AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com

Obrigado

domingo, 10 de dezembro de 2017

Cristão, homem de risco


Cristão, homem de risco





Jesus foi um Homem de risco ao trazer uma boa nova de paz. Ele articulou um risco com dois aspectos, o conflito e a paz, num projecto de vida que o fez salvador da humanidade.
Na cruz de Jesus, encontramos a verdadeira e autêntica chave, segredo, mistério que não foi um mero acidente do seu caminhar, nem algo que casualmente lhe aconteceu, mas o desenlace de uma série de conflitos que ao longo de toda a sua vida terrena foram crescendo...
Não lhe faltaram conflitos com as autoridades judias, sobretudo com as sacerdotais, as farisaicas, com as normas romanas e até com a família.
A cruz foi o culminar de uma morte civil e estigmatizado como amigo dos pecadores e publicamos, possuído do demónio, como louco, sedutor do povo, subversivo da ordem pública, (Jesus Nazareno Rei dos Judeus).
Por outro lado o anúncio central de Jesus se formula quase sempre no Reino de Deus, como o Reino da paz. Foi assim que os discípulos enviados por Jesus anunciavam a “chegada do Reino de Deus ou a paz a esta casa” e aquilo que os caracterizava é que eram apontados como “os filhos da paz”.
A paz de Jesus não era uma tranquilidade cómoda para os poderosos.
O risco da vida de Jesus é um elemento central como proclamação de paz no seio de uma sociedade conflituosa e injusta. É, portanto, de Cristo que nasce o núcleo de uma forma nova de viver o conflito social.
O que se faz discípulo de Jesus, o cristão assumido, nunca poderá renunciar à justiça no reconhecimento da dignidade e desigualdade de cada homem, pois ele é a base imprescindível para a paz, mas não basta; uma paz farisaica seria desumana: A letra mata e o espírito vivifica!
Para além disso no meio do conflito tem de haver sempre o objectivo da reconciliação, como o diálogo, o reencontro entre as pessoas, ou a pessoa em si mesma.
A não-violência ou a renúncia à vingança supõe uma grande confiança em Deus e na sua justiça, uma fonte de comportamentos de superior qualidade ética, como diz São Paulo aos Romanos (em 12. 14-21).
Isto significa auto controlo, fé, confiança divina, esperança e amor. Perdoar e amar os inimigos, desenvolver esta mesma ideia cujo o espírito o poderemos entender apenas integrado no ideal do Sermão dos Bem-Aventurados. Este é o amor desinteressado, o mais gratuito, aquele que nos faz mais filhos de Deus, nos identifica mais com Cristo, seu divino filho, Jesus.
Aqui nascerá a grande autoridade moral da Igreja para poder fazer propostas evangélicas do perdão e arrastar os outros.
Jesus não fez uma proposta política ao contrário do que alguns procuram insinuar. É uma proposta completamente nova e inovadora!
Deus não faz acepção de pessoas segundo S. Paulo, desde que haja temor a Deus e pratique a justiça, Ele com nada lhe faltará. Jesus Cristo é a nossa paz, continua S. Paulo, e fez-nos família de Deus. Há que “edificar a comunidade” onde estamos inseridos, por isso, desenvolve também S. Paulo muito a doutrina do Corpo Místico de Cristo em que Cristo é a cabeça e nós os seus membros.
Construir a paz é construir a família igreja doméstica, é construir a comunidade de comunidades ligadas ao seu Bispo e ao Papa.
Este é o contraste pelo que a mensagem de Cristo é uma mensagem de risco não porque seja política, mas porque é vivencial e nasce do coração das pessoas que são um todo com Cristo que deve aspirar ao enriquecimento espiritual, material e culturalmente tanto no aspecto individual como social.
A mensagem é para todo o povo de Deus e não para criar proselitismos sejam de que cariz for.
Talvez alguns movimentos da Igreja hoje queiram chamar a si toda a atenção, como sendo os únicos válidos, os únicos detentores da razão esquecendo a liberdade que é outro dom de Deus ao homem, tanto para o bem como para o mal, mas que o responsabiliza e o compromete.

Todo o homem que se preze de ser cristão tem de ser uma pessoa de risco, mas tem uma certeza, é que nunca está só. Cristo está com ele e, se os outros fizeram a mesma comunhão da co-responsabilidade eclesial, então sairá sempre vitorioso como o Mestre que venceu a própria morte, ressuscitando.

Bacio

Bacio
No primeiro volume já escrevi sobre o assunto, mas antes de a retrete existir em casa, e não servia para mais nada que dejetar ou urinar, pois o banho também já descrevi noutro sítio sobre higiene do corpo.
Nessa altura em que a retrete ou a “casinha” era fora de casa, no eido dos animais ou no meio da horta havia uma vasilha própria para as primeiras necessidades durante a noite era o bacio, também conhecido por penico.
Era o objeto para todos os dejetos que pela manhã era despejado em lugar próprio de época.
Havia várias qualidades de bacios em porcelana, em cerâmica, em folha-de-flandres, em latão pintado ou não, com mais ou menos flores pintadas pelas paredes exteriores, como o exemplo que aparece na foto.







Este objecto ainda é utilizado, mas tem tendência próxima de deixar de existir. Agora já começa a haver banheiro, lavatório, sanita e tudo o mais que faz falta para a higiene pessoal em quarto de dormir, ou no corredor bem perto de todos.
Lá se foi o penico com a sua asa e aqui fica nesta foto registada para memória, embora seja apenas uma espécie de muitas variadíssimas espécies que existiam, mas é o único que conservo nos meus registos.

Outra coisa que já foi há muito, foi o papel higiénico que antigamente era o papel de jornal, ou outro talvez mais duro. Recordo que quando regressei de S.PETTERSBURG de comboio, foi-nos indicado um hotel de turismo, junto à Praça Vermelha para serviços e quando entrei numa casa de banho havia rolos de papel de jornal cortado e como era tanto, não faltava papel estendido ou desenrolado pelo chão fora. Nessa altura já foi escândalo para todo o grupo.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Chupa-chupas


Chupa-chupa

Quando era criança recorda-me vagamente de que o modo de calar as crianças quando não havia chupeta, era fazer um “aloque” com açúcar, isto é, manter açúcar num pano como um boneco ou boneca bem apertado para meter na boca da criança.


Já começa a criança a chupar, a sugar o açúcar e a adormecer ou a acalmar.
Quando já mais crescido apareceram os chupa-chupas em forma de cone com base num palito conforme a fotografia que junto. Era duro porque era açúcar acaramelado, algo arrefecido e lançado num papel em forma de cone à volta do dito palito.
Esse chupa-chupa andava na boca de muita gente sobretudo dos mais novos.
E isto de meter na boca e chupar ou sugar repetidamente chamou-se talvez por esse motivo chupa-chupa de que exponho fotografia.
Hoje os chupa-chupas são outros e muito diversos, uma guloseima para crianças e adolescentes às vezes, requer-se algum cuidado porque estes chupa-chupas modernos de que mostro fotografia podem incluir químicos nada favoráveis à saúde orgânica ou psicológica das crianças.



Estes chupa-chupas nada têm a ver com Salvador Dali , nem com qualquer outro dos tempos mitológicos.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A Eira



A Eira


A eira era normalmente o terreno adjacente ou próximo da casa do lavrador (eirinha e eirado), espaço destinado às malhadas e às secagens dos cereais. Espaço livre entre o quinteiro e o resto do quintal, onde é montado o palheiro da palha do centeio, aveia, cevada e azevém e as medas da palha milha, assim como o espigueiro. Esta palavra vem do latim “area” = espaço livre, lugar para trilhar, pátio, como eirado (areatu).






Uma casa de lavrador sem eira e sem espigueiro era casa de cabaneiro.
Sempre a eira foi um local mais soalheiro não só local bom para as ditas malhadas e secagens de cereais, mas também para as crianças brincarem. Mesmo que não chova no Nabal haja sol na Eira, isto é, a eira tem de ser lugar exposto ao sol para os seus fins. A eira era também lugar de encontro para o trabalho, para o diálogo, funcionava muitas vezes como a sala de visitas da casa.
Daí haver ainda topónimos como a Quinta da Eira, a Casa da Eira, a Casa da Eira Longa. Havia também a eira de pedra, ou sobre penedos, assim como a eira Vedra. Aparece mais tarde a eira de cimento.
O espigueiro era o sequeiro, normalmente no alto sobre uma base ou colunas de modo a evitar a subida de ratos da terra para não irem aos cereais.
Normalmente era comprido, bem arejado por todos os lados e coberto para que não entrasse a chuva, mas apenas o vento.
Havia casas altas, com dois pisos que às vezes juntavam à casa o sequeiro.
Conheço um exemplar deste género, mas tenho uma vaga ideia de que já vi outros casos semelhantes, sobretudo na Galiza.


Os canecos, os cântaros e as canecas


Os canecos, os cântaros e as canecas

Ambos são recipientes, vasilhames diferentes das bilhas Os canecos são maiores e de madeira, podendo ser  de folha-de-flandres, de latão… E com asas aneladas.
As canecas são mais pequenas de vidro, de pirex, de plástico, de porcelana e podem ir ao forno, são resistentes ao calor e assim como se bebe um leite com café pela manhã bem quente, ou num dia de verão se pode beber algo muito frio.
 Estas vasilhas como os canecos são abertos por cima e com a base muito mais larga que a boca, precisamente para serem transportados os líquidos sobre os ombros.
Os canecos são normalmente de madeira, mais pesados e com aduelas ou ripas ajustadas com aros de ferro, ao modo dos pipos.
Também existem os cântaros, esses são de cerâmica e levam mais ou menos a mesma quantidade de líquido. São mais bojudos. Aqui estão de lado os canecos aferidos que trato noutro lugar.















As canecas podem levar 1 a 2 litros de vinho, disto ou daquilo que vão à mesa, vão ao forno e, normalmente, quando servem os líquidos quentes são repartidos por outras canecas mais pequenas como uma almoçadeira, uma malga de sopas de vinho, etc…
Para além destas vasilhas havia no meu tempo as chaleiras (cantarinhas - cântaras pequenas - com uma pega e bojudas), que eram de cerâmica e serviam para fazer chá, café, cevada e depois vinham para as pequenas canecas como a chávena do café. Em alguns sítios chamavam à chaleira, a “chocolateira” talvez por chocolate, pois aqueceria o chocolate. Também conhecida popularmente por “chicolateira”. As cantarinhas – canecas pequenas - eram as chaleiras que aqueciam a cevada ou o café a água encostadas aos potes devido aos desníveis das lareiras e havia as que tinham três pernas, outras só uma base rasa.
Hoje existem de muitos materiais e de asas, enquanto naquele tempo as mais pobres tinham apenas um torno ( que fazia de asa) do mesmo material.
O caneco e o cântaro são utilizados para ir à fonte, ao poço e carregar água para nas cozinhas haver água à disposição para beber, para cozinhar, para lavar e conforme os dias lá se carregavam 2 cântaros ou 2 canecos por duas ou três vezes ao dia.
Estes canecos ou cântaros eram colocados sobre as dalas, mesa de pedra normalmente para lavar as louças e potes ou panelas, os tachos, e com um ralo para lavar a água suja para a fossa ou para a estrumeira.
Quanto ao cântaro é conhecido o melhor provérbio: “O cântaro tantas vezes vai à fonte que algum dia deixa lá a asa” para dizer aos teimosos que não há teimosia que não tenha um fim, por exemplo. “ Chove a cântaros”
Também quanto ao caneco muitas vezes era usado como: “Olha, vai para o caneco”, “estava bêbado como um caneco”, “Foi uma noite que nem um caneco”.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

CHAPÉUS




CHAPÉUS


Chapéus há muitos!...Mas este é um exemplar do chapéu utilizado por um capador de Mazarefes. Este tipo de chapéu de de feltro está a vir de novo à moda...







O Boné


O Boné

O boné é um dos chapéus mais famosos e modernos depois da boina (beha ou “beret”) e do gorro.
É geralmente de tecido em malha, o mais antigo. Em França num museu está exposto um com mais de 2550 anos. É de gomos próximo à modelagem actual. Começou a ser usado por açougueiro inglês por volta de 1800. No final do séc. XIX ele era o rei no mundo desportivo, tornando-se popular nos Estados Unidos e com o andar dos tempos ganhou maior utilidade e até a ser confeccionado em couro e nos meados do séc.XX havia-os como hoje em todos os cortes e feitios, de todos os materiais possíveis. Alguns até bordados foram e são. As cores diferentes servia e serve para distinguir grupos e ao mesmo tempo para publicitar marcas, fábricas, empresas, clubes, etc... São bonés promocionais que se usam e se vêem quase todos os dias, seja para guardar a cabeça da chuva, seja para a guardar do frio ou do sol.
Em Portugal as fábricas mais conhecidas de chapéus finos era a de Tomar mas a mais antiga seria a de Pombal, a Real Fábrica do Pombal e de Tomar, a de Lisboa e Portalegre. Também existiam várias fábricas das boinas. Mesmo aqui em Viana da iniciativa de espanhois que aqui casaram e na área desta Paróquia e da Meadela houve uma fábrica dessas, como por exemplo a Fábrica da CEDEMI, ou esta junto da Fáfrica das boinas.
No século XVIII João Pedro Salabert era o maior negociante de fábricas de chapéus finos, isto é, chapéus para a festa, para as honras dos nobres e das suas mulheres e filhas.
Também existiam os chapéus de palha de centeio e de artefactos de verga que vinha Camacha. Era o chapéu do lavrador e dos jornaleiros.
As boinas terão vindo antes do boné e depois dos gorros de tecido mais cumpridos a enfiar pela cabeça até às orelhas, ou com umas abas abertas a apertar por baixo dos queixos.
Nos finais do século XX, as boinas estavam a cair em desuso enquanto o mercado dos bonés estava a ficar fulgurante. A diferença entre uma boina e um boné é que o boné tinha ou tem uma pala que tira o sol da testa, dos olhos ou faz sombra sobre o rosto. Normalmente, a boina levava ao centro no exterior um carrapicho. No entanto, a boina como o boné eram antigamente forrados no interior e levavam um debrum, uma fita, em toda a volta.










Quanto ao modo de trazer na cabeça a boina ou o boné depende do efeito que se queira tirar do objecto ou da farda, da vestimenta que é utilizada, como, por exemplo, um escuteiro usa a Boina com o seu distintivo da flor de liz e quando não a quiser utilizar põe-na sobre o ombro do lado esquerdo, entre a camisa presa com uma platina à camisa. Se o escuteiro estiver com agasalho, como por exemplo uma camisola de lã, dobra a boina em duas partes e coloca-a por baixo do cinto do uniforme, entre a fivela e o bolso do lado esquerdo.
Há o chapéu à gaúcho, vago ou gaudério, que surgiu na Argentina produto da miscigenação indígena com luso-brasileiros e espanhóis, à cowboy, abas materiais dobrados para cima e afunilados para afrente chapéu tropeiro com aba larga e recta ou com a parte da frente virada para baixo ou com copa alta formando 4 gomos, como “à escuteiro” e o chapéu “missioneiro” de aba larga, com a parte da frente “quebrada” A copa é baixa, redonda e achatada e com vinco. O chapéu à Escuteiro, também conhecido por chapéu à bivaque, o chapéu Mexicano.
O que se diz aqui sobre este assunto quanto a cobrir a cabeça é de uma forma geral, não há muito mais que se pode dizer e outras que se possam descobrir.
A diferença dos homens para as mulheres era pouca ou nenhuma; os materiais eram os mesmos, apenas as formas e os adornos eram diferentes não só em relação à finalidade, como à feminilidade que se impõe ao seu uso que difere de região para região.
Quando era criança o rico usava sempre chapéu de feltro e o pobre  recorria a chapéus mais fracos, assim como as mulheres.
Na Igreja tudo era igual em relação aos homens, pois em sinal de respeito nunca se entrava de cabeça aberta em casa nenhuma e muito menos na Igreja. Ao passar em frente à Igreja o homem que vinha do trabalho ou que por vários motivos tivessem de ali passar tirava o chapéu, fosse chapéu diplomático. Fosse de serviço, com respeito ao Santíssimo o Sacramento, ou, se no caminho passasse por umas alminhas ou uma simples cruz fazia o mesmo, uma vénia e chapéu na mão.
A mulher, essa era o contrário, se ela tinha de ter o cabelo coberto era na Igreja, também com o mesmo propósito em sinal de respeito, pois os adornos femininos nos penteados usados nos cabelos eram sempre um sinal de vaidade, de ostentação, de sedução, etc… e tapar a cabeça cobria “essa vergonha toda” ou ostentação perante o sagrado.


Não faltam diversidades de bonés: um é usado pela GNR, outro pela PSP, outro carteiro do tempo do carteiro, outro para isto ou para aquilo…São muitos para não falar dos mais modernos usados com mais pala ou menos, para a publicidade duma coisa e de outra, tão vulgar é hoje o chapéu como no neolítico gelado usavam os gorros…

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A talha do azeite

A talha do azeite

Uma espécie de ânfora romana com base.
Primeiramente surgiram de barro, depois em barro vidrado.
Eram essas as antigas ânforas romanas. O vidrado já apareceu com os romanos, muito frágil, hoje duradouro, muito mais duradouro!










As talhas passaram, como tudo, a ser feitas de folha-de-flandres. Não tenho uma fotografia porque na minha terra, ou no meu tempo, o azeite guardava-se religiosamente nas referidas talhas.
Eu digo religiosamente de propósito porque era o azeite que alumiava o Senhor no Sacrário e daí um certo mito em relação ao azeite sempre tratado com devoção não só porque ia à mesa e alimentava, como alumiava pelos caminhos da aldeia em lanternas próprias, espécie de candeias de azeite, como também e, sobretudo, alumiava o Senhor na igreja e até se oferecia como o melhor Dom, o fruto dourado da azeitona que praticamente não tinha preço.
Normalmente o lavrador que sabia do que precisava de consumir no ano, tratava de ser poupadinho à espera do Natal e na passagem de ano é que aí o azeite era gasto com abundancia sobre o bacalhau, as couves, as batatas, cozido com cebola. Muito dos segredos ainda hoje na restauração estão na preparação e no uso do azeite em muitos pratos.

Normalmente uma das talhas de azeite era reservado à conservação através do azeite alguns produtos alimentares como o chouriço… Pois não havendo frigoríficos e nem se pensando neles o povo procurava a conservação no sal, no azeite, no fumo, em especiarias como a pimenta, colorau, e vinho, ou, no caso das lampreias enterradas do chau a uma profundidade razoável abrigado do sol e da chuva, em azeite ou água.


Toucas


Toucas

Cobrir a cabeça já vem dos tempos mais ancestrais da história da humanidade.
Cuidar da cabeça era algo natural e muito importante, pois a falta de higiene nos cabelos pode dar origem a parasitas. Cobrir os cabelos e a cabeça era modo de proteger os belos longos ou normais, cabelos com pontas secas e duplas, cabelos secos, ressecados, cabelos enfraquecidos, danificados ou tingidos e descoloridos, assim como o fortalecimento e o crescimento saudável dos fios das cabeleiras. Também tinham os seus remédios caseiros e as senhoras os seus artefactos para os ornamentar ou dar-lhes forma sedutora.
Qual foi a primeira indumentária para tapar a cabeça do frio, da chuva ou do sol, não posso afirmar.
Naturalmente seria o gorro ou a touca de origem indígena. Hoje a touca destina-se sobretudo para o banho, para a natação ou para higiene na cozinha.
A touca era naturalmente feita inicialmente à moda do turbante de origem asiática. Pelo contrário a palavra touca parece ter origem celtica.
O barrete surgiria mais tarde, o “barrete frígio” ou o “barrete de liberdade” espécie também de touca ou carapuça usados na antiga região da Ásia menor, onde hoje é a Turquia. No século XVII este “barrete frígio” tomou o nome de “barrete de liberdade” depois da guerra dos Estados Unidos da América e durante a Revolução Francesa. O barrete apareceu no brasão das armas da Argentina. O folclore moçambicano marcado com touca vermelha na cabeça e em Portugal existem as águas sulfúreas da touca Alpedrinha (casa do Fundão). Na língua mirandesa Touca é Galinha?
Há autores que dizem que o homem medieval dormia completamente nú e só usava uma touca a cobrir a cabeça.













O Turbante é uma forma de cobrir a cabeça. Há vários tipos de turbantes, de origem desconhecida, mas quem sabe se anterior ao gorro, à touca, ou a qualquer outro tipo de cobertura de cabeça? Ele era usado no Oriente antes do aparecimento do islamismo. De origem indiana? Turca? Árabe?
Tem a ver com o movimento e o ornamento que punham na cabeça das crianças.
Hoje é faixa de pano que cobre a cabeça com várias formas, feitios e coloridos ao gosto de cada um, da região ou da tendência islâmica.
O solidéu pequeno barrete de lã ou de seda usado pelos bispos e Papa em forma de calote e que significa enviado, isto é, tem  autoridade e identificando-se como a plenitude do sacerdócio em Jesus Cristo e embora os cónegos a possam usar é de outra cor, preta e não podem significar a plenitude do sacerdócio a não ser em colégio e em “sede vacante”.
A Kipá judaica é semelhante ao solidéu cristão, só que aí tem outro significado é que o judeu acha que acima do homem não está mais ninguém a não ser Javé e a Kipá é o tapete onde Javé pode poder os seus pés sobre o homem. Sobretudo, quando um judeu reza, cobre a cabeça com a Kipá.



Hoje a touca é uma peça de vestuário obrigatória para os cozinheiros, para os que usam piscinas públicas, nos serviços de saúde, etc

O Barrete


O Barrete

O barrete semelhante ao gorro ou à carapuça e à touca. Só que esta terminologia apareceu mais tarde e significaria a materialização da república. “Enfias o barrete”, isto é o, adufe, tipo de pandeiro quadrado de origem árabe, ou as namoradas se orgulhavam dizendo “a todos enfiei o barrete”. Também se chamou barrete a uma capa de origem moçárabe usada para a chuva. Talvez hoje, ou mais tarde, tivesse tomado o nome de capuz.
Utilizava-se o barrete feito de lã e cinta preta enrolada à volta.
Do barrete surgiu a mitra, isto é, um barrete achatado e pontiagudo, geralmente de duas faixas, utilizado pelos bispos da Igreja Católica, Anglicana, os cardiais e o Papa.
No caso do Papa pode ter a forma de uma coroa tripla, que remota com uma cruz chamada tiara. O uso da tiara foi abolida pelo Papa Paulo VI para dar mais ênfase ao carácter pastoral do papa do que do poder temporal. Mitra é uma palavra que já vem do paganismo, pois existia a deusa Mitra, divindade persa que se aliou ao sol para obter o calor. Mitra é o génio da luz celestial…







No cristianismo a Mitra Diocesana era a origem de toda a vocação baptismal, era serviço e ministério que o cristão vai exercer ao longo da sua caminhada. Toda a criança que nasce tem na origem a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Esta é a beleza da nossa fé católica, onde tudo tem a sua razão e sentido segundo um escritor brasileiro.

A Iluminação - A CANDEIA



A Iluminação



Depois da descoberta do fogo através de uma fricção entre duas pedras e dum chispe resultante, surgiu também a luz até hoje falarmos da lâmpada, das suas qualidades e diversidades, das que dão mais luz e das que gastam menos até chegarmos às lâmpadas leds.
Ora a primeira iluminação teria começado por candeias de pedra até porque o sufixo cand, de origem celta, vem de pedra. Houve candeias de pedra, candeias de cerâmica, de argila, de cobre, de bronze, de prata, de ouro com desenhos inspirados segundo as proveniências dos deuses do tempo do paganismo e também pelo uso dado pelos reis, imperadores, os chefes das tribos até chegarmos às candeias de folha-de-flandres para depósito de combustível que seria o azeite, o óleo. Estas candeias ou lampiões que serviam para alumiar de noite os caminhos por onde se passava, para ver onde se podiam pôr os pés, ou dentro das cavernas, das casas, dos solares, com o zinco encaixilhavam vidros para poder trazer para o exterior os resultados da combustão da torcida inflamada pelo combustível.
A candeia conhece-se como vaso de metal ou de barro com asas, com desenhos gregos, em nome de deuses como serviam para beber para alumiar.
Podiam fazer lembrar noutros tempos a vela dos moribundos e daí a festa da candelária.
Tudo evoluiu a ponto de ter aparecido outro modo de combustível, como o petróleo, por exemplo.
Apareceram os petromaxes. Não sei quando, mas já os conheci no tempo de criança.
Neles havia um depósito para o combustível, uma armação em metal com vidro cilíndrico e uma camisa em seda em forma de lâmpada. No depósito havia um injector manual para criar pressão sobre o combustível que, ao entrar na referida camisa, chegado uma chispa de fogo, começava a iluminar com uma luz muito forte. Os gases libertados saíam por cima como por uma chaminé.








Outra experiência era a luz de acetileno, isto é, hidrocarbonetos gasosos que se obtêm pela acção da água sobre o carboneto de cálcio, dentro de uma garrafa de metal, por exemplo e um bico, tipo maçarico, que chegado ao lume, incendiava e fazia uma chama de cerca de 10 cm, que iluminava muito bem.













Às vezes só se utilizava este tipo de luz pelas festas de família, Natal, por exemplo.
A iluminação por acetileno era um pouco perigosa por causa de possíveis explosões dos gases.
Hoje, só nos países do terceiro mundo se usarão iluminações destas e, nem todos, porque a energia pela água e pelo vento é muito mais avantajada e todos os dias se descobrem coisa novas para o bem-estar das pessoas e das famílias.

A vela acesa num castiçal de esmalte, de cerâmica, de material mais rico ou mais pobre, foi outro instrumento que iluminava. À luz da candeia, ou da vela quantos livros se leram e quantos mais se escreveram; quantos contos e fadas, fábulas e histórias, ao serão, quantas lendas e quantas histórias de família passavam de geração em geração, quantas canções populares e fados enquanto se tangiam ou dedilhavam acordes de viola, guitarra, bandolim, cavaquinho e de concertina, de piano, afinando vozes desentoadas às vezes com aguardente ou vinho tinto açucarado...Quantos sonhos e quimeras acompanhavam para a cama depois de um serão animado e bem quente!...

sábado, 2 de dezembro de 2017

Celha ou Selha

Celha ou Selha

Normalmente, era um alguidar feito em madeira, com aduelas e arcos. Servia para tudo, mas era utilizado muitas vezes para lavagem do soalho da casa dos lavradores com sabão amarelo e uma escova de piaçá.
Eu fiz muitas vezes este trabalho e dava-me gozo que a minha família chegasse do campo e encontrasse uma cozinha lavada, ou uma varanda com soalho fresquinho, uma sala, um quarto…
De joelhos sobre um caixão a que também chamavam caixote, lá fazia aquele trabalho muitas vezes sem me ser pedido com nove ou dez anos. Sempre recomendado que esse trabalho não era para homens, mas só para mulheres, pois os homens que o fizessem ficavam sem barba na cara…Nunca acreditei nisso.
A selha, normalmente, tinha o mesmo diâmetro na base e na boca, com asas anelares, ou sem elas, geralmente eram mais pesadas que os alguidares e tinham uma altura de pouco mais de um plano.
Naquele tempo o esgoto da casa era sempre o mesmo: a fossa ou a estrumeira. De vez em quando era tapada com mato ou outros produtos que se degradavam e era aproveitado pelo lavrador para estrume, daí o nome de estrumeira. Embora fosse fraco, era estrume fora dos eidos dos animais, dos bois e das vacas ou ovelhas mas todas as águas sujas tinham todo o mesmo despejo, ou melhor, o mesmo destino.



Este vaso, normalmente, saía fora do esquema do alguidar porque era de madeira e de forma cilíndrica, portanto o diâmetro da base era igual ao do bordo ou boca. Não tenho foto deste objecto.
No entanto, havia selhas mais altas e abertas como uma (pipa) dorna com as aduelas a abrir como a fazer de cone, para os efeitos de uma dorna.

O alguidar

O alguidar

Trata-se de um vaso de barro vidrado ou por vidrar. O alguidar é muitas vezes substituído. Pela celha. Por ser de madeira toma o nome de “celha” ou “selha “de folha-de-flandres, plástico em forma de calote esférica com a boca mais larga, isto é maior diâmetro na boca que leva um rebordo, e uma base mais estreita. Era uma escudela.


O alguidar aparava o sangue quando o porco era morto e servia  para tudo; servia para deitar as carnes, cortá-las, levar as cebolas petadas, para fazer a mistura para os enchidos, pôr a carne em vinho d`alho. Servia para tudo que fosse necessário numa casa, como a malga, só que o alguidar era uma malga enorme. Também servia para por a roupa suja para lavar e esfregar no rio numa pedra inclinada e de joelhos, assim era no meu tempo; levar o fato do porco ser lavado em água corrente para o rio ; ou para tomar banho (em três tempos), lavar da cintura para cima, as pernas e os pés, depois lavar as partes íntimas. Tudo isto teve uma evolução porque já é do meu tempo o banho na banheira como se demonstra na foto e o banho de chuveiro como se vê também numa foto.

Havia o alguidar coador, furado no fundo para virar as batatas cozidas e coar as batatas da água de cozer, ou o bacalhau, enfim o que calhasse e daí começaram a servir os compostos da refeição pelos comensais.

A banheira do banho


A banheira do banho

Bacia não do tamanho de um alguidar, mas generosamente maior, primeiramente usado fora de casa para aproveitar as águas para regar as verduras e nada se perder, o que se tornava, hoje, no inverno algo impensável.
Quando começaram a canalizar as águas, então começaram, depois a passar para dentro de casa e, por num ralo, a água suja ir ter ao esgoto.
O banho é essencial e deve fazer parte de um princípio fundamental da nossa vida. Os banhos termais vêm dos gregos e dos romanos. O banho é sempre revigorante por isso tomado pela manhã deve ser a melhor opção, embora eu pessoalmente só gosto de banho de chuveiro, ou um bom duche que me relaxe e gosto de o fazer à noite ao deitar.






As primeiras banheiras eram feitas de ferro, esmalte, ou ferro esmaltado, em inox e agora de outros produtos mais leves, resinosos e mais práticos. Estão a deixar de se fabricar nos moldes antigos e a serem substituídas por outras formas mais confortáveis e com outros efeitos.
No entanto à casa do lavrador, à aldeia chegou a banheira que se apresenta na foto onde se podia sentar, encostar as costas, colocar o sabão em lugar próprio… Eram, enfim, depois dos alguidares, a banheira que só se destinava a isso, era movível e se não houvesse outro lugar destinado na casa, era na própria cozinha ou algum quarto mais confortável e discreto do resto do pessoal da casa.
Tendo em conta os banheiros domésticos e não as termas de maior ou menor uso, mas sempre de categoria superior como mo tempo dos  egípcios, os gregos, os japoneses e os romanos sabiam aproveitar e recriar.
Depois do banheiro doméstico movível apareceu como a foto mostra o banho de chuveiro, esse embora muito antigo nas usanças senhoriais e mais tarde chegou ao povo, foi mais tardio, mas depressa passou a desenvolver-se com a eletricidade a ser aquecida a água por esta energia e a tornar-se mais prático.


A dorna



A dorna


É uma espécie de pipa aberta de um dos lados e em forma cónica em calote com um diâmetro menor na base e maior na parte superior. As aduelas ou ripas são apertadas entre si pelos aros batidos.


Estas dornas, não deixam de ser uns vasos em madeira muito grandes que dão para carregar uvas, receber uvas esmagadas até à fermentação e o respetivo mosto até ao fim para colher o vinho por um batoque que se encontra a uma altura de 15 cm, mais ou menos, da base da dorna.
Para quem não tiver lagar e muita uva é o processo de colher vinho em casa, mas várias dornas facilitam certas misturas de castas, fazer misturas de fermentos ou outros ingredientes para tirar de bica-a Berta, isto é, ao começar a ferver e assim obter melhores qualidades da produção de vinhos quanto ao paladar, ao álcool, à acidez, à cor, ao aroma….
Esta dorna de fundo para o ar que vemos na foto duma adega onde fiz a fotografia durante o ano serve para dependurar um guarda-chuva e sobre o fundo e várias maçãs de madureiro.


Colher da talha


Colher da talha

Qualquer colher servia, até a de tirar a sopa, para tirar o azeite da talha, mas nem sempre foi assim. A colher que apresento é uma espécie de copo de 100 cl que foi de cerâmica ou de latão, folha-de-flandres com um cabo comprido com uma curva no cimo para ficar dependurada na respetiva talha. Depois veio a de  inox. Hoje a usar-se- ia, seria a de inox.
Esta colher dava para fazer prova do azeite para vender, dava para tirar para consumo da casa. Esta foi a colher que conheci na casa dos meus avós e seu tamanho era igual àquelas que conheci nas casas dos vizinhos que colhiam muito azeite, não só para consumo da casa, como para prova de coloração, do ranço e da acidez para vender a quem dele andasse à procura.




A “colher” que parece um copo com asa é a que tenho como registo.
Havia quem lhe chamasse caço, de andar a caçar o azeite, pois tem de ir ao fundo da talha e não havia a luz, noutros tempos, necessária.
Essas talhas eram colocadas na adega, onde se encontrava a salgadeira para a conservação das carnes de porco através do sal e até junto aos pipos do vinho.

Muitas vezes levei colegas pobres da escola a comer pão boroa com azeite

domingo, 5 de novembro de 2017

Agradecer III

Agradecer III

O mesmo Cristo, Filho de Deus, é Ele que alimenta esta Igreja com cinco pães e dois peixes, ou o pão e o vinho na última ceia e agora na eucaristia com o mesmo pão e vinho segundo a sua ordem: “Fazei isto em memória de Mim”.
Este pão é o pão da vida de todos e para todos os que com a fé em Jesus Cristo como Filho Único de Deus e Salvador dos espíritos impuros, dos surdos-mudos, e muitos outros milagres que realizou e realiza hoje para quem abre o coração e os olhos a Fé.



O alimento que Jesus nos serve faz-nos unidos com Ele e com os Irmãos. Fazemos assim comunhão. O que recebeste de graça, dá de graça. Se confessas o Senhor como o Messias, renega-te a ti mesmo e segue-O, renunciando ao poder que possas ter como tesouro próprio e serve os irmãos. Renuncia à segregação dos mais frágeis diz a carta fundamentada no Evangelho em S. Marcos, assim como à idolatria da riqueza, do dinheiro e constrói o teu tesouro no Céu.
Esse é o grande poder de uma Fé consciente, responsável e esclarecida, liberta; e alimentada pela oração constante, humilde, persistente no “Ora et labora” de S. Bento, não muito distante do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires sob o lema “Lúcere et lacere”.


sábado, 4 de novembro de 2017

Agradecer II


Agradecer II


O Evangelho de S. Marcos é o evangelho do ano litúrgico B que há pouco começámos começar e que corresponde ao ano de celebração jubilar da Diocese.



Nem de propósito porque segundo o nosso Bispo é o único que assim se intitula: “Evangelho de Jesus, Cristo, Filho de Deus” e todos lutamos pelo que mais desejamos como por uma vitória se tratasse. Ora Cristo vencendo a morte, foi vitorioso. Isto é interpelativo para vivermos este ano como quem luta a vida inteira por uma única vitória que é a felicidade.
Ele, Filho de Deus, vem ao nosso encontro para o conhecermos, o celebrarmos e o comungarmos e dar-nos a felicidade que tanto ansiamos, sem a conseguirmos em plenitude neste mundo terrestre.
Há, por isso, que acabar com o que, nos divide, fazer festa porque O ficamos a conhecer melhor e a todos nos leva a viver a fraternidade cristã.
É isto que Cristo nos ensina porque andávamos errantes como ovelhas sem pastor e compadecendo-se de nós, enviou o seu Filho, com um amor “visceral” e, como pastor, conduziu o seu rebanho criando os alicerces de uma Igreja, ensinando-lhes o caminho, a verdade e a vida.
Foi assim que apareceram os Apóstolos que deixando o seu trabalho, deixando tudo o que estavam habituados a fazer na vida, O seguiram… Todos os ensinamentos eram com uma força tal que tinham a autoridade do Reino de Deus (Mc.1,22.27).
Jesus mostra essa autoridade com as obras que vinham da sua compaixão e que falavam por si.
Esta foi a Graça da Fé que ficou demonstrada nos seus contemporâneos e que hoje se mantém em todos os que têm olhos para ver com fé a Vida e tudo o que a acompanha – a sua própria Vida, a vida dos irmãos, a vida de comunidade ou melhor, a Vida de Igreja, a Grande Comunidade dos Filhos de Deus.


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O LINHO


O LINHO



Ancinho              Um pente de pau com cabo para ripar.
Apanhas              Peças do tear onde a tecedeira coloca os pés para fazer subir e descer os liços                                        alternadamente
Arestas                Partículas inúteis e importunas que se desprendem das  fibras do tear. Partículas                                    inúteis e indesejáveis do canhe do linho e de que ele tinha de ser expurgado.
Argadilho            Espécie de dobadoura.
Arrátel                Peso antigo equivalente a 459 gramas usado para pesar o linho fiado ou dado para                               fiar.
Asseideiro          Lugar onde se demolha o linho.
Baganha             Casulo que envolve a semente do linho.
Barra da cruz     Régua ou cana que divide os fios da teia nos teares.
Barrela               Caixa quadrada de madeira de fundo de ripas com fendas, ligeiramente suspensa                                   pelos topos dos caibros
                            dos      
                             vértices para escoamento da água. Aí dentro acamava-se a roupa branca mas suja e                               manchada, no cimo
                             estendia-se uma     toalha ou pano velho, sobre ele peneirava cinza e depois ia-se                                   jogando água quente, a   ferver.A roupa ficava ali recozendo até esfriar e ser levada                               para o rio onde era passada em água fresca e
                             posta a corar ao sol.
Barreleiro           Dobrar o linho chama-se dobadoura. Recipiente onde se procede à operação da barrela. Cinza com que se
                             faz a barrela.
Caneleiro            Para encher carrinhos e canelas com fios - plataforma rectangular com suportes verticais onde encaixa e
                            roda uma haste metálica com um tambor para mover com a mão. Uma roda que faz de roda de balanço e o
                            resto da haste onde se enfiam as conchas e os carrinhos vazios.
Carda                  Instrumento com que se carda, dois quadrados de tecido cheios de pregos miúdos - o fio vai passando de
                            uma para a outra carda, até ficarem aptos para serem enrolados na roca.
Cardar                Desenredar fios com carda.
Carnélia               Remate da roca, por vezes, artisticamente torneado, talvez este nome popular venha da forma da roca.
Carregadouro   Espécie de tambor onde se coloca o que se vai fiar - linho, estopa, etc.
Casulos                              Lugares onde se colocam os carrinhos dos quais cairão no fio para urdir a teia.
Corar                   Branquear pela exposição ao sol e utilização de cinzas, sobretudo.
Cortiça                Casca de sobreiro e de outras plantas lenhosas. Designação dos vários objectos feitos de cortiça.
Cortiço               Casca cilíndrica do sobreiro para espadelar o linho.
Crivo                    Espécie de peneira para limpar o grão. Coador. Separador ou coador de cereais ou outros para sair a terra,
                             areias, etc…
Debonçar            Dar a primeira espadeladela no linho, separando-o dos verdascos.
Dobadoura         Aparelho com que se doba - passar de meada, a novelos. (Aparelho giratório para dobar as meadas (eixo vertical).
Dobar                 Enovelar ou enrolar em novelo o fio da meada.
Encosto da tecedeira Uma barra de madeira normalmente ao correr do banco onde ela (tecedeira) podia
                             encostar-se. Parte mais grosseira do linho resultante do deboncamento.
Engenho             Máquina formada por grande cilindro estriado central cercado por outros cilindros estriados menores por
                            entre os quais passava o linho para o converter em mantas. Separar as fibras das arestas.
Espadela             Instrumento de madeira para separar os tomentos do linho (cutela triangular de madeira), afiado com
                             pedaços de vidro da janela ou garrafa.
Espadela             Instrumento de madeira, com forma de cutelo, para sacudir os tormentos do linho.
Espadilha            Lâmina de madeira com 12 orifícios correspondentes com fios de cada ramo da teia que se vai medindo.
Espicha               Peça de osso com forma de ponta de seta na extremidade da correia que liga a estriga à roca cravando-se
                            na estriga.
Estopa                Parte do linho retirada pelo sedeiro, tecido feito de estopa. Estopa de 2ª  Sedeiro grosso - dentes ralos
                            Estopa de 1ª  Sedeiro fino - dentes vastos. Estopa de 2ª do Sedeiro grosso, dentes ralos. Estpoa de 21ª do
                            Sedeiro fino, dentes vastos.
Estopa                Parte grossa e emaranhada do linho separado pelo sedeiro.
Estriga                Porção de linho que se põe na roca para fiar.
Fiar                      Transformar em fio qualquer matéria filamentosa.
Fiar                      Reduzir a fios substâncias fibrosas.
Fuso                    Instrumento cónico terminado com ponteira de aço dobrado em caracol, utilizado para fiar manualmente.
                              Instrumento roliço e ponteagudo utilizado para fiar. Instrumento cómico terminado em ponteiro de aço
                            dobrado em caracol, utilizado  para fiar manualmente.
Gamelão             Vasilha rectangular de madeira onde se iam acomodando as peças no sistema de fole de concertina.
Lançadeira          Espécie de naveta de extremidades iguais dentro da qual se põe a canela que indo da direita à esquerda e
                             vice-versa vai distribuindo a trama ou a trama no tear.
Liços                    Fios entre duas travessas através das quais passa a urdidura que, elevando-se e descendo à passagem da
                            lançadeira vai fabricando o tecido.  
Limpar                Dar a segunda espadelada no linho, separando-o dos tomentos.
Linhaça               Semente do linho.
Maçaroca            Quantidade de fio enrolado no fuso (porção de fio...).
Manadas             Porções de linho em que se transformavam as mantas chegadas do engenho para espadelar.
Manta               Pasta de linho macerado e parcialmente liberto de arestas, quando sai do engenho.
Meada              Porção de fios das maçarocas colocadas no Sarilho para serem fervidas com cinzas, batidas, lavadas, coradas
                           e secas, depois colocadas na dobadoura para se transformarem em novelo.
Meada              Porção de fio enrolado no sarilho com o respectivo constado para não se tramarombrar. Formada no
                           sarilho, desfeito na dobadoura.
Momelo            Rolo de estopa ou de lã formado pelas pastinhas que saem das cardas.
Nó                       Laço apertado de extremidades de fios, fitas ou cordas. Há uma grande variedade de nós entre eles, o nó de
                           tecedeira.
Novelo             Bola de fios enrolados circularmente.
Ourela             Margem, orla lateral da peça de tecido, onde se fixa, no tear, o tempereiro (os dentes).
Peanhas          Peça de tear onde a tecedeira assenta os pés para fazer subir e descer os liços.
Peçós              (peçongos) Fios da urdidura que ficam sem trama no fim da teia, usados para coser, alinhar ou fazer torcidas.
                        Fios entruzados que se aproveitam ou deitam-se fora.
Pedais           Há pedais de muitas coisas e estes pedais são os de tear, onde os pés agem para pôr o tear a tecer.
Pente            Caixilho com aberturas (fendas) por onde passam os fios da teia.
Pote               Vaso de ferro fundido de duas asas junto à boca e três pernas no jeito de tripeça. Neles se cozinhava e se
                       fervia a água para gamelas, comida do gado e preparo  da fornada (escaldar a farinha da cozedura).da massa.
Queixas        Travessas de madeira que seguram entre si superior e inferiormente os dentes do pente do tear.
Rastelo        O mesmo que restelo, ver sedeiro. Talvez por limpar ou separar o linho da estopa.
Repouso     "Placa de dentes afiados por entre os quais se passa o linho para o separar dos casulos (baganha com linhaça).
                      O nome deve vir por se tratar de algo pesado - deitado - , com os dentes voltados para cima e no chão ou sobre
                      algo mais alto para ripar o linho."
Restilho       Espécie de pente formado por duas réguas ligadas entre si por pausinhos (torno) ou pontos de arame para
                     distribuir  o fim da teia urdida para o tambor.
Ripar            Separar o linho da baganha. Também se ripam as oliveiras das azeitonas. O povo chama-lhe "ripe".
Ripe             Um pente de pau preparado para ripar ou pentear.
Ripeiro      No repouso era ripado o linho.
Ripeiro      Sarrafo com rifas ligadas que tem o fim também de rifar.
Roca          Cana ou vara com um bojo numa das extremidades, em que se enrola a estriga ou outra substância têxtil, para se
                  fiar. Haste aguçada de madeira ou couro com a outra extremidade bojuda onde se enrola linho ou outra qualquer
                  fibra textil para ser transformada em fio (bojo).
Sarilho      Espécie de cilindro de eixo horizontal para transformar asmaçarocas em meadas. Instrumento giratório de eixo
                  horizontal.
Sedeiro                   Placa crivada de paus dispostos em fileiras por onde se passa o linho para o separar  da estopa (ficar assedado).
                 Havia um mais fino, outro mais grosso. Tem a ver com sedeiro.
Tambor                   Cilindro grande do tear onde se enrola a teia.
Tapume    Talvez a "caneleira" que leva a lançadeira.
Tempereiro Peça metálica, ajustável com dentes nas extremidades que se fixa nas ourelas do que se exige a tecer para que
                  se mantenha o pano sempre esticado. Utensílio com que as tecedeiras esticam o pano no tear. Cada um dos paus
                  fixos à nora.
Tomentos           A fibra mais áspera do linho, espécie de estopa grosseira. Resultado da 2ª etapa da espadelada.
Tomentos           Parte lenhosa e mais áspera do linho.
Torcedura           Fuso preso à cinta e fios a passarem pela boca ou pelos lábios e humedecidos para torcerem.
Trama          Fio que a lançadeira conduz através da urdidura da teia e que cruza no sentido transversal de um tecido.
Urdidura     Urdir- Conjunto de fios por entre os quais, no tear, passa a trama também chamada tapume.
Urdidura     Espécie de dobadoura enorme, formado por duas peças paralelas e cruzadas em forma de madeira em que se
                     urdem os ramos da teia. Dispõe os fios para tecer.
Vara            Medida de comprimento usada para medir peças de pano equivalente a 11 (onze) decímetros.

Verdascos          Parte mais grosseira do linho resultante do deboucamento.