AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com

Obrigado

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Uma casa de Mazarefes no sítio da Broeira





Uma casa de Mazarefes que foi  propriedade do Abade Matos e onde chegou a viver uma sobrinha, Maria Matos, esposa do Manuel Dias, capador, vendida ao pai da Ermelinda Oliveira. Em frente fica a o campo dos "Deiras" conhecido pelo campo da Broeira.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A casa das Marinheiras em Mazarefes


A casa das Marinheiras em Mazarefes

Ergue-se numa quinta um pouco acima da capela da Senhora das Boas-Novas, em Mazarefes, e contígua à estrada camarária que atravessa o centro da freguesia, fazendo ligação entre a Estrada Nacional nº203 e a nº308, um grande casario, sem dúvida, em todas as suas dimensões, o maior desta aldeia.
Está ladeado por dois grandes portões de ferro, ambos aformoseados com boa cantaria. Nas bases de cada uma das «pirâmbulas» sobre o portão do lado norte encontram-se as seguintes inscrições respectivamente:
BEME/LD SEJA/O S. SAC. e P.N.A./A. AS/M EAL/
/MAS.
No portão do lado sul estão cravadas a ferro as iniciais (M. A. F. B.) do nome do primeiro proprietário e o ano (1895) em que foi feito.
É actualmente pertença de José de Oliveira da Silva Reis e de Albina da Silva Carvalho, casados em 1940.




O primeiro proprietário foi o senhor Manuel Augusto Fernandes Barbosa, filho de Manuel Fernandes Barbosa e de Maria Cândida da Rocha, falecido em Agosto de 1920. Havia casado em 20 de Novembro de 1864 com Antónia da Silva Meira, filha de Manuel Rodrigues de Carvalho e Maria da Silva, por sua vez, falecido em 1913. Este casal era muito rico, mas vivia, na mesma quinta, numa casa bastante mais modesta. Veio a ser herdeiro, por falecimento de Manuel Pereira da Rocha Viana, em 16 de Abril de 1892, com 77 anos, solteiro, irmão de Maria Cândida da Rocha e, consequentemente, tio em primeiro grau de Manuel Augusto Fernandes Barbosa.
Então a sua riqueza atingiu maiores proporções.
Conta-se que o senhor Rocha Viana, da marinha mercante e natural de Viana, era pessoa de grandes haveres. Pelo testamento que tive o prazer de consultar por especial deferência da Secretaria da Santa Casa da Misericórdia de Viana verifiquei isso mesmo.
Deixou grandes somas a diversas instituições, parentes, empregados e os bens remanescentes foram divididos em partes iguais por 4 sobrinhos. Desta maneira a família Barbosa tornou-se a família mais rica da freguesia e mandou construir esta casa que, na ocasião, 1894, ficou por cerca de 5.000$000.
Esta foi a razão que mais tarde lhe chamou a «casa da riquíssima».
Todavia esta riqueza fazia bem falta, pois rodeava este casal uma numerosa geração... nada menos de 11 pérolas nesta aliança matrimonial como: A Maria, que casou com António Afonso da Silva, de Subportela; o Manuel, que se ordenou de sacerdote em Beja, vindo mais tarde a ser capelão da capela da Senhora das Boas-Novas e pároco de Darque; a Rosa, que faleceu aos 4 anos de idade; o José, que casou para S. Lourenço do Mato; o João, que casou para Serreleis; a Ana, que casou com Joaquim Alves de Araújo, de Darque; a Joaquina, que casou com Francisco da Silva Carvalho, de Mazarefes; a outra filha de nome Rosa, que casou para Subprotela, a Antónia, que casou com José de Oliveira Reis de Mazarefes; a Teresa, que casou com José António de Oliveira Reis, também de Mazarefes, pais do actual proprietário; e a Emília, que casou para Galegos, Barcelos.
Como, porém, esta riqueza recebida da herança do tio viesse melhorar ainda muito mais as condições económicas da família, os devotados pais de tão numerosa família mandaram construir esta casa mais condigna, ficando, desde aí, a ser conhecida por Casa das Marinheiras, devido talvez ao facto da herança recebida do tio que era marinheiro e, possivelmente, ao número de filhas casadoiras existentes neste lar. Assim se explica que, para onde elas casaram, se implantasse a alcunha marinheira.
Também não faltou brio e bairrismo e, sobretudo, devoção à Senhora das Boas-Novas para, à semelhança de uma casa enorme em que gastaram muito dinheiro, mandarem fazer aquela grande torre, que hoje vemos e admiramos, na capela da «Senhora dos Emigrantes» e, sobretudo, dos emigrantes que se encontravam, naquele tempo, no Brasil. Nesta torre gastou a família Barbosa para cima de 600$000 mil reis só para a mão-de-obra que dizia respeito a pedreiro. O construtor que erigiu a torre era de Santa Marta de Portuzelo – o Rocha. A pedra veio do alto de Mazarefes, mas algum também veio de Anha.
A família Barbosa (Manuel A. Fernandes Barbosa e esposa), custeou todas as despesas, à excepção do relógio oferecido 10 anos mais tarde, em 1911, pelos emigrantes no Brasil, através de uma subscrição. A inauguração desta torre foi em 1901, como muito bem assinala a lápide em pedra já existente.
Uma moça de 18 anos subiu as escadas da torre com o bronze de um sino enfuado na cabeça e pesava cerca de 115 quilos!
É um facto curioso que ilustra a história da torre e da família Barbosa ou por alcunha Marinheira. Foi a filha Emília, a mais nova, nascida em Setembro de 1883. dizem que era moça muito forte, aliás como as outras irmãs, que se aventurou a subir os degraus da torre com cerca de 115 Kgs à cabeça. Bravo!
Esta Emília casou para Barcelos, mas veio a morrer muito nova e sem geração.
À morte de Manuel Augusto Fernandes Barbosa esta casa coube em herança à filha Joaquina, nascida em Fevereiro de 1889 e falecida em 1928, casada. Porque do matrimónio apenas se vingou uma filha de nome Albina da Silva Carvalho, foi a única filha, e marido desta, que a recebeu à morte de seus pais. São hoje os actuais proprietários, sempre muito conservadores e zelosos por aquilo que os seus antepassados deixaram, procurando também melhorar e actualizar aquilo que é susceptível de perfeição.
Este casal a exemplo de seus pais e avós continua a ser um dos casais beneméritos da freguesia e tem só uma filha, professora Maria Eugénia da Silva Reis Lima, casada.
Artur Coutinho 10.10.1971
P.S.- Já todos faleceram e a casa é agora de Manuela Carvalho, uma filha de um primo e de seu marido natural de Chafé e pais de uma filha.
Daqui saíu o avô do José Tavares Reis, das Finanças, reformado e um cidadão de renome na cidade pai de um casal de filhos. O José Reis é agora o Presidente da Direcção do Lar de Santa Teresa.

sábado, 8 de outubro de 2016

Dar Alma à Vida C

Dar Alma à Vida  C


Dar Alma à Vida é contrariar o que as culturas das diferentes épocas foram limitando a consciência do património ético e espiritual.
Dar Alma à Vida é pôr as religiões em diálogo para que, com o regresso às fontes, possam melhor responder aos problemas de hoje.
Dar Alma à Vida é evitar que diferentes saberes da ciência absolutizem, fechando-se sobre si mesmas na linguagem, criando guetos que limitam o respeito e a fraternidade entre os homens.
Dar Alma à Vida é pôr os diferentes sectores do conhecimento científico a dialogarem para que se possa criar uma teia na construção adequada e enfrentar os problemas da crise ambiental onde todos possam pensar no bem de todos, pelo caminho do diálogo “paciente, ascético e generoso” tendo em conta sempre, como o Papa Francisco sita, “A realidade é superior à ideia”.




Dar Alma à Vida é fazer descer o consumismo compulsivo, obsessivo próprio do técnico-económico porque actualmente vive-se um sentido de precariedade e insegurança que favorece formas de egoísmo colectivo.
Dar Alma à Vida é gerar um novo estilo de vida à volta do poder económico, político e social onde o homem se integra.
Dar Alma à Vida é deixar para traz uma etapa das autodestruições e gerar uma consciência universal que torne possível descobrir, regressar às fontes, despertar nos homens uma nova reverência em relação à vida nas ocasiões decisórias sobre a sustentabilidade da humanidade e do conhecimento.





Dar Alma à Vida é ver no Evangelho o modo de pensar, sentir e viver, descobrindo que motivações que derivam da espiritualidade podem alimentar a grande paixão no cuidado pelo outro, e pela ecologia em geral de que Francisco de Assis deu exemplo com alegria, paz e amor.

A casa das Marinheiras em Mazarefes

A casa das Marinheiras em Mazarefes

Ergue-se numa quinta um pouco acima da capela da Senhora das Boas-Novas, em Mazarefes, e contígua à estrada camarária que atravessa o centro da freguesia, fazendo ligação entre a Estrada Nacional nº203 e a nº308, um grande casario, sem dúvida, em todas as suas dimensões, o maior desta aldeia.
Está ladeado por dois grandes portões de ferro, ambos aformoseados com boa cantaria. Nas bases de cada uma das «pirâmbulas» sobre o portão do lado norte encontram-se as seguintes inscrições respectivamente:

BEME/LD SEJA/O S. SAC. e  P.N.A./A. AS/M EAL/
/MAS.

No portão do lado sul estão cravadas a ferro as iniciais (M. A. F. B.) do nome do primeiro proprietário e o ano (1895) em que foi feito.
É actualmente pertença de José de Oliveira da Silva Reis e de Albina da Silva Carvalho, casados em 1940.
O primeiro proprietário foi o senhor Manuel Augusto Fernandes Barbosa, filho de Manuel Fernandes Barbosa e de Maria Cândida da Rocha, falecido em Agosto de 1920. Havia casado em 20 de Novembro de 1864 com Antónia da Silva Meira, filha de Manuel Rodrigues de Carvalho e Maria da Silva, por sua vez, falecido em 1913. Este casal era muito rico, mas vivia, na mesma quinta, numa casa bastante mais modesta. Veio a ser herdeiro, por falecimento de Manuel Pereira da Rocha Viana, em 16 de Abril de 1892, com 77 anos, solteiro, irmão de Maria Cândida da Rocha e, consequentemente, tio em primeiro grau de Manuel Augusto Fernandes Barbosa.
Então a sua riqueza atingiu maiores proporções.
Conta-se que o senhor Rocha Viana, da marinha mercante e natural de Viana, era pessoa de grandes haveres. Pelo testamento que tive o prazer de consultar por especial deferência da Secretaria da Santa Casa da Misericórdia de Viana verifiquei isso mesmo.
Deixou grandes somas a diversas instituições, parentes, empregados e os bens remanescentes foram divididos em partes iguais por 4 sobrinhos. Desta maneira a família Barbosa tornou-se a família mais rica da freguesia e mandou construir esta casa que, na ocasião, 1894, ficou por cerca de 5.000$000.
Esta foi a razão que mais tarde lhe chamou a «casa da riquíssima».




Todavia esta riqueza fazia bem falta, pois rodeava este casal uma numerosa geração... nada menos de 11 pérolas nesta aliança matrimonial como: A Maria, que casou com António Afonso da Silva, de Subportela; o Manuel, que se ordenou de sacerdote em Beja, vindo mais tarde a ser capelão da capela da Senhora das Boas-Novas e pároco de Darque; a Rosa, que faleceu aos 4 anos de idade; o José, que casou para S. Lourenço do Mato; o João, que casou para Serreleis; a Ana, que casou com Joaquim Alves de Araújo, de Darque; a Joaquina, que casou com Francisco da Silva Carvalho, de Mazarefes; a outra filha de nome Rosa, que casou para Subprotela, a Antónia, que casou com José de Oliveira Reis de Mazarefes; a Teresa, que casou com José António de Oliveira Reis, também de Mazarefes, pais do actual proprietário; e a Emília, que casou para Galegos, Barcelos.
Como, porém, esta riqueza recebida da herança do tio viesse melhorar ainda muito mais as condições económicas da família, os devotados pais de tão numerosa família mandaram construir esta casa mais condigna, ficando, desde aí, a ser conhecida por Casa das Marinheiras, devido talvez ao facto da herança recebida do tio que era marinheiro e, possivelmente, ao número de filhas casadoiras existentes neste lar. Assim se explica que, para onde elas casaram, se implantasse a alcunha marinheira.
Também não faltou brio e bairrismo e, sobretudo, devoção à Senhora das Boas-Novas para, à semelhança de uma casa enorme em que gastaram muito dinheiro, mandarem fazer aquela grande torre, que hoje vemos e admiramos, na capela da «Senhora dos Emigrantes» e, sobretudo, dos emigrantes que se encontravam, naquele tempo, no Brasil. Nesta torre gastou a família Barbosa para cima de 600$000 mil reis só para a mão-de-obra que dizia respeito a pedreiro. O construtor que erigiu a torre era de Santa Marta de Portuzelo – o Rocha. A pedra veio do alto de Mazarefes, mas algum também veio de Anha.
A família Barbosa (Manuel A. Fernandes Barbosa e esposa), custeou todas as despesas, à excepção do relógio oferecido 10 anos mais tarde, em 1911, pelos emigrantes no Brasil, através de uma subscrição. A inauguração desta torre foi em 1901, como muito bem assinala a lápide em pedra já existente.

Uma moça de 18 anos subiu as escadas da torre com o bronze de um sino enfuado na cabeça e pesava cerca de 115 quilos!

É um facto curioso que ilustra a história da torre e da família Barbosa ou por alcunha Marinheira. Foi a filha Emília, a mais nova, nascida em Setembro de 1883. dizem que era moça muito forte, aliás como as outras irmãs, que se aventurou a subir os degraus da torre com cerca de 115 Kgs à cabeça. Bravo!
Esta Emília casou para Barcelos, mas veio a morrer muito nova e sem geração.
À morte de Manuel Augusto Fernandes Barbosa esta casa coube em herança à filha Joaquina, nascida em Fevereiro de 1889 e falecida em 1928, casada. Porque do matrimónio apenas se vingou uma filha de nome Albina da Silva Carvalho, foi a única filha, e marido desta, que a recebeu à morte de seus pais. São hoje os actuais proprietários, sempre muito conservadores e zelosos por aquilo que os seus antepassados deixaram, procurando também melhorar e actualizar aquilo que é susceptível de perfeição.
Este casal a exemplo de seus pais e avós continua a ser um dos casais beneméritos da freguesia e tem só uma filha, professora Maria Eugénia da Silva Reis Lima, casada.


                                                        Artur Coutinho     10.10.1971

P.S.- Já todos faleceram e a casa é agora de Manuela Carvalho e de seu marido


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Centenário - Padre Júlio Vaz, um professor exímio que também foi meu

Padre Júlio Vaz
Pedagogo, escritor e jornalista.

Somos “memória e projeto”.
Sim, registamos os acontecimentos que marcaram a nossa vida.
Há personalidades humanistas que fixamos através do tempo, pois contribuíram para o enriquecimento da nossa caminhada pelos diversos roteiros existenciais.
Falamos da “memória singular e admirável”, e recordamos o P.e Júlio Vaz que foi nosso professor na disciplina de Português e História de Portugal, no Curso de Humanidades, concretizado no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, em Braga.
Estávamos no início dos anos cinquenta do século passado.
Surge-nos na sala de aula o nosso professor de Português, e ficamos a conhecer o Senhor P.e Júlio Vaz.
Saúda-nos com palavra amiga de um verdadeiro humanista, ajudando “os meninos do Seminário Menor” a mitigar as saudades da família, da casa da aldeia minhota.
Apreciávamos as aulas, mas ainda, de modo especial, os seus conselhos de padre amigo, abrindo a pouco a pouco, horizontes para uma vida nova que se iniciava.
AULAS E AUTORES CLASSICOS





As lições eram cuidadosas.
Seguindo os livros “Elementos de Composição Literária” e “Seleta Portuguesa Explicada”, ambos da autoria de Abel Guerra (1954), íamos aprendendo a ler bem, analisar os textos e a redigir.
Enfim, escrever com correção.
P.e Júlio Vaz explicava: “A correção consiste em falar e escrever segunda as regras da gramática”. Outra qualidade da linguagem é a clareza: “A clareza deve ser o primeiro cuidado de quem escreve”.
E as aulas iam continuando: “A concisão é aquela justa economia da linguagem que limita o número de palavras ao necessário e suficiente, nem mais nem menos”.
Íamos analisando textos de António Vieira, Bernardes, Antero, Figueiredo, Aquilino Ribeiro, Frei Luís de Sousa, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Correia de Oliveira e outros autores consagrados.

LIÇÕES DE HISTORIA DE PORTUGAL
Já no final no Curso de Humanidades tínhamos a disciplina de História de Portugal.
Era aulas brilhantes.
O P.e Júlio trazia um livro manuscrito, de sua autoria, encadernado. A marcação dos conteúdos a lecionar era feita por uma fita.
Ficávamos fascinados pela sua comunicação e, finda a aula conversávamos.
Recordámos que, mais de que uma vez, dissemos ao Senhor P.e Júlio que devia publicar o livro, pois até estudávamos melhor.
Amavelmente, respondia que tinha que aprofundar mais alguns acontecimentos da História de Portugal.
A sua imagem de pedagogo, amigo e bom conselheiro perduraram.
Através do tempo apreciamos a sua atividade de jornalista no Diário do Minho, de modo especial os relados de viagens e as cronicas sempre atual, intituladas: “Ao fechar da página”.
Ao longo dos anos, cruzamo-nos por várias vezes, e a saudação era sempre de estima, mesmo cordial.


O LIVRO “ACTUALIZAÇÃO”
Em 1965, os ares da primavera do Concilio Vaticano II estendiam – se pelo mundo.
O P.e Júlio Vaz redige o livro “ACTUALIZAÇÃO” respeitante à formação nos seminários.
Ainda hoje há conteúdos e reflexões dessa publicação a merecer interesse.
Assim podemos ler nas páginas 110 e 111:


“A adolescência caracteriza-se, também, por atitudes bruscas e desrespeitosas para com os mais velhos ou pelos responsáveis da sociedade. E a irreverência da idade… Ainda, neste assunto, os seminários de tipo tradicional contentam-se com recomendações de ordem geral, com a defesa intransigente das normas disciplinares, com uma confiança absoluta na vida espiritual.
Esquecem frequentemente, de um elemento humano, aliás indispensável: “o culto das boas maneiras”.
(…)
O autor refere o que o Arcebispo de Reims proferiu na Terceira Sessão Conciliar: “ Era necessário cultivar as virtudes naturais como fator decisivo de diálogo com o mundo”.
Cita ainda D. Vicente Enrique y Tarancon, na data Arcebispo de Oviedo: “Uma doutrina mesmo que seja a mais formosa e mais delicada, a mais divina como é a nossa, encarnada numa pessoa descortês e sem urbanidade, perde cinquenta por cento da sua beleza e do seu encanto”.
Nesse período, surge “O Pacto das Catacumbas” (A Missão dos Pobres na Igreja), que é assumido e divulgado por iniciativa de bispos do Brasil, Colômbia, Argentina, França, e outros países da Europa África, Ásia e América do Norte.
Não podemos omitir a referência a D. Hélder Câmara e a D. António Fragoso pelo seu compromisso evangélico para com as populações mais fragilizadas.
D. Hélder Câmara afirmava: “Ninguém nasceu para ser pobre”.



REGIONALISTA E MELGACENSE
São várias as publicações do P.e Júlio Vaz, e entre as quais registamos a comunicação apresentada ao I Encontro Luso-Galaico realizado em Janeiro de 1985, intitulado “A Gastronomia Melgacense”.
Desfilando a cozinha tradicional de Melgaço, com as suas ementas de dias de festa e de trabalho, refere-se ao apreciado presunto de aroma e paladar único.
Sublinhamos do autor: “Mantém-se o presunto como o rei da gastronomia local: ele é o ingrediente forte e bem apaladado da cozinha melgacense; ele é o ocupante primeiro da escolhida certa do merendeiro nas festas e romarias; ele é o colorido rubi das merendas caseiras a receber as visitas sobre a toalha de linho, nascida no campo da aldeia e herdade de gerações, com o seu corte de circunstância: o chouriço fidalgo, a broa caseira e o vinho, o melhor vinho da casa, ele é o bife sem igual, presunto de Melgaço o amigo fiel, a solução gastronómica sendo oportuna, dádiva singular para os paladares mais exigentes”
(…)
José Augusto Vieira confirma-o com estas palavras: “O presunto, aquele magnífico presunto de Melgaço, cujas deliciosas qualidades te descrevo, leitor amigo, é especialmente curado em Fiães”.
 Recordo-me bem que, no começo dos anos trinta e na missa nova de meu irmão mais velho, P.e Carlos, na Capela de Coração de Jesus da Adedela, Fiães, na qual tomou parte coro e orquestra, composta por músicos vindos do Porto, finda a refeição – fora o clássico jantar melgacense – com respeitosa e expressiva timidez pediram a minha querida mãe, se houvesse sobrado uns nacos de presunto, para ofertar às suas mulheres. “Que nunca comeram presunto igual, disseram.”
Gostosa e generosamente foram atendidas com um obrigado sincero de minha mãe.
É pois necessário, preservar, manter e divulgar a cozinha melgacense”
Finalistas de Teologia – 1964 – Ex. Alunos de P.e Júlio Vaz





DIGNIDADE E SERENIDADE
O P.e Júlio Vaz que faria 100 anos no próximo 21 de Outubro, trajava sempre de cor escura, usava cabeção largo e chapéu.
Quando passava na Avenida Central de Braga, em frente ao Café da Brasileira ou na Arcada, ia cumprimentando as pessoas, tirando o chapéu, caminhando sempre com passo firme.
Um dia, o Prof. Doutor Abílio Lima de Carvalho, da Universidade do Minho, e posteriormente Presidente do Instituto Politécnico de Viana do Castelo comentou: “O P.e Júlio Vaz impressiona por uma personalidade rica e radiante”.
Tão amigo era da sua terra, quer da ribeira ou da montanha melgacense, que em 1996 na comemoração do “DIA DO BRANDEIRO” marcou presença com grande satisfação e amizade, valorizando o acontecimento cultural.
Na celebração do CENTENÁRIO DO PADRE JÚLIO VAZ, pedagogo, escritor e jornalista, de quem guardamos boas memórias, a nossa sentida homenagem.


José Rodrigues Lima
938 583 275


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Dar Alma à Vida XCIX

Dar Alma à Vida XCIX


Dar Alma à Vida não é propor o diálogo, mas dialogar com a natureza; sem ser a partir de certezas científicas absolutas que poderão não conduzir a adopção de medidas eficazes que impeçam a degradação da natureza ou do seu meio ambiente. 
Dar Alma à Vida é gerar medidas que não transfiram meios mais danosos para o meio ambiente ou para as pessoas que nele habitam, sobretudo, os mais frágeis, os mais pobres. Dar Alma à Vida é elaborar projectos alternativos em caso de dúvida, pois nem sempre será possível chegar a consensos. 



Dar Alma à Vida é ser honesto e transparente para que as ideologias ou os interesses particulares não se sobreponham nem lesem o bem comum. Dar Alma à Vida é colocar o poder político e económico a dialogar entre si, tendo em vista o bem comum, sem esquecer a integridade da pessoa humana: matéria e espírito e a sua religião seja ela qual for. Não seria ético o contrário porque para dar Alma à Vida é necessário uma lógica própria que deixa espaço para uma sincera preocupação pelo ambiente sem pôr de lado o espaço para os lentos, os fracos ou menos dotados e que possam também “singrar na vida” independentemente do êxito alguns com interesses individualistas, consumistas, materialistas. 


Dar Alma à Vida é ver com amplitude de uma reformulação integral que abrange um diálogo interdisciplinar os vários aspectos da crise. 
Dar Alma à Vida não é desculparem-se mutuamente, pela economia e a política, pela pobreza ou degradação do meio ambiente. “A unidade é superior ao conflito” cita este princípio o Papa Francisco. Dar Alma à Vida é dar espaço à religião no debate político, pois os princípios éticos para a razão é capaz de perceber, sempre podem reaparecer sob distintas roupagens e expressos com linguagens diferentes incluindo a religiosa. 
Dar Alma à Vida é descobrir a razão da obra criada. A economia e a política não podem tomar decisões que contrariem esta causa.