AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com

Obrigado

sábado, 24 de fevereiro de 2018

DECRUAR E MONDAR COM O SACHADOR



DECRUAR E MONDAR
 COM O SACHADOR


    O Sachador é um instrumento, hoje ultrapassado, para ajudar o lavrador a cultivar o milho. Depois de terra lavrada, gradada e semeada com o semeador, vem o trabalho da decrua com a ajuda do sachador com umas cunhas em ferro pontiagudas desde a ponta que enterrava na terra até ao ponto mais alto, com o fim de aliviar a terra entre as filas do milho crescido com um bom palmo de crescimento. Tornava a terra mais fofa e evitar as primeiras ervas daninhas. O mesmo se fazia com mais tempo com uma sachola, isto é, uma sachola que tanto servia para este efeito, como também para cavar as vinhas, os cabedulhos, ou cavar a terra substituindo o arado quando se tratava de terrenos de pequenas dimensões que, tanto servia para esse serviço, como para um usar num jardim, na vez de um sacho e outras culturas dos lavradores. Aliás sachar significa cavar a terra com o sacho, pequena sachola.
A terra era afofada e o milho desenvolvia mais facilmente.
Depois, quando o milho estava já mais alto com cerca de 40-50 centímetros era mondado, isto é, arrancado o que estava a mais encostado um ao outro era arrancado para deixar de estar tão basto e ficar mais raro e não se prejudicarem no desenvolvimento e no fruto futuro, bem como rendado- arrancar ervas daninhas.
Nessa altura entrava de novo o sachador a quem mudavam as cunhas por umas sacholas especiais que entre as linhas de milho abriam regos para rega e para encostar terra ao pé dos milheiros, dando-lhes mais consistência e conforto com terra à sua volta para o seu melhor desenvolvimento. Ao sachador em algumas terras davam-lhe o nome de "rendador".
Para além do fruto que vem do pendão (parte masculina do milheiro) que contém o pólen que cai na espiga (parte feminina do mesmo) e faz com que esta se desenvolva bem, crescendo e carregada de grãos de milho. Ora este pendão também era cortado se fizesse falta para dar como alimento ao gado. Também podia secar no milheiro e cortado pelo pé do milho.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

CRIVO E PENEIRA



 CRIVOS E PENEIRA


O que não era feito com o Limpador, era feito com os Crivos. Havia a crivo para o feijão e milho, como o crivo para o centeio e outros cereais mais miúdos... Bem como as peneiras para a farinha mais fina, ou mais viva, grosseira...

MEDAS DE PALHA


MEDAS DE PALHA

Eis medas de palha milha. começava-se a juntar copas de palha, isto é, molhos atados com palha ou palha de azevém seco até encher uma vara fincada do chão a terminar em forma de cone, com um remate próprio para não entrar água e escorrer pela parte de fora da palha que , no inverno, era servida para alimentar o gado bovino e não só.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Serra para ser manejada por duas pessoas

Serra de cortar os troncos, os toros das árvores. Para cortar, lanhar, talhar em tábuas. Um serra para ser trabalhada por duas pessoas.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O Cozido

O cozido está para Portugal como o rodízio para o Brasil. Para o cozido são precisas 3 espécies de carne, mas a que prevalece é a de porco, cachaceira, orelheira, febra ou presunto, chouriças de 2 ou 3 qualidades.
Domingo gordo e terça-feira de Carnaval são dias em que ele é mais apetecido.
No entanto não há cozido como o conheci na Serra de Arga feito no pote com couves, feijão e batata, pernil, chispe, presunto e chouriço cozido ao mesmo tempo no mesmo pote ao lume da lareira..
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QUEM AMA FICA!...

Quem ama fica!...



Era menino, ainda pequenino, e já corria de Mazarefes… ao colo da mãe, da tia, do pai ou do avô para a cidade. Acredito eu, como os meus pais e família, viviam as festas da Senhora da Agonia com alegria a todas as horas do dia e da sua devoção à Senhora, onde, na sua capela rezávamos e  eles deixavam as suas esmolas.

A minha família era muito bem relacionada com famílias de Viana, algumas já perdi de vista. A família da Ritinha do Forno, o Tenente Teixeira, do Carvalho, ferrageiro em Viana, a família do Dr. João Valença, o Camelo do Largo de S. Domingos, a família Bacelar, a família Sárrea, a família Carvalho da Ourivesaria, a dos Fidalgos, a família Alpoim, a família Queiroz, da Zefa Carqueija, dos Figueiredos, dos Gandras, muitas, mesmo muitas das famílias desde as mais simples às mais cultivadas. Era eu pequeno e batia à porta das famílias conhecidas.

Talvez por motivos de banhos quentes da praia norte que a minha avó paterna utilizava um mês no ano, em Agosto. Nesse tempo, normalmente, eu passava a maior parte dos dias na cidade, ainda no tempo de escola, até a minha avó desistir dos tratamentos que a ajudaram talvez, na altura, a superar algum dos seus sofrimentos. Este fator deve ter contribuído muito para estar em Viana, como se estivesse em Mazarefes, minha terra natal.

Era a minha terra. A minha ida para o Seminário e para a Serra d’Arga, assim como a minha solicitude pastoral, como sacerdote que sou, desviaram talvez muito os meus olhares e as minhas convivências com jovens da cidade e da minha idade… muitos encontrei-os e encontro-os na minha Paróquia. Caminhos diferentes para uns e para outros… Alguns amigos mais velhos já faleceram. Outros estamos apenas em alguma convivência e colaboração pontual ou ainda conservamos memórias que podemos considerar de outros tempos.

Ainda recordo outras famílias: os Dias, os Salgados, os “Russos”, os “de Outeiro”, os “Limas”, “Cerqueiras” da Abelheira, os Delgados, o Martins da Socomina e de Valverde, os Matos e os Farias.

Desse tempo recordo as festas d’Agonia como aquilo que mais era esperado pelo povo das aldeias e vivido com uma animação extraordinária, por toda a gente, sobretudo pela juventude, mas não havia idoso que ficasse em casa. No coração pulava sempre  sangue novo.

Eu nem vinha. Passava esses dias cá e era um “regalo” ver os comboios (cheios por dentro e por fora) apenhados de forasteiros agarrados às portas, aos degraus das escadas, às janelas, a qualquer sítio onde pudessem ter a que se agarrar, correndo até riscos ou pondo a vida em perigo. Depois… eram comboios de um lado para outro a várias horas!...

Mantinham-se os horários normais, mas fora disso, era um vaivém de comboios… de gente que vinha e de gente que ia…os que vinham a explodir de satisfação e os que iam cansados, mas com vontade de ficar!...

Aqui pelas ruas da cidade era um frenesim de alegria espantosa, um correr aos fontenários de Santo António, da Senhora d’Agonia, de Altamira, das Almas, etc… enquanto, por outro lado, pessoas amontoavam-se para entrar nos sanitários públicos da Rua General Luís do Rego, na Estação, no Mercado, no Jardim da beira-rio por baixo do coreto, no Jardim D. Fernando (S. Domingos) …

Água, limonada, pirolitos e laranjada!... Gritavam alto as mulheres ou os homens que, nesses dias, se dedicavam de cântaro aos ombros, ou mais tarde, com caneco de zinco coberto com cortiça. Era barato, custava o tostão. Caro por ser água com limão, mas barato por quem matava a sede ao

O mais interessante para mim, no tempo de criança, eram os cabeçudos, os gigantones, os bombos, o barulho e o vaivém das pessoas desde a Rua da Bandeira ao Templo da Agonia, a “Avenida das Camionetas” e dos Comboios, onde eram deixadas multidões de passageiros, que se dispersavam por todos os cantões de toda a cidade.

 O ponto de encontro era a Praça da República, mas o Campo d’Agonia era o espaço da grande festa à volta do templo e sempre cheio de gente e de miudagem que se entretinha a ver os brinquedos artesanais e a pedir, choramingando aos pais, à mãe, ao tio ou ao padrinho mais um brinquedo, um chupa-chupa feito de açúcar em caramelo à volta de um palito e em forma de um cone resguardado por um papel… Os carrocéis e as voltas que as crianças sempre deliram e gostavam de repetir até nunca mais se cansarem.

Sabia sempre a pouco, sendo certo que se voltava da festa com saudades de querer ficar, vindo agora o lema: “Quem gosta vem, quem ama fica”.

Comecei a viver as festas convivendo nesses dias sempre com famílias amigas em Viana e, ano a ano, é sempre uma romaria nova.

Sempre há uma novidade: Nesses dias Viana vive, como nunca, de outro modo, dias que arrastam à partilha, à convivência, à coesão e à sombra da senhora da Agonia abre caminhos para a comunhão, uma nova alegria que vem mesmo do coração, isto é, vêm de dentro, venerando a Senhora da Agonia não poem de lado a natural alegria que de dentro salta, como uma explosão, para uma vida nova, remoçada, ano a ano, e como acalentando na mão um bebé para que não caia ao chão.

É a ternura, é o amor, e é por isso que “Quem ama vem, quem gosta fica”.

                                                                                                                          A. Coutinho