AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

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sábado, 14 de setembro de 2019

ALGUNS PADRES NATURAIS DE MAZAREFES DESDE 1689



ALGUNS PADRES NATURAIS DE MAZAREFES DESDE 1689
Nota: Entre parêntesis indico o século em que nasceu.
Pe. Brás Dias – do habito de S. Pedro. (séc. XVII)
Pe. António de Novais – (séc. XVII)
Pe. André de Barros – (séc. XVII)
Pe. Cristóvão Gonçalves Ribeiro – do lugar do Monte. (séc. XVII)
Pe. Manuel Fernandes – faleceu em Braga e foi sepultado nos claustros da Sé. (séc. XVII)
Pe. Tomás Barbosa de Almeida – foi abade de Vilar Sêco da Lomba, bispado de Bragança. (séc. XVIII)
Pe. Manuel Rodrigues de Carvalho – (séc. XVIII)
Pe. João Alves Calheiros – Foi pároco em S. Salvador da Torre e morreu afogado em Cardielos no rio Lima. (séc. XVIII)
Pe. Manuel Martins Carvalho – viveu na casa que mais tarde foi do Pe. Ant. Francisco de Matos e, agora, actual residência. Esteve no Brasil e em 1805, quando voltou, ampliou a capela das Boas-Novas. (séc. XVIII)
Pe. Manuel de Araújo Coutinho – foi abade de Tenões e presidente da Confraria do Bom-Jesus do Monte. Distribuiu a sua fortuna pela confraria, pelo Asilo de Velhos de N.ª Sr.ª da Caridade de Viana e em St.ª Luzia (Viana). (Séc. XVIII)
Pe. Jerónimo Francisco dos Reis – viveu com a Família numa casa muito pobre e que hoje é propriedade de António Rodrigues Vaz Coutinho. (séc. XIX)
Pe. José de Araújo Coutinho – pastoreou a terra natal durante duas épocas. Foi o principal impulsionador da obra da capela de S. Simão da Junqueira, sobre os escombros da antiga igreja paroquial, em 1860. Morreu em Braga na rua de S. Victor. (séx.XIX)

Pe. António Francisco de Matos – foi pároco de Mazarefes durante 54 anos. Nasceu a 9 de Junho de 1860. Seus pais eram lavradores e chamavam-se: Francisco António de Matos e Antónia da Piedade de Passos Pereira Maciel, natural de Castelo do Neiva.
Frequentou, já tarde, os estudos eclesiásticos e ordenou-se no dia de S. Félix de Valois- 20 de Novembro de 1887 – com 27 anos. (refere-se-lhe o Serão n.º 100).
Recebeu as ordens sacras do D. António José de Freitas Honorato, arcebispo de Braga. Era poeta e historiador. Pessoa muito culta a apelidada pelo povo de «sábio». Organizou uma monografia sobre Mazarefes. Foi um padre de vida sacerdotal fecunda. Comemorou as bodas de ouro sacerdotais em 20 de Novembro de 1937.
Em testamento deixou à freguesia a actual residência e cerca de 20.000m2 de terreno que faz parte do passal. Morreu em 7 de Março de 1947.
Pe. Manuel Fernandes Barbosa – paroquiou Darque (séc. XIX)
Pe. Manuel Pereira Polónia – Conhecido por Pe. Boavista. Nunca paroquiou e viveu na casa e Quinta da Boavista. (séc. XIX)
Pe. José Pereira Polónia – Pastoreou S. Romão do Neiva. (séc. XIX)
Pe. José Pereira da Silva Pinto – Foi pároco de Vila Fria. (séc. XIX)
Pe. José Rodrigues de Araújo Coutinho – Foi pároco em Anha. (séc. XIX)
Pe. Manuel António da Cunha – Pastoreou Vila Fria. (séc. XIX)
Pe. José Martins – Foi pároco de Castelo do Neiva (séc. XIX)
Pe. Francisco da Costa Dias – Foi pároco de Carreço. (séc. XIX)
Pe. Manuel da Costa Dias – paroquiou Verdoejo e Sanfins. (séc, XX)
Pe. Albino Maciel de Miranda, sobrinho do abade Ant. F. de Matos. Ordenou-se em 1928. Foi prefeito no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, Seminário Conciliar, Vice-Reitor do Seminário de Cucujães, pároco de Barbudo, Mazarefes, Meadela, Capelão da Caridade e faleceu em 1970.
Também descende de família natural e residente em Mazarefes o Monsenhor Manuel Vaz Coutinho, actual encarregado da administração dos Seminários de Braga.
O autor destas linhas foi ordenado em 1972. É de Mazarefes.
A Foto é do Abade Matos que faleceu depois dois de eu ter nascido.

PÁROCOS DE MAZAREFES DE 1596

     PÁROCOS DE MAZAREFES DE 1596

1596 – Abbe. António Gonçalves


1602 – Pe. Alvares.
1606 - ...«e como cura desta freguesia por apresentação do abbe. Ant. Gonçalves, Pe. João Afonso Carneiro».
1608 – Pe. Álvares.
1616 – Pe. F. Marques (... «eu coadjutor desta igreja »).
1617 – Pe. Álvares.
1622 – Pe João de Sá (coadjutor).
1524 – Pe Baltazar da Rocha Branco, abbe.
1626 – Pe Amador Antunes.
1628 – Baltazar da Rocha Branco.
1645 – Pe João de Barros (abbe.).
1669 – Enc. do Manuel João do Rego.
1687 – Enc. do João Ant. de Araújo.
1687 – Pe Francisco Gomes Rebello (Abbe.).
1688 – Pe José da Costa (encomendado).
1688 – Enc. do João de Barros.
1707 – Pe João Pereira Sibrão (capelão).
1711 – Pe Francisco Martins Ribeiro (capelão)















1728 – Pe Calixto da Cunha Valadares.
1728 – Pe. Sebastião Rodrigues Ribeiro, cura e encomendado.
1736 – Abbe . Manuel Azevedo Portugal.
1776 – Enc. do João Fernandes Ribeiro.
1781 – Enc. do João Alves Fiúza.
1798 – Enc. do António Duarte Vieira.
1806 – Enc. do Jerónimo José da Costa.
1812 – Abbe António José de Sousa Palhão.
1836 – Enc. do João Rodrigues de Carvalho
1843 – Abbe. Manuel Rodrigues Lima.
1861 – Pe José de Araújo Coutinho.
1862 – Abbe. José Martins da Silva.
1882 – Pe. José de Araújo Coutinho
1882 – Abbe. José Martins da Silva.
1892 – Pe. António Francisco de Matos.
1945 – Pe. Albino Maciel de Miranda (como coadjutor do tio).
1947 – Pe António Quesado (freguesia anexa a Vila Franca).
1948 – Pe. Albino M. de Miranda.
1948 – (desde Outubro, assina o P.e Delfim de Sá. Freguesia anexa a Darque).








(Em registos de baptismo, casamento e óbitos nos «livros mistos» existentes na B. P. de Braga e no Cartório Paroquial.
6 de Janeiro de 1975




1952 – Pe José de Jesus Soares Ribeiro.
1963 – Pe Eusébio Esteves Baptista.
1970 – Pe Sebastião Pires Ferreira (o actual pároco).
1979 – Padre Manuel Parente Pereira
???? - Monsenhor Sebastião Ferreira

A CASA DO ERMÍGIO - Em Mazarefes





A CASA DO ERMÍGIO EM MAZAREFES




A Casa do Cirurgião, nem sempre teve este nome desde que ali foi construída em 1765 sobre uma outra muito mais antiga.
Alguns dos seus restos (da casa forte do Ermígio, talvez a casa dum senhor Hermigius, nome de origem germânica, senhor ou proprietário medieval destas terras, antroponímico, por isso, que deve ter dado o nome ao Lugar do Ermígio) e cujas paredes talvez tenham chegado aos nossos dias sob a nova construção a serviram de cortes para as mulas.




É provável que a casa mais antiga fosse da família dos Velhos que viveriam nas Penas, onde vivem ainda os descendentes da família dos Liquitos e daí a razão do topónimo Velho que ainda aí se conserva.
Devia ter sido aquela casa para onde Francisco Afonso (Rocha) veio, em 1654, de Stª. Maria de Aborim, filho de Pedro Afonso e Catarina Gonçalves por casamento com Maria Gonçalves, filho de Afonso Gonçalves e de Isabel Martins. Sucedeu que o João Francisco, filho do matrimónio veio a casar com Justa Alves, de Vila Fria. Mais tarde, um seu filho, o Manuel Francisco, viúvo de Antónia Rodrigues do lugar das Penas (Regadia de Cima) casado, em segundas núpcias, com Ana Rodrigues, do Ermijo, filha de Simão Rodrigues (Vila de Punhe) e de Ana Rodrigues, da Regadia, dos velhos.
Um filho deste casal, o António Francisco casado com Catarina Rodrigues teve uma única filha, a Morgada, chamada Maria Rodrigues que, por sua vez, casou com um rapaz da terra, chamado João Rodrigues Ribeiro, filho de Matias Rodrigues, do Souto, e foram os bisavós do Abade António Francisco de Matos.


 Foi no tempo deste casal que a casa foi construída. Não sei que nome teria nessa altura, mas a Morgada era pessoa rica. Faleceu em 1823 levando um ofício de 46 padres, assim como o seu marido falecido 29 anos antes, levou também um 1º ofício de 33 padres, um 2º de 29 e um terceiro de 28, o que é sinal de gente rica. Acreditamos que os pobres da altura, naturalmente, tenham ido para o céu mesmo com menos padres.
Deste casal, autor presumível da Casa que chegou aos nossos dias, nasceu uma outra Maria Rodrigues que casou em 1784 com o Tenente José António de Matos, filho de José António de Matos e de Maria Gonçalves, de Chafé, e tivera 8 filhos, tendo morrido uma Teresa sem geração.
Desta geração do Tenente foram “Matos” para Vila Franca e para a Conchada. Ainda desta geração vêm as raízes próximas do Padre João António de Matos, do seu irmão Dr. José António de Matos (muitos anos Presidente da Câmara Municipal de Viana e do Sport Clube Vianense, daí o Estádio de Viana), do Padre Francisco António de Matos, do parodiante Mena de Matos e a outras tantas gerações de Matos espalhadas pela região de Viana, Porto e Lisboa.
 O filho José ficou na casa e casou com Maria Barbosa de Almeida, filha de Simão António Barbosa de Almeida e Rosa Teresa Miranda, vizinhos e moradores, onde hoje é a Casa do Esperta.
Esta Maria era morgada e foi mãe de 11 filhos. Um deles, o Francisco, foi cirurgião, tendo estudado no Porto. O Francisco, cirurgião, casou com Rosa do Espírito Santo Moreira, de Darque e foi pai de Maria Moreira de Matos que herdou a parte norte da casa que seu pai habitava, a referida casa que tinha sido partilhada por três: o Francisco cirurgião, nascido em 1838 e falecido em 1922 que deu o nome à Casa no seu todo, o Manuel Rodrigues Pereira, conhecido por Santa Marinha por ser descendência de Forjães e sobrinho do cirurgião, e pela sobrinha neta conhecida pela Rosa Barbosa de Almeida, nascida em 1891.

 O António casou com Rosa Rodrigues de Carvalho (Deiras). A irmã Rosa casou com António Pereira Novo. Foi a que ficou com a casa que mais tarde ficou conhecida por “Casa do Esperta”.
A casa dos seus avós maternos ficou para a filha da Rosa, a Maria Barbosa de Almeida, com a parte sul da casa do Cirurgião.Esta depois de ter casado com António Pereira dos Santos que saíu pela primeira vez para o Brasil, como sapateiro, quando tinha 29 anos. Voltou a sair em 1885, 1891 e em 1895 e nunca mais cá voltando. Por lá morreu, tendo deixado a mulher com duas filhas: a Rosa e a Maria da Conceição.
A Maria da Conceição, nascida em 1895, casou com Joaquim Ribeiro, relojoeiro e foi conhecido pela alcunha “Esperta” tendo dado o seu nome à casa em que ficou. A Rosa ficou na casa e casou com Manuel Almeida de Riba, de Subportela.
Nesta altura a casa do lado sul tinha uma entrada própria, mas o Stª. Marinha e o Cirurgião partilhavam das mesmas escadas centradas à linda varanda da casa numa extensão de 24 metros. Tinha umas artísticas linhas e colunata com belas bases e capitéis que mais ideia davam de casa nobre e solarenga, não fosse a vinha que se seguia a estragar-lhe um pouco a visibilidade, mas era o costume da época.
Consta que a Morgada Maria Barbosa de Almeida, mãe de 11 filhos, morreu com fama de santidade pelo que foi enterrada junto ao altar do Sagrado Coração de Maria, zelado por muitos anos pela “Casa dos Estivadas” dum modo particular pela D. Luísa.
Depois do aumento à Igreja na década de 70 este altar foi deslocado e, na construção antiga, ficava do lado esquerdo de quem entra na porta lateral e de serventia da Igreja para a Sacristia.

Era, de facto, uma pessoa amiga de fazer bem. Era rica e achava que devia pôr ao serviço dos que precisavam alguns dos seus haveres, por isso tinha em sua casa dois fornos: o forno da família onde se cozia pão para duas semanas e o forno dos pobres onde se cozia o pão para dar aos que lhe batiam à porta. Não eram assim tão poucos, dadas as dimensões do forno. Para além dele, também a existência de uma espécie de Albergue que o saudoso Padre Matos, mais tarde fez continuar na sua residência, casa própria, herdada de familiares antigos e que deixou em testamento à Paróquia de Mazarefes.
Consta-se que um dia uma pobre de Darque e já falecida, a quem ela tinha feito bem, terá vindo bater à porta mais uma vez, apesar da Morgada ter também morrido e terá declarado para quem passava: “ide trabalhar para as filhas da Morgada... Minhas malandras...”.
Um Padre conhecido por Padre Brinca, Brinca de alcunha, que foi residente na casa que hoje é o Centro Paroquial, anexa ao Adro das Boas Novas, “requereu-a” e tendo feito um exorcismo descobriu que, afinal, faltava ainda pagar uma promessa feita a S. José, um resplendor para que pudesse ir para o céu.
Depois da intervenção do referido padre consta-se que a referida “alma perdida” nunca mais apareceu. Atribuiu-se isso a um milagre da Morgada.
O Santa Marinha era filho da que, viúva, casou com o “Deira Velho”, também ele viúvo, e que só passavam o dia juntos, pelo que,  à noite, cada um ficava na sua casa. Os seus pais eram o António Rodrigues Pereira Novo e Teresa Gonçalves, dos Carriços.
Morreu com mal da garganta e solteiro, mas com dois filhos: um em Mazarefes e outro em Vila Franca, tendo-os reconhecido, pelo menos à morte e compensados.
O António Pereira era filho de Manuel Rodrigues Pereira, oriundo de Forjães, filho de Joaquim Pereira e Josefa Rodrigues. Mariana Barbosa de Morais, filha de António Luís Barbosa Amorim e de Isabel Maria de Morais era irmã do Stª. Marinha. A Maria, costumava ir pela manhã levar o leite aos tios que moravam na Quinta ao lado, “Os Bichos”.
Foi ela que, ainda criança, encontrou pela manhã cedo os tios na situação de amordaçados e assaltados.
 Esta Maria Barbosa de Almeida morreu debaixo do comboio na passagem de nível mais próxima por acidente casual ou não, mas o que é certo é que ela andava com perturbações mentais atribuídas à ausência do marido, e do abandono deste da mulher e das filhas.



quinta-feira, 12 de setembro de 2019

REPRESAS DE ÁGUA NAS ALDEIAS - UM CASO CONCRETO

Os agricultores, normalmente, faziam represas de água, pequenas barragens de água para se servirem delas nas regas do milho, do azevém e nos tempos de seca outras plantações...
Aqui junto um rol da minha terra na represa das lavandeiras. A foto que ilustra não corresponde a essa repressão de água
ou barragem.
Este rol é de 1950.
Os que tinham uso e qundo o dia e hora da tapagem e a hora de abertura.
Recorda-me perfeitamente desde criança, desse trabalho.
Nome; Tapagem; Data; Hora; Abrir; Hora
Rego Nascente
Manuel Pereira Viana; Tapa; 31-05-1950; pôr-do-sol; 02-06-1950; 8:00h
Ana Martins; Tapa; 02-06-1950; 8:00h; 02-06-1950; 4:00h
João Maciel; Tapa; 02-06-1950; 4:00h; 03-06-1950; 8:00h
Maria do Rego; Tapa; 03-06-1950; 8:00h; 04-06-1950; pôr-do-sol
Manuel Fernandes da Matos; Tapa; 04-06-1950; pôr-do-sol; 05-06-1950; pôr-do-sol
Caetano Fernandes Pita; Tapa; 05-06-1950; pôr-do-sol; 06-06-1950; pôr-do-sol
Ana Fernandes; Tapa; 06-06-1950; pôr-do-sol; 07-06-1950; 8:00h
João R. Barbosa; Tapa; 07-06-1950; 8:00h; 07-06-1950; pôr-do-sol
António F. dos Reis; Tapa; 07-06-1950; pôr-do-sol; 08-06-1950; pôr-do-sol
Jerónimo A. de Matos; Tapa; 08-06-1950; pôr-do-sol; 10-06-1950; pôr-do-sol
Manuel Pita Soares; Tapa; 10-06-1950; pôr-do-sol; 11-06-1950; pôr-do-sol
Manuel Sejismundo; Tapa; 11-06-1950; pôr-do-sol; 13-06-1950; pôr-do-sol
José Alves de Araújo; Tapa; 13-06-1950; pôr-do-sol; 15-06-1950; pôr-do-sol
José Rodrigues Vaz; Tapa; 15-06-1950; pôr-do-sol; 16-06-1950; pôr-do-sol
Caetano F. Pita; Tapa; 16-06-1950; pôr-do-sol; 18-06-1950; pôr-do-sol
José da Silva Meira; Tapa; 18-06-1950; pôr-do-sol; 20-06-1950; pôr-do-sol
João Dias das Penas; Tapa; 20-06-1950; pôr-do-sol; 21-06-1950; 8:00h
Francisco R. Pereira; Tapa; 21-06-1950; 8:00h; 22-06-1950; 8:00h
Manuel Pereira Viana; Tapa; 22-06-1950; 8:00h; 23-06-1950; pôr-do-sol
Ana Martins; Tapa; 23-06-1950; pôr-do-sol; 24-06-1950; 4:00h
João Maciel; Tapa; 24-06-1950; 4:00h; 24-06-1950; pôr-do-sol
Maria do Rêgo Miguel; Tapa; 24-06-1950; pôr-do-sol; 26-06-1950; 8:00h
Manuel Fernandes de Matos; Tapa; 26-06-1950; 8:00h; 27-06-1950; 8:00h
Francisco R. Pereira Meira; Tapa; 27-06-1950; 8:00h; 28-06-1950; 8:00h
João Dias das Penas Barrêto; Tapa; 28-06-1950; 8:00h; 28-06-1950; pôr-do-sol
José da Silva Meira Vila Franco; Tapa; 28-06-1950; pôr-do-sol; 30-06-1950; pôr-do-sol
Caetano Fernandes Pita Castelo; Tapa; 30-06-1950; pôr-do-sol; 02-07-1950; pôr-do-sol
Caetano Fernandes Pita Castelo; Tapa; 30-06-1950; pôr-do-sol; 02-07-1950; pôr-do-sol
Rego Nascente
José Rodrigues Vaz Marta; Tapa; 02-07-1950; pôr-do-sol; 03-07-1950; pôr-do-sol
José Alves de Araújo Fornelos; Tapa; 03-07-1950; pôr-do-sol; 05-07-1950; pôr-do-sol
Manuel Segismundo Barrolo; Tapa; 05-07-1950; pôr-do-sol; 07-07-1950; pôr-do-sol
Manuel Pita Soares Pureza; Tapa; 07-07-1950; pôr-do-sol; 08-07-1950; pôr-do-sol
Jerónimo A. de Matos Coutinho; Tapa; 08-07-1950; pôr-do-sol; 10-07-1950; pôr-do-sol
António Francisco dos Reis Coutinho; Tapa; 10-07-1950; pôr-do-sol; 11-07-1950; pôr-do-sol
João R. Barbosa Canela; Tapa; 11-07-1950; pôr-do-sol; 12-07-1950; 8:00h
Ana Fernandes; Tapa; 12-07-1950; 8:00h; 12-07-1950; pôr-do-sol
Caetano F. Pita; Tapa; 12-07-1950; pôr-do-sol; 13-07-1950; pôr-do-sol
Manuel Pereira Viana; Tapa; 13-07-1950; pôr-do-sol; 15-07-1950; 8:00h
Ana Martins; Tapa; 15-07-1950; 8:00h; 15-07-1950; 4:00h
João Maciel; Tapa; 15-07-1950; 4:00h; 16-07-1950; 8:00h
Maria do Rêgo ; Tapa; 16-07-1950; 8:00h; 17-07-1950; pôr-do-sol
Manuel F. de Matos; Tapa; 17-07-1950; pôr-do-sol; 18-07-1950; pôr-do-sol
Francisco R. Pereira ; Tapa; 18-07-1950; pôr-do-sol; 19-07-1950; pôr-do-sol
João Dias das Penas ; Tapa; 19-07-1950; pôr-do-sol; 20-07-1950; 8:00h
José da S. Meira; Tapa; 20-07-1950; 8:00h; 22-07-1950; 8:00h
Caetano Fernandes Pita; Tapa; 22-07-1950; 8:00h; 24-07-1950; 8:00h
José Rodrigues Vaz; Tapa; 24-07-1950; 8:00h; 25-07-1950; 8:00h
José Alves de Araújo ; Tapa; 25-07-1950; 8:00h; 27-07-1950; 8:00h
Manuel Segismundo; Tapa; 27-07-1950; 8:00h; 29-07-1950; 8:00h
Manuel Pita Soares ; Tapa; 29-07-1950; 8:00h; 30-07-1950; 8:00h
Jerónimo de Matos ; Tapa; 30-07-1950; 8:00h; 01-08-1950; 8:00h
Rego Nascente
António F. dos Reis; Tapa; 01-08-1950; 8:00h; 02-08-1950; 8:00h
João Rodrigues Barbosa; Tapa; 02-08-1950; 8:00h; 02-08-1950; pôr-do-sol
Ana Fernandes; Tapa; 02-08-1950; pôr-do-sol; 03-08-1950; 8:00h
Caetano F. Pita ; Tapa; 03-08-1950; 8:00h; 03-08-1950; 8:00h

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A PARÓQUIA VISTA PELO PADRE COUTINHO


A PARÓQUIA VISTA PELO PADRE COUTINHO


algumas paróquias, porque tinham igreja com pia e Paróquias




eram as dioceses. Essa confusão só passou quando, de facto se começou a chamar Diocese ao território sob a admnistração dum Bispo, conjunto de Paróquias.

A palavra ecclesia, igualmente do latim, tomou do grego o sentido de comunidade regularmente reunida ou, como hoje ainda, o local sagrado onde se reúne esta assembleia, com certa regularidade sob a direcção do chefe, em nome do Bispo. Na Igreja, enquanto ajuntamento dos fiéis, “filius” (filhos), nascerá o termo freguesia, o mesmo que agrupamento dos filhos da Igreja. A Freguesia, normalmente, era uma Paróquia. Hoje há Freguesias que têm mais que uma Paróquia, como no nosso caso - Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, freguesia de Santa Maria Maior, com a igreja matriz, hoje catedral ou Sé (Sede) do Bispo.
Uma vez que somos Paróquia autónoma e não freguesia, então não utilizarei freguesia, mas Paróquia, palavra esta que começou a ser usada com o significado que tem, depois do Concílio de Trento.
A Paróquia é hoje a divisão mais pequena, a célula da divisão territorial da Igreja, da Diocese, e define-se como: pessoa moral, jurídica, nascida por um acto da autoridade eclesiástica competente, uma vez que tenha povo e território, pároco e igreja, para a cura de almas. Com este acto vem o benefício eclesiástico, com dotes para a manutenção de lugar sagrado e para sustentação do sacerdote instituido de modo permanente e subordinado ao Bispo. Surgem paróquias urbanas e rurais.
A nossa paróquia foi um acto de D. Francisco Maria da Silva, Arcebispo de Braga, em 1967. Consta que na mesma altura criou também a do Senhor do Socorro. Foi a título experimental a do Senhor do Socorro e com carácter definitivo a de Nossa Senhora de Fátima. O decreto foi assinado  pelo Arcebispo, segundo testemunhos da época, mas como o mesmo não apareceu, mais tarde presumiu-se que seria também a  título exprimental, sendo D. Armindo Lopes Coelho, o então 2º Bispo de Viana, que a criou definitivamente, conforme o decreto que se transcreveu no livro «A Cidade de Viana, no presente e no Passado - da Bandeira à Abelheira». Este já não se perderá.
Na origem, o Cristianismo centrou-se nas cidades e as paróquias ou dioceses eram, portanto, de carácter urbano e presididas sempre por um Bispo, sucessor dos Apóstolos. Só mais tarde as comunidades com pia baptismal começaram a aparecer no meio rural. Até aí, os aldeões eram pagãos. Pagão era rural.
Os pagãos convertidos ao cristianismo deram origem  a igrejas particulares e também rurais, tendo dos fiéis serem baptizados nas igrejas do Bispo porque só aí havia pia baptismal. Depois estas igrejas particulares e também rurais deram origem às paróquias rurais, aos seus párocos também, pelo que a Paróquia rural é posterior à urbana, que era a Diocese. E as primeiras paróquias rurais não tinham todo o culto, tinham ainda os fiéis de ir à Catedral participar na maior parte dos sacramentos, como o baptismo.
Por isso não foi uma disposição legal que criou as paróquias rurais, estas foram uma exigência espontânea pela conversão dos pagãos, longe da cidade. Inicialmente, por isso, os párocos eram: residentes uns e itinerantes ou visitadores outros. Devido a isso não se sabe como nasceram e quando nasceram a maioria das paróquias. Ao mesmo tempo era uma exigência apostólica, própria da fé, ir ao Campo levar a fé e a vida de fé... para  sair das cidades...
No século III, o Concílio de Elvira, na Península Ibérica, mostrou uma grande difusão territorial do cristianismo e uma organização muito desenvolvida. Nesse Concílio participaram representantes das comunidades cristãs de mais de 50 povoações, das quais 20 eram episcopais e 19 tinham, ao menos, um sacerdote à frente; três dos Bispos eram da Lusitânea.
É claro que a unidade da diocese quebrou-se com o aparecimento das paróquias rurais, não só quanto ao culto como quanto ao património. Hoje há uma preocupação enorme para que se volte tudo para a Catedral, onde preside o Bispo. Aqui também pode andar a ideia de globalização, que sendo coisa boa, também traz irremediavelmente os seus erros, dum modo particular em relação à Religião. Isto tem muita lógica, mas, muitas vezes, as horas e os espaços litúrgicos duma Catedral são pequenos para que se possa congregar tudo num só lugar à volta do Bispo. O Bispo é, de facto, a plenitude do sacramento da Ordem, é o chefe da Igreja Particular. Não há celebração nenhuma, de nenhum dos grandes momentos ou dos sacramentos da Igreja que o Bispo celebre na Catedral, em que tenham de fechar as igrejas à volta. Era bom, mas temos de ter em conta as realidades como o espaço, o momento, a predisposição das pessoas, o conforto. Não está aí uma demonstração da unidade, às vezes pode trazer  enfraquecimento da vida de fé, por se querer dar a ideia que é obrigação e medo de quebrar a unidade à volta do Bispo. Ainda que para isso não haja condições e queiramos viver sempre como parasitas à custa das catedrais ou das igrejas que os outros nos deixaram.
Vejamos, por exemplo, uma crismação, em dia de Pentecostes, de 150 pessoas, com os pais, os padrinhos, já para não falar nos irmãos, nos tios, ou nos avós, não há catedral nem igreja nenhuma em Viana que ofereça as condições mínimas para uma celebração condigna, em que 60% dos familiares não poderão ser testemunhas, não poderão assistir, não poderão fazer a unidade, a não ser espiritual e à distância... É certo que também tem valor, mas humanamente falando é errado. Muitos já nem vão. Esperam em casa ou no café...
A tão desejada e justa Unidade não se faz com a multidão acotovelada ou incomodamente instalada horas e horas. Só os mais pacientes muitas vezes fazem essa “unidade”, mas quantas vezes arreliada e a dizer impropérios, nada testemunhantes de uma sadia Unidade.
Não é preciso ir muito longe. Infelizmente, encontramos isso dentro de casa, na família. Todos em casa vivem, comem e dormem, são família e quantas vezes não há comunhão autêntica, falta de verdade?...
O mesmo pode acontecer na celebração à qual preside um Bispo ou um Pároco, em que, apesar de multidões acotoveladas, de “casa cheia”, pode haver menos comunhão e verdade do que com menos multidão. Mas, com gente que livremente participa e pelo conforto até escuta a Palavra e ouve o Bispo, comunga com ele  e pela fé no Maior - Jesus Cristo - vai depois para o meio do mundo com a missão de prolongar a Unidade e a Comunhão com os irmãos .
A palavra paróquia, hoje, começa a perder o seu uso normal para se chamar, aliás, aquilo que sempre foi: “Comunidade”.
Ouve-se já, na era pós-conciliar, chamar comunidade paroquial para se distinguir de outras comunidades que não são paroquiais. A Comunidade Paroquial é a Paróquia que tem um padre nomeado pelo Bispo, e as outras comunidades não têm pároco. Assim, aqui entre nós, há a comunidade do Carmo que não tem pároco, mas é uma comunidade religiosa que depende do superior da Congregação dos Padres Carmelitas Descalços. A sua Paróquia, em razão da sua localização, é a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima. O seu superior é um sacerdote, mas não tem a missão de pároco, embora colaborante como paroquiano e sacerdote, como todos os seus colegas da comunidade que nesta altura não tantos como noutros tempos.
Isso não acontece com facilidade porque à  Paróquia, geralmente, está ligado um território com fronteiras e um grupo de pessoas que se identificam sócio-             -culturalmente. Hoje discute-se se a Paróquia ou a Comunidade e o pároco deve estar ligada ou definida por um território ou se por um conjunto de pessoas que fazem comunidade e que, muitas vezes, podem ser de culturas diversas, de territórios diferentes, que se juntam por relação de conhecimento, amizade, relação de serviço profissional ou por uma relação vivencial da fé.
No futuro, este sentido de Comunidade é o que irá prevalecer em prejuízo do da Paróquia, ou, melhor dizendo, virá a Paróquia a ser “Diocese” com o Bispo à frente, e as Comunidades com sacerdote ou diácono designado pelo Bispo, delegado dele junto das pequenas comunidades. E as comunidades serão menos comunidades em razão do espaço, mas maiores em razão do espírito, do carisma. Assim, haverá a comunidade que se pode confundir com uma paróquia actual, mas há a comunidade religiosa que vive à volta duma igreja, duma capela, dum carisma próprio como, por exemplo, a comunidade dos carismáticos, dos neo-catecumenais,  da Opus Dei, e virão depois os que são focolares, legionários de Maria, Vicentinos, etc.. Hoje tudo isso já existe, mas em função da Paróquia territorial.
A Igreja do futuro irá estar mais aberta, será mais pobre, organizar-se-á de outra maneira e a sua administração será diferente, mas talvez vivencialmente mais rica, a confundir-se com as primeiras comunidades.
As Comunidades de Base, nascidas no Brasil, foram a primeira abertura a um espírito novo da Igreja e o desconhecimento do Concílio Ecuménico, pela parte de muitos leigos e outros “hierarquicamente superiores”, a propósito da co-                    -responsabilidade eclesial é que vai resistindo à lufada dum “espírito novo”...
                                               P.e Coutinho

Os Movimentos numa diocese em sínodo


“Os Movimentos duma Paróquia podem ser de origem paroquial e devem ter a aprovação do Bispo, ou podem ser organismos ou movimentos que têm aprovação da Igreja Universal e são reconhecidos pelo Bispo da Diocese. Esses têm, normalmente, uma hierarquia própria através de Sedes Diocesanas, Nacionais, Internacionais... e são representados por Secretariados, Direcções, Delegações, Centros próprios, conforme a estrutura estatutária ou as orientações de cada Bispo na sua Diocese.
Há variadíssimos movimentos ou organismos, serviços e obras, conforme a diversidade de carismas existentes na Igreja. Não vou apontá-los  porque seria uma lista interminável, mas não resisto em falar daqueles que melhor conhecemos porque até trabalhamos com eles na Paróquia.
Na Comunidade de N.ª Sr.ª de Fátima existe o Movimento dos Cursos de Cristandade, a Legião de Maria, a Sociedade de S. Vicente de Paulo, o Apostolado de Oração, o M.E.V. (Movimento Esperança e Vida), os Cruzados de Fátima, o Coral Litúrgico, o Coral Juvenil, o Coral de Música Clássica, o dos Leitores, o dos Ostiários, o da P. da Família, o da Catequese, o do Escutismo, o dos Acólitos, o dos Ministros Ext. da Comunhão, o do Acolhimento, o dos Zeladores; o Serviço de Comunicações Sociais (Luz Dominical e “Paróquia Nova”), o Centro Social Paroquial com as valências ( o Centro de Acolhimento de Bebés e Crianças Abandonadas ou de Alto Risco - vulgo Berço, o Jardim Infantil, o Centro de Deficientes (Samaritanos), o Centro de Cegos e Ambelíopes, o Centro de Dia, o Centro de Convívio, o de Assistência ao Domicílio Integrado, o do Serviço de Apoio ao Domicílio, o Refeitório Social (para passantes, vagos, ex-toxicodependentes, indigentes, sem-abrigo,) a Escola de Música, o Ozanan-Centro de Juventude (assistência aos tempos livres de crianças e jovens), o Cecan-rd ou Centro Comunitário de Apoio aos Necessitados- Recolha e Distribuição; a Comissão Fabriqueira, o Concelho Pastoral Paroquial. Na área da Paróquia, ainda existe um Seminário da Ordem do Carmo – Carmelitas Descalços, com alunos e com uma obra social de reintegração de pessoas de várias carências sociais (desde a indigência aos ex-toxicodepentes) e dirige ainda um Gabinete de Apoio à Família com o Projecto Casinha para as crianças das famílias que acolhe, Projecto “Viana sem Fronteiras” ao serviço dos imigrantes sobretudo do  Leste, Rotas de Intervenção, Estrada com Horizontes em relação a pessoas da rua , Ecos (Prevenção Primária da Toxicodependência), Casa Abrigo, Casa de Acolhimento a mulheres vítimas de maus tratos ou vítimas da violência doméstica, assim como os seus filhos.
A Diocese é composta de tudo isto... e muito mais. Se se está em Sínodo, quer dizer que todos nós estamos envolvidos nesta tarefa da Igreja, como tempo de reflexão, de mudança. Quando digo nós, digo, os que estão ou não comprometidos em movimentos ou grupos, sejam de carácter diocesano, sejam de carácter paroquial ou sejam simples cristãos empenhados em tarefas temporais. Como nos partidos políticos, nos sindicatos, nas comissões de trabalhadores ou ainda sem nenhum compromisso oficial. Todos os baptizados devem sentir este movimento sinodal, movimento de conversão, de mudança, numa Igreja co-responsável, onde o Bispo sozinho não tem razão de existir, como sem o Bispo não há baptizados, não há expressão laical e co-responsabilidade. A Igreja faz-se desta comunhão não só com Deus, mas com os irmãos, com aqueles que se cruzam também connosco no trabalho, na rua, no café, ou dormem debaixo do mesmo tecto, com aqueles que se sentam à mesma mesa, em família.
Sendo assim, não se compreende que, nesta altura, um movimento paroquial ou não, desde que a trabalhar na Diocese, viva de costas voltadas ao trabalho do Sínodo, ou que este não seja motivo de discussão, de debate, de estudo nas respectivas reuniões e quem diz um grupo, diz um cristão isolado ou dedicado a obras temporais que devem ser sempre iluminadas com o espírito do Evangelho.
Ainda há pouco, celebrámos a Páscoa e ela foi celebrada depois de uma Sexta-feira Santa onde a Cruz foi a bandeira da glória para o crente e do fracasso para o malfeitor.
Nós celebrámos a Páscoa, somos crentes...Não podemos esquecer que se queremos permanecer em Páscoa, teimosamente temos que amar sem explorar o outro, sem lhe faltar ao respeito, sem lhe querer tirar o lugar mas, pelo contrário, partilhar, dar amor,  para que o ressuscitado continue vivo no coração dos humanos,  no coração da Diocese, em todos possa brilhar o testemunho d’Aquele que O descobrimos vivo e dinâmico.  Quem sabe se, “desanimadamente”, Ele no irmão que está ao nosso lado, não venha a exclamar: “não valeu a pena”, “ continua tudo igual”, “se ao menos Deus me levasse...” ou não é verdade que ouvimos muitas vezes isto  a muitos sofredores...
Que Ele possa brilhar em todos...
P.e Coutinho

A Administração de uma Paróquia


“A origem da maioria das nossas paróquias não a sabemos, como referi no número anterior, mas sabemos que muitas delas nasceram dos Castros existentes. Houve Castros que deram origem a várias igrejas rurais e privadas que, até ao séc. VII, nem funcionavam como paróquias porque se tinha de ir à igreja onde presidia o Bispo ou à igreja que, por este ou aquele motivo, já era possuidora de pia Baptismal. Portanto, algumas não tinham culto com carácter paroquial.
Também no início não estavam definidas estas paróquias por limites territoriais, como hoje. Tudo isso aparece mais tarde. Canonicamente, cada paróquia tinha a sua própria organização. Cada Comunidade criava a Instituição à sua maneira.
Com a organização e a fundação de Portugal, a diocese de Tuy por exemplo, perdeu as paróquias entre o Rio Minho e o Rio Lima. Também nessa altura, a divisão territorial das paróquias e dioceses não foi sempre pacífica. Os bispos e o Papa tinham de intervir. Às vezes, sem resultados tão claros como seria para desejar, como aconteceu com Viana do lado norte.
A invasão Árabe, encurralando os Ibéricos nas Astúrias, também foi obra e deixou marcas, sobretudo, na reconquista, o que alterou muitas formas de viver na igreja, fosse uma igreja particular, fosse paroquial. É nessa altura que dão mais valor ao padroeiro ou seu fundador. Desse tempo é a Senhora da Vinha, na Areosa; Senhora das Areias, em Darque; S. Simão da Junqueira, em Mazarefes, etc.
As igrejas particulares foram-se convertendo em igrejas públicas, e os bispos começaram a impedir a construção de igrejas que não tivessem um verdadeiro  fundamento, isto é, tinha de haver grande motivo pastoral para facilitar aos fiéis o cumprimento dos actos do culto, sobretudo a missa, pelo que a distância, o aglomerado populacional, os rendimentos destinados à manutenção do templo e do culto eram algumas das condições fundamentais para a autorização. Tinha de haver uma dotação capaz da manutenção e, às vezes, como não chegasse, recorriam aos ex-votos que usavam como propriedade própria  e que passavam de herdeiros para herdeiros...Estes abusos, ou intromissões no governo de ex-votos, bens esprituais, acabaram nas igrejas tornadas paroquiais. Aliás, na Idade Média, havia determinação hierárquica para usar os meios ao seu alcance a fim de conseguir que as igrejas, bens espirituais por excelência, deixassem de  fazer parte da administração apenas e só pelos leigos ou mordomos.
O direito do patronato substituiu a propriedade e, já no séc. XI, grande número de igrejas rurais são oferecidas como esmolas  pelos seus possuidores (padroados) aos cabidos das catedrais e aos mosteiros. Os templos consagrados ao culto eram considerados propriedade da Igreja e o Bispo nomeava o clérigo enquanto o  padroado apenas ficou com o direito de apresentação, como uma honra, privilégio, mas ainda com a obrigação de alimentar, em caso de necessidade, de defender os seus bens e direitos. Tais privilégios, muitas vezes foram perdidos, porque alguns caíam na indigência ou eram dados como incapazes de assumir tais compromissos.
Até ao séc. XIV,  por vezes, levavam os visitadores rendas, frutos que muitas vezes até faziam falta ao sustento do presbítero ou à manutenção do respectivo templo, ou da casa residencial do mordomo ou do pároco...
Começavam a receber a visita do Bispo ou dos seus visitadores, delegados do Bispo . Ainda assim acontecia no séc.  XIX e ainda hoje, quando o Bispo faz uma visita pastoral a uma Paróquia, o Arcipreste faz uma visita canónica para apresentar um relatório, preparando a visita pastoral. Na alta Idade Média havia nobres que faziam capelas com dotes, para justificar o cumprimento do preceito  dominical da família, dos criados e dos caseiros... um pouco contra o espírito de Paróquia, mas não de comunidade!...
A nossa Paróquia  nasceu dum acto de D. Francisco, Arcebispo de Braga,  em 1967, pois ainda fazia parte de Braga, portanto, a sua história é recente, como Comunidade Paroquial.
A Paróquia continua hoje a ter a sua própria administração, de que já se falou neste local aquando do Conselho Económico Paroquial, o C.E.P. ou Fábrica da Igreja Paroquial. Mas, a propósito, há ainda muita coisa a dizer.
Na administração duma Paróquia, temos, em primeiro lugar, o património :a igreja, as capelas, os seus recheios artísticos, como altares ou as talhas, a estatuária, ou imagens, as alfaias litúrgicas, todo o mobiliário, não só destinados directamente ao culto, como o destinado também aos escritórios  ou a serviços dependentes da vida paroquial.
 Mas o C.E.P. é o responsável, a nível paroquial, por todo o tipo de arquivo: orientações pastorais saídas do Papa ou do Bispo,  registo dos actos, como reuniões, deliberações, correspondência recebida e expedida, o registo de documentos institucionais, registos dos baptismos, dos casamentos e dos óbitos; registos que temos verdadeiramente organizados e estão já informatizados para fácil consulta. Tem mensalmente de ter a contabilidade organizada dos dinheiros recebidos como donativos,  partilhas feitas nos ofertórios das missas, ex-votos lançados nos peteiros da igreja ou capelas...legados, rendas, foros, rendimentos diversos, e guardar em lugar seguro as ofertas, ex-votos, em espécie, como objectos em ouro ou de outro valor, como um terreno ou uma casa, as quais não os pode vender sem expressa licença do Bispo. Fazer escrituras para eles precisa da autorização expressa do Bispo. Também lhe compete, seguidamente, fazer  os respectivos registos de propriedade; zelar pela manutenção das igrejas ou capelas, fazendo obras de conservação, assim como dos terrenos ou casas desde que sejam propriedade da Paróquia. Tem ainda o registo dos ficheiros dos paroquianos, que habitam naquele território sob a jurisdição de um pároco. Poderá  não estar actualizado porque as pessoas até mudam de residência com facilidade. Mudam de Paróquia e esquecem-se da sua fé religiosa, da inserção na comunidade. É que há freguesias que possuem várias paróquias, como Santa Maria Maior, com duas. Por isso este ano entregámos a todos os habitantes um mapa...
Há pessoas que só quando precisam de documentos para casamentos, para baptizados ou por óbitos, é que acordam e vêm fazer a sua inscrição paroquial. Às vezes, o pároco tem dificuldade de atestar aquilo que não conhece. Não conhece a pessoa, não conhece a família.... Como pode numa situação destas o pároco atestar idoneidade moral ou religiosa na organização de um processo de baptismo, de casamento?... E, às vezes, nem com a ajuda dos leigos vizinhos...
Não se fica por aqui a administração duma Paróquia. Vai mais longe. Estende-se a todos os sectores da vida da comunidade e, sobretudo, é mais complicada quando uma Paróquia tem nos seus diversos sectores da Pastoral uma actividade intensa e bem organizada, na Catequese, na Liturgia e na Acção Social e Caritativa. Nesta Acção Social há iniciativas que podem gerar instituições ou fundações que são autónomas na sua administração. Embora sempre integradas na Comunidade e tendo como pano de fundo esta que, às vezes, não só lhes serve de suporte moral, mas também económico, apesar de, para o mesmo efeito, ter possíveis apoios através de acordos com o Estado.
A conhecida por Comissão Fabriqueira deve prestar contas anualmente aos paroquianos e ao Bispo, assim como cada direcção  de alguma instituição ou fundação o deve fazer. Estas também, em relação ao Estado, pois se com ele têm acordos, advêm-lhe o direito a saber como é que o dinheiro foi gerido.
De qualquer modo, gerir bens relacionados com os bens do espírito não é assim tão fácil como parece. Esta administração tem as suas regras canónicas e é de grande responsabilidade para aqueles que na Comunidade têm esta função. Desta o pároco não se pode abster e tem de ser o primeiro responsável com os leigos, que para o efeito foram eleitos. Esta é a co-responsabilidade em que o Concílio Vaticano II tanto se empenhou. Os padres não podem fazer tudo e os leigos devem ocupar o seu lugar em igreja tão responsavelmente como a hierarquia.”
P.e Coutinho

A Paróquia e a Espiritualidade...

“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles”. Estas palavras de Jesus aplicam-se à Comunidade em que sempre devemos estar integrados.
A descoberta de Deus trinitário leva à descoberta do outro. O nosso Deus é um Deus de relação. A descoberta de Deus leva necessariamente a uma relação de amor, de diálogo que se projecta para os irmãos do lado, porque não podendo ver a face de Deus, reconhecemos a sua transcendência e o seu poder absoluto, Ele é o Criador e Todos somos irmãos.
Ser irmão é relação fraternal, é ser amor e quem ama aproxima-se e dialoga, ou se não dialoga pelo menos gosta de estar ao pé de quem se ama. Se isto acontece em relação aos irmãos, o que se dirá em relação aos Pais e, em especial, ao Pai comum a quem chamamos Deus, Senhor do Céu e da Terra.
Deus não é exigente, mas é Amor.
Não é preciso grande arte para este diálogo que é oração, mas ela terá outro sabor, se fizermos o que fizeram os discípulos de Jesus: “Senhor, ensinai-nos a orar”. Também podemos rezar com arte, isto é, rezar bem, com fé, com humildade e confiança. Sempre devem estes itens ser objecto de uma relação filial em relação aos irmãos.
Importa rezar com fé, com amor, humildade e solidariedade porque no mundo não estamos sós e reconhecemos a Deus nos irmãos porque se amamos a Deus é porque amamos os irmãos, pois é mais fácil amar o que se conhece do que aquilo que não se conhece...
Já falamos da evangelização que nos abre os sentidos para o conhecimento de Deus e O amarmos mais.
A Humanidade tem necessidade deste diálogo amoroso com o seu Deus, um diálogo verdadeiro e autêntico, mas às vezes é capaz de ter as mãos cheias de sangue e Deus dizer como no Antigo Testamento: “cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem, caso contrário os meus olhos fecham-se perante os vossos actos e os meus ouvidos fechar-se-ão à voz das vossas súplicas”.
A nossa oração deve ser sempre nova, adaptada às circunstâncias e sempre em busca de uma nova imagem de Deus que nos chama à conversão, que quer o nosso bem e que, se o soubermos fazer, Ele sempre nos atenderá: “Batei, batei e abrir-se-vos-á...”.
Por vezes, somos tentados mais a pedir a Deus do que a louvá-Lo, quando temos mais motivos para louvar do que para pedir. Ele sabe do que cada um precisa. Conhece-nos e até sabe o número dos nossos cabelos.
A oração de petição sustenta a ideia de eficácia com Deus, pois Ele faz o que diz: “Quando um filho lhe pede peixe, dar-lhe-á um escorpião?”.
A Paróquia é um espaço composto de pessoas com cultura e costumes semelhantes, que têm os mesmos objectivos comuns como um povo em marcha. Daí que este espaço seja o espaço mais próprio para o crente que precisa de se relacionar com os outros e sente a necessidade de orar em conjunto com eles, porque a sua oração até parece ser diferente e ter mais força diante de Deus Pai.
É importante a oração individual, naturalmente, e é a partir dela que o orante sentirá a necessidade da oração comunitária, da oração com os outros, com os mais conhecidos.
A Paróquia é esse espaço privilegiado onde o crente encontra lugar e tempo próprio para a eucaristia, a oração por excelência do cristão, para outros momentos oferecidos pela Comunidade para a oração colectiva. Não só na administração de sacramentos, mas também noutros momentos paralitúrgicos...
Na Comunidade, o crente encontra o ambiente que dá expressão vital à fé e não é possível rezar e roubar ao mesmo tempo, atraiçoar, prejudicar, maldizer ou cometer toda a espécie de injustiças e atropelos à dignidade e aos direitos dos outros...
É também, na Comunidade, onde pode e deve encontrar a escola de oração para que a oração seja sempre um acto digno, um acto feito com arte, aquela arte que faz com que a oração seja a expressão sincera e autêntica, adequada e perfeita, confiante e humilde.
Não foi por acaso que este ano de pastoral 2002/2003 foi um ano em que o C.P.F. levou a efeito uma reflexão, ao longo de todo o ano, sobre a oração por especialistas nesta matéria, como são os senhores padres carmelitas.
Nós queremos uma vida com sabor, isto é, com qualidades, com entusiasmo, uma vida que seja sal da terra. Somos nós que, ao corrompermos a terra, deixamos de ser esse sal, que não serve para nada a não ser para ser lançado fora e ser pisado pelos homens (Cf. Mt. 5,13).
Ao vermos hoje tantas desgraças, tanta corrupção, tanta violência que mais é que havemos de esperar?
Renovar a nossa aliança com Deus e com os Homens.
É fazer com que este sal que somos não se deixe corromper neste mundo secularizado. É voltar à graça do baptismo que nos regenera pela Confissão e faz de nós membros activos, nos identifica com Cristo, nos abre o coração e a mente ao Espírito, nos faz disponíveis para os outros e nos põe à escuta interior que nos conduz à espontaneidade com alegria para a relação tanto com Ele, como com os Irmãos.
A Espiritualidade não consiste em escolher ou ir aqui ou acolá fazer exercícios espirituais, ou à igreja. Ela é algo mais fundamental como um desejo interior que nos arrasta para Deus e para a Humanidade... e nos conduz a Cristo que nos amou até ao fim, à caridade que é o Amor e à oração que é a fonte de toda a vida espiritual. A vida espiritual é que conduz à Liturgia onde ritualmente se envolve o silêncio, a palavra, a posição do nosso corpo, todos gestos com um significado adequado àquilo que se está a viver.
Por isso, a espiritualidade de um povo é o motivo mais forte que leva à Comunidade, é a alma da Comunidade. É o tal sopro que faz um povo viver como um só Corpo, um só Espírito porque baptizados num só Baptismo, no dizer de S. Paulo.
Esta espiritualidade, vivida na Paróquia de N.ª Sr.ª de Fátima, tem, naturalmente um outro sabor: é o sabor mariano, não fosse a Comunidade centrada no espírito de Maria, em N.ª Sr.ª de Fátima que é a Padroeira, a Senhora do Carmo outro centro importante com Igreja e Seminário dentro da Comunidade, assim como em N.ª Sr.ª das Necessidades com capela no coração do lugar da Abelheira.
A espiritualidade, como princípio de toda a vida sobrenatural, que é o Divino Espírito Santo é a posse da Graça de Deus, é chamada à Santidade, à unidade, e na diversidade dos seus dons, na variedade dos seus carismas.
Numa Diocese em Sínodo, como está a actuar o Espírito em cada uma das Paróquias, células da Diocese? A pergunta é extensiva a todas, inclusivé, à Paróquia de N.ª Sr.ª de Fátima.”
P.e Coutinho

A Liturgia e a Paróquia numa Diocese em Sínodo


“Sem evangelização não poderá haver liturgia, pois esta é fruto da experiência de fé para poder compreender vivencialmente a complexidade tão nobre, como é nos seus aspectos, compromissos e experiências pessoais e comunitárias para todos os que participam numa celebração litúrgica.
Não se celebra a liturgia sem comunhão entre os participantes, pelo menos, não será verdadeira liturgia. Não haverá liturgia autêntica se não houver comunidade e a comunidade é fruto da liturgia, sem que se despersonalize a pessoa que, na comunidade, participa. Uma comunidade religiosa é uma realidade social, quer queiramos, quer não, quer seja perfeita, quer seja imperfeita.
A comunidade religiosa é um grupo de pessoas que vivem com objectivos comuns do âmbito religioso, onde a pessoa se realiza socialmente. Ninguém, pois, se pode realizar independentemente dos outros... Ninguém pode neste mundo ser uma ilha...
É na dimensão social do Homem que ele vive mais profundamente a comunidade religiosa e, através dela, forma uma comunhão pessoal de vida. É através da Comunidade que a pessoa comunica e participa, dá e recebe e onde exerce as virtudes da humildade e da generosidade, do compromisso e da partilha...
Está com os outros e é com os outros. Enriquece a sua espiritualidade porque “nem só de pão vive o homem”. É nela que se integra e se manifesta ser para os outros e ser com eles. Há aqui uma relação diferente quando ela é religiosa, cultural, pois vai mais além, é transcendente e não é aleatória; parte da vontade própria e sente a necessidade de intervir, de ser no mundo assim, com os outros e para os outros...
A base desta comunidade litúrgica está na trindade, onde ela é perfeita. A nossa, por mais perfeita que seja será sempre um sinal muito frágil da Trindade Santíssima.
Através da liturgia, os fiéis entram em comunhão com a Santíssima Trindade.
Pela encarnação do filho de Deus, Deus estabeleceu a sua morada entre nós, não está junto a nós, mas está connosco. Isto quer dizer que, pela encarnação do Verbo, nasceu a Igreja. A Igreja é a humanidade reunida e convocada para a comunhão com Deus, para a comunhão entre os Homens, e entre estes e Deus. Só assim é possível pelo Espírito vivermos congregados num só Corpo.
Nos Actos dos Apóstolos há uma passagem muito significativa quando se refere a Ananias e Safira que usurparam dos bens que lhes pertenciam não os entregando todos como os outros fizeram generosamente ao serviço da Comunidade. Pedro chama-lhes a atenção: “Mentistes contra o Espírito... contra Deus...”. Cf. Hebreus 5.
A comunidade deve discernir que não é ela própria que escolhe, mas Deus. Não somos nós que escolhemos, ou nos elegemos, para viver comunitariamente um ideal inspirado pelas nossas aspirações religioso-ascéticas. É Jesus que actua para a nossa santificação. Tem de aceitar que nela pode haver pluralidade de carismas. Se o Espírito Santo é a alma da comunidade, a pluralidade de carismas é natural porque onde está o espírito está a abundância das suas graças, na construção do Reino, onde sempre existirá o pecado entre os membros. Será uma comunidade de pecadores, e ininterruptamente chamados à conversão.
Já aqui abordei a origem da comunidade cristã.
E, como comecei, não há comunidade sem Liturgia, nem Liturgia sem comunidade, daí que até um sacerdote sozinho pode rezar, fazer a oração, rezar a liturgia das horas com toda a Igreja, mas não tem que celebrar a Eucaristia que é um acto estritamente comunitário, onde a comunhão se deve manifestar e o padre sem fiéis não tem motivo para esta oração, acção de Graças.
Toda a liturgia nasce da comunidade cultural. O culto é a fonte sempre insubstituível da vida e do desenvolvimento.
A liturgia da Igreja não tem como objectivo aplacar os desejos e os medos do homem, mas escutar e acolher Jesus ressuscitado.
A liturgia é, por isso, um mistério e renovar o ritualismo desta vivência cultual, exige grande trabalho, esforço de formação para que a espiritualidade que a liturgia envolve seja o mais concreta possível e de acordo com a espiritualidade de Jesus Cristo.
É por isso que sempre tivemos o cuidado de celebrar os sacramentos com a liturgia mais adequada, a começar pela Eucaristia que, depois do Baptismo, é aquela que alimenta a vida de Comunhão.
Logo em 1979 já tínhamos uma equipa de liturgia que preparava as missas de cada Domingo. Dela fizeram parte várias pessoas que, semanalmente, na sacristia, se reflectia sobre a liturgia da Palavra, etc..
Logo houve no princípio um curso de leitores que já se repetiu por quatro vezes. Embora tenhamos insistido, nem sempre se lê do melhor modo, o que me faz muita pena. Ainda outro dia ouvi um comentário destes, “O meu marido telefonou-me para que se fosse à missa desse atenção à primeira leitura e afinal não entendi uma palavra sequer”. E isto que eu estava a ouvir uma senhora a contar a outra, era na realidade, uma verdade porque tinha sido eu o celebrante e ouvi e calei-me. Muitas vezes acontece isso, um ou outro leitor não sabe o que vai ler e depois lê para ele e nem sequer ele, às tantas, foi capaz de compreender.
Tudo tem de ser preparado com antecedência.
Pessoas que nunca participaram em formação de leitores, só em caso de suplência devem ler, mas deve preparar-se antes, como qualquer outro o devia fazer.
Também em 1979, surge a primeira “Luz Dominical” de forma muito rudimentar, mas havia esse cuidado, com comentários às leituras e informações paroquiais. Nesta altura é de formato A5 e contém os cânticos da missa sobretudo da missa vespertina.
O coral a que chamamos coral litúrgico, é o coral dos mais velhos, formado de pessoas que ficaram do Espectáculo Marcos 9,37 animado por Joaquim Gomes. Aqueles que pertenciam ao coral quando aqui entrei continuaram, mas a pouco e pouco, por isto ou por aquilo, foram deixando, mas há um núcleo que vem desde 1979 ao qual já se juntaram vários colaboradores e, assim, se tem mantido o coral que anima a missa vespertina e festas importantes da Paróquia.
A missa da catequese sempre foi animada por outra gente, mas há 15 anos que a Célia Novo, formada em Arte e Design é a animadora de um grupo juvenil, sempre escolhendo cânticos ao gosto das crianças...
Aparece, mais tarde, um grupo de jovens que supriu a falta do “coral litúrgico” que também cantou na missa do meio-dia, a tomar este lugar. Na maioria são alunos da Academia de Música, cantam cânticos às vezes a 4 vozes, cânticos clássicos; enfim, uma missa diferente e que a assembleia também gosta.
Logo que aqui dei entrada pareceu-me litúrgico o sacerdote receber à porta da igreja todos os que chegavam para a celebração. Fiz isso muitos anos. Agora é raro, mas quando posso ainda me sinto bem a fazer esse acolhimento a quem chega para celebrar comigo.
Há sempre uma palavra diferente para um ou para outro, enfim... Vamos fazer comunhão poucos momentos depois...
No entanto, estão sempre dois paroquianos a receber quem chega a entregar a “Luz Dominical” e, certamente, a fazer um pouco aquilo que eu fazia... Um olá! Uma palavra! Um benvindo!... Como está?
Entretanto, enquanto se faz o acolhimento, o animador da assembleia e o coral faz os últimos ensaios dos cânticos para que a assembleia aproveite e possa acompanhar depois o coral, fazendo com que muitos participem no canto. O mesmo se diga dos salmistas que também têm sido preparados para que a celebração seja sempre muito digna.
Procuro não me alongar na homilia, apenas 5 a 7 minutos. Não vá a minha palavra ser mais importante que a palavra de Deus!... Também não tenho grande dom de palavra!...
Deste modo, são sempre os 45 a 50 minutos o tempo da celebração. Às vezes, por motivo de festa, pode ir mais longe...
Os Ministros Extraordinários da Comunhão não só colaboram na distribuição da Sagrada Comunhão, como levam a comunhão aos doentes.
Já há uns anos que fizemos paroquialmente formação para Acólitos Adultos e, desse modo, temos uma equipa que soleniza os dias de festa com o sacerdote, utilizando a procissão com o crucífero com a cruz levantada à frente, os ceroferários, o turiferário e o ajudante com a naveta, seguindo os dois acólitos e o sacerdote.
Mas, a missa não é o único acto de culto. Todos os outros sacramentos são actos de culto com liturgia também apropriada.
Lutamos pelos baptismos comunitários, celebrados em colectividade ou celebrados dentro das missas. Os pais são acolhidos por um casal e depois há preparação para pais e padrinhos mensalmente feita pelo pároco. Os párocos da cidade distribuíram ultimamente uns desdobráveis dando informações sobre o que é e as condições necessárias para o Baptismo. Um trabalho foi feito em comum com as paróquias da Meadela, N.ª Sr.ª de Fátima, S.ta M.ª Maior, Monserrate, Senhor do Socorro, Areosa e Darque.
Para o sacramento da Penitência que renova a graça baptismal, prejudicada pelo pecado, temos tempos fortes pela Páscoa e pelo Natal. Pela Páscoa temos 24 horas de acolhimento para a Confissão e, durante o ano, à quinta-feira, pela manhã antes da missa e à tarde também antes da missa.
Já se fizeram celebrações penitenciais por altura da Quaresma, mas as pessoas não aderiam com facilidade. O número era muito reduzido. Fazêmo-las agora na festa do Perdão para as crianças da catequese.
O sacramento da Confirmação é administrado, há 24 anos, aos jovens que completem 10 anos de catequese. No tempo de D. Armindo Lopes Coelho, de 2 em 2 anos sensivelmente vinha crismar aqui na Paróquia, embora alguns fossem à Sé para não esperar pela data da Paróquia. Com os critérios do novo Bispo de Viana alguns têm ido à Sé Catedral para serem crismados no dia de Pentecostes. Aqui agora só haverá crisma quando for marcada visita pastoral.
Para os que saem fora do esquema da catequese normal, e já têm idade adulta, há outro tipo de preparação para o Crisma.
O Sacramento da Santa Unção tem sido administrado anualmente a idosos e doentes na quarta-feira santa na Igreja, de forma comunitária, e ao domicílio quando pedem. Procuramos que cada ano seja diferente a festa da Administração do Sacramento da Santa Unção e da Comunhão Pascal.
Quanto ao Sacramento do Matrimónio é feito um acolhimento por um casal e depois é feito o C.P.M. (Centro de Preparação para o Matrimónio) ao Domingo pela manhã, no Colégio do Minho, de organização diocesana.
Temos tratado do processo civil para ajudar, ou facilitar, os noivos e organizamos o processo religioso, como não poderia deixar de ser. Quanto à liturgia procuramos dar a oportunidade aos noivos de escolherem as leituras e, até às vezes fazer uma liturgia apropriada a cada casamento para não ser tão repetitiva.
Quanto ao Sacramento da Ordem!... nada se tem feito a não ser o aconselhamento e o desafio feito para que despertem vocações sacerdotais ou religiosas, mas... infelizmente sem sucesso! Só houve um seminarista no Seminário Diocesano e no Seminário do Carmo, nestes 25 anos. E o último sacerdote que esta zona deu à Igreja foi o P.e Manuel Miranda; ainda não era Paróquia e já faleceu, assim como uma irmã religiosa.”
P.e Coutinho

A Paróquia e as Migrações



“A Comunidade Paroquial não pode estar alheia aos problemas das migrações. Esta comunidade já teve um número razoável de emigrantes, como em todos os lados. Não tanto talvez, como nas aldeias, porque na cidade sempre se abriam mais facilmente perspectivas aos necessitados de trabalho.
Quando para aqui entrei havia emigrantes em número de mais de vinte famílias. Algumas nunca tinham voltado a Portugal.
Hoje, as contas são forçosamente outras não porque os que cá estavam, tivessem saído, mas porque muitos emigraram de outras terras vizinhas e aqui compraram um apartamento para viver, ou por motivos profissionais, passarem a semana de trabalho, ou para passar férias. Esses em relação à comunidade, podemos considerá-los também imigrantes.
Nós somos emigrantes no Brasil, na França, na Argentina, na Venezuela, África do Sul, etc.. Sabemos o que custa ser emigrante, por isso, devíamos compreender a dificuldade daqueles que são hoje imigrantes na nossa terra.
Um problema novo que nos surge para reflexão e para um debate de carácter social, cultural, económico. A paróquia tem de criar processos dinâmicos de integração do imigrante e, para isso, há esforços que têm de ser feitos mutuamente, os que acolhem e os que são acolhidos. Exige uma interactividade, de igual para igual, caso contrário não conseguiremos a verdadeira integração dos que chegam, porque só assim haverá afecto comum que conduzirá ao respeito mútuo.
Onde os direitos e os deveres, a precaridade e vulnerabilidade, de empregadores sem escrúpulos, e equiparação dos salários aos nacionais, pois trabalho igual ... o facto de acesso à formação profissional...
Os imigrantes se chegam é porque fazem falta. Se houver ofertas de trabalho que não são preenchidas pelos nossos, devemo-nos sentir felizes porque há quem chegue e os imigrantes não só levam o dinheiro a que têm direito para a terra deles, mas também deixam obras e dinheiro à nossa terra. Em 2001, segundo dados estatísticos deram um rendimento público de 65.000.000 contos.
Mais uma razão para além da fraternidade cristã que uma comunidade deve acolher e defender às vezes perfilidades injustas e explorativas Há que potenciar e facilitar a comunicação e lutar contra a discriminação étnico-cultural.
Quando uns e outros puderem exercer a cidadania num país, isto é, exercer direitos e deveres iguais então temos uma integração social e cultural.
É importante que na Paróquia os movimentos ou as instituições participem num acolhimento claro e franco aos que chegam como gostaríamos que os outros, noutros tempos, ou ainda hoje, nos acolhessem aonde chegarmos.”
P.e Coutinho

A Paróquia e a Evangelização, numa diocese em Sínodo


“A Evangelização é uma das vertentes fundamentais da Teologia Pastoral da Igreja: “Ide e ensinai!...”
Trabalhai, dai testemunho e falai das coisas de Deus, da fé, aos homens de boa vontade, a “tempo e fora de tempo”. Esta é a missão de qualquer crente baptizado. A Evangelização não é só devida ao Bispo, ao padre ou ao diácono... – a eles pertence salvar a doutrina e ajudar a interpretá-la e ensiná-la, – mas falar de Deus, falar da fé, falar da vivência de uma fé autêntica e cristã é, sem dúvida nenhuma, um dever para qualquer um dos baptizados.
Evangelizar é oferecer uma Boa Nova, oferecer aos Homens que vivem, numa sociedade concreta, Jesus Cristo, como modelo da Humanidade.
A fé é um dom e esse dom recebe-se  no Baptismo. A fé não é um conjunto de verdades estáticas, ela tem de ser, sobretudo, uma realidade dinâmica, pelo que conduz ao encontro, ao relacionamento com o outro, ao desenvolvimento normal de relações humanas, na medida em que ela se revela na pessoa do outro, porque os seus conteúdos não são o bastante para o convencer. Só há evangelização quando o outro começa a ter uma atitude diferente no modo de acolher o que o outro lhe comunica.
Quando mutuamente começamos a acolher a mensagem, a vivê-la no dia a dia, há compromisso, fé, evangelização...
Portanto, a fé é o resultado de um encontro interior com alguém que se nos revela, seja pelo outro, seja por qualquer sinal que tornou alguém atento e dinâmico, com vontade de o mostrar e não de  o esconder. É como algo de maravilhoso na vida que o leva a comunicar-se igualmente como crente, porque se confrontou com a revelação de Deus e para quem esta teve sentido.
Cremos que muitos dos nossos cristãos não são religiosos. Todo o homem tem uma dimensão religiosa e isso defendemos, mas o “modus vivendi” de muitos... que está longe da religião que é algo em que se vê o senhor absoluto, transcendente, algo de divino, sobrenatural que tem uma relação de Amor com o Humano, a quem este  obedece e para quem ordena toda a sua vida, segundo a sua vontade.
Não é uma tendência constante para o “religioso”, como um mito; isso será religiosidade mas  não religião. Não é medo de lobisomens, de almas do outro mundo, do obscuro, para o que precisam de esconjuros ou ritos mágicos para aplacar o transcendente que domina e castiga.
Há muita falta de clareza de ideias, de descernimento nos nossos crentes, às vezes com projectos humanos tão próximos da realidade, e tão longe de Deus, que não é o “salva vidas”.
“Hoje, à medida que o Evangelho entra em contacto com áreas culturais que estiveram até agora fora do âmbito de irradiação do cristianismo, novas tarefas se abrem à inculturação. Colocam-se à nossa geração problemas análogos aos que a Igreja teve de enfrentar nos primeiros séculos”, segundo João Paulo II, in “A Fé e a Razão”.
A evangelização, nesta altura, é uma das vertentes da Igreja que mais necessita do empenho não só dos pastores, dos responsáveis hierárquicos, mas de todos os leigos que devem aproveitar todas as formas de catequese através dos Institutos Católicos, (em Viana temos um), como através da Catequese ou organizações sistemáticas, para jovens e adultos, ano a ano, para que fique, de uma vez para sempre, para trás a fé infantil, a fé dos bancos da catequese, a fé da tradição, a fé dos antepassados que já não oferece respostas aos problemas que o mundo de hoje apresenta.
Cada vez mais a nossa fé tem de ser pessoal, opcional, clara, tão dinâmica e luminosa que deixe passar a mensagem que se vive. Essa mensagem  deve ser evangélica. O Evangelho nunca é contrário a esta ou àquela cultura, mas, sem as privar de nada, as estimula a admitirem-se à novidade da verdade evangélica, da qual recebem impulso para novos progressos”(Cf. “A Fé e a Razão” n.º 71).
É claro que o nascimento do homem novo encontra sempre alguma resistência tanto a nível pessoal, como social. É a experiência que temos quando em 1984 lançámos  as catequeses quinzenais para adultos na Paróquia  .
Quantos e quantos foram convidados, apesar dos apelos feitos nas missas de Domingo!... Sempre tão poucos os que aproveitam momentos de reflexão, estudo, para que cada um possa compreender os problemas da nossa sociedade de hoje e poder ter respostas de fé  para as novas questões que nos são levantadas.
Cristo continua, hoje, a ter lugar na nossa esperança, na nossa vida, ainda que muitos tenham medo de o escrever como Alguém que mudou a história da Humanidade. Trouxe uma nova civilização, na qual a Europa se envolveu e se empenhou.
Esse medo é fruto do que dizia antes. Está visto que os nossos políticos, os que nos representam, como eleitos do povo, das Comunidades, também terão aquela fé infantil que não tem valor nenhum para os dias de hoje.
É isto que temos de combater. A Paróquia falha, se não se interessar por este sector da teologia pastoral. Nas Paróquias temos de acabar com a catequese infantil se não nos debruçarmos também e a sério numa catequese de adultos, dos pais e dos avós.
Tudo pode funcionar concomitantemente. Não podemos falar da catequese de Infância sem falarmos na necessidade que os adultos têm de frequentar cursos de Teologia, algumas cadeiras no Instituto Católico ou, ao menos, na Paróquia, aproveitar o que ela oferece para que não se fique com uma fé tão débil, porque o mundo de hoje exige muito mais de todos.
A Paróquia só pode dar sentido à celebração litúrgica se tiver fé, e ter fé é ter conhecimento, experiência vivencial de Deus, na vida em comunhão com os outros. Se for assim, a Paróquia  pode ser uma comunidade acolhedora para fazer festa, celebrando-a na comunhão  na alegria e no perdão.
A Paróquia, como célula viva da Igreja particular, a Igreja Diocesana, não se esgota na evangelização: ela é missionária, é evangelizadora, é acolhedora, participa na igreja universal através da igreja diocesana, à qual preside o Bispo.
Não pode haver Paróquia sem baptismo. No início, só a Igreja do Bispo tinha pia baptismal e tudo partia daí, mas, com o passar dos tempos, a evangelização teve de chegar ao campo, saindo da cidade. Assim, surgiu a necessidade de aparecerem igrejas mais ao longe com pia para o baptismo. Então o baptismo passou a ser feito também nessas igrejas.
A Igreja nasce do baptismo.
Muita gente tem sempre uma certa afeição, e muito justa, pela igreja onde foi baptizada, pela pia por onde passou, no Baptismo, a Homem Novo. Este sentimento é justo e respeitável.
Hoje, já se baptizam crianças crescidas, em idade de catequese de adultos para o que é necessária uma adequada preparação. O Baptismo será melhor entendido.
Não basta querer ser baptizado. É preciso saber por quê e para quê? É necessário conhecer a razão que é a razão de Cristo.
É por isso que se exige tempo e amadurecimento para este “querer ser baptizado”. Conhecer bem os objectivos de Cristo, a pessoa de Cristo, para iniciar então um caminho novo na vida, um caminho com olhos novos preparados para ver o outro e amá-lo até ao fim, à maneira do Bom Samaritano. No outro pode estar representada toda uma comunidade de fé, de escuta, de esperança vivida e comunicada, no trabalho com os doentes, nos que mais precisam, nos que passam fome ou têm sede, nos imigrantes, nos presos, nos que precisam seja lá do que for. Só assim entenderemos a Paróquia como uma Comunidade de Amor, feita de comunidades mais pequenas que são as famílias – a igreja doméstica. Estas serão as primeiras experiências de comunidade, de evangelização e complementaridade numa Comunidade maior que é a Paróquia, onde todos serão co-responsáveis e participativos, cada um segundo o seu carisma e vocação.
Inseridos, pelo baptismo, na comunhão dos filhos do Reino, no Corpo Místico de Cristo, vamos padres e leigos levar a mensagem com dignidade, fundamentalmente iguais perante Deus, fundamentalmente iguais perante a natureza humana. Para satisfação e salvação,  peregrina e vocacional, conforme Jesus a assumiu. Os leigos, no mundo, têm eles a facilidade de sacralizar a família, o trabalho e a comunidade, não como quistos, mas na diversidade da unidade através da Legião de Maria, Vicentinos, Coralistas, catequistas, administradores, consultores, comissões de Pais, animadores, asseios e limpezas. Aos padres cabe o mesmo, mas o seu objectivo fundamental é acompanhar com a Palavra, alimentar com a Eucaristia, e salvar em Jesus Cristo o Homem caído.
Aliás, o Projecto de Deus sempre foi este, desde Adão e Eva, uma comunidade de Homens livres. Desde Abraão que, pela fé, fez a Comunidade dos Crentes; desde Moisés que pela lei fez a Comunidade Libertadora; desde os Profetas, que pela palavra, fizeram a Comunidade da Diáspora se preparar para receber Cristo. Pelos Apóstolos, chegou às pequenas comunidades, e só depois à Igreja, Povo de Baptizados, povo da Eucaristia e povo missionário (missa = enviado) até à Plenitude que será a Comunhão dos Santos.
Numa Comunidade envolvida em Sínodo Diocesano, a evangelização talvez seja o fundamental, porque a maioria dos cristãos não sabe sequer o que é um Sínodo, porque se o soubesse, e conhecesse a co-responsabilidade que os documentos conciliares lhes confere, iria trazer muitos efeitos de renovação, de Igreja nova, de homem novo, a começar pelos padres, até ao mais simples dos fiéis. Se assim fosse... os alheios ou não crentes poderiam sentir algo que os fizesse reflectir.
 Vamo-nos contentando com o que se passa na sacristia?!...”
P.e Coutinho

A Paróquia e a Demografia


            “Há vinte e cinco anos esta Paróquia tinha pouco mais de mil fogos e hoje tem mais de quatro mil.
            Nada acontece para muita gente. Mas se olharmos à nossa volta verificamos que o litoral cresce em população contra a desintegração do interior.
            Será que uma coisa destas pode deixar-nos a todos de mãos cruzadas a deixar que tudo corra como corre, sem regras, sem sugestões para um desenvolvimento harmonioso, também no interior. Isto mesmo no aspecto político.
Bom, mas o que aconteceu já não vai acontecer para gáudio de alguns porque o índice de natalidade desceu. Será esta a solução mais adequada e mais justa?
Vejamos na nossa cidade o seu crescimento populacional de há 25 anos para cá... Nas paróquias da cidade (Areosa, Meadela, N.ª Sr.ª de Fátima, Darque, Monserrate e Socorro).
Se formos um pouco mais além, vejamos o que aconteceu em Barroselas, Lanheses, freguesias do concelho para além de outras...
Não fiquemos por aqui, o que aconteceu, de há 25 anos para cá, nas vilas da nossa Diocese.
A nossa Diocese não é a mesma, os nossos arciprestados não são os mesmos, as nossas paróquias não são totalmente iguais.
O Concílio Vaticano II já foi há mais tempo e os documentos conciliares obrigam-nos a não ficarmos impassíveis com as mudanças sociais, os problemas novos da sociologia humana.
Quando passei algum tempo como arcipreste de Viana do Castelo tive oportunidade de organizar um convívio de sacerdotes do arciprestado. E à sombra dos pinheiros, junto à Urbanização Nova que se encontrava em construção na Praia da Amorosa, foi feita uma reflexão sobre a demografia das nossas paróquias, vilas e cidade. Isto levantou uma série de problemas  pastorais reflectidos ali quanto ao acolhimento, quanto às iniciativas novas para poder atingir pastoralmente esta mobilidade de pessoas. Uma das questões foi até aos espaços litúrgicos na cidade e vilas ou paróquias. Por fim, na qualidade de arcipreste, fiquei de ser o porta-voz junto do Bispo em nome dos padres do Arciprestado para lhe comunicar a necessidade de se criar uma equipa pluridisciplinar, composta por Teólogo da Teologia Pastoral, Sociólogo, Engenheiro do Ambiente, Engenheiro Civil e um Arquitecto, para que, a nível diocesano, pudesse acompanhar os planos de pormenor concelhios ou os, na altura, P.D.M., para que estudando em equipa juntamente com os párocos, envolvidos em desenvolvimento demográfico inesperado, fossem ajudados a que a dimensão religiosa duma povoação, paróquia, vila ou cidade em que a maioria é católica, não fosse esquecida.
Deste modo, há mudanças do centro de gravidade, deslocamentos populacionais, as igrejas longe das povoações ou tão pequenas que não favorecem o empenhamento pastoral, a descoberta de respostas futuras para os problemas que já são de hoje, ou já eram de ontem.
Este é um problema de hoje, depois... há paróquias que não conseguem terreno para uma igreja, por exemplo, não é preciso ir mais longe, vejam o que aconteceu à Paróquia de N.ª Sr.ª de Fátima que, por este ou aquele motivo, ninguém compreendeu o pároco actual, nem aqueles com quem ele trabalhou e trabalharam a não ser o Dr. Defensor Moura, actual Presidente da Câmara Municipal que mesmo sem audiências de 30 pessoas, resolveu o problema...
Para já esperamos!... porque para outros lados, incluindo religiosos, as coisas parecem não ser tão prioritárias como deviam... uma Paróquia que nasceu em 1967 que se pensava numa residência, numa igreja nova, mas as coisas se interessavam a uns, não eram convenientes para outros. Vejam agora o deslocamento da igreja em relação à população em geral. O que fazer e como fazer acolhimento a tanta gente que aqui chega?
Há uns anos tentei participar no colóquio nacional de paróquias. Só estive um dia, mas gostava de continuar. Nem sempre me condizia com o meu programa de pastoral paroquial. Este ano, por motivos de saúde, não participei no Colóquio Europeu de Paróquias, como tanto gostava, na Suíça, de 6 a 10 de Julho, no seu já 22º colóquio.
Uma das conclusões é que as Paróquias continuam a manter estruturas passadas perante as transformações que se dão na sociedade de dia para dia.
As Paróquias, os Arciprestados e as Dioceses têm que continuar a oferecer ao homem de hoje o espiritual, a oração, a vida interior que tanto o homem procura, mas não pode ficar só por aqui. Tem de ser criativa para quebrar a rotina que o homem não gosta, a paróquia tem de ser criativa e oferecer oportunidades a todos os que se dizem paroquianos, tem de ser lugar para a festa, para o perdão, para a fraternidade e para a reconciliação. Não se pode fechar na sacristia ou reduzir-se a festas com sermões ou pregações.
Uma Paróquia que não proporcione ou não esteja atenta àquilo que é capaz de unir os paroquianos nos mesmos objectivos de fé, é paróquia que tende a morrer.
Dizia aqui noutra local que a Paróquia ou volta a ser aquilo que era no princípio ou, então, não há razão para existir e ir resistindo ao tempo, apenas para constar e fazer parte das estatísticas, também não vale a pena.
É claro que a evolução social e o crescimento demográfico, as novas vias rodoviárias, a democratização da cultura e da mentalidade corrente oferecem problemas novos não só aos políticos que agora querem ser concelhos e não o são.
O que acontece na política, por conta dos votos, não pode acontecer na Igreja, mas a Igreja às vezes peca em retardar demais ao ver que o padre não responde às exigências pastorais duma determinada Paróquia, não é sinal eficaz da presença da Igreja naquele local, a Igreja não tem resposta para poder beneficiar da qualidade de vida religiosa de muitos que ficaram isolados, longe da sua igreja paroquial...
O facto da Igreja ter em conta a evangelização, a celebração e a partilha fraternal, identidade cultural e religiosa não serão os únicos meios, ou argumentos, que podem levar um Bispo a exercer a competência da erecção de uma Paróquia quer lhe dê um padre ou um diácono; já que os padres podem escassear.
Os bispos como co-responsáveis que são na vida da Igreja tudo devem fazer para que a autoridade competente sinta a necessidade de uma acção eclesial mais eficaz. É importante hoje mais que noutros tempos a relação pessoal Bispo e Padre com o seu povo como elemento determinante para a fundação de uma Paróquia ou Diocese.
Caso contrário não se precisa de padres, bastam os diáconos e um Bispo, mas não creio que essas medidas evangélicas, sejam verdadeiramente proféticas para a fé dos nossos crentes.
Paróquia, volta àquilo que foste, lugar de culto, de fraternidade, de perdão e de festa e voltarás a ser alfobre de vocações a nascerem nas famílias.
Volta a ser comunidade aberta às outras comunidades, tenham elas os carismas que tiverem, desde que o Espírito seja o mesmo.”
P.e Coutinho

A Paróquia e o Domingo


“Não foi por acaso que, ao sétimo dia, Deus descansou, segundo o livro do Génesis. É de direito divino descansar ao menos um dia em cada semana. O Homem encontra-se consigo mesmo, com Deus e com os outros.
Desde o nascimento da Igreja, os primeiros cristãos começaram a celebrar o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição do Senhor, com cânticos dos salmos e leituras, começando depois a celebrar também a Eucaristia, o partir do pão e a bênção do mesmo, segundo a ordem de Jesus.
Como à Paróquia presidia um Bispo, era a comunidade maior sediada nas cidades, só quando passaram para o campo e mais tarde, pelo séc. III ou IV, atingiram as terras mais longínquas, aí surgiram Paróquias sem bispo, presididas por um presbítero ou diácono, umas com pia outras sem pia, isto é, umas com direito a baptizar e outras não, pois o ideal era sempre que alguns sacramentos, como os de iniciação cristã, fossem administrados pelo Bispo que, então, na igreja da cidade onde presidia, era já a diocese.
O Domingo foi sempre um dia sagrado para os cristãos, dia de oração, de missa, de encontro, de festa, de partilha, de fraternidade, de solidariedade, dia da família.
Criaram-se costumes interessantes que bem manifestam a importância do Domingo.
Antiga            mente a roupa de Domingo era diferente da roupa da festa e da semana. A roupa era normalmente comprada para a “festa”, passava a ser a roupa domingueira e depois era a roupa da semana ou do trabalho.
Ao Domingo comia-se melhor, mas do que havia em casa, o chouriço, o presunto ou o toucinho ou outra parte do “frigo”, a salgadeira.
A carne de vaca ou da melhor rês do rebanho era coisa que se usava apenas nas festas.
Era ao Domingo que as pessoas reservavam tempo para ir à missa e, no final, encontravam-se com os amigos. Quando estes estivessem doentes havia que destinar tempo, na tarde de Domingo, para os visitar, em casa, ou no Hospital.
Um outro tempo do Domingo era passado em família e, muitas vezes, um almoço mais demorado, talvez um piquenique, juntava-se a família. Os casados visitavam os seus progenitores, juntando-se muitas vezes os irmãos em grande cavaqueira na casa paterna até altas horas da tarde.
Era um ritual que o Domingo trouxe para além do descanso, convívio familiar, encontro com Deus na Oração ou na Eucaristia, enfim, o encontro com os outros amigos da mesma terra que normalmente ao sair da missa havia mais uns minutos de cavaqueira, com este ou com aquele, porque todos eram conhecidos e viviam na mesma terra, às vezes com os mesmos problemas.
Não era difícil esses momentos serem também momentos de decisões importantes, de acordos, para a comunidade, e às vezes com a “bênção” do padre, outras vezes, ocasião para coisas em contrário à harmonia.
Ao Domingo também era o dia destinado para o passeio ou para a romaria...
Mas, para um cristão, Domingo sem missa, não era Domingo e consideravam o maior dos pecados porque era apenas uma questão de tempo, e o tempo Deus dá-o de graça.
A missa era assim como o principal elo de união entre os paroquianos à volta do seu pároco. Dela as pessoas voltavam mais alegres e felizes a casa, por terem encontrado o transcendente, o absoluto, o divino e tendo-o comungado, voltam às suas casas, a comungar do bem ou do mal, que muitas vezes descobriam com os amigos, no fim da mesma.
Por isso, o Domingo não é um dia qualquer para uma Comunidade Cristã, como deve ser uma Paróquia.”
P.e Coutinho