Terça-feira, 20 de Março de 2012

O que é uma Paróquia Viva? A Paróquia viva é esta. Não pode ser uma comunidade de elites, de prosélitos, mas uma comunidade que tem uma chama grande, e à volta, tem um lume que ainda fumega ou cinzas que escondem algo que pode vir a fumegar.

Uma Paróquia Viva
O que é uma Paróquia Viva?
Ora uma Paróquia é uma Comunidade que faz caminho. Fazer caminho é caminhar. Jesus disse: “ Eu sou o CAMINHO, A VERDADE  E A VIDA”.
Na caminhada dos humanos, santos e pecadores, uns vão mais à frente, outros vão mais atrás, mas a meta para todos é chegar ao fim, sãos e salvos. Por isso a Igreja é Missionária e será sempre a partir da missão de cada um a partir do batismo. No cumprimento desta missão far-se-á crescer a vida e, na falta deste cumprimento, matar o espírito que dá vida a uma comunidade.
A Comunidade é um todo, uns mais comprometidos, outros menos, uns mais materialmente colaborantes, outros menos; uns ficam aquém do desejável apesar de batizado, outros ainda podem ser os indiferentes à fé, à religião a quem a Igreja não pode fechar as portas, os alheios que nós temos de saber acolher e continuar a caminhar ainda que alguns em vez de caminhar a 100km à hora vão a um metro à hora. Não podemos, por isso, dizer que os que vão à frente são mais santos do que os que vão atrás. Os que vão à frente devem acolher e criar espaço para acolhimento aos que vem em último lugar com uma diferença de muitos quilómetros, mas o que interessará à Comunidade Viva é que cheguem à meta, ainda que seja o último nos nossos critérios porque, naturalmente, os de Deus são muito diferentes.
 
 
 
Esta reflexão merecia mais aprofundamento teológico, ético, ecologia e espiritual e servir de base a todos os grupos proliferam por aí em nome da Igreja, mas de uma Igreja sem padre, ou um padre feito na fábrica dos galos de Barcelos. O trabalho ecuménico deve começar por estes grupos semifechados para irmos mais longe a todos os cristãos.
No entanto, há na igreja ou nas paróquias, ou comunidades dentro da Igreja que criam guetos fechados de elites que em vez de aproximar os que vão atrás, fogem-lhes demais com vontade de chegar primeiro ao céu e afastam-nos por serem impuros.
A Paróquia viva é esta. Não pode ser uma comunidade de elites, de prosélitos, mas uma comunidade que tem uma chama grande, e à volta, tem um lume que ainda fumega ou cinzas que escondem algo que pode vir a fumegar.
Sem o trabalho de cada um a sério, tolerante e confiante, humilde e verdadeiro à procura do outro, do irmão, faremos com verdade uma Paróquia viva, numa Páscoa de Ressuscitados!...
Caso contrário com um trabalho muito sério, mas de exclusão, não pode haver uma comunidade sequer que se possa chamar Comunidade de Cristãos, mas diabólica.
Alguns confundem a veste na cultura judaica e na Bíblia como o fato de domingo ou da semana em vez de ver nessa veste aquilo que a pessoa é de fato. Aquele não me acompanha no meu modo de ser e estar em Igreja, então ele é um enganador, um oportunista, está na Igreja, diz que acredita em Jesus, mas seu coração, seu pensamento e sua vida está longe de acreditar realmente na palavra de Jesus e de a viver.
Nós não conseguimos identificar tais pessoas, mas só Deus consegue e sabe distinguir o trigo do joio, o que está perto da salvação e o quer está mais longe. Só ele sabe quem vai em primeiro lugar se é o último, ou o primeiro.
A nossa pertença à Igreja é feita só de palavras e de costumes de família ou sociais ou da criação de grupos fechados muito rezadores ou generosos em todas as dimensões desta palavra?
Ou a nossa fé em Cristo é verdadeira, fruto de uma adesão pessoal que transborda em práticas de amor vividas numa comunidade de santos e pecadores, uma verdadeira comunidade eclesial aberta ao mundo, à esperança?
«A rua é espaço da Palavra e a Palavra fez-se carne para estar na "rua". Como viver a esperança «grande» numa «rua descren­te»? A esta questão, D. Anacleto respondeu com um con­vite ao testemunho de vida, «aquele que convence, atrai e que cria nos outros o dese­jo de algo diferente», afirmava em Barcelos.
Se existe este testemunho de forma simples e clara gerando vida, esperança e amor desprovido de bens materiais e apenas confiantes em Jesus, Deus e Homem, aí estará a  Paróquia viva.
Dêmos, então, visibilidade a esta IGREJA VIVA, feliz e sadia, capacitada para edificar, de conduta influenciadora  e arrastadora para a fé, sobretudo, fundamentada na Palavra de Deus para vibrar o caminho espiritual,  o potencial do evangelho, relevar a verdade, significar, cada dia, na vida social  aquilo que somos e não aquilo que temos de bens materiais.
Uma Igreja Viva, Uma paróquia Viva, uma Comunidade Viva tem o prazer de acolher e de viver com os outros e não na vez dos outros, ou acolher os outros para viverem exatamente ao nosso jeito.

Segunda-feira, 19 de Março de 2012

«A rua é espaço da Palavra e a Palavra fez-se carne para estar na "rua". É esta a gran­de verdade da revelação cris­tã que desafia os crentes a vi­verem a sua fé na Rua e não na sacristia»,D. Anacleto exorta os cristãos a levarem a esperança para a rua

Bispo de Viana exorta cristãos a levar esperança para a rua
















Na rua «cada vez menos cristã, que não se limita a ser ateia, mas goza e achincalha, os cristãos responderão com o testemunho de uma vida ale­gre e feliz. Porque é de espe­rança que o mundo de hoje precisa». Foi esta a mensagem que D. Anadeto Oliveira, bis­po de 'Viana do Castelo, dei­xou aos cristãos, no início da III Semana Bíblica de Barcelos, promovida pela Paróquia de Santa Maria Maior no auditó­rio da Câmara Municipal.

Comentando os primeiros capítulos da Primeira Carta de S. Pedro, o conferencista exor­tou a levar a esperança para a rua, isto é para a socieda­de que não conhece senão as esperanças pequenas, de ho­rizontes curtos que, uma vez alcançadas, deixam a sensa­ção de vazio.



A Esperança de que os cris­tãos são portadores, porque tem outros fundamentos, nun­ca termina e torna-se um con­vite permanente a avançar, superando os próprios limi­tes porque o «limite» foi ul­trapassado: a morte foi ven­cida no Ressuscitado, referiu o prelado.

Com a Ressurreição de Je­sus - núcleo fundamental da fé cristã - «realiza-se o sonho de cada pessoa», disse D. Anacleto, referindo que como Ele se «levantou da morte para uma vida de glória, para uma vida nova, então ò ser humano pode aspirar ao mesmo».

Como viver a esperança «grande» numa «rua descren­te»? A esta questão, D. Ana- deto respondeu com um con­vite ao testemunho de vida, «aquele que convence e atrai e que cria nos outros o dese­jo de algo diferente».

Lembrando que a "rua" no tempo dos primeiros cristãos era sujeitar-se à perseguição e até à morte, o bispo disse que os cristãos devem olhar as difculdades como oportunidade de crescimento e amadurecimento na fé . Assim, concluiu D. Anacleto, a «ambigüidade» propo­sitada do tema «Para a Rua com a Esperança» torna-se convite a entrar na profun­didade de sentido das Cartas de Pedro.in semana Bíblica de Barcelos sob o lema "Palavra e rua encontro ou/e confronto", iniciou-se segunda-feira, acon­tecendo pela terceira vez na cidade de Barcelos.

«A rua é espaço da Palavra e a Palavra fez-se carne para estar na "rua". É esta a gran­de verdade da revelação cris­tã que desafia os crentes a vi­verem a sua fé na Rua e não na sacristia», referiu.

Numa sociedade em crise, acrescentou o sacerdote, «to­dos, mas com maior razão os cristãos, são chamados não a um olhar condenatório ou fis­cal para descobrir causas do mal, mas a uma atitude de compromisso em fazer cres­cer o bem».




Domingo, 18 de Março de 2012

Dia Mundial das Vocações-2012- Mensagem do Papa

«As vocações, dom do amor de Deus».

Mensagem de Bento XVI  para o XLIX Dia mundial de Oração pelas vocações

Amados irmãos e irmãs!

O XLIX Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no IV domingo de Páscoa – 29 de Abril de 2012 –, convida-nos a reflectir sobre o tema «As vocações, dom do amor de Deus».

A fonte de todo o dom perfeito é Deus, e Deus é Amor – Deus caritas est –; «quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele» (1 Jo 4, 16). A Sagrada Escritura narra a história deste vínculo primordial de Deus com a humanidade, que antecede a própria criação. Ao escrever aos cristãos da cidade de Éfeso, São Paulo eleva um hino de gratidão e louvor ao Pai pela infinita benevolência com que predispõe, ao longo dos séculos, o cumprimento do seu desígnio universal de salvação, que é um desígnio de amor. No Filho Jesus, Ele «escolheu-nos – afirma o Apóstolo – antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em caridade na sua presença» (Ef 1, 4). Fomos amados por Deus, ainda «antes» de começarmos a existir! Movido exclusivamente pelo seu amor incondicional, «criou-nos do nada» (cf. 2 Mac 7, 28) para nos conduzir à plena comunhão consigo.

À vista da obra realizada por Deus na sua providência, o salmista exclama maravilhado: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a Lua e as estrelas que Vós criastes, que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes?» (Sal 8, 4-5). Assim, a verdade profunda da nossa existência está contida neste mistério admirável: cada criatura, e particularmente cada pessoa humana, é fruto de um pensamento e de um acto de amor de Deus, amor imenso, fiel e eterno (cf. Jer 31, 3). É a descoberta deste facto que muda, verdadeira e profundamente, a nossa vida. Numa conhecida página das Confissões, Santo Agostinho exprime, com grande intensidade, a sua descoberta de Deus, beleza suprema e supremo amor, um Deus que sempre estivera com ele e ao qual, finalmente, abria a mente e o coração para ser transformado: «Tarde Vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Vós estáveis dentro de mim, mas eu estava fora, e fora de mim Vos procurava; com o meu espírito deformado, precipitava-me sobre as coisas formosas que criastes. Estáveis comigo e eu não estava convosco. Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria, se não existisse em Vós. Chamastes-me, clamastes e rompestes a minha surdez. Brilhastes, resplandecestes e dissipastes a minha cegueira. Exalastes sobre mim o vosso perfume: aspirei-o profundamente, e agora suspiro por Vós. Saboreei-Vos e agora tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e agora desejo ardentemente a vossa paz» (Confissões, X, 27-38). O santo de Hipona procura, através destas imagens, descrever o mistério inefável do encontro com Deus, com o seu amor que transforma a existência inteira.

Trata-se de um amor sem reservas que nos precede, sustenta e chama ao longo do caminho da vida e que tem a sua raiz na gratuidade absoluta de Deus. O meu antecessor, o Beato João Paulo II, afirmava – referindo-se ao ministério sacerdotal – que cada «gesto ministerial, enquanto leva a amar e a servir a Igreja, impele a amadurecer cada vez mais no amor e no serviço a Jesus Cristo Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja, um amor que se configura sempre como resposta ao amor prévio, livre e gratuito de Deus em Cristo» (Exort. ap. Pastores dabo vobis, 25). De facto, cada vocação específica nasce da iniciativa de Deus, é dom do amor de Deus! É Ele que realiza o «primeiro passo», e não o faz por uma particular bondade que teria vislumbrado em nós, mas em virtude da presença do seu próprio amor «derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo» (Rm 5, 5).

Em todo o tempo, na origem do chamamento divino está a iniciativa do amor infinito de Deus, que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. «Com efeito – como escrevi na minha primeira Encíclica, Deus caritas est – existe uma múltipla visibilidade de Deus. Na história de amor que a Bíblia nos narra, Ele vem ao nosso encontro, procura conquistar-nos – até à Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até às aparições do Ressuscitado e às grandes obras pelas quais Ele, através da acção dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente. Também na sucessiva história da Igreja, o Senhor não esteve ausente: incessantemente vem ao nosso encontro, através de pessoas nas quais Ele Se revela; através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia» (n.º 17).

O amor de Deus permanece para sempre; é fiel a si mesmo, à «promessa que jurou manter por mil gerações» (Sal 105, 8). Por isso é preciso anunciar de novo, especialmente às novas gerações, a beleza persuasiva deste amor divino, que precede e acompanha: este amor é a mola secreta, a causa que não falha, mesmo nas circunstâncias mais difíceis.

Amados irmãos e irmãs, é a este amor que devemos abrir a nossa vida; cada dia, Jesus Cristo chama-nos à perfeição do amor do Pai (cf. Mt 5, 48). Na realidade, a medida alta da vida cristã consiste em amar «como» Deus; trata-se de um amor que, no dom total de si, se manifesta fiel e fecundo. À prioresa do mosteiro de Segóvia, que fizera saber a São João da Cruz a pena que sentia pela dramática situação de suspensão em que ele então se encontrava, este santo responde convidando-a a agir como Deus: «A única coisa que deve pensar é que tudo é predisposto por Deus; e onde não há amor, semeie amor e recolherá amor» (Epistolário, 26).

Neste terreno de um coração em oblação, na abertura ao amor de Deus e como fruto deste amor, nascem e crescem todas as vocações. E é bebendo nesta fonte durante a oração, através duma familiaridade assídua com a Palavra e os Sacramentos, nomeadamente a Eucaristia, que é possível viver o amor ao próximo, em cujo rosto se aprende a vislumbrar o de Cristo Senhor (cf. Mt 25, 31-46). Para exprimir a ligação indivisível entre estes «dois amores» – o amor a Deus e o amor ao próximo – que brotam da mesma fonte divina e para ela se orientam, o Papa São Gregório Magno usa o exemplo da plantinha: «No terreno do nosso coração, [Deus] plantou primeiro a raiz do amor a Ele e depois, como ramagem, desenvolveu-se o amor fraterno» (Moralia in Job, VII, 24, 28: PL 75, 780D).

Estas duas expressões do único amor divino devem ser vividas, com particular vigor e pureza de coração, por aqueles que decidiram empreender um caminho de discernimento vocacional em ordem ao ministério sacerdotal e à vida consagrada; aquelas constituem o seu elemento qualificante. De facto, o amor a Deus, do qual os presbíteros e os religiosos se tornam imagens visíveis – embora sempre imperfeitas –, é a causa da resposta à vocação de especial consagração ao Senhor através da ordenação presbiteral ou da profissão dos conselhos evangélicos. O vigor da resposta de São Pedro ao divino Mestre – «Tu sabes que Te amo» (Jo 21, 15) – é o segredo duma existência doada e vivida em plenitude e, por isso, repleta de profunda alegria.

A outra expressão concreta do amor – o amor ao próximo, sobretudo às pessoas mais necessitadas e atribuladas – é o impulso decisivo que faz do sacerdote e da pessoa consagrada um gerador de comunhão entre as pessoas e um semeador de esperança. A relação dos consagrados, especialmente do sacerdote, com a comunidade cristã é vital e torna-se parte fundamental também do seu horizonte afectivo. A este propósito, o Santo Cura d’Ars gostava de repetir: «O padre não é padre para si mesmo; é-o para vós» [Le curé d’Ars. Sa pensée – Son cœur ( ed. Foi Vivante - 1966), p. 100].

Venerados Irmãos no episcopado, amados presbíteros, diáconos, consagrados e consagradas, catequistas, agentes pastorais e todos vós que estais empenhados no campo da educação das novas gerações, exorto-vos, com viva solicitude, a uma escuta atenta de quantos, no âmbito das comunidades paroquiais, associações e movimentos, sentem manifestar-se os sinais duma vocação para o sacerdócio ou para uma especial consagração. É importante que se criem, na Igreja, as condições favoráveis para poderem desabrochar muitos «sins», respostas generosas ao amoroso chamamento de Deus.

É tarefa da pastoral vocacional oferecer os pontos de orientação para um percurso frutuoso. Elemento central há-de ser o amor à Palavra de Deus, cultivando uma familiaridade crescente com a Sagrada Escritura e uma oração pessoal e comunitária devota e constante, para ser capaz de escutar o chamamento divino no meio de tantas vozes que inundam a vida diária. Mas o «centro vital» de todo o caminho vocacional seja sobretudo a Eucaristia: é aqui no sacrifício de Cristo, expressão perfeita de amor, que o amor de Deus nos toca; e é aqui que aprendemos incessantemente a viver a «medida alta» do amor de Deus. Palavra, oração e Eucaristia constituem o tesouro precioso para se compreender a beleza duma vida totalmente gasta pelo Reino.

Desejo que as Igrejas locais, nas suas várias componentes, se tornem «lugar» de vigilante discernimento e de verificação vocacional profunda, oferecendo aos jovens e às jovens um acompanhamento espiritual sábio e vigoroso. Deste modo, a própria comunidade cristã torna-se manifestação do amor de Deus, que guarda em si mesma cada vocação. Tal dinâmica, que corresponde às exigências do mandamento novo de Jesus, pode encontrar uma expressiva e singular realização nas famílias cristãs, cujo amor é expressão do amor de Cristo, que Se entregou a Si mesmo pela sua Igreja (cf. Ef 5, 25). Nas famílias, «comunidades de vida e de amor» (Gaudium et spes, 48), as novas gerações podem fazer uma experiência maravilhosa do amor de oblação. De facto, as famílias são não apenas o lugar privilegiado da formação humana e cristã, mas podem constituir também «o primeiro e o melhor seminário da vocação à vida consagrada pelo Reino de Deus» (Exort. ap. Familiaris consortio, 53), fazendo descobrir, mesmo no âmbito da família, a beleza e a importância do sacerdócio e da vida consagrada. Que os Pastores e todos os fiéis leigos colaborem entre si para que, na Igreja, se multipliquem estas «casas e escolas de comunhão» a exemplo da Sagrada Família de Nazaré, reflexo harmonioso na terra da vida da Santíssima Trindade.

Com estes votos, concedo de todo o coração a Bênção Apostólica a vós, veneráveis Irmãos no episcopado, aos sacerdotes, aos diáconos, aos religiosos, às religiosas e a todos os fiéis leigos, especialmente aos jovens e às jovens que, de coração dócil, se põem à escuta da voz de Deus, prontos a acolhê-la com uma adesão generosa e fiel.

Vaticano, 18 de Outubro de 2011.

BENEDICTUS PP XVI

Novo dia no Centro de Dia - atividades em centro de dia





Dor, sofrimento, bem-aventurados

“Bem-aventurados os que sofrem”

Felizes os que sofrem. Ditosos os que têm uma existência mirrada, uma vida carregada de dores. Parece paradoxal. E é-o, certamente, para quem vive sonhando numa felicidade que perdemos, pensam eles, por culpa de um pecado misterioso: o pecado original. E apesar dos progressos técnicos e científicos o Homem sente-se incapaz de descobrir o sedativo eficaz para a dor. Não o conseguiu nem o obterá jamais. O sofrimento, implantado no mundo, pelo próprio Homem, cobre a Humanidade e o Universo com a sua sombra atroz e monstruosa.

E, não obstante, “bem-aventurados os que sofrem”. Porquê?

Porque o sofrimento “não deve ser considerado – diz tomas Merton – como uma necessidade cega, mas como algo que o destino de cada um exige”; não devo considerar as minhas dores como um choque entre a minha vida e o destino. O sofrimento é um dom sacramental de amor que Deus Pai me oferece juntamente com a minha identidade; portanto, posso consagrar essas dores e consagrar-me, eu com elas, a Deus.

Está certo. Mas, quem faz isso? Quem aceita como dádiva de Deus os dias maus? Quem acolhe como oferta divina as agruras da vida? Quem se resigna a levar por amor dos irmãos os achaques do dia-a-dia? Quem, como São Paulo, procura sofrer para “completar o que falta à Paixão de Cristo”? Quem procura viver alegremente o seu sofrimento?

Lé com Cré, gesso-cré, divindades indo-europeias

Lé com Cré

Leite com creme? Ler para crer? Cré com Cré? Por que se chama gesso Cré? Leu-Leu? La está ele léu, léu…léu, léu, quer dizer… lá está ele a falar, por falar, ou a dizer balelas.













Coisas díspares, não diz nada com jeito, com coerência ou “mistura alhos com bugalhos”.

Andar lé com cré pode ser depreciativo, uma amizade de cochicho.

No entanto, pode ser positivo, quando o lé com cré quer significar que há uma boa amizade como a de uma mulher com o marido que sempre juntos passeiam ou andam para todos os lados ou maria com a sua avó.

Na idade média, com o clericalismo muito acentuado começaram a dividir-se as posições dos cristãos e então “leigos com leigos” e clérigo com clérigo que segundo Tuiter de Flavilla simplificando deu “lé com lé” e “clé com clé”.

Não disse lé com cré, só disse disparates.

Na Galiza existe o topónimo cregos dos clérigos segundo Elígio Ribas Quintas sobre a toponímia límica.

Léu é o mesmo que ar segundo alguns dicionários de expressões populares. De facto diz-se de alguém que está nú, aquele que traz tudo ao léu.

Também o léu-léu aparece nos dicionários de expressões populares portuguesas de 1926 de Guilherme Simões. Léu-léu é um fala-barato.

Quanto ao Léu poderá vir de uma divindade celta Lup, Lug, Lugo variante Leu, divindade com centro na cidade de Lugo, por indicação de Joaquim Caridad Arias, in Cultos e Divindades indo-europeias.

O gesso cré é proveniente de uma mistura de gesso com uma substância de carbonato de cálcio artificialmente preparado com cola ou fundo para pintar a óleo porque dá ao gesso uma cor branca e brilhante.

A Dor por Eugénio Zolli in revista Carmelo

Da Revista Carmelo

“O mais belo hino ao Criador surge dum coração despedaçado pela dor”



A dor

Porquê? Para quê?

Que há de maior, mais puro, mais santo, mais humano, e mais divino que a dor? Na dormo0 homem encontra-se com Deus; na dor e no amor, o homem levanta-se para Deus. Na dor e no amor de Deus funde-se com o homem.

No místico livro dos palácios celestiais (Sefer hekhaloth) Deus é chamado “Rei ofendido”. Ele deu tudo ao homem, e o homem ofende-o com pensamentos impuros, com sentimentos e desejos vis, com pecados abomináveis.

E, apesar de tudo, Ele, o Grande Paciente, ama os homens e continua a derramar entre eles os seus bens com liberdade e abundância.

O Senhor é chamado Rei da paz; o Rei a quem pertence a paz. É chamado o “Justo do mundo”; os homens umas vezes são justos, outras injustos. O Senhor, cujo santo Nome seja louvado agora e par sempre é o Justo.

No místico Livro do esplendor (Zôhar), Deus é chamado com o estranho apelido de “o Pobre do mundo”.

“Quando recebes como prenda – diz a Sagrada Escritura – o vestido do pobre, procura retribuir-lho antes do pôr sol; trata-se dum pobre; o vestido que reténs é o único que o pobrezinho possui: com que se cobrirá? “ (No oriente o pobre usa o vestido para se cobrir de noite).

O pobre poder-me-ia suplicar e eu acolheria propício o seu clamor, porque eu sou clemente…

O Senhor é o Pobre do mundo. Espera o dom das nossas preces. Sai o sol, passa a manhã, brilha triunfante o ardente meio-dia, o dia caminha para o seu ocaso, o sol vai esconder-se; escondeu-se… O Senhor, o grande Pobre, espera, espera ainda…

As trevas envolvem a Terra; uma a uma, as estrelas no céu se acendem.

Vão chegando as petições…

O murmúrio dos lábios de cada um, de poucos, muito poucos…

Falam os lábios enquanto o coração se cala…

Quanta tristeza! Quanta dor!...

E a dor que une o homem com o Senhor, põe o Senhor mais perto do homem.

O homem da dor é o Servo de Deus no livro de Isaías.

Está aí, diante de nós…, mudo como um cordeiro…

Apresentou o seu corpo àqueles que o feriam e não cobriu o seu rosto ante os insultos e os escarros…

Ele levava sobre si os nossos sofrimentos…

Ele caía ao peso dos nossos pecados. Nas suas feridas estava o remédio para nós… N’Ele, o senhor castigou as culpas de todos nós…

Ele que jamais usou da violência, que não grita nem faz barulho, que não quebra a cana fendida nem apaga a torcida fumegante foi contado entre os ímpios, enquanto carregava sobre os seus delicados ombros o enorme peso das culpas de tantos…

Bem-aventurados os que sofrem, os dolentes.

Dolente é o Senhor.

Glória ao Dolente.

Seis séculos depois dos Cânticos do Servo de Deus passou por esta terra o “Grande Dolente” cuja vida e paixão, morte e ressurreição encontrou nos Cânticos do Ebed Yahvéh (Servo de Deus) a sua admirável e misteriosa explicação e que por sua vez “revelou aos vindouros toda a profundidade do seu conteúdo”.

O Ebed é a aurora que anuncia a grande Luz de Jesus Cristo.

Na dor e no amor e a personificação mais sublime, mais pura, mais santa da dor e do amor, no grande dolente, o homem desta terra, desta terra miserável e ensanguentada, voltará a encontrar a Deus.

Na dor nascida da caridade, na caridade unida à dor é onde Deus fala.

“Até mim – assim reza o livro de Job – chegou uma furtiva palavra e o meu ouvido captou o seu eco…”.

Ao Senhor seja dado todo o louvor, Glória e para sempre…



Eugénio Zolli