AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

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sábado, 11 de agosto de 2012

Persignação ou sinal da cruz ao entrar na igreja com água benta

SINAL DA CRUZ: PERSIGNAÇÃO E BENÇÃO

Por Marília Lima / 16 de abril de 2010



Muitos de nós nos benzemos com o Sinal da Cruz, mas não paramos para meditar cada gesto que forma o sinal em nossa face. Alguns de nós pode ter aprendido este significado quando ainda era muito pequeno, no tempo da catequese, e por essa razão ter esquecido. Outros nunca tiveram acesso a essa explicação.

O Sinal da Cruz se faz de dois modos: Persignando-se e Benzendo-se

Benzer-se é fazer uma cruz, com a mão direita aberta, da testa ao peito e do ombro esquerdo ao direito, dizendo: Em nome do Pai, e do Filho, + e do Espírito Santo. Amém.

Esse não é apenas um gesto simbólico,por Ele expressamos, anunciamos três verdades ou dogmas fundamentais da nossa religião: o Dogma da Santíssima Trindade, da Encarnação e da Morte de Jesus Cristo. Quando você diz: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, você está proclamando o Mistério da Santíssima Trindade. “Quando você leva à testa as pontas do dedo da mão direita aberta, dizendo”: “Em nome do Pai”… você desse com a mão na vertical e toca no peito continuando: “…e do Filho”, você está indicando o mistério da Encarnação: o Filho de Deus desceu ao seio da Virgem Maria. Depois, levando a mão direita para o ombro esquerdo (e do “Espírito…”) você completa a cruz tocando o ombro direito (“… Santo…”), você está indicando a morte de Jesus na Cruz.


Persignar-se é fazer três cruzes com o dedo polegar da mão direita aberta: a primeira na testa; a segunda na boca; a terceira no peito, dizendo: Pelo Sinal + da Santa Cruz, Livrai-nos, Deus, + Nosso Senhor, dos nossos + Inimigos.

Existe uma piedosa explicação que nos diz que a cruz na testa é para Deus nos livrar dos maus pensamentos; na boca, para nos livrar das más palavras; e, no peito, para nos livrar das más ações. Mas existe um sentindo Litúrgico mais abrangente e expressivo para o verdadeiro cristão autêntico na fé e na boa nova do Evangelho: A cruz na testa , lembra que o Evangelho deve ser entendido, estudado, conhecido; a cruz nos lábios lembra que o evangelho deve ser proclamado, anunciado (missão de todo cristão); e a cruz no peito, à altura do coração, nos indica que o evangelho, acima de tudo, deve ser vivido, pregado e testemunhado por todos os que acreditam que Cristo ressuscitou. Também o Cristão que for fazer a proclamação e leitura da Boa Nova, deve fazer a cruz na leitura do Evangelho a ser lido, indicando com isso que cada palavra pronunciada seja um despertar para cada cristão ser luz e sal para o mundo.
O momento em que geralmente fazemos o persignar-se é na liturgia da palavra, quando nos preparamos para ouvir a Palavra de Deus. Devemos com isso também estarmos de Pé, indicando com essa posição, que estamos prontos para seguir, dispostos a marchar com Jesus para onde Ele nos levar.


O Sinal da Cruz é o sinal do cristão: 1º porque serve para distinguir os cristãos dos infiéis, e 2º porque indica os principais mistérios da nossa fé.
Ele que foi traçado em nossa fronte no dia do nosso batismo assinala a marca de Cristo naquele que vai pertencer-lhe e significa a graça da redenção que Cristo nos proporcionou por sua cruz. Estamos marcados, toda a nossa vida pertence a Deus.

Devemos fazer o sinal da cruz pela manhã, ao despertar; à noite, ao deitar; antes e depois das refeições; no princípio e no fim de qualquer trabalho; antes de começar a oração; nas tentações e nos perigos.
E também quando passamos em frente a uma igreja por respeito e pelo desejo de que Deus esteja sempre presente em nossa vida.
Também o Cristão que for fazer a proclamação e leitura da Boa Nova, deve fazer a cruz na leitura do Evangelho a ser lido, indicando com isso que cada palavra pronunciada seja um despertar para cada cristão ser luz e sal para o mundo.

Hoje, infelizmente, milhares de católicos não fazem mais o sinal da cruz; os mesmos “esparramam” os dedos pelo rosto, peito e ombros, parece que estão mais se lavando do que benzendo-se. É preciso fazer o sinal da cruz com o máximo de piedade e respeito.
Devemos sempre através de nosso exemplo de Cristãos autênticos buscar corrigir nossos irmãos que ainda não conhecem o significado importantíssimo do sinal da cruz, dizendo a eles que não precisa dar o “tapinha na boca” nem beijar os dedos quando finalizamos com o “ Amém”. Usando é claro, o bom senso para não ferir nem magoar ninguém. Sinal este que hoje, muitas vezes, passa despercebido seu verdadeiro significado.





sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Os números e as estatísticas - pobreza

Os números falam por si, mas as estatísticas às vezes valem o que valem...
Se 4 pessoas comem um frango, não está mal.  Foi 1/4 de frango para cada um, mas se chegarmos à conclusão que só uma delas comeu o frago inteiro, então os outros três não comeram nada.
Estes dados que os encontrei em apontamento e nem sei a sua origem, suponho não estar muito longe da verdade, mas... agora será pior ou melhorou?










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2500 milhões de pessoas (mais de metade da popu­lação) não têm acesso às redes de saneamento;

1  bilião e 100 milhões de pessoas vivem com menos de 1 dólar;

800 milhões de pessoas estão subnutridas;

Mais de um terço das crianças dos países em desen­volvimento sofre de má nutrição e de insuficiência de peso;

Em todo o mundo, em cada 6 segundos, morre uma criança de fome;

Todos os anos, à volta de 17 milhões de pessoas mor­rem de doenças infecciosas e tratáveis, como a diarréia, o paludismo ou a tuberculose;

400 milhões de crianças não têm acesso à escola;

200 milhões de pessoas são gravemente afectadas pela desertificação.





















MOÇAMBIQUE

60% da população vive abaixo do limiar da pobreza;

500 mil pessoas vivia ameaçadas pela fome em ano de 2010;

1,8   milhões de pessoas estão afecta­das pelo Sida;

1,6   milhões de órfãos sofrem diaria­mente de muitas carências;

Moçambique situa-se no 18o lugar entre 22 países com maior fardo de tu­berculose a nível mundial;

49% do total de doentes adultos de tuberculose são portadores do HIV/SIDA, havendo locais, no país, onde este índice atinge 70%.

Imagens de Viana e 3 junto duma Igreja

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Padre José Freire de Santa Marta

Acabei de receber a notícia pelo nosso Arcipreste de Viana, Padre Dr. Armando Dias e pelo Padre Emanuel Paulo, de Caminha


Reverendo Padre José de Oliveira Rodrigues Freire

Nasceu em 22-05-1928



Foi ordenado Presbítero em 15 de Agosto de 1953



Foi Pároco de Santa Eulália de Venade, Santa Marinha de Argela e São Miguel de Azevedo até 31 de Dezembro de 2007





















Adormeceu no Senhor no dia 9 de Agosto de 2012



O seu funeral será amanhã às 16:00 na Igreja Paroquial de Santa Marta de Portuzelo, onde foi baptizado.



Temos um autocarro que nos levará ao funeral a Santa Marta: sai às 14:00 de Venade.



Missas de sétimo dia:

segunda-feira - Igreja de Azevedo

terça-feira - Igreja de Argela

quarta-feira - Igreja de Venade



Missa de misericórdia (Coração de Jesus) - Domingo, dia 19, Venade - 10:15



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Padre Paulo Emanuel

Um templo novo - dedicado à Sagrada Família - dia 8 de Setembro às 17.00H.

Luz entre os homens

A ARQUITETURA SACRA

Entre as obras humanas que permitem manifestar a luz do evangelho e levar os homens a glorificar a Deus pela beleza que elas manifestam estão as de arte sacra. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a verdadeira arte sacra leva o homem à adoração, à oração e ao amor de Deus, Criador e Salvador, Santo e Santificador”. Na verdade, a vocação da arte sacra é “evocar e glorificar, na fé e na adoração, o mistério transcendente de Deus” (n. 2502). Gostaria todavia de destacar a arquitetura sacra e o seu significado como expressão da fé.

Grandes mosteiros ou santuários, igrejas antigas ou modernas, pequenas capelas e ermidas são alguns exemplos de arquitetura sacra. Foram construídos para exprimir a fé e para serem lugar onde ela é alimentada em pequeno grupos, grandes assembleias, momentos familiares ou nos atos pessoais de meditação ou de oração. Ao construir uma edifício sagrado, os crentes marcam e delimitam um determinado espaço que consagram a Deus, para nele Lhe prestarem culto, O escutarem e Lhe falarem. Como muito bem diz Nuno Higino, toda a igreja “é uma representação humana do divino. É uma mediação humana apontando o próprio Deus. Deus não precisaria de nenhuma casa para habitar, porque ‘os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade’ (Jo 4, 23). Mas à condição histórica do homem convém a representação. A casa de Deus é a casa dos homens. ‘Assente no chão’, ‘atenta à beleza e à diversidade da imanência’, a casa de Deus é feita ‘para habitação da eternidade’ (Sophia Andresen)”.

Os templos são ao mesmo tempo “casa de Deus” e casa da comunidade cristã. Casa de Deus, porque Ele aí se manifesta e acolhe os seus filhos. Mas não fica prisioneiro do espaço sagrado, como bem afirmou S. Paulo aos atenienses, quando lhes disse que “o Altíssimo não habita em casa erguida pela mão do homem” (Act 7, 48-49), pois Ele está presente em todo o lado. Os edifícios sagrados também não são os únicos espaços em que os homens podem adorar a Deus, pois podem fazê-lo em qualquer lugar.

Ao construírem um templo, por mais modesto e simples que seja, os crentes levantam um sinal de Deus que se torna patente diante dos homens. Toda a obra de arte, também a arquitetura, “é um testemunho do homem” (A. Halder) situado no tempo, na sociedade e na cultura que lhe são próprios. Uma igreja, uma capela ou qualquer outro edifício religioso é portanto um testemunho da fé da comunidade que o ergueu. Nessas obras traduzem-se alguns elementos do seu credo, do modo de pensar a religião e da sensibilidade. Nelas manifesta-se simbolicamente “um estilo de vida, uma qualidade de acolhimento, uma espiritualidade” (A. Houssiau).

Como já disse, um edifício sacro, é também uma casa que acolhe a comunidade cristã, a Igreja. É chamado “igreja” porque é a casa que abriga o grupo ou a assembleia dos fiéis, essa sim a Igreja viva e verdadeira. Ali se congregam os crentes reunidos “no amor de Cristo”. Também a comunidade cristã é sinal que indica o divino, um sinal mais importante e expressivo do que a obra material. Mas o testemunho da Igreja viva não tira valor de sinal à igreja a casa de Deus construída pelos homens. O testemunho da Igreja exprime-se também através das suas obras de arte e da beleza dos templos que dedica a Deus e aos santos.

A igreja material é todavia “morada de uma comunidade” (A. Houssiau) e não simplesmente o lugar onde ela se reúne. Como uma família tem a sua casa onde habita, assim os fiéis formam uma comunidade, identificam-se com ela e têm a casa onde fazem oração, se encontram, partilham experiências e dons espirituais. Amam a sua casa, correm para ela e cuidam dela com grande zelo. Podem encontrar-se com Deus em muitos outros lugares, mas é à morada da sua comunidade que retornam como quem volta a casa depois de qualquer ausência. Por isso, os fiéis há-se sentir-se na igreja como na sua casa, organizá-la segundo a sua sensibilidade religiosa, identificar-se com ela.

O templo sagrado fala-nos, toca-nos, dá-nos testemunho de Deus através das suas formas, volumes, linhas, cores, sons, luz... Nele podemos ter uma qualquer experiência religiosa. Pelo ambiente, beleza, simplicidade e nobreza pode suscitar na alma humana o sentido da transcendência, do infinito, do divino, podendo promover nas pessoas, mesmo nos não crentes, uma certa experiência mística. Por vezes, pode mesmo imprimir no espírito humano uma certa percepção de estar num lugar habitado. O templo cristão, sendo “casa de Deus”, é efetivamente um lugar habitado por Alguém. A filósofa judia Edith Stein, quando jovem, entrou um dia na catedral de Frankfurt em visita turística. Ao ver uma mulher entrar e ajoelhar-se, ficando um certo tempo em oração, percebeu que o templo católico é verdadeiramente um espaço habitado, vai-se a ele para se encontrar Alguém, entra-se como quem vai visitar um amigo a sua casa. Quem dera que todos nós percebêssemos esta qualidade dos templos católicos! Então neles receberíamos a luz divina...

Os templos são também “memórias” de determinadas épocas. Registam os modos de se exprimir das comunidades do passado. Mas ficam sujeitos às intervenções e às marcas das gerações sucessivas que usam e usufruem dos bens patrimoniais que herdaram. Cada geração deixa as suas marcas no património cultural religioso recebido.

Padre Jorge Guarda



Este artigo pode ser encontrado também no meu blog, no seguinte endereço: http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Helder Gonçalves e a Igreja da Sagrada família recebido em email de

Igreja Nova da Sagrada Família
"Nós somos as pedras vivas do Templo do Senhor; somos Povo Sacerdotal, Igreja Santa de Deus " (1Pe 2, 5).

A nossa comunidade, Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, prepara-se para inaugurar e dedicar a Igreja Nova da Sagrada Família.
É o sonho e o concluir de uma etapa de muitos anos de trabalho e contributo dos seus paroquianos.
É um edifício sagrado destinado ao culto divino após o dia da sua dedicação que há muitos anos esta comunidade espera por causa da falta de espaço para as suas actividades diversas e as próprias celebrações litúrgicas.
A construção de uma Igreja nova é – deve ser – um desafio pastoral para toda a comunidade. A abertura solene da Igreja não significa que se acabaram os trabalhos; ao contrário, este passo marca o início ou a continuidade de um trabalho permanente e contínuo que consiste na aposta na Iniciação cristã e formação permanente da comunidade.
Neste contexto, importa reflectir e perspectivar a passagem que é necessário a Comunidade Paroquial de Nossa Senhora de Fátima concretizar, no sentido de passar do simples lugar (agora novo e belo) a espaço vital, redefinindo o seu modo de ser, estar e ser na comunidade e no sentido de fazer desta Nova Igreja uma casa comum.
Igreja-edifício é o lugar da reunião da comunidade paroquial. Todos os que na comunidade se reconhecem filhos de Deus, enxertados em Cristo, habitados pelo Espírito Santo, encontram neste lugar a referência geográfica que evoca e convoca outra referência, de ordem espiritual, e que é a sua pertença a uma comunidade, instituída e conduzida por Cristo, na pessoa do seu pastor. Este lugar torna-se assim a matriz configuradora do existir-em-Cristo, no seio da comunidade paroquial. Ter uma igreja nova, de pedra e cal, é fundamental se apoiada e sustentada por pedras vivas; uma igreja, por mais bela e cómoda que seja, se não for casa de família da comunidade, se não for lugar de encontro e celebração com Cristo e com os outros, se não for lugar de sintonia entre a fé e a vida, se não for lugar de para fazer perguntas e encontrar respostas, será apenas um edifício belo e cómodo, sem a vida que lhe é inerente.
Importa por isso e agora que há uma nova igreja, um novo edifício, dar vida a esta Casa de Deus e Casa da Comunidade e isto faz-se, fundamentalmente, pela exercitação da vida-em-Cristo:
· pela participação activa e consciente na reunião dominical, a Eucaristia, e nos outros sacramentos;
· pela colaboração séria e empenhada nos diversos serviços paroquiais;
· pelo testemunho de vida e de palavra firme e sereno;
· pela caridade audaz e comprometida e pela leitura atenta e evangélica dos sinais dos tempos.
Cada um destes aspectos exige e reclama um modo de estar novo na igreja nova, uma caminhada espiritual de conversão e Páscoa, de modo a que, a partir da igreja-edifício se passe, consciente e assumidamente, à igreja-comunidade, à igreja-edifício-espiritual, à igreja de que Cristo é a pedra angular.
A nova igreja, pela sua criatividade arquitectónica e cuidado litúrgico, impulsiona cada um, na comunidade, a um novo modo de ser que se concretiza no modo de estar: estar em celebração. Trata-se de aceitar que a configuração do edifício e a sua pertinência litúrgica nos associa ao mistério pascal de Cristo, que no memorial da Eucaristia, reedifica o seu Corpo.
O desafio pastoral da nova igreja é exactamente o de impulsionar um processo participativo que impulsiona cada um, não simplesmente a estar (inactivo e inerte, como espectador), mas a celebrar, a incorporar-se na dinâmica existencial do que nela se celebra e acontece salvificamente. Este "incorporar-se" na celebração implica "o corpo inteiro" e a alma, isto é, implica uma opção firme e permanentemente reiterada de fazer comunidade, de refazer, alargar e potenciar todos os canais da graça.
A altura e a profundidade, o comprimento e a largura da nova igreja dizem a cada um que, sozinho, é pequeno, frágil e impotente, ao passo que, em comunidade – com os irmãos em Cristo -, se tornam sinal e símbolo dos bens do alto a que aspiramos, das coisas terrenas que queremos santificar, da aventura larga que é estar no mundo sem ser do mundo, da amplitude e universalidade do nosso ser-em-Cristo e ser Igreja Católica. Não deve, pois, entender-se este espaço unicamente como um lugar de uso privado, a que se vem para o encontro a sós com Deus, mas como um âmbito de comunhão e encontro com Deus e com os irmãos. Esta casa é uma casa de família e se é, em alguma ocasião e para alguém, um lugar de refúgio, é-o na exacta medida em que se procura e se possibilita a comunhão. É uma casa onde cada um se faz e se refaz para ser comunidade.
O desafio pastoral da nova igreja será o de "fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão" (João Paulo II, NMI, 43). Trata-se de, num primeiro âmbito, trabalhar incansavelmente por fazer acontecer a comunhão: a comunhão na mesma fé (a fé da Igreja que inclui a de cada um e a que cada um se referencia), a comunhão no mesmo celebrar e rezar (celebramos o mesmo Cristo) e a comunhão no mesmo viver e sentir (apesar das nossas e tantas diferenças). O que nos une é mais amplo e abrangente do que as razões, habitualmente de ordem emocional, que nos separam.
Num segundo âmbito, trata-se de "promover uma espiritualidade da comunhão", elevando-a ao nível de princípio educativo em todos os lugares onde se plasma o homem e o cristão (NMI, 43). Do ponto de vista prático, há que compreender que a "espiritualidade da comunhão significa em primeiro lugar ter o olhar do coração voltado para o mistério da Trindade, que habita em nós e cuja luz há-de ser percebida também no rosto dos irmãos que estão ao nosso redor; (…) significa também a capacidade de sentir o irmão de fé na unidade profunda do Corpo místico, isto é, como "um que faz parte de mim", para saber partilhar as suas alegrias e os seus sofrimentos, para intuir os seus anseios e dar remédio às suas necessidades, para oferecer-lhe uma verdadeira e profunda amizade; (…) é ainda a capacidade de ver antes de mais nada o que há de positivo no outro, para acolhê-lo e valorizá-lo como dom de Deus: um "dom para mim", como o é para o irmão que directamente o recebeu; (…) é saber "criar espaço" para o irmão, levando "os fardos uns dos outros" (Gal 6,2) e rejeitando as tentações egoístas que sempre nos insidiam e geram competição, arrivismo, suspeitas, ciúmes" (João Paulo II, NMI, 43).
Esta espiritualidade de comunhão há-de tornar-se visível na nova igreja: um lugar onde se vai e onde se está e donde se vem re-feito (e satis-feito), apesar de sadiamente incomodado, e não des-feito, dividido e revoltado. Isto é tarefa que depende absolutamente de todos, é processo de que todos são responsáveis, individualmente e com os outros (co-responsáveis).
De um lugar belo, luminoso, ordenado, onde cada coisa está no seu lugar e do qual se capta simbolicamente o sentido e o significado e onde se está bem, só pode sair-se com os mesmos atributos. Como se houvesse uma transfusão de beleza, bondade e justiça do edifício / lugar para o interior da comunidade da qual se faz parte, se é pedra viva. A experiência destas dimensões impulsiona cada um, individualmente e em comunidade, a sair de lá renovado, fortalecido, reorientado e capacitado, pela graça recebida, de ir em missão e fazer das palavras e atitudes de cada dia um testemunho singelo com efeitos incontáveis. Há um dinamismo que a fé, professada, celebrada e vivida em comunidade, na casa da família, gera e que é absolutamente inédito: quando celebramos a fé levamos ao coração de Deus, em Cristo, as alegrias e as angústias, as esperanças e os sonhos do mundo e trazemos de lá a Boa Nova capaz de dar um sentido e uma resposta de vida feliz e eterna ao mundo. Nem toda a gente celebra (ou pode celebrar) a fé, mas a celebração da fé pode chegar a todos, pela palavra, atitudes, razões e sentimentos de que a celebra e depois a partilha.
O desafio pastoral da nova igreja da Sagrada Família é o de perceber que não é só ponto de chegada, mas também e simultaneamente ponto de partida. Esta percepção há-de ter repercussões no modo de apreender a fé da Igreja como um processo dinâmico e comunitário, com implicações reais e concretas na vida do dia-a-dia e não de modo individualista e intimista; no modo de celebrar que supera os gostos e sensibilidades individuais e traduz a linguagem da fé para hoje; no modo de viver os diversos ministérios e serviços na comunidade e de viver os problemas quotidianos; no modo de testemunhar a fé, concebendo este testemunho como uma proposta, uma mais-valia de sentido e não como proselitismo ou conquista.
Os espaços, oferecidos pela nova igreja, hão-de entender-se como oportunidades para promover serviços e atitudes sadias de caridade, solidariedade social, cultura e descanso, como âmbito de culto e de cultura. Este novo espaço não é um espaço do qual nos podemos servir conforme as necessidades individuais, grupais ou sociais, como se fosse um direito, mas terá de ser um espaço com dever de servir quando e na medida em que a comunidade se sentir interpelada a fazê-lo. Trata-se de converter a mentalidade e compreender que este é um espaço do qual eu me sirvo, não por razões pessoais e interesseiras, mas para me colocar numa atitude de serviço, ao próprio espaço, à comunidade e a todos os outros.
Os espaços amplos, polivalentes e variados de que a comunidade vai usufruir, amplificam e diversificam as possibilidades de serviços que a comunidade deve proporcionar. E este é um desafio pastoral que deve assumir-se porque é uma das formas privilegiadas de testemunho e de proposta da fé.
De entre os diversos serviços que a comunidade deve prestar, três merecem especial menção, em razão da sua importância teologal e pastoral:
· o exercício audaz e comprometido da caridade, apontado por S. Paulo como o distintivo e decisivo da identidade cristã (1 Cor, 13, 1 e sgs), e que diversos grupos paroquiais tomam como principal responsabilidade, em nome de todos da comunidade. "A caridade tomará então necessariamente a forma de serviço à cultura, à política, à economia, à família, para que em toda a parte sejam respeitados os princípios fundamentais de que depende o destino do ser humano e o futuro da civilização" (João Paulo II, NMI, 51).
· a leitura atenta e evangélica dos sinais dos tempos, tão premente nestes dias conturbados e politicamente tão fragmentada e radicalizada. "E como ficar indiferentes diante das perspectivas dum desequilíbrio ecológico, que torna inabitáveis e hostis ao homem vastas áreas do planeta? Ou face aos problemas da paz, frequentemente ameaçada com o incubo de guerras catastróficas? Ou frente ao vilipêndio dos direitos humanos fundamentais de tantas pessoas, especialmente das crianças? Muitas são as urgências, a que o espírito cristão não pode ficar insensível" (João Paulo II, NMI, 51).
· a cultura séria, de cariz popular e/ou outra, que capacita a dimensão festiva e jubilosa da vida, tão próxima da esperança.
Em síntese, e como propôs o Papa João Paulo II para este novo milénio, importa concluir: "Devemos procurar que os pobres se sintam, em cada comunidade cristã, como "em sua casa". Não seria, este estilo, a maior e mais eficaz apresentação da boa nova do Reino? Sem esta forma de evangelização, realizada através da caridade e do testemunho da pobreza cristã, o anúncio do Evangelho — e este anúncio é a primeira caridade — corre o risco de não ser compreendido ou de afogar-se naquele mar de palavras que a actual sociedade da comunicação diariamente nos apresenta. A caridade das obras garante uma força inequivocável à caridade das palavras" (NMI, 50).
Aponto alguns desafios gerais a serem entendidos como caminhos de conversão e mudança, e consequentemente, como processos de ressurreição a encetar, individual e comunitariamente. Vejamos alguns desafios concretos, ligados à vertente litúrgica que a nova igreja potencia e possibilita de modo nobre e belo.
Alguém que faz da Casa de Deus e Casa da Comunidade a sua casa de família, quer que outros façam esta descoberta e esta experiência. Fundamental para a concretização deste desejo é o acolhimento, que é – deve ser – uma característica própria da comunidade cristã, na fidelidade a Deus que é Amor.
Esta não é uma estratégia de "marketing", mas um modo de ser e estar desta família que se reúne neste lugar. O próprio lugar – a igreja – é e simboliza o acolhimento que Deus faz a quem quer ser iniciado e incorporado na comunidade. É imperioso reconhecer que, hoje, o acolhimento é missão de todos e cada um. O objectivo do mesmo é que cada um se sinta em casa e se sinta bem e não seja e não faça como o irmão mais velho da Parábola do Filho Pródigo. É verdade que o acolhimento não é uma tarefa fácil e exige um tacto e uma sensibilidade especiais.
O novo espaço litúrgico abre novas possibilidades para o acolhimento efectivo:
· mostra-o a Porta, alta, grande, mostrando assim que este é e será um espaço sempre aberto a quem se deixar interpelar, converter e dinamizar pela fé e pela vida da Igreja;
· mostra-o a Nave, espaço da assembleia, unido ao presbitério, onde todos caberão e todos farão falta, como pedra viva da construção espiritual que Cristo nos faz participar;
· mostra-o as grandes janelas, dando a entender que aqui tudo é – quer ser – claro, limpo e transparente, para que todos possam aproximar-se em razão da verdade e da lisura que vêem e querem experimentar;
· mostra-o o espaço exterior circundante, que abre o edifício à paisagem e abre a paisagem ao edifício; este aspecto é importante porque faz perceber que o acolhimento não se faz apenas do lado de dentro, mas começa antes, começa fora e continua, perpetua-se (de dentro para) fora.
Todos estes lugares hão-de possibilitar uma participação próxima e efectiva na celebração dos sacramentos e da liturgia, celebrados com sensibilidade e solicitude pela especificidade da assembleia reunida e acolhida neste lugar.
Na nova igreja, a Fonte Baptismal estabelece um contacto (também visual) entre o exterior e o interior, dando a entender que esta é a porta que abre a pessoa à fé e lhe possibilita a passagem a uma nova condição existencial e espiritual: a de filho predilecto de Deus, de discípulo de Cristo, de templo do Espírito Santo e de membro da Igreja. A compreensão da importância e centralidade teológica, há-de dar à comunidade uma tripla responsabilidade: a de gerar, fazer nascer e iniciar para a fé e a vida da Igreja.
A responsabilidade de gerar precede qualquer processo ou itinerário e concretiza-se no testemunho que a comunidade faz da verdade de si mesma, na fidelidade a Jesus Cristo. É o testemunho que fecunda e acompanha o processo de gestação de novos discípulos de Cristo. Este testemunho acontece na vida de cada dia, na vivência das alegrias e esperanças, das angústias e tribulações e leva à celebração do mistério da vida que se (con)centra (no lugar) da Eucaristia.
A responsabilidade de fazer nascer, simbolicamente expressa na Fonte Baptismal, refaz a comunidade, dando-lhe novos membros e retomando o ciclo da vida cristã. O Baptistério é a porta que abre a comunidade a um modo de ser e de estar: ser-em-Cristo e estar-em-comunidade. O baptizado é aquele que nasce e renasce, morre e ressuscita em Cristo, permanentemente. Assim, a comunidade vive em PREC, isto é, em Processo de Renascimento / Ressurreição em Curso.
A responsabilidade de iniciar à fé e à vida da Igreja é própria da comunidade que se enraíza em Cristo e faz da celebração um encontro autêntico, verdadeiro e profundo com Cristo. Iniciar é perfumar quem se aproxima da Igreja com o perfume de Cristo, o perfume que transforma a vida, o perfume que contamina de beleza a existência.
O novo espaço litúrgico tem todas as condições para que a comunidade assuma e desenvolva cada uma destas responsabilidades. Assim entenda cada um e todos juntos, em comunidade, que a Nova Igreja potencia e capacita cada uma e todas estas responsabilidades.
Na Nova Igreja destaca-se e assume relevo especial, pela grandeza e altura, o espaço da assembleia e a sua ligação ao presbitério e a outros espaços. A amplitude deste espaço desafia a comunidade a estar de modo novo, reconhecendo-se, conscientemente, como assembleia convocada por Deus (ecclesia), onde todos são iguais em dignidade diante de Deus, embora com serviços e ministérios distintos, e em que todos estão chamados a aspirar às coisas do alto. Este "ser assembleia" convocada há-de configurar o modo renovado de estar na assembleia e na comunidade.
Neste contexto, a Nova Igreja deverá ser:
· Um meio vital onde se aprende a ser e a viver em e como comunidade, na unidade da mesma fé (a fé da Igreja) e na rica diversidade de serviços, ministérios e talentos;
· Um lugar de descoberta e encontro de sentido(s) para a vida e para as questões do quotidiano;
· Uma proposta de beleza e de fruição estética por referência ao Cristo, numa experiência gozosa de contemplação da verdade e da lisura do mesmo Cristo;
· Uma autêntica "escola" de oração, "onde o encontro com Cristo não se exprima apenas em pedidos de ajuda, mas também em acção de graças, louvor, adoração, contemplação, escuta, afectos de alma, até se chegar a um coração verdadeiramente "apaixonado". Uma oração intensa, mas sem afastar do compromisso na história: ao abrir o coração ao amor de Deus, aquela abre-o também ao amor dos irmãos, tornando-nos capazes de construir a história segundo o desígnio de Deus." (João Paulo II, NMI, 33);
· Uma escola de caridade, onde, em união com a fé e a esperança, se faz e refaz a identidade cristã.
A escuta da Palavra de Deus, como palavra viva que interpela, orienta, plasma a existência, é um desafio a que terá de dar-se atenção na hora de potenciar a Nova Igreja. "Alimentar-nos da Palavra para sermos "servos da Palavra" (…) é, sem dúvida, uma prioridade da Igreja (…)" (João Paulo II, NMI, 40). Nunca será demais salientar a importância e dignidade da Palavra de Deus. O novo ambão evidencia estas características, mas precisa de ser completado, na sua plenitude, com uma proclamação cuidada e perfeita, no sentido de ecoar, do modo mais limpo e claro possível, no coração da comunidade.
A Nova Igreja constitui um desafio aos serviços litúrgicos; estes hão-de colocar-se numa atitude de verdadeiro e empenhado serviço, na medida em que tornam visível e audível, os sinais da graça de Deus. Potenciar a escuta da palavra reclama que se potencie e cuide a proclamação da mesma palavra. Escutar é, no contexto da celebração dos sacramentos, uma forma activa de participação nos mesmos. Uma comunidade que se põe à escuta da palavra de Deus é uma comunidade que não vive de si nem para si, mas de Deus e para Deus, no serviço aos outros. Diremos, correndo o risco de cair num lugar-comum, que, na Nova Igreja, tudo nos fala de Deus e tudo nos silencia para que nos abramos à força e ao dinamismo da (única) palavra viva de que importa viver e com a qual é crucial empenhar e comprometer a vida.
Escutar, meditar e viver a Palavra de Deus levará a comunidade e cada um à (nova) evangelização, experienciando em nós o sentimento ardente de Paulo que o levava a exclamar: "Ai de mim se não evangelizar!" (1 Cor 9,16). "Quem verdadeiramente encontrou Cristo, não pode guardá-Lo para si; tem de O anunciar" (João Paulo II, NMI, 34). A escuta, meditação e encarnação da Palavra de Deus levará a comunidade a semeá-la no campo do mundo e a partilhá-la na mesa da aventura comum.
Ao celebrar a Páscoa, não só uma vez por ano mas todos os domingos, a Igreja continuar a indicar a cada comunidade e a cada um "o eixo fundamental da história, ao qual fazem referência o mistério das origens e o do destino final do mundo". A Eucaristia dominical é a Páscoa semanal. E sentar-se à mesa da Eucaristia é uma atitude natural de quem vive de Cristo e para Cristo. Esta é uma experiência com dois mil e oito anos de história, quando Cristo ressuscitado trouxe aos Apóstolos o dom da paz e do Espírito (cf. Jo 20,19-23).
Assim, para a comunidade, a Nova Igreja é o Cenáculo, onde a Páscoa e o Pentecostes se refaz, pela participação na Eucaristia. Esta, há-de ser:
· "Para cada baptizado, o coração do domingo: um compromisso irrenunciável, abraçado não só para obedecer a um preceito mas como necessidade para uma vida cristã verdadeiramente consciente e coerente" (João Paulo II, NMI, 35);
· Para cada discípulo de Cristo, a Eucaristia é incorporação da "manducação da fé" (Sto Agostinho). O pão que se come e o vinho que se bebe são o símbolo sacramental da presença real da pessoa que se dá por meio deles. O corpo que se recebe é todo o corpo de Cristo. Este alimento incorpora o crente no caminho pascal de Cristo. Sentar-se à mesa e comungar o corpo de Cristo é, por conseguinte, um acto de inserção no mesmo dinamismo do Espírito que ressuscitou Jesus. Comer o Corpo de Cristo significa deixar-se vivificar, aqui e agora, pela vida que brota da sua ressurreição. A Eucaristia é alimento para a vida cristã;
· Para a comunidade, a Eucaristia é concretização duma pedagogia da comensalidade em ordem a fazer descobrir e ajudar a viver a eucaristia como comida celebrativa festiva, com um ritmo e uma estrutura próprios (segundo os relatos da instituição da eucaristia): Ele – eles/nós – em relação – em redor – da mesma mesa – e comida…
· Para cada um, o fazer a experiência da mesa comum, de sentar-se "à volta da mesa da Palavra e do Pão de vida, a Eucaristia dominical é também o antídoto mais natural contra o isolamento; é o lugar privilegiado, onde a comunhão é constantemente anunciada e fomentada" (João Paulo II, NMI, 35).
O edifício-igreja é o lugar onde o encontro e a comunhão de Deus com o homem e do homem com Deus se faz e acontece sacramentalmente para a plenitude da vida. O ser e estar na Nova Igreja reclama de cada um, em comunidade, um modo novo renovado de estar e ser sinal do Corpo de Cristo.
Este ser sinal do Corpo de Cristo concretiza-se:
· Na articulação entre o que se celebra e se vive e vice-versa. É preciso "eucaristizar a vida" ou iniciar a um "viver eucarístico". O "fazei isto em memória de mim" (Lc 22, 19) não é o pedido ou a encomenda dum ritual, mas é uma exigência que configura um modo de viver e de celebrar. "O ‘memorial’ de Jesus realiza-se na existência e celebra-se na eucaristia. É esta indissolúvel relação que S. Paulo lembra aos cristãos de Corinto quando eles se limitam a repetir os gestos da ceia de Jesus, sem viver na comunidade o amor total que na Eucaristia se manifesta. O apóstolo diz claramente que sem as atitudes eucarísticas, "isso que celebrais não é a ceia do Senhor" (1 Cor 11, 20);
· Na edificação vital da comunhão. A vida de Jesus foi comunhão total e radical com o Pai. O mesmo acontece com os seus discípulos, ou seja, a vida autêntica e profunda dos discípulos de Jesus é a comunhão com Deus, na experiência de Deus-Amor que gera gratuidade amorosa, na experiência de Deus entregue e aceite que gera e possibilita vida amorosa. A vida cristã é, portanto, encontro, diálogo, intimidade, comunhão. A Eucaristia é o "lugar" onde esta comunhão se possibilita sacramentalmente de modo único e inefável. Ser sinal do Corpo de Cristo implica, para a comunidade, ser lugar onde se possibilita o encontro e a comunhão com Deus, de modo a que brote do coração de todos a confissão de fé de que não se pode viver sem a eucaristia; de modo que a inteligência procure a iluminação inteira da memória e da presença que se celebra; de modo que ajude a fazer comunhão quotidiana, no serviço e na missão; de modo que ajude ao louvor perfeito, "em espírito e verdade".
· No professar e viver a experiência duma "presença". A Eucaristia é memorial, encontro, adesão, seguimento, permanência em Jesus e com Jesus; é deixar-se invadir pelo dinamismo da sua vida pascal. A Eucaristia de Jesus torna-se a Eucaristia do crente se este se reconhece filho no Filho e com o Filho, se este se faz cristo com Cristo, nova criatura com o Primogénito da nova humanidade, se este é consepultado com Cristo, se é conressuscitado com Cristo. O núcleo da existência eucarística é "viver ‘Cristo em mim e eu em Cristo’; ‘Cristo presente a mim e eu presente a Ele’, ‘Cristo dado a mim em comunhão e eu oferecido a Ele em comunhão’."
· No viver a comunhão em comunidade. A comunhão com Deus e com Cristo, no Espírito Santo, concretiza-se necessariamente na comunhão com os irmãos. O amor a Deus gera o amor aos irmãos. A existência cristã só pode autenticamente designar-se de cristã quando se vive no amor inteiro a Deus e aos irmãos. É sobre este alicerce que acontece e se constrói a acção Eucarística. Só quem vive a dinâmica da vida entregue "pode realizar a acção singular de pertencer à comunhão do ‘Corpo de Cristo’."
A comunidade cristã é o âmbito da expressão e da comunhão com Deus. Na Comunidade realiza-se a entrega dos crentes a Deus e a Cristo. A comunidade é o corpo de Cristo e a Eucaristia é o sacramento do corpo de Cristo, que é a Igreja.
Uma Igreja Nova, depois de tantos empenhos, lutas e canseiras para a sua construção, reclama uma renovação do edifício espiritual que é a comunidade, sob pena de que a comunidade não seja digna do novo edifício de que dispõe. Como o crescimento humano e espiritual da comunidade fez sentir necessidade de uma nova igreja, assim esta faça surgir agora, na comunidade, o desejo de se aperfeiçoar permanente e constantemente. Não terá sentido celebrar a abertura de uma Nova Igreja se a comunidade paroquial – a verdadeira Igreja – for ou continuar velha e resistente ao apelo de renovação que vem do Evangelho e, hoje, de todos os lados. Esta renovação não pode ficar-se pela geografia e pelas suas variantes externas e exteriores, mas deve chegar e fazer-se desde o coração, um coração novo, capaz de se render à beleza de ser e de se querer Nova Jerusalém, Igreja Santa de Deus.
HÉLDER GONÇALVES

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Loucos,malucos e doidos uma só palavra em francês: "de Sábio e loco todos temos um pouco"

“De Sábio e louco… todos temos um pouco”


Malucos, loucos e doidos são sinónimos e há um ditado que me faz lembrar: “De sábio e louco todos temos um pouco”. Ora toma e leva. Se és sábio… julgas que sabes tudo… e afinal não sabes nada. Sábio, Sábio só Deus é omnisciente.

Os outros atributos cabem mais a mim e a quem me lê. Ora pense um bocadinho se não tem nada de louco, de tolo ou de maluco ou de doido.

Se me disser que não, digo-lhe que devia ser tratado do corpo e da alma. Do corpo temos muitas casas para tratamento de doenças mentais; quanto à alma faça um bom retiro espiritual, encontre-se consigo mesmo, com os outros e com Deus e verá como melhora depressa. A partir daí não chamará louco ou tolo ao vizinho do lado, ou a quem passe na rua, ou a algum familiar ou colega de trabalho.

Quem assim proceder, cumpre a lei de Deus e deixa que o Espírito Santo atue em todos; não é déspota, psicótico, mentiroso, neurótico…

Se o teu irmão está a fazer algo mal não toques o sino, repreende-o a sós em primeiro lugar, dialoga com ele.

Se os pontos de vista são diferentes é como dizer que Viana é Roma ou Roma é Viana. É um disparate abrir a boca para comparar o que é incomparável. Isso é uma loucura, é tonto, maluco e não pode encontrar um bocadinho de sabedoria sábia.

Quanto menos conhecedor da realidade de uma região, da sua história e de seu povo, mais se concentra um distúrbio em grande quantidade para enfrentar ou afrontar quem quer que seja. Isso é loucura não de um génio, mas de uma ignorância supina.

É como ir eu agora para Panoias e chegar lá criticar toda a gente porque tudo o que fizeram está mal feito. Mas quem sou eu?

Às vezes chamamos doença a quem assim procede, atua de cabeça quente sem colocar os pés no chão como anjos diabólicos que estão preparados para destruir e não construir e dialogar no lugar onde tem assento. É azar!

É preciso ser sábio mas prudente para ser louvado e não louco porque se sente bem na ignorância e na estupidez.

Há génios, artistas da loucura, isso é outra coisa…

Não se trata com loucura o louco. Se é sábio, a propósito da loucura, leia a Sagrada Escritura. Cristo não chamou louco a ninguém. É que o louco tem tanto de sábio como o sábio de louco, daí o provérbio que é bom tê-lo em conta quando falamos.

É que, chamar louco a alguém que tem os mesmos objetivos que os meus e me ajuda a carregar com a “minha loucura” faz sangrar o coração sensato e de leal amigo e irmão em Jesus Cristo. 

“A vida é feita de pequenos nadas” e delicio-me com esses pequenos nadas por onde se começa a vida, desde que se nasce até morrer: seja louco, seja sábio. A forma de eu viver com objetivos claros na missão que recebi e que, por ela, me dou a quem me foi confiado, aí está o segredo da minha “loucura”, se assim se pode chamar a um discípulo que procura caminhar pelos do Mestre que vai à frente.