AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com

Obrigado

terça-feira, 17 de julho de 2018

Monsenhor José Maria Costa Reis Ribeiro 60 anos de sacerdote

Monsenhor José Maria Costa Reis Ribeiro 60 anos de sacerdote
Alvarães é uma freguesia do concelho de Viana do Castelo, onde em 25 de Outubro nasceu um varão a quem lhe foi dado o nome de José Maria da Costa Reis Ribeiro.
Depois da passagem pela escola primária ingressou no Seminário de Braga e foi ordenado a 13 de Julho de 1958, no Seminário Conciliar por D. António Bento Martins Júnior. Intelectual invulgar foi logo para Roma estudar e regressou para leccionar no Externato Liceal de Monção em 5 de Janeiro de 1962.
É aquela freguesia uma das freguesias de Viana do Castelo com pessoas não só de “terras e haveres”, mas também de pessoas notáveis pela sua cultura e formação, uma terra rica e de muito civismo… E de vocações sacerdotais e religiosas.
Sempre foi um aficionado pela criação da Diocese de Viana do Castelo. Enquanto seminarista algumas dificuldades teria sentido de se manifestar porque o seu pároco era o Cónego Cepa e Arcipreste de Viana, mas muito bracarense e muito fiel a Braga.
Colaborou e ajudou-nos na organização da celabração do 40º aniversário da Colónia Vianense, em 1971, quando eu exercia as funções estatutárias de “Bispo” da Colónia e fui ameaçado que não me ordenaria de presbítero, se levasse as comemorações por diante e quem nos valeu, a mim e ao próximo diácono José Maria Pereira do Vale, foi Mons. Daniel Machado que assumiu por nós a responsabilidade do programa.
Portanto, é natural que o jovem Reis Ribeiro se contivesse nas suas manifestações a favor da criação da Diocese de Viana do Castelo, enquanto seminarista.
No entanto, e talvez também por esse motivo deixasse o colégio de Valença para seguir depois o cardeal Patriarca, D. António Ribeiro, para Lisboa para dirigir a LUC (Liga Universitária Católica). Para além de vários cargos a nível do Patriarcado, ele sempre foi um leal amigo, um sacerdote com profundidade intelectual e espiritual e fez-se um especialista em Doutrina Social da Igreja, além da licenciatura de Filosofia e diplomado em Sociologia em Roma, formado em espiritualidade no Instituto internacional dos PP. Carmelitas Descalços.
O 25 de Abril, dia do nascimento da democracia, o Monsenhor Reis Ribeiro estava no patriarcado e informações dessa altura, parece-me que soube ser um bom leitor e conselheiro para os Bispos não só do patriarcado, mas também de fora.
Não admira, foi com formação sociológica, filósofo, espiritualista, zelezo pela Fé e ligado às Comunicações Sociais, experiência de trabalho com jovens, com jornalistas, não era de esperar outra postura dele junto do Senhor Patriarca e dos colegas.
Viveu intensamente a causa política junto da Igreja na harmonia e nos cautelosos e prudentes conselhos como só ele sabe dar. Ainda hoje continua calmo, sereno, reflexivo, pensador e amigo de ajudar o outro, dá gosto ouvi-lo.
A vida de Reis Ribeiro dava para fazer um livro, mas é uma pessoa muito discreta, faz mais do que diz e procura ultrapassar problemas difíceis.
Criada a Diocese de Viana do Castelo, logo pensou acompanhar D. Júlio Tavares Rebimbas, o que fez um ano antes de D. Júlio ir para o Porto, ainda ficando ligado às Comunicações Sociais da Igreja a nível nacional, em Lisboa, até que acabados os seus trabalhos em Lisboa se dedicou só à Diocese de Viana o que ainda o faz com muita alegria e satisfação, pois também era uma questão de coerência. Tinha feito parte da sua fundação, contra a muitos que estando em Braga não o fizeram. Ter a veleidade de escrever sobre Monsenhor Reis Ribeiro seria um absurdo porque sempre se ficaria aquém do que se possa dizer. Remeto os meus amigos para blog “porfirio.home.sapo.pt/partilhas.hotmail”, aí encontrará pormenores do seu currículo que ficará pasmado e o muito que falta é só por causa da sua descrição e ir mais longe porque pode sentir-se mal. Eu o conheço suficientemente e sei que desta croniqueta só se vai rir...e que a sua missão não é andar nos jornais...é outra coisa mais importante...voltado para os pobres!...
Outro dia, dia 13, a Congregação da Caridade quis prestar-lhe homenagem porque celebrou 60 anos de sacerdote e quase 25 anos de capelão naquela Instituição. Deus lhe dê vida e saúde para fazer um trabalho que já o acompanhei mais de perto admirado por idosos crentes e não crentes e que por ele têm grande simpatia. Tenho entre mãos uma lembrança que distribuiu e que me chamou a atenção o seu pensamento : “CAHAMASTE-ME NA MINHA FRGILIDADE
A PARTICIPAR DO TEU MISTÉRIO
E CANTO A MINHA GRATIDÃO:
Graças, Senhor…
Obrigado à Igreja, à família e a todos com quem trabalhei- Alvarães, Braga, Roma, Lisboa e Viana do Castelo… Na Acção Católica e Comunicações Sociais, Serviços diocesanos para sempre a minha gratidão.
Sempre foi um bom colaborador na Paróquia de Nª Sª de Fátima, sobretudo, na formação social e no Centro de Formação Paroquial.

Padre Coutinho

FALAR DE VIANA

Viana do lado de lá
A falar de Viana, não sei se seria melhor falar do lado poente, do lado nascente, do lado norte ou do lado sul.
Viana é contemplada sobretudo do lado sul, de Darque, da entrada na Ponte nova, ou da Ponte velha.
No entanto, em cada dia há sempre uma Viana remoçada seja de que lado for, e sobretudo, do lado nascente para onde se expande mais, ou para o poente que pode ser observada do mar-alto.
Esta Viana do lado de lá é onde eu gostaria de estar para observar aquilo que me vai no coração, na alma de quem vive a cidade dos homens e neles pensar em elevá-los à dignidade e ao nível que todos ansiamos por uma cidade cada vez maior, mais bela, mais pacífica. Do norte ao sul, da nascente ao poente se quer como uma grande família, onde todos dêem as mãos para marchar em frente pelo bem-estar de todos e cada um.
Acordei eu!...
Sou suspeito para falar de Viana porque Viana é a terra onde a “minha alma gentil” camoniana, gravita. Para além disso “sou sujeito a estas distrações, a este sonhar acordado. Que lhe hei-de eu fazer? Andando, escrevendo, sonho e ando, sonho e falo, sonho e escrevo. Francamente me confesso de sonâmbulo, de solilóquio, de... Não, fica melhor com seu ar de grego (hoje tenho a bossa helénica num estado de tumescência pasmosa!); digamos sonílogo, sonígrafo... A minha opinião sincera e conscienciosa é que o leitor deve saltar estas folhas, e passar ao capítulo seguinte, que é outra casta de capítulo” segundo “Viagens na Minha Terra”, de Almeida Garret.
Virando a folha sentirá outra aragem, outra doçura, outro ambiente, outro conteúdo que o fará descer mais à realidade.
Acredito no outro lado do meu lado seja esquerdo ou direito, da frente ou de trás. É o lado da minha sombra. Sou eu. É a minha terra, o meu berço, a minha pátria, o meu torrão, o meu lar, porque Viana está no meu coração.
Olho para o rio e ao contemplá-lo gostava de cantar com o meu lado:
A água do rio Lima
Foge que desaparece;
Nem a água apaga a sede
Nem o meu amor me esquece.
A água do nosso rio
Bate toda em cachão,
Assim batem as penas
Do meu coração. (Cancioneiro da Serra de Arga)
Assim como a minha terra Mazarefes que é Viana, assim o meu outro lado que cantava a saudade:
A carta que te mandei
Foi escrita à candeia;
Com suspiros foi fechada,
De saudades vai cheia.
As cantigas são saudades,
Quem canta, saudades tem;
Quem canta para esquecer
É certo que lembra alguém. (Cancioneiro da Serra de Arga)
O outro lado é o outro ao qual eu quero sair ao seu encontro, para, de mãos dadas construirmos, lado a lado, a cultura vianense e criarmos uma comunhão que conduza a uma maior beleza desta cidade, desta terra que se chama Viana. Quem a visita esquece o outro lado por entrar na nostalgia de tudo o que é belo, desde o ambiente até à alma vianense de todos os outros que fazem uma festa e sabem acolher com alegria e amor quem chega.
Quero deixar de lado a mitologia do esquecimento, bem como a lembrança de Estrabão e estar ao lado do lutador romano, destemido e impulsivo, Júnio Bruto, sem esquecer o nosso lado da raiz límica, desde as suas nascentes, a 975 metros de altitude no monte Talariño, do lado poente, nas costas das nascentes do rio Sil, no Sarreaus, Couso (…) o rio, não do esquecimento, mas da lembrança, do encanto porque era terra do bem fascinante guardada na memória do coração de todos os que aqui chegam.
Tinha razão Júnio Bruto que, então, é mesmo verdade: “Quem gosta vem, quem ama fica!”
Tudo o que Deus fez é belo, mas para mim, Viana é o meu lado mais nobre, depois de Deus que adoro.
Viana é a terra do coração.
Padre Artur Coutinho




As duas primeira imagens mostram a nascente onde já fui com amigos. Lugar especial para repouso, muito silêncio...serenidade, no Couso perto de Xinzio do Lima. Local bom para contemplação, meditação, oração e elevação de corpo e alma.
A terceira é a nascente que fica mais longe no monte talariño camada a fonte de Sarreaus que oura nascente do Lima e na encosta virada a poente porque as fontes na encosta do lado nascente vão ter ao rio Sil da Ribeira Sacra.
Esta nascente do rio Lima, passa-lhe perto o Caminho de Santiago
A outra imagem a da Forxa Torre da Porqueira acerca de 40 Km do Xinzio do Lima de regresso a Portugal. Era uma torre de defesa dos povos límicos... Devia haver um estudo actual sobre as diferenças e as semelhanças entre os costumes, a linguagem popular, tradições, toponímia, etc de Viana a Xinxio do Lima. Talvez uma boa tese para estudantes esoanhóis e portuguses.
Aparecem mais três fotografias de Couso e as últimas são das margens do Rio em Mazarefes.
Isto é também Falar de Viana.

domingo, 8 de julho de 2018

O SANTO HOMEM BOM Sanctus Omobonus


O SANTO HOMEM BOM

Sanctus Omobonus

Não sei se sonhei, mas quando era jovem parece ter ouvido que o Homem Bom, o Santo Homem Bom prendia-se com uma lenda ou qualquer acontecimento de um homem que terá sido morto, mas ao mesmo tempo, também se conhecia o Largo do Santo Homem Bom, onde a Cúria de Braga terá passado no princípio do século XVIII uma autorização para se construir nesse largo a Capela de Nossa Senhora das Necessidades. Possuo fotocópia desse documento, mas até hoje nunca ninguém me esclareceu sobre o local dessa Capela, nem José Rosa Araújo com quem convivi muitos anos, arqueólogo e etnógrafo vianense de renome o sabia explicar.
A Capela da Senhora das Necessidades surgiu conforme o historiador Dr. José Carlos Loureiro dos fins do século XVIII e princípios do século XIX na Abelheira. Teria havido aí algum oratório sob essa invocação muito anterior até porque não teria sido possível dar cumprimento feito a Braga e mais tarde construir uma pequena capela, um oratório à volta da qual faziam festa…Havia um oratório na Rua da Bandeira perto onde hoje fica a Segurança Social, à volta do qual os da Bandeira também alguma vez fizeram festa.
Quando estive em Cremona, cidade italiana, descobri que o patrono da Catedral desta cidade era o Sanctus Omobonus, Santo Omobono, ou Santo Bom Homem.


Donde veio este Santo? Precisamente de Cremona onde nasceu, cidade da Lombardia, em 1140 de uma família modesta e baptizado “Homobono” que significa Homem Bom, talvez um sinal profético porque em vida alcançou, de facto, a santidade através de uma vida austera, cheia de bondade, caridade, justiça e amor, sempre com medo de explorar os outros e antes pelo contrário dando aos que precisassem da sua ajuda, desprendido como era dos bens deste modo.
Casou e foi pai de família e “pai dos pobres”, assim lhe chamam os cremonenses.

Seu pai não o mandou para a escola, mas ensinou-lhe a arte mercantil de tecidos, foi alfaiate e sobretudo o pai lhe incutiu as virtudes da probidade, da integridade e a virtude da simplicidade e da justiça no amor.
Santificou-se a cumprir os deveres da diligência, da honra por motivo sobrenaturais, com uma devoção extremíssima ao santíssimo Sacramento, à Eucaristia sem esquecer a família e os pobres.









Numa altura de crise juntaram-se à sua porta tantos pobres que deram tudo o que tinha da despensa da família da casa. A esposa estava fora porque ela era contra este modo extremo de ele proceder. Nesse dia quando chegou a casa e tendo sabido que por ali tinha passado muita gente, foi logo à despensa ver o que lhe restava e afinal estava cheia como a deixou. O primeiro milagre em vida foi este.
Faleceu em 13 de Novembro de 1187 quando o sacerdote na missa a que costumava assistir com muita devoção manifestada também em gestos, aconteceu que ao sacerdote proclamar Glória In Exeleis Deo ergueu os braços e cruzando-os caiu assim no chão, mas os participantes não se importaram muito, pois seria mais um gesto da sua vivência, mas ao fim do Evangelho foram até ele e, de facto, ali estava, mas era morto.
Depressa o papa Inocêncio III o canonizou e a sua festa litúrgica celebra-se a 13 de Novembro.
A devoção a este Santo Homem Bom expandiu-se por toda a Itália, França e restante Europa. No Brasil, mais tarde se construíram Capelas e Igrejas. Também conheci uma que fica  em Roma por baixo do Capitolino.
É o patrono dos alfaiates, dos costureiros e dos comerciantes de tecido.
Outro dia numa conversa com o Dr. Francisco Carneiro Fernandes avivou a minha vontade de ver uma imagem do Santo Homem Bom na capela da Senhora das Candeias. E lá fui e gostei do que vi. A Senhora das Candeias estava ladeada pelo Santo Homem Bom à esquerda de Nossa Senhora e do lado direito S. Miguel Arcanjo.
Na rua dos Manjovos e no Largo do Santo Homem Bom, hoje, Largo Vasco da Gama, tinha eu andado há anos à procura de descobrir onde teriam estado os Carmelitas descalças antes de entrarem no Convento do Desterro, Jesus Maria, José, bem como se haveria algum registo de ter havido a capela de Nossa Senhora das Necessidades.
Não foi fácil, mas chamou-me a atenção a imagem do Santo Homem Bom e de escrever sobre ele este pequeno apontamento.