AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Abade Matos - Apontamentos avulsos

Abade Matos
                                                         Apontamentos avulsos

O abade António Francisco de Matos nasceu em 9 de Julho de 1860, em Mazarefes, filho de Francisco António de Matos e de Antónia de Piedade de Passos Pereira Maciel, “de Castelo de Neiva”, ambos lavradores. Eram seus avós paternos o José António de Matos, tenente da guerra da Maria da Fonte, e Maria Rodrigues e maternos António Lourenço de Passos Pereira Maciel, cirurgião em Esposende, e Maria Martins (de Figueiredo) ”do lugar de Castelo de Neiva.” Era da casa dos quatro chicos: O Francisco António Matos era o pai, o porco era Chico, o burro (cavalo) era Chico, e o criado Francisco de Aguiar, de Barcelos. Ele próprio o dizia a brincar. Com o nome de António foi feito cristão, pelo baptismo católico e pela mão do Pe. José de Araújo Coutinho, por doença grave do Abade Manuel Rodrigues Lima, que era o pároco, levado ao colo da madrinha Rosa de Jesus Passos Pereira Maciel, em 13 de Junho do mesmo ano, quatro dias depois de nascido.
Estudou em Braga. Era um jovem inteligente, dinâmico, criativo e cheio de vida.
Conta-se que um dia apareceu em Braga com uma bicicleta (......)

Ordenou-se sacerdote em 20/11/1887, e foi nomeado pároco de Mazarefes em 1892. Faleceu confortado com os últimos sacramentos, com 87 anos, em 07/03/1947. Foi ordenado pelo Arcebispo Primaz D. António José Freitas de Honorato.
Celebrou as bodas de ouro sacerdotais em 20 de Novembro de 1937.

Deixou à freguesia bens como a sua casa para Residência Paroquial e cerca de 20.000m2 de terreno que ficou a fazer parte do passal.

Nunca deixou morrer pobre nenhum à fome.
Depois da morte dele, a única pessoa da freguesia a precisar de ajuda foi a Maria Crasto, no tempo do Pe. Delfim, de Darque quando esta ficou anexa àquela Paróquia. Era a família Galhofa que preparava a lista.. Faça a lista que eu leio-a de semana a semana, dizia o prior de Darque. No fim de cada missa era lida na igreja para que os paroquianos fossem levar a comida a casa daquela família. Isto ainda conheci porque só acabou quando dois filhos começaram a trabalhar e decidiram por sustentar a família. Era criança de 9/10 anos.



Eram assim as listas:
1ª semana – Segunda-feira, Manuel Rodrigues Gomes; Terça-feira, Inra D. Ezabel; Quarta-feira, Manuel Fernandes Liquito; Quinta-feira, Manuel Fernandes Forte; sexta-feira, Manuel Gonçalves Dias; Sábado, José da Costa Dias; Domingo, José Pinto da Costa
2ª semana Segunda-feira, Domingos Rodrigues de Araújo Coutinho; Terça-feira, António Rodrigues da Rocha; Quarta-feira, José de Araújo Vaz Coutinho; Quinta-feira, Manuel Gomes; Sexta-feira, Viúva de Manuel Ferraz de Miranda; Sábado, Avelino Correia Lavandeira; Domingo, Francisco Gonçalves de Souza.
3ª semana – Segunda-feira, Glória Alves...; Terça-feira Alexandre R. Coutinho; Quarta-feira, Avelino Martins de Souza; Quinta-feira, Ana Alves; Sexta-feira, Manuel Rodrigues de Araújo; Sábado, José de Araújo Coutinho; Domingo, José Rodrigues de Amorim.
4ª semana –Segunda-feira, António Augusto Vieira de Amorim; Terça-feira, Rosa Ribeiro Coutinho; Quarta-feira, Miguel Afonso Forte; Quinta-feira, Manuel Agostinho Paulino; Sexta-feira, Joaquim Alves Coutinho; Sábado, Armindo Delfim Correia Ribeiro; Domingo, Rosa da Cunha.
5ª Semana – Segunda-feira, Conceição da Cunha Meira, Terça-feira, José Gonçalves Pequeno, Quarta-feira, Artur Augusto Matos; Quinta-feira, Viúva de Manuel Ribeiro da Riba, Sexta-feira, Artur Pedro da Silva Domingues; Domingo, Francisco da Silva Coutinho.
6ª Semana – Segunda-feira, José de Oliveira Silva Reis; Terça-feira, Teresa Rodrigues Leite; Quarta-feira, António Rodrigues de Araújo Coutinho; Quinta-feira, António Ribeiro Gomes; Sexta-feira, António Afonso Forte Ribeiro
7ª Semana – Segunda-feira, Agostinho Rodrigues de Carvalho; Terça-feira, Engrácia Fernandes Dias; Quarta-feira, Manuel de Matos Gonçalves da Cunha; Quinta-feira, Manuel Francisco Rodrigues; Sexta-feira, João Rodrigues de Carvalho; Sábado, António Rodrigues Carriço; Domingo Maria Rodrigues Vaz.
8ª Semana – Segunda-feira, José Gomes da Cunha; Terça-feira, João Matos Gonçalves da Cunha; Quarta-feira, Joaquim Dias Felix; Quinta-feira, José Gomes da Cunha; Sexta-feira, José Rodrigues Reis; Sábado, José Fernandes Liquito; Domingo, José Rodrigues de Araújo.

Não o conheci, pois faleceu no ano em que nasci, mas era um padre muito piedoso, generoso, um bom amigo, culto, poeta, amigo dos pobres e dos doentes, crítico e  ouvi vários testemunhos de pessoas que lhe ajudaram à missa, andarem na catequese dele, pessoas que ele casou e destaco agora algumas dicas que disseram dele, como um santo e um homem muito bem-humorado, alegre e brincalhão.

Duas piadas dele:
·   Na casa do visconde de Vila Franca,  e num dia de aniversário, uma das filhas, a mais nova do visconde que estava casada para a casa do Junqueira de Mazarefes, vestida com um vestido da cor de canário... - "Aquela menina lá ao fundo vestida de canário"....
- O canário é meu, o canário tem dono, responde o marido...
·   Quanto a D. Júlia  que casou com D. Tomás ... vinha à missa a Mazarefes, no fim iam cumprimentar o Abade à sacristia.
Ai meninas eu tinha um soneto feito ao meu pintagalhinho (canário).
-    Diga o soneto, então.
-    Não digo que envergonho as meninas....
-    É assim: 
      Meu bichinho
      Doudivanas
      Também pintas as pestanas
       Também pintas o biquinho...
       Ai que nojo meu bichinho.


O Abade Matos foi Presidente da Junta da freguesia desde 1896 a 1910.


“Eu pertenço à freguesia mais rica de Viana do Castelo” dizia ele a quem o interpelava: - "Ai Abade o que será de Mazarefes quando o senhor faltar, e continuava, respondendo:” tem bom Alfaiate (O Pulcena), bons Carpinteiros (Geraldo, o Néné e o Simplício), bons Cesteiros (os Galhofas), boa Banda de Música (a Banda do Carvalho), bons Pedreiros ( Zé da Mata e Rocha), bons Fogueteiros (os Miras), bom Latoeiro(o Luciano Carvalho), bons Ferreiros ( Cunha e Forte), bom Sapateiro (o Enes) e vários lavradores abastados. Portanto Mazarefes, segundo ele, não precisava de nada. Era uma terra rica. Tinha de tudo e bastava-se a si próprio não precisava de ir buscar fora.


Tinha gosto artístico e, a propósito, quando ia a Subportela dizia para os daquela terra: Olha que Santos feios, olhando para as imagens da igreja. Em Vila Franca, gozava os daquela terra com a imagem do (…). Ao parar em frente dela dizia com a sua graça natural: quando tirais este “gajo” daqui?... pois era uma imagem com a cabeça muito grande. Então os de Vila Franca trocaram a imagem, mas arranjaram uma imagem maior que mal cabia no nicho. – Ó, tiraste um e puseste outro que nem cabe em casa, continuou ele a brincar.

Aliás ele tinha um espírito muito crítico e por isso, pôs aos de Mazarefes uma alcunha a cada habitante por assim dizer. Punha nomes a toda a gente: És bacôlo.

Uma mulher forte, irmã do Pe. Américo, pároco de Gondarém, veio servir para a casa dele e deu-lhe as dores. Curava ele, como era costume, as dores de barriga com testos quentes. - Alto, isto não é nada comigo... ide chamar a ti’ Ana Dias e preparai-me o burro para a levar para casa dela, a Alvarães.

Na febre pneumónica, só deixou morrer uma senhora, a mãe do Zé “Pirralho” por estar de parto, a mãe do Zé Dias e não resistiu, aliás era costume dizer-se: Quando viesse o médico a alguém, já se sabia que era para morrer...

Houve um dia uma confessada, na Igreja de Vila Franca e havia duas sacristias: uma a sul e outra a norte. O Pe. Manuel Salgueiro de Subportela, o Pe. Zé Pinto, de Vila Fria, o Pe. João Matos, o Pe. Francisco Matos e Pe. Fernandes de Deão, eram os confessores.
Ao sair da sacristia vê um “polícia” e diz o de Vila Franca: - porco..., porco..., Diz o Pe. Francisco Matos de seguida: - porco não, porca sim.. – Tu és poeta, diz o Salgueiro. - Olha rapaz (para o Prior que era novo) -Tu és novo, és rapaz, tens muito que aprender, mas tu, Salgueiro, és parolo porque és velho e não sabes que mijado sobre cagado é de mulher e não é de homem...



Era todo da casa do Estivada, e amigo de Celestino. A primeira mulher do Joaquim Estivada, assim como a segunda que era a Joana Gandra, cozinhava e lá comia com a família.

Ele passava a noite toda à beira de um doente. Disse o Prior de Vila Franca, no seu funeral: - o vosso pároco viveu como um anacoreta, que nem à cama ia. E é verdade que vinha a casa comer à meia-noite e depois ia passar o resto da noite junto do doente...

Chamavam-lhe o “Pardal”. Assim como alcunhava os da sua terra, também o alcunharam a ele.

Não era republicano, nem monárquico, mas “ regenerador” e nesta política comungava com os Miras. Um dia os Miras “assaltaram-lhe” a casa, na hora da liberdade da República, mas nada para mal. Eram amigos e respeitavam-se.


Não calçava botas, mas sapatos ”branquinhos” era um género de sapatos de pano para sair ou ir a Viana, pois na missa usava pantufas. Para o caminho da aldeia eram os socos os seus companheiros e meias de lã de ovelha. O castiçal que tinha na sacristia era um solitário partido onde metia o toco da vela. Para andar de noite usava uma cana com um prego na ponta, onde dependurava um lampeão, andava sempre com um barrete redondo com três dedos de aba e na igreja antes da missa rezava sempre com o barrete. Era calvo, raramente usava a batina, usava mais o viatório e capa ou “guarnacho”. Ele tinha muito cuidado com a saúde.

Era primo do Pe. João Matos, de Vila Franca e primo do Cirurgião Matos de Mazarefes. O seu pai casou duas vezes. A primeira mulher veio do Castelo do Neiva e trouxe uma sobrinha para criar. Era ela tão bonita rapariga que não lhe faltavam pretendentes e, sobretudo no Castelo pelo que veio a casar com o tio aos 75 anos de idade da qual ainda o velhote teve 5 filhos, um deles o Abade.
O pai do Abade casou para a casa das Castelas. Dali saiu a irmã do Abade Matos que foi mãe do Pe. Albino, da Meadela e aí nasceu também o Abade.
Era investigador, poeta, “médico”, artista, um amigo dos pobres. Mantinha um albergue e o povo tinha-o como um sábio e um bom padre.



O Pe. António Quesado, jovem prior, pároco de Vila Franca,  aconselhou a celebrar as bodas de ouro sacerdotais e o Padre Matos fez a vontade, reunindo em Mazarefes, e na sua residência, muitos padres.

Às vezes citam-no, dizendo que «a mulher tem sete manhas e a raposa tem a manha de sete mulheres... e sete vezes sete ....»

Consta que o cadáver do “Rosalina” não se desfez no cemitério, passados muitos anos e o abade Matos pegou numa vara de lodo e deu-lhe uma pancada e desfez-se logo.

O seu sobrinho Pe. Albino Maciel de Miranda entre 1945 e 1946 fez o serviço do tio na Paróquia, pois ele mostrava-se já muito debilitado pela saúde e pela idade.


Era muito alegre, divertido. Raramente se deitava de noite e nos últimos anos nunca foi à cama. Dormia numa espreguiceira. Quando não tinha doentes com quem passar a noite, ia fazer serão para a casa do Alexandre de Araújo Coutinho, meu bisavô... Ia de Verão ou de Inverno da sua casa directo, pelo caminho de terra, lama e pedras, com o lampeão na ponta do pau passar o serão até às tantas depois regressava para se esticar no alpendre, espécie de torre ao centro da casa para a qual subi quando criança e se via tudo à volta até Viana pelas vidraças que a rodeava.
Ainda conheci, onde ele estudava, rezava, escrevia e dormia um pouco antes da missa.

O Património para a ordenação foi-lhe feito pela mãe, viúva, em 16/08/1878 quando ele tinha ainda 18 anos.








quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A IGREJA PAROQUIAL DE MAZAREFES



A IGREJA PAROQUIAL DE MAZAREFES


            Esta igreja, nos primeiros tempos da sua edificação constituía o mosteiro do convento beneditino, aqui fundado pelos monges de Santiago de Compostela.
            Quanto à sua actual posição topográfica, fica situada a 2km da capela de S. Simão, para o lado sul, num local onde se torna vista e admirada desde Santa Luzia a S. Silvestre, sem, todavia, acontecer o mesmo do lado sul, nascente e poente. Destes dois últimos pontos cardeais duas perspectivas maravilhosas se desfrutam mas só podem ser focadas a menos de 500m.
            Pela retirada dos monges e passagem destas terras para os Pereiras, começou a ser utilizada pelos fidalgos como capela da sua casa, sob a invocação de S. Nicolau e com o direito de padroado.
            Foram várias as transformações por que passou até aos nossos dias, como indica a diversidade de estilos.




            Vejamos: A capela-mor apresenta-nos do lado norte e nascente uma parede românica, actualmente coberta com cal. A cornija do norte é diferente da cornija do lado sul e do lado nascente (em papo de rola). A cornija do lado sul é igual à cornija do corpo da igreja.
            As duas cruzes que encimam a capela-mor são diferentes da que está na parte frontal da igreja. São duas cruzes estreadas e de pequenas dimensões. A que se encontra sobre a frente é uma cruz latina trevada e de maiores proporções.
            Portanto, não há dúvida em afirmar que é a capela-mor a parte mais antiga, talvez uma das partes primitivas do convento.
            O corpo da igreja, bem como a ampliação da capela-mor com a sua tão artística tribuna e os dois altares laterais em talha de estilo barroco-renascentista, foi obra dos Pereiras, continuada depois pelos Azevedos, vendo-se a águia (brasão dos Azevedos) sobre os referidos altares.
            Por cima da porta de travessa, na parte exterior, encontra-se um brasão com as armas dos fidalgos «Pereiras» e «Pessanhas» (?).
            Também a ornamentar a porta principal existe em cantaria um frontal aberto simples com uma concha na abertura e mais acima uma rosácia e um nicho com a imagem, em pedra, do padroeiro. A frente deve ser dos fins do séc. XVIII.
            Há ainda várias obras, como a construção do passadiço, da casa para o coro, a construção da torre, a ampliação do coro e das escadas que para ele dão entrada.
Diz o Pe. Matos que sobre o levantamento da torre é um facto ainda bem vivo na tradição. Sabe-se, diz ele, que antes desta obra os sinos se encontravam pendurados nos troncos de castanheiros a pequena distância da igreja. A torre é obra dos princípios do séc. XIX.

            É recente a construção e ampliação do coro, bem como os dois últimos altares laterais, (fins do séc. XVIII ?) feitos em estilo bastante diferente do que já existia e o sanefão adquirido na igreja de Caminho em estilo barroco tardio (D. João V) e aqui adaptado.
            O guarda-vento existente na porta principal também foi construído neste século em 1903.

          


  A tribuna do estilo barroco-renascentista está deveras bem centrada, com um grande altar na base. A talha é admirável. Os arcos reais e as colunas salmónicas com o fuste retorcido imitando os pámpanos de ramos e parra com cachos de uvas a serem comidos pelas aves estão bem delineados. Os arcos reais estão unidos por um grande laço ao centro. Aqui e acolá encontram-se anjos repolhudos, ora mostrando só o rosto, ora mostrando todo o corpo suspenso do conjunto das colunas com as suas bases áticas de pequena dimensão e com capitéis de ordem composita e folhas de acanto. Todo o conjunto é de uma beleza incomparável embora de tom um tanto pesado.
            Os degraus do trono apresentam características de um estilo posterior (D. João V) e sobre eles existe um resplendor com uma dezena de rostos de anjos em adoração.
            Em alguns retábulos vê-se com frequência folhagem serpeante e algumas grinaldas.
            É também interessante a configuração do sacrário: Tem em forma de espelho, por baixo da porta, um dístico com as palavras da consagração; a porta tem o livro dos evangelhos e sobre ele descansa o cordeiro pascal; ao centro da porta vê-se uma bandeira formando o monograma de Cristo; em toda a volta encontra-se um floreado ou arabescos com dois grandes anjos sustentam e por cima dela uma cornija com umas palmetas ou volutas amplas formando um pequeno frontal com uma flor ao centro, característica da renascença.
            O altar-mor é muito posterior e talvez do séc. XIX. Do lado esquerdo da capela-mor há um grande jazigo do séc. XVI, metido na parede com uma armação em madeira e uma bela pintura da época. Vendo-se ao centro o brasão de fidalgo e cavaleiro. Na parte superior tem a seguinte legenda: «Este jazigo mandou fazer o doutor Gaspar Pereira senhor dos Coutos de Mazarefes e Paradella cavaleiro da ordem de Cristo, fidalgo da casa de El-Rei Nosso Senhor e do Conselho do mesmo Senhor Chanceler da Casa de Suplicação. 1579.»
            Os dois altares laterais são posteriores mas de estilo semelhante ao da tribuna.
            Os arcos reais dos referidos altares são entremeados por uma espécie de cairel. Os meninos geralmente apresentam-se com uma faixa azul e branca ou vermelha e branca, conforme o altar. Sobre a cornija do altar encontram-se dois meninos enfaixados, de pé, com uma palma da mão direita. Ainda sobre a cornija vê-se uma espécie de frontão triangular feito de folhas de acanto e anjos, com um espelho ao centro e uma águia sobre o vórtice superior, símbolo heráldico dos Azevedos.
O púlpito é da mesma ocasião, com base em pedra, pintada com motivos da época e gradeamento em madeira torneada e pintada.
            São de bela e variada escultura as imagens. De entre elas distinguem-se pelo seu valor histórico a de S. Simão e a de S. Bento; a primeira com todas as características da sua antiguidade, de escultura bastante tosca, popular, mas feita numa das madeiras mais preciosas do tempo e a segunda é ainda a da antiga ermida desta invocação e de talha bastante perfeita. Outras se distinguem pela sua talha artística modelar e escultura antiga de grande perfeição. São elas a dos padroeiros S. Nicolau e S. Paulo que se erguem na tribuna.
            A mais bela, pelo seu valor artístico, é a da Senhora do Rosário, uma grande imagem de escultura e pintura muito perfeita.
            As cancelas em ferro do adro foram colocadas pela junta em 1883, quando os enterros começaram a ser feitos no adro. Fica mais ou menos descrita a igreja paroquial, modesta mas rica no confronto dos seus tons arquitectónicos e na beleza do seu ambiente perfeitamente religioso.
- Em 1882 foi estucado todo o tecto. A obra esteve a cargo de um mestre de Vila de Pune que a faria de Agosto a Outubro por 165.480 réis.
- Em 1887 o trono e a tribuna estavam em muito mau estado.

15 de Agosto de 1971.


            Esta igreja entrou em obras de restauro e ampliação que lhe deram outra visibilidade interior e exterior, no tempo do Padre sebastião Ferreira, hoje, Vigário Geral da Diocese e ,de novo, pároco. Manteve as talhas douradas do estilo que tinham e ficaram de fora os altares mais novos e menos significativos. Ficou melhor assim. Era o altar das Almas e o do Sagrado Coração de Maria, se não estou em erro.

MOVIMENTO PARA O BRASIL EM MAZAREFES




MOVIMENTO PARA O BRASIL
            Entre 1863 e 1899, ou seja 37 anos



            

72 pessoas diferentes e cerca de 35 famílias, das quais 102 - masculinas e 5 femininas.

            107 Saídas autorizadas para o Brasil:
                        Sapateiros - 5
                        S/profissão - 2
                        Jovens - 1
                        Adolescentes - 10
                        Padre - 1
                        Lavradores - 36
                        Carpinteiros - 19
                        Crianças (4 anos) - 1
                        Fogueteiros - 5
                        Trabalhadores - 5
                        Jornaleiros - 2
                        Alfaiates - 6
                        Estudante - 1
                        Moleiro - 1
                        Proprietários - 1
                        Ferreiros - 2
                        Negociantes - 2


No entanto entre 1692 e 1796 faleceram no Brasil 23 pessoas masculinas, entre eles um Padre, o Pe. Francisco Gomes do Rego.
Este registo foi encontrado em livros paroquiais e outros no Livro do Dr. Henrique Rodrigues

Morte a pedido, eutanásia, morte assistida.

Morte a pedido, eutanásia, morte assistida.

Uma petição apresentada à Assembleia da República, depoimentos publicados em jornais, ou opiniões veiculadas pela rádio ou pela televisão, têm contribuído para uma certa crispação e confusão da opinião pública.
Na realidade, ao falar-se de morte assistida e de suicídio assistido está-se a praticar uma grave confusão de conceitos. Morte assistida é aquela em que alguém é assistente, companhia e ajuda. Neste sentido, ninguém quer morrer sozinho, mas sim na companhia daquele(s) a quem escolhesse para o(a) acompanhar. Na realidade, o que os proponentes de uma revisão da lei desejam é a legalização da eutanásia, esta definida como a morte a pedido, que ocorre quando alguém é morto por outrem após ter dirigido insistente pedido a esta última pessoa (geralmente um profissional de saúde). O suicídio assistido, por sua vez, consiste numa ajuda ao suicídio, quando a pessoa solicita a outrem que lhe forneça os meios necessários para se suicidar. Do ponto de vista de conceito e da prática, trata-se da mesma questão: alguém não quer continuar a viver e solicita a outra pessoa que a mate ou lhe dê os meios necessários para conseguir esse fim.
Dizem os proponentes da legalização desta prática que ela se justifica (1) por a pessoa ter o direito a dispor da sua vida e (2) por haver vidas em que o sofrimento e a incapacidade retiram toda a qualidade e dignidade a essa mesma vida. Por isso, doentes incuráveis, em grande sofrimento, lúcidos, deveriam ter o direito de por termo à vida com a ajuda de terceiros.




Estes argumentos não são consistentes, em primeiro lugar, porque a autonomia assim invocada, enquanto capacidade de dispor da própria vida, nunca é absoluta, antes deve ser entendida como autonomia relacional, modulada e influenciada pelo enquadramento da pessoa no ambiente familiar, social e cultural em que vive. Ninguém é dono de ninguém, nem sequer do próprio corpo, componente do seu eu indissociável de todas as outras. A autonomia, em matéria de cuidados de saúde, nunca é absoluta e, ainda que deva imperar no sentido da autodeterminação, circunscreve-se sempre num âmbito relacional, mediada pelo estabelecimento duma relação interpessoal
Quanto ao argumento do sofrimento, este também não resiste à análise crítica. Se é certo que muitas doenças evoluem com dor e sofrimento, também é verdade que a medicina encontrou meios terapêuticos poderosos para afastar esses companheiros da doença. Não obstante, e ainda que possa ser argumentável que haverá sempre uma réstia de sofrimento ao qual a atual ciência não consegue responder, este deverá, no nosso entender, impelir a uma procura de resposta efetiva. Certo é que a medicina actual dispõe de meios para tratar todas as situações dolorosas.
Se a eutanásia e a ajuda ao suicídio fossem legalizadas, as consequências seriam desastrosas. É claro que seria necessário mudar radicalmente todo o enquadramento legal, acabando o preceito constitucional de que a vida humana é inviolável. O princípio básico do respeito pela vida, não como valor mas como plataforma sobre a qual assentam todos os valores e direitos, seria irremediavelmente fracturado. O atual enquadramento legal e ético-deontológico das profissões da área da saúde teria de ser completamente revisto já que, pelo menos os códigos deontológicos médicos e de enfermagem advogam a vida e defendem o direito da pessoa doente e, como tal, o dever destes profissionais em promover a dignidade e qualidade de vida da pessoa que padece de doença incurável e/ou se encontra em fase terminal de vida.
Não podemos ignorar, ao discutir esta questão, a experiência entretanto acumulada nos três países em que, há cerca de dez anos, se encontra legalizada a eutanásia – Bélgica, Holanda e Luxemburgo. A primeira constatação é de que apenas nestes três países tal aconteceu; a imensa maioria dos estados do mundo não seguiu o seu exemplo, talvez por se ter verificado que nestes três países o enquadramento legal e a prática evoluíram no sentido de um alargamento e banalização da eutanásia. Acresce ainda que associações internacionais (e.g., Organização Mundial da Saúde, Conselho da Europa e Associação Europeia de Cuidados Paliativos) sustentam a premissa de que não se deve acelerar nem retardar a morte, estando aqui implícita a negação das práticas de eutanásia e suicídio assistido e obstinação terapêutica, respectivamente. A eutanásia, que inicialmente e à semelhança do que agora propõem os signatários do manifesto, ficava sujeita a regras restritivas e limitada a casos excepcionais, foi-se tornando cada vez mais abrangente e facilitada, a ponto de abranger pessoas em coma, inconscientes, pessoas com demências, e até menores de idade. Na Holanda, neste preciso momento, o Governo prepara-se para legislar de modo a permitir a eutanásia a pessoas não doentes, sem sofrimento, que devido à sua idade avançada entendam desejar ser mortas na incerteza de virem a adoecer ou de ficarem diminuídas ou incapazes.
Acontece ainda que as autoridades médicas rejeitam a eutanásia (os cinco bastonários da Ordem dos Médicos ainda vivos pronunciaram-se neste sentido) por entenderem que o dever do médico é respeitar a vida do doente, prestar-lhe todo o auxílio e cuidado, garantindo a melhor qualidade de vida possível e uma morte digna, serena, sem dor nem sofrimento. Isto é possível e constitui o objectivo a alcançar.
Não, a eutanásia não é a solução e a sua legalização teria consequências catastróficas para nós, enquanto indivíduos e cidadãos.


Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa – Porto


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Escola de Mazarefes

Escola de Mazarefes




Em 1932, Manuel Ribeiro Coutinho foi frequentar a escola que funcionava onde mora a Ermelinda Oliveira, junto às cancelas do Caminho-de-ferro. Na altura era uma casa da cunhada do Abade Matos que a tomou depois a Maria, esposa do Manuel Gonçalves Dias, o capador, por herança.
No entanto, a Escola funcionou antes na Casa, conhecida pela Casa da “Marta do Lexandre”, isto é, filha do Alexandre Rodrigues de Araújo Coutinho. Esta casa ficava no Ribeiro, ou no Montinho, no limite com Vila Fria. Ficava dentro da Quinta do Carvalho velho, pai do Luciano, o chefe da Banda. O Carvalho era professor de primeira. Depois de um incêndio, vendeu e foi para Viana.
Tinha funcionado ainda a Escola nos anos finais século XIX, na Casa do Zé da tia Deolinda, onde nasceu o professor Magalhães que vivia na casa onde está a Rosa Gomes Viana, conhecida pela Rosa do Manão, aberto para o largo, conhecido no meu tempo de criança, por sítio do Augusto da Castela. Aliás uma casa junta à casa do Augusto, cunhado do Padre Albino Maciel de Matos. Os filhos do Magalhães foram viver para Viana, onde eram professores, mas foram todos para a África, talvez Lourenço Marques. Uma filha, chamada Alzira, veio cá, depois de casada… Parece que por lá ficaram.







A casa da Ermelinda ficou nessa altura a ser a Escola só para Raparigas. Aí começou a leccionar a professora D. Isabel Ferreira.
Os Rapazes não tinham Escola. Conseguiram que a casa, conhecida por casa do Piroco que tomou o Pedra, fosse aberta para Escola dos Rapazes. A Casa era do José do Cordoeiro, José de Araújo Coutinho, meu trisavô e bisavô paterno de Manuel Ribeiro Coutinho.
Aqui, nesta casa, leccionou um Professor, Manuel António, de Mogadouro que viveu na Casa do João Cordoeiro, o Brilhante, pai do actual Francisco do Cordoeiro.
Seguiu-se a este professor, a professora Emília Fernandes, do Porto que levou o Manuel Coutinho a exame. Foi assim que o meu pai atrasou, passando pela transição entre a Escola que funcionava na Casa da Ermelinda e a Escola que funcionava na Casa do Piroco.
O professor Coelho que vivia em Subportela, onde tinha casado, foi o que se seguiu...
As aulas que funcionaram, ao mesmo tempo na Casa do Pe. Zé Pinto, hoje da Nadir, eram aulas a pagar e levavam a exame através de um professor oficial.
Apareceu a construção da Escola no conjunto das Escolas do Estado e, em 1934, estava a obra em fase de acabamento.
Agora abandonado o edifício do Estado Novo funciona a escola numa outra construção moderna que se localiza no Bairro Novo da Celnorte.
A do Estado Novo encontra-se completamente abandonada e é uma casa por onde passaram por lá os de Mazarefes desde 1934 a frequentar a Escola Mista. Na sala de baixo as meninas e na sala de cima os rapazes, da terra por cerca de 50 anos.

Nas fotos falta a do Montinho, a da casa da Marta Coutinho e do Joaquim Coutinho ( dos fidalgos de Alvarães) hoje de uma das filhas e transformada, assim como falta a da escola de agora.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Padre António Francisco de Matos e a Bicicleta em Braga

O Padre António Francisco de Matos, natural de Mazarefes, foi o abade da terra que mais anos paroquiou e deixou a maior parte dos seus bens à Paróquia.
A propósito o Padre Abílio Reis Lima que foi pároco de Caselas em Lisboa escreveu no "Serão" do Notícias de Viana, secção orientada pelo arqueólogo e etnógrafo vianense José Rosa Araújo o seguinte:




UM ESTUDANTE DE MAZAREFES FEZ EMBASBACAR A POPULAÇÃO DE BRAGA!
Isto deve ter sucedido aí pelo ano de 1885. Frequentava, então, o Seminário Conciliar um estudante, natural desta freguesia, chamado António Francisco de Matos. Era um aluno distinto e dotado de espírito de muita iniciativa.
Lembrou-se de construir uma bicicleta de pau, com duas cordas, sendo a da frente grande e a de trás, pequena. E, se bem o pensou, bem o fez, como diz o nosso povo.
Quando apareceu em público a dar ao pedal, fixado à roda grande da frente, os seus conterrâneos deliraram com a novidade, ficando todos de boca aberta perante os malabarismos do António Matos.
Como se tratava duma novidade sensacional, o nosso Estudante levou para Braga a Bicicleta da sua autoria. Pois não queiram saber, foi um acontecimento!
Despovoou-se a cidade para ver equilibrado em cima de duas rodas um estudante, ficando os bracarenses verdadeiramente embasbacados diante «daquele mafarrico» que não caía de cima das duas rodas! Naquele tempo ainda era desconhecida do público «que a força do movimento é superior à força da gravidade».
Concluídos os seus estudos recebeu Ordens Sacra se paroquiou esta freguesia durante 45 anos, vindo a falecer em 7 de Maior de 1947, deixando uma memória abençoada, o nosso querido Padre Matos.
Quantas vezes lhe ouvimos contar esta extraordinária proeza, que hoje recordamos, com acrisolado bairrismo.
Foi, portanto, o nosso saudoso Abade (que Deus tenha) o pioneiro do ciclismo aqui no Minho!!!
Só anos mais tarde, em 1903, é que apareceram as primeiras 6 bicicletas no acampamento das célebres manobras militares dos Feitos ou da Figueiró, aparecendo também o primeiro automóvel que o Rei D. Carlos trouxe de Lisboa no comboio até Viana. E de Viana ao local das manobras gastou 1,30 minutos a percorrer 17 quilómetros. Fez também amor sucesso a presença do automóvel do que a do Rei.
Há menos de um século, que progressos se não têm assinalado nos meios de comunicação e nas velocidades com que são vencidas as distâncias?!