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Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A CASA DOS CORDOEIROS DE Mazarefes



A CASA DOS CORDOEIROS


            A Casa dos Cordoeiros foi sempre conhecida por uma grande casa da terra de Mazarefes. Os Cordoeiros eram muito conhecidos, uma casa forte, casa rica.
            Dizem que tinha a ver com uma cordoaria, mas consta que o nome de Cordoeiros o recebeu esta família por se dedicar ao contrabando de cordas espanholas. Vinham de barco pelo mar, subindo o Rio Lima até ao poço Tranquinho, onde os coordenadores recebiam a mercadoria e depois a negociavam na terra, em Barcelos e na cidade de Viana...
            O Cordoeiro deveria ter nascido na casa onde hoje vive o Francisco do Cordoeiro e em 1699, aí viveu o Manuel Alves Cordas e só em fins do séc. XVIII, os Coutinhos chegaram a Mazarefes. Seria alcunha? Deixando a alcunha “Cordoeiros”, naturalmente ligada ao negócio de cordas, vindas ou não de Espanha, de contrabando ou não, o que é certo é que esta casa é a Casa dos Coutinhos. Os Coutinhos para Mazarefes vieram de Alvarães, de Vila de Punhe, de Vila Fria e de Darque. No entanto, os actuais Coutinhos são todos Cordoeiros na sua origem de Vila de Punhe e de Darque e deviam ter nascido aí. A Casa dos Cordoeiros da Capela veio mais tarde ou porque desenvolveram o negócio e se fizeram mais ricos ou por outro motivo que se desconhece, pois a casa dos cordoeiros de cima não tinha a estrutura de grandeza como a de baixo. Na de Baixo, que era a casa dos meus bisavós paternos, pelo lado da mãe do meu pai. Ainda lá conheci alguns engenhos do trançamento das fibras de cizal e o grande tanque de água para a demolha.
            O negócio das cordas foi anterior e veio de outras famílias, inclusivamente. Já referi o Manuel Alves Cordas, e outro ligado à família que foi o Manuel Luís Gandra, o Cordoeiro, que casou em Mazarefes, em 1838 com Rosa, filha de José de Araújo Coutinho. Este Gandra tem família nesta cidade e arredores, como no Rio de Janeiro.




            Os Coutinhos que hoje existem vão todos entroncar no casamento de Domingos de Araújo Coutinho, de Vila de Punhe, com Josefa Soares, de Darque. O filho deste casal José de Araújo Coutinho foi o “Cordoeiro” por excelência, pois possuía em Viana uma Cordoaria, tendo grande sucesso neste negócio. Casou com Maria Rodrigues, em 1802, filha de Francisco Rodrigues de Carvalho e Teresa Rodrigues, das Boas Novas, em 1806. Deste matrimónio nasceram 9 filhos, a Maria (1804), o Manuel (1807), o Francisco (1810), Alexandre (1813), a Ana (1815), Rosa (1816), Ana (1820), Inês (1822) e José Rodrigues de Araújo Coutinho (1826).
            O Francisco casou com Teresa Rodrigues, filha de Francisco António de Matos e Teresa Rodrigues e foram os pais do Padre José de Araújo Coutinho. Este padre foi ao Brasil, celebrava na Capela das Boas Novas, foi autor da reconstrução da Capela de S. Simão, no Lugar da antiga igreja paroquial e foi Pároco de Mazarefes. Nasceu em 1835 e faleceu em 1892. O Francisco foi pai de 6 filhos: O Manuel (1835), a Maria, a Ana (1840), a Inês (1842), a Teresa (1844) e a Rosa (1847).
            O José ficou na casa que se mostra e casou com Maria Rodrigues do Rego (de Anha). Este José Rodrigues de Araújo Coutinho não era negociante de cordas, nem fabricante delas. Era negociante de milho e fornecia Viana. Os negócios fazia-os nos Concelhos de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Ponte de Lima. O transporte era feito em barco. Morreu muito novo, aos 35 anos, depois de uma coça que lhe deram nos Arcos. Morreu em casa, em Mazarefes e deixou viúva a Maria Pinta, de Anha (Maria Rodrigues do Rego). Esta viúva foi madrinha do padre José Gonçalves Damião, seu bissobrinho, neto materno de Rosa que casou para Darque com José Alves de Araújo e filho de uma Ana. O José e a “Maria Pinta” tiveram 5 filhos: o António (1866) que casou com Ana Ribeiro da Silva, da Casa dos Brasileiros e que ficou em casa, o Alexandre (1855) que casou para a Conchada com Maria Rodrigues da Torre, o José (1856), escrivão de direito, que casou com Maria das Dores, em 1880, filha de João Francisco dos Reis e Maria das Dores Araújo, de Viana, o Manuel (1849) era lavrador e casou com Rosa Ribeiro, filha de José Pereira Pinto e Teresa Ribeiro, em 8 de Dezembro de 1871, para a Casa da Castela de Cima ou Castela da Estrada e o Francisco (1852), a Inês casou com Manuel Maciel de Forjães, filho de Manuel Maciel e de Joana Rodrigues Lima, em 1851.  Foi mãe de dois filhos, tendo sido um deles padre (deixou geração!).
            1. O ALEXANDRE era lavrador e teve 10 filhos de sua mulher, Maria Rodrigues da Torre, a Morgada, muito rica, (dos Piscos do Monte, primos dos da Regadia, daí o apelido “Vaz”): o José (1886) casou com a irmã do Zé da Vila, prima carnal e foi pai de 7 filhos: o Manuel - Padre com a dignidade de Monsenhor, a Madalena casou com o primo, filho da Casa da Vila e deixou um filho, a Emília que casou com Casimiro Araújo e mãe de duas filhas, a Maria que casou com António Alves Pereira, mãe de uma filha Rosa, conhecida pela “Rosinha”, a Deolinda que casou com o José Pitta e morreu nova sem filhos, a Rosa que casou com o José Pitta, viúvo e cunhado, e mãe de um filho, o José casado com Eulália, de Sta. Marta e pai de uma filha e Alexandre que estudou medicina no Brasil e morreu esmagado no Brasil, quando de moto ultrapassou um carro no Recife, o Manuel (1888) casou, no Brasil, com uma alemã e morreram sem filhos. O Primo (1891) morreu criança, a Deolinda (1893) casou com o primo carnal José de Araújo Coutinho, tio do actual Francisco do Cordoeiro e mãe da Rosinda que casou com um Sampaio de Anha e mãe de duas filhas, a Rosa que casou com o Manuel Coutinho de Araújo (Catrino) da Regadia, mãe de 5 filhos; o José, casado no Brasil e pai duma filha, a Jussara, a Maria, casada com José Vaz e mãe de 2 filhos, o António casado com a Conceição de Anha e com 5 filhos; o Abel, casado com Olívia de Sta. Marta e a morar em Vila Franca, com 2 filhos. (Alberto, solteiro e Maria de Fátima casada com Filipe Pires e mãe de Pedro e Sara); (José Alberto casado com Laura, de Braga; Hernani Manuel casado com Olga, de Vila Franca; Maria Emília, solteira; Maria do Sameiro casada com José Carlos Taborda de V. Franca);  o Manuel que casou com Conceição Araújo, da Regadia e sem filhos. O António (1896) casou com a prima carnal Maria Ribeiro da Silva, que foram para a Casa dos Brasileiros herdar os bens do tio Miguel Francisco dos Reis, irmão da mãe da Maria e foi pai de 2 filhos: o Manuel e a Maria. A Maria casou com 18 anos para Barroselas com Abel Sá Portela, mas não tiveram filhos; o Manuel casou com a Deolinda do Monte e foi pai de 3 filhos: o Artur que é padre, o Abel que é engenheiro mecânico ramo gestão da produção e casado com Joana Isabel Lourenço, prima carnal de Monsenhor Sebastião Ferreira e pai de duas filhas, a Maria do Céu, doméstica e casada com José Barreto, oriundo também da Casa dos Brasileiros pelo lado da mãe e ambos têm 2 filhos. O Abel (1898) morreu jovem depois de ter lido a Bíblia e com perturbações por não compreender alguns textos, a Maria (1902) casou para Anha e morreu sem filhos, a Rosa (1904) morreu solteira e sem filhos, a Marta (1906) casou com Joaquim Alves Coutinho, de Alvarães, tio do Pe. Dr. Jorge Peixoto Coutinho. A casa onde viveu era do chefe e fundador da Banda do Carvalho. Quando na festa de S. Silvestre, em 25 de Julho, Cardielos, regia a banda acabou por ver a sua casa, diga-se: uma grande casa e uma grande quinta em Mazarefes a arder pelo que desanimou, vendendo-a a alguém a quem o Alexandre a comprou e depois foi para a Marta que foi mãe de 5 filhos: a Deolinda casada com o Joaquim Araújo de Anha e com 2 filhas, o Manuel casado com Rosa Rocha Alves, de Deão, a viver em Vila Franca e com 8 filhos,(Elsa casada com o Manuel Cruz de Sulportela; Maria da Conceição casada com Manuel Lima, de Antas; Ana Margarida casada com Anselmo Judas de V. Fria; Duarte casado com Ilídia, de Castelo de Neiva; José Alberto casado com Laura, de Braga; Hernani Manuel casado com Olga, de Vila Franca; Maria Emília solteira; Maria do Sameiro casada com José Carlos Taborda, de Vila Franca); a Maria casada para Alvarães e mãe de 3 filhos, a Cândida casada com Manuel Rodrigues, de Durrães e sem filhos e a Augusta casada com Joaquim Lourenço e com dois filhos. A Conceição (1909) casou para Vila Fria com Alfredo Lima, dos Caroças e a última dos irmãos a falecer em 1999, foi mãe de 4 filhos: o Alexandre, Coronel de Cavalaria, casado com Isabel e com 2 filhos, a Augusta, casada com António Rego e com 2 filhos, a Cecília, casada para Vila Franca e com 1 filho, o Rui e formado em medicina,  e o Manuel, casado e com 4 filhos.
            2. O ANTÓNIO era lavrador, ficou na casa e teve também 10 filhos, depois de ter casado com Ana Ribeiro da Silva, da Casa dos Brasileiros: A Maria (1891), que casou com o primo carnal António e foi para a casa do tio Miguel, da Casa dos Brasileiros, a Rosa (1896), que ficou na casa até à morte da mãe e casou com António Correia e foi mãe da Elvira (casada com Floriano de Vila Franca e mãe de 3 filhos: a Maria, casada com Constantino Liquito e mãe de 3 filhos, tendo já falecido o Carlos, de acidente em 1985, a Idalina, casada com o António Coutinho de Carvalho e mãe de 3 filhos). O António que morreu criança, o José (1898), ficou inicialmente em casa, mas morreu muito novo, com uma pneumonia, talvez provocada por excessos de zelo e trabalho com o moinho que foi do Santa Marinha e hoje é da viúva de José da Silva de Oliveira Reis, D. Albina Carvalho, o Moinho conhecido pelo da “Fonte dos Anjinhos”. A viúva deste José, Emília Barbosa, das Marinheiras, casou novamente para Vila Franca, com o Manuel Pequeno, pai dos actuais “Pequenos” de Vila Franca. O José morreu cedo, mas ainda foi pai de 4 filhos: o António casado com Olívia, não teve filhos e acabou por ficar com a Casa de Origem, o Manuel, casado e com 2 filhos (o filho José morreu fulminado por uma faísca) e ele falecido em 2000 na África do Sul, onde morreu o filho José, a Laurinda, casada com Bernardino Jácome, de Vila Franca e com 2 filhas: a Elvira e a Albertina. A Elvira casou com o Agostinho Manso e tem 2 filhos: o Fábio e o Adolfo. A Maria Albertina casou com Adolfo Azevedo e é mãe de 2 filhas (a Sílvia, jovem estudante que morreu de um acidente de carro e deixou um testemunho religioso muito forte e a Ariana) e a Elvira casada com Bernardino Pequeno e com 3 filhos. A viúva Emília teve ainda do Manuel Pequeno mais 4 filhos. A Antónia (1894), que morreu jovem, a Laura (1902), que casou para Anha com António Silva e teve 5 filhos: A Rosa, que casou com o Manuel Faria em 1941, mãe de 2 filhos, o Manuel, que casou a primeira vez com Maria Pintado em 1943 e morreu em 1964 e pai da Isabel e do Filipe e casou a segunda vez com Anie uma francesa, a Maria, o António (casou e tem filhos para além de uma filha fora do casamento) e a Lucinda, casada com José Marinho em 1931 e mãe de 3 filhas. A Antónia (1903), que morreu criança, a Albina (1904), que morreu cedo, o Alexandre (1905), que morreu cedo, a Ana (1907), que casou com Alfredo Correia, irmão do cunhado, mãe
de uma filha Maria casada e com dois filhos. Vivem no Barreiro, em Lisboa.
            3. O MANUEL casou com Rosa Ribeiro em 1871 e teve o Francisco que casou com Teresa Maciel de Matos, de Castelo de Neiva, filha de Francisco António de Matos e de Antónia da Piedade de Passos Pereira Maciel e madrinha da Antónia Rodrigues de Araújo (Catrina), minha avó materna, vindo para Casa da Castela de Baixo, o José que foi Padre e Prior de Anha, imprimindo ao seu trabalho tal carácter e dignidade que ainda hoje se fala do velho Prior d’Anha, com saudade. Se se fala com saudade e admiração deste prior, consta que na República celebrava missa com a pistola sobre o altar!... Em 1950 celebrou as Bodas de Ouro Sacerdotais, pois tinha sido ordenado em 25.03.1900. A Rosa (1885)* casou em 1910 com um irmão do Abade Francisco António de Matos e ficou na Casa da Castela da Estrada, chamava-se, o marido, António Francisco de Matos e foram pais de 4 filhas: a Maria, casada com António Cunha e mãe de 4 filhos, a Cecília, casada com Cândido Carriço e sem filhos, a Emília, casada com o Pitta da Ponte Seca e mãe de 4 filhos e a Ermelinda que morreu solteira. O Domingos, conhecido por Domingos do Pinto (da Igreja), irmão, por isso, do Prior d’Anha e era “Pinto” porque era neto do José P. Pinto e casou com uma irmã do Pe. João Matos, de Vila Franca, a Emília. Era ainda irmã do Dr. João de Matos, o homem do Estádio Vianense.
            4. O JOSÉ Louvado, Juíz de Paz e escrivão de direito, casado com Maria das Dores Araújo (irmã do Manuel da Vila, pai do Zé da Vila, avô do Avelino da Vila), de Viana, filha de João F. dos Reis e Maria das Dores Araújo. Do casamento resultaram os seguintes filhos: a Maria (1881), a Rosa (1883), o João e o José (1888) gémeos, mas só vingou o José, o João (1890), a Ana (1893), a Emília (1897), o Manuel (1901).
            O filho José casou com a prima Deolinda, filha do tio Alexandre da Conchada e viveram na casa conhecida pela “Casa da Tia Deolinda” por a ter recebido do pai que a tinha comprado ao irmão Francisco, falecido na Maia. A Emília casou com o primo João Rodrigues de Carvalho (conhecido por João Deira, para onde foi viver), a Rosa casou com Manuel Rodrigues de Araújo (Catrino) e foi viver para a casa junto do Cruzeiro e foi mãe de 3 filhos: a Maria, o Manuel e o José,; a Ana casou para Deão com João Alves Pedra. Deste casamento para Deão surgiram 6 filhos: o Manuel e a Maria que casou com um oficial do exército e teve 5 filhos, a Emília que casou com Adriano Carvalho, também com 5 filhos, o Francisco casado para Vila Flor com Maria do Céu Ramos e teve 2 filhos, a Ana casada com José Rocha de Deão e com 5 filhos e a Lurdes casada com o primo João e a viver em Vila Fria e com 3 filhos. O Manuel foi para a França, a Maria casou para Vila Franca e não teve filhos, o João casou com a Emília das Deiras, irmã de João Rodrigues Carvalho, aliás com uma cunhada da irmã Emília, também chamada Emília. Do casamento do João com a Emília houve o Francisco que ficou em casa, casando com uma Alice Taborda Jácome de Vila Franca (João, Albertina, Maria das Dores, Maria de Lurdes e Fernanda); a Dores que casou com Manuel Rocha (Avelino e José Jorge); o João que casou para Vila Fria com a prima Lurdes de Deão (Nazaré, Maria, José João); a Emília que casou para Vila Franca, a Ana que casou com José Liquito (Isabel e José); a Gracinda que casou com Graciano Forte (Manuel e Maria Cecília) e a Maria que morreu sem filhos depois de ter casado com Luís Viana de Sabariz (Judas), o José com Deolinda do Rego de Anha para onde foi viver (José, António, Maria Luísa, Maria Olívia).
            O João morreu de doença. A Rosa casada com o Manuel (dos Catrinos) foi mãe de Manuel que ficou solteiro, o José que casou na Argentina com Helena, uma Portuguesa e teve dois filhos, um falecido e o Sérgio, a Maria, conhecida pela Quinhas dos Catrinos que morreu cancerosa e relativamente nova, casada com um primo, o Francisco Coutinho de Carvalho e mãe do Manuel, Avelino, Sara, Fernanda e António. A Fernanda casou com José Manuel Gonçalves e é mãe de Bruno João e Hugo Filipe; o Avelino casado com Olívia Coutinho e pai de Raquel e Ana; António Alberto, solteiro; a Sara casada com Manuel , das Neves e é mãe de Marta; Manuel António casado com Rosa Maria.
            A Emília casou com o primo João Rodrigues de Carvalho e foi mãe de Francisco, João, António, Luzia. O Francisco casou com prima Maria para os Catrinos, o António para os Cordoeiros  casando com a Idalina, neta de Ana Ribeiro da Silva, da Casa dos Brasileiros e a Luzia casou com um Reis da Casa dos Brasileiros, o Avelino, filho do que conheci por José da Vila, da Casa dos da Vila. Só o João casou para fora...
            5. O FRANCISCO foi conhecido por “O estudante” porque estudou para Padre. Não acabou os estudos e fez-se escrivão de direito. Casou com Rosa Cândida Alpuim da Silva Menezes, de Vila Fria, em 23/11/1882. Faleceu em Rio Tinto em 1906 com filhos, na Vila de Barreiros da Maia. Era, na altura, Chefe da Repartição de Finanças e tão bem conceituado, que todo o comércio da Vila fechou na hora do funeral. Uma filha, casou em Londres com um neto do Rei D. Carlos. Foi ele que construiu a casa onde habitaram depois os sobrinhos, casados, o filho de um irmão José, que também era “José do Cordoeiro” e a Deolinda filha do irmão Alexandre que tinha casado para a Conchada. Foi o irmão Alexandre que comprou a casa para a dar à filha. Hoje habita nela a Fátima. Nesta casa a que me refiro, funcionou uma escola primária. Foi pai do António em 1884.
            Os Cordoeiros nunca tiveram entre os irmãos as melhores relações. O José, Louvado, casou com uma irmã do Manuel da Vila, o António casou com uma irmã do Tio Miguel Brasileiro, o Alexandre casou com a “Pisquinha”, Maria Rodrigues da Torre, filha do Zé do Pisco do Monte, José Rodrigues Vaz, era a Morgada...para não haver “colheres a partir” ficava tudo na casa.
            Assim já tinha sido com os seus antepassados e assim continuava...e os Cordoeiros recolhidos no seu orgulho de serem quem eram, ricos...o Alexandre, por ter casado com a Morgada, a mais poderosa em teres e haveres, nunca “passou cartão” aos outros irmãos. Tudo bem, mas...havia sempre um senão...que alguns percebiam como “não passar cartão”, por isso nem os irmãos, nem os primos se davam lá muito bem...
            As coisas agravaram-se com o casamento do António, filho do Alexandre com a Maria, filha do António Cordoeiro porque o pai da Maria e o irmão José procuravam outro casamento para engordar riqueza reunida na casa dos Brasileiros, mas o Alexandre, isolado e perspicaz, conseguiu que o filho vencesse na conquista da amada, sua prima carnal, retirando-a ao primo João do Cordoeiro, desfazendo projectos dos Tios José e António.
            O Bisavô António do Cordoeiro não gostou nada e nunca mais se deram muito bem o tio-sogro e o sobrinho-genro. Aí as zangas foram mais manifestas e talvez o equilíbrio estivesse na atitude do Louvado, o José do Cordoeiro, que não ligou grande importância, ou pelo menos, não o manifestou.
            Todos os Cordoeiros sempre foram homens de dinheiro e o Bisavô António sempre manteve essa hegemonia, mas nunca deixou a chave por mão alheia e, hoje, a casa já não está na mão da família. É da viúva do “António da Capela” seu filho, que não deixou geração. Esta casa é a nova porque para mim os Cordoeiros velhos eram da casa mais acima, a casa onde hoje vive o Francisco do Cordoeiro, a Casa do Alambique. 

* Esta era irmã da mãe do Zé da Vila.

2001-Artur Coutinho

Uma casa de Mazarefes no sítio da Broeira





Uma casa de Mazarefes que foi  propriedade do Abade Matos e onde chegou a viver uma sobrinha, Maria Matos, esposa do Manuel Dias, capador, vendida ao pai da Ermelinda Oliveira. Em frente fica a o campo dos "Deiras" conhecido pelo campo da Broeira.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A casa das Marinheiras em Mazarefes


A casa das Marinheiras em Mazarefes

Ergue-se numa quinta um pouco acima da capela da Senhora das Boas-Novas, em Mazarefes, e contígua à estrada camarária que atravessa o centro da freguesia, fazendo ligação entre a Estrada Nacional nº203 e a nº308, um grande casario, sem dúvida, em todas as suas dimensões, o maior desta aldeia.
Está ladeado por dois grandes portões de ferro, ambos aformoseados com boa cantaria. Nas bases de cada uma das «pirâmbulas» sobre o portão do lado norte encontram-se as seguintes inscrições respectivamente:
BEME/LD SEJA/O S. SAC. e P.N.A./A. AS/M EAL/
/MAS.
No portão do lado sul estão cravadas a ferro as iniciais (M. A. F. B.) do nome do primeiro proprietário e o ano (1895) em que foi feito.
É actualmente pertença de José de Oliveira da Silva Reis e de Albina da Silva Carvalho, casados em 1940.




O primeiro proprietário foi o senhor Manuel Augusto Fernandes Barbosa, filho de Manuel Fernandes Barbosa e de Maria Cândida da Rocha, falecido em Agosto de 1920. Havia casado em 20 de Novembro de 1864 com Antónia da Silva Meira, filha de Manuel Rodrigues de Carvalho e Maria da Silva, por sua vez, falecido em 1913. Este casal era muito rico, mas vivia, na mesma quinta, numa casa bastante mais modesta. Veio a ser herdeiro, por falecimento de Manuel Pereira da Rocha Viana, em 16 de Abril de 1892, com 77 anos, solteiro, irmão de Maria Cândida da Rocha e, consequentemente, tio em primeiro grau de Manuel Augusto Fernandes Barbosa.
Então a sua riqueza atingiu maiores proporções.
Conta-se que o senhor Rocha Viana, da marinha mercante e natural de Viana, era pessoa de grandes haveres. Pelo testamento que tive o prazer de consultar por especial deferência da Secretaria da Santa Casa da Misericórdia de Viana verifiquei isso mesmo.
Deixou grandes somas a diversas instituições, parentes, empregados e os bens remanescentes foram divididos em partes iguais por 4 sobrinhos. Desta maneira a família Barbosa tornou-se a família mais rica da freguesia e mandou construir esta casa que, na ocasião, 1894, ficou por cerca de 5.000$000.
Esta foi a razão que mais tarde lhe chamou a «casa da riquíssima».
Todavia esta riqueza fazia bem falta, pois rodeava este casal uma numerosa geração... nada menos de 11 pérolas nesta aliança matrimonial como: A Maria, que casou com António Afonso da Silva, de Subportela; o Manuel, que se ordenou de sacerdote em Beja, vindo mais tarde a ser capelão da capela da Senhora das Boas-Novas e pároco de Darque; a Rosa, que faleceu aos 4 anos de idade; o José, que casou para S. Lourenço do Mato; o João, que casou para Serreleis; a Ana, que casou com Joaquim Alves de Araújo, de Darque; a Joaquina, que casou com Francisco da Silva Carvalho, de Mazarefes; a outra filha de nome Rosa, que casou para Subprotela, a Antónia, que casou com José de Oliveira Reis de Mazarefes; a Teresa, que casou com José António de Oliveira Reis, também de Mazarefes, pais do actual proprietário; e a Emília, que casou para Galegos, Barcelos.
Como, porém, esta riqueza recebida da herança do tio viesse melhorar ainda muito mais as condições económicas da família, os devotados pais de tão numerosa família mandaram construir esta casa mais condigna, ficando, desde aí, a ser conhecida por Casa das Marinheiras, devido talvez ao facto da herança recebida do tio que era marinheiro e, possivelmente, ao número de filhas casadoiras existentes neste lar. Assim se explica que, para onde elas casaram, se implantasse a alcunha marinheira.
Também não faltou brio e bairrismo e, sobretudo, devoção à Senhora das Boas-Novas para, à semelhança de uma casa enorme em que gastaram muito dinheiro, mandarem fazer aquela grande torre, que hoje vemos e admiramos, na capela da «Senhora dos Emigrantes» e, sobretudo, dos emigrantes que se encontravam, naquele tempo, no Brasil. Nesta torre gastou a família Barbosa para cima de 600$000 mil reis só para a mão-de-obra que dizia respeito a pedreiro. O construtor que erigiu a torre era de Santa Marta de Portuzelo – o Rocha. A pedra veio do alto de Mazarefes, mas algum também veio de Anha.
A família Barbosa (Manuel A. Fernandes Barbosa e esposa), custeou todas as despesas, à excepção do relógio oferecido 10 anos mais tarde, em 1911, pelos emigrantes no Brasil, através de uma subscrição. A inauguração desta torre foi em 1901, como muito bem assinala a lápide em pedra já existente.
Uma moça de 18 anos subiu as escadas da torre com o bronze de um sino enfuado na cabeça e pesava cerca de 115 quilos!
É um facto curioso que ilustra a história da torre e da família Barbosa ou por alcunha Marinheira. Foi a filha Emília, a mais nova, nascida em Setembro de 1883. dizem que era moça muito forte, aliás como as outras irmãs, que se aventurou a subir os degraus da torre com cerca de 115 Kgs à cabeça. Bravo!
Esta Emília casou para Barcelos, mas veio a morrer muito nova e sem geração.
À morte de Manuel Augusto Fernandes Barbosa esta casa coube em herança à filha Joaquina, nascida em Fevereiro de 1889 e falecida em 1928, casada. Porque do matrimónio apenas se vingou uma filha de nome Albina da Silva Carvalho, foi a única filha, e marido desta, que a recebeu à morte de seus pais. São hoje os actuais proprietários, sempre muito conservadores e zelosos por aquilo que os seus antepassados deixaram, procurando também melhorar e actualizar aquilo que é susceptível de perfeição.
Este casal a exemplo de seus pais e avós continua a ser um dos casais beneméritos da freguesia e tem só uma filha, professora Maria Eugénia da Silva Reis Lima, casada.
Artur Coutinho 10.10.1971
P.S.- Já todos faleceram e a casa é agora de Manuela Carvalho, uma filha de um primo e de seu marido natural de Chafé e pais de uma filha.
Daqui saíu o avô do José Tavares Reis, das Finanças, reformado e um cidadão de renome na cidade pai de um casal de filhos. O José Reis é agora o Presidente da Direcção do Lar de Santa Teresa.

sábado, 8 de outubro de 2016

Dar Alma à Vida C

Dar Alma à Vida  C


Dar Alma à Vida é contrariar o que as culturas das diferentes épocas foram limitando a consciência do património ético e espiritual.
Dar Alma à Vida é pôr as religiões em diálogo para que, com o regresso às fontes, possam melhor responder aos problemas de hoje.
Dar Alma à Vida é evitar que diferentes saberes da ciência absolutizem, fechando-se sobre si mesmas na linguagem, criando guetos que limitam o respeito e a fraternidade entre os homens.
Dar Alma à Vida é pôr os diferentes sectores do conhecimento científico a dialogarem para que se possa criar uma teia na construção adequada e enfrentar os problemas da crise ambiental onde todos possam pensar no bem de todos, pelo caminho do diálogo “paciente, ascético e generoso” tendo em conta sempre, como o Papa Francisco sita, “A realidade é superior à ideia”.




Dar Alma à Vida é fazer descer o consumismo compulsivo, obsessivo próprio do técnico-económico porque actualmente vive-se um sentido de precariedade e insegurança que favorece formas de egoísmo colectivo.
Dar Alma à Vida é gerar um novo estilo de vida à volta do poder económico, político e social onde o homem se integra.
Dar Alma à Vida é deixar para traz uma etapa das autodestruições e gerar uma consciência universal que torne possível descobrir, regressar às fontes, despertar nos homens uma nova reverência em relação à vida nas ocasiões decisórias sobre a sustentabilidade da humanidade e do conhecimento.





Dar Alma à Vida é ver no Evangelho o modo de pensar, sentir e viver, descobrindo que motivações que derivam da espiritualidade podem alimentar a grande paixão no cuidado pelo outro, e pela ecologia em geral de que Francisco de Assis deu exemplo com alegria, paz e amor.

A casa das Marinheiras em Mazarefes

A casa das Marinheiras em Mazarefes

Ergue-se numa quinta um pouco acima da capela da Senhora das Boas-Novas, em Mazarefes, e contígua à estrada camarária que atravessa o centro da freguesia, fazendo ligação entre a Estrada Nacional nº203 e a nº308, um grande casario, sem dúvida, em todas as suas dimensões, o maior desta aldeia.
Está ladeado por dois grandes portões de ferro, ambos aformoseados com boa cantaria. Nas bases de cada uma das «pirâmbulas» sobre o portão do lado norte encontram-se as seguintes inscrições respectivamente:

BEME/LD SEJA/O S. SAC. e  P.N.A./A. AS/M EAL/
/MAS.

No portão do lado sul estão cravadas a ferro as iniciais (M. A. F. B.) do nome do primeiro proprietário e o ano (1895) em que foi feito.
É actualmente pertença de José de Oliveira da Silva Reis e de Albina da Silva Carvalho, casados em 1940.
O primeiro proprietário foi o senhor Manuel Augusto Fernandes Barbosa, filho de Manuel Fernandes Barbosa e de Maria Cândida da Rocha, falecido em Agosto de 1920. Havia casado em 20 de Novembro de 1864 com Antónia da Silva Meira, filha de Manuel Rodrigues de Carvalho e Maria da Silva, por sua vez, falecido em 1913. Este casal era muito rico, mas vivia, na mesma quinta, numa casa bastante mais modesta. Veio a ser herdeiro, por falecimento de Manuel Pereira da Rocha Viana, em 16 de Abril de 1892, com 77 anos, solteiro, irmão de Maria Cândida da Rocha e, consequentemente, tio em primeiro grau de Manuel Augusto Fernandes Barbosa.
Então a sua riqueza atingiu maiores proporções.
Conta-se que o senhor Rocha Viana, da marinha mercante e natural de Viana, era pessoa de grandes haveres. Pelo testamento que tive o prazer de consultar por especial deferência da Secretaria da Santa Casa da Misericórdia de Viana verifiquei isso mesmo.
Deixou grandes somas a diversas instituições, parentes, empregados e os bens remanescentes foram divididos em partes iguais por 4 sobrinhos. Desta maneira a família Barbosa tornou-se a família mais rica da freguesia e mandou construir esta casa que, na ocasião, 1894, ficou por cerca de 5.000$000.
Esta foi a razão que mais tarde lhe chamou a «casa da riquíssima».




Todavia esta riqueza fazia bem falta, pois rodeava este casal uma numerosa geração... nada menos de 11 pérolas nesta aliança matrimonial como: A Maria, que casou com António Afonso da Silva, de Subportela; o Manuel, que se ordenou de sacerdote em Beja, vindo mais tarde a ser capelão da capela da Senhora das Boas-Novas e pároco de Darque; a Rosa, que faleceu aos 4 anos de idade; o José, que casou para S. Lourenço do Mato; o João, que casou para Serreleis; a Ana, que casou com Joaquim Alves de Araújo, de Darque; a Joaquina, que casou com Francisco da Silva Carvalho, de Mazarefes; a outra filha de nome Rosa, que casou para Subprotela, a Antónia, que casou com José de Oliveira Reis de Mazarefes; a Teresa, que casou com José António de Oliveira Reis, também de Mazarefes, pais do actual proprietário; e a Emília, que casou para Galegos, Barcelos.
Como, porém, esta riqueza recebida da herança do tio viesse melhorar ainda muito mais as condições económicas da família, os devotados pais de tão numerosa família mandaram construir esta casa mais condigna, ficando, desde aí, a ser conhecida por Casa das Marinheiras, devido talvez ao facto da herança recebida do tio que era marinheiro e, possivelmente, ao número de filhas casadoiras existentes neste lar. Assim se explica que, para onde elas casaram, se implantasse a alcunha marinheira.
Também não faltou brio e bairrismo e, sobretudo, devoção à Senhora das Boas-Novas para, à semelhança de uma casa enorme em que gastaram muito dinheiro, mandarem fazer aquela grande torre, que hoje vemos e admiramos, na capela da «Senhora dos Emigrantes» e, sobretudo, dos emigrantes que se encontravam, naquele tempo, no Brasil. Nesta torre gastou a família Barbosa para cima de 600$000 mil reis só para a mão-de-obra que dizia respeito a pedreiro. O construtor que erigiu a torre era de Santa Marta de Portuzelo – o Rocha. A pedra veio do alto de Mazarefes, mas algum também veio de Anha.
A família Barbosa (Manuel A. Fernandes Barbosa e esposa), custeou todas as despesas, à excepção do relógio oferecido 10 anos mais tarde, em 1911, pelos emigrantes no Brasil, através de uma subscrição. A inauguração desta torre foi em 1901, como muito bem assinala a lápide em pedra já existente.

Uma moça de 18 anos subiu as escadas da torre com o bronze de um sino enfuado na cabeça e pesava cerca de 115 quilos!

É um facto curioso que ilustra a história da torre e da família Barbosa ou por alcunha Marinheira. Foi a filha Emília, a mais nova, nascida em Setembro de 1883. dizem que era moça muito forte, aliás como as outras irmãs, que se aventurou a subir os degraus da torre com cerca de 115 Kgs à cabeça. Bravo!
Esta Emília casou para Barcelos, mas veio a morrer muito nova e sem geração.
À morte de Manuel Augusto Fernandes Barbosa esta casa coube em herança à filha Joaquina, nascida em Fevereiro de 1889 e falecida em 1928, casada. Porque do matrimónio apenas se vingou uma filha de nome Albina da Silva Carvalho, foi a única filha, e marido desta, que a recebeu à morte de seus pais. São hoje os actuais proprietários, sempre muito conservadores e zelosos por aquilo que os seus antepassados deixaram, procurando também melhorar e actualizar aquilo que é susceptível de perfeição.
Este casal a exemplo de seus pais e avós continua a ser um dos casais beneméritos da freguesia e tem só uma filha, professora Maria Eugénia da Silva Reis Lima, casada.


                                                        Artur Coutinho     10.10.1971

P.S.- Já todos faleceram e a casa é agora de Manuela Carvalho e de seu marido


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Centenário - Padre Júlio Vaz, um professor exímio que também foi meu

Padre Júlio Vaz
Pedagogo, escritor e jornalista.

Somos “memória e projeto”.
Sim, registamos os acontecimentos que marcaram a nossa vida.
Há personalidades humanistas que fixamos através do tempo, pois contribuíram para o enriquecimento da nossa caminhada pelos diversos roteiros existenciais.
Falamos da “memória singular e admirável”, e recordamos o P.e Júlio Vaz que foi nosso professor na disciplina de Português e História de Portugal, no Curso de Humanidades, concretizado no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, em Braga.
Estávamos no início dos anos cinquenta do século passado.
Surge-nos na sala de aula o nosso professor de Português, e ficamos a conhecer o Senhor P.e Júlio Vaz.
Saúda-nos com palavra amiga de um verdadeiro humanista, ajudando “os meninos do Seminário Menor” a mitigar as saudades da família, da casa da aldeia minhota.
Apreciávamos as aulas, mas ainda, de modo especial, os seus conselhos de padre amigo, abrindo a pouco a pouco, horizontes para uma vida nova que se iniciava.
AULAS E AUTORES CLASSICOS





As lições eram cuidadosas.
Seguindo os livros “Elementos de Composição Literária” e “Seleta Portuguesa Explicada”, ambos da autoria de Abel Guerra (1954), íamos aprendendo a ler bem, analisar os textos e a redigir.
Enfim, escrever com correção.
P.e Júlio Vaz explicava: “A correção consiste em falar e escrever segunda as regras da gramática”. Outra qualidade da linguagem é a clareza: “A clareza deve ser o primeiro cuidado de quem escreve”.
E as aulas iam continuando: “A concisão é aquela justa economia da linguagem que limita o número de palavras ao necessário e suficiente, nem mais nem menos”.
Íamos analisando textos de António Vieira, Bernardes, Antero, Figueiredo, Aquilino Ribeiro, Frei Luís de Sousa, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Correia de Oliveira e outros autores consagrados.

LIÇÕES DE HISTORIA DE PORTUGAL
Já no final no Curso de Humanidades tínhamos a disciplina de História de Portugal.
Era aulas brilhantes.
O P.e Júlio trazia um livro manuscrito, de sua autoria, encadernado. A marcação dos conteúdos a lecionar era feita por uma fita.
Ficávamos fascinados pela sua comunicação e, finda a aula conversávamos.
Recordámos que, mais de que uma vez, dissemos ao Senhor P.e Júlio que devia publicar o livro, pois até estudávamos melhor.
Amavelmente, respondia que tinha que aprofundar mais alguns acontecimentos da História de Portugal.
A sua imagem de pedagogo, amigo e bom conselheiro perduraram.
Através do tempo apreciamos a sua atividade de jornalista no Diário do Minho, de modo especial os relados de viagens e as cronicas sempre atual, intituladas: “Ao fechar da página”.
Ao longo dos anos, cruzamo-nos por várias vezes, e a saudação era sempre de estima, mesmo cordial.


O LIVRO “ACTUALIZAÇÃO”
Em 1965, os ares da primavera do Concilio Vaticano II estendiam – se pelo mundo.
O P.e Júlio Vaz redige o livro “ACTUALIZAÇÃO” respeitante à formação nos seminários.
Ainda hoje há conteúdos e reflexões dessa publicação a merecer interesse.
Assim podemos ler nas páginas 110 e 111:


“A adolescência caracteriza-se, também, por atitudes bruscas e desrespeitosas para com os mais velhos ou pelos responsáveis da sociedade. E a irreverência da idade… Ainda, neste assunto, os seminários de tipo tradicional contentam-se com recomendações de ordem geral, com a defesa intransigente das normas disciplinares, com uma confiança absoluta na vida espiritual.
Esquecem frequentemente, de um elemento humano, aliás indispensável: “o culto das boas maneiras”.
(…)
O autor refere o que o Arcebispo de Reims proferiu na Terceira Sessão Conciliar: “ Era necessário cultivar as virtudes naturais como fator decisivo de diálogo com o mundo”.
Cita ainda D. Vicente Enrique y Tarancon, na data Arcebispo de Oviedo: “Uma doutrina mesmo que seja a mais formosa e mais delicada, a mais divina como é a nossa, encarnada numa pessoa descortês e sem urbanidade, perde cinquenta por cento da sua beleza e do seu encanto”.
Nesse período, surge “O Pacto das Catacumbas” (A Missão dos Pobres na Igreja), que é assumido e divulgado por iniciativa de bispos do Brasil, Colômbia, Argentina, França, e outros países da Europa África, Ásia e América do Norte.
Não podemos omitir a referência a D. Hélder Câmara e a D. António Fragoso pelo seu compromisso evangélico para com as populações mais fragilizadas.
D. Hélder Câmara afirmava: “Ninguém nasceu para ser pobre”.



REGIONALISTA E MELGACENSE
São várias as publicações do P.e Júlio Vaz, e entre as quais registamos a comunicação apresentada ao I Encontro Luso-Galaico realizado em Janeiro de 1985, intitulado “A Gastronomia Melgacense”.
Desfilando a cozinha tradicional de Melgaço, com as suas ementas de dias de festa e de trabalho, refere-se ao apreciado presunto de aroma e paladar único.
Sublinhamos do autor: “Mantém-se o presunto como o rei da gastronomia local: ele é o ingrediente forte e bem apaladado da cozinha melgacense; ele é o ocupante primeiro da escolhida certa do merendeiro nas festas e romarias; ele é o colorido rubi das merendas caseiras a receber as visitas sobre a toalha de linho, nascida no campo da aldeia e herdade de gerações, com o seu corte de circunstância: o chouriço fidalgo, a broa caseira e o vinho, o melhor vinho da casa, ele é o bife sem igual, presunto de Melgaço o amigo fiel, a solução gastronómica sendo oportuna, dádiva singular para os paladares mais exigentes”
(…)
José Augusto Vieira confirma-o com estas palavras: “O presunto, aquele magnífico presunto de Melgaço, cujas deliciosas qualidades te descrevo, leitor amigo, é especialmente curado em Fiães”.
 Recordo-me bem que, no começo dos anos trinta e na missa nova de meu irmão mais velho, P.e Carlos, na Capela de Coração de Jesus da Adedela, Fiães, na qual tomou parte coro e orquestra, composta por músicos vindos do Porto, finda a refeição – fora o clássico jantar melgacense – com respeitosa e expressiva timidez pediram a minha querida mãe, se houvesse sobrado uns nacos de presunto, para ofertar às suas mulheres. “Que nunca comeram presunto igual, disseram.”
Gostosa e generosamente foram atendidas com um obrigado sincero de minha mãe.
É pois necessário, preservar, manter e divulgar a cozinha melgacense”
Finalistas de Teologia – 1964 – Ex. Alunos de P.e Júlio Vaz





DIGNIDADE E SERENIDADE
O P.e Júlio Vaz que faria 100 anos no próximo 21 de Outubro, trajava sempre de cor escura, usava cabeção largo e chapéu.
Quando passava na Avenida Central de Braga, em frente ao Café da Brasileira ou na Arcada, ia cumprimentando as pessoas, tirando o chapéu, caminhando sempre com passo firme.
Um dia, o Prof. Doutor Abílio Lima de Carvalho, da Universidade do Minho, e posteriormente Presidente do Instituto Politécnico de Viana do Castelo comentou: “O P.e Júlio Vaz impressiona por uma personalidade rica e radiante”.
Tão amigo era da sua terra, quer da ribeira ou da montanha melgacense, que em 1996 na comemoração do “DIA DO BRANDEIRO” marcou presença com grande satisfação e amizade, valorizando o acontecimento cultural.
Na celebração do CENTENÁRIO DO PADRE JÚLIO VAZ, pedagogo, escritor e jornalista, de quem guardamos boas memórias, a nossa sentida homenagem.


José Rodrigues Lima
938 583 275