AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com

Obrigado

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

MOVIMENTO PARA O BRASIL EM MAZAREFES




MOVIMENTO PARA O BRASIL
            Entre 1863 e 1899, ou seja 37 anos



            

72 pessoas diferentes e cerca de 35 famílias, das quais 102 - masculinas e 5 femininas.

            107 Saídas autorizadas para o Brasil:
                        Sapateiros - 5
                        S/profissão - 2
                        Jovens - 1
                        Adolescentes - 10
                        Padre - 1
                        Lavradores - 36
                        Carpinteiros - 19
                        Crianças (4 anos) - 1
                        Fogueteiros - 5
                        Trabalhadores - 5
                        Jornaleiros - 2
                        Alfaiates - 6
                        Estudante - 1
                        Moleiro - 1
                        Proprietários - 1
                        Ferreiros - 2
                        Negociantes - 2


No entanto entre 1692 e 1796 faleceram no Brasil 23 pessoas masculinas, entre eles um Padre, o Pe. Francisco Gomes do Rego.
Este registo foi encontrado em livros paroquiais e outros no Livro do Dr. Henrique Rodrigues

Morte a pedido, eutanásia, morte assistida.

Morte a pedido, eutanásia, morte assistida.

Uma petição apresentada à Assembleia da República, depoimentos publicados em jornais, ou opiniões veiculadas pela rádio ou pela televisão, têm contribuído para uma certa crispação e confusão da opinião pública.
Na realidade, ao falar-se de morte assistida e de suicídio assistido está-se a praticar uma grave confusão de conceitos. Morte assistida é aquela em que alguém é assistente, companhia e ajuda. Neste sentido, ninguém quer morrer sozinho, mas sim na companhia daquele(s) a quem escolhesse para o(a) acompanhar. Na realidade, o que os proponentes de uma revisão da lei desejam é a legalização da eutanásia, esta definida como a morte a pedido, que ocorre quando alguém é morto por outrem após ter dirigido insistente pedido a esta última pessoa (geralmente um profissional de saúde). O suicídio assistido, por sua vez, consiste numa ajuda ao suicídio, quando a pessoa solicita a outrem que lhe forneça os meios necessários para se suicidar. Do ponto de vista de conceito e da prática, trata-se da mesma questão: alguém não quer continuar a viver e solicita a outra pessoa que a mate ou lhe dê os meios necessários para conseguir esse fim.
Dizem os proponentes da legalização desta prática que ela se justifica (1) por a pessoa ter o direito a dispor da sua vida e (2) por haver vidas em que o sofrimento e a incapacidade retiram toda a qualidade e dignidade a essa mesma vida. Por isso, doentes incuráveis, em grande sofrimento, lúcidos, deveriam ter o direito de por termo à vida com a ajuda de terceiros.




Estes argumentos não são consistentes, em primeiro lugar, porque a autonomia assim invocada, enquanto capacidade de dispor da própria vida, nunca é absoluta, antes deve ser entendida como autonomia relacional, modulada e influenciada pelo enquadramento da pessoa no ambiente familiar, social e cultural em que vive. Ninguém é dono de ninguém, nem sequer do próprio corpo, componente do seu eu indissociável de todas as outras. A autonomia, em matéria de cuidados de saúde, nunca é absoluta e, ainda que deva imperar no sentido da autodeterminação, circunscreve-se sempre num âmbito relacional, mediada pelo estabelecimento duma relação interpessoal
Quanto ao argumento do sofrimento, este também não resiste à análise crítica. Se é certo que muitas doenças evoluem com dor e sofrimento, também é verdade que a medicina encontrou meios terapêuticos poderosos para afastar esses companheiros da doença. Não obstante, e ainda que possa ser argumentável que haverá sempre uma réstia de sofrimento ao qual a atual ciência não consegue responder, este deverá, no nosso entender, impelir a uma procura de resposta efetiva. Certo é que a medicina actual dispõe de meios para tratar todas as situações dolorosas.
Se a eutanásia e a ajuda ao suicídio fossem legalizadas, as consequências seriam desastrosas. É claro que seria necessário mudar radicalmente todo o enquadramento legal, acabando o preceito constitucional de que a vida humana é inviolável. O princípio básico do respeito pela vida, não como valor mas como plataforma sobre a qual assentam todos os valores e direitos, seria irremediavelmente fracturado. O atual enquadramento legal e ético-deontológico das profissões da área da saúde teria de ser completamente revisto já que, pelo menos os códigos deontológicos médicos e de enfermagem advogam a vida e defendem o direito da pessoa doente e, como tal, o dever destes profissionais em promover a dignidade e qualidade de vida da pessoa que padece de doença incurável e/ou se encontra em fase terminal de vida.
Não podemos ignorar, ao discutir esta questão, a experiência entretanto acumulada nos três países em que, há cerca de dez anos, se encontra legalizada a eutanásia – Bélgica, Holanda e Luxemburgo. A primeira constatação é de que apenas nestes três países tal aconteceu; a imensa maioria dos estados do mundo não seguiu o seu exemplo, talvez por se ter verificado que nestes três países o enquadramento legal e a prática evoluíram no sentido de um alargamento e banalização da eutanásia. Acresce ainda que associações internacionais (e.g., Organização Mundial da Saúde, Conselho da Europa e Associação Europeia de Cuidados Paliativos) sustentam a premissa de que não se deve acelerar nem retardar a morte, estando aqui implícita a negação das práticas de eutanásia e suicídio assistido e obstinação terapêutica, respectivamente. A eutanásia, que inicialmente e à semelhança do que agora propõem os signatários do manifesto, ficava sujeita a regras restritivas e limitada a casos excepcionais, foi-se tornando cada vez mais abrangente e facilitada, a ponto de abranger pessoas em coma, inconscientes, pessoas com demências, e até menores de idade. Na Holanda, neste preciso momento, o Governo prepara-se para legislar de modo a permitir a eutanásia a pessoas não doentes, sem sofrimento, que devido à sua idade avançada entendam desejar ser mortas na incerteza de virem a adoecer ou de ficarem diminuídas ou incapazes.
Acontece ainda que as autoridades médicas rejeitam a eutanásia (os cinco bastonários da Ordem dos Médicos ainda vivos pronunciaram-se neste sentido) por entenderem que o dever do médico é respeitar a vida do doente, prestar-lhe todo o auxílio e cuidado, garantindo a melhor qualidade de vida possível e uma morte digna, serena, sem dor nem sofrimento. Isto é possível e constitui o objectivo a alcançar.
Não, a eutanásia não é a solução e a sua legalização teria consequências catastróficas para nós, enquanto indivíduos e cidadãos.


Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa – Porto


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Escola de Mazarefes

Escola de Mazarefes




Em 1932, Manuel Ribeiro Coutinho foi frequentar a escola que funcionava onde mora a Ermelinda Oliveira, junto às cancelas do Caminho-de-ferro. Na altura era uma casa da cunhada do Abade Matos que a tomou depois a Maria, esposa do Manuel Gonçalves Dias, o capador, por herança.
No entanto, a Escola funcionou antes na Casa, conhecida pela Casa da “Marta do Lexandre”, isto é, filha do Alexandre Rodrigues de Araújo Coutinho. Esta casa ficava no Ribeiro, ou no Montinho, no limite com Vila Fria. Ficava dentro da Quinta do Carvalho velho, pai do Luciano, o chefe da Banda. O Carvalho era professor de primeira. Depois de um incêndio, vendeu e foi para Viana.
Tinha funcionado ainda a Escola nos anos finais século XIX, na Casa do Zé da tia Deolinda, onde nasceu o professor Magalhães que vivia na casa onde está a Rosa Gomes Viana, conhecida pela Rosa do Manão, aberto para o largo, conhecido no meu tempo de criança, por sítio do Augusto da Castela. Aliás uma casa junta à casa do Augusto, cunhado do Padre Albino Maciel de Matos. Os filhos do Magalhães foram viver para Viana, onde eram professores, mas foram todos para a África, talvez Lourenço Marques. Uma filha, chamada Alzira, veio cá, depois de casada… Parece que por lá ficaram.







A casa da Ermelinda ficou nessa altura a ser a Escola só para Raparigas. Aí começou a leccionar a professora D. Isabel Ferreira.
Os Rapazes não tinham Escola. Conseguiram que a casa, conhecida por casa do Piroco que tomou o Pedra, fosse aberta para Escola dos Rapazes. A Casa era do José do Cordoeiro, José de Araújo Coutinho, meu trisavô e bisavô paterno de Manuel Ribeiro Coutinho.
Aqui, nesta casa, leccionou um Professor, Manuel António, de Mogadouro que viveu na Casa do João Cordoeiro, o Brilhante, pai do actual Francisco do Cordoeiro.
Seguiu-se a este professor, a professora Emília Fernandes, do Porto que levou o Manuel Coutinho a exame. Foi assim que o meu pai atrasou, passando pela transição entre a Escola que funcionava na Casa da Ermelinda e a Escola que funcionava na Casa do Piroco.
O professor Coelho que vivia em Subportela, onde tinha casado, foi o que se seguiu...
As aulas que funcionaram, ao mesmo tempo na Casa do Pe. Zé Pinto, hoje da Nadir, eram aulas a pagar e levavam a exame através de um professor oficial.
Apareceu a construção da Escola no conjunto das Escolas do Estado e, em 1934, estava a obra em fase de acabamento.
Agora abandonado o edifício do Estado Novo funciona a escola numa outra construção moderna que se localiza no Bairro Novo da Celnorte.
A do Estado Novo encontra-se completamente abandonada e é uma casa por onde passaram por lá os de Mazarefes desde 1934 a frequentar a Escola Mista. Na sala de baixo as meninas e na sala de cima os rapazes, da terra por cerca de 50 anos.

Nas fotos falta a do Montinho, a da casa da Marta Coutinho e do Joaquim Coutinho ( dos fidalgos de Alvarães) hoje de uma das filhas e transformada, assim como falta a da escola de agora.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Padre António Francisco de Matos e a Bicicleta em Braga

O Padre António Francisco de Matos, natural de Mazarefes, foi o abade da terra que mais anos paroquiou e deixou a maior parte dos seus bens à Paróquia.
A propósito o Padre Abílio Reis Lima que foi pároco de Caselas em Lisboa escreveu no "Serão" do Notícias de Viana, secção orientada pelo arqueólogo e etnógrafo vianense José Rosa Araújo o seguinte:




UM ESTUDANTE DE MAZAREFES FEZ EMBASBACAR A POPULAÇÃO DE BRAGA!
Isto deve ter sucedido aí pelo ano de 1885. Frequentava, então, o Seminário Conciliar um estudante, natural desta freguesia, chamado António Francisco de Matos. Era um aluno distinto e dotado de espírito de muita iniciativa.
Lembrou-se de construir uma bicicleta de pau, com duas cordas, sendo a da frente grande e a de trás, pequena. E, se bem o pensou, bem o fez, como diz o nosso povo.
Quando apareceu em público a dar ao pedal, fixado à roda grande da frente, os seus conterrâneos deliraram com a novidade, ficando todos de boca aberta perante os malabarismos do António Matos.
Como se tratava duma novidade sensacional, o nosso Estudante levou para Braga a Bicicleta da sua autoria. Pois não queiram saber, foi um acontecimento!
Despovoou-se a cidade para ver equilibrado em cima de duas rodas um estudante, ficando os bracarenses verdadeiramente embasbacados diante «daquele mafarrico» que não caía de cima das duas rodas! Naquele tempo ainda era desconhecida do público «que a força do movimento é superior à força da gravidade».
Concluídos os seus estudos recebeu Ordens Sacra se paroquiou esta freguesia durante 45 anos, vindo a falecer em 7 de Maior de 1947, deixando uma memória abençoada, o nosso querido Padre Matos.
Quantas vezes lhe ouvimos contar esta extraordinária proeza, que hoje recordamos, com acrisolado bairrismo.
Foi, portanto, o nosso saudoso Abade (que Deus tenha) o pioneiro do ciclismo aqui no Minho!!!
Só anos mais tarde, em 1903, é que apareceram as primeiras 6 bicicletas no acampamento das célebres manobras militares dos Feitos ou da Figueiró, aparecendo também o primeiro automóvel que o Rei D. Carlos trouxe de Lisboa no comboio até Viana. E de Viana ao local das manobras gastou 1,30 minutos a percorrer 17 quilómetros. Fez também amor sucesso a presença do automóvel do que a do Rei.
Há menos de um século, que progressos se não têm assinalado nos meios de comunicação e nas velocidades com que são vencidas as distâncias?!

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

PELO SÃO MARTINHO CASTANHAS E VINHO – MATA O TEU PORQUINHO



PELO SÃO MARTINHO
CASTANHAS E VINHO – MATA O TEU PORQUINHO                                       José Rodrigues Lima

As folhas tocadas pelo vento vão caindo neste tempo outonal.
A natureza saúda-nos com a paisagem onde os tons suaves nos levam, por vezes, à contemplação do território das zonas ribeirinhas ou da montanha.
Estendemos os olhares para perto e ao largo, localizando manchas arbóreas, autênticos soutos de carvalhos e castanheiros.
Estamos no período do ano para recolher as amêndoas, as nozes saborosas e as castanhas para os magustos celebrados com vinho novo ou água pé, em convívio familiar ou de boas amizades.
“Pelo São Martinho vai a adega e prova o vinho, e abatoca o teu pipinho”.
E os rituais comprem-se como se fosse a primeira vez.
Os castanheiros oferecem-nos os ouriços arreganhados, e as castanhas vão caindo uma a uma.
A garotada vai apanhando os frutos dos castanheiros, aquelas castanhas que caiem à beira dos caminhos, nos campos ou nos soutos, onde canta a passarada ao romper da manha “despertadora”, ou pelo fim da tarde “recolhedora”.












QUENTES E BOAS
Mas se no ambiente da ruralidade há paisagem sonora e outonal, no meio urbano há vozes anunciadoras:
“Olha a boa castanha… Quentes e boas.
Ah menina, eh menino… leve umas castanhinhas…
Prove…
São de Trás-os-Montes…
O preço é do ano passado… Ganhamos poucochinho…
São muito gostosas…”
A fumaça dos assadores estendesse pela avenida, pelo largo e entra mesmo pela esquina da rua estreita.

Assim se vão saboreando as boas castanhas embrulhadas em papel de jornal com notícias passadas, ou pelas folhas da lista telefónica já ultrapassada.
Os vendedores de castanhas aí estão com a sua tipicidade e animando a vida da gente apressada…
E ouvimos: “Mãe, apetecem-me umas castanhas quentinhas.”
E faz-se o regalo: “São muito boas.”
Os adultos também apreciam as castanhas pelo São Martinho acompanhadas com o vinho da colheita do ano ou a celebrizada “água-pé”, ou a geropiga feita segundo a tradição, do tempo dos avós que eram mestres na elaboração, lá em casa.




VINHO QUE BASTE
Aqui pelo Minho, e noutras zonas vinhateira do país podemos ouvir, traduzindo à sua maneira o gosto profundo ao vinho: “Não quero ricos cavalos, / nem palácios reais; / só q’ ria ter uma adega / com vinte pipas ou mais”.
“O vinho alegra o coração do homem e às mulheres não desagrada, e não faz mal nenhum”, assim se cantava cantochão.
É de citar a comunicação apresentada ao “Congresso Internacional de Etnografia”, realizado em 1963, fruto da investigação de Fernando Castro Pires de Lima, intitulada “O Vinho Verde na Etnografia”.
Desejando inserir-nos na importância do vinho na economia e nas relações internacionais, merece destaque o artigo “Itinerário do primeiro vinho exportador de Portugal para a Grã-Bretanha”, narrativa do Conde d’Aurora, publicada na separata das Jornada Vinícolas, em 1962.
Escreve o citado autor: “O curioso livro seiscentista 1613, “The book of carning and serving and all the feastes of the year for the servisse of a Prince or other estate” – fala-nos, entre outros, dos vinhos servidos na Grã-Bretanha, do célebre “Orey”, nome que davam os britânicos ao vinho verde”.



OS CINCO SSSSS
Consta no “Regimen Sanitatis Salernitanum”, dos séculos XI – XIII, que o vinho deve ser forte formoso fragante fresco e frutado.
Mas se os habitantes de Salerno apreciavam o vinho saudável, em Monção e Melgaço temos o “alvarinho”, que é fruto do território onde “o solo, o sol a sabedoria, o sofrimento e o sossego,” produz o precioso néctar que “torna o mundo lindo e inspira o artista”.
É sempre de lembrar António Correia de Oliveira, o nosso poeta de Belinho, Esposende.
Assim, louva o vinho “Loiro fio de azeite a urgir-lhe o caldo; / Tragos os de vinho a batizar-lhe o pão”.

O VINHO NA BIBLIA
O vinho é tratado na Bíblia tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento: “No livro de Ben Sira podemos ler: “O vinho é como a vida para os homens, se o beberes moderadamente. Que vida é a do homem a quem falta o vinho? Ele foi criado para a alegria dos homens. Alegria do coração e júbilo da alma é o vinho, bebido a seu tempo e moderadamente”.

Na Primeira Carta a Timóteo é lembrado ao discípulo de Paulo que beba vinho: “Doravante não bebas só água, mas toma um pouco de vinho”.
É de sublinhar a importância do vinho nas bodas de Caná e na “Ultima Ceia”: “Jesus tomou o cálice com vinho e disse: “Este é o sangue da Nova Aliança”.
O Pe. António Vieira no Sermão da Segunda Dominga da Quaresma diz que: ”O vinho é aquele cordial simples, medicado pela natureza para alegrar o coração do homem”.
O nosso povo diz que “com pão e vinho se anda a caminho”; “pão pela cor e vinho pelo sabor”


PRATICAS CEREMONIAIS
Nas festividades cíclicas, agrárias e sociais, o vinho é por excelência o elemento sublimador da comensalidade, o poderoso referente da coesão social, assim escreve Benjamim Pereira.
Em certas povoações, o namoro das raparigas só era permissível a forasteiros, após o pagamento de determinada rodada de vinho aos presentes na taberna da aldeia, sendo lhes passados, após o ritual, um género de passaportes assinados pelos beneficiados e carimbados com o precioso liquido do fundo das malgas.
A caneca e a malga permanecem sempre prontas na adega para serem utilizadas, e alimentarem comentários da boa vizinhança, por vezes “juízos sobre acontecimento das comunidades rurais” ou dos “falatórios”.
O Prior António Quesado, que for Pároco em Vila Franca, Viana do Castelo, apreciado cultivador da amizade e da comensalidade dizia: “vinho bom, com peso e medida, alegra a gente, faz bom ventre e limpa o dente”.
E dando largas ao seu perfil de bom conselheiro escreveu: “Quem ou copo souber pedir conselhos,/ nem tristezas nem maleitas o consomem; / porque o vinho, lá diz o evangelho / só da alegria e saúde ao homem”. 

MATA O TEU PORQUINHO

Na economia doméstica da ruralidade a criação do porquinho ocupa um lugar especial.
Faz parte da paisagem minhota o denominado “cortenho do porco”.
Comprado a tempo nas feiras é alimentado com hortaliça, bolota, farinha milha e lavadura.
Engordado o porquinho para o São Martinho, concretiza-se a matança festiva e em dia assinalável.
O matador, homem experiente nestas andanças, chega cedo, e depois de “matar o bicho” vai-se ao trabalho: “sacrificar o animal”.
E segue-se todo o ritual trabalhoso e demorado.
Vem o “desmanchar”…
Saboreia-se o sarrabulho, os rojões, não faltando os pelouros, tudo cozinhado por quem sabe da tradição e do bom gosto.
Faz-se o fumeiro com as apetitosas chouriças, chouriços e preparam-se as carnes para as salgadeiras.
Os bons presuntos merecem uma atenção especial, e serão curados com boa lenha e o frio.
O povo ainda dizia: “criar e matar o porquinho é ter o talho em casa”.
Sabemos que existe uma mudança social nos rituais apontados.
 
Pois que haja alegria que baste com castanhas, vinho e porquinho.
“Ande o sol por onde andar, o verão de São Martinho há-de chegar”.
É sempre uma satisfação recordar a lenda de “São Martinho, a capa e o pobre”.
“No dia de São Martinho mata o teu porquinho, chega-te ao lume, assa as castanhas e bebe o teu vinho”.
“Quatro castanhas assadas, / quatro pingas de aguardente, / quatro beijos de uma moça, / fazem um homem contente.”
Assim regista Gabriel Gonçalves no “Cancioneiro Temático da Ribeira Lima”.




José Rodrigues Lima - 938583275

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Maria Isaura da Silva Vieira


Maria Isaura da Silva Vieira


  Maria Isaura da Silva Vieira, nasceu em 1931, dia 12 de Janeiro, filha de Miguel Abreu Vieira e Ana da Silva, em Guimarães.
Nunca foi à escola, o pouco que sabe ler e escrever aprendeu-o à sua custa. Era irmã de mais 2 irmãos. Um irmão faleceu no ano passado em Guimarães e a irmã morou na Socomina e, agora está em Serreleis.
Ficou órfã de mãe aos 16 anos e o pai era doente. Ajudou-o até aos 56 anos, isto é, até à sua morte e ela tinha 27. Depois da morte do pai, casou-se em Guimarães com Luís António de Araújo que faleceu já há mais de 26 anos e era pai dos seus filhos; o José pai de quatro filhos e vive em França; Jorge pai de um casal e de duas meninas que morreram e eram mais velhas, e tem agora mais três bisnetos.







O marido era sapateiro e trabalhava com o pai dele. O casal com o filho de 5 anos foi para França. Ela regressou, e veio para Viana e foi para a casa da irmã onde arranjou trabalho na casa Laranjeira com a ajuda do Pe. Constantino onde esteve com o filho que já tinha 10 anos. Os seus sogros convenceram-na a ir para a França ter com o marido com quem viveu mais 4 anos e teve mais um filho. Na França esteve até à reforma antecipada e o marido doente, já tinha regressado a Guimarães, onde morreu. 
Passa agora o tempo a rezar. Faz parte da Legião de Maria, tem alguns problemas de saúde em relação à mobilidade. 
Sai à rua, mas com alguma dificuldade e com a ajuda de canadianas.
É uma senhora de bem, generosa e muito crente na Eucaristia e a oração do rosário  pela saúde dos seus filhos e netos e os doentes em geral, não lhe escapa.