AVISO
Meus caros Leitores,
Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.
A partir de agora poderão encontrar-me em:
http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com
Obrigado
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quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Uma casa de Mazarefes no sítio da Broeira
Uma casa de Mazarefes que foi propriedade do Abade Matos e onde chegou a viver uma sobrinha, Maria Matos, esposa do Manuel Dias, capador, vendida ao pai da Ermelinda Oliveira. Em frente fica a o campo dos "Deiras" conhecido pelo campo da Broeira.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
A casa das Marinheiras em Mazarefes
A casa das Marinheiras em Mazarefes
Está ladeado por dois grandes portões de ferro, ambos aformoseados com boa cantaria. Nas bases de cada uma das «pirâmbulas» sobre o portão do lado norte encontram-se as seguintes inscrições respectivamente:
BEME/LD SEJA/O S. SAC. e P.N.A./A. AS/M EAL/
/MAS.
No portão do lado sul estão cravadas a ferro as iniciais (M. A. F. B.) do nome do primeiro proprietário e o ano (1895) em que foi feito.
É actualmente pertença de José de Oliveira da Silva Reis e de Albina da Silva Carvalho, casados em 1940.
O primeiro proprietário foi o senhor Manuel Augusto Fernandes Barbosa, filho de Manuel Fernandes Barbosa e de Maria Cândida da Rocha, falecido em Agosto de 1920. Havia casado em 20 de Novembro de 1864 com Antónia da Silva Meira, filha de Manuel Rodrigues de Carvalho e Maria da Silva, por sua vez, falecido em 1913. Este casal era muito rico, mas vivia, na mesma quinta, numa casa bastante mais modesta. Veio a ser herdeiro, por falecimento de Manuel Pereira da Rocha Viana, em 16 de Abril de 1892, com 77 anos, solteiro, irmão de Maria Cândida da Rocha e, consequentemente, tio em primeiro grau de Manuel Augusto Fernandes Barbosa.
Então a sua riqueza atingiu maiores proporções.
Conta-se que o senhor Rocha Viana, da marinha mercante e natural de Viana, era pessoa de grandes haveres. Pelo testamento que tive o prazer de consultar por especial deferência da Secretaria da Santa Casa da Misericórdia de Viana verifiquei isso mesmo.
Deixou grandes somas a diversas instituições, parentes, empregados e os bens remanescentes foram divididos em partes iguais por 4 sobrinhos. Desta maneira a família Barbosa tornou-se a família mais rica da freguesia e mandou construir esta casa que, na ocasião, 1894, ficou por cerca de 5.000$000.
Esta foi a razão que mais tarde lhe chamou a «casa da riquíssima».
Todavia esta riqueza fazia bem falta, pois rodeava este casal uma numerosa geração... nada menos de 11 pérolas nesta aliança matrimonial como: A Maria, que casou com António Afonso da Silva, de Subportela; o Manuel, que se ordenou de sacerdote em Beja, vindo mais tarde a ser capelão da capela da Senhora das Boas-Novas e pároco de Darque; a Rosa, que faleceu aos 4 anos de idade; o José, que casou para S. Lourenço do Mato; o João, que casou para Serreleis; a Ana, que casou com Joaquim Alves de Araújo, de Darque; a Joaquina, que casou com Francisco da Silva Carvalho, de Mazarefes; a outra filha de nome Rosa, que casou para Subprotela, a Antónia, que casou com José de Oliveira Reis de Mazarefes; a Teresa, que casou com José António de Oliveira Reis, também de Mazarefes, pais do actual proprietário; e a Emília, que casou para Galegos, Barcelos.
Como, porém, esta riqueza recebida da herança do tio viesse melhorar ainda muito mais as condições económicas da família, os devotados pais de tão numerosa família mandaram construir esta casa mais condigna, ficando, desde aí, a ser conhecida por Casa das Marinheiras, devido talvez ao facto da herança recebida do tio que era marinheiro e, possivelmente, ao número de filhas casadoiras existentes neste lar. Assim se explica que, para onde elas casaram, se implantasse a alcunha marinheira.
Também não faltou brio e bairrismo e, sobretudo, devoção à Senhora das Boas-Novas para, à semelhança de uma casa enorme em que gastaram muito dinheiro, mandarem fazer aquela grande torre, que hoje vemos e admiramos, na capela da «Senhora dos Emigrantes» e, sobretudo, dos emigrantes que se encontravam, naquele tempo, no Brasil. Nesta torre gastou a família Barbosa para cima de 600$000 mil reis só para a mão-de-obra que dizia respeito a pedreiro. O construtor que erigiu a torre era de Santa Marta de Portuzelo – o Rocha. A pedra veio do alto de Mazarefes, mas algum também veio de Anha.
A família Barbosa (Manuel A. Fernandes Barbosa e esposa), custeou todas as despesas, à excepção do relógio oferecido 10 anos mais tarde, em 1911, pelos emigrantes no Brasil, através de uma subscrição. A inauguração desta torre foi em 1901, como muito bem assinala a lápide em pedra já existente.
Uma moça de 18 anos subiu as escadas da torre com o bronze de um sino enfuado na cabeça e pesava cerca de 115 quilos!
É um facto curioso que ilustra a história da torre e da família Barbosa ou por alcunha Marinheira. Foi a filha Emília, a mais nova, nascida em Setembro de 1883. dizem que era moça muito forte, aliás como as outras irmãs, que se aventurou a subir os degraus da torre com cerca de 115 Kgs à cabeça. Bravo!
Esta Emília casou para Barcelos, mas veio a morrer muito nova e sem geração.
À morte de Manuel Augusto Fernandes Barbosa esta casa coube em herança à filha Joaquina, nascida em Fevereiro de 1889 e falecida em 1928, casada. Porque do matrimónio apenas se vingou uma filha de nome Albina da Silva Carvalho, foi a única filha, e marido desta, que a recebeu à morte de seus pais. São hoje os actuais proprietários, sempre muito conservadores e zelosos por aquilo que os seus antepassados deixaram, procurando também melhorar e actualizar aquilo que é susceptível de perfeição.
Este casal a exemplo de seus pais e avós continua a ser um dos casais beneméritos da freguesia e tem só uma filha, professora Maria Eugénia da Silva Reis Lima, casada.
Artur Coutinho 10.10.1971
P.S.- Já todos faleceram e a casa é agora de Manuela Carvalho, uma filha de um primo e de seu marido natural de Chafé e pais de uma filha.
Daqui saíu o avô do José Tavares Reis, das Finanças, reformado e um cidadão de renome na cidade pai de um casal de filhos. O José Reis é agora o Presidente da Direcção do Lar de Santa Teresa.
sábado, 8 de outubro de 2016
Dar Alma à Vida C
Dar Alma à Vida C
Dar Alma à Vida é contrariar o que as
culturas das diferentes épocas foram limitando a consciência do património
ético e espiritual.
Dar Alma à Vida é pôr as religiões em
diálogo para que, com o regresso às fontes, possam melhor responder aos
problemas de hoje.
Dar Alma à Vida é evitar que
diferentes saberes da ciência absolutizem, fechando-se sobre si mesmas na
linguagem, criando guetos que limitam o respeito e a fraternidade entre os
homens.
Dar Alma à Vida é pôr os diferentes sectores
do conhecimento científico a dialogarem para que se possa criar uma teia na
construção adequada e enfrentar os problemas da crise ambiental onde todos
possam pensar no bem de todos, pelo caminho do diálogo “paciente, ascético e
generoso” tendo em conta sempre, como o Papa Francisco sita, “A realidade é
superior à ideia”.
Dar Alma à Vida é fazer descer o
consumismo compulsivo, obsessivo próprio do técnico-económico porque
actualmente vive-se um sentido de precariedade e insegurança que favorece formas
de egoísmo colectivo.
Dar Alma à Vida é gerar um novo
estilo de vida à volta do poder económico, político e social onde o homem se
integra.
Dar Alma à Vida é deixar para traz
uma etapa das autodestruições e gerar uma consciência universal que torne possível
descobrir, regressar às fontes, despertar nos homens uma nova reverência em
relação à vida nas ocasiões decisórias sobre a sustentabilidade da humanidade e
do conhecimento.
Dar Alma à Vida é ver no Evangelho o
modo de pensar, sentir e viver, descobrindo que motivações que derivam da
espiritualidade podem alimentar a grande paixão no cuidado pelo outro, e pela
ecologia em geral de que Francisco de Assis deu exemplo com alegria, paz e
amor.
A casa das Marinheiras em Mazarefes
A casa das Marinheiras
em Mazarefes
Ergue-se
numa quinta um pouco acima da capela da Senhora das Boas-Novas, em Mazarefes, e
contígua à estrada camarária que atravessa o centro da freguesia, fazendo
ligação entre a Estrada Nacional nº203 e a nº308, um grande casario, sem
dúvida, em todas as suas dimensões, o maior desta aldeia.
Está
ladeado por dois grandes portões de ferro, ambos aformoseados com boa cantaria.
Nas bases de cada uma das «pirâmbulas» sobre o portão do lado norte
encontram-se as seguintes inscrições respectivamente:
BEME/LD
SEJA/O S. SAC. e P.N.A./A. AS/M EAL/
/MAS.
No
portão do lado sul estão cravadas a ferro as iniciais (M. A. F. B.) do nome do
primeiro proprietário e o ano (1895) em que foi feito.
É
actualmente pertença de José de Oliveira da Silva Reis e de Albina da Silva
Carvalho, casados em 1940.
O
primeiro proprietário foi o senhor Manuel Augusto Fernandes Barbosa, filho de
Manuel Fernandes Barbosa e de Maria Cândida da Rocha, falecido em Agosto de
1920. Havia casado em 20 de Novembro de 1864 com Antónia da Silva Meira, filha
de Manuel Rodrigues de Carvalho e Maria da Silva, por sua vez, falecido em
1913. Este casal era muito rico, mas vivia, na mesma quinta, numa casa bastante
mais modesta. Veio a ser herdeiro, por falecimento de Manuel Pereira da Rocha
Viana, em 16 de Abril de 1892, com 77 anos, solteiro, irmão de Maria Cândida da
Rocha e, consequentemente, tio em primeiro grau de Manuel Augusto Fernandes
Barbosa.
Então a
sua riqueza atingiu maiores proporções.
Conta-se
que o senhor Rocha Viana, da marinha mercante e natural de Viana, era pessoa de
grandes haveres. Pelo testamento que tive o prazer de consultar por especial
deferência da Secretaria da Santa Casa da Misericórdia de Viana verifiquei isso
mesmo.
Deixou
grandes somas a diversas instituições, parentes, empregados e os bens
remanescentes foram divididos em partes iguais por 4 sobrinhos. Desta maneira a
família Barbosa tornou-se a família mais rica da freguesia e mandou construir esta
casa que, na ocasião, 1894, ficou por cerca de 5.000$000.
Esta
foi a razão que mais tarde lhe chamou a «casa da riquíssima».
Todavia
esta riqueza fazia bem falta, pois rodeava este casal uma numerosa geração...
nada menos de 11 pérolas nesta aliança matrimonial como: A Maria, que casou com
António Afonso da Silva, de Subportela; o Manuel, que se ordenou de sacerdote
em Beja, vindo mais tarde a ser capelão da capela da Senhora das Boas-Novas e
pároco de Darque; a Rosa, que faleceu aos 4 anos de idade; o José, que casou
para S. Lourenço do Mato; o João, que casou para Serreleis; a Ana, que casou
com Joaquim Alves de Araújo, de Darque; a Joaquina, que casou com Francisco da
Silva Carvalho, de Mazarefes; a outra filha de nome Rosa, que casou para
Subprotela, a Antónia, que casou com José de Oliveira Reis de Mazarefes; a
Teresa, que casou com José António de Oliveira Reis, também de Mazarefes, pais
do actual proprietário; e a Emília, que casou para Galegos, Barcelos.
Como,
porém, esta riqueza recebida da herança do tio viesse melhorar ainda muito mais
as condições económicas da família, os devotados pais de tão numerosa família
mandaram construir esta casa mais condigna, ficando, desde aí, a ser conhecida
por Casa das Marinheiras, devido talvez ao facto da herança recebida do tio que
era marinheiro e, possivelmente, ao número de filhas casadoiras existentes
neste lar. Assim se explica que, para onde elas casaram, se implantasse a
alcunha marinheira.
Também
não faltou brio e bairrismo e, sobretudo, devoção à Senhora das Boas-Novas
para, à semelhança de uma casa enorme em que gastaram muito dinheiro, mandarem
fazer aquela grande torre, que hoje vemos e admiramos, na capela da «Senhora
dos Emigrantes» e, sobretudo, dos emigrantes que se encontravam, naquele tempo,
no Brasil. Nesta torre gastou a família Barbosa para cima de 600$000 mil reis
só para a mão-de-obra que dizia respeito a pedreiro. O construtor que erigiu a
torre era de Santa Marta de Portuzelo – o Rocha. A pedra veio do alto de
Mazarefes, mas algum também veio de Anha.
A
família Barbosa (Manuel A. Fernandes Barbosa e esposa), custeou todas as
despesas, à excepção do relógio oferecido 10 anos mais tarde, em 1911, pelos
emigrantes no Brasil, através de uma subscrição. A inauguração desta torre foi
em 1901, como muito bem assinala a lápide em pedra já existente.
Uma
moça de 18 anos subiu as escadas da torre com o bronze de um sino enfuado na
cabeça e pesava cerca de 115 quilos!
É um
facto curioso que ilustra a história da torre e da família Barbosa ou por
alcunha Marinheira. Foi a filha Emília, a mais nova, nascida em Setembro de
1883. dizem que era moça muito forte, aliás como as outras irmãs, que se
aventurou a subir os degraus da torre com cerca de 115 Kgs à cabeça. Bravo!
Esta
Emília casou para Barcelos, mas veio a morrer muito nova e sem geração.
À morte
de Manuel Augusto Fernandes Barbosa esta casa coube em herança à filha
Joaquina, nascida em Fevereiro de 1889 e falecida em 1928, casada. Porque do
matrimónio apenas se vingou uma filha de nome Albina da Silva Carvalho, foi a
única filha, e marido desta, que a recebeu à morte de seus pais. São hoje os
actuais proprietários, sempre muito conservadores e zelosos por aquilo que os
seus antepassados deixaram, procurando também melhorar e actualizar aquilo que
é susceptível de perfeição.
Este
casal a exemplo de seus pais e avós continua a ser um dos casais beneméritos da
freguesia e tem só uma filha, professora Maria Eugénia da Silva Reis Lima,
casada.
Artur Coutinho 10.10.1971
P.S.-
Já todos faleceram e a casa é agora de Manuela Carvalho e de seu marido
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Centenário - Padre Júlio Vaz, um professor exímio que também foi meu
Padre Júlio Vaz
Pedagogo, escritor e jornalista.
Somos “memória e projeto”.
Sim, registamos os acontecimentos
que marcaram a nossa vida.
Há personalidades humanistas que
fixamos através do tempo, pois contribuíram para o enriquecimento da nossa
caminhada pelos diversos roteiros existenciais.
Falamos da “memória singular e
admirável”, e recordamos o P.e Júlio Vaz que foi nosso professor na disciplina
de Português e História de Portugal, no Curso de Humanidades, concretizado no
Seminário de Nossa Senhora da Conceição, em Braga.
Estávamos no início dos anos
cinquenta do século passado.
Surge-nos na sala de aula o nosso
professor de Português, e ficamos a conhecer o Senhor P.e Júlio Vaz.
Saúda-nos com palavra amiga de um
verdadeiro humanista, ajudando “os meninos do Seminário Menor” a mitigar as
saudades da família, da casa da aldeia minhota.
Apreciávamos as aulas, mas ainda,
de modo especial, os seus conselhos de padre amigo, abrindo a pouco a pouco,
horizontes para uma vida nova que se iniciava.
AULAS E AUTORES CLASSICOS
As lições eram cuidadosas.
Seguindo os livros “Elementos de
Composição Literária” e “Seleta Portuguesa Explicada”, ambos da autoria de Abel
Guerra (1954), íamos aprendendo a ler bem, analisar os textos e a redigir.
Enfim, escrever com correção.
P.e Júlio Vaz explicava: “A
correção consiste em falar e escrever segunda as regras da gramática”. Outra
qualidade da linguagem é a clareza: “A clareza deve ser o primeiro cuidado de
quem escreve”.
E as aulas iam continuando: “A
concisão é aquela justa economia da linguagem que limita o número de palavras
ao necessário e suficiente, nem mais nem menos”.
Íamos analisando textos de
António Vieira, Bernardes, Antero, Figueiredo, Aquilino Ribeiro, Frei Luís de
Sousa, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Correia de Oliveira e
outros autores consagrados.
LIÇÕES DE HISTORIA DE PORTUGAL
Já no final no Curso de
Humanidades tínhamos a disciplina de História de Portugal.
Era aulas brilhantes.
O P.e Júlio trazia um livro
manuscrito, de sua autoria, encadernado. A marcação dos conteúdos a lecionar
era feita por uma fita.
Ficávamos fascinados pela sua
comunicação e, finda a aula conversávamos.
Recordámos que, mais de que uma
vez, dissemos ao Senhor P.e Júlio que devia publicar o livro, pois até
estudávamos melhor.
Amavelmente, respondia que tinha
que aprofundar mais alguns acontecimentos da História de Portugal.
A sua imagem de pedagogo, amigo e
bom conselheiro perduraram.
Através do tempo apreciamos a sua
atividade de jornalista no Diário do Minho, de modo especial os relados de
viagens e as cronicas sempre atual, intituladas: “Ao fechar da página”.
Ao longo dos anos, cruzamo-nos por
várias vezes, e a saudação era sempre de estima, mesmo cordial.
O LIVRO “ACTUALIZAÇÃO”
Em 1965, os ares da primavera do
Concilio Vaticano II estendiam – se pelo mundo.
O P.e Júlio Vaz redige o livro
“ACTUALIZAÇÃO” respeitante à formação nos seminários.
Ainda hoje há conteúdos e
reflexões dessa publicação a merecer interesse.
Assim podemos ler nas páginas 110
e 111:
“A adolescência caracteriza-se,
também, por atitudes bruscas e desrespeitosas para com os mais velhos ou pelos
responsáveis da sociedade. E a irreverência da idade… Ainda, neste assunto, os
seminários de tipo tradicional contentam-se com recomendações de ordem geral,
com a defesa intransigente das normas disciplinares, com uma confiança absoluta
na vida espiritual.
Esquecem frequentemente, de um
elemento humano, aliás indispensável: “o culto das boas maneiras”.
(…)
O autor refere o que o Arcebispo de
Reims proferiu na Terceira Sessão Conciliar: “ Era necessário cultivar as
virtudes naturais como fator decisivo de diálogo com o mundo”.
Cita ainda D. Vicente Enrique y
Tarancon, na data Arcebispo de Oviedo: “Uma doutrina mesmo que seja a mais
formosa e mais delicada, a mais divina como é a nossa, encarnada numa pessoa
descortês e sem urbanidade, perde cinquenta por cento da sua beleza e do seu
encanto”.
Nesse período, surge “O Pacto das
Catacumbas” (A Missão dos Pobres na Igreja), que é assumido e divulgado por
iniciativa de bispos do Brasil, Colômbia, Argentina, França, e outros países da
Europa África, Ásia e América do Norte.
Não podemos omitir a referência a
D. Hélder Câmara e a D. António Fragoso pelo seu compromisso evangélico para
com as populações mais fragilizadas.
D. Hélder Câmara afirmava:
“Ninguém nasceu para ser pobre”.
REGIONALISTA E MELGACENSE
São várias as publicações do P.e
Júlio Vaz, e entre as quais registamos a comunicação apresentada ao I Encontro
Luso-Galaico realizado em Janeiro de 1985, intitulado “A Gastronomia
Melgacense”.
Desfilando a cozinha tradicional
de Melgaço, com as suas ementas de dias de festa e de trabalho, refere-se ao
apreciado presunto de aroma e paladar único.
Sublinhamos do autor: “Mantém-se
o presunto como o rei da gastronomia local: ele é o ingrediente forte e bem
apaladado da cozinha melgacense; ele é o ocupante primeiro da escolhida certa
do merendeiro nas festas e romarias; ele é o colorido rubi das merendas
caseiras a receber as visitas sobre a toalha de linho, nascida no campo da
aldeia e herdade de gerações, com o seu corte de circunstância: o chouriço
fidalgo, a broa caseira e o vinho, o melhor vinho da casa, ele é o bife sem
igual, presunto de Melgaço o amigo fiel, a solução gastronómica sendo oportuna,
dádiva singular para os paladares mais exigentes”
(…)
José Augusto Vieira confirma-o
com estas palavras: “O presunto, aquele magnífico presunto de Melgaço, cujas
deliciosas qualidades te descrevo, leitor amigo, é especialmente curado em
Fiães”.
Recordo-me bem que, no começo dos anos trinta
e na missa nova de meu irmão mais velho, P.e Carlos, na Capela de Coração de
Jesus da Adedela, Fiães, na qual tomou parte coro e orquestra, composta por
músicos vindos do Porto, finda a refeição – fora o clássico jantar melgacense –
com respeitosa e expressiva timidez pediram a minha querida mãe, se houvesse
sobrado uns nacos de presunto, para ofertar às suas mulheres. “Que nunca
comeram presunto igual, disseram.”
Gostosa e generosamente foram
atendidas com um obrigado sincero de minha mãe.
É pois necessário, preservar,
manter e divulgar a cozinha melgacense”
Finalistas de Teologia – 1964 –
Ex. Alunos de P.e Júlio Vaz
DIGNIDADE E SERENIDADE
O P.e Júlio Vaz que faria 100
anos no próximo 21 de Outubro, trajava sempre de cor escura, usava cabeção
largo e chapéu.
Quando passava na Avenida Central
de Braga, em frente ao Café da Brasileira ou na Arcada, ia cumprimentando as
pessoas, tirando o chapéu, caminhando sempre com passo firme.
Um dia, o Prof. Doutor Abílio
Lima de Carvalho, da Universidade do Minho, e posteriormente Presidente do
Instituto Politécnico de Viana do Castelo comentou: “O P.e Júlio Vaz
impressiona por uma personalidade rica e radiante”.
Tão amigo era da sua terra, quer
da ribeira ou da montanha melgacense, que em 1996 na comemoração do “DIA DO
BRANDEIRO” marcou presença com grande satisfação e amizade, valorizando o
acontecimento cultural.
Na celebração do CENTENÁRIO DO
PADRE JÚLIO VAZ, pedagogo, escritor e jornalista, de quem guardamos boas memórias,
a nossa sentida homenagem.
José Rodrigues Lima
938 583 275
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Dar Alma à Vida XCIX
Dar Alma à Vida XCIX
Dar Alma à Vida não é propor o diálogo, mas dialogar com a natureza; sem ser a partir de certezas científicas absolutas que poderão não conduzir a adopção de medidas eficazes que impeçam a degradação da natureza ou do seu meio ambiente.
Dar Alma à Vida é gerar medidas que não transfiram meios mais danosos para o meio ambiente ou para as pessoas que nele habitam, sobretudo, os mais frágeis, os mais pobres. Dar Alma à Vida é elaborar projectos alternativos em caso de dúvida, pois nem sempre será possível chegar a consensos.
Dar Alma à Vida é ser honesto e transparente para que as ideologias ou os interesses particulares não se sobreponham nem lesem o bem comum. Dar Alma à Vida é colocar o poder político e económico a dialogar entre si, tendo em vista o bem comum, sem esquecer a integridade da pessoa humana: matéria e espírito e a sua religião seja ela qual for. Não seria ético o contrário porque para dar Alma à Vida é necessário uma lógica própria que deixa espaço para uma sincera preocupação pelo ambiente sem pôr de lado o espaço para os lentos, os fracos ou menos dotados e que possam também “singrar na vida” independentemente do êxito alguns com interesses individualistas, consumistas, materialistas.
Dar Alma à Vida é ver com amplitude de uma reformulação integral que abrange um diálogo interdisciplinar os vários aspectos da crise.
Dar Alma à Vida não é desculparem-se mutuamente, pela economia e a política, pela pobreza ou degradação do meio ambiente. “A unidade é superior ao conflito” cita este princípio o Papa Francisco. Dar Alma à Vida é dar espaço à religião no debate político, pois os princípios éticos para a razão é capaz de perceber, sempre podem reaparecer sob distintas roupagens e expressos com linguagens diferentes incluindo a religiosa.
Dar Alma à Vida é descobrir a razão da obra criada. A economia e a política não podem tomar decisões que contrariem esta causa.
Dar Alma à Vida é gerar medidas que não transfiram meios mais danosos para o meio ambiente ou para as pessoas que nele habitam, sobretudo, os mais frágeis, os mais pobres. Dar Alma à Vida é elaborar projectos alternativos em caso de dúvida, pois nem sempre será possível chegar a consensos.
Dar Alma à Vida é ser honesto e transparente para que as ideologias ou os interesses particulares não se sobreponham nem lesem o bem comum. Dar Alma à Vida é colocar o poder político e económico a dialogar entre si, tendo em vista o bem comum, sem esquecer a integridade da pessoa humana: matéria e espírito e a sua religião seja ela qual for. Não seria ético o contrário porque para dar Alma à Vida é necessário uma lógica própria que deixa espaço para uma sincera preocupação pelo ambiente sem pôr de lado o espaço para os lentos, os fracos ou menos dotados e que possam também “singrar na vida” independentemente do êxito alguns com interesses individualistas, consumistas, materialistas.
Dar Alma à Vida é ver com amplitude de uma reformulação integral que abrange um diálogo interdisciplinar os vários aspectos da crise.
Dar Alma à Vida não é desculparem-se mutuamente, pela economia e a política, pela pobreza ou degradação do meio ambiente. “A unidade é superior ao conflito” cita este princípio o Papa Francisco. Dar Alma à Vida é dar espaço à religião no debate político, pois os princípios éticos para a razão é capaz de perceber, sempre podem reaparecer sob distintas roupagens e expressos com linguagens diferentes incluindo a religiosa.
Dar Alma à Vida é descobrir a razão da obra criada. A economia e a política não podem tomar decisões que contrariem esta causa.
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