AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com

Obrigado

quinta-feira, 30 de março de 2017

A Casa da Costinha de Baixo – Serra de Arga

A Casa da Costinha de Baixo – 

Serra de Arga

Conheci-a logo que tomei posse da Paróquia de Arga de Baixo, Concelho de Caminha em plena Serra d`Arga.
Foi-me apresentado o senhor David de Jesus Lourenço o detentor das chaves de tudo e receber alguma da orientação da igreja e da residência, acompanhado pelo David Gonçalves da Costinha de Cima que também fazia parte da Comissão Fabriqueira e Regedor.
O David da “Costinha de Baixo” assim conhecido no vulgo, era um homem muito religioso e dava tudo o que podia pela família, pelos outros e pela comunidade em geral. Era verdadeiramente um cristão comprometido e para convencer os outros não lhe faltavam argumentos da razão, de fé e da vida para levar os conterrâneos a darem-se à comunidade. A todos ele desejava que dessem o passo igual ao dele, mas o dele era sempre um passo maior sem deitar foguetes para que lhe batessem palmas. Era um homem fora do comum, com uma personalidade muito peculiar, homem de princípios, humilde, trabalhador, de carácter e serrano dos quatro costados em defesa da terra e da igreja sempre aberto e amigo de fazer o bem.
Se assim o era, assim fazia, vem como a sua esposa e os seus filhos.
O David da Costinha de Baixo nasceu na casa do Sabugueiro e lá se foi para a Costinha de Baixo por ter casado com a Maria das Dores Gonçalves. Era de Baixo porque havia a casa do Costinha de Cima, onde vivia o David Gonçalves da Comissão fabriqueira e regedor da freguesia. Perto morava o Carlos da Casa do Campo do Vale que era Presidente da Junta da qual o David “da Costinha de Baixo” era também o tesoureiro.
O David era filho da Angelina de Sabugueiro que não conheci, mas conheci uma irmã que vivia na casa a Maria José, tia do David e de quem fiz o funeral. A Maria José era um poço sem fundo como se dizia sobre a cultura da gente da Serra D`Arga estes de que trato aqui.
Eram nove irmãos que se espalharam por todo mundo e já todos falecidos.
A Angelina, portanto, mãe do David da Costinha de Baixo, ficou viúva e um dia, o senhor conhecido por violas, um vizinho, não a queria deixar passar por onde sempre tinha passado para uma propriedade desde criança, solteira, como casada e mãe de 9 filhos. – “Ora ou me deixa passar ou dou-lhe com esta vara aguilhoada”. Não o convencendo e julgando que ela não o faria, ela deu-lhe mesmo e partiu-lhe um dedo. O homem foi queixar-se ao regedor da terra, e a resposta deste foi lapidar “então tu metes-te com uma mulher viúva?” para a outra vez abre os olhos.
Assim era a sua mãe como viúva, sem homem mas não tinha medo.O David foi para as carvoarias em Lisboa, depois passou a trabalhar num restaurante e começou a gerir o conhecido e famoso “Restaurante das Galegas” ao mesmo tempo trabalhava na agricultura nos meses que tinha disponíveis.Por fim teve um restaurante com um sócio, mas deixou.
Não faleceu de velhice mas de Câncer,o tabaco que muito usava não devia ser alheio à causa.









Partiu sereno deixando quatro filhos: o Manuel casado em Castelo Branco, pai de uma filha, já falecido. A Fátima casada com o Manuel Fernandes da casa de Riba, de Santo Aginha ( Arga de S. João) e com dois filhos casados e com geração; a Lúcia, solteira e sem geração e o António casado com Alice da Casa da Corga, Castanheira, de Arga de Baixo e com dois filhos.
Arga de Baixo tinha uma residência paroquial, mas eu optei por uma sugestão vinda dos de Dem, viver em Dem e apresentavam casa. Aceitei e, para não abandonar a residência oficial das Argas, onde vivi uns tempos, passei mais tarde, de quinze em quinze dias, a ir lá passar a noite de sábado para domingo. Foi o primeiro pároco que a tinha deixado, embora o meu antecessor no pouco tempo que esteve também vivia em Covas com o Pároco de Covas que tinha sido seu antecessor igualmente nas três Argas.
 Então a Maria da Costinha de Baixo não me deixava cozinhar queria que eu jantasse quinzenalmente na casa dela com o marido e os filhos. Assim era.
Comer na cozinha ao lado da lareira cozido à moda da serra, preparado no pote. Aí fiz as melhores refeições da minha vida e aí passei os meus últimos serões à lareira.
Num sábado estava na cozinha e a Maria das Dores como era de costume ia à janela da sala para ver se via o meu carro chegar à estrada de Santo Aginha para calcular o tempo que levava para eu chegar. Como um dia eu demorei muito depois de me ter visto, já ia toda a gente à minha procura para ver se tinha caído em alguma ribanceira. Entretanto cheguei e a família e vizinhos estavam todos em polvorosa.
A Fátima tocava órgão e alimentava um grupo jeitoso do coral para animar as missas, animadora, mas um pouco mais reservada. A Lúcia foi catequista e muito mais extrovertida, inteligente, brincalhona mas com carácter bem personalizado e por minha indicação aos pais, ela com 15 anos começou a estudar fazendo em três anos 3 exames: o do ciclo preparatório, o 5º ano do liceu e o 7º ano também do liceu, hoje 12º que ela fez questão de o fazer, anos depois, à noite quando já trabalhava.
Quando a sua mãe ficou viúva e chegou a uma idade que não lhe merecia confiança para viver sozinha trouxe-a para a Caridade e não passava um dia sem a ir ver e passear com ela, o tempo que podia e lhe permitiam não lhe faltando com o afecto de uma boa filha, dando-lhe enquanto pôde a sua presença e mãe e filha ficavam mutuamente consoladas até falecer na Caridade.

A Casa da Costinha de Baixo lá está no mesmo local  e é sempre um ponto de referência para todos quantos conheceram este casa.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Incêndio nas Instalações da Igreja

     
        Incêndio nas Instalações da Igreja


Foi no dia 20, pelas 20H.30 que deflagrou um incêndio na Sacristia da Igreja Paroquial de Nª. Sr.ª. De Fátima. Embora houvesse uma rápida intervenção de socorro pelos responsáveis da Paróquia, pela PSP e pelos Bombeiros Municipais e Voluntários, não foi possível evitar estragos superiores a três mil contos.












Esta é uma foto da tela deteriorada

Em boa hora a Comissão Fabriqueira mandou instalar um sistema de segurança e de vigilância de 24 horas (alarme, vídeo e telefone) de tal modo que, disparado o alarme, os telefones chamaram e foi possível uma rápida intervenção. Caso não tivesse sido este serviço o incêndio teria em mais 15 minutos passado à igreja e aos escritórios, os quais foram poupados.
As causas do acidente estão por determinar, mas tudo leva a crer que um curto-circuito tenha sido o fatídico do referido acidente que causou momentos difíceis  a todos os que compareceram em socorro.

Agora, há que restaurar. No Domingo, muitos atenderam aos apelos do pároco para comparecerem para limpar o que era de limpar, arrumar e fazer com que os serviços na segunda-feira pudessem funcionar com a possível normalidade. Outros compareceram a manifestarem a solidariedade e já contribuírem generosamente para as obras de restauro.

sábado, 25 de março de 2017

Servir, Servir, Servir…VI


Servir, Servir, Servir…

Todos os que passam pela água baptismal, pelo sacramento do crisma e pela Eucaristia temos de estar prontos a servir ao modo e jeito do Sagrado Coração de Jesus, o sacerdote por excelência.
Ninguém se pode escusar e afirmar que nada tem a ver com Jesus Cristo.
O nosso Bispo na carta Pastoral dedica espaço ao “sacerdócio que é o Amor” e afirma que o Papa na Eucaristia para a Jubileu dos sacerdotes de Roma marcada para o dia do Sacerdócio do Sagrado Coração de Jesus convida-os a olhar para o coração do Bom Pastor e o nosso coração de pastores ao mesmo tempo que chama e abraça.


Jesus disse “onde estiver o vosso tesouro ai estará também o vosso coração”, isto é, nós somente somos como que o tesouro insubstituível no Coração de Jesus.
O Nosso pai Deus e nós seus filhos, somos seres de relação: encontro com o pai e encontro com as pessoas, pois o coração do pastor de Cristo só conhece dois caminhos: o do Senhor e o das pessoas em geral, mas sobretudo os que nos foram confiados pelo nosso próprio ministério e missão.
O nosso olhar deve estar fixo em Deus e nos irmãos. Não podemos, por isso, andar à deriva por outros caminhos se não o caminho do pastor que tem sempre em conta o bem-estar dos irmãos quer no aspecto material, quer no aspecto espiritual.
Eu sou padre, sou pai. Será que os outros irmãos a mim confiados me consideram ministro de Deus, do amor, da bondade da misericórdia ou ministro do comércio, da solidariedade, da educação, da falta de bom senso para não perder as “ovelhas” que me foram confiadas e ir atrás da que está tresmalhada?
Será que os outros me vêem como o pastor que abre a porta do aprisco, que sabe acolher com bondade, misericórdia, compaixão, com amor, como se do próprio Pai do céu se tratasse?
Naturalmente teria muitas surpresas, porque não faltaria quem me apontasse erros de tudo.
Ora aí está a falta de fraternidade entre nós cristãos porque temos medo de falar com o Sacerdote, com o padre e com caridade, também de dialogar com ele sobre os seus erros para que, reconhecidos, possam ser corrigidos e por exemplo eu ser melhor na comunidade.
É preciso também contar que às vezes o que parece erro não o chegou a ser, por isso é que qualquer sacerdote precisa deste diálogo franco e aberto, com os paroquianos, em vez de na igreja a cochichar ou  fora da missa, no adro da igreja, ou no café, dizerem ou falarem mal, difamarem ou caluniarem. Isto não é testemunho de alguém que se preze ser baptizado e cristão.
O abrir caminhos de esperança em novos horizontes a quem se encontra em dificuldades ou de algum modo fragilizado não é só devido ao padre, mas a todos porque todos juntos somos o Corpo Místico de Cristo que S. Paulo defende e se um dos seus órgãos com mais ou menos responsabilidade no funcionamento deste Corpo está doente, pode fazer todo o corpo doente. É como um fruto podre no meio de outra fruta, mais depressa a podridão chega a toda. O resto que ainda tinha aproveitamento acaba por ser lançada fora porque já está toda podre.
Eu sou padre e pároco. Já tive experiência destas coisas todas e tive de saber ser humilde quando alguém se aproxima e me “acusa” e saber ser humilde quando alguém me bate palmas. As palmas são manifestação de alegria e de bem dizer, gosto de as usar sobretudo para os outros e que o Senhor me perdoe quando alguma vez me senti orgulhoso por aquelas que justamente até as receberia.  
Eu sei que servir como o sacerdócio do Coração de Jesus nem sempre o consegui, ou às vezes, me esqueci mas que os irmãos me perdoem e Deus Pai também.

Que eu sirva o Senhor e agarre a todos nos braços, os conduza ao redil, isto é, à comunidade que se deve sentir feliz já neste mundo.                                                                             
                                                                                                                            P. Artur Coutinho

terça-feira, 21 de março de 2017

A CASA DO ERMÍGIO


A CASA DO ERMÍGIO




A Casa do Cirurgião, nem sempre teve este nome desde que ali foi construída em 1765 sobre uma outra muito mais antiga.





Alguns dos seus restos (da casa forte do Ermígio, talvez a casa dum senhor Hermigius, nome de origem germânica, senhor ou proprietário medieval destas terras, antroponímico, por isso, que deve ter dado o nome ao Lugar do Ermígio) e cujas paredes talvez tenham chegado aos nossos dias sob a nova construção a serviram de cortes para as mulas.





É provável que a casa mais antiga fosse da família dos Velhos que viveriam nas Penas, onde vivem ainda os descendentes da família dos Liquitos e daí a razão do topónimo Velho que ainda aí se conserva.
Devia ter sido aquela casa para onde Francisco Afonso (Rocha) veio, em 1654, de Stª. Maria de Aborim, filho de Pedro Afonso e Catarina Gonçalves por casamento com Maria Gonçalves, filho de Afonso Gonçalves e de Isabel Martins. Sucedeu que o João Francisco, filho do matrimónio veio a casar com Justa Alves, de Vila Fria. Mais tarde, um seu filho, o Manuel Francisco, viúvo de Antónia Rodrigues do lugar das Penas (Regadia de Cima) casado, em segundas núpcias, com Ana Rodrigues, do Ermijo, filha de Simão Rodrigues (Vila de Punhe) e de Ana Rodrigues, da Regadia, dos velhos.
Um filho deste casal, o António Francisco casado com Catarina Rodrigues teve uma única filha, a Morgada, chamada Maria Rodrigues que, por sua vez, casou com um rapaz da terra, chamado João Rodrigues Ribeiro, filho de Matias Rodrigues, do Souto, e foram os bisavôs do Abade António Francisco de Matos.





Foi no tempo deste casal que a casa foi construída. Não sei que nome teria nessa altura, mas a Morgada era pessoa rica. Faleceu em 1823 levando um ofício de 46 padres, assim como o seu marido falecido 29 anos antes, levou também um 1º ofício de 33 padres, um 2º de 29 e um terceiro de 28, o que é sinal de gente rica. Acreditamos que os pobres da altura, naturalmente, tenham ido para o céu mesmo com menos padres.
Deste casal, autor presumível da Casa que chegou aos nossos dias, nasceu uma outra Maria Rodrigues que casou em 1784 com o Tenente José António de Matos, filho de José António de Matos e de Maria Gonçalves, de Chafé, e tivera 8 filhos, tendo morrido uma Teresa sem geração.
Desta geração do Tenente foram “Matos” para Vila Franca e para a Conchada. Ainda desta geração vêm as raízes próximas do Padre João António de Matos, do seu irmão Dr. José António de Matos (muitos anos Presidente da Câmara Municipal de Viana e do Sport Clube Vianense, daí o Estádio de Viana), do Padre Francisco António de Matos, do parodiante Mena de Matos e a outras tantas gerações de Matos espalhadas pela região de Viana, Porto e Lisboa.
 O filho José ficou na casa e casou com Maria Barbosa de Almeida, filha de Simão António Barbosa de Almeida e Rosa Teresa Miranda, vizinhos e moradores, onde hoje é a Casa do Esperta.
Esta Maria era morgada e foi mãe de 11 filhos. Um deles, o Francisco, foi cirurgião, tendo estudado no Porto. O Francisco, cirurgião, casou com Rosa do Espírito Santo Moreira, de Darque e foi pai de Maria Moreira de Matos que herdou a parte norte da casa que seu pai habitava, a referida casa que tinha sido partilhada por três: o Francisco cirurgião, nascido em 1838 e falecido em 1922 que deu o nome à Casa no seu todo, o Manuel Rodrigues Pereira, conhecido por Santa Marinha por ser descendência de Forjães e sobrinho do cirurgião, e pela sobrinha neta conhecida pela Rosa Barbosa de Almeida, nascida em 1891.






O António casou com Rosa Rodrigues de Carvalho (Deiras). A irmã Rosa casou com António Pereira Novo. Foi a que ficou com a casa que mais tarde ficou conhecida por “Casa do Esperta”.
A casa dos seus avós maternos ficou para a filha da Rosa, a Maria Barbosa de Almeida, com a parte sul da casa do Cirurgião.Esta depois de ter casado com António Pereira dos Santos que saíu pela primeira vez para o Brasil, como sapateiro, quando tinha 29 anos. Voltou a sair em 1885, 1891 e em 1895 e nunca mais cá voltando. Por lá morreu, tendo deixado a mulher com duas filhas: a Rosa e a Maria da Conceição.
A Maria da Conceição, nascida em 1895, casou com Joaquim Ribeiro, relojoeiro e foi conhecido pela alcunha “Esperta” tendo dado o seu nome à casa em que ficou. A Rosa ficou na casa e casou com Manuel Almeida de Riba, de Subportela.
Nesta altura a casa do lado sul tinha uma entrada própria, mas o Stª. Marinha e o Cirurgião partilhavam das mesmas escadas centradas à linda varanda da casa numa extensão de 24 metros. Tinha umas artísticas linhas e colunata com belas bases e capitéis que mais ideia davam de casa nobre e solarenga, não fosse a vinha que se seguia a estragar-lhe um pouco a visibilidade, mas era o costume da época.
Consta que a Morgada Maria Barbosa de Almeida, mãe de 11 filhos, morreu com fama de santidade pelo que foi enterrada junto ao altar do Sagrado Coração de Maria, zelado por muitos anos pela “Casa dos Estivadas” dum modo particular pela D. Luísa.
Depois do aumento à Igreja na década de 70 este altar foi deslocado e, na construção antiga, ficava do lado esquerdo de quem entra na porta lateral e de serventia da Igreja para a Sacristia.
Era, de facto, uma pessoa amiga de fazer bem. Era rica e achava que devia pôr ao serviço dos que precisavam alguns dos seus haveres, por isso tinha em sua casa dois fornos: o forno da família onde se cozia pão para duas semanas e o forno dos pobres onde se cozia o pão para dar aos que lhe batiam à porta. Não eram assim tão poucos, dadas as dimensões do forno. Para além dele, também a existência de uma espécie de Albergue que o saudoso Padre Matos, mais tarde fez continuar na sua residência, casa própria, herdada de familiares antigos e que deixou em testamento à Paróquia de Mazarefes.
Consta-se que um dia uma pobre de Darque e já falecida, a quem ela tinha feito bem, terá vindo bater à porta mais uma vez, apesar da Morgada ter também morrido e terá declarado para quem passava: “ide trabalhar para as filhas da Morgada... Minhas malandras...”.
Um Padre conhecido por Padre Brinca, Brinca de alcunha, que foi residente na casa que hoje é o Centro Paroquial, anexa ao Adro das Boas Novas, “requereu-a” e tendo feito um exorcismo descobriu que, afinal, faltava ainda pagar uma promessa feita a S. José, um resplendor para que pudesse ir para o céu.
Depois da intervenção do referido padre consta-se que a referida “alma perdida” nunca mais apareceu. Atribuiu-se isso a um milagre da Morgada.
O Santa Marinha era filho da que, viúva, casou com o “Deira Velho”, também ele viúvo, e que só passavam o dia juntos, pelo que,  à noite, cada um ficava na sua casa. Os seus pais eram o António Rodrigues Pereira Novo e Teresa Gonçalves, dos Carriços.
Morreu com mal da garganta e solteiro, mas com dois filhos: um em Mazarefes e outro em Vila Franca, tendo-os reconhecido, pelo menos à morte e compensados.
O António Pereira era filho de Manuel Rodrigues Pereira, oriundo de Forjães, filho de Joaquim Pereira e Josefa Rodrigues. Mariana Barbosa de Morais, filha de António Luís Barbosa Amorim e de Isabel Maria de Morais era irmã do Stª. Marinha. A Maria, costumava ir pela manhã levar o leite aos tios que moravam na Quinta ao lado, “Os Bichos”.


Foi ela que, ainda criança, encontrou pela manhã cedo os tios na situação de amordaçados e assaltados.

Esta Maria Barbosa de Almeida morreu debaixo do comboio na passagem de nível mais próxima por acidente casual ou não, mas o que é certo é que ela andava com perturbações mentais atribuídas à ausência do marido, e do abandono deste da mulher e das filhas.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Os Carvalhos (Deiras)








Os Carvalhos (Deiras)
                                                                                                                            Apontamentos

Reconheci três estirpes diferentes da Família Carvalho. A primeira e mais antiga é a do apelido “Francisco de Carvalho” em que aparece “Francisco” como apelido, depois a de “Rodrigues Carvalho” e mais tarde a de “Alves de Carvalho”.

“Francisco de Carvalho” deu origem à família dos “estivadas”, o “Rodrigues de Carvalho” corresponderá à família “Deira” e o Alves de Carvalho “entrou pelo fundador da Banda de Música que veio de Alvarães casar aqui.
Os Carvalhos do lado dos “Deiras” nasceram pelo que parece na casa mais antiga e que se encontra a norte da casa dos Araújos da Regadia ( Catrinos) e que é hoje da Rosa Pereira.
Registou-se Manuel Rodrigues de Carvalho, falecido em 1875, com 79 anos, no lugar das Penas, filho de Manuel Rodrigues de Cravalho e de Maria Ribeiro da Silva, casado com Maria da Silva, filha de Manuel da Silva Meira e de Catarina Ribeiro, de Vila Fria e foram pais de João Rodrigues de Carvalho, regatão, bisavô dos actuais irmãos “Deiras”: João, António, Francisco e Luzia. 




O João Rodrigues de Carvalho habitou a referida casa e teve da mulher com quem casou, em 1860, Ana Rodrigues (de Matos), filha de Francisco de Araújo Coutinho e de Teresa Rodrigues de Matos, três filhos: o Francisco, a Rosa e o Manuel. Enviuvou e casou em 2ª núpcias, aos 39 anos com Maria Rodrigues da Rocha, viúva com 57 anos, de Vila de Punhe, e, em 3ª núpcias, aos 60 anos com outra viúva, Rosa Barbosa de Almeida de 59 anos de idade, viúva de António Pereira Novo e filha de José António de Matos e de Maria Barbosa de Almeida. Casou em 1860, em 1878 e em 1897, respectivamente. Morreu em 1900.


O Manuel morreu solteiro e sem filhos. Ficaram, apenas, o Francisco e a Rosa. O Francisco nasceu em 1864 e casou com Rosa Ribeiro da Silva, (Matos) de Vila Franca e a Rosa, lavradeira, ficou em casa e casou em 1884, com José Gonçalves da Cunha, lavrador e filho de José Gonçalves da Cunha e Maria Vitória Alves, neto paterno de Rosa Gonçalves, solteira, de Carvoeiro e materno de Joaquim José Alves e de Gertrudes Rosa Alves, também de Carvoeiro.
A Rosa e o José foram pais de Antónia (1884), João (1886), 



Maria (1888), Rosa (1890), Francisco (1893) Teresa (1895), José (1897), Ana (1899), Manuel (1902), Laura (1904), Joaquim (1908). Daqui nasceram os Cunhas que conhecemos seus filhos, netos e bisnetos.
O Francisco teve da sua mulher 9 filhos: o José (1889), o Francisco (1891), a Emília (1896), o João (1898), o João (1900), o António (1902), o António (1904), a Antónia (1906) e o Manuel (1908). Desta geração: o José morreu aos 3 anos; o João nascido em 1898 faleceu com 16 dias; o António nascido em 1902 morreu com 8 dias; o António nascido em 1904 morreu com 1 mês e o Manuel com 3 meses.





O Francisco casou com Joaquina da Silva Barbosa e foi o pai de Manuel que morreu com 19 anos, de José que faleceu aos 12 anos, de Maria que também morreu aos 10 anos e da Albina da Silva Carvalho (nascida a 1818) que herdou a Casa grande da Marinheira que foi conhecida pela Casa da “riquíssima”, sua avó, Antónia da Silva Meira.


O José casou com Emília Coutinho, do Cordeiro de Cima. Foi pai de António, João, Francisco e Luzia. O João ficou na Casa antiga da família, na Regadia que ali começou a viver aos 14 anos de idade. Foi a casa que seu avô comprou aos Albinos Rochas, de Sta. Marta.
 




A Emília casou para a Casa do Cordeiro de Cima, com o João que era louvado, o brilhante, e foi mãe de João, Dores, Emília, Francisco, Ana, Gracinda, José e Maria. É o Francisco que hoje vive na Casa que já vem dos avós. (José de Araújo Coutinho e Maria das Dores *Reis*). Agora dos Coutinhos de Carvalho e dos filhos do João que não vão a Coutinho.
Falta actualizar, mas algumas informações mais da sequência já foram dadas há pouco tempo.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Mário Adelino Covinha Teixeira


Mário Adelino Covinha Teixeira


Mário Adelino Covinha Teixeira, nasceu em Balugães a 30 de Abril de 1939, filho do jornaleiro António Fernandes Teixeira e da feirante Adelaide Gonçalves Covinha. A sua mãe fazia as feiras a pé entre Barcelos, Viana, Ponte de Lima, Freixo e Barroselas.

É irmão de mais sete: 3 rapazes e 4 raparigas.
Os homens estão todos vivos e um deles já é nonagenário, enquanto as raparigas já faleceram três. Ele é o mais novo, tem 24 sobrinhos e é pai de duas filhas a Maria Filomena e a Maria Isabel, a mais velha, casada e com um filho, chamado Ricardo José, o único neto do Mário.
O Mário andou na escola e fez a 4ª classe, em 11 de Julho, dia de S Bento, em Barcelos.
Acompanhava a mãe às feiras e vinha a pé de Balugães para Viana. Tinha 10 anos e recorda-se que comeu bacalhau com batatas e grão-de-bico aqui em Viana.
Cresceu e, por Viana, foi ficando como moço de recados a levar carnes do talho do Óscar às pessoas mais abonadas da cidade.




Teve de ir buscar uma vitela junto ao Barco do Porto a pé. Ela fugiu-lhe, e um senhor amarrou-a, deu-lhe um laço no focinho e assim ele conseguiu traze-la até ao matadouro. No mesmo dia deixou o trabalho. Esteve em Balugães no António Rosas, e no José Alves, na lavoura. Voltou a Viana e esteve empregado no falecido “mouco “ na rua do Anjinho que tomou o nome de Terra Linda. Depois deixou e abriu o café Oriente onde  trabalhou como balconista. Ganhava na altura 600 escudos por mês e tinha que pagar dormida e comida pelo que foi para o café Guerreiro e dormia na casa do pai do Gaspar de Sousa. Saiu deste e voltou para empregado de mesa do Café Oriente. Conheceu a jovem Vergínia Balinha com quem casou. No mesmo dia casou a cunhada Lurdes Balinha ao mesmo tempo, pelo padre dr. Araújo Cunha e foi o almoço servido no Terra Linda.





Veio, entretanto para o café Moderno que deixou, e esteve depois mais uns anos na A+P, voltando  à madeira, como quando esteve no Rosas. Foi a Luanda duas vezes em serviço, fez ainda serviço no café Atlântico mais de 12 anos, depois da falência da A+P (António Parente). Reformou-se do café da Praça 1º de Maio, dos Festas & Festas, como profissional quer na restauração, quer na madeira.
Também sempre gostou de crianças e jovens. Sempre foi um católico praticante por isso gosta da religião e gosta das procissões bem organizadas.





Em 19 de Setembro de 1978 foi nomeado para a Comissão de Culto de Nossa Senhora das Necessidades para se juntar a José Felgueiras, Manuel Lopes, António Puga, Francisco Moreira assim como o João Vieira Ferraz e Germano Sousa.
Serviu 4 a 5 mandatos.


Em 1979 entrou no Marcos 9.37 (espetáculo ensaiado pelo padre José Lima e apresentado 11 vezes sempre com casa cheia para comemorar o Ano Internacional da Criança- AIC com corais da Paróquia, Darque e Mazarefes) …E ficou no coral Litúrgico durante 18 anos. Continua a ser ele o coordenador das Procissões na Paróquia e é Voluntário na feira semanal a favor do Centro Social por causa do Refeitório Social, do Berço e da obra que é feita na Instituição por todos os que precisam e por muitos apreciada.



Faz também parte da Comissão de Angariação de fundos, hoje, Comissão de Eventos para a Nova Igreja, como ele disse para a “nossa noiva” que andamos com ela nos braços há muito tendo já passado pela inauguração, tem ainda muita obra por acabar.