveira Freitas, nascido em 9.11.1923, mais novo que o meu pai 2 anos, filho de Raúl de Freitas, carpinteiro de C. Ferro e de Felismina Domingues Oliveira, doméstica e ambos de Darque.
Teve mais três irmãos: o Álvaro que morreu em Barca d’Alva, afogado, solteiro e sem geração; a Maria de Lurdes, e o José conhecido por “micaco”, todos casados e com geração.
O Antonino depois de fazer o exame de 2º grau trabalhou no Filipe, em Darque, depois à R. Alta-Mira para um irmão de Filipe e, em Barroselas, para o Hermes. Foi aqui que queima um bigode daqueles farfalhudos e retorcidos e, nessa altura, ele ainda não sabia dar as voltas todas, era a primeira vez que fazia o serviço. Não fora a competência, a influência e a personalidade de Hermes, seu patrão, teria passado um bem mau bocado.
Não foi tropa e casou, em 25 de Novembro de 1947, com a feirante Maria de Lurdes, filha de Pulcidónio Perre e de Maria Amélia de Freitas e era irmã de 5 irmãos.
O Antonino é pai de António, filho único, professor reformado e casado e pai de dois filhos já casados e bisavô de dois netos e encontra-se viúvo.
Conta ele que há cabelos muito rijos como os meus antigamente e há cabelos moles. Quanto maiores forem os cabelos mais moles. Hoje há mais “carecas”, homens calvos, que antigamente.


Não se considera um escultor capilar. Só havia três cortes de cabelo: à escovinha, a meia “cavaleira” e a cabeleira.
Os seus maiores clientes eram de Mazarefes, V. Franca, V. Fria, Subportela, sem falar de Darque... entre outros. Hoje é que não faltam cortes e é preciso que um cabeleireiro ou barbeiro seja um grande escultor, um grande artista, senão, não leva a vida.

Os utensílios eram os rudimentares: três pares de tesouras (uma tesoura de dentes); três pares de pentes, uns mais finos nos dentes que eram rompidos na pedra de amolar para o corte à escovinha; o assentador para afiar a navalha com o couro de um lado e fino do outro; escovas (umas para tirar cabelos, de cortar e a escova do cabelo à escovinha. A pedra de amolar e o limpador das navalhas.
Como desinfectante era usado para estancar o sangue e a pedra hume, o álcool e o sublimado (pastilha deitada em água num frasco ficando a água vermelha e servir também como um desinfectante mais macio.

A cadeira que utiliza hoje deve ter 55 anos; antes usou uma de madeira.
Alegrou-me encontrar um homem fresco, cheio de vida, ainda não deixou de cortar cabelo aos amigos, entretendo-se, com bom humor, um homem de muitos saberes e de muitos segredos e de bons conselhos, como acontecia na sua casa, pois também existiam outros que eram quase lugares como os das mulheres que lavavam no mesmo rio a mesma roupa.

Tanto mais era querido assim um barbeiro daquele tempo. Muitos problemas ali se resolviam a contento de partes em desacordo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ferreiros da Abelheira

FERREIROS DA ABELHEIRA
Na Abelheira existiram grandes artistas, entre eles os ferreiros, que trabalhavam em ferro através da forja, que funcionavam com foles e mais tarde com as ventoinhas de manivela manual, de onde saíam com perfeição os trabalhos que lhes era encomendado, gradeamentos feitos em diversos feitios, varandas, grades para janelas, portões, etc., mas os que mais conheço, e deles vou escrever, são as ferragens.
Antes, porém, quero dar a conhecer o nome desses artistas que, infelizmente, já não se encontram no nosso meio: Domingos Rodrigues Cambão, João Correia Rodrigues Cambão (Bate Malho), Albino Pedro Viana, Luís Pedro Viana, Joaquim Rodrigues Cambão, João Rodrigues Cambão, António Rodrigues Cambão, Manuel Rodrigues Cambão (Arturinho) e Joaquim Lopes da Silva (Pego), entre outros.
Estes homens forneciam as lojas de ferragens da cidade e arredores, com ferragens feitas por si, nas suas pequenas oficinas.
Dobradiças de chumbadouro, que eram utilizadas na construção civil, nas portas de casas, lojas e cortes de gado, (fazia-se um furo na pedra onde entrava o espigão da dobradiça que era chumbada com chumbo derretido e nunca mais saía). Estas dobradiças ainda hoje se vêem em construções antigas como: Igrejas, Mosteiros, Conventos e casas de lavoura; nestas, principalmente, nas portas das lojas.Dobradiças de junta, de desenfiar ou de livro para aplicação nas portas onde já existia o aro em madeira.
Fecho de Bengala, fechos de segurança, depois de fechados e rodados para o lado, não era fácil a sua abertura, os fechos de correr, os descansos para as janelas de guilhotina, os fechos para segurar janelas exteriores com ranhuras que ficavam por fora de vidro para segurança.
As asas de caneca, que se aplicavam nas portas interiores, cujos espelhos enfeitavam e serviam de fecho com a respectiva tranqueta por dentro, que encaixava numa testa com gramilho, para segurança das pessoas que se encontravam por dentro, ainda hoje se encontram algumas em casas antigas.
As aldrabas, que eram utilizadas nos portões de entrada das quintas, lojas e cortes de gado, (eram umas argolas com espelho rodado para enfeitar e pela parte de dentro tinha uma tranqueta com ferrolho, com encaixe numa esfera com gramilho para fechar).
As argolas de alçapão usavam-se nas tampas que existiam nas casas e dava acesso ao andar de baixo, lojas ou cortes de gado. Havia ainda: os fechos para as malas dos militares, para colocação dos cadeados por causa da roubalheira.
Arganéis, para pôr no focinho dos porcos para não fossar.
As fechaduras para as arcas ou salgadeiras.
Os pregos para as dobradiças, fechos e aros das rodas de carros de bois e cavalos.
Caleiras e as escápulas para as colocar nos prédios.
Todos estes materiais, depois de prontos, eram aquecidos na forja e pintados com verniz preto, dando um bom aspecto às peças, que passavam a ser conhecidas por ferragens caldeadas.