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terça-feira, 14 de março de 2017

EUTANÁSIA - ONDE ESTÁ O CRIME E ONDE ESTÁ A CARIDADE ? Um trabalho por uma pessoa de 94 anos


 EUTANÁSIA
   - ONDE ESTÁ O CRIME E ONDE ESTÁ A CARIDADE ?

        Em termos vernáculos de Língua Portuguesa, o que é a EUTANÁSIA? Vejamos:
  I  - EUTANÁSIA -
1.      “Morte sem sofrimento”,(Dicionário de Eduardo Pinheiro);
2.      “Direito de morrer autorizado por lei” (em caso de doença incurável), -(Dicionário Geral e Analógico da Língua Portuguesa por Artur Bivar);
3.      “Morte doce e fácil”. 1.-Teoria segundo a qual é lícito pôr  fim à vida dos doentes incuráveis, sobretudo quando estão em grande sofrimento. 2.-Prática dessa teoria. – (Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea . Academia das Ciências de Lisboa – Edição Verbo);
4.      “Eliminação sem dor de doentes incuráveis, dados como perdidos, apressando-lhes o fim”. – Dicionário Enciclopédico da Língua Portuguesa – Publicação Alfa);



5.      “Morte provocada sem sofrimento, tranquila.”/ Teoria segundo a qual seria lícito abreviar a vida de um doente incurável para pôr fim aos seus sofrimentos. /(Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse).
II –MATAR -
  • “Dar morte a”; assassinar; suicidar-se; … -(Dic.Eduardo Pinheiro)
  • Causar a morte a”; “acabar com” … “empandeirar”;  -  (Dicionário Analógico da Língua  Portuguesa – Artur Bivar)
  • “Causar a morte”, fazer perder a vida =  abater, assassinar; - (Dicº.da L.P. Academia das Ciências de Lisboa – Edição Verbo);
  • “Tirar a vida”, “ser assassinado”; - ( Enciclopédia da Língua Portuguesa – publicação Alfa);
  • “Tirar vida”; “assassinar”; “cometer homicídio;” – (Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse);
 III – MEDITEMOS
                                 -  Todos os que professam qualquer religião, seja qual ela for, os ateus, os agnósticos; etc. , ,,,
                                 - Todos aqueles que se consideram pessoas e as respeitem como seres humanos;
                                 - Todos com liberdade, com honestidade, com dignidade humana, com ética moral, religiosa e profissional, com inteligência e consciência mas consciência sã, sobre o significado do vocábulo EUTANÁSIA transcrito em I :
  1. “MORTE sem sofrimento” -cessação definitiva da vida, … -(fim da vida provocado por um pessoa); -pena capital,…  ( È assassinar, é matar  humanos por uma pessoa- (profissional) - designada por lei, é matar legalmente pelo poder político, é morte(matar) descriminalizada  por decisão do poder legislativo.
  2. DIREITO de morrer autorizado por lei”… (È dar a morte a…. É assassinar). A pena capital, pena de morte em Portugal foi abolida.
  3. “MORTE doce e fácil”…(É dar a morte, é assassinar, é acto de enganosa compaixão, falsa caridade praticado por uma pessoa, profissional de saúde,          ( MÉDICO !!!...), é restabelecer a  pena de morte  não para criminosos mas para  sofredores doentes ou idosos, pesados ao orçamento estatal e, infelizmente, a alguns familiares…
  4. “ELIMINAÇÃO sem dor”…( È dar a morte a pessoas “doentes”, é assassinar nas condições referidas em 3 anterior, por profissionais que juraram defender a saúde e a vida humana …
  5. MORTE PROVOCADA sem sofrimento”…  ( É dar a morte…é assassinar legalmente) ,  por quem?  Quem é o assassino?  - Há dúvidas???...!!!

        Tirar a vida ao ser humano, seja ele nascituro, criança, jovem, adulto, novo, velho ou idoso. saudáveis ou atingidos por doenças mesmo consideradas incuráveis – (por pessoas também falíveis) - causadoras de indiscritíveis dores e sofrimentos inimagináveis é ou não MATAR uma pessoa ?    - Provem ao Mundo o contrário.
         Matar uma pessoa é cometer um ASSASSINIO, é HOMICIDIO, é crime. È ou não é verdadeira esta afirmação?
Defensores da EUTANÁSIA, fundamentam-se em:
a)      - “ dor insuportável”, “sofrimento atroz”,…de doentes considerados como incuráveis,
 – como se  os julgadores fossem pessoas  infalíveis, os criadores da vida…, cheios de compaixão, de comiseração, querem mitigar-lhes o sofrimento tirando-lhes a vida, matando-os, assassinando-os, protegidos por uma lei forjada e dissimulada em linguagem demagógica e caritativa, submetida a aprovação por Órgão de Soberania de indiscutível respeito  que , a ser aprovada , será o restabelecimento da  pena de morte, uma traição aos cidadãos deste Portugal de história secular que o dignifica no Mundo.
        Os defensores da eutanásia, por ventura, alguma vez analisaram o grau de sofrimento dos doentes em causa e o grau de sofrimento de uma família com filhos – (2, 4, 6 ou mais) -  de tenra idade que vivia honestamente sem dificuldades com dignidade humana e, inesperadamente ficou – (marido e esposa) – sem trabalho, sem bens pecuniários ou outros que lhes facultem o acesso a quaisquer bens indispensáveis `à sobrevivência pessoal e dos filhos menores e, por vezes até já adultos em situações precárias? ! -São os pobres envergonhados… os desempregados, abandonados, desesperados que, sem esperança se suicidam…!
       Vejam-se as estatísticas,  as frequentes notícias que nos chocam- (mães que acabam com suas vidas  e a vida dos filhos) -e pensemos na sua dor , no seu sofrimento…
   Dir-se-á que cada qual sofrerá conforme a sua personalidade, o seu carácter, a sua coragem, a sua formação moral e religiosa, a sua sensibilidade à dor e sofrimento e sua consciência…
b)      “dignidade, dignidade humana”:
:     - 1…autoridade, respeito, honra; 2…  3. .respeito devido a uma pessoa ou coisa. “ A dignidade humana é um valor supremo(Eduardo Coelho)”; 4. nobreza de carácter, respeito por si próprio e pelos outros; qualidade de digno;  5.Atitude em  comportamentos nobres, dignos;  6. Decoro, decência, compostura,  …(Dicionário da L. Portuguesa Contemporâneo – Academia das Ciências de Lisboa).
    - Qualidade moral que infunde respeito; consciência do próprio valor; … Grandeza; modo digno de proceder; …; honraria; …;  princípio  moral baseado na finalidade do homem e não somente na sua utilização como meio;   Dignidade humana: - valor particular  como tem todo o homem como homem, isto é, como ser racional e livre, como pessoa.  – (dicionário Enciclopédico da L. Portuguesa – Publicações alfa).
IV – O que nos diz e estabelece a Constituição da República Portuguesa ?
               A)-       Vejamos:
TÍTULO II  /Direitos, liberdades e garantias
    Capítulo I -/Direitos, liberdades e garantias pessoais
                        ARTIGO 24º.- (Direito à vida)
 1.- O direito à vida é inviolável.
 2.-Em caso algum haverá pena de morte..
      Interpretemos os  números 1 e 2  deste artigo e o Artigo 25º.
  • Inviolável = a intangível; em que não se pode tocar; sagrado; intocável.
  • Pena de morte = a eutanásia.
                        ARTIGO 25º. – (Direito à integridade pessoal)
 1.-A integridade moral e física é inviolável.
2.-Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos
·        A integridade … é inviolável = intangível, …intocável.
B) -  Face ao disposto nos artigos  24º e 25ª atrás transcritos e da sua análise, ponderemos:
  •  A PENA DE MORTE é ou não inconstitucional?
  • A EUTANÁSIA, estabelecida por lei, é ou não equivalente, igual a PENA DE MORTE?
  •  Como ser humano livre de preconceitos políticos, a sua livre capacidade pensante, a sua ética humana e a sua sã consciência dar-lhe-ão a resposta.
  • Responda  “alto e bom som” à sua consciência.
V – CONCEITO DE LIBERDADE –( do lat. Libertas, -atis)
1.      –condição de  uma pessoa poder dispor de si;
2.      –poder de fazer ou deixar de fazer uma coisa;
3.      - independência
4.      –iniciativa;
5.      - faculdade de fazer o que não é proibido por lei;
          ….(Dicionário da L.Portuguesa, de Eduardo Pinheiro).
6.      –condição de um ser que está isento de constrangimento, actuando consoante as leis da natureza;
7.      –direito de um cidadão agir segundo a sua própria  determinação, dentro dos limites fixados pela lei;
8.      –possibilidade de agir sem limitações extrínsecas;  ……………………..
9.      –livre arbítrio ou poder de decidir sem motivos, como manifestação absoluta da vontade;    ...   … …
   (Dicionário da L, Contemporânea   -  Academia das  Ciências de Lisboa)
10.  –“… a liberdade não pode consistir em fazer o que se quer, mas em poder fazer o que se deve querer”. …(Montesquieu);
11.  – “… a liberdade consiste em fazer tudo  o que não prejudique a outrem -…”;   …(Constituição Francesa, 1791)
12.  – “…a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do seu semelhante”-  …     (Rousseau)
13.  – “…a liberdade não consiste apenas no direito, mas no poder de ser livre.” – (Luìz Blanc);
14.  -  Liberdade individual: - “ garantia que todos os cidadãos têm de não serem impedidos do exercício dos seus direitos, excepto nos casos determinados por lei”.       
15.  – Liberdade de consciência:- “ direito de professar as opiniões  religiosas e políticas que se julgarem verdadeiras”.        
 VI –   A LUZ DE DEUS
                                         Diz  :                  
                 1º. ……
                 2º….
                 3º…..
                 4º . – Honrar pai e mãe .
                 5º. – NÃO MATAR   -  (Só Deus tem o direito de tirar a vida)
                                                    – ( -Aborto;  -Eutanásia;  -Suicídio; - Homicídio)
                 6º. - …
                 7º. – Não roubar   - (subtrair ; furtar; tirar…((tirar a vida))  ).
                 8º. - ……………….
                 9º. –……………...
               10º. - ………………
                               (  Os dez mandamentos)

      VII – Outros conceitos e significados de eutanásia,  para mitigar a sua crueldade de matar, assassinar …!!!!
  1. – “Boa morte”, “morte apropriada” ou “ morte piedosa”.!!!  -  // -Termo proposto  por Francis Bacon em 1623 (História vitae et mortis) como sendo “” um tratamento adequado às doenças incuráveis””//. – (In. “ Revista Âmbito Jurídico”).
  2. –“ Morte assistida”.       –O que significa assistir ?     -  Eis o que nos diz Eduardo Pinheiro no seu Dic. De Ling. Portuguesa  :- v..i.“ estar presente;…fazer companhia; presta socorro;  acompanhar;  patrocinar; presenciar; ver;  …
            v.tacompanhar e tratar no parto ou na doença”.
  • - O profissional de saúde que assiste ao doente,   não  o vai tratar  mas  “dar a morte a…”, (dar-lhe a injecção letal) isto é matar, é assassinar …
  • Assistir a um doente, é estar presente, com o seu amor, a sua generosidade a sua coragem, conformando-o e mitigando-lhe o sofrimento, com o seu carinho a sua estima, o seu encorajamento para aceitar e resistir à dor ,ressaltando-lhe a misericórdia do Seu Criador.
  1. – “Suicídio assistido”: - O doente toma o veneno facultado,  a seu pedido,  pelo profissional de saúde.
·        Dar veneno a um ser  humano, doente ou saudável  para ele  morrer, é ou não matar?  Não é crime ?!!!  
·        O profissional que deu  o veneno ao suicida ou a injecção letal ao doente, que lhe tirou a vida, matou ou não o doente, o idoso ou o desesperado ?
·        Se o doente quer morrer ,( vulgarmente suicida-se)  pois  que tenha  a coragem de assumir a responsabilidade da  sua morte mas que não seja o poder político, com interesses  económicos estatais, pessoais ou familiares a  restabelecer misericordiosa  pena de morte, tendo como algozes os profissionais de saúde.

VIII. – ANALISANDO e reflectindo no que atrás  se transcreve e diz,  pode concluir-se:
1.- Eutanásia, “morte doce…”, morte assistida, suicídio assistido, - por mais “adocicado”, pleno de  piedade e de caridade humana que se pretenda ataviar o  seu significado , o seu conceito de dar a morte a ser humano (dito em português e não politiquês)  é, e será sempre , em português vernáculo MATAR.
2. – Matar, assassinar é acto antinatural, , desumano, crime, é ofensa ao Criador…,praticado por  médico, profissional de saúde que jurou defender a vida  e a saúde do ser humano.
3. – Transfigurar o MÈDICO, profissional de saúde, em carrasco da “ “piedosa pena de morte””(eutanásia) aplicada a um doente ou  idoso,  É PROCEDIMENTO ofensivo e insultuoso  da classe médica, é desacreditar, descredibilizar a profissão que é  das mais respeitadas pela população  e  uma das mais nobres missões de mundo.  È criar no ser  humano o medo, o receio e a suspeição  naquele a quem confiava o tratamento da sua saúde e seus familiares.
         O profissional de saúde que aceita em sua consciência praticar eutanásia tornar-se-á o algoz ,o carrasco da  ilusória “ morte doce”,  de matar, de assassinar…   Errou a profissão, falta a um juramento profissional.
      -  Será o médico que vou consultar um dos algozes da eutanásia !!!!??????
      - Posso confiar nele …..!!!??????
      - Já agora pergunta-se: - pretender-se-á transformar os hospitais em matadouros?!...
     
  1. –  DESABAFANDO:
                        - Não se  permita que se invoque piedade, compaixão, caridade, misericórdia para se conseguir lei que permita MATAR ou  assassinar legalmente…!!!
                       -A piedade pelo sofrimento não deve  limitar-se aos doentes que um, dois ou três profissionais de saúde  julgam incuráveis.   O homem  não é infalível,  muitos incuráveis regressaram à sua vida e actividade normal…
                       - Com o maior e devido respeito  pela sensibilidade e sofrimento de doentes e de idosos, a  política dever-se-ia debruçar, séria e afincadamente a estudar e resolver o sofrimento atroz dos pobres e miseráveis  envergonhados, dos sem-abrigo e outros problemas nacionais de maior importância e valor do que  a eutanásia para matar doentes e idosos, tratando-os não com dignidade humana mas como indesejáveis.
       É lamentável nesta  época em que tanto se  apregoa ,a ética, a moral, a solidariedade, e descobertas e desenvolvimento científico, regressemos a tempos primitivos de pré-história, da antiga Grécia, Roma, etc. em que seres humanos, pessoas, eram mortos como animais selvagens.

 Não esqueçamos :  -“ Enquanto há vida, há esperança”


                      Viana do Castelo, 26 de Fevereiro de 2017
                                                           

                                                                        VAFONSO

segunda-feira, 13 de março de 2017

Uma ética da Mãe Terra, nossa Casa Comum

Uma ética da Mãe Terra, nossa Casa Comum
12/03/2017
É um fato cientificamente reconhecido hoje que as mudanças climáticas, cuja expressão maior se dá pelo aquecimento global é, num grau de certeza de 95%, de natureza antropogênica, Quer dizer, possui sua gênese num tipo de comportamento humano violento face à natureza.



Este comportamento não está de sintonia com os ciclos e ritmos da natureza. O ser humano não se adapta à natureza mas a coage a se adaptar a ele e a seus interesses. O interesse maior que domina já há séculos se concentra na exploração desapiedada dos bens e serviços naturais em vista da acumulação ilimitada. Junto a isso segue a dominação de outros povos, o colonialismo e o imperialismo.
A forma como a Mãe Terra demonstra a pressão sobre seus limites intransponíveis é pelos eventos extremos (prolongadas estiagens de um lado e enchentes devastadoras de outro, nevascas sem precedentes por uma parte e ondas de calor insuportáveis por outra parte).
Face a tais eventos, a Terra se tornou o claro objeto da preocupação humana. As muitas COPs (Conferência das Partes), organizadas pela ONU acerca do aquecimento global, nunca chegavam a uma convergência. Somente na COP21 de Paris, realizada de 30 de novembro a 13 de dezembro de 2015 se chegou, pela primeira vez, a um consenso mínimo, assumido por todos: evitar que o aquecimento chegue aos 2 graus Celsius. Lamentavelmente essa decisão não é vinculante. Quem quiser pode segui-la mas não existe nenhuma obrigatoriedade nem penas, como o mostrou o Congresso norte-americano que vetou as medidas ecológicas do Presidente Obama. Agora o Presidente Donald Trump as nega rotundamente como algo sem sentido e enganoso. Esse negacionismo da maior potência do mundo é ameaçador para todos e para a Terra.
Está ficando cada vez mais claro que a questão é antes ética do que científica. Vale dizer, a qualidade de nossas relações para com a natureza e para com a Casa Comum não eram e não são adequadas, antes, são destrutivas.
Citando o Papa Francisco em sua inspiradora encíclica Laudato Si: sobre o cuidado da Casa Comum” (2015): “Nunca maltratamos e ferimos a nossa Casa Comum como nos últimos dois séculos… Essas situações provocam os gemidos da irmã Terra, que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo”(n.53).
Precisamos, urgentemente, de uma ética regeneradora da Terra. Esta deve devolver-lhe a vitalidade vulnerada a fim de que possa continuar a nos presentear com tudo o que sempre nos galardoou. Será uma ética do cuidado, do respeito a seus ritmos, da compaixão e da responsabilidade coletiva.
Mas não é suficiente uma ética da Terra. Precisamos fazê-la acompanhar por uma espiritualidade. Ela lança suas raízes na razão cordial e sensível. De lá nos vem a paixão pelo cuidado e um compromisso sério de amor, de responsabilidade e de cuidado para com a Casa Comum. Bem o expressou no final da encíclica do bispo de Roma, Francisco, ao enfatizar “uma paixão pelo cuidado do mundo, uma mística que nos anima com uma moção interior   que impele, motiva e encoraja e dá sentido à ação pessoal e comunitária”(n.216).
O conhecido e sempre apreciado Antoine de Saint-Exupéry, num texto póstumo, escrito em 1943, Carta ao General “X” afirma com grande ênfase: ”Não há senão um problema, somente um: redescobrir que há uma vida do espírito que é ainda mais alta que a vida da inteligência, a única que pode satisfazer o ser humano”(Macondo Libri 2015, p. 31).
Num outro texto, escrito em 1936, quando era correspondente do “Paris Soir”, durante a guerra da Espanha, leva como título “É preciso dar um sentido à vida”. Aí retoma o tema da vida do espírito. Aí afirma:”o ser humano não se realiza senão junto com outros seres humanos, no amor e na amizade; no entanto, os seres humanos não se unem apenas se aproximando uns dos outros, mas se fundindo na mesma divindade. Num mundo feito deserto, temos sede de encontrar companheiros com os quais con-dividimos o pão”(Macondo Libri p.20). No final da “Carta do General “X” conclui: “Como temos necessidade de um Deus”(op.cit. p.36).
Efetivamente, só a vida do espírito confere plenitude ao ser humano. Ela representa um belo sinônimo para espiritualidade, não raro identificada ou confundida com religiosidade. A vida do espírito é mais, é um dado originário de nossa dimensão profunda, um dado antropológico como a inteligência e a vontade, algo que pertence à nossa essência. Ela está na base do nascimento de todas as religiões e caminhos espirituais.
Sabemos cuidar da vida do corpo, hoje uma verdadeira cultura com tantas academias de ginástica. Os psicanalistas de várias tendências nos ajudam a cuidar da vida da psiqué, para levarmos uma vida com relativo equilíbrio, sem neuroses e depressões.
Mas na nossa cultura, praticamente, esquecemos de cultivar a vida do espírito que é nossa dimensão radical, onde se albergam as grandes perguntas, se aninham os sonhos mais ousados e se elaboram as utopias mais generosas. A vida do espírito se alimenta de bens não tangíveis como é o amor, a amizade, a convivência amiga com os outros, a compaixão, o cuidado e a abertura ao infinito. Sem a vida do espírito divagamos por aí, sem um sentido que nos oriente e que torna a vida apetecida e agradecida.
Uma ética da Terra não se sustenta sozinha por muito tempo sem esse supplément d’ame que é a vida do espírito. Ele nos faz sentir parte da Mãe Terra a quem devemos amar e cuidar.
Leeonardo Boff é articulista do JB online e autor de Ética e Espiritualidade: como cuidar da Casa Comum, Vozes 2017.


sábado, 11 de março de 2017

Sou Lusitano? Não recordo onde encontrei ou se eu sou o autor, mas subscrevo


Sou Lusitano?





Os Portugueses na sua maioria são descendentes de Lusitanos. Os Lusitanos eram um povo da mistura de celtas e iberos que viveu na parte ocidental da península ibérica que correspondia hoje a Portugal e a Espanha.
Sobretudo este povo fixou-se entre o Douro e o Tejo limitados a norte pelo galaico e alturas de província romana da Galícia, ao norte eram os Béticos e a oeste os Celtiberos.
Viriato foi um dos principais líderes que resistiu às invasões romanas. Os romanos tiveram muitas dificuldades porque os lusitanos com o seu chefe Viriato não foram fáceis de serem vencidos, antes pelo contrário causaram baixas aos romanos e resistiram durante o tempo necessário para os romanos se sentirem bem humilhados.




Segundo autores mais modernos defendem a tese que os lusitanos eram um povo pré-celta como o provam documentos escritos encontrados no território português escritos em língua lusitana, embora só existam três inscritos lusitanos mais tardias e todos já um alfabeto latino.




Apesar de ser um povo hábil na luta da guerrilha usando o punhal, a espada e o dardo, tudo em ferro e a lança em bronze, soube vencer e humilhar os exércitos poderosos de Roma.
Já era um povo evoluído usando os banhos de vapor, comiam uma vez por dia , praticavam sacrifícios humanos, sacrifícios a Ares, deus da guerra, não só prisioneiros, como cavalos e bodes. Comiam pão de bolota, bebiam água e leite de cabra. O vinho era só para as festas familiares uma espécie de cerveja, usavam a manteiga em vez do azeite e comiam encostados às paredes. Usavam cabelos cumpridos e flutuantes, embora em combates os prendessem.
Dedicavam-se à ginástica, faziam equitação (daí o cavalo lusitano) e bailavam em danças de roda, de mãos dadas, ao som de flautas e córnea ou trombetas e dormiam no chão sobre feno e usavam barcos feitos em couro ou troncos de árvores.
As lutas com os romanos só acabaram depois de à traição terem morto Viriato, mas, mesmo assim, ainda levou algum tempo Décimo Júnio Bruto veio de Roma e só depois é que conseguiram marchar sobre o monte até ao nosso Rio Lima. Tudo foi difícil e só nos anos 60 A.C. Júlio dá o golpe de misericórdia ao fim de 150 anos de brava luta.
A última resistência teria sido no monte medúlio que há quem afirme ter sido a serra d´Arga ao rio Minho, depois os defensores se suicidaram preferindo a morte à escravidão romana.
Estrabão escreveu que os lusitanos eram “a mais poderosa das nações ibéricas e que entre todos por mais tempo deteve as armas romanas”.
Camões deu ao à sua epopeia nacional o nome de “Lusiadas” em sua honra.




A vestimenta do homem era preta e de lá grosseira ou pelo de cabra. Usavam a condenação à morte. Esses eram lançados em precipícios.
O primeiro passeio que dê será fazer uma visita à terra de Lorica que os visigodos deram o nome de Loriga, terra de Viriato a sudoeste da Serra da Estrela actualmente no conselho de Seia, em honra não só de Viriato, mas também dos nossos antepassados lusitanos de quem descendemos.
Em 1511 nasceu João Rodrigues Castelo Branco que foi um médico insígne. O seu mal era ser judeu e foi dar o melhor de si como grande cientista com o prudivino Amado Lusitano.


sábado, 4 de março de 2017

Servir, servir, servir… V

Servir, servir, servir… V

“Eu vim para servir” é o tema da Carta Pastoral do nosso Bispo a todos diocesanos repetindo as mesmas palavras proferida por Cristo em Cafarnaum. Ao iniciar esta quaresma eu como fiel chamado por Deus, com Deus no coração, sinto-me servo.
Afirmo  “vim para servir” desde que fui ordenado sacerdote e enviado para a Serra D`Arga em 1972 e em 1978 para esta Paróquia.




No entanto, se fizer uma paragem e fizer silêncio em mim, ouço sempre algo que me falta.
O que me falta é servir, servir… fico muito aquém do que Deus me pede e os paroquianos. Preciso de perdão. Faço tudo por servir, mas faço tão pouco que fico muito longe como baptizado e como padre.
Gostava também de que, nesta quaresma, parássemos todos um pouco porque afinal todos fomos chamados ao Reino de Deus e todos temos responsabilidades quer como participantes no sacerdócio comum dos fiéis através do baptismo, como participantes do sacerdócio ministerial do sacramento da ordem com os que me ajudam, mesmo com o nosso Bispo.




Eu quero servir, há algo que não me deixa servir, há quem não me deixe chegar onde queria, onde me parece que seria a vontade de Deus que eu chegasse.
Reflectindo bem e tendo lido a carta Pastoral “Eu vim para Servir”, eu quero afirmar “Eu vim para servir”, mas não sou divino, sou humano como os outros, embora com a carga, o peso duma escolha, chamamento e envio diferente do comum dos fieis com o qual me comprometi e a quem devo fidelidade.
Que Deus Nosso Senhor, a comunidade cristã e a Igreja em geral me perdoem pelas minhas falhas na entrega aos outros porque sou um servo indigno de Deus que eu amo e adoro.


Pe. Artur Coutinho


sexta-feira, 3 de março de 2017

Casa dos Araújos Amorins

Casa dos Araújos Amorins

A Casa do Monte começou por ser a Casa dos Araújos, em 1789, com António Gonçalves Araújo (Amorim) que, nesse ano, casava com Maria Rodrigues (filha de Custódia Rodrigues, solteira), para a casa que se situava na Conchada.
O António Araújo veio de Chafé, e era filho de Manuel Gonçalves Amorim do Rego e de Fernanda Araújo da Silva.
Do casal houve sete filhos: a Maria (1790), o José (1791) que faleceu, o António (1792), o José (1794), (bisavô do Duarte Coutinho Barreto que restaurou a casa) a Teresa (1795), o João (1798), e a Rosa (1802).

 O João ficou em casa e consorciou-se com a Maria Teresa de Jesus de quem teve apenas 2 filhos: António e Maria Rosa.

I-     ANTÓNIO (1836) casou com Maria Alves, filha de Manuel José Barbosa e Maria Alves, (de Vila Fria) e foram os pais de Manuel, António (1878), Maria (1872), José (1876), Domingos (1880), Clara (1982), e de Ana (1987), dos quais sabemos:



           António - casou para o Ribeiro com Maria Rosa Fernandes, irmã do Dr. Ferreira de Vila Fria, da família Caroças, do lugar da Cavagem e teve 4 filhos: Maria, Maria Deolinda, Conceição e Manuel.

            A Maria Rodrigues Amorim casou com José Augusto, carteiro. Vivia no Ribeiro, ao lado da Quinta e Casa que foi da Marta do Alexandre e teve 1 filho, o Anselmo, que foi para o Brasil onde casou com uma brasileira de nome Maria Estela (ou Maristela).

            O Manuel casou no Brasil com uma senhora Estela da qual teve dois filhos (o Maurício e a Estela

            A Conceição casou com José Rodrigues, de Darque e foi mãe de 5 filhos: a Maria, o Manuel, António, a Maria de Lurdes e o Mário.
 - A Maria casou com Augusto Marques e é mãe da Elisabete, casada com Valdemar e com 2 filhos: Filipe e a Patrícia,
- O Manuel R. Amorim casou com Lucinda Mesquita, de Sta. Marta, e foi mãe de 3 filhos (o Rui, o Paulo e a Anabela);
- O António é casado com Ana Lopes e pai de Eric;
- A Maria de Lurdes casou com o cunhado do irmão, o Manuel Mesquita de Sta. Marta e foi mãe de 4 filhos: o Ricardo, o Vitor (casado com Isabel e pai de Sara e Laura), o Sérgio e a Paula (casada com Artur Pinto e mãe de Cristiano e Joana).
- O Mário faleceu solteiro e sem geração.

            A Maria Deolinda casou com José Ferreira Silva, de Anha, e teve 8 filhos. Vivia ao lado da casa dos pais, no Ribeiro. Dos filhos da Deolinda sabemos:
-     o Valentim, casado com Palmira e pai de 4 filhos (Fernando casado com Fátima Pereira e pai de Sanbrine e Laetitia,  Augusta casada José Manuel Pereira e mãe de David, Fátima casada com Alberto Martins e mãe de Carla casada com Paulo Queirós e de Cédric  Carlos casado com Maria José Guerreiro e pai de Miguel e Cátia, casada com Albino Gomes);
-     o Jorge, casado com Irene Ferreira de Mujães e pai de 4 filhos (Jorge casado com Emília Jácome e pai de Karina, Manuela, Fernando  casado com Rosa Pinto e pai de Tatiana, Maeva e Irina e Isabel casada com Philippe Nourry);
-     a Fátima, casada com Fernando Miranda e mãe de 4 filhos (Paulo Jorge, Carlos Miguel casado com Ana Lopes e pai de Laura, Alberto Filipe e Fernanda);
-     o José, casado com Margarida de Sta. Marta e pai de 2 filhos (o Nuno e o José Carlos);
-     o Manuel, casado com Lurdes Morais, de Outeiro e pai de 2 filhos: o Carlos casado com a Sílvia e o Frederico;
-       o Carlos casado com Cândida de Sta. Marta e pai de 2 filhos: Sara casada com Roberto e mãe de Rafael e o António casado com Natália e pai de um filho.
-    e o  António, casado e é pai de um filho chamado Miguel.
-     o Augusto casado com uma francesa, a Patrice e pai de 3 filhos: da Cristele Jean e mãe da Marine e Lou-Anne, da Virginie e de Marybelle.


      Maria - foi para a casa dos avós maternos, em Vila Fria, a conhecida “Casa do Couto”. Não teve filhos.

      José - casou com Antónia Rodrigues Araújo, dos Catrinos, bisavós do Duarte.
antes da chegada do compasso, após o fogo da lareira ter chegado à sua roupa.  Curiosamente, em 1965, uma sobrinha, na mesma lareira, e em dia de Páscoa, às 10 horas da noite, ficou sem a mão esquerda por rebentamento de uma bomba de foguete.


            - O José que casou com Conceição Lima e foi para casa da tia casada com o Couto, em Vila Fria. Deste casamento nasceram 5 filhos varões (Manuel Artur, José Joaquim, José, Martinho e Agostinho). A Conceição morreu de doença cancerosa e o José casou 2ª vez, com Alice Ferreira, de Belinho, de quem teve mais duas filhas (Sandra e Renata).
            - A Maria que casou com Artur Matos, de Vila Franca, sobrinho do Pare João Matos e do Dr. João Matos, do campo de futebol do Vianense e ainda primo do abade Matos de Mazarefes. Do casamento não teve filhos. Casados viveram toda a vida na Casa da Quinta dos Oliveiras, comprada pelos seus pais.
            - A Deolinda que casou com Manuel Ribeiro Coutinho e teve 3 filhos (Artur, Abel e Mª do Céu). Ficou na casa onde nasceu a família Araújo, oriundos de Vila Fria, vulgo, “catrinos”.





         Domingos - casou para Vila Fria, com Ana Lima, de Anha. Em Vila Fria foi viver para a casa que o irmão Manuel tinha comprado quando estava para casar com a do Fornelos. Teve 2 filhos: o José e o António.
      -  O José casou com Maria Clara, e foi pai de 4 filhos, nascidos na Cavagem, onde vivem: o Miguel, Maria Alice, o António e Maria Goreti.
- O Miguel casou com Maria da Conceição Cambão e é pai de Patrícia; a Maria Alice casou com Aníbal Gomes e é mãe de José Miguel e Luís; o António casou com Manuela Correia e pai de Carla e César; e a Goreti casou com José Miranda e é mãe de Paulo e Diana.

 - O António casou para Anha com Rosa do Carmo Lima e criaram 7 filhos, no lugar de Noval: Ana, Joaquim, Mª. Conceição, Rosa, José Carlos, Maria do Carmo e Luís António.
                  - A Ana Maria casada com António Cunha e mãe do Humberto; o Joaquim que casou com Goreti Cunha, de Viana e é pai de Pedro; a Maria da Conceição que casou com Alberto Varajão e é mãe da Joana; a Rosa Maria que está solteira; o José Carlos que casou com Maria da Conceição, de Águas Santas e ainda não tem filhos; a Maria do Carmo e o Luis António que ainda são solteiro.

A casa do Domingos ficou para o filho José e deste para o neto Miguel.

         Clara - casou com Manuel Pereira, de Vila Fria, e ficou em casa. Do casamento resultaram 4 filhos e uma filha, a saber:
            -  O José que foi o primogénito e morreu criança.
            -  O José  (com o mesmo nome do irmão falecido) que morreu solteiro.  Fazia vinhas de arame e morreu de acidente ao cair de uma meda de palha.
            - O António que casou com Maria Coutinho e foram os pais de uma menina, de nome Rosa, casada com Vasco Bandeira e mãe de 2 filhos: António Alberto e José Rui.
            - O Manuel que casou com Maria Barreto e não tem filhos.
            - Maria que casou com José Forte. Foram pais de Deolinda que casou com um jovem de Alvarães.

              Ana - casou com Manuel Forte (o Barrolo). Foi mãe de 5 filhos, a saber:
            - A Maria que morreu solteira e viveu sempre em casa.
            - A Deolinda que casou com António Forte e foi mãe de 3 filhos, criados na casa junto à estrada nacional que liga Darque a Vila Verde. Esta casa foi comprada aos Zabumbas. A Deolinda foi mãe de Maria Teresa, José e Maria Augusta. A Maria Teresa casou com António da Silva e são pais de Jorge Ricardo e Maria Elisabete. O José casou com Maria Ester e são pais de Paulo Ricardo e Sara Manuela. A Maria Augusta casou com António e são pais de Rafael. 
            - A Rosa que casou com José Cunha e foi mãe de 3 filhos. Foi viver para a casa do marido, na Regadia. Um filho da Rosa, o António faleceu jovem e de acidente de viação; ficaram duas filhas, a saber: a Idalina casada com o Porfírio Silva e mãe de Filipa, Vasco e Diana, e a Maria casada para Vila Franca com José Luis e mãe de Marcelo e Elisa. 
            - O Manuel que casou para Vila Fria com Maria da Conceição Ferreira e foi pai de 1 filho chamado Manuel, casado com Mª Olívia Coutinho Forte, de Mazarefes.
       - O José que casou com Cândida Araújo, de Anha e ficou em casa, onde criou 3 filhos. Um destes filhos faleceu com 7 anos de idade, restando vivos a Mª de Fátima (casada com Francisco Matos de Barros e mãe de Pedro Duarte e Miguel) e o Manuel (casado com Cândida Barbosa e pai de Ana Catarina e Raul).


        *Manuel tinha comprado uma casa em frente à igreja de Vila Fria morar depois de casar com uma noiva da Meadela da família Fornelos, mas morreu de paixão porque ela, na hora, lhe faltou.

   II - MARIA ROSA DE JESUS (1838) que casou com Manuel de Matos, filho natural de Violante, solteira, a “zabumba”. Foi pai de Manuel Amorim de Matos que, por sua vez, casado com Maria Rodrigues Calheiros, foi o pai de Rosária (nascida em 1909, e ainda de boa saúde), e de mais quatro homens: o Albino, o António, o Artur e o Manuel.