AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com

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terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Alegria do Natal

Alegria do Natal

O Advento leva-nos a abrir o coração e a criar família. Parafraseando o Papa Francisco em 2017 “os nossos corações não se fechem como se fecharam as casas de Belém”.
Estas palavras são actuais porque nos convidam neste tempo de Advento a abrir os nossos corações para todas as pessoas que passam por nós sobretudo os sofredores, os solitários, os doentes. Esta é a maneira de darmos ao Natal o verdadeiro significado: Jesus que nasce em cada ser humano. Mas, hoje, como sempre, é Ele que se aproxima de nós e corremos o risco de não o acolhermos e levar à nossa volta tudo a abandoná-lo ao desprezo, à indiferença.
O Natal é a festa da família e, por isso, um tempo muito especial para construir relações, para criar família.
É um tempo privilegiado para dar graças a Deus por tantos dons que recebemos e mais ainda é a nós que nos proporciona ser oferta de Deus para o termos connosco como um dom para o partilhar.
Nestes dias refrescamos o nosso compromisso de amar a todos e a cada um que estiver a caminhar connosco diariamente. Porque o Natal é sentir que o Senhor está próximo. Porque o nascimento está próximo, é sentir-me com o Senhor.
Que aquilo que nada tem a ver com o Natal de Jesus e vamos desfrutando neste tempo não nos ofusque a grande e verdadeira ALEGRIA DO NATAL!...

Pe. Coutinho

Mazarefes no Brasil

Mazarefes no Brasil

Mazarefes no Brasil: Avelino Francisco dos Reis, um dos filhos e uma nora que conheço, bem como um neto Cláudio que se encontra acompanhado pela sua esposa em primeira linha, lugar de neta e nora, ambos professores, o Cláudio, Professor Universertário. O Avelino não teve um só filho e o Agostinho é pai de 3 filhos e tem salvo erro 6 netos. Há no Brasil oriundos de Mazarefes no Brasil, mesmo da mesma desta família. Não descobri o registo do falecimento do meu trisavô Manuel Francisco dos Reis e deve ter morrido no Brasil. Pode ser que o Agostinho saiba ou o Cláudio possa descobrir...

“Anda mouro na costa”

“Anda mouro na costa”
Quando parece que há qualquer coisa, mas não se sabe o quê, ouve dizer-se “anda mouro na costa”. Este dito deve ser tão antigo como os mouros quando entraram na península.
Dum modo particular, parece ser oriundo da zona branca da Espanha, tendo como centro, Alicante, cidade das acácias da cocatedral da Imaculada ( antiga mesquita) e da Catedral mais moderna. Mouros mesmo contra a vontade dos cristãos entraram em Alicante, por Vielagoyosa, em 28 de julho de 1538, mas por poucas horas, pois depressa foram devolvidos ao mar como pessoas que não interessavam. Todos os anos, ainda hoje, fazem em Alcoy uma festa de cristã mesmo para lembrar o passado. Só que agora não há pólvora nem nada disso. É uma grande festa em Constoyo, onde todos se reúnem a seu modo.
O mesmo acontece em Alcoy , mas em 22, 23 e 24 de Abril.
Os de Alicante ouviram dizer que os mouros estavam a chegar à costa, então todos se puseram de vigilância para não os deixarem entrar. Mas, as armas eram diferentes e os mouros venceram. Como disse já, apenas por poucas horas depressa os espanhóis se reforçaram e puseram-nos nas “galhetas”, isto é, a fugir para o mar.
Hoje para nós “anda mouro na costa” é só em sentido figurado: algo que não se sabe, mas alguma coisa está para acontecer sem sabermos descriminar o quê. Saberemos depois, mas há que estar vigilante para ver se descobrimos esse “quê.” Pode ser coisa porque não há mouros, mas pode ser oura coisa que parece e nos pode escapar: Pode ser e não ser. Hoje este “andar mouro na costa” pode ser muita coisa, menos os que nos parece.

sábado, 30 de novembro de 2019

José Gonçalves Barreto VS Adelina de Carvalho de Matos

José Gonçalves Barreto VS Adelina de Carvalho de Matos
O José Gonçalves Barreto, filho de António Gonçalves Barreto, ferreiro no lugar da Regadia, freguesia de Mazarefes, e de Maria Vieira Lopes, também da Regadia, lavador de Carros, numa Oficina da Rua de Aveiro, onde é agora o Pingo Doce casou com Adelina de Carvalho de Matos, filha de Francisco Moreira de Matos, da Casa dos Cirurgiões e de Adelaide Alves de Carvalho, da família dos Carvalhos da Banda do Carvalho de Mazarefes, do Rio do Ribeiro, lavadeira, jornaleira e mãe de 10 filhos: Laurinda, casada em França com Jacques, sem filhos; José de Carvalho Barreto, soldador, casado com a Rosa Ferreira Costa Barreto e pai de três filhos e avô de 5 netos; Manuel, casado com Rosa da Conceição Carvalho de Torre Barreto, pai de 3 filhos e avô de 2 netos; Jorge, já falecido no Canadá e casado com Conceição de Freitas Lima, deixou uma filha casada com um italiano e 3 netos; Irene, casada com Adriano de Sá Gonçalves, mãe de 3 filhos e avó de 6 netos; Laura, casada com Constantino de Sousa Carvalho, primo, neto do Mestre da Banda de Mazarefes e sem filhos; Arminda, casada com Manuel de Jesus Dias e com dois filhos; Maria, casada com José Rodrigues Portela, com 2 filhos e 4 netos; Teresa, solteira e sem geração; Maria Cecília, casada com José Manuel Barreto Castelo, mãe de filhos. Sendo avô de 17 netos e 20 bisnetos, mas esperam-se mais bisnetos.
Estes pais, do pouco que tinham, ( ainda conseguiam partilhar) com os pobres. Vi eu, muitas vezes, a tia “Adelina troca”, (alcunha do marido) a dar aos pobres que andavam de saco às costas a abrir o seu lencinho e do canto do lenço tirar das moedas que tinha para partilhar com o outro. Esta senhora sempre foi para mim uma referência pela sua dedicação aos outros, sempre a trabalhar… Um dia encontrei-a, nos restos da vida dela, a trabalhar numa leira junto à casa do carpinteiro Simplício, juntos aos Calistos, já com idade quase nonagenária. O marido sempre o reconheci como uma pessoa de trabalho. Fora da hora de trabalho ajudava o ferreiro Pinto numa oficina que hoje só tem o espaço, (destinado a uma rotunda?), no entroncamento da estrada de Viana a Barroselas com a ligação com a estrada de Darque a Ponte de Lima, conhecida pela estrada das Boas Novas (por passar pela Capela de Nª Sª das Boas Novas) e centro da freguesia, muito sofredor das vias respiratórias devido às humidades, mas também o cigarrinho não o ajudava nada, talvez, por isso, tenha falecido cedo aos 58 anos, em 1968, pois tinha nascido em 1910. Deixou a Adelina Carvalho, mãe de seus filhos ainda com muitos encargos para educar tantos filhos, o que fez com eficácia, à custa de muito trabalho e bom exemplo e com a ajuda dos filhos mais velhos.
Apesar de tudo educaram 10 filhos para a sociedade, dando-lhes tudo o que podiam para que fossem, na vida, pessoas dignas de honra como o foram e procuram transmitir isso aos netos e bisnetos.
A “ Tia Adelina”, viúva, trabalhou até ao fim entregando a sua alma a Deus em 2012, quase a um mês de fazer noventa anos, nascida em 1912, depois de 44 anos do seu marido. Agora, no Céu, ambos gozam o sono dos justos, na eternidade de Deus Pai.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Acolher deve ser um dos frutos da espiritualidade

Acolher deve ser um dos frutos da espiritualidade
Acolher é amor. Só o humilde é capaz de acolher quem chega, seja quem for, pois pode ser aquela pessoa que precisa mais de mim, e sem saber que um dia ela poderá dar mais do que eu lhe dei. Seja quem for ainda que por mal, pois já nós, e não só, sentimos a dor de uma arma caçadeira apontada a 5 metros, de uma pistola pousada sobre uma secretária, ou de uma arma dentro de um saco, ameaçadora, do tudo ou nada, à nossa frente.
Só pode acolher bem quem for humilde. Só o humilde é capaz de amansar o violento, o degradado, o esfomeado de sede e justiça, sem quebrar o diálogo. São muitas experiências pela qual o gesto pode passar na vida, mas acabamos por sentir felicidade, descobrimos uma espiritualidade grande. Despertamos que a vida só tem sentido dentro da fraternidade, como filhos do nosso pai, ou de algo absoluto, transcendente, oculto que não vemos, mas acreditamos. Esta espiritualidade leva-nos a aliviar o sofrimento e a compreender que as nossas dores não são só nossas, são de todos, da humanidade.
Eis o grande desafio à espiritualidade, e apesar de tudo, continuar a acreditar.
Esta é a espiritualidade alicerçada na fé sem deixarmos cair os braços ou pôr de lado o resto e esperar pelo fim. Deus dá-nos sempre com as duas mãos e com o seu amor o que precisamos para conseguir os objetivos que pretendemos e a crença de que não estamos aqui para sempre, mas, de passagem para um além muito melhor e superior desde que, nos momentos das horas do dia-a-dia, de mês a mês, de ano a ano queiramos voar. Deus facilmente esquece as nossas fraquezas. Se ficarmos envolvidos nos nossos rancores, aí está o pecado.
A espiritualidade é ter consciência que somos a parte de um todo que é Amor! Que somos Obra de Deus!...
O mundo em que vivemos nos últimos tempos é um mundo da materialidade, da técnicociência maravilhosa que dispomos mas, com inteligência, com a crença de que só haverá tragédia se formos orgulhosos e não investirmos na oração e no uso justo da liberdade.
Caso contrário, vasta olhar para os noticiários que nos deixam tristes e podem-nos levar á tentação de um mundo de loucos.
Com a espiritualidade procuramos compreender e encher o nosso peito, não para o desânimo, mas para a nobreza, de uma alma com dignidade próxima do divino. É infeliz a autoridade que recusa ser discípulo e o discípulo que recusa ser autoridade.
Amigo é, no espírito, em que está toda a verdadeira grandeza. A simplicidade do espírito é visível na nobreza e ela cresce com o retiro de nós mesmos.
Não poderemos ter uma alegria espiritual em pleno se não formos justos e fizermos crescer a virtude da humanidade na nossa vida. É verdade porque quanto mais nós nos despirmos do nosso orgulho, da nossa vaidade, mais resplandece a luz do nosso espírito. É na nossa pequenez que podemos trazer o céu a todas as almas.
Com o nosso orgulho, rancor e vaidade repelimos os outros, até o próprio céu. Estes sentimentos são gestos do diabo que devemos lutar para o afastar para longe de nós.
A grandeza de uma alma não está na grandeza intelectual, mas na grandeza espiritual, sem esperar um prémio porque a sua recompensa virá depois com a alegria própria de um justo.
O “Caminho” de Mons. Escrivão, já canonizado, é muito rico de princípios para uma vida espiritual.
A alegria espiritual só pode vir não da fisiologia, mas do sobrenatural, aquela que procede do abandono de nós mesmos nos braços do nosso Pai comum.
Quando a dor te abate é porque a recebes com cobardia.
Não podemos distinguir “pelo tamanho das sementes que darão ervas normais das que vão produzir árvores centenárias”.
O “Caminho” de S. José Maria Escrivã pode ser um grande livro de cabeceira ao lado da Bíblia.
A espiritualidade conduz-nos ao acolhimento, à tolerância, à liberdade, ao respeito, à solidariedade, ao compromisso.
Uma lição dos meus primos
Artur Coutinho

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

“Somos Igreja que acolhe”


“Somos Igreja que acolhe”


Este é o tema da carta pastoral do nosso Bispo que se encontra à venda e também temos nos nossos serviços, custa uma ninharia…
Depois de Evangelizar e agradecer, vem o Acolher…
Não sei se deveríamos ter começado ao contrário porque nada na nossa vida deve começar sem um acolhimento adequado a cada ser porque depois de bem acolhido mais facilmente acredita na evangelização e sente-se obrigado a agradecer.
Antes de tudo o que é mais importante é acolher, precisamos de saber acolher. No acolhimento que significa dar colo, colinho, isto é, colar e não dividir ou encolher. É activo e não passivo. É o regaço da mãe é o colo da Virgem Maria com seu filho descido da Cruz morto e o colo de Deus sempre activo, positivo, querido e amado. É difícil dar colo ou regaço a um adulto, à primeira vista, mas se fizermos uns aos outros aquilo que Deus quer, isto é, ver o Outro com os olhos de Deus e já arranjamos um regaço quando fizer falta, seja criança ou adulto e qualquer que precise e sem preconceitos.
Abrigar alguém, recolher, agasalhar, amparar, proteger, amparar é acolher. Acolher é um abraço forte que confirma paz, confiança, amor, carinho e segurança. É mais forte que o dar a mão, qualquer palavra ou gesto, mas o conjunto é possível ser sinal de um bom acolhimento.
Acolher é dar. “Há mais felicidade em dar que em receber (Act 20,35)”
Ao longo da vida todos precisamos de colo porque o contrário podemos criar rotura e pode não dar, mas também nunca receber. Todos estamos preparados para acolher? “Somos Igreja que acolhe” porque dar colo é fortalecer as relações entre os familiares e entre os humanos, entre qualquer um da Comunidade diocesana e abertos aos que chegam de fora, sejam de que raça for, política ou credo, pobre ou rico. Se alguém precisa, cada um de nós é chamado a  Acolher… “Alegrai-vos com os que estão alegres, chorai com os que choram (Rm 12,15)”
Dar colo é ajudar a dormir a criança, o idoso ou o doente, a minimizar a solidão e a aflição dos que sofrem.
Todos nós somos dependentes e precisamos de estímulos, ou então, as pessoas serão resignadas e infelizes. Deus não quer ninguém infeliz.
A vida começa para todos assim no colo, no regaço, entre o joelhos e a cintura, no colo, entre a cintura e o peito e pode acabar do mesmo modo…
Aqui na Paróquia existe o Berço, onde se dá colo…Ele existe para dar colo uma vez que bebés e crianças não têm colo da mãe natural. Nós temos de tomar o lugar da mãe, ou dum pai para o seu crescimento normal de qualquer humano, filho de Deus.
O Refeitório Social onde se come e se faz higiene como pessoas nossas irmãs em aposentos normais. Não é a sopa dos pobres, mas o pão, a sopa, o prato normal, a sobremesa, quantas vezes um afago, um conselho ou um dar a mão sem olhar a quem. “Não pagueis o mal com o mal, mas preocupai-vos em praticar o bem para com todos os homens; se for possível, quanto de vós dependa, vivei em paz com todos (Rm 12,14) ”
Agradecemos a Deus esta dádiva de Amor de muitos dados a estas crianças abandonadas, maltratadas, de famílias desestruturadas, vítimas de violência de todas as espécies. Este louvor é “A acção de graças: Parte da «visão espiritual, de fé profunda, que reconhece aquilo que o próprio Deus faz» pela evangelização «e simultaneamente, (…) brota de um coração solícito pelos outros.”
Sentimo-nos gratíssimos pelas oportunidades que Deus nos vai dando para amar derramando sacrifício, ascese, oração, esforço, cansaço, renúncia e até a própria vida porque a felicidade e autenticidade da vida dá-nos alegria e o prazer do dever cumprido e a leveza de consciência para dormirmos melhor e alcançarmos o bem pelo qual lutamos. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e acontecer-vos-á. S. Paulo recomendou: “Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração (Rm 12,12)”
                                                                                                                                         Padre Coutinho

sábado, 14 de setembro de 2019

ALGUNS PADRES NATURAIS DE MAZAREFES DESDE 1689



ALGUNS PADRES NATURAIS DE MAZAREFES DESDE 1689
Nota: Entre parêntesis indico o século em que nasceu.
Pe. Brás Dias – do habito de S. Pedro. (séc. XVII)
Pe. António de Novais – (séc. XVII)
Pe. André de Barros – (séc. XVII)
Pe. Cristóvão Gonçalves Ribeiro – do lugar do Monte. (séc. XVII)
Pe. Manuel Fernandes – faleceu em Braga e foi sepultado nos claustros da Sé. (séc. XVII)
Pe. Tomás Barbosa de Almeida – foi abade de Vilar Sêco da Lomba, bispado de Bragança. (séc. XVIII)
Pe. Manuel Rodrigues de Carvalho – (séc. XVIII)
Pe. João Alves Calheiros – Foi pároco em S. Salvador da Torre e morreu afogado em Cardielos no rio Lima. (séc. XVIII)
Pe. Manuel Martins Carvalho – viveu na casa que mais tarde foi do Pe. Ant. Francisco de Matos e, agora, actual residência. Esteve no Brasil e em 1805, quando voltou, ampliou a capela das Boas-Novas. (séc. XVIII)
Pe. Manuel de Araújo Coutinho – foi abade de Tenões e presidente da Confraria do Bom-Jesus do Monte. Distribuiu a sua fortuna pela confraria, pelo Asilo de Velhos de N.ª Sr.ª da Caridade de Viana e em St.ª Luzia (Viana). (Séc. XVIII)
Pe. Jerónimo Francisco dos Reis – viveu com a Família numa casa muito pobre e que hoje é propriedade de António Rodrigues Vaz Coutinho. (séc. XIX)
Pe. José de Araújo Coutinho – pastoreou a terra natal durante duas épocas. Foi o principal impulsionador da obra da capela de S. Simão da Junqueira, sobre os escombros da antiga igreja paroquial, em 1860. Morreu em Braga na rua de S. Victor. (séx.XIX)

Pe. António Francisco de Matos – foi pároco de Mazarefes durante 54 anos. Nasceu a 9 de Junho de 1860. Seus pais eram lavradores e chamavam-se: Francisco António de Matos e Antónia da Piedade de Passos Pereira Maciel, natural de Castelo do Neiva.
Frequentou, já tarde, os estudos eclesiásticos e ordenou-se no dia de S. Félix de Valois- 20 de Novembro de 1887 – com 27 anos. (refere-se-lhe o Serão n.º 100).
Recebeu as ordens sacras do D. António José de Freitas Honorato, arcebispo de Braga. Era poeta e historiador. Pessoa muito culta a apelidada pelo povo de «sábio». Organizou uma monografia sobre Mazarefes. Foi um padre de vida sacerdotal fecunda. Comemorou as bodas de ouro sacerdotais em 20 de Novembro de 1937.
Em testamento deixou à freguesia a actual residência e cerca de 20.000m2 de terreno que faz parte do passal. Morreu em 7 de Março de 1947.
Pe. Manuel Fernandes Barbosa – paroquiou Darque (séc. XIX)
Pe. Manuel Pereira Polónia – Conhecido por Pe. Boavista. Nunca paroquiou e viveu na casa e Quinta da Boavista. (séc. XIX)
Pe. José Pereira Polónia – Pastoreou S. Romão do Neiva. (séc. XIX)
Pe. José Pereira da Silva Pinto – Foi pároco de Vila Fria. (séc. XIX)
Pe. José Rodrigues de Araújo Coutinho – Foi pároco em Anha. (séc. XIX)
Pe. Manuel António da Cunha – Pastoreou Vila Fria. (séc. XIX)
Pe. José Martins – Foi pároco de Castelo do Neiva (séc. XIX)
Pe. Francisco da Costa Dias – Foi pároco de Carreço. (séc. XIX)
Pe. Manuel da Costa Dias – paroquiou Verdoejo e Sanfins. (séc, XX)
Pe. Albino Maciel de Miranda, sobrinho do abade Ant. F. de Matos. Ordenou-se em 1928. Foi prefeito no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, Seminário Conciliar, Vice-Reitor do Seminário de Cucujães, pároco de Barbudo, Mazarefes, Meadela, Capelão da Caridade e faleceu em 1970.
Também descende de família natural e residente em Mazarefes o Monsenhor Manuel Vaz Coutinho, actual encarregado da administração dos Seminários de Braga.
O autor destas linhas foi ordenado em 1972. É de Mazarefes.
A Foto é do Abade Matos que faleceu depois dois meses de eu ter nascido.

PÁROCOS DE MAZAREFES DE 1596

     PÁROCOS DE MAZAREFES DE 1596

1596 – Abbe. António Gonçalves


1602 – Pe. Alvares.
1606 - ...«e como cura desta freguesia por apresentação do abbe. Ant. Gonçalves, Pe. João Afonso Carneiro».
1608 – Pe. Álvares.
1616 – Pe. F. Marques (... «eu coadjutor desta igreja »).
1617 – Pe. Álvares.
1622 – Pe João de Sá (coadjutor).
1524 – Pe Baltazar da Rocha Branco, abbe.
1626 – Pe Amador Antunes.
1628 – Baltazar da Rocha Branco.
1645 – Pe João de Barros (abbe.).
1669 – Enc. do Manuel João do Rego.
1687 – Enc. do João Ant. de Araújo.
1687 – Pe Francisco Gomes Rebello (Abbe.).
1688 – Pe José da Costa (encomendado).
1688 – Enc. do João de Barros.
1707 – Pe João Pereira Sibrão (capelão).
1711 – Pe Francisco Martins Ribeiro (capelão)















1728 – Pe Calixto da Cunha Valadares.
1728 – Pe. Sebastião Rodrigues Ribeiro, cura e encomendado.
1736 – Abbe . Manuel Azevedo Portugal.
1776 – Enc. do João Fernandes Ribeiro.
1781 – Enc. do João Alves Fiúza.
1798 – Enc. do António Duarte Vieira.
1806 – Enc. do Jerónimo José da Costa.
1812 – Abbe António José de Sousa Palhão.
1836 – Enc. do João Rodrigues de Carvalho
1843 – Abbe. Manuel Rodrigues Lima.
1861 – Pe José de Araújo Coutinho.
1862 – Abbe. José Martins da Silva.
1882 – Pe. José de Araújo Coutinho
1882 – Abbe. José Martins da Silva.
1892 – Pe. António Francisco de Matos.
1945 – Pe. Albino Maciel de Miranda (como coadjutor do tio).
1947 – Pe António Quesado (freguesia anexa a Vila Franca).
1948 – Pe. Albino M. de Miranda.
1948 – (desde Outubro, assina o P.e Delfim de Sá. Freguesia anexa a Darque).








(Em registos de baptismo, casamento e óbitos nos «livros mistos» existentes na B. P. de Braga e no Cartório Paroquial.
6 de Janeiro de 1975




1952 – Pe José de Jesus Soares Ribeiro.
1963 – Pe Eusébio Esteves Baptista.
1970 – Pe Sebastião Pires Ferreira (o actual pároco).
1979 – Padre Manuel Parente Pereira
???? - Monsenhor Sebastião Ferreira

A CASA DO ERMÍGIO - Em Mazarefes





A CASA DO ERMÍGIO EM MAZAREFES




A Casa do Cirurgião, nem sempre teve este nome desde que ali foi construída em 1765 sobre uma outra muito mais antiga.
Alguns dos seus restos (da casa forte do Ermígio, talvez a casa dum senhor Hermigius, nome de origem germânica, senhor ou proprietário medieval destas terras, antroponímico, por isso, que deve ter dado o nome ao Lugar do Ermígio) e cujas paredes talvez tenham chegado aos nossos dias sob a nova construção a serviram de cortes para as mulas.




É provável que a casa mais antiga fosse da família dos Velhos que viveriam nas Penas, onde vivem ainda os descendentes da família dos Liquitos e daí a razão do topónimo Velho que ainda aí se conserva.
Devia ter sido aquela casa para onde Francisco Afonso (Rocha) veio, em 1654, de Stª. Maria de Aborim, filho de Pedro Afonso e Catarina Gonçalves por casamento com Maria Gonçalves, filho de Afonso Gonçalves e de Isabel Martins. Sucedeu que o João Francisco, filho do matrimónio veio a casar com Justa Alves, de Vila Fria. Mais tarde, um seu filho, o Manuel Francisco, viúvo de Antónia Rodrigues do lugar das Penas (Regadia de Cima) casado, em segundas núpcias, com Ana Rodrigues, do Ermijo, filha de Simão Rodrigues (Vila de Punhe) e de Ana Rodrigues, da Regadia, dos velhos.
Um filho deste casal, o António Francisco casado com Catarina Rodrigues teve uma única filha, a Morgada, chamada Maria Rodrigues que, por sua vez, casou com um rapaz da terra, chamado João Rodrigues Ribeiro, filho de Matias Rodrigues, do Souto, e foram os bisavós do Abade António Francisco de Matos.


 Foi no tempo deste casal que a casa foi construída. Não sei que nome teria nessa altura, mas a Morgada era pessoa rica. Faleceu em 1823 levando um ofício de 46 padres, assim como o seu marido falecido 29 anos antes, levou também um 1º ofício de 33 padres, um 2º de 29 e um terceiro de 28, o que é sinal de gente rica. Acreditamos que os pobres da altura, naturalmente, tenham ido para o céu mesmo com menos padres.
Deste casal, autor presumível da Casa que chegou aos nossos dias, nasceu uma outra Maria Rodrigues que casou em 1784 com o Tenente José António de Matos, filho de José António de Matos e de Maria Gonçalves, de Chafé, e tivera 8 filhos, tendo morrido uma Teresa sem geração.
Desta geração do Tenente foram “Matos” para Vila Franca e para a Conchada. Ainda desta geração vêm as raízes próximas do Padre João António de Matos, do seu irmão Dr. José António de Matos (muitos anos Presidente da Câmara Municipal de Viana e do Sport Clube Vianense, daí o Estádio de Viana), do Padre Francisco António de Matos, do parodiante Mena de Matos e a outras tantas gerações de Matos espalhadas pela região de Viana, Porto e Lisboa.
 O filho José ficou na casa e casou com Maria Barbosa de Almeida, filha de Simão António Barbosa de Almeida e Rosa Teresa Miranda, vizinhos e moradores, onde hoje é a Casa do Esperta.
Esta Maria era morgada e foi mãe de 11 filhos. Um deles, o Francisco, foi cirurgião, tendo estudado no Porto. O Francisco, cirurgião, casou com Rosa do Espírito Santo Moreira, de Darque e foi pai de Maria Moreira de Matos que herdou a parte norte da casa que seu pai habitava, a referida casa que tinha sido partilhada por três: o Francisco cirurgião, nascido em 1838 e falecido em 1922 que deu o nome à Casa no seu todo, o Manuel Rodrigues Pereira, conhecido por Santa Marinha por ser descendência de Forjães e sobrinho do cirurgião, e pela sobrinha neta conhecida pela Rosa Barbosa de Almeida, nascida em 1891.

 O António casou com Rosa Rodrigues de Carvalho (Deiras). A irmã Rosa casou com António Pereira Novo. Foi a que ficou com a casa que mais tarde ficou conhecida por “Casa do Esperta”.
A casa dos seus avós maternos ficou para a filha da Rosa, a Maria Barbosa de Almeida, com a parte sul da casa do Cirurgião.Esta depois de ter casado com António Pereira dos Santos que saíu pela primeira vez para o Brasil, como sapateiro, quando tinha 29 anos. Voltou a sair em 1885, 1891 e em 1895 e nunca mais cá voltando. Por lá morreu, tendo deixado a mulher com duas filhas: a Rosa e a Maria da Conceição.
A Maria da Conceição, nascida em 1895, casou com Joaquim Ribeiro, relojoeiro e foi conhecido pela alcunha “Esperta” tendo dado o seu nome à casa em que ficou. A Rosa ficou na casa e casou com Manuel Almeida de Riba, de Subportela.
Nesta altura a casa do lado sul tinha uma entrada própria, mas o Stª. Marinha e o Cirurgião partilhavam das mesmas escadas centradas à linda varanda da casa numa extensão de 24 metros. Tinha umas artísticas linhas e colunata com belas bases e capitéis que mais ideia davam de casa nobre e solarenga, não fosse a vinha que se seguia a estragar-lhe um pouco a visibilidade, mas era o costume da época.
Consta que a Morgada Maria Barbosa de Almeida, mãe de 11 filhos, morreu com fama de santidade pelo que foi enterrada junto ao altar do Sagrado Coração de Maria, zelado por muitos anos pela “Casa dos Estivadas” dum modo particular pela D. Luísa.
Depois do aumento à Igreja na década de 70 este altar foi deslocado e, na construção antiga, ficava do lado esquerdo de quem entra na porta lateral e de serventia da Igreja para a Sacristia.

Era, de facto, uma pessoa amiga de fazer bem. Era rica e achava que devia pôr ao serviço dos que precisavam alguns dos seus haveres, por isso tinha em sua casa dois fornos: o forno da família onde se cozia pão para duas semanas e o forno dos pobres onde se cozia o pão para dar aos que lhe batiam à porta. Não eram assim tão poucos, dadas as dimensões do forno. Para além dele, também a existência de uma espécie de Albergue que o saudoso Padre Matos, mais tarde fez continuar na sua residência, casa própria, herdada de familiares antigos e que deixou em testamento à Paróquia de Mazarefes.
Consta-se que um dia uma pobre de Darque e já falecida, a quem ela tinha feito bem, terá vindo bater à porta mais uma vez, apesar da Morgada ter também morrido e terá declarado para quem passava: “ide trabalhar para as filhas da Morgada... Minhas malandras...”.
Um Padre conhecido por Padre Brinca, Brinca de alcunha, que foi residente na casa que hoje é o Centro Paroquial, anexa ao Adro das Boas Novas, “requereu-a” e tendo feito um exorcismo descobriu que, afinal, faltava ainda pagar uma promessa feita a S. José, um resplendor para que pudesse ir para o céu.
Depois da intervenção do referido padre consta-se que a referida “alma perdida” nunca mais apareceu. Atribuiu-se isso a um milagre da Morgada.
O Santa Marinha era filho da que, viúva, casou com o “Deira Velho”, também ele viúvo, e que só passavam o dia juntos, pelo que,  à noite, cada um ficava na sua casa. Os seus pais eram o António Rodrigues Pereira Novo e Teresa Gonçalves, dos Carriços.
Morreu com mal da garganta e solteiro, mas com dois filhos: um em Mazarefes e outro em Vila Franca, tendo-os reconhecido, pelo menos à morte e compensados.
O António Pereira era filho de Manuel Rodrigues Pereira, oriundo de Forjães, filho de Joaquim Pereira e Josefa Rodrigues. Mariana Barbosa de Morais, filha de António Luís Barbosa Amorim e de Isabel Maria de Morais era irmã do Stª. Marinha. A Maria, costumava ir pela manhã levar o leite aos tios que moravam na Quinta ao lado, “Os Bichos”.
Foi ela que, ainda criança, encontrou pela manhã cedo os tios na situação de amordaçados e assaltados.
 Esta Maria Barbosa de Almeida morreu debaixo do comboio na passagem de nível mais próxima por acidente casual ou não, mas o que é certo é que ela andava com perturbações mentais atribuídas à ausência do marido, e do abandono deste da mulher e das filhas.