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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

CONCLUSÕES DAS JORNADAS DO IDOSO 3 a 8 de Maio de 1993 – Viana do Castelo

CONCLUSÕES DAS JORNADAS DO IDOSO
3 a 8 de Maio de 1993 – Viana do Castelo


Durante seis dias, na cidade de Viana do Castelo, através da Direcção do Centro Social e Paroquial de N.ª Sr.ª de Fátima e com colaboração da Direcção Geral da Família, Centro Regional de Segurança Social e Administração Regional de Saúde, foi possível criar espaços e tempos de reflexão sobre a problemática da pessoa idosa. Estas jornadas que estão integradas no Ano Europeu do Idoso e Solidariedade entre Gerações, tinham como objectivos:

·       Sensibilizar e Formar para a problemática do idoso.
·       Identificar as necessidades de respostas novas.
·       Aceitar e superar as realidades.

A temática foi amplamente desenvolvida pelos diversos conferencistas ( João Tavares, Valdemar Valongueiro, Manuel Afonso, Rui Teixeira, Laura Margarido, Lopes Cardoso, Jorge Cunha, Anselmo Sousa, etc...
Podemos dizer que os objectivos foram plenamente alcançados, os quais se consubstanciaram também pela grande afluência diária de público, pela qualidade das intervenções e pela oportunidade e vivacidade dos debates que se lhes seguiram, tendo sido notório a presença de elevado número de jovens.
Em jeito de balanço, a Comissão Executiva elaborou as principais conclusões que na sessão de encerramento apresentou de forma telegráfica, de modo a serem de fácil e rápida memorização e servirem também como pontos de referência e de reflexão e que passamos a transcrever:

·       A População do Distrito de Viana do Castelo continuou a envelhecer durante a década de oitenta a um ritmo superior ao do País, apresentando uma percentagem de população idosa superior à média nacional. Os  responsáveis locais e nacionais deverão ter em conta esta realidade, aquando da programação e dotação de meios para fazer face à problemática deste grupo etário.
·       Deverá ser efectuado, a nível de cada freguesia, um levantamento das necessidades da população idosa.
·       O apoio à pessoa idosa deverá ser articulado entre as várias instituições e equipamentos sociais existentes. Tais como outros grupos etários, os idosos têm especificidades próprias, não devendo ser vistas como um grupo improdutivo e marginal em « fim-de-linha ».
·       A pessoa idosa é a consequência natural do envelhecimento biológico e do facto de estar na vida, podendo por isso ter algumas limitações físicas, psíquicas e sociais que obrigam a uma atenção própria e a uma intervenção adequada.
·       Os lares, centros de dia e outras instituições são necessárias como opção de escolha do Idoso, e nunca como forma de rejeição ou comodidade familiar. Estes e outros equipamentos afins, são ainda insuficientes para as necessidades do Distrito.
·       As Instituições Particulares de Solidariedade Social, embora apoiadas através de acordos de cooperação, pela sua importância social, carecem de apoios, nomeadamente a isenção do I.V.A.
·       A Família deve ser a referência social do idoso, mesmo quando internado em lar.
·       As Famílias de Acolhimento são um recurso a explorar.
·       Deve ser recuperado e incentivado, na medida do possível, o modelo da família tradicional em que seja possível o encontro de gerações, a troca de saber, experiências, usos e costumes e, na qual o idoso se sinta útil e amado
·       São necessárias políticas de incentivo e apoio à habitação, que permita tornar possível o encontro de gerações.
·       Os mais novos devem crescer num ambiente em que o encontro de gerações contribua para estruturar uma postura de aceitação, compreensão e respeito pela pessoa idosa.
·       É necessário estar disponível, saber ouvir e compreender as especificidades da pessoa idosa.
·       A velhice prepara-se na juventude e deve ser encarada com naturalidade.
·       A marginalização, o desenraizamento e o isolamento social do idoso devem ser prevenidos e contrariados.
·       Devem ser estimulados os contactos interpessoais da pessoa idosa, incentivando-se as «redes de solidariedade informais».
·       A pessoa idosa deve sentir-se socialmente activa, na medida das suas possibilidades físicas, capacidades intelectuais e necessidades sociais.
·       Deve ser incentivada e salvaguardada a mobilidade do idoso através da adaptação da habitação, dos equipamentos sociais e dos transportes às necessidades e especificidades da pessoa idosa, tendo as autarquias uma particular responsabilidade nesta matéria.
·       A sensibilidade para a problemática do idoso deve iniciar-se ao nível da formação de formadores, bem como, incentivar e facilitar a formação dos trabalhadores voluntários e assalariados com os idosos.
·       As políticas de reforma devem prever a possibilidade do reformado não ter um corte abrupto com o seu trabalho, aplicando-se o princípio de que « se deve trabalhar enquanto se pode e se quer », sendo desumano paralisar as pessoas por força da lei.
·       A alimentação do idoso deve ser semelhante à da população em geral, variada e quantitativamente ajustada à sua actividade física e ao seu estado de saúde.
·       O nível civilizacional de uma sociedade mede-se pela atenção que esta dá aos mais indefesos e desfavorecidos, em especial, crianças e idosos.
·       Não compete aos Estados resolver todos os problemas do idoso. À sociedade em geral e em particular às Organizações Não Governamentais cabe um papel fundamental na resolução dos problemas do idoso num espírito de subsidiariedade.



                                             P’la Comissão Executiva


                                                   (Dr. Manuel Gomes Afonso)  

JORNADAS DO IDOSO 3 a 8 de maio de 1993 INTEGRADAS NO ANO EUROPEU DO IDOSO E DA SOLIDARIEDADE ENTRE GERAÇÕES

JORNADAS DO IDOSO
3 a 8 de maio de 1993

INTEGRADAS NO ANO EUROPEU DO IDOSO
E DA SOLIDARIEDADE ENTRE GERAÇÕES

OBJECTIVOS
* Sensibilização e Formação para a problemática do Idoso.
* Identificação de necessidades de respostas novas.
* Aceitação e superação das realidades.
DESTINATÁRIOS
* Idosos;
* Familiares de Idosos:
* Jovens;
* Trabalhadores com idosos e todos os interessados pelos problemas sociais.
PROGRAMA
Dia 3 - A SAÚDE E A FAMÍLIA
15h00 – A promoção da saúde do idoso – Dr. Manuel Afonso, especialista de Saúde Pública membro da C.I. da ARS de Viana do Castelo.
21h30 – Abertura com a presença das Autoridades.
22h00 – A família, Comunidade do Idoso – Dr.ª Raquel Ribeiro (Directora Geral da Família e Presidente da Comissão Nacional para a Política da Terceira Idade) – Lisboa – Testemunho do Idoso * Lar * Centro de Dia * Centro de Convívio * Reformados (Associação dos...).
 Concerto de Bach para dois Violinos e Piano em Ré Menor (João, Rui Cerqueira e Edite Rocha).
Dia 4 - ENVELHECER É NATURAL
15h00 – Alterações Fisiológicas no Processo de Envelhecimento – Dr. João Tavares, Assistente de Clínica Geral e Director do Centro de Saúde de Valença.
21h30 – Alterações Intelectuais no Processo de Envelhecimento – Dr. Valdemar Valongueiro – Especialista de Neurologia, médico do Hospital Distrital de Viana do Castelo.
– Grupo de Cavaquinhos “Samaritano”.
Dia 5 - DOENÇAS CRÓNICAS DO IDOSO NO CONTEXTO SOCIAL
15h00 – Achaques da 3ª Idade, como controlá-los e aprender a viver com eles – Dr. João Tavares.
21h40 – O Idoso no Contexto Sócio-económico – Dr. Lopes Cardoso, Advogado e Vicentino – Porto.
– Sonata para Piano a 4 mãos, nº 1 de Mozart
– Sonata para Violino e Piano, nº 4 de G. F. Handel ( João e Rui Cerqueira).
Dia 6 - A IMAGEM DO IDOSO E A SUA ALIMENTAÇÃO
15h00 – Comer bem na 3ª Idade – Dr. Rui Teixeira, Prof. de Nutrição e Dietética da Escola Superior de Enfermagem de Viana do Castelo.
21h30 – Conforto e Cuidados Estéticos em Geriatria – Enf.ª Laura Margarido – Enf.ª Chefe do HDVC.
Dia 7 - UMA VELHICE DE QUALIDADE
15h00 – Morrer Tarde, o Mais Novo Possível – P.e Dr. Anselmo Sousa, CRSS de Braga e responsável pelo “Projecto Homem” da Cáritas de Braga (Recuperação de Toxicodependentes).
21h30 – MESA REDONDA – O Idoso no Distrito - O que se faz? Quem faz? Como se faz?
Coordenação de Dr.ª Maria Júlia Perestrelo
* União das Misericórdias – Dr. Oliveira e Silva;
* IPSS – Manuel Sobral;
* Conferências Vicentinas – Dr.ª Piedade Gonçalves;
* Cáritas – Prof. Engrácia Correia;
* CRSS – Dr.ª Maria de Lurdes Rodrigues;
* Secretariado Diocesano de Acção Sócio-Caritativa – P.e Artur Coutinho.
Dia 8 - ESPIRITUALIDADE E MORAL PARA O IDOSO
18h15 – Eucaristia na Igreja Paroquial
21h30 – O Idoso na Ética da Solidariedade entre Gerações – P.e Dr. Jorge Cunha, Prof. da Universidade Católica – Porto
– Coral Polifónico.
22h30 – Encerramento com a presença das Autoridades.
LOCAL
Às 15 h00 – Centro Social Paroquial de N.ª Sr.ª de Fátima, Rua da Bandeira, n.º 639.
Às 21 h 30 – Auditório do Lar de St.ª Teresa, Largo das Carmelitas, à Rua da Bandeira (tel. 058 828998).
COMISSÃO EXECUTIVA
* Dr. Manuel Afonso
* Major Manuel Fernandes
* Josefa Freire
* Madalena Barbosa – Utente
* José Marques – Utente
* João Ferreira – Utente
* Irmã Anália Lucas - Trabalhadora
ORGANIZAÇÃO
Direcção do Centro Social Paroquial de N.ª Sr.ª de Fátima – Viana do Castelo
SECRETARIADO
* Cartório Paroquial – tel. 058 823029 (Fax) ou 824722 ;
* Dr. Manuel Afonso – Tel. 058 828901 (Fax) 829990;
* Major Manuel Fernandes – Tel. 058 826060.
Com a Colaboração da Direcção-Geral da Família, Centro Regional de Segurança Social e Administração Regional de Saúde.
JORNADAS DA FAMÍLIA
PARÓQUIAS
N.ª Sr.ª de FÁTIMA e St.ª M.ª MAIOR
VIANA DO CASTELO
ANO INTERNACIONAL DA FAMÍLIA
As Paróquias em Jornadas
A proclamação, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, de 1994  Ano Internacional da Família – surge como resultado da progressiva consciencialização das autoridades políticas do perigo que representam as crescentes ameaças à família como célula natural e fundamental da sociedade. Também é a resposta a um conjunto de anseios e esperanças das famílias a nível mundial. O Santo Padre e os Bispos acolheram esta iniciativa, conscientes da importância do A .I. F. , e exortam os fiéis para a participação comprometida nesta efeméride. Este ano é, ainda, o reconhecimento público de que o presente e o futuro da humanidade passam, efectivamente, pela família. “O Futuro da Sociedade depende da Família”, disse o Papa. Daí, pois, o alerta a todas as instituições, quer religiosas quer civis, especialmente aquelas de quem mais directamente depende a elaboração e a aplicação das políticas relativas às famílias.
É, pois, nesta linha de pensamento, conscientes das realidades locais, que os Conselhos Pastorais Paroquiais de Santa Maria Maior e de Nossa Senhora de Fátima promovem umas “Jornadas da Família”.
Pretende-se proporcionar, ao público em geral, momentos de consideração e análise sobre os problemas actuais da família, levando as famílias a reflectir sobre a sua importância como meio de humanização da sociedade.
A sociedade é como que um espelho da família. A “saúde” ou “doença” desta, contagia, de imediato, a sociedade, tornando-a, de igual modo, saudável ou doente.
Deseja-se que não seja somente mais uma iniciativa, mais uma semana de reflexão, mais umas jornadas ou mais uns colóquios. O seu objectivo é “despertar”, penetrar no seio das famílias, sensibilizar os seus membros para a crise ou ausência de valor nas mesmas, para a falta de pontos de referência da juventude. Só “sacudindo” e “despertando” as pessoas é que as famílias serão atingidas e, dessa forma, invertida a tendência negativa que se vem observando.
Oxalá no final das Jornadas todos os participantes se possam tornar agentes evangelizadores da Família, testemunhando e influenciando a sociedade através da vivência saudável do seu ambiente familiar.
26/03/1994
A Comissão Executiva

JORNADAS DE 1998 FÓRUM "AMBIENTE E CIVISMO"- CONCLUSÕES

JORNADAS DE 1998
FÓRUM "AMBIENTE E CIVISMO"- CONCLUSÕES
- A Natureza está a esgotar-se progressivamente. Os recursos naturais pareciam inesgotáveis ainda nos princípios deste século, mas hoje estão a mostrar os seus limites. Particularmente se afigura como uma necessidade imperiosa o repovoamento florestal das zonas ardidas ou destruídas, dado considerar-se já terem sido ultrapassados os limites dos recursos mínimos essenciais à vida do planeta.
- Como em tudo, também em Ecologia, os extremismos são perniciosos: é no meio termo que se joga o necessário equilíbrio que conduzirá o homem a um uso racional e ponderado da Natureza, devendo nortear-se para com ela por uma atitude de condómino e não de domínio despótico.
- Uma visão sacralizada da natureza tem conduzido, da parte de certos movimentos, a uma visão unilateral da mesma. E na sua condição de recurso ao serviço do homem que adquire todo o seu significado. Os princípios de equilíbrio, harmonia e desenvolvimento sustentado devem estar na base da exploração e utilização dos seus recursos.
- É preciso estarmos atentos às relações de interdependência existentes na Natureza. A destruição de um elemento numa cadeia trófica pode implicar a extinção em bloco , pois na Natureza tudo se relaciona com tudo e em todos os tempos”.
- Os motivos económicos e a moral ecológica quotidiana são quase sempre minimalistas e inibidores de maior audácia no aspecto de políticas e comportamentos ambientais. Quando a protecção do ambiente colide com os interesses de política económica ou individuais, não abdicamos facilmente do nosso egoísmo e comodismo imediatos, pelo que se faz sentir a necessidade de uma verdadeira educação e responsabilidade ambiental a todos os níveis.
- No caso concreto de Viana do Castelo, é preciso estarmos atentos aos valores ambientais de que ainda disfrutamos para melhor os defender e preservar,
- A defesa e a preservação do meio ambiente é hoje uma questão essencial para uma vida com o mínimo de qualidade e de dignidade. Exige da parte do ser humano uma nova consciência dos valores ambientais que assenta numa educação permanente e em todas as fases do desenvolvimento do homem .
- Como instâncias da educação ambiental ressalta-se, pelo alcance da sua acção e pela possibilidade de induzir comportamentos , o papel da família, da escola, das igrejas e do movimento associativo.
- Os problemas do ambiente traduzem uma errada relação do homem com a natureza e dos homens entre si: implicam respeito do homem pelos outros elementos e dos homens entre si: consciência dos direitos e deveres de uns e de outros. Daí que a alteração deste estado de coisas remeta sempre para o domínio da educação e do civismo o que implica alteração de comportamentos e de atitudes.
- A melhoria da qualidade do ambiente exige o empenhamento político e social dos diferentes órgãos do poder e a assunção da responsabilidade individual dos cidadãos- condição essencial para o sucesso de qualquer medida de política ambiental.
- A informação desempenha um papel imprescindível na criação d euma nova consciência e atitude ambientais. E obrigação dos órgãos do poder informar de forma clara, precisa e oportuna sobre tudo quanto tenha incidência na qualidade do ambiente.
- Se todo o homem deve ser solidário com a natureza e com o seu semelhante, por maioria de razão o cristão, iluminado pela fé, deve empenhar-se não só em evitar as agressões à Natureza, mas considerar como imperativo moral a melhoria do ambiente, dignificando-o com a sua presença e valorizando-o com a sua acção.
- E possível conciliar consumo e qualidade de vida. Contudo, o conceito de qualidade de vida deve centrar-se mais no ser do que no ter, e manifestar preferência por bens e produtos não agressores do ambiente.

Confessar-me a um Padre?

Confessar-me a um Padre?
É mais fácil dizer “confessei-me a Deus”. O que é mais fácil é o melhor ! Sempre tive a impressão de que os atalhos, às vezes não são os melhores caminhos para chegar onde queremos. Neste caso, dou como certo que atalhos destes falham!
Muita gente interroga-se hoje, talvez por influência do protestantismo, do agnosticismo ou do ateísmo, que o homem não tem que se confessar a ninguém.
Nosso Senhor bem sabia das necessidades do Homem em todos os tempos.Por isso ordenou que a confissão fosse um sacramento pelo qual se recebia o perdão ou não dos pecados.
Hoje há menos pessoas a praticar a confissão ou o sacramento da Penitência, mas há mais gente a procurar o psicólogo, o psiquiatra, a bruxa ou o bruxo, a procurar refúgio em alguma religião ou em algum deus que lhe dê resposta subjectiva aos seus inconscientes problemas que lhe vêm do mais fundo da alma e que os atrapalha, às vezes, fazendo que tais problemas arrastem consigo outros relacionados com a saúde.
O homem é corpo e alma, é matéria e espírito. O corpo precisa da alma, assim como a matéria precisa do espírito para o equilíbrio, para a harmonia. Se não houver esta harmonia entre o que é o homem no plano horizontal e no plano vertical, há desequilíbrios que trazem consigo as suas consequências. Nem o homem pode estar só agarrado à terra, nem andar só pelas alturas, assim como não pode considerar-se uma ilha no meio da humanidade e da natureza.
O desabafo, o falar do que lhe vai na alma ou no espírito com alguém de carne e osso igual a si mesmo, apenas com uma coisa diferente... o padre foi chamado a exercer um ministério sagrado em nome de Deus e não em seu próprio nome e este encontro traz paz de espírito, bastante tranquilidade.
O homem fala com Deus e deve-o fazer, mas precisa de sinais e esses aparecem como mais sensíveis se eu ouvir a voz de um padre, a voz de alguém que, em nome de Deus, em que acredito, me dá alento, aconselha, me abre caminho, aponta uma luz ainda que seja no fundo do túnel e manifesta o sinal do perdão, fico com mais coragem para continuar a falar com o Deus que me ama e sempre está disposto a perdoar.
O Padre pode ser um pecador porque é um homem, por isso, também ele se confessa, assim como os Bispos e os Papas. Ninguém pode ter dúvidas desta necessidade comum a todos os homens de boa vontade que procuram o bem, a perfeição...
Confessar-se ao Padre é um bem que só traz saúde e uma vida espiritualmente bem equilibrada e tranquila em relação a si mesmo, e em relação aos outros.
P.C

Abelheira, Tradição e Modernidade. Que Futuro?"

Abelheira, Tradição e Modernidade. Que Futuro?"
Conclusões
Sob os auspícios da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, de Viam do Castelo, realizou- se (fias s, 9, 10 e II de Maio, um forum versando o tema "Abelheira, Tradição e
Modernidade. Que Futuro?"*
Um vasto leque de oradores vianenses, atentos observadores dos problemas que afetam a sua terra, preencheram os variados temas que constituíram o programa dos encontros. ”A Abelheira na geografia e memórias da Cidade”, "A Abelheira no enquadramento socioeconómico da cidade de Viana do Castelo", "Coordenadas culturais do Lugar de Abelheira", "Tradição e Modernidade, que futuro para a Abelheira" foram os assuntos que ao longo destes 4 dias estiveram em debate e que suscitaram, pela profundidade, pertinência e actualidade com que foram tratados, entusiasmo e participação do numeroso público que acorreu ao auditório do Lar de Santa Teresa, junto à Igreja Paroquial de Nossa Senhora de Fátima:
Debate muito participado, quer nas sessões propriamente ditas quer nas apreciações críticas e sugestões formuladas pelos participantes na avaliação individualmente produzida. Uma clara consciência dos malefícios dum crescimento descontrolado e desprovido de regras com a consequente descaracterização dos espaços, desenraizamento das pessoas e perda dos valores e referências legadas por sucessivas gerações é o sentido geral expresso no decurso das jornadas do forum.
Se bem que dos erros do passado as funestas consequências se afiguram irreversíveis, crê-se, no entanto, que ainda muito se pode evitar de futuro, para o que se apontam, em jeito de conclusões; alguns caminhos a seguir.
- Uma vez que os espaços verdes, numa zona de acentuada tradição rural, estão a desaparecer, por efeitos do rápido avanço do betão, ainda que com licenciamentos legalmente autorizados, impõe-se a necessidade de concretizar e aplicar planos de pormenor para a zona oriental da cidade de Viana do Castelo (Abelheira), tendo em vista uma adequada utilização dos espaços e uma equilibrada e correcta definição das funções de ocupação do solo: equipamentos urbanos, sociais, zonas de fruição e de lazer, de convívio e manchas verdes disseminadas.
- Deveriam as autoridades responsáveis petos projectos de urbanização reservar em cada loteamento, zonas destinados ao lazer, convívio e reuniões dos residentes, a fim de humanizar os espaços e favorecer relações de solidariedade e convivência entre as pessoas.
- As manchas de ruralidade estão a desaparecer, acentuando-se a tendência para este lugar se transformar em dormitório da cidade, com uma extrema carência de equipamentos culturais, sociais, de convívio e de lazer, propiciando o terreno adequado ao desenvolvimento da marginalidade, da insegurança e da agressividade.
Emerge daqui a necessidade, de há muito reivindicada pela Paróquia e secundada pela Junta de Freguesia, de um Centro Paroquial na Abelheira, projecto desde 1978 reclamando uma necessária decisão e colaboração da Câmara e que tem vindo a sofrer sucessivas indefinições e adiamentos. Tal realização, por se situar numa zona nevrálgica de crescimento da cidade, viria constituir um equipamento de considerável alcance social, cultural, de convívio e de lazer, não só para a Paróquia como para a cidade no seu iodo.
Por outro lado, contando a Abelheira mais de dois terços da população da zona oriental da cidade, não dispõe sequer de uma farmácia, de uma agência bancária e o policiamento é inexistente.
- Impõe-se ainda a valorização dos equipamentos já existentes, sobressaindo a Escola do 1º Ciclo, a necessitar de ampliação e melhoria dos espaços, tais como salas de aula, sanitários, gabinetes, recreios e a construção do gimnodesportivo da Escola C+S da Abelheira
- É chocante como o poder instituído nas últimas décadas tem vindo a permitir a delapidação e vandalismo de património tão significativo para a Abelheira e a Cidade de Viana do Castelo como o convento de S. Francisco do Monte e a capela da Sagrada Família da antiga Quinta de Baixo,
É urgente restaurar S. Francisco do Monte e transformá-lo num espaço acessível e de fruição ambiental
- A sensibilização dos novos residentes da Abelheira e da cidade para os valores específicas que nos aspectos cultural, etnográfico, religioso, monumental e artístico informaram a comunidade cia Abelheira, em ordem à sua preservação e valorização, afigura-se como uma tarefa inadiável
- Torna-se imperioso dar a conhecer aos vindouros, através de um espaço inserido numa área natal, de alcance cultural e social as memórias e vivências da Abelheira que, em muitos casos, deram corpo e alma à cidade de Viana do Castelo, seja nos transportes (carreteiros), no comércio de ferragens, seja na própria construção civil (ferreiros), nos serviços de higiene e limpeza (lavadeiras) e ainda no sector alimentar através dos tempos ( cultura dos legumes ( milho trigo, centeio e produção de vinho)."'
- Tendo em vista a concretização de algumas preocupações formuladas neste fórum e aqui sintetizadas, propõe-se a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima e elementos dinamizadores do fórum, bem como outros colaboradores, levar a efeito as seguintes acções:
1- Publicação de todos os trabalhos e conclusões surgidas no âmbito destas jornadas.
2- Realização de visitas periódicas guiadas ao lugar da Abelheira e respectiva área oriental da cidade, principal pólo de expansão da mesma.
3- Promoção de encontros de reflexão e debates abertos sobre os problemas decorrentes das profundas transformações a que pessoas e meio em que vivem estão sujeitos.
A Comissão Organizadora
Fórum Abelheira1996

domingo, 9 de dezembro de 2018

III ENCONTRO INTERNACIONAL DE ABADIAS CISTERCIENSES EM ALCOBAÇA


III ENCONTRO INTERNACIONAL DE ABADIAS CISTERCIENSES EM ALCOBAÇA
ROTA CISTERCIENSE DO ALTO MINHO – GALIZA PROJETA-SE NA EUROPA
José Rodrigues Lima




Decorreu no Mosteira de Alcobaça, inscrito na Lista do Património Mundial da Humanidade pela Unesco, em 1989, o notável evento III Encontro Internacional de Abadias Cistercienses.
Seguir o itinerário desde o Alto Minho até ao conjunto monacal cistercienses em Alcobaça, é motivo para avivar toda a referência histórica, artista e mística que nos legou aquela abadia, e recordar o que Dom Maur Cocheril escreveu no livro dedicado à Igreja abadia-mãe: “A mais pura e majestosa igreja construída pelos cistercienses”.
Percorrer os espaços do mosteiro de Alcobaça, desde a igreja, passando pelo refeitório até ao dormitório, é descobrir “a alma do lugar” e comungar emoções dos homens que viveram em “território do infinito” e “num tempo sem tempo”.

OS MONGES IMPRESSIONARAM COM A SUA MARCA UMA TERRA
“Quando os monges, durante séculos e séculos,
impressionaram com a sua marca uma terra,
ainda que não ficasse da moradia dos monges
senão uma pedra que se desagrega,
senão um grão de areia que se esmorona,
a pedra, a areia falam dos monges.
Mesmo que a pedra e o grão de areia desaparecessem,
a terra, a velha e nobre terra,
a terra sobre a qual os monges se debruçavam,
o vale em que rezavam,
as árvores que plantavam
continuariam a falar deles.
Porque, durante séculos e séculos os monges impressionaram com a sua marca uma terra”.
(Dom Maur Cocheril)


SESSÃO SOLENE DE ABERTURA

A receção aos participantes do encontro internacional concretizou o capítulo LIII: “do acolhimento dos hóspedes de acordo com a regra de S. Bento”.
A inauguração dos trabalhos realizou-se na sala das conferências, sendo presidida pela Dra. Ana Pagará, diretora do Mosteiro de Alcobaça.
Na mesa da presidência encontravam-se a Diretora-Geral do Património Cultural, Dra. Paula Silva; Presidente da Câmara de Alcobaça, Dr. Paulo Inácio; representante da Carta Europeia das Abadias, Dr. Gerard Berreux; Diretor do Instituto Europeu dos Itinerários Culturais, Dr. Stefano Dominioni e o Procurador da Ordem Cister, D. Lluc Torcal.
Realizaram-se intervenções de elevado nível cultural, lançando olhares pelo património cistercienses europeu, rasgando perspetivas “Para além das Fronteiras: O Património Cisterciense e a Identidade Cultural Europeia hoje”.


COMUNICAÇÕES CIENTÍFICAS

As seções científicas tiveram a intervenção de grandes especialistas de história, antropologia, e da arte arquitetónica, com a acentuada preocupação pela divulgação e salvaguarda do património cisterciense.
Tiveram a participação de notáveis personalidades culturais da Itália, França, Alemanha, Polonia, Portugal, Galiza, Bélgica, Dinamarca e Espanha.
A Dra. Ana Pagará Diretora do Mosteiro de Alcobaça dirigiu as seções científicas com grande nível cultural, e o Subdiretor-Geral do Património Cultural Dr. Filipe Silva suscitando reflexões pertinentes acerca das boas práticas do riquíssimo património português e a sua valorização no “conserto universal das culturas”.
É de sublinhar, que para melhor resultado do III ENCONTRO INTERNACIONAL, houve o serviço de tradução simultânea em português, francês, inglês, tendo todos os atos sido gravados em audiovisual.
Durante os dias do Encontro Internacional realizaram-se várias visitas ao conjunto monacal de Alcobaça.


DIRETOR DO INTITUTO EUROPEU DOS ITINERÁRIOS CULTURAIS

A conferência inicial foi proferida por Stefano Dominioni, Secretário Executivo do Acordo Paralelo Europeu sobre Rota Culturais – Conselho da Europa (EPA).
Stefano Dominioni exerce também a missão de Supervisão da Certificação pelo Conselho da Europa das Rotas Culturais e do Património Europeu, no âmbito dos seus 47 estados – membros.
Igualmente é responsável pela avaliação regular das atuais 33 Rotas Culturais Certificadas, e ainda pela implementação de Programas Conjuntos com a Comissão Europeia e pela cooperação com outras Organizações Internacionais, como UNWTO e UNESCO.


O PROJETO COSMOS POBLET

Dom Lluc Torcal, Procurador Geral das Ordem Cisterciense (Roma) apresentou o projeto (Cosmos Poblet) de que destacamos:
O Mosteiro de Poblet, inscrito na Lista do Património da Humanidade da UNESCO (1991), é uma comunidade de monges cistercienses. Juntamente com a Fundação Populus Alba e fiel à sua vocação e à vontade fundadora do Conde Ramón Berenguer IV de Barcelona, realiza um projeto integral de valor cultural, social, ambiental e eclesial, denominado "Programa Cosmos Poblet".
A vontade de Ramon Berenguer IV, era que Poblet fosse "um foco de oração e trabalho, um exemplo de cultura e exploração agrícola, isto é, uma semente de fé e civilização". Poblet tentou ser assim ao longo de sua história até ao século XXI: um compromisso exato que a comunidade atual renovou estabelecendo o "Programa Pobllet Cosmos".
Nos últimos anos, o Mosteiro de Poblet entrou num processo de mudança, modificação, expansão e abertura que resultou na implementação de diferentes serviços e atividades para visitantes e convidados, realizando uma revisão completa do mosteiro, tendo em conta o respeito pela natureza, os princípios de sustentabilidade e o respeito pelos recursos naturais. O Mosteiro de Poblet acredita que estamos num momento fulcral da história recente para empenhar-nos em melhorar a qualidade de vida da comunidade monástica e dos milhares de visitantes que, ano após ano o visitam, sendo um dos principais monumentos da história da Catalunha, Aragão, Valência e as Ilhas Baleares. É claramente uma referência histórica, arquitetónica, simbólica, religiosa e espiritual de primeira ordem tanto para a Catalunha quanto para a comunidade cisterciense.
Este programa visa desenvolver toda uma série de projetos e ações abrangentes baseados no facto de que Poblet configura uma paisagem, uma tradição e uma unidade entre a dimensão espiritual, cultural, social e ambiental da vida.
Este programa pretende ser uma nova forma de preservar o património da humanidade, uma forma que tem como regra a integração de diferentes níveis do património humano. Por isso, o programa chama-se "Cosmos Poblet", porque faz do mosteiro e da sua ação um verdadeiro cosmos”.

ROTA CISTERCIENSE DO ALTO MINHO-GALIZA

O coordenador da referida rota, José R. Lima apresentou o projeto cultual de transfronteiriço, tendo os participantes no Encontro Internacional acolhido com muito agrado a comunicação, projetando assim a plano para a Europa, para além das fronteiras, contribuindo para Identidade Cultural Europeia Hoje.

A Rota Cisterciense Alto-Minho / Galiza tem início no Mosteiro cisterciense de Santa Maria do Ermelo, concelho de Arcos de Valdevez, situado junto ao rio Lima, seguindo pelo Soajo, Gavieira e atingindo São Bento do Cando, ermida fundada pelos monges brancos do Ermelo. Atravessa a zona da Branda da Aveleira e Bouça dos Homens, continuando por Lamas de Mouro, descendo por Alcobaça e Adadela para encontrar o Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Fiães, concelho de Melgaço.
A rota prossegue por terras melgacenses e atravessa a zona fronteiriça de São Gregório, seguindo por Cortegada e atravessando o rio Minho.
Ribadavia será ponto de passagem, para logo encontrar em Leiro o Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de San Clodio, envolvido pelo rio Ávia e pelos vinhedos das cepas alinhadas e produtoras do vinho do ribeiro.
Continuando o caminho cisterciense ultrapassa-se o Carvallino, passando pelo município de Cea.
Após um denso carvalhal escutando o murmúrio do rio, surge o grande conjunto monacal do Mosteiro de Santa Maria de Osseira, considerado o Escorial galego.
A comunidade onde vivem doze monges seguindo o lema "ora et labora", testemunham vidas voltadas para o transcendente num tempo sem tempo.
Podemos afirmar que são "os homens residentes em paisagem do infinito".
Seguindo a tradição monacal produzem licores delicados.
Os mosteiros são mistério, onde "a arte é a epifania do transcendente".
Pretende-se que a Rota Cisterciense contribua para dar visibilidade a testemunhos do património material e imaterial, que fazem parte do noroeste peninsular conjugando memória e projeto.
O caminho faz-se caminhando...
A paisagem cultural da rota encerra história, antropologia, arte, música, mística, diversas artes e ofícios, e valores éticos e estéticos, num autêntico diálogo com a memória dos homens e das coisas.


OBJETIVOS DA ROTA CISTERCIENSE:

• Dar visibilidade ao património material e imaterial;
Concretizar leituras multidisciplinares na Rota Cisterciense;
Reconhecer o valor dos conjuntos monacais no desenvolvimento do turismo cultural e religioso;
Lançar um olhar humanista e místico sobre 900 anos de História;
Dar um contributo para o Itinerário Cultural Europeu dos Caminhos de Cister;
• Valorizar o legado "ora et labora";
Ligar o Vale do Lima ao Vale do Minho pela montanha, contribuindo para o seu desenvolvimento;
Fortalecer os laços transfronteiriços, tendo referências memoriais e registos raianos;
Constatar a existência de laços antigos entre os cistercienses do Alto Minho e Galiza.
Diligenciar a inscrição da Rota na Carta Europeia das Abadias e Sítios Cistercienses.

Na comunicação do projeto foi apresentada a grade obra do Prof. Doutor José Marques, “O Cartulário do Mosteiro de Fiães” que muito dignifica a historiografia portuguesa e internacional.


VISITA DO ABADE CLARAVAL

O Mosteiro de Santa Maria de Fiães e o de Santa Maria do Ermelo receberam as visitas canónicas de D. Edme de Sau­lieu, abade de Claraval, que se fazia acompanhar pelo secre­tário Fr. Claude de Bronzeval, acontecimentos que ocorreram entre 20 e 27 de Janeiro de 1533.
"Devido a ser inverno e a temer falta de segurança no percurso directo de Ermelo a Fiães a comitiva que tinha vindo de Ponte da Barca a Ermelo voltou pelo Vale e Arcos de Valde­vez, seguindo por Choças, Extremo, Barbeita, Melgaço e Fiães.
aos caminhos da serra, era de Ermelo por Soajo a Adrão e Miradouro e dali em alternativa pela Peneda ou pelo Cando, Branda da Aveleira a Lamas de Mouro" (Bernardo Pintor, 1981).
Prosseguindo por Alcobaça e Adadela para encontrar o mosteiro de Fiães.
O relato da visita do Abade de Claraval foi redigido em latim e D. Maur Cocheril traduziu-o para francês na obra bilingue "Peregrinatio hispanica" (1970).
Aliás, é de referir a grande obra de M. Cocheril referente aos cistercienses em território português, sendo de destacar a edição "Routier des Abbadyes Cisterciennes du Portugal" (Pa­ris, 1978).
Os monges cistercienses cingiam-se a uma rígida clausu­ra, pelo que o mosteiro tinha de ser auto-suficiente.
"Assim, a escolha do local era fundamental. O modelo de implantação do cenóbio exigia um lençol de água próximo e consequentemente um solo circundante fértil."
Um dístico anónimo re­gista que "São Bernardo ama­va os vales, São Bento os mon­tes, São Francisco as aldeias e Santo Inácio as grandes cida­des. Assim se traduz de forma paradigmática a preferência dada pelos cistercienses às zo­nas baixas dos vales irrigados." (Teixeira, 1999)
Através da história sur­gem excepções por razões de vária ordem.
As marcas dos cister­cienses estão bem vincadas no Noroeste Peninsular e são merecedoras de um olhar pa­trimonial consistente, pois "o desenvolvimento deve ter em conta a continuidade da vida cultural dos povos", como se preconiza em textos da UNESCO.

MEMÓRIAS COM LUZES
Ao percorrer os antigos caminhos, veredas e atalhos, seguimos as pegadas dos homens "de lugares do infinito", que sendo habitantes da terra continuamente falavam com os habitantes do céu, num tempo sem tempo.
Os mosteiros com o rico e diversificado património histórico, antropológico, artístico, agrícola e inclusive tecnologia hidráulica, e a irradiação cultural e espiritual conduzem-nos por memórias com luzes que apontam condutas éticas, estéticas e transcendentais. O ambiente que se respira na área de um conjunto monacal e os sons dos sinos das torres, bem como os timbres das sinetas das portarias ou dos claustros, levam-nos a sentir emoções e a olhar para mais além, para o alto, ultrapassando os camones do tempo e do espaço. Os apelos feitos através dos sentidos, do tacto, do paladar, do olfato, da visão e da audição transportam-nos para o sentido místico, refrescando a alma como se víssemos o invisível. O canto das aves no claustro ou nas granjas une-se ao canto gregoriano das horas litúrgicas. "Cada época deve reinventar para si um projeto de espiritualidade." A regra de São Bento (Regula Sancta) e a "Carta de Caridade" são obras que apaixonaram através dos séculos multidões incontáveis de monges e onde a "lectio divina" os levava a uma contemplação muda e silenciosa. "A arte é nostalgia de Deus" escreve Mira Schendel. "Não precisa pintar aquilo que se vê, nem aquilo que se sente, mas aquilo que vive em nós." "O invisível atravessa profundamente a humanidade, e os processos lentos, vertiginosos impercetíveis ou nomeáveis." (T. Mendonça) A arte é sem dúvida epifania do mistério. Os mosteiros são "mistério".

SESSÃO DE ENCERRAMENTO DO III ENCONTRO INTERNACIONAL DAS ABADIAS
A Dra. Ana Pagará, Diretora do Mosteiro de Alcobaça fez uma maravilhosa síntese dos dias das sessões científicas.
A coroação do grande evento internacional e cultural, concretizou-se com o lançamento de dois livros referentes á riqueza patrimonial do Mosteiro de Alcobaça, Património Mundial da Humanidade.
Assim, o Prof. Doutor Virgolino Ferreira Jorge, que criou o Mestrado em Recuperação do Património Arquitetónico e Paisagístico e o Doutoramento em Conservação do Património Arquitetónico, na Universidade de Évora, na década do 90 do século passado, conjuntamente com o arquiteto Gonçalo Ribeiro Teles, apresentou a obra é intitulada “RATIO FECIT DIVERSUM” (Ensaios sobre a Abadia de Alcobaça) e fazendo parte das grandes publicações do conjunto monacal.
O Professor Catedrático Aires A. Nascimento, é autor de mais de 35 obras, cabendo-lhe a ciência Codiologia nas Universidades Portuguesas e entregada nas ciências filológicas.
O Prof. Aires Nascimento subscreveu mais de 400 artigos em ensaios especializados.
Foi Prof. Catedrático da faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Diretor do Centro de Estudos Clássicos da mesma Faculdade.
É membro efetivo da Academia de Ciência de Lisboa e membro de Mérito da Academia de História.
Após vários anos de pesquisa e investigação apresentou a obra “O SECRIPTORIUM DE ALCOBAÇA” – O Longo percurso do livro manuscrito português.
A cultura portuguesa ficou grandemente enriquecida com as 2 obras referenciadas.
Honra ao mérito “daqueles que por obras valorosas se levantam”.

Como nota de reportagem registamos a participação do Pe. Belmiro Amorim, do Mosteiro do Ermelo, tendo oferecido várias publicações relativas ao conjunto monacal situado à beira do Rio Lima.
José Rodrigues Lima
938 583 275