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sábado, 12 de agosto de 2017

Os talheres


Os talheres

Esta colher em madeira era utililizada pelos meus avoengos 

O termo “talher” apareceu na idade média vinda do francês “talloir” que era uma faca longa e afiada usada para cortar carnes.
Naturalmente e sem dúvida alguma, pois ainda hoje acontece, o homem começou por levar a comida à boca com as mãos. Fazia a sua alimentação como o macaco. Isto foi normal até à Idade Média. Ainda hoje em algumas regiões do mundo na Africa e entre os indígenas acontece.
Segundo alguns historiadores seria na Idade Média, mais precisamente entre o século V e XV que surgiu o garfo, aquilo que é fundamental na civilização ou cultura de hoje.
Ninguém pode preocupar-se levianamente com o que nasceu primeiro, se a colher, se o garfo. A faca sempre foi utilizada pela humanidade não ao jeito de hoje, mas, com o machado de pedra do paleolítico e o machado de metal do neolítico é natural que se serviam para cortar as carnes ou cortar as peças maiores de comer.
Num quadro da última ceia de Jesus Cristo, datado do século XII, aparece um garfo na mesa. Não quer dizer que no tempo de Cristo existisse o garfo. Poderia ser um elemento de boas maneiras no século XII a acrescentar para que também ele lá estivesse como algo novo. É que nessa época parece ser usado um garfo de dois dentes para espetar as carnes e levá-las à boca. Não seria o comer com as mãos um sinal de respeito para aquilo que Deus dava para nos alimentarmos que se usariam as mãos? Esta é uma falsa questão. Creio por isso  que não. Assim foi toda a vida mesmo até no século X ou XI.
Só que a evolução cultural descobriu o garfo e ainda bem que assim foi e daí até chegar à mesa do rei, da nobreza, do clero e do povo foi chegando por aqui e por acolá aos solavancos.
Nessa época teria aparecido o garfo e depois a colher, porque a faca o “homo sapiens” já teria inventado para além dos machados, outros objetos cortantes, que possivelmente serviriam também nos alimentos assados ou grelhados nas brasas, ou cozidos. Embora com a evolução cultural não teria sido difícil de a utilizar mais tarde com o garfo para a comida.
Só no século XVII foi determinado que os homens deviam comer com talheres: faca, garfo e colher, com forma de concha. Muitas vezes estes objetos eram colectivos…A mesma peça servia para vários ou para todos do mesmo lar, toda a família. Do mesmo utensílio comiam os vizinhos…
Talheres não são apenas aqueles que nós usamos. São também os pauzinhos que os chineses usam para comer e que eu já utilizei nas refeições feitas na China, para admiração de muitos, embora pusessem a todos os talheres ao lado e ao nosso jeito.  
Para mim era uma delicadeza, pois na China ser chinês, e eu assim fiz em todas as refeições, assim como em Portugal se deve ser português.
Os talheres eram tão simples que ainda conheci os garfos de dois dentes e de três dentes feitos de arame. Mas quando foram introduzidos para fazerem parte da mesa dos reis ou das rainhas eles eram feitos de zinco, barro, madeira, de osso, de prata, ouro e decorados com arte muito variada, rica ou mais pobre e em vez de uma espécie só, começou a utilizar-se os talheres de colher de sopa e de sobremesa, de chá e de café, de garfo de carne ou de peixe e de sobremesa e acepipes (garfinhos); faca para carne ou peixe e faca de sobremesa.
Agora começa a haver talheres de plástico, descartáveis, muito adequados para facilitar piqueniques e outras festas.
Enfim, hoje há uma variedade enorme de objetos de cozinha que se utilizam na confeção dos alimentos e na forma de os comer.
Têm diversos tamanhos, formatos e funções como já observei acima.
Talheres de barro e aço inoxidável.
Tenho pauzinhos em osso para usar a chinês, naturalmente, comida confeccionada à chinês…


sábado, 5 de agosto de 2017

POALHO (A)

POALHO (A)




Puã e Pu em línguas indígenas quer dizer redondo ou  resto

Poalho (polha) pó, nevoeiro, chuva miudinha, nos dicionários aparece com esta significação.

Em brasileiro é também entendido como esturrinho, amostrinha, caco, tigela.

Alguns idosos de hoje disseram-me que era o que ficava no fundo da chávena do café, o que fica no prato de pois de comer e outros, mas menos, o ficava no fundo da na malga do caldo, na tigela, era o restinho. No entanto, gente mais nova também lhe chama isto ao que fica no fundo da chávena do café.

Recordo que no meu tempo de criança e de jovem ouvia os mais velhos chamar poalho ao que ficava no fundo da “malga do caldo”, era um resto cremoso como “moinha” que restava das favas, do feijão, da abóbora, da batata, do toucinho que adubava o caldo. Era como uma “moinha” (resto do caldo) aureolada, arredondada, pois era a forma das malgas, tigelas. Esse poalho era dado pelas mães aos filhos quando começavam a meter-lhes comida na boca.

Os homens, entretanto, com esse poalho lavavam as malgas deitando vinho rodando a tigela até passar por toda a superfície da mesma e depois bebiam aquele vinho “adubado” pelo resto do caldo, pelo dito poalho.

Procurei em dicionários de português do século XIX e não encontrei este vocábulo “poalho” ou “poalha”. É possível que já existisse.

Será uma palavra com esta significação na zona do Lima?

Então procurei no dicionário do vianense Artur Fontinha que apresenta alguns vocábulos limianos e que ninguém mais regista, mas não regista este, nem com um nem com outro significado.  Faltou-me procurar no “Serão” do Rosa Araújo

Polv que deu poeira mais alha,  deu polvo, pó!… E o que é pulverizar? Aparece em vários dicionários…

Uma pessoa amiga encontrou esta indicação: “m. Náut. Nevoeiro pouco denso, que cerra o horizonte. Chuva miúda e passageira. (Cp. poalha)” Também a encontrei num dos meus dicionários.

Pu e Pua também aparece entre indígenas com o significado de casa.


                                                                                        Artur Coutinho