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Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A CASA DOS CATRINOS = OS ARAÚJOS=

                 A CASA DOS CATRINOS
                        = OS ARAÚJOS=

Quem deu grande ser à Casa dos Catrinos foi o Manuel Araújo, carpinteiro, casado com a Maria (Forte), dos “funfuns”, Maria Rodrigues, filha de José Afonso Forte e Maria Rodrigues, também conhecidos pelos cabanos, avós do Alípio Forte.
Eram conhecidos pelos cabanos porque “tinham as orelhas grandes” e à semelhança do boi cabano - cornos baixos e levantados nas pontas, ou o boi pereiro - cornos para o ar. Os “funfuns” foram os primeiros da freguesia a viver mais a sul de S. Simão, onde viviam as capotas, junto dos “Muros”.
Ainda conheci grandes lages de pedra talvez da primeira cabana, (casa mudada da Veiga de S. Simão?).
Os Catrinos aparecem em Mazarefes na Casa que, depois tomou o nome de “Casa do Zé do Monte”, junto à passagem de nível do comboio e que hoje é do bisneto Duarte.
Esta casa era de António Araújo, pedreiro, oriundo de Vila Fria. Donde veio, por isso, a alcunha dos Catrinos, de Vila Fria.
O filho Manuel, como carpinteiro, foi trabalhar para Lisboa, para o restauro da cidade depois do terramoto, deixando naquela casa a mulher, meia dúzia de ovelhas e uma tourinha na corte. Ela dedicava-se à salga de sardinha em casa e a vendê-la a todos os que lá iam comprá-la. Fazia bom negócio, a ponto de, quando o marido veio de Lisboa em visita, já ter comprado uns bois e um carro. Depois do primeiro abraço, à chegada, mostrou-lhe o fruto do seu trabalho e demonstrou-lhe que, se ele foi trabalhar, ela também não ficou parada e fez pela vida.








Gente simples e humilde que vivia do seu trabalho, eram uma família muito unida e todos os Domingos, desde tempos antigos, de tarde, os irmãos se reuniam na casa paterna, chegando esse costume aos nossos dias. Todos tinham de entrar, ao Domingo, na casa onde tinham nascido, ainda que os seus progenitores já fossem falecidos. De gente simples se fez gente muito honrada e de teres e haveres.
Por causa desse costume, os filhos, por exemplo: o Manuel, o José e a Antónia faziam bailes na sala da casa, no tempo da chuva ao Domingo de tarde. O Manuel Araújo, do Cruzeiro tocava concertina, a Antónia e o Zé Araújo, da Regadia, o cunhado e as cunhadas dançavam...Um dia, o senhor abade António Francisco de Matos passou e ouviu os acordes da concertina, os pulos, os ritmos de dança, o bater do tacão e comentou: “lá estão os Catrinos no catruca-catruca, a catrucar na sala”.
Quanto à casa dos capareiros que ficava dentro do mesmo quintal e era conhecida pela “casinha” até 1985, por ser casa pequena onde moraram os capareiros hoje está reduzida pela casa nova que a Maria do Céu e o marido implantaram naquele terreno.
Esta casa dos Capareiros tinha sido comprada pelo Manuel Araújo, pai de três filhos. O canto do lado poente confinava com o Abade Matos que, para aumentar o seu património, pediu ao Manuel Araújo que lho vendesse, mas a resposta ao Abade Matos foi negativa e bastante irreverente.
Voltando às origens, António Araújo casou com Maria Rodrigues em 1781 e foi pai de 8 filhos, a saber: o António, o Manuel, a Maria, a Teresa, a Joana, o Francisco, a Rosa e a Luísa.
A Luísa casou com o primo José. O José era filho de Manuel Araújo e Catarina A. Peixoto (de Vila Fria). Foi o José, filho deste casal, que casou com a prima Luísa e foi pai de 3 filhos, a saber: o Manuel (1831), o António (1835) e a Rosa (1837), falecida a 1840.
O Manuel Araújo casou com Maria Rodrigues, filha de José Afonso Forte e de Maria Rodrigues, e foram o José e a Maria, pais de 4 filhos: o Manuel (1879), a Maria (1882), o José (1885) e a Antónia (1877).


Esta Antónia casou com José Rodrigues de Araújo Amorim, da casa do monte, depois, Casa das Claras, e foi mãe da Maria, José, Domingos e Deolinda. O Domingos morreu queimado na lareira no dia de Páscoa, ao meio dia, quando a mãe preparava a sala da casa para receber o compasso pascal. Curiosamente uma sobrinha neta ficou, em dia de Páscoa, à noite, na mesma cozinha sem uma mão. O José casou para Vila Fria com Conceição Lima, de Anha e sobrinha do tio José do Couto e, deste casamento, houve 5 homens (o Manuel Artur, solteiro; o Joaquim casado em Anha e pai de duas filhas; o José, solteiro; o Martinho casado em Melgaço e pai de um casal de filhos e o Agostinho casado na Meadela e pai de duas filhas).
A Conceição morreu cedo, de doença cancerosa e o José voltou a casar com Alice das Marinhas de quem teve duas filhas: a Renata casada e mãe de 4 filhos e a Sandra mãe de uma filha.

A Maria casou com Artur Augusto Matos, de Vila Franca, familiar do Pe. João Matos de Vila Franca, e não tiveram filhos.
A Deolinda casou com Manuel Ribeiro Coutinho, da Casa dos Brasileiros e é mãe de Artur, Abel e da Maria do Céu. O Artur é padre; o Abel casou com uma prima de Mons. Sebastião Pires Ferreira, de nome Joana Isabel Pires Lourenço, e tem duas filhas (Ana Filipa e Alexandra Maria); a Maria do Céu casou com o primo José Rodrigues Gonçalves Barreto, da Regadia. Deste casamento nasceram dois filhos, o José Jorge e o Duarte.
O Manuel casou com uma cordoeira, Rosa Coutinho e foi viver para o cruzeiro para uma casa pequenina e velha que restaurou em extensão e altura, ao lado duma do cunhado José Coutinho casado com a Deolinda Coutinho, prima, filha do Alexandre.
Foi pai de José casado na Argentina com Helena de quem tem o filho Sérgio;
de Manuel faleceu solteiro e deixou uma filha,
e de Maria casada com Francisco Coutinho de Carvalho, primo, ambos já falecidos, deixaram: a Fernanda, o Avelino, o António, a Sara todos casados e com geração e ainda o filho Manuel casado, mas sem geração, assim como houve deste matrimónio mais a filha Elisabete que faleceu criança. Essa casa foi conhecida pela “casa dos catrinos do cruzeiro”, onde vive a neta Sara.


O José casou com Maria Rodrigues Leite Vaz, oriunda da casa dos brasileiros e foi pai de Conceição que casou tarde com Manuel Coutinho, oriundo da casa dos cordoeiros de cima e não deixaram geração; do Manuel casado com Rosa Rodrigues Coutinho e pai de Artur Claudino, casado nas Neves e pai de uma filha; Abel casado com Fátima Esteves Pinto e pai de um filho a viver em França; A Maria da Conceição casada em Mazarefes e mãe de um casal de filhos; o José casado em Castelo do Neiva e pai de 4 filhos; o Manuel casado com Rosa Coutinho e pai de um casal de filhos e ainda de Maria Olívia que faleceu.
A casa foi conhecida pela casada catrinos da Regadia, onde habita a nora e a neta Maria da Conceição.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

CONSELHO PAROQUIAL DE PASTORAL

Conforme consta na acta nº 10, folha 15 e 16, de 30/09/1989, na Eucaristia das 18.15h tomaram posse os membros do novo Conselho Paroquial da Pastoral perante a assembleia dominical, no final, na sacristia, se lavrou a acta e foi assinada por :



José Crispim Araújo da Silva
José Henrique Fernandes Borja Serafim
Maria dos Anjos Parente Lopes
Maria Henriqueta Sá Lopes Alves Santos
Manuel da Costa Cerqueira
Maria Cândida Marques Ferreira de Araújo
Camilo Correia
Manuel Aires Veiga de Oliveira
Fernando Meixedo Rodrigues Amado
Saul Gigante de Carvalho
Luís Pinto Sobreiro
Rosa  Amélia Morais Arriscado Rodrigues
Rosa Fernandes Parente
Maria Piedade Gonçalves
Joaquim Martins Gomes
João Carlos Carvalhido Salgado
António Machado de Castro
João Baptista Fernandes Rodrigues
Paula Cristina dos Santos Cunha
Manuel António Vila
Maria Cristina Gonzalez Tristón
João Manuel Fernandes Rodrigues
José Mendes Rodrigues Machado
José Alberto Martins Ferreira da Silva

José Pimenta Simões

domingo, 12 de fevereiro de 2017

RITUAIS DO ENTRUDO - CARNAVAL

RITUAIS DO ENTRUDO - CARNAVAL
O ENTERRO DO PAI VELHO, DANÇA DOS CARPINTEIROS E MECADAS
José Rodrigues Lima
A festa cíclica do Carnaval está presente no meio rural e urbano. Porém, é nas comunidades tradicionais que o encontramos mais genuíno, projectando-nos na ancestralidade, na memória colectiva e no inconsciente cultural.
O Entrudo é festa da abundância: “Ruge o pote e o prato”; “Haja vinho na caneca e porco na salgadeira”; “O Entrudo é comilão, se queres saber ao certo dá-me carne, vinho e pão”; “Alegria, alegrote, que está o rabo de porco no pote”.
Ainda se houve: “No Carnaval ninguém leva a mal”.
Os festejos variados encerram rituais cósmicos, de inversão, de ostentação e fertilidade.

REGENERAR O MUNDO
No dizer de Roger Caillois, a festa pretende restaurar o caos primordial, reactualizar as cosmogonias, teatralizando e mimando os gestos dos deuses e antepassados, porque o tempo mítico da desordem é um tempo criador, e necessariamente será também renovador do cosmos envelhecido. “A festa é assim celebrada no espaço-tempo do mito e assume a função de regenerar o mundo”.
As teses referentes à origem do Carnaval podem-se sintetizar em quatro: vegetalista, celta, greco-romana e medievalista.
As origens do Carnaval, perdem-se no tempo profundo da pré-história e, na naturalmente, nem todos os antropólogo aceitam as teses existentes (cf. COCHO):

VEGETALISTA
O Antropólogo irlandês J. Georges Frazer e o seu contemporâneo alemão Mannhardt estão de acordo, constituindo o que poderia denominar-se de “escola vegetalista”.
Em s´stese, Frazer sustenta que os ritos do Carnaval não são mais do que versões endoculturadas de outros ritos comuns a todos os povos primitivos pré-históricos e que estavam vocacionados a favorecer o renascimento vegetal, a fertilidade da terra e das mulheres quando chegava a Primavera.
Fazer e seus discípulos argumentam que este tipo de festas foram comuns a todos os “povos primitivos” e chegaram em forma de sobrevivência através dos “povos históricos”, de modo especial inserido nas festividades Saturnais, comemoradas pelos romanos.
A representação do enterro, ou queima do Carnaval, é mais uma forma de introduzir a morte e a ressurreição do espirito de vegetação.
A esta tese vegetalista, sobre a origem do Carnaval, apoiam-se, por exemplo, o antropólogo galego Fermim Bouza Brey e o próprio Risco. Aliás, Caro Baroja afirma que o Carnaval “queira-se ou não, é um filho, embora pródigo, do cristianismo”. Este antropólogo também disse que o Carnaval é uma festa em que se sintetizam e juntam muitos interesses, e rejeitou a teoria de que o Carnaval é uma sobrevivência dos ritos animistas ancestrais.

CELTA
A tese celta leva-nos a registar alguns dados. Assim, E.Powell sublinha que os celtas acreditam em poderes mágicos que envolviam todos os aspetos da vida e do ambiente. O ano celta achava-se, certamente, dividido em duas estações, quente e fria, sendo os períodos de transição marcados por quatro festas: Samain, Beltaine, Lugnasad e Imbolc.
No início da estação clara, Beltain, celebra-se a festa do deus Lug. Era a data das grandes assembleias druidas, em que se faziam fogueiras cerimonias.
No inicio de Fevereiro tinha a festa da purificação do fim do Inverno, IMBOLC.
Antigamente explicavam-na como sendo o começo da lactação das ovelhas. A festividade foi substituída pela festa cristã de Santa Brígida, seguida pela Festa das Candeias, como explica E. Powell, H. Hubert, F. le Roux e J. Guyonvarch.
O investigador C. Gaignebet, autor do livro “Le Carnaval. Esais de mytologie populaire” (1974), sustenta:
“Há pois motivos para perguntar por que um conjunto de ritos indoeuropeis, as purificações de raxão especial, no ínicio de Fevereiro, se conserva porventura inserido na festa celta, especialmente Imbolc”.
Sem pretendermos fazer doutrina, não será que nos rituais do Carnaval, e mesmo nas comemorações do Enterro do Pai Velho, se conjugam reminiscências ancestrais dos Celtas? É de referir que no Lindoso há bastantes marcas celtas.
Aliás, seria aprofundar o bestiário místico da quadra carnavalesca, em que figuram o urso, o boi, a vaca, o porco, o galo e outros animais, uns considerados puros e outros impuros.
Segundo alguns autores, a palavra Carnaval procede do termo “carnavale”, e este, de expressão latina “carnem lavare” (adeus carnaval), que significa retirar a carne, numa alusão ao caracter introdutório da quaresma cristã que se avizinha.
Caro Baroja introduz esta argumentação na tese sobre a origem do Carnaval Medieval. Ele mesmo demostrou a existência documental deste termo em Espanha, no século XV, concretamente no Dicionário Nebrija.

GRECO-ROMANA
É interessante fazer uma alusão às festividades greco-romanas, em honra de Dionísio, às Saturnais e Lupercais, festas de grande interesse para o estudo dos antecedentes do Carnaval.
Durante as Saturnais, os escravos e patrões trocavam e invertiam os seus papeis. A habitual ordem social sofria uma brusca convulsão, praticando-se uma infinidade de jogos; o centro de ensino e os tribunais paralisava, A atividade comercial detinha-se e os cidadãos trocavam presentes.
Organizavam-se ceias com grande consumo de vinhos. O excesso generaliza-se com orgias proibidas ao longo do ano. A distinção entre classes livres e servis estava abolida temporariamente. Nesses dias, era eleito o “Rei da Farsa”, cuja reminiscência hoje pode ser encontrada no rei do Carnaval, efígies e nos bonecos do Entrudo que acabam sendo enterrados e queimados, acompanhados por testemunhas, lamentos ou vindictas.
A modos de conclusão, podemos dizer que a festa carnavalesca com o sentido burlesco e paródico, é própria do estilo celebrações lúdicas da Idade Média, etapa da história, na que se configura como contraponto festivo aos rigores que vão vigorar na quaresma cristã. Paródia, alegria, igualdade social, álcool, regabofe, e toda a forma de excesso são elementos carnavais.
Porém, não se pode negar que determinados elementos pagão, próprios do começo da Primavera, e como a finalidade de estimular a fecundidade, não estejam incluídos nos carnavais rurais mais antigos.
O conjunto de ritos que se entrelaçam nas festividades carnavalescas, segundo o antropólogo Joan Prat, “podem ser sintetizados em cósmicos, de inversão, de ostentação e fertilidade, reafirmado a identificação coletiva”.
Para além das teses referidas, devemos acrescentar “a celta”, relembrando a festa “IMBOLC”.

MEDIEVALISTA
Os antropólogos Van Gennep, V. Risco, Bajtin e outros, defendem que o Carnaval é uma manifestação que se estrutura ao longo de uma etapa medieval da história da civilização ocidental, conforme o contexto social, politico e religioso, que decorre entre os seculos V e XV. Alias, como já afirmamos, Caro Baroja corrobora esta opinião.
Precisamente a partir do século IV começa a divulgar-se o mundo cristão o tempo litúrgico da Quaresma preparando a Pascoa, mediante a penitência e a frugalidade gastronómica e sexual. O citado antropólogo, grande autoridade nesta temática, reforça, o seu pensamento, afirmando que nos festejos carnavalescos, estudados na generalidade, e dentro do ciclo europeu, “encontram-se todos precedentes pré-históricos, pagãos e antigos, que queiram”. Porem, parece indiscutível que, como tal, O carnaval consolidou a Idade Média, debaixo da influência cristã. Esta doutrina é, aliás, confirmada pelo russo, Mijail Batjin, defendendo “que o Carnaval era, por excelência, a expressão mais sublime e espetacular dessa cultura grotesca e irreverente, que caracteriza a Idade Média”.
Ainda segundo Bajtin, “o Carnaval é a segunda vida do povo, baseada no principio do humor”.
Retomando o pensamento de Caro Baroja, diríamos que o Carnaval e uma festa de grande significação, muito para além de uma sobrevivência da adaptação de uma crença pagã. È muito mais, é quase a representação do paganismo frente ao cristianismo”. 

















Existem indicadores que convidam a encarar o carnaval moderno como uma espécie de “eco moribundo” das festas antigas do tempo das Saturnais.
O grande antropólogo Caro Baroja, autor do livro “El Carnaval”, verdadeira bíblia deste ciclo festivo, escreveu que “quando o homem acreditou de uma forma ou de outra que a sua vida estava submetida a formas sobrenaturais surgiu o Carnaval”. O mesmo investigador afirma que “o Carnaval merece respeito”, estudo e análise, não só como fonte de grandes criações plásticas, sendo de mencionar Brueghel e Goya, mas também musicais, recordando Schuman, Berlioz e Paganini.
É de referenciar a obra “Festas de loucos e carnavais” de Jacques Heers.


O ENTERRO DO PAI VELHO
O Carnaval é uma festa de todos, dos simples e dos pobres.
Uma boa oportunidade para os sisudos se extroverterem e para os grupos realizarem uma “catarse colectiva”, esquecendo o quotidiano que esmaga para reinar a alegria, com “rituais cósmicos, de inversão, ostentação e fertilidade”, reafirmando a identidade colectiva, conforme o antropólogo Joan Prat.
As festividades carnavalescas no Lindoso, aldeia do concelho da Ponte da Barca, celebrizada pela sua história e respectiva barragem premiada, revestem-se de particularidades, que lhes concedem características do Carnaval da tradição portuguesa.
         Os octogenários, eles e elas, são pontos de referência obrigatória, para ajuizar se tudo está a ser preparado conforme a tradição. Existe uma sabedoria estratégica que passa pela escolha dos carros de tracção animal, do gado, pelo jogo das campainhas, pelos jugos, pelos enfeites, pelas cantigas, pelos tocadores de concertina, pelo horário dos cortejos, pelo trajecto definido, pelos bailes, pelas dádivas comestíveis durante os desfiles, pelos "barredouros", pelos disfarces, pela choradeira na queima do Pai Velho, pelo testamento onde constam as ofertas do falecido, pelas referências de índole social e pela ocultação da escultura simbólica, como autêntico "churinga" de povos australianos.
         As festividades do Enterro do Pai Velho, que "apesar de não ter festeiros, sempre tem festa", são consideradas as mais típicas da povoação, e podemos dizer, únicas no norte do país.
         Trata-se de uma vivência ancestral, que contribui expressivamente para a "coesão social da aldeia", e para revigorar a identidade colectiva de uma povoação histórica e tradicional, que mantém vivências comunitárias.
         O cortejo, para além de outros elementos, é constituído por carros adornados, "simbólicos e chiadouros", puxados pelo melhor gado da aldeia, belamente engalanado, sendo um deles o do "Pai Velho", e o outro o "Carro das Ervas".
         O largo junto do Castelo do Lindoso, mesmo ao lado do conjunto dos espigueiros e a eira comum, é o espaço privilegiado onde se desenrolam as importantes cerimónias anuais de transição, do ciclo do Inverno, frio e estéril, para o ciclo da Primavera, mais quente e fértil, e que fazem parte do "inconsciente colectivo".
         Se pretendermos estabelecer uma rota dos cerimoniais carnavalescos, para além do Enterro do Pai Velho, teríamos que participar, também, na Dança dos Carpinteiros, na freguesia de Gandra, e nas Mecadas de Verdoejo, do concelho de Valença.
         Esta trilogia constitui o Entrudo do Alto-Minho.


A FOGUEIRA SIMBÓLICA
O grande investigador e filósofo das religiões J.Frazer, na sua notável obra “ RAMA DOURADA”, dedica um capítulo aos festivais ígneos. Afirma que em quase toda a Europa “a crença que o fogo promove o crescimento dos meses, o bem-estar dos homens e dos animais, quer estimulando-os positivamente quer evitando os perigos e as calamidades”.
Refere que os celtas tinham festivais ígneos, queimando imagens cobertas de ervas, no meio das quais os druidas encerravam vítimas.
W.Mannhart  interpreta o costume de queimar as vítimas como uma cerimónia mágica com a intenção de assegurar a luz solar suficiente para as colheitas, levando-nos a concluir a importância agrária destes rituais.
È de sublinhar a grande festa “Beltaine, (fogo de Bel),no primeiro de Maio, em honra do Deus Lug, sob aparência da luz. Era a data das assembleias druidas, em que se faziam grandes fogueiras cerimoniais.
Parece-nos que a grande fogueira que no Lindoso queima o corpo empalhado do Pai Velho, os enfeites e as ervas, tem um fundo celta.
Aliás, é de acrescentar que inúmeros ritos de purificação pelo fogo, geralmente ritos de passagem, são característicos das comunidades agrárias, e simbolizam os incêndios dos campos que se adornam , depois, com um manto verde da natureza viva, de acordo com J.Chevalier.
O fogo é, acima de tudo, o motor de regeneração e simboliza a acção fecundante.
O Padre António Vieira salienta nos “ Sermões” que “o maior”, o mais nobre e o mais nobre escondido tesouro do universo é o quarto elemento, o fogo.
É crença popular que o fogo e fumo têm a virtude de purificar os campos e os animais, e livrar os homens da influência dos maus espíritos.

A PALAVRA ENTRUDO
É oportuno referir que o Concílio de Benevento no século XI, fixou a Quarta-feira de Cinzas como limite para as festas de Carnaval.
Assim, a palavra Carnaval da expressão latina “carne vale”, que significa retirar a carne, numa alusão ao caracter introdutório da quaresma cristã que se avizinha.
A palavra entrudo deriva do latim “introitus” que significa entrada no período de contenção que é a designada quaresma cristã.
Ainda nos tempos de hoje se ouve dizer: Parece um entrudo, comentário quando uma pessoa é gorda; ou então parece uma quaresma, sublinhando uma pessoa que é magra.
Um entrudo também o pode ser uma pessoa vestida com roupa velha ou desajeitada.
Da etnografia do final do período do entrudo, e de transição para o tempo quaresmal, registamos: “Adeus entrudo, /Adeus meu entrudinho; / Até ao domingo de Páscoa, /Não comerei mais toucinho.”

José Rodrigues Lima
93 85 83 275


Bibliografia
BAROJA, Caro – El Carnaval, Madrid, Ed Taurus, 1983
COCHO, Frederico – O Carnaval em Galicia, Vigo, Edições Xerais, 1995.
FERRO, X R. Marino – “O Entroide ou Praceres da Carne”, “ Coruna, Edições do Castro, 2000.
HEERS, Jacques – Carnaval y Fiestas de Locos, Barcelona Edições Peninsula, 1988
VEIGA DE OLIVEIRA – Festividades cíclicas em Portugal, Lisboa. Publicações Dom Quixote, 1984.
IZQUIERDO, Paulino – Los origens de el carnaval, Ourense, Sociedade Cultural Albor, 1985.


ACOLHIMENTO NA COMUNIDADE PAROQUIAL

Paróquia de Nª Senhora de Fátima
Igreja Sagrada Família
Sessão 28 de Janeiro 2017
Horário – 9.30H às 11.30H

TEMA: ACOLHIMENTO NA COMUNIDADE PAROQUIAL

1 - A– Citações Bíblicas

“Acolhei-vos uns aos outros como Cristo vos acolheu para a glória do Pai” (Rom. 15,7)
“Quem acolher este menino em meu nome, é a mim que acolhe, e quem me acolher a mim, acolhe aquele que me enviou” (Lc. 9, 48-50)
“Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou” (Mat, 10,40)

1B – Casos de acolhimento – Exemplos
1-        Em Londres – Catedral
2-       Numa cidade – América Latina
3-        Emigrante em França - Paris

“Olha que eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo” (Apo)

2- Pastoral do Acolhimento

São inúmeras as passagens bíblicas que mostram a importância da acolhida. São Paulo, na Carta aos Romanos (15,7), recomenda: “acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu para a glória do Pai”. Jesus escolheu e acolheu os apóstolos e discípulos para que seus propósitos se concretizassem (cf. Mt 10,1-8). Acolheu, sem discriminação ou preconceito, pessoas tidas como pecadoras, como por exemplo, cobradores de impostos (Mt 9,9-13), prostitutas (Lc 7,36-50), leprosos (Lc 17, 11-19; Mc 1,40-42) e outros tipos de doentes ou de pessoas consideradas impuras (Mc 6, 55-56). O Documento de Aparecida (DA, nn. 353-357) explica a ação de Jesus, destacando a acolhida como um serviço fundamental na Igreja. Mostra que a acolhida feita por Jesus é um gesto de amor e que só quem ama acolhe aqueles que são vítimas do desamor. A acolhida provoca transformações mútuas. Ao acolhermos, somos simultaneamente, acolhidos e essa reciprocidade é transformadora, provocadora de situações que geram outros gestos de amor.
Mas, afinal, o que é a Pastoral da Acolhida? É a Pastoral que acolhe as pessoas na comunidade paroquial. Acolher significa oferecer refúgio, proteção ou conforto. É mostrar com gestos e palavras, que a comunidade paroquial é o espaço onde se pode encontrar essa segurança. Demonstrar, na prática, como sugere Zygmunt Bauman, que “a comunidade é um lugar ‘cálido’, um lugar confortável e aconchegante”. Quando se é bem acolhido na comunidade, ela passa a representar, segundo Bauman, esse “teto sob o qual nos abrigamos da chuva pesada, como uma lareira diante da qual esquentamos as mãos num dia gelado”. Toda essa imagem figurada de segurança torna-se real na comunidade quando se é bem acolhido, porque acolher é também dar abrigo, amparar, dar ou receber hospitalidade, ter ou receber alguém junto de si. Assim sendo, a Pastoral da Acolhida vai muito além de recepcionar na porta da Igreja. Ela envolve uma rede de relacionamentos que dá sustentação e perseverança nas ações desenvolvidas na comunidade. Por isso ela deve ser permanente, continua e estar em todos os níveis e dimensões pastorais da paróquia.
Recepcionar bem na porta da igreja na hora da missa é muito importante e, talvez, seja o primeiro passo, mas a Pastoral da Acolhida não pode se limitar a essa ação. Já imaginou o que aconteceria se você desse uma bonita festa, acolhendo bem os convidados quando chegassem, mas, uma vez dentro dela, começasse a maltratá-los ou ignorá-los? Eles logo abandonariam a festa e nunca mais aceitariam seu convite. A mesma coisa ocorre na comunidade. Receber bem os que chegam para a celebração é de suma importância, mas, depois disso, vem a parte mais desafiadora da Pastoral da Acolhida: fazer com que as pessoas, que simpaticamente recebemos, continuem sendo alvo da nossa atenção e simpatia. Isso nem sempre é fácil, porque a comunidade é também lugar de conflitos e contendas. Só com o amor e o respeito humano as nossas diferenças e limitações são capazes de superar as fases mais desgastantes dos relacionamentos que ocorrem no dia-a-dia da comunidade paroquial.
Acolher é também receber o outro como ele é, admiti-lo no espaço que já estamos e permitir que se sinta à vontade. Se hoje estamos na comunidade desenvolvendo algum tipo de atividade, é porque um dia alguém também nos acolheu. Acolher é, portanto, aceitar, deixar que o outro venha fazer parte da nossa comunidade e não ver nele um concorrente, mas, sim, um colaborador, alguém que vem para somar. É também dar credito àquele que chega, levar em consideração que, se procurou a comunidade ou essa ou aquela Pastoral, é porque quer colaborar, oferecer algo de si; então, nossa missão como cristão é acolher da melhor forma possível.

3-Vida Quotidiana

A atitude de “acolhimento” está presente na nossa vida quotidiana.
Acolher alguém da família que chega a casa; acolher os amigos; acolher um vizinho; acolhemos quem nos traz uma mensagem; acolhemos aquele que bate à porta solicitando ajuda; acolhemos o funcionário dum serviço; acolhemos quem nos traz “ o correio”; acolhemos o conhecido e o desconhecido- “os pobres” acolhemos de quem sabemos o nome e ajudamos o estrangeiro, refugiados…
No Alto-Minho escutamos a frase:  “A porta está aberta e a mesa posta” manifestando a hospitalidade.
E ainda: “Não se recebe ninguém fora da porta; manda-se entrar”.
Pois na comunidade paroquial “O ACOLHIMENTO DEVE SER UMA REALIDADE VIVA” pois fazem parte da Família de Deus.
A mobilidade social hoje está facilitada e por vezes participam nas celebrações de modo especial, na EUCARISTIA, cristãos de outras comunidades.

O acolhimento é importante para todos pois é uma atitude evangélica: “Quem me recebe a mim recebe”
A missão do que pratica o acolhimento é ser autentico “ministério” ao serviço da comunidade paroquial.
Acolhamo-los a todos…



4-       Aprofundar as palavras (conceitos)
4.1 – Acolhimento
4.2 - Hospitalidade
4.3 -Convite
4.4 -Receber bem
4.5 -Empatia
4.6 -Ser simples
4.7- Aperfeiçoar a comunicação
4.8-Ter  iniciativa
4.9 –Saber ouvir
4.10 –Ajudar

       5- Prática no Acolhimento
5.1- Olhar com estima (sorriso)
5.2 – Cumprimentar (Bom dia ou Boa tarde)
5.3- Tratar a pessoa pelo nome
5.4 – Saudar Bem-Vindos
5.5 – Escutar – saber ouvir
5.6 – Dialogar
5.7 – Fornecer informação
5.8 – Acompanhar
5.9 – Ter perspicácia psicológica
5.10 – Disponibilidade (precisa de alguma criatividade)
5.11 – No final concretizar a despedida desejando boa semana e esperando encontrá-los na próxima celebração
5.12  -  Agradecer a presença na comunidade.
5.13– Sugerir próximas celebrações, horários, acontecimentos etc.

6-Sugestões gerais para a prática deste ministério do Acolhimento

Atribuições e requisitos: As atribuições e requisitos propostos pela Escola de Ministérios da Arquidiocese – EMAR, para os Ministros da Acolhida, nos levam para a prática do Ministério:1 - “Integrar a Equipe de Liturgia da comunidade, preparando em  conjunto as celebrações, com a responsabilidade específica de acolher as pessoas e favorecer um clima de bem-estar nas celebrações”.2 – Estar  atento para descobrir, acolher e integrar na comunidade os novos moradores e os visitantes.3 – Estar atento às despedidas de paroquianos que forem morar em outra paróquia/cidade.4 – Promover na comunidade um clima familiar de acolhida.5 – Formar na comunidade a Equipe de Pastoral da Acolhida.6 – Ter espírito ecumênico e de diálogo religioso”. 2. Características do Ministro da Acolhida: A esta altura, já se deve ter percebido a diferença entre o “recepcionista” e o Ministro da Acolhida. O primeiro pode até cumprir uma função, o segundo deve exercer uma missão, uma vocação de caráter permanente e necessário para a comunidade. Nesse sentido, são importantes algumas características do Ministro como servidor do Povo de Deus e, portanto como construtor do Reino de Deus; dar razões e testemunho da própria esperança e da própria fé; manifestar vibração pela pessoa de Jesus, pela causa do Reino e pela vida da Igreja; ter profunda caridade apostólica, feita de atenção, ternura, compaixão e disponibilidade para com os irmãos e irmãs; ter tolerância e respeito pelas ideias diferentes das outras pessoas;  alegrar-se com quem se alegra, sofrer com quem sofre; amar os pobres como os preferidos de Deus; valorizar as pessoas em sua individualidade (nome, necessidades, situação...); ser cordial e hospitaleiro; não fazer distinção de pessoas (Tg 2, 1-4), pois todos somos iguais e irmãos em Cristo (Gal 3, 28); receber cada irmão e irmã como se recebesse o próprio Jesus (Mt 25, 35); acolher as pessoas como se fosse o próprio Jesus que estivesse acolhendo alguém (Mc 1, 29-34; Lc 19; 1-10; 18, 15-17; 24, 13-35; Jo 4; Rm 15, 7); seguir o exemplo da Virgem Maria, que acolheu em si a palavra do próprio Deus (Lc 1, 38); imitar as irmãs Marta e Maria, que receberam Jesus em sua casa (Lc 10, 38-39); ir em busca da ovelha desgarrada, da moeda perdida e do filho pródigo (Lc 15, 1-32).3.Testemunhos de Ministros da Acolhida: Os próprios Ministros da Acolhida sentem necessidade de espiritualidade e assim se manifestam: “ Nós, os Ministros da Acolhida, precisamos cultivar uma espiritualidade muito forte para exercer bem o nosso ministério. Por isso precisamos iluminar a nossa vida com a Palavra de Deus, buscar em Jesus o exemplo inspirador e deixar-nos guiar pelo Espírito Santo, sempre em comunhão com a Igreja”.“Quando acolhemos alguém, estamos vivendo nossa fé que nos leva a ver um irmão naquele que acolhemos e a ver Jesus que vem nele”. “Além disso sabemos que o nosso coração tem muita força nesse assunto de acolhida pois acolher  - é receber as pessoas com  um movimento afetivo para com elas – a fim de fazer que possam sentir-se bem na comunidade”.


Final- “Onde dois ou três se reunirem em meu nome, EU estarei no meio deles (Mat 18)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A s f o s s a s




A s   f o s s a s


As fossas, primeiramente são uma espécie de animais carnívoros, mas também há as fossas nasais, isto é do nariz.
Deram o nome de fossa a uma abertura na terra onde eram sepultados os animais, os humanos em grande número frutos de guerras ou epidemias, também a tanques metidos na terra com pedras no fundo e em toda a volta em tipo quadrado ou rectangular com uma profundidade mais ou menos de 80 centímetros, onde eram lançados os dejectos humanos e as águas residuais das cozinhas e das lavagens que seriam depois aproveitadas para adubos quer nas aldeias, quer nas cidades. Antes de existirem as retretes nas casas, as pessoas acorriam a um recipiente onde através dos bacios da noite, os conhecidos popularmente por penicos e depois iam levá-los e descarregá-los pela manhã num cântaro ou num recipiente maior até levarem os seus conteúdos para os campos. Nestes tipos de fossa as larvas multiplicavam e outras bactérias que favoreciam a mistura num adubo natural e bom.



Em algumas aldeias onde houvesse muitos trabalhadores de serviços e não agricultores levavam os recipientes com os dejectos para uma fossa comum onde os agricultores iam buscar água da fossa com canecos ou cântaros de barro e estrume (restos da grande fossa) para adobar naturalmente os campos ou os canteiros das cebolas ou cebolinhos que eram plantas que se davam bem com este tipo de adubo. Nesta foto vê-se o tronco de uma videira que cobria uma ramada com cerca de 100m2 e um tronco com cerca de 0,45 cm de diâmetro e 141,4 cm de perímetro. Esta videira tinha perto de si uma grande fossa.




Esta videira está a aproximar-se do fim da vida, mas calcula-se que possa ter mais de trezentos anos. Ainda tem dado frutos, mas está muito envelhecida e nota-se isso quando se bate com a mão no tronco que toca a oco.

Depois apareceram as fossas sépticas e agora toda a gente devia ter direito a um saneamento. Uns têm, outros não e contentam-se ainda com fossas sépticas.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A realidade e os desafios da família” – 2ª Sessão

Paróquia de Nossa Senhora de Fátima - Ano Pastoral 2016-2017
A Família Amor e Vida”
Formação-Tema: A realidade e os desafios da família” – 2ª Sessão
Local: Igreja da Sagrada Família (Abelheira) – Dia 12 de Novembro às 15H
Relator: José Rodrigues Lima


1 – Objectivos:
1.1   Acreditar que a família é fonte de Amor e Vida;
1.2   Aprofundar a relação matrimonial
1.3   Anunciar o Evangelho da família
1.4   Reconhecer o bem da família como decisivo para o futuro do mundo
1.5   Analisar as dificuldades e desafios actuais das famílias
1.6   Praticar as três palavras na vida familiar: com licença,obrigado e desculpa

2         – Texto Bíblico
“Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento” (carta aos Efésios, 4,26)

3.1 A situação atual da família
«Fiéis ao ensinamento de Cristo, olhamos a realidade actual da família em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras. (...) Hoje, a mudança antropológico-cultural influencia todos os aspectos da vida e requer uma abordagem analítica e diversificada ». Já no contexto de várias décadas atrás, os bispos da Espanha reconheciam uma realidade doméstica com mais espaços de liberdade, « com uma distribuição equitativa de encargos, responsabilidades e tarefas (...). Valorizando mais a comunicação pessoal entre os esposos, contribui-se para humanizar toda a vida familiar. (...) Nem a sociedade em que vivemos nem aquela para onde caminhamos permitem a sobrevivência indiscriminada de formas e modelos do passado».10 Mas « estamos conscientes da direcção que vão tomando as mudanças antropológico-culturais, em razão das quais os indivíduos são menos apoiados do que no passado pelas estruturas sociais na sua vida afectiva e familiar».
33. Por outro lado, «há que considerar o crescente perigo representado por um individualismo exagerado que desvirtua os laços familiares e acaba por considerar cada componente da família como uma ilha, fazendo prevalecer, em certos casos, a ideia dum sujeito que se constrói segundo os seus próprios desejos assumidos com carácter absoluto».12 «As tensões causadas por uma cultura individualista exagerada da posse e fruição geram no seio das famílias dinâmicas de impaciência e agressividade ».13 Gostaria de acrescentar o ritmo da vida actual, o stresse, a organização social e laboral, porque são factores culturais que colocam em risco a possibilidade de opções permanentes.  (A Alegria do Amor) – Papa Francisco
3.2 Costumes Inaceitáveis
Neste relance sobre a realidade, desejo salientar que, apesar das melhorias notáveis registadas no reconhecimento dos direitos da mulher e na sua participação no espaço público, ainda há muito que avançar nalguns países. Não se acabou ainda de erradicar costumes inaceitáveis; destaco a violência vergonhosa que, às vezes, se exerce sobre as mulheres, os maus-tratos familiares e várias formas de escravidão, que não constituem um sinal de força masculina, mas uma covarde degradação. A violência verbal, física e sexual, perpetrada contra as mulheres nalguns casais, contradiz a própria natureza da união conjugal. Penso na grave mutilação genital da mulher nalgumas culturas, mas também na desigualdade de acesso a postos de trabalho dignos e aos lugares onde as decisões são tomadas. A história carrega os vestígios dos excessos das culturas patriarcais, onde a mulher era considerada um ser de segunda classe, mas recordemos também o « aluguer de ventres» ou « a instrumentalização e comercialização do corpo feminino na cultura mediática contemporânea » ( A Alegria do Amor) Papa Francisco
4 – Três Palavras Fundamentais
Vejamos: a primeira palavra é «com licença». Quando nos preocupamos em pedir gentilmente até aquilo que talvez julguemos que podemos pretender, construímos um verdadeiro baluarte para o espírito da convivência matrimonial e familiar. Entrar na vida do outro, mesmo quando faz parte da nossa existência, exige a delicadeza de uma atitude não invasiva, que renova a confiança e o respeito. Em síntese, a confidência não autoriza a presumir tudo. E quanto mais íntimo e profundo for o amor, tanto mais exigirá o respeito pela liberdade e a capacidade de esperar que o outro abra a porta do seu coração. A este propósito, recordemos aquela palavra de Jesus no livro do Apocalipse: «Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei na sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo» (3, 20). Até o Senhor pede licença para entrar! Não o esqueçamos! Antes de fazer algo em família: «Com licença, posso fazer isto? Queres que eu faça assim?». Uma linguagem bem educada, mas cheia de amor. E isto faz bem às famílias.
A segunda palavra é «obrigado». Certas vezes pensamos espontaneamente que estamos a tornar-nos uma civilização malcriada, de palavrões, como se eles fossem um sinal de emancipação. Ouvimo-las com frequência, inclusive publicamente. A gentileza e a capacidade de agradecer são vistas como um sinal de debilidade, e às vezes até chegam a suscitar desconfiança. Esta tendência deve ser evitada no próprio coração da família. Devemos tornar-nos intransigentes sobre a educação para a gratidão e o reconhecimento: a dignidade da pessoa e a justiça social passam ambas por aqui. Se a vida familiar ignorar este estilo, também a vida social o perderá. Além disso, para o crente a gratidão encontra-se no próprio cerne da fé: o cristão que não sabe agradecer é alguém que se esqueceu da língua de Deus. E isto é feio! Recordemos a pergunta de Jesus, quando curou dez leprosos e só um deles voltou para dar graças (cf. Lc 17, 18). Certa vez ouvi uma pessoa idosa, muito sábia, boa e simples, mas dotada da sabedoria da piedade e da vida, que dizia: «A gratidão é uma planta que só cresce na terra de almas nobres». Esta nobreza de alma, esta graça de Deus na alma impele-nos a dizer obrigado à gratidão. É a flor de uma alma nobre. E isto é bonito!
A terceira palavra é «desculpa». Certamente, é uma palavra difícil, e no entanto é deveras necessária. Quando ela falta, pequenas fendas alargam-se — mesmo sem querer — até se tornar fossos profundos. Não é sem motivo que na prece ensinada por Jesus, o «Pai-Nosso», que resume todas as questões essenciais para a nossa vida, encontramos esta expressão: «Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» (Mt 6, 12). Reconhecer que erramos e desejar restituir o que tiramos — respeito, sinceridade, amor — torna-nos dignos do perdão. É assim que se impede a infecção. Se não soubermos pedir desculpa, quer dizer que também não seremos capazes de perdoar. No lar onde as pessoas não pedem desculpa começa a faltar o ar, e a água estagna-se. Muitas feridas dos afectos, muitas dilacerações nas famílias começam com a perda deste vocábulo precioso: «Desculpa». Na vida matrimonial muitas vezes há desacordos... e chegam a «voar pratos», mas dou-vos um conselho: nunca termineis o dia sem fazer as pazes. Ouvi bem: esposa e esposo, brigastes? Filhos e pais, entrastes em forte desacordo? Não está bem, mas o problema não é este. O problema é quando este sentimento persiste inclusive no dia seguinte. Por isso, se brigastes, nunca termineis o dia sem fazer as pazes em família. E como devo fazer as pazes? Ajoelhar-me? Não! A harmonia familiar restabelece-se só com um pequeno gesto, com uma coisinha. É suficiente uma carícia, sem palavras. Mas nunca permitais que o dia em família termine sem fazer as pazes. Entendestes isto? Não é fácil, mas é preciso agir deste modo. Assim a vida será mais bonita.
Estas três palavras-chave da família são simples, e num primeiro momento talvez nos façam sorrir. Mas quando as esquecemos, deixa de haver motivos para sorrir, não é verdade? Talvez a nossa educação as ignore demais. O Senhor nos ajude a repô-las no lugar que lhes cabe no nosso coração, no nosso lar e na nossa convivência civil.
E agora convido-vos a repetir todos juntos estas três palavras: «com licença», «obrigado», «desculpa». Todos juntos (praça) «com licença», «obrigado», «desculpa». São as três palavras para entrar no amor da família, para que ela vá em frente e permaneça tal. Depois, repitamos aqueles conselhos que eu dei, todos juntos: nunca termineis o dia sem fazer as pazes. Todos: (praça): nunca termineis o dia sem fazer as pazes. Obrigado!
(A Família gera o mundo) – Papa Francisco

10 Mandamentos dos pais cristãos

1         - Dê a devida liberdade aos seus filhos. .(Galatas 5:1) Devida não é total... pense nisso.
2     - Permita que eles questionem os valores que significam muito para suas vidas(1 Pedro 3,4)- A omissão de uma resposta pode ser o início de um longo problema.

3 - Tenha paciência com suas manias passageiras ! (Timóteo 4:5)-Elas passam rápido... aproveite todos os momentos com seu filho e tire proveito disso. 
4 - Exerça autoridade sobre seus filhos sem irritá-los, estabeleça limites (Provérbios 22:28)  Lembre-se que você é quem 'manda' na casa.
5 - Demonstre calor e simpatia, sem mimá-los muito, para não se tornarem inseguros  (I Coríntios 14:20)
 Não confunda amor com superproteção.
 6 - Aprenda com seus filhos, eles também tem lições maravilhosas para nos ensinar  (Colossenses 2:19)
Tenha seu filho como um professor em sua vida.
7 - Aceite as falhas de seus filhos (Filipenses 4:6)- Você crescerá com isso também.
 8 - Seja leal aos seus filhos, compartilhe com eles a vida no lar (Efésios 4:25) - Não esqueça que seu filho, não importa a idade, também é um membro da sua casa. Merece atenção.
9 - Seja íntimo de seus filhos, torne-se seu confidente (Romanos 10:13-15) É melhor você ser o melhor amigo do seu filho o que um estranho. 
10-  Seja enérgico mas, com SABEDORIA (Tiago 1:5)- Não desconte a sua raiva em seus filho, mas também não deixe de educá-lo.    Fonte: 12th August

6 – Pai e Mãe!

6.1 Saiba Acreditar
6.2 Saiba Agradecer
6.3 Saiba Contemplar a Família…

7 – Oração

Meu Deus!
Peço-Te a Bênção para nós – Pais;
Peço-Te a Bênção para nossos filhos;
Peço-Te a alegria da vida familiar
Amén

José Rodrigues Lima
938583275