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sábado, 16 de outubro de 2010

Padre Joaquim Gomes da Costa Peixoto-Barroselas

Padre Joaquim Peixoto


Joaquim Gomes da Costa Peixoto, nasceu em Barroselas, no lugar das Boticas, a dez de Janeiro de 1918, filho de Adelino Gomes da Costa Peixoto e de Joaquina Rosa Martins. Fez a escola primária e aos 14 anos deu entrada na Ordem Franciscana, pelo seminário do Montariol, Braga, onde fez o curso de Humanidades. Foi depois estudar para o Colégio de Sto António de Tuy onde fez o curso de Filosofia, vindo depois para os estudos teológicos no Seminário da Luz, em Lisboa.


Ordenado sacerdote no dia de Santiago, em 25 de Julho de 1943, celebrou a Missa Nova em Barroselas, no dia 3 de Agosto, quase dez dias depois.

Esperava-lhe uma missão: a de ser Pároco de Caridade em Lisboa e dos Bairros Sociais da Telheira. Aí ele concretizou o espírito franciscano e se dedicou com toda a alma a uma tarefa bem sensível ao coração do jovem Pe. Joaquim Peixoto.

Não ficou por ali, veio para Pároco da Paróquia de S. Pedro, a maior da cidade de Vila Real. Foi aqui que mais tempo deu da sua vida, como pároco. Fundou o notável e singular, quase pioneiro dos Centros Sociais Paroquiais, Centro Social - Lar da Paróquia, com resposta social, que lhe era sempre bem caro.

Seguiu depois para o Colégio Novo de Coimbra onde foi professor, donde partiu para professor e capelão do Colégio Militar em Lisboa. Aqui criou a amizade e admiração dos colegas e dos superiores tendo-lhe sido concedidos dois louvores. Era Capelão Capitão do exército português.

Um excelente professor e um excelente amigo de todos, mas não se ficou por aí.

No seu espírito estava o bichinho do missionarismo franciscano e vem para o norte, para capelão das Barragens do Douro. Numa delas criou um orfeão, fundou uma Escola Técnica em Miranda do Douro, destinada aos filhos dos trabalhadores das Barragens. Como um capelão trabalhador missionário implantou a JOC e a LOC, secções da Acção Católica, muito efervescentes na Diocese de Leiria, nessa altura.

Com os operários foi sempre muito próximo, amigo leal e generoso, não só no aspecto da transmissão da fé, um grande dom que possuía, mas também da cultura, das relações sociais, etc, … sempre atento a objectivos para atingir. Compreensivo, afável, nobre no trato, pela facilidade com que se dirigia a alguém, pela palavra fluente, eloquente e o seu olhar próximo e verdadeiro, arrebatava pobres e ricos à mensagem evangélica; amigo de crianças e idosos, de convívio e de relações. Era um orador conhecido em todo o país porque, com dom, a sua palavra, o gesto e o olhar prendiam quem o ouvia e não ficava sem se sentir interpelado com força no mais profundo da alma.

Comfortava as vocações sacerdotais e religiosas, apoiando, aconselhando e animando. Muitos o procuravam para pedir favores ou lições para resolução de problemas e também para lhe pedir esmola, que muitas vezes eu observei que os pobres nem precisavam de pedir. Ele parecia que adivinhava e adiantava-se. Os seus olhos penetrantes facilmente descobriam a pobreza e socorria sem que lhe batessem à porta. A sua morte foi prematura aos 61 anos e os amigos espalhados por todos os cantos do mundo choraram. Mais choraram os pobres o que aconteceu, em 24 de Janeiro, de 1979, no dia do seu falecimento. Homem paciente,deixava que o tempo passase para curar males, capaz de chorar com quem sofria e de se rir com quem se ria. A sua alegria, de coração, era ver tudo bem à sua volta, por vezes, já com o propósito  de falar da sua terra, de a mostrar com alegria  e o entusiasmo que lhe era peculiar naquilo que se empenhava.
Foi o meu pregador da Missa Nova, em 13 de Agosto de 1972.


De grande perfil de carácter de personalidade e humanismo cristão como homem e como padre, tendo andado por muitos lados, deixou saudade em muitos corações e lágrimas em muitos olhos.

Era tão sensível que um dia escreve para a CÁRITAS deste modo, mostrando um pouco do estado sociológico de Barroselas.

“Aqui, pertinho de Viana do Castelo, a freguesia de Capareiros, que a feira semanal e o tráfego tornaram mais conhecida por Barroselas.

São seus habitantes, gente humilde, estruturalmente cristã, votada às lides da terra, por demais dividida, e ao labor rude e mal remunerado, nas duas fábricas de serração, única e pobre manifestação industrial, num meio que pudera ser ricamente fabril.

Vive a quase totalidade dos barroselenses em precárias condições económicas, não obstante o intenso trabalho a que se devotam, sem descanso e sem horários.

É que, Ex.mo Senhor, é extraordinária, espantosa, a densidade populacional de Barroselas.

Os vícios, que apodrecem a geração actual, não os tocaram ainda, e a média de filhos, por casal, é de oito, sendo muitos os que chegam aos dez, doze ou mesmo mais. O meu lugar, por exemplo, com dez famílias apenas, tem duas com 14 filhos.

Que isto é verdade di-lo eloquentemente a Escola Primária com dois edifícios e oito professores, sendo necessário ainda recorrer a agentes de ensino.

Vim, por motivos de saúde, com certa demora, à minha terra Natal e sangrar, para logo, a minha alma de sacerdote e de franciscano, com a miséria de tantos conterrâneos meus, mormente os pequeninos.

Sei de lares, se lares se podem chamar, onde se não acende o lume e onde, à margem de recursos, ou minados por doenças, se espera o pedaço negro de pão ou sopa reconfortante que lhes vá matar a fome.

Descalços, andrajosas, a tiritar de frio, eis, Ex.mo Senhor, o triste espectáculo de todos os dias.

Contra esta autêntica miséria luta, desesperadamente, um grupo de Corajosas Senhoras, à frente das quais, a Senhora D. Conceição Ramos, pioneira de todas as jornadas de caridade da nossa Paróquia.

São Elas que, muito particularmente, sem aplausos, sem cartazes, andam empenhadas em valer a tanta miséria.

Socorrem, com uma sopa diária e com agasalhos, que confeccionam e que esmolam também, percorrendo elas mesmo os difíceis caminhos da aldeia, mais de centena e meia de crianças.

Soube que ninguém ainda apelou para o coração de V. Ex.cia, a fim de tornar menos pesada a Cruz destas Senhoras e mais alegre o viver desta pobre e boa gente. Se há esmolas que atinjam a sua elevada finalidade espiritual, esta será uma delas. Sou eu, sacerdote, franciscano e conterrâneo destes infelizes, quem, de joelhos, lhe vem pedir.

Nós esperamos ansiosamente o socorro da "Caritas Portuguesa" a que V. Ex.cia tão proficiente e inteligentemente preside. E nós saberemos ser agradecidos... (...). "

Será que a freguesia de Barroselas já terá dado o nome a uma rua em memória do ilustre Barroselense Pe. Joaquim Gomes da Costa Peixoto? É que, para além disso, era com vaidade quase orgulho que sempre se referia a sua terra natal e em grande realce a pretendeu durante toda a vida. Assim fora ao criar o Colégio, que durante alguns anos funcionou em dependências do convento dos Passionistas; assim fora quando até barroselas levou autoridades civis e religiosas; assim fora ao promover tertúlias de jornalistas no recanto das Boticas, sabendo que estes seriam os melhores arautos para divulgação; assim fora quando iniciou o jornal “Aqui Barroselas”; assim fora quando a custos seus reanimou o moribundo orgão, também este, um polo de cultura e mensageiro da sua terra, assim fora evocá-lo vezes sem conta, na sua oratória exercitada com talento raro e extraordinária maestria.

1 comentário:

joão Mesquita disse...

Brilhante este Blogue. Recordo este homem tal como a irmã Margarida e os sobrinhos quando rumou ás terras de Miranda como pároco da HED e ali fundou uma escola Industrial, Polo de Bragança, que lhe chamávamos Padre Peixoto e onde centenas de jovens dos concelhos de Miranda do Douro e Mogadouro estudaram nos cursos técnicos de Electromecânicos e Formação Feminina onde a grande maioria acabou os Cursos industriais, Formação Feminina, Magistério Primário e Engenharia. Ainda hoje mantemos encontros anuais no primeiro fim de semana de Setembro na Pousada Santa Catarina onde todos revivemos o passado e honramos a suas memória também com a presença de familiares e quando possível professores. Bem haja pelo sei blog. João Mesquita. Contacto 914 589 065.