AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com

Obrigado

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Vimos do Latim, falamos em Latim e nem nos apercebemos

Vimos do Latim, falamos em Latim e nem nos apercebemos

Expressões latinas e significado ?









A priori – Uma pessoa antes demais é sempre boa
A posteriori – Depois de uma análise pode ser que seja uma pessoa má.
Ab absurdo – Pode provar-se com o contrário.
Ad calendas graecas – isto é, nunca se sabe para quando, ou quando e até pode nunca acontecer.
Ad libitum - Ao gosto de cada um. Sem regra preestabelecida.
Ad vitam aeternam –Lá para o Paraíso.
Alma Mater – Alma pátria, espírito patriótico.
Alter ego – Outro eu, um amigo igual a mim.
Ad majorem Dei Gloriam – Para maior Glória de Deus.
Aurea mediocritas – Uma mediocridade dourada.
Cogito, ergo sum – Penso logo existo (Descartes).
Corpus delicti – O corpo do delito.
Curriculum vitae – Resumo pessoal da vida.
Cursus – Curso, carreira que se segue, o curso da água do rio.
De facto – De facto.
De jure – De direito (legal).
Deficit – Falta, negativo.
Deo gratias – Graças a Deus.
Dura lex, sed lex – A lei é dura, mas é a lei.
Ecce homo – Eis o homem.
Ex abrupto – De repente, de improviso, subitamente.
Ex catedra – Da cadeira do poder.
Ex-voto – Por voto, voto cumprido.
Exit – Saída.
Extra-muros – fora dos muros (das muralhas de Roma).
Fiat lux – Faça-se luz.
“Pro Deo” – Por Deus, de graça.
Grosso modo – De modo geral estarás bem.
Habemus Papam – Temos Papa.
Hic et nunc – Aqui e agora.
Honoris causa – Por causa da honra.
In abstracto – Em abstracto, visão teórica.
In articulo mortis – Na hora da morte.
In extremis – Nas últimas ou últimos momentos da vida.
In Memoriam – Em memória.
In vino veritas – O álcool pode fazer a pessoa mostrar o que é na realidade.
In vitro – No vidro, nos tubos de ensaio.
Ips facto – Pelo próprio efeito, facto.
Lapsus – Deslizamento, erro.
Magister dixit – O Mestre disse, pronto.
Mea culpa – Por minha culpa.
Modus operandi – Modo de actuar.
Modus vivendi – Maneira de viver.
Per capita – Por cabeça.
Persona non grata – Pessoa não desejada, dispensada.
Primus inter pares – Primeiro entre iguais.
Referendum – Referendo.
Sic et non – Sim e não.
Sic transit gloriam mundi – Assim passa a glória do mundo.
Sine die – Sem dia, sem data.
Statu quo – Na situação anterior. Voltar ao começo, nem vencido nem vencedor.
Stricto sensu – No sentido estricto, sem abrangência.
Sui generis – Especial, da sua espécie.
Urbi et orbi – Da cidade e do mundo, a propósito do Papa da cidade de Roma e do Mundo.
Usus fructus – Uso e fruto.
Via – Por meio de.
Vice versis – Ao contrário.
Vox populi – A voz do povo.

A Maria Alice Mendes Salgado Simon

A Maria Alice Mendes Salgado Simon

A Maria Alice Mendes Salgado Simon continua em convalescença, agora por motivos de mobilidade reduzida a 80%, pelo que observei e possa entender, não sai de casa e aguarda uma quinta cirurgia.
A Alice Simon como era conhecida na Paróquia onde foi catequista mais de 40 anos. Deixou aos 80 anos por motivos de saúde que vinham a crescer, mas pessoa muito querida pelas crianças e adolescentes que a respeitavam e ajudavam.


O que ela gostava mais era de dar catequese e disse que as crianças ou os adolescentes compreendiam quando a catequista estava a trabalhar por amor e desfrutava a generosidade delas que se excediam em atenção e solidariedade, que as elas mesmas  mais tarde dizem – no: Tudo o que tenho sobre a vivência da minha fé, devo-a à catequista.
Ela percebeu bem e aprendia mais com elas do que ela ensinava. Até aprendia a rezar melhor com as crianças.
O que mais lhe custou foi deixar a catequese, o que mais amava…As crianças são uns anjos!... Elas sabem bem que o catequista as ama e quando se apercebem disso é fácil passar a mensagem. Elas sentem quem as ama. Eu sempre dei o que pude , mas recebi muito mais delas. A catequese não pode ser um frete para o catequista, tem de ser uma cruz bem agarrada com muito amor, pois são crianças que estão no centro e quem não se colocar ao lado amando não faz nada...
A Alice era irmã de mais 9 irmãos e quatro são vivos. Entre os irmãos tinha duas irmãs que eram consagradas nas Franciscanas Missionárias do Coração de Maria.
Referiu-se ainda às origens da sua família. Tinha tios de bens, mas os pais eram pobres para educar tantos filhos, o pai era trabalhador de uma fábrica de cutelaria em S Martinho de Sande, Guimarães. A mãe era moleira. “Eramos pobres, mas felizes!”
Ela foi costureira, fez muitos paramentos para Paróquias, foi empregada de António Oliveira Salazar, em S Bento de onde saiu para Alcoitão. Veio para Braga e trabalhou na função publica durante 38 anos tendo-se reformado de auxiliar de acção educativa no antigo Liceu de Viana do Castelo, depois Escola Secundária de Santa Maria Maior.
Casou aos 32 anos com José Sanchez Simon, de Chantada, Lugo, empresário em Espanha que agora é continuado o  trabalho pelo filho Paulo casado com uma filho adoptado e foi  do Berço. Agora tem mais um filho. A Ana Maria casada e é mãe de um jovem já de 18 anos é a que vive aqui mais perto dos pais e a que mais ajuda. Viveu na Rua da Bandeira mais de 30 anos e está quase há 20 anos na Meadela, aqui perto pelo que não deixou a catequese e de fazer a prática religiosa com as amigas e amigos que tinha aqui na Paróquia. Em 11/07/1992 o seu marido esteve muito doente e mostrou-me o que naquela data lhe foi oferecido pelo Pároco, lembrança essa que agora a ajuda a viver as suas limitações depois de não poder fazer nada e ter de ser o seu marido e a filha a fazerem-lhe tudo.
Entretanto o marido mantinha-se calmo e sereno ajudando-a a aceitar as suas limitações.
Sempre gostou de fazer algo para ver alguém feliz e agora não pode fazer nada, diz ela.
Só pode rezar e nada mais.

Espera que após a cirurgia que vai fazer brevemente, agora aos 82 anos, ainda vá poder fazer bem e celebrar os 50 anos de casada em 2018.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Manuel de Passos Oliveira Cambão

Manuel de Passos Oliveira Cambão


É um dos nascidos na Abelheira que vive fora, mas com coração da Abelheira. Nasceu em 1947 filho de Cândido Rodrigues Cambão e de Conceição Oliveira Viana.
O seu pai era padeiro na Abelheira e chegou a ter um depósito de pão na Rua da Bandeira onde o “Hilário” veio depois a fazer o seu trabalho de sapateiro. O Hilário que eu conheci muito bem. O Manuel é irmão de mais três: A Conceição, o Carlos Alberto e o João Luís, casados e com filhos.
O seu pai morreu cedo, mas já tinha abandonado a Padaria e entrado na restauração, precisamente, o Restaurante Cambão, hoje do Manuel Cambão, casado com Maria Clara da Silva Évora Cambão que a conheceu em Moçambique quando lá fez a tropa e é mãe dos seus dois filhos casados e tem quatro netos.
Disse-me o Manuel Oliveira Cambão que os da Abelheira raramente iam à Matriz, só para as grandes festas. A sua primeira comunhão foi feita em 19.03.1956, quase com 10 anos na Igreja da Caridade com o padre Domingos, muito velhinho. Parece que esta data o marcou profundamente porque a disse tão depressa que não é muito vulgar dizer sem esperar que lhe perguntasse,   
Depois fez a Comunhão Solene com o Monsenhor Corucho e foi tal o aproveitamento dele que recebeu um prémio, um missal que agora o ofereceu a uma neta por ser catequista na sua Paróquia.
Nem ele nem os irmãos vivem nesta Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, mas sempre desde que estou aqui na Paróquia de N.ª de Fátima, que faz este ano 50 anos de existência a participar em tudo o que pode. É muito sensível a tudo o que é religioso. A data da primeira comunhão a disse de memória com facilidade como se fosse hoje.
Tem muita fé, reza e quando toca a ajudar, ajuda. Vive em Stª Maria Maior e está a assumir encargos na organização de procissões, coisa que não é fácil, porque a juventude não colabora muito e só os antigos e alguns já não podem mesmo recorrendo mesmo aos moradores antigos da Abelheira.
Quando em 1978 se criou a Paróquia ele era jovem e cantou num grupo de jovens que animava a Missa, fez a festa do Menino na Abelheira e foi mordomo da Senhora das Necessidades, mas desde que começaram a ir para a tropa se desfez o grupo que muito colaborava com o primeiro pároco, Padre António da Costa Neiva.
Sempre tem colaborado nas coisas da igreja e muito gosta quando faz falta…

Agora explora o Restaurante como sempre, mas é difícil. Antigamente fazia-se muito ao balcão ou à mesa fora das horas da refeição, agora é só à refeição e enquanto antigamente fechava às 11.00H da noite, fecha às 19.00H e ninguém anda na rua.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

PÁSCOA-2017 A LUZ DE CRISTO RESSUSCITADO ILUMINA A HUMANIDADE

PÁSCOA-2017
A LUZ DE CRISTO RESSUSCITADO ILUMINA A HUMANIDADE
José Rodrigues Lima
Há sinais festivos… Ouvem-se os toques constantes das campainhas e os sons dos sinos nos campanários das igrejas, anunciando a todos a grande festa da Ressurreição de Jesus.
São tons e sons de ALELUIA…
Alegre-se o céu e rejubile a terra… ALELUIA
A Páscoa está associada à ressurreição da natureza e por isso relacionada com a festa da LUZ e das flores… Há perfumes a toda a hora…
É um tempo novo… Há música no ar… É a Festa da Vida…
Envolvem-nos referências cósmicas, teológicas e escatológicas.
Há simbologia com água, lume novo, amêndoas, pão de ló, folares, ovos e nas refeições familiares à volta da mesa com toalhas lindas.
Acontece a festa comensal conforme a tradição bíblica.
A FÉ em Cristo Ressuscitado cria um ambienta festivo, contagiante e as saudações são mais ternas.
Cristo ressuscitou e quer fazer a festa no mais íntimo do coração de cada um.
Páscoa é acreditar no amanhã…
Cristo Ressuscitado é o rosto visível do Deus invisível.
ALELUIA, ALELUIA!















FESTA DA VIDA
A LUZ DE CRISTO VENCEU AS TREVAS DA NOITE

“… Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem acredita em mim nunca morrerá.” (Jo. 11,25)


“Cristo é a luz dos povos”, sublinha a Constituição Dogmática sobre a Igreja, do Concílio
Vaticano II.
“Somos filhos da luz”, regista a Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo, documento do citado Concílio.
“Deus disse: Faça-se a luz. E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. Deus chamou dia à luz e às trevas a noite. Assim surgiu a tarde e, em seguida, a manhã; foi o primeiro dia.” (Génesis 1,3-5)
Antes de criar os astros luminosos Deus criou a luz. Na Bíblia a luz está associada a tudo o que é positivo, divino; ela é o resplendor do próprio Deus. Por isso, é a primeira criatura.
“Deus é a Luz. Eis a mensagem que ouvimos de Jesus e vos anunciamos. Deus é Luz e n’Ele não há nenhuma espécie de trevas.
Se dizemos que temos comunhão com Ele, mas caminhamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Pelo contrário se caminhamos na Luz, como Ele, que está na Luz, então temos comunhão uns com os outros, e o sangue do seu filho Jesus purifica-nos de todo o pecado”. (1 Jo. 1, 5-7)
No prólogo de São João Evangelista podemos ler: “Nele é que estava a vida de tudo o que veio a existir. E a vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou mas as trevas não o receberam. Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamou João. Este vinha como testemunha para dar testemunho da Luz e todos creram por meio dele. Ele não era a Luz mas vinha para dar testemunho da Luz. O Verbo era a Luz verdadeira que ao vir ao mundo a todo o homem ilumina.” (1 Jo. 1,5-7)
Jesus falou-lhes novamente: “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a vida eterna”. (Jo. 8,12)
“Vós sois o sal da terra e a luz do mundo… Assim brilhe a vossa luz diante dos homens de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso pai que está no céu.” (Mat. 5,14-16)
“É que outrora ereis trevas, mas agora sois Luz, no Senhor. Procedei como Filhos da Luz, pois o fruto da Luz está em toda a espécie de bondade, justiça e verdade, procurando discernir o que é agradável ao senhor. E não tomareis parte nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, denunciai-as. Porque o que por eles é feito às escondidas até dize-lo é vergonhoso. Mas tudo isso se denunciado é posto às claras na Luz, pois tudo o que é posto às claras é Luz. Por isso se diz: desperta tu entre os mortos, levanta-te de entre os mortos, Cristo brilhará sobre ti” (Ef. 5, 8-14)
“ Por um pouco de tempo ainda a Luz está no meio de vós. Caminhai enquanto tendes a Luz, de modo que as trevas não vos apanhem, pois quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a Luz, crede na Luz, para vos tornardes Filhos da Luz. Jesus disse estas coisas, foi-se embora e ocultou-se deles”. (Jo.12,35-36)
“Na verdade todos vós sois Filhos da Luz e filhos do dia” (1 Te. 5,5)
“Quem diz que está na Luz, mas tem ódio ao seu irmão ainda está nas trevas. Quem ama o seu irmão permanece na Luz e não corre perigo de tropeçar. Mas quem tem ódio ao seu irmão, está nas trevas e nas trevas caminha, sem saber para onde vai por que as trevas lhe cegaram os olhos.” (1 Jo. 2,8)
“Jesus Cristo filho unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Deus de Deus; Luz da Luz.”
Assim professamos no Credo.
 “Os atributos bem conhecidos do espírito são a vida e a Luz. A Luz é antes de mais, poder de revelação, e por isso ao Deus revelado se chama Deus-Luz.”
“Na tua Luz conheceremos toda a Luz” (Salmo 36,10)
O Tempo Pascal cria um ambiente de fraternidade, partilha, compreensão e acolhimento.
A Luz de Cristo Ressuscitado gloriosamente nos dissipa as trevas do coração.


CAMINHEMOS NA LUZ DE CRISTO

“Não se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim ilumina todos os que estão em casa”.
A Luz que transportamos dentro de nós é para partilhar com os outros para que possam ser iluminados.
A Páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a “festa das festas”, a “solenidade das solenidades”, tal como a eucaristia é o sacramentos dos sacramentos, bem como a Semana Santa é chamada no Oriente a “Semana Maior”. O mistério da Ressurreição em que Cristo aniquilou a morte.
No Concílio de Niceia (em 325) todas as Igrejas acordaram em que a Páscoa Cristã fosse celebrada no domingo a seguir à lua cheia (14 de Nisan), depois do equinócio da Primavera.


A PALAVRA PÁSCOA SIGNIFICA PASSAGEM
O signo linguístico Páscoa, derivado do hebraico, do grego e do latim significa passagem.
As narrativas bíblicas referem, abundantemente, a libertação do povo que vivia na escravidão e passou para o estado de liberdade.
“Deus ressuscitou Cristo de entre os mortos, e Ele está sempre entre nós todos os dias até a consumação dos séculos, ensinando-nos e guiando-nos pelas veredas da justiça, e fortalecendo-nos na pregação da Boa Nova do Evangelho”. (Mat. 28,16-20)

A Páscoa é um convite à mudança: passagem do pecado à graça; da fome ao pão; do desânimo ao ânimo; do subdesenvolvimento ao desenvolvimento; da morte à vida; da doença à saúde; do analfabetismo à literacia; da rua à casa; da barraca à habitação digna; da injustiça à justiça; da exclusão à inclusão; do desemprego ao emprego; da indignidade à dignidade; da angústia à serenidade; das sombras à luz; dos medos à confiança; da correpção à honradez.
A caminhada deverá ser com esperança viva e confiança alegre na nova criação, manifestando a fraternidade da vida nova em Cristo Vivo e Ressuscitado.
Alegremo-nos, pois Cristo Ressuscitado está vivo na história dos homens.

COMPASSO-VISITA PASCAL

Estando de acordo com Geraldo Coelho Dias, professor universitário e monge, “ para nós o compasso era o desenvolvimento ritual e solenizado da bênção das casas”.
“Em tempos recuados, o pároco respectivo podia, com tranquilidade, por si ou encomendado, na altura da Páscoa visitar e benzer as casas dos seus paroquianos”.
Com a mudança social ouve alterações de aspectos pastorais.
O compasso, sublinha o citado historiador “ por extensão ou sinédoque, é uma forma abreviada da expressão latina “CRUX CUM PASSO DOMINO”, isto é, designação da cruz litúrgica que preside aos ritos cristãos.
Daí que em todas as paróquias ou freguesias, subsiste ainda o “ JUIZ DA CRUZ” ou “ mordomo”, que deve empunhar solenemente a cruz paroquial nas grandes cerimónias anuais.
Por isso, a Cruz da Cruz, COMPASSO, adornada e perfumada acompanha o pároco quando ele nas alegrias pascal vai benzer as casas dos seus paroquianos.
Na zona Entre Douro e Minho, o costume da Visita Pascal este mais enraizado.
O assunto foi abordado no Sínodo da Diocese de Braga, em 1918, fazendo-se a visita pascal segundo o decreto do prelado D. António Bento Martins Júnior, de 21 de Novembro de 1942, artigo 23 e seguintes.





REVELAÇÕES DE ALELUIA
Há localidades onde os registos etnográficos singulares, se destingem nos cerimoniais da visita pascal.
Assim, é de referenciar o encontro das cruzes no largo das Neves, confluência das localidades de Vila de Punhe, Mujães e Barroselas, à volta da mesa dos três abades.
Este cerimonial decorre com grande participação dos habitantes, não faltando uma banda de música, ao mesmo tempo que se trocam saudações acompanhadas pelos doces pascais e um cálice de bom Vinho do Porto.
A visita pascal em Fontão, em Vitorino das Donas e a cerimónias transfronteiriças da aleluia em Cristelo Covo, Valença, são manifestações que têm merecido a investigação antropológica pela sua tipicidade.
O padre português e o “cura galego” atravessam o rio Minho no cerimonial que envolve o grande simbolismo das águas correntes e da fertilidade.

A MINHA ALDEIA DA PÁSCOA

Minha aldeia na Páscoa…Infância mês de Abril!
Manhã primaveril!
A velha igreja,
Entre as árvores, alveja
Alegre e rumorosa
De puro, luzes, flores…
E, na penumbra dos altares cor de rosa,
Rasgados pelo Sol os negros véus,
Parece até sorrir a Virgem mãe das Dores.

Ressurreição de Deus!
Domingo da Esperança!
Aleluias fazendo uma outra luz, no ar…
(Os olhos me ficam de criança,
Que para mim é ver o recordar)

Sai o Compasso. Em pleno azul, erguida
Entre a verde folhagem das uveiras,
Rebrilha a cruz de prata florescida…
Na igreja antiga a rir seu branco riso de cal,
Ébrias de cor, tremulam as bandeiras…

Vede! Jesus lá vai, ao Sol de Portugal!

Ei-lo que entra contente nos casais;
E, com amor, visita as rústicas choupanas.
E Ele, Esse que trouxe aos míseros mortais
As grandes alegrias sobre-humanas
Lá vai, lá vai, por íngremes caminhos!
Linda manhã, canções de passarinhos!
A campainha toca: aleluia!
Aleluia!

La vai o padre e a sua branca estola
E o seu ramo de flores.
E, às portas espelhado, o rosmaninho evola
Velhos trabalhadores,
Por quem sofreu Jesus,
E mães, acalentando os filhos no regaço,
Esperam o Compasso
E, ajoelhando, com séria devoção,
Beijam os pés da Cruz.
Teixeira de Pascoais
“Obras Completas “-1.º Vol.

PÁSCOA É ACREDITAR NO AMANHÃ…
ALELUIA!  ALELUIA!
BOAS FESTAS PASCAIS…


quarta-feira, 5 de abril de 2017

O "SARRÃO" ?!...


                                     O "SARRÃO" ?!...

“Sarrão”, “Tração” é o nome de um engenho simples para cortar a palha de aveia ou de centeio miúda para juntar com erva e fazer a palhada para acomerar o gado, bois e vacas.
Na mesma freguesia existem estes dois nomes: Sarrão é um engenho de madeira preso à parede e colado do lado direito e à parede uma fouce semicircular que funciona num friso aberto numa chapa também semicircular de ferro chumbada à parede e depois levantar com a manete de madeira com a mão direita segurar em cima a foice, enquanto a esquerda ia empurrando a palha trazida do palheiro à medida que quisesse.

~


A palha corria num trapézio de madeira aberto para cima, como uma meia cana trapezoidal. Ao descer a foice corta, a palha, daí o sarrão de sarrar talvez tenha o seu sentido.
No entanto, há quem não tenha engenho de madeira e apenas um engenho tipo serra, chumbado à parede, onde se friccionava a palha até a cortar. Isto é serrar, sarrar (sarrão) ou também tração, na mesma freguesia, vindo de traçar, cortar a palha para a dita palhada de erva e palha.
A única foto que tenho e fiz em tempos deste engenho.
Eu próprio fiz muita vez este trabalho com 8,9, 10 anos.


segunda-feira, 3 de abril de 2017

ESTA EIRA É PARCIAL DE UMA NO TOJAL, ARGA DE CIMA- CAMINHA


ESTA EIRA É PARCIAL DE UMA NO TOJAL, ARGA DE CIMA- CAMINHA






Uma eira. Chamava-se e chama-se eira a uma área de terreno duro onde eram secos, expostos ao sol, os cereais, malhados, limpos de detritos e aproveitados para, como frutos da agricultura, ao longo do ano alimentar a gente. Esta eira encontrava-se sempre perto da casa de habitação e quem não a tivesse era pobre, daí a expressão "nem eira, nem beira", a beira da casa,tão pobre que não tinha nada a não ser a casa sem eira nem beira. Normalmente, a eira foi inicialmente em penedos altos, no alto das Penas, Pedra Alta, no alto das Peninhas, no soalheiro, ou terrenos muito duros, mais tarde feita de pedras como mostra aimagem e só mais tarde de cimento. A eira está a perder de moda com as novas tecnologias e a perda da agricultura tradicional...

domingo, 2 de abril de 2017

Família- A casa dos Guinchas em Alvarães

Família

Hoje dia 22 de Agosto, entrava num café e reparei numa senhora cujo o rosto me chamou a atenção. Nunca a tinha visto, mas resolvi perguntar-lhe se não era de Alvarães, ao que ela respondeu logo que sim. Ouça, então, é prima da Deolinda do Zé do Monte, “sou sim”. Ela tem um padre que está na Senhora de Fátima.
Acertei.
Ora a Maria dos Prazeres era sobrinha e afilhada do “Zé do Couto” de Vila Fria, que tinha casado com uma da casa dos Claras, de Mazarefes, irmã da mãe do “Zé do Monte”.
Os seu pais eram: António Martins Alves da Cruz, da Casa do Couto, de Vila Fria, e de Maria Martins de Sousa. Os pais eram primos dos pais da Clara.
O “Couto” não teve filhos levou para lá o sobrinho filho de um irmão da mulher, o José Rodrigues de Araújo Amorim.
Contou-me ela que seus pais tiveram 10 filhos e, portanto, “éramos pobres...” e os seus irmãos chamavam-se: António, casado e com filhos, o Manuel, casado e vive em V.N. de Anha e com filhos; o José casado, a viver em Lisboa, tinha um único filho que já faleceu, mas deixou um neto; a Emília que já faleceu há 4 anos, a Maria da Conceição, solteira e sem geração; o Joaquim que está na África do Sul, solteiro e sem geração; a Olívia que faleceu com 6 meses; a Carmo que está num Lar, solteira e sem geração; a Maria, num outro Lar; e ela também espera ir para um Lar.
A Casa dela, ou da família, era conhecidas pela casa dos Guinchas, em Alvarães, onde havia há anos ainda um oratório herdado da família com 400 anos de história.


quinta-feira, 30 de março de 2017

A Casa da Costinha de Baixo – Serra de Arga

A Casa da Costinha de Baixo – 

Serra de Arga

Conheci-a logo que tomei posse da Paróquia de Arga de Baixo, Concelho de Caminha em plena Serra d`Arga.
Foi-me apresentado o senhor David de Jesus Lourenço o detentor das chaves de tudo e receber alguma da orientação da igreja e da residência, acompanhado pelo David Gonçalves da Costinha de Cima que também fazia parte da Comissão Fabriqueira e Regedor.
O David da “Costinha de Baixo” assim conhecido no vulgo, era um homem muito religioso e dava tudo o que podia pela família, pelos outros e pela comunidade em geral. Era verdadeiramente um cristão comprometido e para convencer os outros não lhe faltavam argumentos da razão, de fé e da vida para levar os conterrâneos a darem-se à comunidade. A todos ele desejava que dessem o passo igual ao dele, mas o dele era sempre um passo maior sem deitar foguetes para que lhe batessem palmas. Era um homem fora do comum, com uma personalidade muito peculiar, homem de princípios, humilde, trabalhador, de carácter e serrano dos quatro costados em defesa da terra e da igreja sempre aberto e amigo de fazer o bem.
Se assim o era, assim fazia, vem como a sua esposa e os seus filhos.
O David da Costinha de Baixo nasceu na casa do Sabugueiro e lá se foi para a Costinha de Baixo por ter casado com a Maria das Dores Gonçalves. Era de Baixo porque havia a casa do Costinha de Cima, onde vivia o David Gonçalves da Comissão fabriqueira e regedor da freguesia. Perto morava o Carlos da Casa do Campo do Vale que era Presidente da Junta da qual o David “da Costinha de Baixo” era também o tesoureiro.
O David era filho da Angelina de Sabugueiro que não conheci, mas conheci uma irmã que vivia na casa a Maria José, tia do David e de quem fiz o funeral. A Maria José era um poço sem fundo como se dizia sobre a cultura da gente da Serra D`Arga estes de que trato aqui.
Eram nove irmãos que se espalharam por todo mundo e já todos falecidos.
A Angelina, portanto, mãe do David da Costinha de Baixo, ficou viúva e um dia, o senhor conhecido por violas, um vizinho, não a queria deixar passar por onde sempre tinha passado para uma propriedade desde criança, solteira, como casada e mãe de 9 filhos. – “Ora ou me deixa passar ou dou-lhe com esta vara aguilhoada”. Não o convencendo e julgando que ela não o faria, ela deu-lhe mesmo e partiu-lhe um dedo. O homem foi queixar-se ao regedor da terra, e a resposta deste foi lapidar “então tu metes-te com uma mulher viúva?” para a outra vez abre os olhos.
Assim era a sua mãe como viúva, sem homem mas não tinha medo.O David foi para as carvoarias em Lisboa, depois passou a trabalhar num restaurante e começou a gerir o conhecido e famoso “Restaurante das Galegas” ao mesmo tempo trabalhava na agricultura nos meses que tinha disponíveis.Por fim teve um restaurante com um sócio, mas deixou.
Não faleceu de velhice mas de Câncer,o tabaco que muito usava não devia ser alheio à causa.









Partiu sereno deixando quatro filhos: o Manuel casado em Castelo Branco, pai de uma filha, já falecido. A Fátima casada com o Manuel Fernandes da casa de Riba, de Santo Aginha ( Arga de S. João) e com dois filhos casados e com geração; a Lúcia, solteira e sem geração e o António casado com Alice da Casa da Corga, Castanheira, de Arga de Baixo e com dois filhos.
Arga de Baixo tinha uma residência paroquial, mas eu optei por uma sugestão vinda dos de Dem, viver em Dem e apresentavam casa. Aceitei e, para não abandonar a residência oficial das Argas, onde vivi uns tempos, passei mais tarde, de quinze em quinze dias, a ir lá passar a noite de sábado para domingo. Foi o primeiro pároco que a tinha deixado, embora o meu antecessor no pouco tempo que esteve também vivia em Covas com o Pároco de Covas que tinha sido seu antecessor igualmente nas três Argas.
 Então a Maria da Costinha de Baixo não me deixava cozinhar queria que eu jantasse quinzenalmente na casa dela com o marido e os filhos. Assim era.
Comer na cozinha ao lado da lareira cozido à moda da serra, preparado no pote. Aí fiz as melhores refeições da minha vida e aí passei os meus últimos serões à lareira.
Num sábado estava na cozinha e a Maria das Dores como era de costume ia à janela da sala para ver se via o meu carro chegar à estrada de Santo Aginha para calcular o tempo que levava para eu chegar. Como um dia eu demorei muito depois de me ter visto, já ia toda a gente à minha procura para ver se tinha caído em alguma ribanceira. Entretanto cheguei e a família e vizinhos estavam todos em polvorosa.
A Fátima tocava órgão e alimentava um grupo jeitoso do coral para animar as missas, animadora, mas um pouco mais reservada. A Lúcia foi catequista e muito mais extrovertida, inteligente, brincalhona mas com carácter bem personalizado e por minha indicação aos pais, ela com 15 anos começou a estudar fazendo em três anos 3 exames: o do ciclo preparatório, o 5º ano do liceu e o 7º ano também do liceu, hoje 12º que ela fez questão de o fazer, anos depois, à noite quando já trabalhava.
Quando a sua mãe ficou viúva e chegou a uma idade que não lhe merecia confiança para viver sozinha trouxe-a para a Caridade e não passava um dia sem a ir ver e passear com ela, o tempo que podia e lhe permitiam não lhe faltando com o afecto de uma boa filha, dando-lhe enquanto pôde a sua presença e mãe e filha ficavam mutuamente consoladas até falecer na Caridade.

A Casa da Costinha de Baixo lá está no mesmo local  e é sempre um ponto de referência para todos quantos conheceram este casa.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Incêndio nas Instalações da Igreja

     
        Incêndio nas Instalações da Igreja


Foi no dia 20, pelas 20H.30 que deflagrou um incêndio na Sacristia da Igreja Paroquial de Nª. Sr.ª. De Fátima. Embora houvesse uma rápida intervenção de socorro pelos responsáveis da Paróquia, pela PSP e pelos Bombeiros Municipais e Voluntários, não foi possível evitar estragos superiores a três mil contos.












Esta é uma foto da tela deteriorada

Em boa hora a Comissão Fabriqueira mandou instalar um sistema de segurança e de vigilância de 24 horas (alarme, vídeo e telefone) de tal modo que, disparado o alarme, os telefones chamaram e foi possível uma rápida intervenção. Caso não tivesse sido este serviço o incêndio teria em mais 15 minutos passado à igreja e aos escritórios, os quais foram poupados.
As causas do acidente estão por determinar, mas tudo leva a crer que um curto-circuito tenha sido o fatídico do referido acidente que causou momentos difíceis  a todos os que compareceram em socorro.

Agora, há que restaurar. No Domingo, muitos atenderam aos apelos do pároco para comparecerem para limpar o que era de limpar, arrumar e fazer com que os serviços na segunda-feira pudessem funcionar com a possível normalidade. Outros compareceram a manifestarem a solidariedade e já contribuírem generosamente para as obras de restauro.

sábado, 25 de março de 2017

Servir, Servir, Servir…VI


Servir, Servir, Servir…

Todos os que passam pela água baptismal, pelo sacramento do crisma e pela Eucaristia temos de estar prontos a servir ao modo e jeito do Sagrado Coração de Jesus, o sacerdote por excelência.
Ninguém se pode escusar e afirmar que nada tem a ver com Jesus Cristo.
O nosso Bispo na carta Pastoral dedica espaço ao “sacerdócio que é o Amor” e afirma que o Papa na Eucaristia para a Jubileu dos sacerdotes de Roma marcada para o dia do Sacerdócio do Sagrado Coração de Jesus convida-os a olhar para o coração do Bom Pastor e o nosso coração de pastores ao mesmo tempo que chama e abraça.


Jesus disse “onde estiver o vosso tesouro ai estará também o vosso coração”, isto é, nós somente somos como que o tesouro insubstituível no Coração de Jesus.
O Nosso pai Deus e nós seus filhos, somos seres de relação: encontro com o pai e encontro com as pessoas, pois o coração do pastor de Cristo só conhece dois caminhos: o do Senhor e o das pessoas em geral, mas sobretudo os que nos foram confiados pelo nosso próprio ministério e missão.
O nosso olhar deve estar fixo em Deus e nos irmãos. Não podemos, por isso, andar à deriva por outros caminhos se não o caminho do pastor que tem sempre em conta o bem-estar dos irmãos quer no aspecto material, quer no aspecto espiritual.
Eu sou padre, sou pai. Será que os outros irmãos a mim confiados me consideram ministro de Deus, do amor, da bondade da misericórdia ou ministro do comércio, da solidariedade, da educação, da falta de bom senso para não perder as “ovelhas” que me foram confiadas e ir atrás da que está tresmalhada?
Será que os outros me vêem como o pastor que abre a porta do aprisco, que sabe acolher com bondade, misericórdia, compaixão, com amor, como se do próprio Pai do céu se tratasse?
Naturalmente teria muitas surpresas, porque não faltaria quem me apontasse erros de tudo.
Ora aí está a falta de fraternidade entre nós cristãos porque temos medo de falar com o Sacerdote, com o padre e com caridade, também de dialogar com ele sobre os seus erros para que, reconhecidos, possam ser corrigidos e por exemplo eu ser melhor na comunidade.
É preciso também contar que às vezes o que parece erro não o chegou a ser, por isso é que qualquer sacerdote precisa deste diálogo franco e aberto, com os paroquianos, em vez de na igreja a cochichar ou  fora da missa, no adro da igreja, ou no café, dizerem ou falarem mal, difamarem ou caluniarem. Isto não é testemunho de alguém que se preze ser baptizado e cristão.
O abrir caminhos de esperança em novos horizontes a quem se encontra em dificuldades ou de algum modo fragilizado não é só devido ao padre, mas a todos porque todos juntos somos o Corpo Místico de Cristo que S. Paulo defende e se um dos seus órgãos com mais ou menos responsabilidade no funcionamento deste Corpo está doente, pode fazer todo o corpo doente. É como um fruto podre no meio de outra fruta, mais depressa a podridão chega a toda. O resto que ainda tinha aproveitamento acaba por ser lançada fora porque já está toda podre.
Eu sou padre e pároco. Já tive experiência destas coisas todas e tive de saber ser humilde quando alguém se aproxima e me “acusa” e saber ser humilde quando alguém me bate palmas. As palmas são manifestação de alegria e de bem dizer, gosto de as usar sobretudo para os outros e que o Senhor me perdoe quando alguma vez me senti orgulhoso por aquelas que justamente até as receberia.  
Eu sei que servir como o sacerdócio do Coração de Jesus nem sempre o consegui, ou às vezes, me esqueci mas que os irmãos me perdoem e Deus Pai também.

Que eu sirva o Senhor e agarre a todos nos braços, os conduza ao redil, isto é, à comunidade que se deve sentir feliz já neste mundo.                                                                             
                                                                                                                            P. Artur Coutinho