INSTITUIÇÕES PARTICULARES DE SOLIDARIEDADE
como expressão de Caridade ou Solidariedade numa Comunidade
1. Boa Nova de Jesus Cristo
“Dou-vos um mandamento novo: que vos amais uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como que vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (João 14, ou 16...)
Quando esta Boa Nova atinge os corações ela é aceite, isto é, a adesão e o compromisso modelam, forçosamente, o agir humano ao jeito da pessoa de Jesus Cristo.
a) A Fome e a Miséria
Ninguém pode descansar enquanto não forem irradicados problemas como os da fome e da miséria. É a fome e a miséria que têm de ser combatidas para que a salvação se dê na globalidade do corpo e da alma: o ser físico, mental e espiritual. Caso contrário, constituirão sempre um bloqueio a essa salvação. Essa miséria vai desde a fome, privação de bens essenciais à sobrevivência do ser humano até aos sem abrigo, marginalidade, etc..
b) A atitude de Jesus
A opção de Jesus Cristo foi sempre muito clara. Logo após o seu nascimento, ele voltou-se para a gente simples e abandonada, e durante a vida sempre optou pelos pobres a quem muitas vezes matou a fome. (Mt. 14, 13-21).
Não vemos Cristo a ocupar outro lugar. Está sempre ao lado dos pobres e dos que precisam, dos aleijados, dos estropiados, dos doentes, dos pecadores e dos pecadores públicos, dos que passam fome e sede...
c) A nossa atitude
A atitude dos crentes também não pode ser outra na vida. Não devemos estar tão preocupados com o aparato e as grandes obras. Quando Jesus nos diz que “Vejam as vossas obras e louvem o vosso Pai do Céu” (Mt. 5,6), é para que sejamos grandes realizadores com meios simples e humildes, pois só na humildade e na simplicidade é que seremos capazes de descobrir sinais de Deus.
Tanto hoje, como ontem, numa região com o menor poder de compra do país, onde encontramos pessoas que nos batem à porta esfomeadas, também Jesus nos diz, como aos seus discípulos: “Dai-lhes vós mesmo de comer!” (Mt. 14,16).
2. Na história da Igreja
No princípio da Igreja “pôr em comum os bens” era normal. Sobretudo era esse o testemunho que mais cativava... “Olha como eles se amam”. Depois, na época patrística, aparecem também testemunhos claros de preocupação pelos pobres como, por exemplo:
* S. Gregório de Nissa (335-394): “O tempo actual apresenta-nos uma quantidade de nus e de sem abrigo. Há multidões de escravos junto de cada porta. O estrangeiro e o emigrante também não faltam. Por toda a parte mãos estendidas buscando auxílio” (Os padres da Igreja e a questão social, 25).
* S. Gregório de Nazianzo (330-390): “... mas, e aqueles, num sofrimento enorme, enquanto nós bem abrigados em casas luxuosas... e os míseros, tremendo de frio, nos seus farrapos grosseiros... quem não se angustia com estes lamentos? Que olhos são capazes de ver este espectáculo?” (idem, 43).
* S. João Crisóstomo (345-407): “Age com misericórdia e bondade: socorre a penúria, mata a fome, afasta as tribulações. Recomendo que aos necessitados se dê com abundância” (idem, 79).
Depois, na Idade Média, começou-se a desenvolver a liturgia e tudo o que envolve esta acção, como seja, a arte. Por isso, houve na história da Igreja, tempos em que a acção sócio-caritativa não era considerada missão da Igreja ou, pelo menos, era relegada para último lugar. E no mesmo sentido se afirmava que a função essencial da Igreja era ser missionária: “Ide e ensinai todos os povos” (Mt. 28, 19-20). Pregar e baptizar era a sua particular missão.
Ainda hoje, a função da Igreja continua a ser objecto de algum tabu ou de algum medo. Falta muitas vezes a coragem de S. Paulo: Fazer tudo, para a todos levar a Cristo. Isto significa risco e ser cristão é um risco.
3. O Concílio Ecuménico
Este Concílio ajudou-nos a não esquecer, a partir das missões de Jesus Cristo como Sacerdote, Profeta e Rei, que ser Rei era servir e servir era amar, era dar a vida pois não basta celebrar a fé e proclamá-la, é preciso também vivê-la.
Em Jesus Cristo, fomos baptizados nesta tríplice missão e se Cristo era o Caminho, a Verdade e a Vida, temos, como pessoas de fé e comprometidas com Cristo, também nós de ser sacerdotes para santificar, profetas para proclamar a verdade e reis para abrirmos caminhos de felicidade aos que dela precisam. Isto diz-se para os ministérios ordenados e não ordenados, realçando-se não a responsabilidade, mas a co-responbilidade.
4. A Instituição Particular de Solidariedade Social
Uma I.P.S.S. é uma iniciativa unicamente de leigos ou de leigos comprometidos na Igreja, com estatutos próprios e com objectivos definidos e aprovados pelo Bispo da diocese. Mas a I.P.S.S. pode ser fundação de um outro movimento eclesial, a nível diocesano ou paroquial, desde que aprovado pelo Bispo. Tem de ser autónoma para cumprir 3 objectivos fundamentais na comunidade, como sua mandatária: expressar a generosidade individual, articular a generosidade e equilibrar ou coadjuvar a organização social com os serviços do Estado. Esta autonomia é-lhe concedida pela comunidade, reconhecida pelo Bispo e também, se for o caso, pelo Estado. Não resulta da lei, nem da autoridade estatal, resulta da iniciativa generosa e espontânea da comunidade. Ela é um meio pelo qual a Igreja exerce parte da sua missão socio-caritativa para com os Homens. É um meio eficaz para o exercício, permanente e obrigatório, da caridade, pois não basta a pregação e a oração, é preciso testemunhar por meio de obras para que façamos parte da Luz que, por excelência, é Jesus.
Uma I.P.S.S. deve ser, numa diocese ou numa paróquia, um lugar de comunhão fraterna, um espaço onde a comunidade ou as comunidades exercem o Amor e a Solidariedade entre as pessoas.
A grande força moral e a riqueza do serviço aos outros deve resultar do facto da I.P.S.S. ser um serviço de leigos da Diocese ou da Paróquia, onde a co- -responsabilidade laical pode ser mais notória, visto abrir as portas da integração e participação a pessoas com várias sensibilidades. A I.P.S.S., neste caso, é apenas uma oportunidade criada pela comunidade, presidida pelo Bispo, para servir de suporte a todos os que assumem a estrutura comunitária e institucional para as necessidades encontradas, envolvendo voluntários, na resolução das necessidades da Igreja.
Quem trabalha por esta causa dá provas de saber o que quer, saber fazer com fé, justiça e verdade, passando teimosamente por cima de muitas contrariedades.
5. Necessidade de Informação e Formação.
Como obra da Igreja não podemos falar de Identidade sem falar de Espiritualidade.
Algumas questões poderão ser levantadas em relação à formação de voluntários, para uma colaboração orgânica e articulada, de acordo com as capacidades de cada um. Poderá ainda a I.P.S.S., numa Comunidade, colaborar com outros serviços e movimentos como a Cáritas, Vicentinos, a Legião de Maria e por aí fora..., para dar uma perspectiva social que também os deve nortear.
Desnecessário é dizer que a solidariedade cristã, para cristãos confessos, tem de ser iluminada pela fé. Não pode ser uma opção puramente humana. Daí a necessidade da Igreja lutar pela formação dos voluntários e trabalhadores assalariados das nossas obras sociais, nas I.P.S.S.. Há que apostar em equipas profissionais multi- -disciplinares e com habilitações próprias, com características humanas e de formação cristã adequadas à missão de qualidade exigida a respostas sociais que damos.
É importante o estudo da acção social e da sua relação com a missão da Igreja, da Comunidade, da vida de fé, esperança e caridade. É importante o estudo dos textos da Doutrina Social da Igreja, da vocação do cristão, da nova evangelização, do compromisso social como exigência da fé dos baptizados.
Os problemas da pobreza, da marginalidade, das diversas carências da fome, da deficiência, da doença, da velhice, dos isolados e ainda das crianças abandonadas ou vítimas de maus tratos, são todos objecto da acção I.P.S.S.. Visto se tratar de grupos vulneráveis, têm de ser objecto do Amor de Deus através da Igreja e essa Igreja é constituída por todos nós.
6. I.P.S.S. - Espaço de liberdade e globalidade.
Uma I.P.S.S. tem uma exigência legal diferente dos outros movimentos e grupos de acção da mesma Igreja, pelo facto de se envolver em acções em que o Estado pode e deve, por justiça, colaborar com o que hoje fazemos por caridade ou solidariedade. E quando o Estado o fizer por justiça, nós, I.P.S.S., faremos outra coisa...
A Instituição dá a cara em nome da Igreja, de um donativo, de uma partilha e até de um serviço. Deste modo, garante a liberdade do beneficiário e do beneficiado e, ao mesmo tempo, pode memorizar a oferta do benfeitor prolongando a sua memória. É uma forma de oferecer e garantir a estabilidade e eficácia da acção de quem dá, de quem se dá sem se comprometer e que quer fazer bem sem mostrar o rosto. É uma questão de liberdade! A luz põe-se sobre o alqueire, mas em nome duma Comunidade pode ser mais forte!... Pode iluminar mais... e ir mais longe.
A I.P.S.S. tem por isso personalidade jurídica, canónica e civil, e é responsável administrativamente, perante a Igreja e perante o Estado, pelo que faz, e como faz. Ela tem, sobretudo, a obrigação de prestar contas, à Igreja hierárquica, sobre a qualidade dos serviços que presta à Comunidade.
Ao Estado pode interessar o tecnicismo; à Igreja, mais do que o tecnicismo, interessa a técnica iluminada pelo amor, o modo como se faz para que outro não sofra, ou sofra menos. O Amor está sempre, na Igreja, acima da lei e da técnica.
7. Conclusão
Muitos leigos, com capacidades excepcionais, permanecerão afastados de certas práticas de solidariedade Cristã, ao serviço da Comunidade, por desconhecimento do que é uma I.P.S.S. e qual o seu objectivo.
Na Diocese tem de haver lugar para Cáritas, Vicentinos, Legião de Maria, Centro de Cristandade, Serviços de Doentes e também para as I.P.S.S. que, animadas pela Doutrina Social da Igreja, podem ir mais longe em relação aos mais pobres, vulneráveis, desprotegidos, que são os predilectos do Senhor.
Diz S. Paulo aos Romanos (14,47) que o Reino de Deus não é uma questão de comida ou bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
A I.P.S.S. deve ser cada vez mais Serviço aos Pobres, serviço à Comunidade, que, por missão, tem de cumprir.
A IGREJA E OS CENTROS SOCIAIS PAROQUIAIS
O serviço do padre Artur Coutinho, em relação à Igreja, sempre se pautou por um serviço social e de há vários anos para cá, como pároco de Nossa Senhora de Fátima, continuou a desenvolver esse seu serviço no Centro Social Paroquial, criado na comunidade desde que lá chegou.
Ele realiza este trabalho na linha da "opção pelos pobres", apontada pelo Concílio Vaticano II.
A Boa Nova de Jesus Cristo só atinge os corações quando as mentes são esclarecidas e, para que isso aconteça, é preciso vencer primeiro a fome e a miséria para que a salvação se dê na globalidade do corpo e da alma, o ser físico, mental e espiritual.
A Igreja e a opção pelos Pobres
A opção pelos pobres foi sempre a atitude tomada por Cristo pois sempre se voltou para a gente simples e abandonada e à qual teve de matar muitas vezes a fome (Mat. 14, 13-21).
Não vemos Cristo a ocupar outro lugar. Está sempre ao lado dos pobres, e dos que precisam, dos aleijados, dos estropiados, dos doentes, dos pecadores e dos pecadores públicos, dos que passam fome e sede...
Não nos preocupa tanto o aparato e as obras grandes, porque quando Jesus nos diz "vejam as vossas obras e louvem o vosso Pai do Céu" (Mat. 5,16) é para que sejamos grandes realizadores com meios simples e humildes.
Hoje, como ontem, numa região das mais pobres do País onde nos encontramos e diante de populações esfomeadas que nos cercam, também Jesus nos diz, como aos seus discípulos: "Dai-lhes vós mesmo de comer!" (Mat. 14,16).
Um dever da Igreja
Durante algum tempo se ensinou que a acção caritativa não era missão da Igreja. Nesse sentido, se afirmava que a função essencial da Igreja era ser missionária: "Ide e ensinai todos os povos" (Mat. 28, 19-20). Pregar e baptizar era a sua particular missão.
O Concílio Ecuménico levou-nos a não esquecer as outras dimensões da fé cristã, a partir das missões de Jesus Cristo que é Sacerdote, Profeta e Rei.
Em Jesus Cristo fomos baptizados, por isso, participamos neste Jesus Cristo Sacerdote, Profeta e Rei, ou seja, neste Cristo que é Vida, Verdade e Caminho. Como sacerdotes a Igreja, que somos todos nós os baptizados, tem de vivificar, santificar; como Profetas cabe à Igreja a missão de proclamar a verdade, anunciá-la e como Caminho temos de ser luz, exemplo a seguir por todos...
Por isso, um Centro Social é um meio pelo qual a Igreja exerce parte da sua missão para com os homens. O Centro Social é o meio para o exercício da caridade de modo eficaz, permanente e obrigatório, pois fazem parte da tríplice missão de Jesus Cristo manifestada nas obras. Não basta oração e pregação, é preciso o testemunho para que sejamos parte da Luz que, por excelência, é Jesus.
Força unificadora da Paróquia
O nome de "Centro", que se deu a esta Obra Social da Paróquia, evidencia a função que lhe cabe: uma força unificadora. Se a Paróquia é uma porção do Povo de Deus, uma Comunidade de comunidades, um lugar de comunhão fraterna, o Centro Social ajuda a Comunidade Paroquial a encontrar-se, pois é o Centro Social que exerce o amor e a Solidariedade entre as pessoas.
Centro Social e Paróquia
A grande força moral e a riqueza do serviço aos outros deve resultar do facto de esta Instituição ser um Centro Social paroquial, portanto um serviço de Leigos na Paróquia. ´E através da sua integração e da sua participação na vida da Paróquia - da qual faz parte - que o Centro Social paroquial atinge toda a sua dimensão na Igreja local que o criou e que lhe dá suporte.
O Centro não pode ser uma estrutura à parte da Paróquia. O Centro é uma resposta Institucional da Paróquia às necessidades encontradas e deve envolver os paroquianos - voluntários - no processo de resolução dessas mesmas necessidades.
Neste campo, levantam-se algumas questões quanto à necessidade de informação e de formação de voluntários para que todos possam colaborar duma forma orgânica e articulada de acordo com as capacidades de cada um; simultaneamente, o Centro poderá também colaborar com os outros serviços e movimentos da paróquia dando-lhes a perspectiva social que também os deve nortear.
É importante que seja clara, para todos, a ideia que se tem da acção social e da sua relação com a missão da Igreja, da Paróquia e da vida de fé, de esperança e de caridade. É importante encontrar meios de estudar certos textos da Doutrina Social da Igreja, da vocação do cristão, da nova evangelização, do compromisso social como exigência da fé de baptizados.
É importante movimentar o Centro Social Paroquial para que faça cada vez mais parte da Igreja local e Paroquial, e que a Paróquia e o Centro vivam, em conjunto, as respostas a dar à comunidade. Os problemas da pobreza, da marginalidade, das diversas carências, da fome, da deficiência, da doença, da velhice isolada e ainda das crianças abandonadas ou vítimas de maus tratos, constituem os grupos sociais com o qual o Centro Social Paroquial normalmente trabalha.
Estes grupos devem ter, na Paróquia, um lugar predilecto e devem ser uma preocupação constante, exactamente porque são os mais vulneráveis de entre todos os paroquianos.
Além dos meios materiais e humanos a Paróquia tem ainda de dar prioridade à oração por todos aqueles que trabalham nos seus Centros, para o que fazem seja de uma forma cada vez mais humana e cada vez mais fiel ao Espírito da caridade cristã.
Dirigentes, voluntários e técnicos
O Centro Social paroquial é dirigido, por exigência legal, civil e canónica, por um conjunto de pessoas que constituem os órgãos sociais dirigentes da Instituição. Estes são voluntários de entre os paroquianos que estejam dispostos a desenvolver os conhecimentos que têm, na perspectiva do exercício da Acção Social e da Solidariedade Cristã.
Mas não é só de voluntários dirigentes que o Centro Social Paroquial precisa. Muitas outras actividades, eventuais ou mais ou menos regulares, poderiam vir a beneficiar as pessoas que delas precisam se mais Leigos voluntários dessem algumas horas dos seus tempos livres ao serviço destes irmãos. Para isso, estamos agora a implementar mais uma vez o serviço de voluntários. E não esqueçamos que Frederico OZANAN, jovem universitário, começou por juntar lenha para os pobres se aquecerem e não passarem frio. O P.e Américo acolheu e promoveu a pessoa humana. O P.e Adolfo Kolping promoveu o trabalho comunitário. O P.e Cardijn lutou por maior dignidade da classe operária. O P.e Óscar Romero foi assassinado por defender os direitos dos explorados. A Madre Teresa de Calcutá acolheu os moribundos abandonados. Monsenhor Airosa fundou uma obra para "Regeneração" das raparigas da rua. O P.e Abel Varzim criou uma obra de raparigas marginais. Mons. Moreira das Neves e Maria Luísa Ressano Garcia fundaram a obra do “Ardina“. Frei Bartolomeu dos Mártires deu tudo o que pôde para salvar da peste de 1570 e da carestia de 1574. João de Deus (S.) deu a vida pelos doentes.
Muitas pessoas com capacidades excepcionais permanecerão afastadas de certas práticas de Solidariedade Cristã, ao serviço da Paróquia e do Centro Social, por desconhecimento do que é o Centro e qual o seu objectivo.
Dizemos solidariedade cristã porque, para paroquianos confessos, esperamos que esta seja iluminada pela fé, que seja uma questão de opção cristã e não apenas por opção puramente humana.
É de salientar que o Centro Social Paroquial, à medida que cresce o âmbito da sua acção e que assume exigências de qualidade comprovada, tem de integrar na sua equipa profissionais com habilitações próprias e com características humanas e de formação cristã adequadas à missão que desempenham e ao cariz da Instituição que representam. Daí o nosso esforço na melhoria da qualidade das respostas sociais que damos.
A Paróquia atinge a sua dimensão de Igreja na medida em que vive conscientemente a missão de louvor, anúncio e serviço em união com Cristo e com a sua Igreja, na Eucaristia.
Lugar do Centro Social Paroquial na missão eclesial da Paróquia
Se há lugar para Vicentinos, Legião de Maria, Serviço de Doentes e muitos outros, há, por certo, também um lugar próprio para o serviço, de uma forma regular, contínua, estruturada e organizada segundo normas e indicativos técnicos comummente aceites pelos Serviços Oficiais e pela Doutrina Social da Igreja, aos mais pobres, vulneráveis e desprotegidos, pois são os predilectos do Senhor.
S. Paulo afirma: "O Reino de Deus não é uma questão de comida ou bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo" (Rom. 14,47).
O Centro Social Paroquial deve ser cada vez mais o SERVIÇO aos Pobres, serviço que a Paróquia, por missão, tem de cumprir.
A VISIBILIDADE DA IGREJA ATRAVÉS DA INTERVENÇÃO SOCIAL
1. A Igreja e os sinais de Caridade
Os sinais de Caridade são os únicos e inequívocos sinais de visibilidade da acção pastoral da Igreja por vontade de Jesus Cristo. Como pessoa divina, assim reconhecido pelos Magos no Presépio, proclamado no seu baptismo e reconhecido como tal nos diversos milagres que acompanharam a sua acção e, como pessoa humana que concomitantemente reunia na sua essência, sempre se manifestou sensível, muito humano, a participar das alegrias e das tristezas dos seus comtemporâneos, nas Bodas de Caná ou na morte de Lázaro e, quer num quer noutro acontecimento, surgem dificuldades. Apesar de tudo, Jesus está atento e transmite sempre a alegria. Fez o milagre da transformação da água em vinho para que os noivos não ficassem mais preocupados e menos alegres ao verem os seus convivas bem. Restituiu a alegria às irmãs e aos amigos de Lázaro, ao dar de novo a vida a um corpo morto e já fétido...
Os Apóstolos entenderam bem esta mensagem pelo que, desde a primeira hora, após a Ressurreição de Jesus e a sua subida ao Céu, logo realizaram comunhão de vida e se dedicaram ao serviço fraterno.
Fomentaram entre os primeiros cristãos verdadeiras e autênticas comunidades que interpelavam os estranhos, sobretudo pela comunhão de vida a partir dos bens. Por isso, os estranhos exclamavam “Vêde como eles se amam”. Formando-se assim em comunidades verdadeiramente modelares porque não eram obras do poder, mas obras do Espírito.
Criaram tradição. Este é o património deixado pela tradição apostólica. Ainda hoje é regra de ouro na actualização permanentemente das orientações pastorais e na vivência cristã da Igreja.
Depois dos Apóstolos somos nós, a igreja de hoje que tem de continuar esta tradição, esta comunhão de vida e este serviço fraterno. É por isso que dizemos que a nossa missão, a partir do baptismo, é uma missão tríplice porque é participação da mesma missão de Jesus Cristo, como sacerdote, profeta e rei, ou seja, há que conhecer estudando e partilhando saberes, há que celebrar pontualmente as alegrias do Mistério que se nos é revelado e há que servir, na vivência com os outros, as exigências dos mesmos mistérios para que este serviço seja luz do mundo, isto é, se transforme em luz que se coloca sobre o alqueire, em sal da terra para que deixe de ser insípida, em fermento na massa para que a levede, em semente que morre na terra para dar fruto.
Isto é visibilidade.
2. A Lei do Amor e o distintivo das nossas obras
Isto não é outra coisa senão o AMOR que atinge o coração de qualquer homem da sociedade contemporânea. Arde por dentro e nos projecta para a transformação total em Jesus Cristo. “Amai-vos uns aos outros...”
Segundo Santo Agostinho: “O Amor a Deus é o primeiro na ordem do preceito, mas o amor ao irmão é o primeiro na ordem da acção...”; “ Ama o próximo e examina, esse amor pelo outro. Naturalmente encontrarás a causa de Deus. Então reparte o teu pão com o faminto, abre a tua casa ao que não tem abrigo, veste o nú e não desprezes a nenhum dos que são da tua raça humana.”
Só o Amor é capaz de gerar solidariedade e fraternidade e de nos conduzir a vencer em comunidade a fome e a miséria para que a salvação se dê na globabilidade do corpo e da alma: o ser físico, mental e espiritual.
A nossa missão é por isso Caridade, Amor e Acção. Amor sem Caridade não é Amor. Serviço fraterno sem Amor não é Caridade. Aqui está o segredo da nossa competência, imprimir uma certa disciplina social à nossa vida, fundada sobre os valores humanos de justiça, responsabilidade e solidariedade. Esta Caridade comprometida é símbolo dum Amor soberano, pessoal e colectivo, foco irradiante da essência cristã.
“É escandaloso a pretensão de exercer a caridade sem promover a justiça e a luta por ela” dizem os nossos Bispos na Instrução Pastoral sobre a Acção Social da Igreja.
Jesus continua hoje a dizer quando nos lamentamos da miséria, do sofrimento, dos marginais, dos drogados, dos toxicodependentes, dos alcoólicos, da presença dos imigrantes de Leste: “Dai-lhes vós mesmo de comer!” (Mt.14,16).
Pregar e Baptizar já não é missão única para a Igreja. Esse tempo já passou. A “Rerum Novarum”, de Leão XIII, em 1891, é um exemplo de que não basta matar a fome é preciso humanizar as estruturas e fazer o mundo mais humano, como concluía Paulo VI. Doutrina que todos os Papas têm proclamado nas diversas encíclicas sociais até aos nossos dias. O culto não pode estar antes da justiça e da solidariedade para com os que sofrem. “Eu detesto as vossas festas...e não gosto dos vossos cultos...(cf. Amós 5) “ O jejum que eu aprecio é este: abrir as prisões injustas, desatar os nós do jugo, deixar ir livres os oprimidos, quebrar toda a espécie de jugo...” Só quando isto acontecer, a tua luz surgirá como a aurora e as tuas feridas cicatrizarão. (cf. Isaías 58)”A nossa missão vai mais longe...
3. A Paróquia célula visível da comunidade.
A Paróquia é um espaço de comunhão bem curto, bem pequeno. A comunhão começa na família, estende-se ao conjunto de famílias, à Paróquia, às Paróquias, isto é, à Diocese, que coordena a Comunhão máxima da Igreja local, em relação à Igreja Universal.
Por isso, na Paróquia, o espaço próprio para o encontro da identidade cultural e social dum grupo de famílias que se conhecem mutuamente e pelo nome, onde a Comunhão é mais viável e evidente, encontramos o espaço onde a visibilidade da Igreja se torna sacramento mais fácil e eficaz.
Para a concretização ordenada desta missão eclesial, existe um Conselho Paroquial de Pastoral, o meio pelo qual a Igreja exerce parte da sua missão para com os homens. O exercício da Caridade é exercido de modo mais eficaz, permanente e espontâneo, mas obrigatório.
É na Paróquia que mais facilmente nos envolvemos de uma forma integral na vida íntima duma comunidade, isto é, na comunhão com os outros enraizada na fé de Jesus Cristo, ressuscitado, que está sempre vivo, presente e actuante no meio da mesma. É na Comunidade onde nos identificamos com mais facilidade e podemos também, com facilidade, exercer a Caridade de Jesus Cristo, que ilumina a solidariedade humana nos deveres para com as pessoas singulares ou colectivas. Dissolvendo protagonismos, brilhará mais longe a Grande Luz, a primeira que inspirou a Comunidade a reunir a generosidade individual para dar corpo à acção do espírito.
Esta Luz faz com que as nossas obras tornem a Igreja visível porque fará das nossas obras ofertas preciosas de Amor e nisto serão obras diferentes das do Estado. É na visibilidade do Espírito que os outros encontrarão a diferença e nos apontarão... “Vêde como eles se amam!”.
Esta competência e missão da Igreja numa sociedade altamente competitiva, de violência e de luta de classes, manifestar-se-á através dos leigos como bons profissionais, bons políticos, bons companheiros de trabalho e bons membros de família. Nesta competência estão as denúncias públicas de injustiças sociais, as respostas às situações mais diversas de pobreza, tendo em conta que o conceito de pobreza da Igreja é diferente do conceito de pobreza dum político. Uma vez que, segundo a lógica Cristã, o rico pode ser pobre e o pobre pode ser rico.
A nossa própria linguagem tem de ser sinal de caridade e criar novidades para que as nossas obras ultrapassem o domínio das de origem política ou de puro altruísmo. O que estamos a fazer, aqui e agora, é procurar que, nesta semana, aprendamos a dar um sentido novo à vida. A vida no Amor...
4. Opção preferencial pelos pobres.
Cristo fez uma opção preferencial pelos pobres, foi uma atitude clara e sempre se voltou para a gente simples, abandonada, e marginal, à qual teve muitas vezes de matar a fome (Mat. 14, 13-21). Não vemos Cristo a ocupar outro lugar. Está sempre ao lado dos pobres e dos que precisam, dos aleijados, dos estropiados, dos doentes, dos pecadores e dos pecadores públicos, dos que passam fome e sede. Não basta, no entanto, pôr as obras de misericórdia em dia porque muita outra gente é capaz de dar de comer também aos famintos, mas que as nossas obras sejam distinguidas pelas razões com que as fazemos.
A pobreza em si é um mal para o homem. Deus criou o homem para ser feliz e criou os bens da terra para os pôr à disposição dos homens, de todos os homens, segundo a justiça, inseparável da caridade para que por eles fossem administrados, trabalhados e os mesmos dessem frutos (Gen. 1,28...e cf. G. S. 69)
As promessas de Deus incluem bem-estar material: “A geração dos justos será abençoada, haverá em sua casa abundância e bem-estar” (Salmo, 112,3).
O grito dos pobres ultrapassa as nuvens e não descansa enquanto não chegar a Deus. O pobre não se consola enquanto Deus não o atender e o juiz justo lhe fará justiça. (cf. Ecl. 35)
Deus revela-se como o Deus de todos, pobres e ricos, mas vêmo-lo na pessoa do seu Divino Filho ao lado de quem sofre.
Embora sendo o Pai de todos, Deus ama o rico, mas repudia os seus bens injustos e, no amor ao pobre, pede solidariedade e exige justiça para com ele.
Jesus nasceu pobre, é acolhido pelos pastores, gente pobre. Vive uma vida pobre e humilde, em Nazaré. Começa sua vida pública aliando-se nas filas dos que se reconheciam pobres pecadores ao procurar o perdão pelo baptismo de João. Este procedimento era visto com desdém pelos fariseus, ricos e “justos”.
Em Nazaré, declara-se cumpridor precisamente da promessa messiânica aos pobres: “o Espírito do Senhor me ungiu para levar a boa nova aos pobres, para proclamar a libertação aos cativos, dar vista aos cegos, libertar os oprimidos, anunciar o ano de graça do Senhor” (Lc. 4, 16 ss).
Só o Amor consegue compreender esta dicotomia de pobres e ricos e Deus, que não quer a pobreza, sendo criador, é Pai de todos; a todos ama com justiça e com bondade.
Está longe de viver a fé cristã quem diz que não há pobres. “Na minha paróquia não há pobres”, tantas vezes se ouve dizer. Quem assim fala não entende nada do que é o sentido da Caridade cristã, da mensagem de Jesus de Nazaré.
É urgente, onde este tipo de comportamentos existe, fazer uma revolução. Não uma revolução de armas, mas uma revolução onde o paradigma seja amor.
Em primeiro lugar, é preciso conhecer a realidade comunitária em relação à vida e à dor dos que sofrem o esquecimento, a solidão, a opressão, as inquietações de injustiça, de fraude, de isolamento que todos os dias envenenam a convivência social, da ignorância, dos que sofrem a marginalização...
Em segundo lugar, Amar e amar segundo Jesus Cristo é criar atitudes e comportamentos de honradez, austeridade de vida, de solidariedade com todos os pobres que sofrem a miséria e a fome, abrir caminhos e descobrir causas passíveis de solução, criar consciência em toda a comunidade de que a dimensão sócio- caritativa é fundamental para ela, e de que o serviço da Caridade deve implicar uma resposta comunitária visível.
5. Organigrama duma Comunidade Visível
A organização paroquial tem de ser visível, como prova do Amor que pulula nos corações dos aderentes e que interpela os alheios e os indiferentes.
Desse modo a Comunidade tem de contar com o padre, com o Bispo e com as estruturas que com eles governam ou gerem a coordenação pastoral e que incluem leigos responsáveis, comprometidos que devem ser testemunho de vivência de fé, preocupados com as diversas dimensões da teologia pastoral, isto é, a Catequese, a Liturgia e a Acção Social e Caritativa.
No sector da catequese dirigida às famílias, idosos, trabalhadores, jovens e crianças tem de haver catequistas e escolas.
No sector da Liturgia dirigida ou destinada à celebração alegre de todos, conta com leitores, acólitos, cantores, animadores, etc..
No sector Social e Caritativo destinada a todos e não só aos carentes, aos pobres. Quem não é pobre aos olhos de Deus? Todos precisamos da Caridade e todos precisamos na Igreja de usar de Caridade. Ela é a alma visível através do nosso comportamento na comunidade e, por ela, os outros poderão abandonar a indiferença e o seu alheamento, para aderirem à fé de Jesus Cristo e integraram-se na Comunidade- igreja visível.
Tem, como as outras dimensões da Igreja, de contar com animadores através dos movimentos próprios, como os Centros Sociais, os Vicentinos ou Cáritas, os grupos voltados para os doentes, para a integração social, para a juventude...
É grato aos Bispos de Portugal testemunhar aqui o seu apreço pela actividade altamente meritória que tantas Instituições, grupos e Cristãos em geral vêm desenvolvendo em todo o País e nos mais diferentes domínios de acção social. (cf. I. P. De Episcopal Portuguesa, 1997).
Da visibilidade através da intervenção social da Igreja, pelo que expus, parece-me não restarem dúvidas. Quanto aos sinais vividos nas comunidades paroquiais, encontram-se presentes, quando qualquer situação de dificuldade é capaz de fazer levedar a massa da solidariedade, conduzindo as pessoas a uma maior comunhão de vida e de bens, fazendo festa, celebrando com alegria a palavra, a comunhão da disponibilidade, do serviço porque Deus é, porque Deus Ama, porque Deus é AMOR (S. João).
Artur Coutinho, in “Semana de Pastoral Social”, em Fátima
MISSÃO DO CENTRO SOCIAL E PAROQUIAL
DE N.ª Sr.ª DE FÁTIMA
O Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora de Fátima surgiu da iniciativa da Legião de Maria e da Conferência Vicentina que criaram um grupo de idosos a reunir na sacristia e a fazer daí um centro de convívio.
Mais tarde, por iniciativa da Comissão Fabriqueira, aparece a obra da Residência Paroquial, que foi aproveitada para, sob ela, ser feito um grande salão com o objectivos de lá instalar os idosos. A Comissão prepara então os estatutos e a residência paroquial é erecta canonicamente em 26 de Abril de 1982, por sua Ex.ia Rev.ma Sr. Arcebispo-Bispo de Viana do Castelo D. Júlio Tavares Rebimbas.
É uma Instituição Particular de Solidariedade Social (I.P.S.S.) que disponibiliza à comunidade Paroquial um apoio global e abrangente, através de um serviço de atendimento diário no âmbito do apoio à Infância, à Juventude, à população Sénior e ao acompanhamento familiar das famílias dos utentes das diversas valências.
Desde a sua génese, tem sido uma preocupação desta Instituição contribuir para inclusão e promoção integral de todas as pessoas, em situação de exclusão social, que a procuram, e dar uma resposta concertada às problemáticas familiares que lhe batem à porta. Esta instituição estende a sua acção aos habitantes das paróquias vizinhas, coadjuvando os serviços públicos e privados num espírito de solidariedade humanista e social.
Neste sentido, tem feito um esforço por trabalhar em sintonia com as diversas Instituições da cidade que, directa ou indirectamente, prestam serviço à população-alvo. Conta com um grupo de voluntários e com vários protocolos de cooperação com diversas instituições da cidade – Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Viana do Castelo, Ministério da Saúde, Ministério da Educação e Ministério da Juventude e Desporto e Escola Superior de Enfermagem.
Para a prossecução dos seus objectivos, está ainda envolvido noutros programas e projectos como, por exemplo: os Alcoólicos Anónimos, a Escola de Música, o Projecto Ser do Leste, Associação Nacional de Formadores (A.N.FOR.C.E.), Gabinete de Atendimento à Família (GAF), Comissão Local de Luta Contra a Sida, Centro de Saúde de Viana do Castelo - Projecto MIMAR de apoio à terceira idade para concelho de Viana do Castelo, Hospital de Santa Luzia, Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Viana do Castelo, Conselho Local de Acção Social... Projectos onde experimenta a riqueza de um trabalho realizado em parceria.
Para levar a cabo os objectivos a que se propõe, o Centro Social dispõe de vários serviços:
"BERÇO" de Nossa Senhora das Necessidades
Centro de Acolhimento de Bebés e Crianças Abandonadas ou de Alto Risco (maltratadas), no lugar da Abelheira, com acordo de cooperação celebrado com o Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Viana do Castelo, para 12 bebés e crianças.
Jardim de Infância
O Centro Social abriu, em 1987, um infantário com capacidade para 50 crianças, após a sua abertura oficial, em 28 de Agosto de 1986.
Refeitório Social
O Serviço de Refeitório Social (SRS) desenvolve-se a partir de uma estrutura já existente (Centro de Dia) e destina-se exclusivamente a utentes Sem-abrigo, Toxicodependentes, Alcoólicos, Passantes e Casos de Emergência Social.
CECAN/RD - Centro Comunitário de Apoio ao Necessitado, Recolha e Distribuição
Abriu igualmente um Centro Comunitário de Apoio ao Necessitado, Recolha e Distribuição, designado por CECAN/RD, na rua Campo Morteiro, Lote 1. Esta iniciativa partiu da Comissão Fabriqueira em colaboração com a Conferência Vicentina.
Centro de Dia
Na tentativa de responder às necessidades detectadas a Instituição criou, em Julho de 1980, um equipamento social – O Centro de Dia para Idosos.
Centro de Convívio para idosos
Em Janeiro de 2002, para fazer face à demanda, implementou-se o Centro de Convívio para idosos.
ADI -Apoio Domiciliârio Integrado
Ele assume uma natureza preventiva, reabilitadora e de apoio às pessoas em situação de dependência. (Apoio Social e Cuidados de Saúde Continuados Dirigidos a Pessoas em Situação de Dependência, Despacho Conjunto, n.o 407/98)
SAD -Serviço de Apoio Domiciliârio
Desde Fevereiro de 2002, o Centro Social colocou em marcha o Serviço de Apoio Domiciliário (SAD).
Escola de Música
O Centro Social, através da sua Escola de Música, oferece um leque variado de propostas para ocupação dos tempos livres e aquisição de conhecimentos musicais.
Alcoólicos Anónimos
O Centro Social acolhe a Associação dos Alcoólicos Anónimos para combater o flagelo do alcoolismo, a nível distrital, do qual muitas famílias são vítimas desta patologia.
Entidade Formadora
Processo de creditação como entidade formador com o número 3041, atribuído pelo INOFOR.
Voluntariado
O Centro Social conta com cerca de 20 voluntários a apoiarem as diversas valências. A actividade do trabalho voluntário é mais expressivo no Berço de Nossa Senhora das Necessidades, Jardim de Infância, CECANIRD, Centro de Dia e de Convívio para idosos, ADI e SAD. Os voluntários têm todo o apoio que solicitarem, quer seja logístico quer seja técnico.
Animação cultural
Tem organizados vários eventos e certames, como jornadas de estudos sobre o idoso, jornadas sobre o ambiente, Semana do Euro, Celebração do Dia Internacional do Idoso, da Água e da Música...
José da Costa Calçada, Sociólogo
Centro Social Paroquial de N.ª Sr.ª de Fátima
CENTRO PAROQUIAL DE FORMAÇÃO
(C. P. F.)
O Centro Paroquial de Formação é a designação dada à actividade de Catequese de Adultos e cujo programa se esboça também ano a ano. Como é sabido, a educação cristã dos adultos tem constituído uma das prioridades pastorais da Igreja Católica e a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima não foge a esse desafio que, frequentemente, parte dos próprios leigos.
Uma das preocupações da Comissão Episcopal da Educação Cristã é “educar os crentes na fé, dar-lhes cultura religiosa suficiente e formação sólida, capaz de os manter fiéis num mundo descristianizado”.
Desde 1988 que se têm realizado, no Centro Social Paroquial, sessões sistemáticas de formação de adultos, constituídas por palestras, debates, grupos de reflexão e partilha de palavra.
Frequentam essas sessões adultos de diversos níveis sociais e culturais, bem como membros de movimentos apostólicos e de acção pastoral que sentem necessidade de formação cristã adequada e actualizada.
Confrontados com os problemas novos que se colocam na vida de cada um e na sociedade em que desenvolvem a sua actividade, necessitam de alimentar a sua fé para responder convenientemente a esses problemas e melhor dar testemunho dela.
Uma catequese bem organizada e com um programa bem definido melhor pode responder às necessidades das sociedade e da Igreja.
Tendo em conta que o Concílio Vaticano II, há trinta anos, foi já a preparação para o grande jubileu do 3º Milénio, para este ano o C. P. F. terá este tema em conta. No entanto, e por propostas de participantes nestes encontros quinzenais, optamos por continuar a seguir o Catecismo Romano, cuja temática e calendarização formulamos, provisoriamente, do seguinte modo:
PLANO PARA ESTE ANO DE 2001/2002
29/10/2001- A Lei Moral (Lei moral natural, lei antiga e lei nova)
12/11/2001- A Graça e a Justificação (graça, mérito e santidade)
26/11/2001- Idem
10/12/2001- A Igreja, Mãe e Educadora (Vida Moral, Magistério, Preceitos e Testemunho)
14/01/2002- 1º Mandamento
28/01/2002- 2º Mandamento
18/02/2002- 3º Mandamento
04/03/2002- 4º Mandamento
08/04/2002- 5º Mandamento
22/04/2002- 6º Mandamento
06/05/2002- 7º Mandamento
03/06/2002- 8º Mandamento
15/06/2002- Avaliação e encerramento
Claro que esta formação que se estrutura, a partir do Catecismo da Igreja, será aquela que achamos suficiente, mas o aprofundamento desta temática será difícil. Para ir mais longe que o nosso nível... estaremos muito próximo de uma Escola de Teologia, onde se poderá saciar mais à vontade...
A equipa coordenadora esforçar-se-á por divulgar as actividades do C. P. F., mas desde já considera convidados todos os paroquianos interessados em aproveitar esta iniciativa da Paróquia, nomeadamente os membros mais empenhados nos grupos de liturgia, acção sócio-caritativa e catequese.
“ (...) a terra era um caos sem forma nem ordem. Era um mar de escuridão.
Então Deus disse: Que a luz exista!”
(Gén. 1, 2-3)
SOCIEDADE S. VICENTE DE PAULO
À PROCURA DE DEUS PAI
com S. Vicente de Paulo e com o beato Frederico Ozanan
Uma Surpresa para Si?!...
“Vencer sem perigo é triunfar sem glória. Quanto mais difícil for a obra, tanto mais belo é desempenhá-la.”
Frederico Ozanan
“O exercício de acção social e caritativa não se pode reduzir a um mero sentimento de compaixão ou à partilha por ocasião de uma calamidade local ou geral...”
“... Há ainda muitas comunidades que carecem de qualquer estrutura organizativa”.
D. José Augusto Pedreira
“ A solidariedade ajuda-nos a ver o “outro” – pessoa, povo ou nação – não como um instrumento qualquer, de que se explora, a baixo preço, a capacidade de trabalho e a resistência física, para o abandonar quando já não serve: mas sim, como um nosso “semelhante”, um “auxílio” (cf. Gén. 2,18-20), que se há-de tornar participante, como nós, no banquete da vida para o qual todos os Homens são igualmente convidados por Deus”
Enc. “A solidariedade Social da Igreja” – João Paulo II
Sociedade de S. Vicente de Paulo ¾ Movimento de serviço
Fundada em Paris, em 1883, por Frederico Ozanan, a Sociedade de S. Vicente de Paulo está actualmente espalhada por todo o mundo.
A S.S.V.P. é uma organização católica de leigos que, voluntariamente, se empenham no apoio a pessoas e famílias marginalizadas, privilegiando o contacto pessoal e a visita domiciliária, com vista a descobrir e a ajudar a solucionar os seus problemas.
Área de actuação:
- Pessoas vítimas de doenças ou de diminuição física ou mental;
- Famílias com carências económicas;
- Idosos vítimas de solidão;
- Crianças sem amparo familiar, vítimas de maus tratos, ou em situação de perigo moral;
- Pessoas vítimas de alcoolismo ou toxicodependência;
- Pessoas vítimas de prostituição;
- Reclusos e suas famílias;
- Desempregados;
- Ciganos e outros grupos sociais minoritários e marginalizados.
A S.S.V.P. também mantém e dirige Lares, Centros de Dia, Jardins de Infância e Colónias de Férias.
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CASA OZANAN – Santa Maria da Feira
Áreas de actuação:
- Acolhimento de idosos e deficientes em situação de abandono;
- Acolhimento temporário de crianças em situação de risco;
- Acolhimento temporário de pessoas sem abrigo.
INFORMAÇÕES
Sociedade de S. Vicente de Paulo
Rua de Santa Catarina, n.º 769
4000 – 454 PORTO
Tel./Fax: 22.2006255
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OZANAN – Centro de Juventude ¾ Viana do Castelo
Largo das Carmelitas, 19
4900 – 463 Viana do Castelo
Tel. 258 821538
Áreas de actuação:
* Serviço à família
- Visita domiciliária;
- Apoio material, moral e jurídico;
- Apoio a prostitutas, mães solteiras e toxicodependentes;
- Recolecções espirituais.
* Serviço a doentes:
- Visitas;
- Acompanhamento;
- Consultas;
- Conforto;
- Farmácia.
* Serviço a presos:
- Visitas;
- Campanhas de Natal e Páscoa;
- Reintegração social.
* Serviço a Idosos:
- Visitas, festas e convívios;
- Passeios;
- Praia;
- Comunhão Pascal.
* Serviço a Crianças:
- Acolhimento;
- ATL;
- Alimentação;
- Acolhimento de abandonados.
* Serviço a Jovens:
- Ocupação de tempos livres;
- Campos de férias;
- Retiros;
- Encontros de formação;
- Informática;
- Labores.
* Outras:
- Construção de casas;
- Recuperação e restauro de casas;
- Pagamento de rendas de casa;
- Pagamento de água e luz;
- Empréstimos pecuniários;
- Assistência a tempos livres;
- Criação de postos de trabalho;
- Encaminhamento no mundo do trabalho;
- Distribuição de roupas;
- Distribuição de electrodomésticos;
- Distribuição de mobílias e brinquedos;
- Distribuição de bens alimentares.
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* Sede Internacional
- Paris
- Presidente: César Viana (português)
Existem 50.000 Conferências Vicentinas com cerca de 1.000.000 de membros em todos os Continentes.
* Em Portugal há:
- 1 Conselho Nacional cujo presidente é o Sr. Manuel Torres (tel.: 21 3535882);
- 21 Conselhos Centrais;
- 42 Conselhos Particulares;
- 900 Conferências;
- 10.000 Vicentinos.
* Em Viana do Castelo:
- Conselho Central
Presidente: Maria Rita Guerreiro (tel. 258 826876);
- Conselho Particular Norte
Presidente: Dr.ª Maria Piedade Cachadinha Gonçalves (tel. 258 823793);
- Conselho Particular Sul
Presidente: Dr. Tomás Belo (tel. 258 321710);
- Conselho Particular de Ponte de Lima
Presidente: José Xavier de Lima (tel. 258 941762/942868);
- Conselho Particular de Caminha
Presidente: Eng.º Eduardo Caldas (tel. 258.727453);
- Serviço de Jovens.
“Ao servir os pobres serve-se Jesus”
* Se desejar contactar os Vicentinos, para mais informações, dirija-se aos respectivos presidentes dos Conselhos ou, por escrito, aos mesmos, para:
Largo das Carmelitas, 19 – r/c
4900 - 463 Viana do Castelo
Tel.: 258 821538
A OBRA “FAMÍLIA KOLPING”
A Obra Kolping nasceu na Alemanha por iniciativa de Adolfo Kolping, no séc. XIX, aquando da revolução industrial em que o artesanato começou a correr riscos de extinção, dando origem ao desemprego e a inúmeros famílias sem meios de subsistência.
Adolfo Kolping sentiu dolorosamente a situação dos seus colegas de trabalho que, dia após dia, caíam na miséria.
Aos 23 anos deixou o trabalho e continuou os seus estudos tendo em mente o sacerdócio. Ele foi ordenado aos 32 anos.
No dia 6 de Maio de 1849 deu início ao seu projecto cujo método de trabalho fundamentava-se na vida comunitária dos seus membros. Nas «famílias Kolping» cultivava-se o relacionamento amigo, o clima de família, a participação comunitária e o espírito democrático.
Adolfo Kolping formou as comunidades para serem escolas de vida, tanto no campo do trabalho, como na família e na sociedade ou ainda na religião ou na recreação.
A “Família Kolping” apareceu, em Portugal, há mais de trinta anos, em Bragança com várias «famílias», assim como em Lamego. Em Viana do Castelo, por iniciativa de Nuno Cachadinha (já falecido), existiu um grupo, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, desde Outubro de 1986 até 1989.
ESTATUTOS DA “FAMÍLIA KOLPING”
Paróquia de Nossa Senhora de Fátima
Art. 1º - A Associação “Família Kolping” da Paróquia de N.ª Sr.ª de Fátima tem por fim:
· Preparar os seus associados a serem cristãos autênticos no mundo e, deste modo, afirmarem-se na profissão, no matrimónio e na família, na Igreja, na Sociedade e no Estado;
· Prestar ajuda, na vida, aos seus associados e à comunidade;
· Promover o bem estar comum num espírito cristão, através das actividades dos seus associados e agrupamentos, e colaborar na contínua renovação e humanização da sociedade.
Art.º 2º - A associação tem a sua sede na rua da Bandeira, na freguesia de Sta. Maria Maior, no concelho de Viana do Castelo, e durará por tempo indeterminado a contar de hoje.
Art.º 3º - Os direitos e obrigações dos associados, as condições da sua admissão e exclusão, bem como os termos da extinção da associação e consequente devolução do seu património, serão constantes do Regulamento Interno aprovado em Assembleia Geral.
Art.º 4º - Constituem receita da associação as quotas mensais dos associados, os subsídios e donativos, os rendimentos da actividade promovidas e quaisquer outros rendimentos.
Art.º 5º - Os órgãos da associação são:
· a Assembleia Geral;
· a Direcção;
· o Conselho Fiscal.
Art.º 6º - A competência e a forma de funcionamento da Assembleia Geral são as previstas no Regulamento Interno.
Art.º 7º - A mesa da Assembleia Geral será composta por um Presidente e dois Secretários.
Art.º 8º - A Direcção compõe-se de 5 (cinco) elementos, competindo-lhe a gerência social, administrativa, financeira e disciplinar, nos termos do Regulamento Interno;
Art.º 9º - O Conselho Fiscal é constituído por um Presidente, um Secretário, um Relator, competindo-lhe fiscalizar os actos administrativos e financeiros da Direcção, conforme o Regulamento Interno.
Art.º 10º - No que estes estatutos sejam omissos, rege-se esta associação pelo Regulamento Interno e pelas Disposições legais aplicáveis.
AVISO
Meus caros Leitores,
Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.
A partir de agora poderão encontrar-me em:
http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com
Obrigado
Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.
A partir de agora poderão encontrar-me em:
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Obrigado
sábado, 18 de outubro de 2008
Paróquia
25 ANOS DE PARÓQUIA
1967 – 1992
PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
VIANA DO CASTELO
I
É TEMPO DE REFLEXÃO NA PARÓQUIA
A nossa reflexão e participação vai ser enriquecida com a experiência consciente e com a colaboração pessoal de cada um.
Vamos dialogar para que juntos possamos discernir o caminho. Será esta a melhor maneira de ser Igreja, de ser comunidade paroquial.
Assim, pouco a pouco, podemos ir descobrindo que a Igreja é uma família de filhos de Deus, irmãos dos Homens, especialmente atentos a servir os mais desprotegidos, chamados a mostrar o rosto de Deus no mundo e eleitos para transformar a sociedade à luz do Evangelho e do Concílio Vaticano II.
Todos animados pelo mesmo espírito, unidos na mesma oração, juntos à volta da mesma mesa de reflexão e diálogo, estamos a viver a gozosa experiência pascal destes 25 Anos de Paróquia.
II
MODELO DE IGREJA DE ACORDO COM O VATICANO II
A igreja é concebida como «POVO DE DEUS», comunidade de crentes guiada pelo Espírito Santo:
a) Centrada na mensagem de Jesus, no espírito das Bem-aventuranças.
b) Evangelizada e Evangelizadora.
c) Coerente com o que prega.
d) Orante.
e) Fraterna na relação corresponsável entre pastores e leigos
f) Profética porque proclama a palavra de Deus para a libertação, denuncia as injustiças, solidariza-se com os que sofrem e luta por transformar a realidade.
g) Encarnada na realidade social, comprometida com os mais necessitados e ao serviço deles.
III
É TEMPO DE ACÇÃO NA PARÓQUIA
OBJECTIVOS A ATINGIR COM A CELEBRAÇÃO DOS 25 ANOS
* Sensibilizar a comunidade para a participação e vivência.
* Valorizar o espírito comunitário de partilha, de festa e de perdão.
* Incentivar à integração de todos na família paroquial, célula da Igreja Universal.
* Criar a necessidade de viver a fé na vida e a vida na fé em atitude coerente e assumida.
* Proporcionar um conhecimento mais detalhado da actividade já desenvolvida.
* Valorizar a cultura e os recursos naturais desta comunidade.
Para o efeito, importa promover acções formativas e celebrativas, animadoras à participação de todos.
Assim, o programa foi aceite do seguinte modo:
IV
PROGRAMA
1. Reflexão a partir do modelo de igreja, à luz do Vaticano II (Março a Junho).
2. Espaços de Oração para crianças, adolescentes e adultos, sobretudo na Quaresma.
Criação de grupos de Oração para os diversos níveis etários.
3. Celebração do Dia do Pai
21 de Março – Colóquio no Salão Paroquial, às 21h00, «O PAI NA FAMÍLIA»
22 de Março – Celebração Litúrgica (09.30h)
4. Festa Pascal da Família
3 de Abril – Mesa Redonda com a participação dos jovens e adolescentes no salão Paroquial às 21h00.
5 de Abril – Comunhão Pascal às 11h30.
5. Queimada do Judas (18 de Abril – Junto à Igreja)
6. Medalha Comemorativa (Maio)
7. Celebração do Dia da Mãe
2 de Maio – Colóquio no Salão Paroquial, às 21h00, «A MÃE NA FAMÍLIA»
3 de Maio – Celebração Litúrgica (09h30)
8. Exposição Retrospectiva dos 25 anos (Salão Paroquial – 6 a 12 de Maio).
9. VIGÍLIA DA PADROEIRA. Procissão de Velas, no dia 12 de Maio.
10. Dia da Padroeira
19h15 – Missa e renovação da Consagração da Paróquia a Nossa Senhora.
20h30 – Jantar Convívio.
11. Exposição Etnográfica
7 a 12 de Setembro – Abelheira.
12. Teatro. Revista dos 25 anos (Outubro)
13. Concurso a nível do Primeiro ciclo do Ensino Básico, em expressão plástica e(ou) literária. A PARÓQUIA VISTA PELAS CRIANÇAS.
14. Berço de Nossa Senhora das Necessidades (Abertura)
15. Criação duma Ludoteca e Mediateca (Novembro)
16. Exposição Mariana (Selos/Postais).
4 a 8 de Dezembro, Salão Paroquial.
17. Dia 8 de Dezembro, às 14.30h. Sessão Solene de Encerramento.
Paróquia de Nossa Senhora de Fátima
4900 Viana do Castelo
Tel./Fax: 058 823029 (Cartório)
25 ANOS DE PARÓQUIA
As Comemorações Jubilares dos 25 ANOS da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima estão a meio do seu programa e atingiram o seu ponto alto, como era de esperar, na festa da Padroeira.
Conforme foi largamente difundido pela imprensa, a Imagem de Nossa Senhora de Fátima peregrina percorreu os bairros novos de maior densidade populacional e, no dia 12, terminou com uma procissão de velas que saiu da Capela da Senhora das Necessidades para a Igreja Paroquial.
Esta acção levou os moradores das ruas, largos e praças a fazerem tapetes de flores, grandes obras de arte que há muitos anos se faziam na Abelheira, aquando da visita do Senhor aos Enfermos. Desta vez, a iniciativa começou pela Urbanização Capitães de Abril estendendo-se a todo o lugar da Abelheira, Urbanização Bela Vista, Senhor do Alívio, Senhora das Necessidades, Largo do Bairro do Jardim e Bandeira.
Em todos os actos, foram inúmeros os participantes, de um modo especial no dia 12, com um acompanhamento nunca visto numa procissão do género.
Foram vários os oradores como o P.e António Gonçalves (Carmelita), P.e José Ribeiro, P.e Dr. Barbosa Moreira e P.e Dr. Alípio Lima.
Houve muitos foguetes e fogo de artifício, principalmente no dia 12.
No dia 13, às 19h15, houve uma celebração dos 75 ANOS do aparecimento de Nossa Senhora, em Fátima, com vários sacerdotes, colaboradores na Paróquia, e, no final, a partilha de um gigantesco bolo confeccionado, para o efeito, por uma jovem catequista, Fátima Cambão, aluna de Turismo no Instituto Politécnico de Gestão e Turismo, em Viana do Castelo. Tudo foi devidamente acompanhado por música e uma iluminação muito original. Após a partilha, seguiu-se, pela noite dentro, um convívio paroquial no Centro Social.
Encerrou também no dia 13 a exposição retrospectiva dos 25 ANOS da Paróquia, a qual mereceu o maior interesse por parte de muitas centenas de pessoas, inclusive do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo.
Entretanto, no âmbito destas comemorações, estão a realizar-se as antigas marchas populares do Bairro da Bandeira e do Jardim, assim como o concurso, a nível do Ensino Básico, subordinado ao tema “ A PARÓQUIA VISTA PELAS CRIANÇAS”.
13/05/1992
GÉLITA
NOSSA SENHORA PEREGRINA NA ABELHEIRA
Prezado Amigo:
A população da Abelheira acedeu, alegremente, à sugestão do P.e Coutinho de assinalar os 25 ANOS da Paróquia fazendo com que a sua Padroeira – NOSSA SENHORA DE FÁTIMA – peregrine desde o dia 8 até ao dia 12 de Maio, de acordo com o programa em divulgação.
No dia 9, o Andor da Virgem sai da “Urbanização Capitães de Abril”, pelas 21h30 e vem para a Abelheira. Aqui será acolhida na Cave do Lote 14 da “Urbanização da Bela Vista”.
Reina em todos um grande entusiasmo e satisfação com esta iniciativa. É grande o propósito de um empenho sério para que esta peregrinação seja um êxito e se traduza numa grande jornada de louvor a Nossa Senhora, de cujas aparições em Fátima ocorre este ano o 75º Aniversário e que temos a graça de louvar como Patrona principal desta paróquia.
Sugerimos a participação de todos nesta manifestação de Fé, ainda que tal signifique e exija algum sacrifício que, estamos certos, ninguém deixará de oferecer. Esse sacrifício será gratidão pela existência desta paróquia e súplica para que nunca nos falte a protecção e a benção maternal da Senhora que vamos homenagear publicamente.
Em Igreja, e numa perspectiva de salvação, Nossa Senhora é Mãe. É assim que a sentimos e chamamos.
À Mãe nunca se diz “Não!”, ou seja: a Mãe é sempre a última pessoa cuja vontade deixamos de fazer (se é que alguma vez somos capazes de contrariar a vontade da nossa Mãe).
Em momentos difíceis, a Mãe é a primeira por quem chamamos e a última que esqueceremos no mundo das nossas recordações.
É sempre com muito amor e carinho que participamos na festa da Mãe. Da Mãe da Terra. Vamos fazer o mesmo com a nossa Mãe do Céu. A Mãe das nossas Mães.
Mês de Maio é Mês de Maria.
Mês da Mãe. Mês da Festa.
Vamos dizer SIM.
Vamos participar com alegria num dia de festa para a Mãe.
Presentes, vamos rezar, cantar e aclamar um esforço solidário de testemunhar o grande amor da nossa vida de Cristãos Católicos (mesmo que não ou pouco praticantes).
Contamos consigo e com todos os da sua casa!
Momentos principais do programa:
Dia 9 – 21h30 - Procissão de velas dos Capitães de Abril para a Abelheira e respectivo acolhimento na Bela Vista.
Dia 10 – 10h30 - Celebração da Eucaristia na Bela Vista.
18h30 - Mês de Maria para toda a paróquia, na Bela Vista.
20h30 - Oração Solene do Terço e Consagração.
21h30 - Levar Nossa Senhora, pela Socomina, para a Capela do Senhor do Alívio.
* Ao longo do percurso, acendam-se velas nas janelas e enfeitem-se as varandas e sacadas com colchas e flores.
* Convidam-se todas as crianças e adolescentes para se juntarem, em alas, para a chegada do Andor à Bela Vista, a fim de, sobre ele, lançarem pétalas de flores, que devem trazer em cestos e sacos.
* Para a Missa das 10h30, solicita-se a comparência de todos uns minutos antes para se fazer um ensaio dos cânticos.
* Pensou-se fazer, no interior da Urbanização, um tapete com flores para o dia da chegada à Bela Vista. O Andor entra na Urbanização da Bela Vista e segue, pela direita, para o Lote 14. À saída, acabará de dar a volta ao Bairro, saindo do Lote 14 pela direita.
* Para ornamentação e para o tapete, pede-se a colaboração de quem puder comparecer na tarde de Sábado, entregando verdes e flores no Lote 14.
* Se puder e quiser (tendo para isso boa vontade), inscreva-se para participar em turnos de oração, para que Nossa Senhora nunca esteja só, fechada numa cave, sobretudo durante a noite. É um acto de coragem e de sacrifício.
* Inscreva-se, também, para ajudar a transportar o Andor de Nossa Senhora de Fátima entre os Capitães de Abril e a Abelheira.
* No dia da saída, convidam-se novamente todas as crianças para formarem alas à saída de Nossa Senhora e atirarem sobre o Andor pétalas de flores.
* Para qualquer informação, contactar a Paróquia.
Prezados Amigos:
Venham.
Venham todos. Vamos fazer uma festa.
Venham à esta festa da MÃE.
Vamos festejar Nossa Senhora de Fátima e confiarmo-nos a Ela, sob a sua protecção, ao amor misericordioso do nosso Pai do Céu de quem imploramos benção nestes 25 ANOS da nossa Paróquia.
Muito obrigado a todos.
06/05/1992
Pela Comissão,
(António P. De Carvalho )
25 ANOS DE PARÓQUIA
CONVÍVIO PAROQUIAL
30 de Agosto de 1992
Local: No quintal da casa natal do vosso pároco, P.e Artur Coutinho
10h00 – Acolhimento e preparação para a Eucaristia.
11h00 – Eucaristia.
12h00 – Almoço típico com ambiente musical para animar o convívio, até às 15h00.
* Aparece!
* É o primeiro que se faz, no género, a nível Paroquial!
* Há meio de transporte gratuito a partir da Igreja, às 9,30 h.
* Os que quiserem podem ir preparados para, a partir das 15h00, fazer praia no rio Lima - na veiga de S. Simão.
* Também pode fazer equitação.
OBS.:
Este convívio destina-se a todos os que têm compromissos paroquiais em movimentos, obras ou comissões. No entanto, requer inscrição no Cartório, ou a entregar ao Sr. Simões, da Legião de Maria.
Precisamos de saber até 20 de Agosto quantos os interessados, como é óbvio, para preparação do almoço. É gratuito. Oferta do Pároco e familiares.
Paróquia de Nossa Senhora de Fátima
Contribuinte n.º 501 171 762
Rua da Bandeira, 639
4900 VIANA DO CASTELO
Cartório: Tel. / Fax - 058 823029 – Centro: 058 824722
Infantário / Berço: 058 821510 – Ozanan: 058 821538
Paroquianos:
Conforme é do conhecimento geral, no próximo dia 8, às 15h30, será a festa do Encerramento das Comemorações dos 25 anos da Paróquia.
A vós, que aqui sempre vivestes ou que aqui viveis há mais de 25 anos, há alguns anos ou mesmo há alguns dias, gostaria de vos comunicar que seria, para mim, um motivo de grande alegria ver a comunidade paroquial toda reunida, em comunhão, a participar neste acto de encerramento das comemorações.
Aliás, espero que ele seja mais que um encerramento, anseio que seja o início de uma nova era na pastoral desta comunidade, à qual me entreguei, em 2/9/1978, para fazer comunhão convosco na comunidade diocesana presidida pelo nosso Bispo D. Armando.
Todos temos procurado realizar aquilo que é possível no culto, na catequese e na acção social, quer sob o aspecto cultural, quer sob o aspecto da caridade e da solidariedade.
Venho, por isso, convidá-lo(a) a que, de algum modo, participe nesta celebração, pela qual muito nos prezamos.
Esperando a melhor atenção de cada um de vós, se subscreve desde já o vosso pároco e amigo.
15/11/1992
P.e Artur Coutinho
COMEMORAÇÕES DOS 25 ANOS DE PARÓQUIA
PROGRAMA DE ENCERRAMENTO
Dia 2 de Dezembro
– Abertura da Exposição de Postais e Selos Marianos
Dia 8 de Dezembro
* 14 h 00 – Entrada de uma famosa Banda de Música e concertos até às 15 h 20.
* 15 h 30 – Eucaristia e Administração do Crisma.
* 17 h 00 – Em frente à Igreja, partilha dum bolo monumental de aniversário e brinde com champanhe.
- Concerto pela Banda de Música até às 18.00h.
- Encerramento da Exposição de Postais e Selos Marianos.
A PARÓQUIA VISTA PELO PADRE COUTINHO
“O pastoreiro de paróquias pequenas requer um tratamento singular, diferente do que lhe temos dispensado até ao presente.
É conhecido o bairrismo exagerado das respectivas populações que defendem a sua manutenção como paróquias. Mas, na realidade, elas não representam mais do que pequenos lugares duma comunidade maior. No futuro, não fará sentido dizer-se que este ou aquele sacerdote tem a seu cargo 3 ou 5 ou 7 paróquias, mas uma comunidade paroquial, distribuída por vários centros. (...)
Esta indispensável mudança só será positiva se dispusermos de alguns leigos capazes de assumir maiores responsabilidades nessas pequenas comunidades cristãs. (...) A supervalorização das capacidades da razão humana, a absolutização dos métodos positivos do saber, a relativização dos valores, a concepção individualista da vida, a superocupação das pessoas centradas na produção e consumo de bens materiais, provocaram profundas mudanças na sociedade e nas pessoas. Afectam o modelo e as funções da célula familiar sobretudo com o trabalho feminino fora de casa, que saudamos, apesar dos desafios que levanta. Enfraquecem as motivações religiosas dos indivíduos e embotam a sensibilidade aos valores consistentes nos quais se incluem os valores religiosos e tudo o que aponta para o transcendente.(...)
Evangelizar dentro duma cultura secularizada, pode ter dificuldades acrescidas, mas deve despertar em nós um desafio entusiasmante.”
“Agora, às nossas comunidades cristãs estão a chegar imigrantes, vindos de países africanos ou de Leste, da América Latina ou simplesmente da União Europeia. Temos uma missão a cumprir para com eles.”
(Esse fenómeno) “requer tratamento pastoral próprio que passa pelo bom acolhimento, pelo respeito pelas diferenças culturais e mesmo religiosas, pela ajuda na aprendizagem da língua e na escolarização, pela colaboração no superar de outras carências como a procura de habitação, a congregação de toda a família, etc.”
“O pluralismo religioso, que se tornou uma das características da cultura do nosso tempo, até há pouco inexistente entre nós, será uma realidade presente em grande parte das nossas comunidades paroquiais. O fenómeno da mobilidade e a omnipresente comunicação social que traz até nós as diferentes experiências de vida e de crenças, põem-nos em contacto com pessoas de outras culturas, vivências religiosas, tradições e formas de manifestação religiosa. (...)
Um são e esclarecido ecumenismo favorecerá a convivência entre as pessoas, a tolerância e respeito mútuo pela vivência religiosa dos outros e a descoberta e assimilação daqueles valores de que essas Igrejas também são portadoras (...) Por motivos diferentes, mas com igual delicadeza e caridade, devemos manifestar estima pelas principais religiões não cristãs historicamente fundamentais como são: o Judaísmo e o Islamismo, religiões monoteístas, e ainda pelo Budismo, não só pelo elevado número de praticantes que congrega mas também porque ele «constitui um grande acontecimento da história».”
“Aos fiéis leigos – é nossa convicção – está reservada uma missão de evangelização desta cultura contemporânea marcada pela secularidade. (...)
Vós, melhor do que ninguém, podeis marcar presença junto dos vossos contemporâneos. Conheceis e utilizais a mesma linguagem, usufruís das mesmas ou semelhantes experiências de vida, ao nível pessoal, da família, do mundo do trabalho, da produção e consumo, dos locais de lazer, do sagrado e do profano. Tendes a experiência do positivo e do negativo da modernidade.”
“A paróquia não mais subsistirá como mundo fechado sobre si próprio. O pastor que não se abra à coordenação supra-paroquial perde, em boa parte, a capacidade de cumprir a missão de despertar o desabrochar da fé dos seus paroquianos e de alimentar o seu crescimento. A coordenação a nível de unidades pastorais, envolvendo várias paróquias com relações sociológicas de proximidade, a nível de zona, de arciprestado ou a nível diocesano, constitui um imperativo indispensável para a eficácia e frutuosidade da evangelização.”
“Tudo leva a crer que se venham a introduzir entre nós as celebrações da fé orientadas por Diáconos permanentes ou por leigos de reconhecida formação e competência. Urge promover a sua formação humana, teológica e pastoral.”
in Carta Pastoral de D. José Augusto Pedreira
(nos 25 anos da Diocese)
Já em Julho, no Conselho Paroquial de Pastoral, foi sugerida a realização de uma Missão Popular na Paróquia, neste ano de Pastoral. Voltou a ser discutido o mesmo assunto na última reunião de Outubro, por ocasião da apresentação, apreciação e aprovação do Plano de Pastoral para este ano, mas ninguém incluiu esta iniciativa e continua em discussão, o que não impede que ela seja uma realidade ainda este ano de pastoral.
Tudo indica que a acção, por aqui ou por acolá, seja uma realidade na Paróquia de N.ª Sr.ª de Fátima. Há necessidade de uma sacudidela especial e a Santa Missão é um tempo especial de intensiva e extensiva evangelização, de retiro espiritual popular, um tempo de misericórdia, de diálogo eclesial, de ecumenismo e de serviço pastoral e fraternal.
Qual o sentido a dar à vida e à história, assim como descobrir o mundo em que vivemos como sujeitos, os anseios que sentimos, a descoberta de respostas, o motivo da nossa fé cristã e o sentido da Comunidade serão objectivos que nos orientarão na estratégia para a eficácia da Missão.
O Conselho Paroquial de Pastoral e a Diocese em Sínodo
“O primeiro documento para estudo, ou para trabalho, distribuído pelo grupo dinamizador diocesano pelos organismos e movimentos não foi muito fácil de digerir pelos responsáveis da pastoral paroquial, devido à profundidade teológica das questões.
Os objectivos não foram talvez, por isso, alcançados na sua plenitude, mas é possível que valessem por si, para pôr os crentes mais responsáveis a reflectir e a tirar uma conclusão: falta algo importante para a caminhada- -formação e conversão.
Prevendo esta conclusão, já em Julho de 2002, no Conselho Pastoral Paroquial, foi lançado por mim um repto aos conselheiros: nunca poderemos ir longe se não houver um trabalho de base, e esse trabalho, penso eu, é incluir no programa de pastoral para 2003 um Missão Popular na Comunidade. Há necessidade de uma sacudidela especial e a Santa Missão é um tempo especial de intensiva e extensiva evangelização, de retiro espiritual popular, um tempo de misericórdia, de diálogo eclesial, de ecumenismo e de serviço pastoral e fraternal.
No fundo é isto que a Diocese quer em Sínodo e que uma paróquia deve procurar.
Uma Missão Popular ajuda a dar sentido à vida e à história, assim como a descobrir o mundo em que vivemos como sujeitos e os anseios que sentimos, as respostas que procuramos. O motivo da nossa fé cristã e o sentido da Comunidade serão os objectivos que nos orientarão na estratégia para a eficácia da Missão. Entendo que a Missão Popular seria uma rampa de lançamento e para a tornar mais renovada, convertida, comprometida e atenta aos reptos que vêm de cima, isto é, aos frutos dos trabalhos duma Diocese em sínodo. Houve discussão, e nenhum organismo ou movimento mais falou nisso, nem a isso se referiu na apresentação dos programas do Ano Pastoral.
Voltou a ser discutido o mesmo assunto na última reunião de Outubro, por ocasião da apresentação, apreciação e aprovação do Plano de Pastoral para este ano, mas ninguém incluiu esta iniciativa, o que não impede que ela seja uma realidade ainda neste ano de pastoral.
No próximo C.P.P. vamos ter testemunhos diversos de crentes atingidos por Missões Populares e por evangelizadores com diversas metodologias, com métodos verdadeiramente missionários de evangelização para os tempos de hoje.
Muitos poderão achar difícil, mas não é com coisas fáceis que se consegue viver sempre em tempo de páscoa.
A Ressurreição, Fundamento da nossa fé, custou um calvário bem mais doloroso.”
P.e Coutinho
O Conselho Económico Paroquial
“O Conselho Económico Paroquial ou, mais comummente conhecido por Comissão Fabriqueira, é o órgão que administra os bens, zela o património da Comunidade, responde por ele, desenvolve-o, regista-o e guarda-o. Dele dá contas à Comunidade e ao Bispo.
A este Conselho Económico preside, por natureza, o pároco coadjuvado por um grupo de leigos, onde há um secretário e um tesoureiro, ouvindo a comunidade através de pedidos de sugestões, ou eleições, conforme o pároco entender, pois ele tem um papel preponderante nas opções a fazer.
Reúne uma vez por mês ou mais, conforme as necessidades da Comunidade.
Numa comunidade pequena não será preciso tanto, mas quanto maior for a comunidade e a actividade desenvolvida por ela, pode levar a reuniões mais frequentes. Tudo depende do trabalho desenvolvido e dos bens patrimoniais.
Numa Diocese em Sínodo, nesta altura, parece que o que se deve procurar incutir a um C.E.P. é a uma maior abertura, não só à comunidade em si (paroquial), como também e, sobretudo, ao exterior, a começar pela Diocese.
A Igreja Diocesana é uma família. Ou não é? Eu acredito que é uma família, por isso os C.E.P.(s) devem estar abertos às partilhas a favor da Diocese como Igreja Mãe, Igreja Plena com o Bispo à frente e aberta às C.E.P.(s) das outras comunidades, sobretudo das mais pequenas ou com dificuldades e com grandes obras urgentes a fazer.
Não pode um C.E.P. considerar-se feliz, se outro, ao seu lado, porque é uma comunidade mais pobre, está em dificuldades sérias ou tem uma igreja a cair porque, de facto, os paroquianos são tão pobres que não podem sequer conservar o que têm de comum. Isto, a propósito do C.E.P., penso-o de igual modo a partir do Conselho Económico Diocesano ao qual preside o Bispo, que deve partilhar com as paróquias com evidentes necessidades.
Não posso esquecer que um incêndio deflagrou numa sacristia duma Igreja. Não faltou solidariedade e recordo um C.E.P., de Paróquia vizinha, que deu uma contribuição sem que tenha sido pedida. Esta abertura à solidariedade, numa situação destas, não é difícil, mas aquilo que mais sensibilizou foi a comunhão entre duas comunidades. É claro que os paroquianos contribuíram e até houve pessoas, completamente alheias a ela, que quiseram participar.
Uma Diocese em Sínodo, é uma diocese em mudança. Daí que, nesta área, também o C.E.P. se deve abrir à mudança e a dar testemunho de pertencer a um conjunto de famílias, sujeitas a uma só família que é a Diocese, célula, por sua vez, de uma grande família eclesial a que preside o Papa.
Foi com agrado que se recebeu o 2º Caderno da equipa do Sínodo sobre «As celebrações litúrgicas para o cristão de hoje», caderno muito mais feliz que o anterior porque muito melhor estruturado, mais claro ,mais conciso, mais acessível ao comum dos fiéis. Está de parabéns a equipa que o elaborou.
Se o nosso C.E.P. comprou umas dezenas, foi para ajudar os mais responsáveis a reunirem-se e a estudar um tema tão caro como é para nós a celebração da fé. Não foi por acaso que o CEP ofereceu a todos os lares da Comunidade em dia de Páscoa, 3520 exemplares de um livrinho sobre os diversos passos da liturgia eucarística, preparado pelo Padre Belo e que, mês a mês, foi publicando no Paróquia Nova. Tem feito isto como um adicionante à catequese ao domicílio.
Veio mesmo a calhar porque completam-se nesta área de tão grande significado para os cristãos.”
Paróquia e a Diocese – a Unidade
“A Paróquia, tal como se apresenta na nossa realidade, é uma Instituição eclesiástica, reconhecida pela ordem civil e administrativa, não deixando de ser uma instituição social de características próprias.
A palavra “paróquia” vem do grego e significava, no início, “habitação ou reunião de habitantes”. É o primeiro nome dado à diocese no início da Igreja, havendo, por vezes, confusão entre diocese e paróquia.
Segundo Miguel de Oliveira, em «As paróquias rurais portuguesas», qualquer destas etimologias se adapta ao primitivo significado de paróquia (paroikia em grego ou parochia em latim ) que era o primeiro habitáculo que um cristão ou uma igreja cristã encontram na peregrinação terrena, a caminho da pátria celeste.
Entrou no século IV na linguagem administrativa da Igreja. A palavra pároco teve três etimologias: do grego, párokos, colono ou cultivador; do latim, parochi, funcionário encarregado de subadministrar o necessário em nome de alguém; ou ainda do grego, paroikeo que significa morar na vizinhança. O pároco tinha de morar entre os paroquianos.
Até ao século III a Catedral era a única paróquia e o bispo o único pároco. Só as catedrais tinham Pia Baptismal e só lá eram feitos os baptismos. Com o aparecimento das igrejas rurais começou a criar-se a ideia da necessidade de criar também a Pia Baptismal, para que não se tivessem de dirigir à igreja onde estava o Bispo. Aparecem assim as igrejas paroquiais, a que, por confusão, também chamaram diocese. Também este facto deu origem a chamar Pias a algumas paróquias, porque tinham igreja com pia e Paróquias eram as dioceses. Essa confusão só passou quando, de facto se começou a chamar Diocese ao território sob a admnistração dum Bispo, conjunto de Paróquias.
A palavra ecclesia, igualmente do latim, tomou do grego o sentido de comunidade regularmente reunida ou, como hoje ainda, o local sagrado onde se reúne esta assembleia, com certa regularidade sob a direcção do chefe, em nome do Bispo. Na Igreja, enquanto ajuntamento dos fiéis, “filius” (filhos), nascerá o termo freguesia, o mesmo que agrupamento dos filhos da Igreja. A Freguesia, normalmente, era uma Paróquia. Hoje há Freguesias que têm mais que uma Paróquia, como no nosso caso - Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, freguesia de Santa Maria Maior, com a igreja matriz, hoje catedral ou Sé (Sede) do Bispo.
Uma vez que somos Paróquia autónoma e não freguesia, então não utilizarei freguesia, mas Paróquia, palavra esta que começou a ser usada com o significado que tem, depois do Concílio de Trento.
A Paróquia é hoje a divisão mais pequena, a célula da divisão territorial da Igreja, da Diocese, e define-se como: pessoa moral, jurídica, nascida por um acto da autoridade eclesiástica competente, uma vez que tenha povo e território, pároco e igreja, para a cura de almas. Com este acto vem o benefício eclesiástico, com dotes para a manutenção de lugar sagrado e para sustentação do sacerdote instituido de modo permanente e subordinado ao Bispo. Surgem paróquias urbanas e rurais.
A nossa paróquia foi um acto de D. Francisco Maria da Silva, Arcebispo de Braga, em 1967. Consta que na mesma altura criou também a do Senhor do Socorro. Foi a título experimental a do Senhor do Socorro e com carácter definitivo a de Nossa Senhora de Fátima. O decreto foi assinado pelo Arcebispo, segundo testemunhos da época, mas como o mesmo não apareceu, mais tarde presumiu-se que seria também a título exprimental, sendo D. Armindo Lopes Coelho, o então 2º Bispo de Viana, que a criou definitivamente, conforme o decreto que se transcreveu no livro «A Cidade de Viana, no presente e no Passado - da Bandeira à Abelheira». Este já não se perderá.
Na origem, o Cristianismo centrou-se nas cidades e as paróquias ou dioceses eram, portanto, de carácter urbano e presididas sempre por um Bispo, sucessor dos Apóstolos. Só mais tarde as comunidades com pia baptismal começaram a aparecer no meio rural. Até aí, os aldeões eram pagãos. Pagão era rural.
Os pagãos convertidos ao cristianismo deram origem a igrejas particulares e também rurais, tendo dos fiéis serem baptizados nas igrejas do Bispo porque só aí havia pia baptismal. Depois estas igrejas particulares e também rurais deram origem às paróquias rurais, aos seus párocos também, pelo que a Paróquia rural é posterior à urbana, que era a Diocese. E as primeiras paróquias rurais não tinham todo o culto, tinham ainda os fiéis de ir à Catedral participar na maior parte dos sacramentos, como o baptismo.
Por isso não foi uma disposição legal que criou as paróquias rurais, estas foram uma exigência espontânea pela conversão dos pagãos, longe da cidade. Inicialmente, por isso, os párocos eram: residentes uns e itinerantes ou visitadores outros. Devido a isso não se sabe como nasceram e quando nasceram a maioria das paróquias. Ao mesmo tempo era uma exigência apostólica, própria da fé, ir ao Campo levar a fé e a vida de fé... para sair das cidades...
No século III, o Concílio de Elvira, na Península Ibérica, mostrou uma grande difusão territorial do cristianismo e uma organização muito desenvolvida. Nesse Concílio participaram representantes das comunidades cristãs de mais de 50 povoações, das quais 20 eram episcopais e 19 tinham, ao menos, um sacerdote à frente; três dos Bispos eram da Lusitânea.
É claro que a unidade da diocese quebrou-se com o aparecimento das paróquias rurais, não só quanto ao culto como quanto ao património. Hoje há uma preocupação enorme para que se volte tudo para a Catedral, onde preside o Bispo. Aqui também pode andar a ideia de globalização, que sendo coisa boa, também traz irremediavelmente os seus erros, dum modo particular em relação à Religião. Isto tem muita lógica, mas, muitas vezes, as horas e os espaços litúrgicos duma Catedral são pequenos para que se possa congregar tudo num só lugar à volta do Bispo. O Bispo é, de facto, a plenitude do sacramento da Ordem, é o chefe da Igreja Particular. Não há celebração nenhuma, de nenhum dos grandes momentos ou dos sacramentos da Igreja que o Bispo celebre na Catedral, em que tenham de fechar as igrejas à volta. Era bom, mas temos de ter em conta as realidades como o espaço, o momento, a predisposição das pessoas, o conforto. Não está aí uma demonstração da unidade, às vezes pode trazer enfraquecimento da vida de fé, por se querer dar a ideia que é obrigação e medo de quebrar a unidade à volta do Bispo. Ainda que para isso não haja condições e queiramos viver sempre como parasitas à custa das catedrais ou das igrejas que os outros nos deixaram.
Vejamos, por exemplo, uma crismação, em dia de Pentecostes, de 150 pessoas, com os pais, os padrinhos, já para não falar nos irmãos, nos tios, ou nos avós, não há catedral nem igreja nenhuma em Viana que ofereça as condições mínimas para uma celebração condigna, em que 60% dos familiares não poderão ser testemunhas, não poderão assistir, não poderão fazer a unidade, a não ser espiritual e à distância... É certo que também tem valor, mas humanamente falando é errado. Muitos já nem vão. Esperam em casa ou no café...
A tão desejada e justa Unidade não se faz com a multidão acotovelada ou incomodamente instalada horas e horas. Só os mais pacientes muitas vezes fazem essa “unidade”, mas quantas vezes arreliada e a dizer impropérios, nada testemunhantes de uma sadia Unidade.
Não é preciso ir muito longe. Infelizmente, encontramos isso dentro de casa, na família. Todos em casa vivem, comem e dormem, são família e quantas vezes não há comunhão autêntica, falta de verdade?...
O mesmo pode acontecer na celebração à qual preside um Bispo ou um Pároco, em que, apesar de multidões acotoveladas, de “casa cheia”, pode haver menos comunhão e verdade do que com menos multidão. Mas, com gente que livremente participa e pelo conforto até escuta a Palavra e ouve o Bispo, comunga com ele e pela fé no Maior - Jesus Cristo - vai depois para o meio do mundo com a missão de prolongar a Unidade e a Comunhão com os irmãos .
A palavra paróquia, hoje, começa a perder o seu uso normal para se chamar, aliás, aquilo que sempre foi: “Comunidade”.
Ouve-se já, na era pós-conciliar, chamar comunidade paroquial para se distinguir de outras comunidades que não são paroquiais. A Comunidade Paroquial é a Paróquia que tem um padre nomeado pelo Bispo, e as outras comunidades não têm pároco. Assim, aqui entre nós, há a comunidade do Carmo que não tem pároco, mas é uma comunidade religiosa que depende do superior da Congregação dos Padres Carmelitas Descalços. A sua Paróquia, em razão da sua localização, é a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima. O seu superior é um sacerdote, mas não tem a missão de pároco, embora colaborante como paroquiano e sacerdote, como todos os seus colegas da comunidade que nesta altura não tantos como noutros tempos.
Isso não acontece com facilidade porque à Paróquia, geralmente, está ligado um território com fronteiras e um grupo de pessoas que se identificam sócio- -culturalmente. Hoje discute-se se a Paróquia ou a Comunidade e o pároco deve estar ligada ou definida por um território ou se por um conjunto de pessoas que fazem comunidade e que, muitas vezes, podem ser de culturas diversas, de territórios diferentes, que se juntam por relação de conhecimento, amizade, relação de serviço profissional ou por uma relação vivencial da fé.
No futuro, este sentido de Comunidade é o que irá prevalecer em prejuízo do da Paróquia, ou, melhor dizendo, virá a Paróquia a ser “Diocese” com o Bispo à frente, e as Comunidades com sacerdote ou diácono designado pelo Bispo, delegado dele junto das pequenas comunidades. E as comunidades serão menos comunidades em razão do espaço, mas maiores em razão do espírito, do carisma. Assim, haverá a comunidade que se pode confundir com uma paróquia actual, mas há a comunidade religiosa que vive à volta duma igreja, duma capela, dum carisma próprio como, por exemplo, a comunidade dos carismáticos, dos neo-catecumenais, da Opus Dei, e virão depois os que são focolares, legionários de Maria, Vicentinos, etc.. Hoje tudo isso já existe, mas em função da Paróquia territorial.
A Igreja do futuro irá estar mais aberta, será mais pobre, organizar-se-á de outra maneira e a sua administração será diferente, mas talvez vivencialmente mais rica, a confundir-se com as primeiras comunidades.
As Comunidades de Base, nascidas no Brasil, foram a primeira abertura a um espírito novo da Igreja e o desconhecimento do Concílio Ecuménico, pela parte de muitos leigos e outros “hierarquicamente superiores”, a propósito da co- -responsabilidade eclesial é que vai resistindo à lufada dum “espírito novo”...
P.e Coutinho
Os Movimentos numa diocese em sínodo
“Os Movimentos duma Paróquia podem ser de origem paroquial e devem ter a aprovação do Bispo, ou podem ser organismos ou movimentos que têm aprovação da Igreja Universal e são reconhecidos pelo Bispo da Diocese. Esses têm, normalmente, uma hierarquia própria através de Sedes Diocesanas, Nacionais, Internacionais... e são representados por Secretariados, Direcções, Delegações, Centros próprios, conforme a estrutura estatutária ou as orientações de cada Bispo na sua Diocese.
Há variadíssimos movimentos ou organismos, serviços e obras, conforme a diversidade de carismas existentes na Igreja. Não vou apontá-los porque seria uma lista interminável, mas não resisto em falar daqueles que melhor conhecemos porque até trabalhamos com eles na Paróquia.
Na Comunidade de N.ª Sr.ª de Fátima existe o Movimento dos Cursos de Cristandade, a Legião de Maria, a Sociedade de S. Vicente de Paulo, o Apostolado de Oração, o M.E.V. (Movimento Esperança e Vida), os Cruzados de Fátima, o Coral Litúrgico, o Coral Juvenil, o Coral de Música Clássica, o dos Leitores, o dos Ostiários, o da P. da Família, o da Catequese, o do Escutismo, o dos Acólitos, o dos Ministros Ext. da Comunhão, o do Acolhimento, o dos Zeladores; o Serviço de Comunicações Sociais (Luz Dominical e “Paróquia Nova”), o Centro Social Paroquial com as valências ( o Centro de Acolhimento de Bebés e Crianças Abandonadas ou de Alto Risco - vulgo Berço, o Jardim Infantil, o Centro de Deficientes (Samaritanos), o Centro de Cegos e Ambelíopes, o Centro de Dia, o Centro de Convívio, o de Assistência ao Domicílio Integrado, o do Serviço de Apoio ao Domicílio, o Refeitório Social (para passantes, vagos, ex-toxicodependentes, indigentes, sem-abrigo,) a Escola de Música, o Ozanan-Centro de Juventude (assistência aos tempos livres de crianças e jovens), o Cecan-rd ou Centro Comunitário de Apoio aos Necessitados- Recolha e Distribuição; a Comissão Fabriqueira, o Concelho Pastoral Paroquial. Na área da Paróquia, ainda existe um Seminário da Ordem do Carmo – Carmelitas Descalços, com alunos e com uma obra social de reintegração de pessoas de várias carências sociais (desde a indigência aos ex-toxicodepentes) e dirige ainda um Gabinete de Apoio à Família com o Projecto Casinha para as crianças das famílias que acolhe, Projecto “Viana sem Fronteiras” ao serviço dos imigrantes sobretudo do Leste, Rotas de Intervenção, Estrada com Horizontes em relação a pessoas da rua , Ecos (Prevenção Primária da Toxicodependência), Casa Abrigo, Casa de Acolhimento a mulheres vítimas de maus tratos ou vítimas da violência doméstica, assim como os seus filhos.
A Diocese é composta de tudo isto... e muito mais. Se se está em Sínodo, quer dizer que todos nós estamos envolvidos nesta tarefa da Igreja, como tempo de reflexão, de mudança. Quando digo nós, digo, os que estão ou não comprometidos em movimentos ou grupos, sejam de carácter diocesano, sejam de carácter paroquial ou sejam simples cristãos empenhados em tarefas temporais. Como nos partidos políticos, nos sindicatos, nas comissões de trabalhadores ou ainda sem nenhum compromisso oficial. Todos os baptizados devem sentir este movimento sinodal, movimento de conversão, de mudança, numa Igreja co-responsável, onde o Bispo sozinho não tem razão de existir, como sem o Bispo não há baptizados, não há expressão laical e co-responsabilidade. A Igreja faz-se desta comunhão não só com Deus, mas com os irmãos, com aqueles que se cruzam também connosco no trabalho, na rua, no café, ou dormem debaixo do mesmo tecto, com aqueles que se sentam à mesma mesa, em família.
Sendo assim, não se compreende que, nesta altura, um movimento paroquial ou não, desde que a trabalhar na Diocese, viva de costas voltadas ao trabalho do Sínodo, ou que este não seja motivo de discussão, de debate, de estudo nas respectivas reuniões e quem diz um grupo, diz um cristão isolado ou dedicado a obras temporais que devem ser sempre iluminadas com o espírito do Evangelho.
Ainda há pouco, celebrámos a Páscoa e ela foi celebrada depois de uma Sexta-feira Santa onde a Cruz foi a bandeira da glória para o crente e do fracasso para o malfeitor.
Nós celebrámos a Páscoa, somos crentes...Não podemos esquecer que se queremos permanecer em Páscoa, teimosamente temos que amar sem explorar o outro, sem lhe faltar ao respeito, sem lhe querer tirar o lugar mas, pelo contrário, partilhar, dar amor, para que o ressuscitado continue vivo no coração dos humanos, no coração da Diocese, em todos possa brilhar o testemunho d’Aquele que O descobrimos vivo e dinâmico. Quem sabe se, “desanimadamente”, Ele no irmão que está ao nosso lado, não venha a exclamar: “não valeu a pena”, “ continua tudo igual”, “se ao menos Deus me levasse...” ou não é verdade que ouvimos muitas vezes isto a muitos sofredores...
Que Ele possa brilhar em todos...
P.e Coutinho
A Administração de uma Paróquia
“A origem da maioria das nossas paróquias não a sabemos, como referi no número anterior, mas sabemos que muitas delas nasceram dos Castros existentes. Houve Castros que deram origem a várias igrejas rurais e privadas que, até ao séc. VII, nem funcionavam como paróquias porque se tinha de ir à igreja onde presidia o Bispo ou à igreja que, por este ou aquele motivo, já era possuidora de pia Baptismal. Portanto, algumas não tinham culto com carácter paroquial.
Também no início não estavam definidas estas paróquias por limites territoriais, como hoje. Tudo isso aparece mais tarde. Canonicamente, cada paróquia tinha a sua própria organização. Cada Comunidade criava a Instituição à sua maneira.
Com a organização e a fundação de Portugal, a diocese de Tuy por exemplo, perdeu as paróquias entre o Rio Minho e o Rio Lima. Também nessa altura, a divisão territorial das paróquias e dioceses não foi sempre pacífica. Os bispos e o Papa tinham de intervir. Às vezes, sem resultados tão claros como seria para desejar, como aconteceu com Viana do lado norte.
A invasão Árabe, encurralando os Ibéricos nas Astúrias, também foi obra e deixou marcas, sobretudo, na reconquista, o que alterou muitas formas de viver na igreja, fosse uma igreja particular, fosse paroquial. É nessa altura que dão mais valor ao padroeiro ou seu fundador. Desse tempo é a Senhora da Vinha, na Areosa; Senhora das Areias, em Darque; S. Simão da Junqueira, em Mazarefes, etc.
As igrejas particulares foram-se convertendo em igrejas públicas, e os bispos começaram a impedir a construção de igrejas que não tivessem um verdadeiro fundamento, isto é, tinha de haver grande motivo pastoral para facilitar aos fiéis o cumprimento dos actos do culto, sobretudo a missa, pelo que a distância, o aglomerado populacional, os rendimentos destinados à manutenção do templo e do culto eram algumas das condições fundamentais para a autorização. Tinha de haver uma dotação capaz da manutenção e, às vezes, como não chegasse, recorriam aos ex-votos que usavam como propriedade própria e que passavam de herdeiros para herdeiros...Estes abusos, ou intromissões no governo de ex-votos, bens esprituais, acabaram nas igrejas tornadas paroquiais. Aliás, na Idade Média, havia determinação hierárquica para usar os meios ao seu alcance a fim de conseguir que as igrejas, bens espirituais por excelência, deixassem de fazer parte da administração apenas e só pelos leigos ou mordomos.
O direito do patronato substituiu a propriedade e, já no séc. XI, grande número de igrejas rurais são oferecidas como esmolas pelos seus possuidores (padroados) aos cabidos das catedrais e aos mosteiros. Os templos consagrados ao culto eram considerados propriedade da Igreja e o Bispo nomeava o clérigo enquanto o padroado apenas ficou com o direito de apresentação, como uma honra, privilégio, mas ainda com a obrigação de alimentar, em caso de necessidade, de defender os seus bens e direitos. Tais privilégios, muitas vezes foram perdidos, porque alguns caíam na indigência ou eram dados como incapazes de assumir tais compromissos.
Até ao séc. XIV, por vezes, levavam os visitadores rendas, frutos que muitas vezes até faziam falta ao sustento do presbítero ou à manutenção do respectivo templo, ou da casa residencial do mordomo ou do pároco...
Começavam a receber a visita do Bispo ou dos seus visitadores, delegados do Bispo . Ainda assim acontecia no séc. XIX e ainda hoje, quando o Bispo faz uma visita pastoral a uma Paróquia, o Arcipreste faz uma visita canónica para apresentar um relatório, preparando a visita pastoral. Na alta Idade Média havia nobres que faziam capelas com dotes, para justificar o cumprimento do preceito dominical da família, dos criados e dos caseiros... um pouco contra o espírito de Paróquia, mas não de comunidade!...
A nossa Paróquia nasceu dum acto de D. Francisco, Arcebispo de Braga, em 1967, pois ainda fazia parte de Braga, portanto, a sua história é recente, como Comunidade Paroquial.
A Paróquia continua hoje a ter a sua própria administração, de que já se falou neste local aquando do Conselho Económico Paroquial, o C.E.P. ou Fábrica da Igreja Paroquial. Mas, a propósito, há ainda muita coisa a dizer.
Na administração duma Paróquia, temos, em primeiro lugar, o património :a igreja, as capelas, os seus recheios artísticos, como altares ou as talhas, a estatuária, ou imagens, as alfaias litúrgicas, todo o mobiliário, não só destinados directamente ao culto, como o destinado também aos escritórios ou a serviços dependentes da vida paroquial.
Mas o C.E.P. é o responsável, a nível paroquial, por todo o tipo de arquivo: orientações pastorais saídas do Papa ou do Bispo, registo dos actos, como reuniões, deliberações, correspondência recebida e expedida, o registo de documentos institucionais, registos dos baptismos, dos casamentos e dos óbitos; registos que temos verdadeiramente organizados e estão já informatizados para fácil consulta. Tem mensalmente de ter a contabilidade organizada dos dinheiros recebidos como donativos, partilhas feitas nos ofertórios das missas, ex-votos lançados nos peteiros da igreja ou capelas...legados, rendas, foros, rendimentos diversos, e guardar em lugar seguro as ofertas, ex-votos, em espécie, como objectos em ouro ou de outro valor, como um terreno ou uma casa, as quais não os pode vender sem expressa licença do Bispo. Fazer escrituras para eles precisa da autorização expressa do Bispo. Também lhe compete, seguidamente, fazer os respectivos registos de propriedade; zelar pela manutenção das igrejas ou capelas, fazendo obras de conservação, assim como dos terrenos ou casas desde que sejam propriedade da Paróquia. Tem ainda o registo dos ficheiros dos paroquianos, que habitam naquele território sob a jurisdição de um pároco. Poderá não estar actualizado porque as pessoas até mudam de residência com facilidade. Mudam de Paróquia e esquecem-se da sua fé religiosa, da inserção na comunidade. É que há freguesias que possuem várias paróquias, como Santa Maria Maior, com duas. Por isso este ano entregámos a todos os habitantes um mapa...
Há pessoas que só quando precisam de documentos para casamentos, para baptizados ou por óbitos, é que acordam e vêm fazer a sua inscrição paroquial. Às vezes, o pároco tem dificuldade de atestar aquilo que não conhece. Não conhece a pessoa, não conhece a família.... Como pode numa situação destas o pároco atestar idoneidade moral ou religiosa na organização de um processo de baptismo, de casamento?... E, às vezes, nem com a ajuda dos leigos vizinhos...
Não se fica por aqui a administração duma Paróquia. Vai mais longe. Estende-se a todos os sectores da vida da comunidade e, sobretudo, é mais complicada quando uma Paróquia tem nos seus diversos sectores da Pastoral uma actividade intensa e bem organizada, na Catequese, na Liturgia e na Acção Social e Caritativa. Nesta Acção Social há iniciativas que podem gerar instituições ou fundações que são autónomas na sua administração. Embora sempre integradas na Comunidade e tendo como pano de fundo esta que, às vezes, não só lhes serve de suporte moral, mas também económico, apesar de, para o mesmo efeito, ter possíveis apoios através de acordos com o Estado.
A conhecida por Comissão Fabriqueira deve prestar contas anualmente aos paroquianos e ao Bispo, assim como cada direcção de alguma instituição ou fundação o deve fazer. Estas também, em relação ao Estado, pois se com ele têm acordos, advêm-lhe o direito a saber como é que o dinheiro foi gerido.
De qualquer modo, gerir bens relacionados com os bens do espírito não é assim tão fácil como parece. Esta administração tem as suas regras canónicas e é de grande responsabilidade para aqueles que na Comunidade têm esta função. Desta o pároco não se pode abster e tem de ser o primeiro responsável com os leigos, que para o efeito foram eleitos. Esta é a co-responsabilidade em que o Concílio Vaticano II tanto se empenhou. Os padres não podem fazer tudo e os leigos devem ocupar o seu lugar em igreja tão responsavelmente como a hierarquia.”
P.e Coutinho
A Paróquia e a Espiritualidade...
“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles”. Estas palavras de Jesus aplicam-se à Comunidade em que sempre devemos estar integrados.
A descoberta de Deus trinitário leva à descoberta do outro. O nosso Deus é um Deus de relação. A descoberta de Deus leva necessariamente a uma relação de amor, de diálogo que se projecta para os irmãos do lado, porque não podendo ver a face de Deus, reconhecemos a sua transcendência e o seu poder absoluto, Ele é o Criador e Todos somos irmãos.
Ser irmão é relação fraternal, é ser amor e quem ama aproxima-se e dialoga, ou se não dialoga pelo menos gosta de estar ao pé de quem se ama. Se isto acontece em relação aos irmãos, o que se dirá em relação aos Pais e, em especial, ao Pai comum a quem chamamos Deus, Senhor do Céu e da Terra.
Deus não é exigente, mas é Amor.
Não é preciso grande arte para este diálogo que é oração, mas ela terá outro sabor, se fizermos o que fizeram os discípulos de Jesus: “Senhor, ensinai-nos a orar”. Também podemos rezar com arte, isto é, rezar bem, com fé, com humildade e confiança. Sempre devem estes itens ser objecto de uma relação filial em relação aos irmãos.
Importa rezar com fé, com amor, humildade e solidariedade porque no mundo não estamos sós e reconhecemos a Deus nos irmãos porque se amamos a Deus é porque amamos os irmãos, pois é mais fácil amar o que se conhece do que aquilo que não se conhece...
Já falamos da evangelização que nos abre os sentidos para o conhecimento de Deus e O amarmos mais.
A Humanidade tem necessidade deste diálogo amoroso com o seu Deus, um diálogo verdadeiro e autêntico, mas às vezes é capaz de ter as mãos cheias de sangue e Deus dizer como no Antigo Testamento: “cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem, caso contrário os meus olhos fecham-se perante os vossos actos e os meus ouvidos fechar-se-ão à voz das vossas súplicas”.
A nossa oração deve ser sempre nova, adaptada às circunstâncias e sempre em busca de uma nova imagem de Deus que nos chama à conversão, que quer o nosso bem e que, se o soubermos fazer, Ele sempre nos atenderá: “Batei, batei e abrir-se-vos-á...”.
Por vezes, somos tentados mais a pedir a Deus do que a louvá-Lo, quando temos mais motivos para louvar do que para pedir. Ele sabe do que cada um precisa. Conhece-nos e até sabe o número dos nossos cabelos.
A oração de petição sustenta a ideia de eficácia com Deus, pois Ele faz o que diz: “Quando um filho lhe pede peixe, dar-lhe-á um escorpião?”.
A Paróquia é um espaço composto de pessoas com cultura e costumes semelhantes, que têm os mesmos objectivos comuns como um povo em marcha. Daí que este espaço seja o espaço mais próprio para o crente que precisa de se relacionar com os outros e sente a necessidade de orar em conjunto com eles, porque a sua oração até parece ser diferente e ter mais força diante de Deus Pai.
É importante a oração individual, naturalmente, e é a partir dela que o orante sentirá a necessidade da oração comunitária, da oração com os outros, com os mais conhecidos.
A Paróquia é esse espaço privilegiado onde o crente encontra lugar e tempo próprio para a eucaristia, a oração por excelência do cristão, para outros momentos oferecidos pela Comunidade para a oração colectiva. Não só na administração de sacramentos, mas também noutros momentos paralitúrgicos...
Na Comunidade, o crente encontra o ambiente que dá expressão vital à fé e não é possível rezar e roubar ao mesmo tempo, atraiçoar, prejudicar, maldizer ou cometer toda a espécie de injustiças e atropelos à dignidade e aos direitos dos outros...
É também, na Comunidade, onde pode e deve encontrar a escola de oração para que a oração seja sempre um acto digno, um acto feito com arte, aquela arte que faz com que a oração seja a expressão sincera e autêntica, adequada e perfeita, confiante e humilde.
Não foi por acaso que este ano de pastoral 2002/2003 foi um ano em que o C.P.F. levou a efeito uma reflexão, ao longo de todo o ano, sobre a oração por especialistas nesta matéria, como são os senhores padres carmelitas.
Nós queremos uma vida com sabor, isto é, com qualidades, com entusiasmo, uma vida que seja sal da terra. Somos nós que, ao corrompermos a terra, deixamos de ser esse sal, que não serve para nada a não ser para ser lançado fora e ser pisado pelos homens (Cf. Mt. 5,13).
Ao vermos hoje tantas desgraças, tanta corrupção, tanta violência que mais é que havemos de esperar?
Renovar a nossa aliança com Deus e com os Homens.
É fazer com que este sal que somos não se deixe corromper neste mundo secularizado. É voltar à graça do baptismo que nos regenera pela Confissão e faz de nós membros activos, nos identifica com Cristo, nos abre o coração e a mente ao Espírito, nos faz disponíveis para os outros e nos põe à escuta interior que nos conduz à espontaneidade com alegria para a relação tanto com Ele, como com os Irmãos.
A Espiritualidade não consiste em escolher ou ir aqui ou acolá fazer exercícios espirituais, ou à igreja. Ela é algo mais fundamental como um desejo interior que nos arrasta para Deus e para a Humanidade... e nos conduz a Cristo que nos amou até ao fim, à caridade que é o Amor e à oração que é a fonte de toda a vida espiritual. A vida espiritual é que conduz à Liturgia onde ritualmente se envolve o silêncio, a palavra, a posição do nosso corpo, todos gestos com um significado adequado àquilo que se está a viver.
Por isso, a espiritualidade de um povo é o motivo mais forte que leva à Comunidade, é a alma da Comunidade. É o tal sopro que faz um povo viver como um só Corpo, um só Espírito porque baptizados num só Baptismo, no dizer de S. Paulo.
Esta espiritualidade, vivida na Paróquia de N.ª Sr.ª de Fátima, tem, naturalmente um outro sabor: é o sabor mariano, não fosse a Comunidade centrada no espírito de Maria, em N.ª Sr.ª de Fátima que é a Padroeira, a Senhora do Carmo outro centro importante com Igreja e Seminário dentro da Comunidade, assim como em N.ª Sr.ª das Necessidades com capela no coração do lugar da Abelheira.
A espiritualidade, como princípio de toda a vida sobrenatural, que é o Divino Espírito Santo é a posse da Graça de Deus, é chamada à Santidade, à unidade, e na diversidade dos seus dons, na variedade dos seus carismas.
Numa Diocese em Sínodo, como está a actuar o Espírito em cada uma das Paróquias, células da Diocese? A pergunta é extensiva a todas, inclusivé, à Paróquia de N.ª Sr.ª de Fátima.”
P.e Coutinho
A Liturgia e a Paróquia numa Diocese em Sínodo
“Sem evangelização não poderá haver liturgia, pois esta é fruto da experiência de fé para poder compreender vivencialmente a complexidade tão nobre, como é nos seus aspectos, compromissos e experiências pessoais e comunitárias para todos os que participam numa celebração litúrgica.
Não se celebra a liturgia sem comunhão entre os participantes, pelo menos, não será verdadeira liturgia. Não haverá liturgia autêntica se não houver comunidade e a comunidade é fruto da liturgia, sem que se despersonalize a pessoa que, na comunidade, participa. Uma comunidade religiosa é uma realidade social, quer queiramos, quer não, quer seja perfeita, quer seja imperfeita.
A comunidade religiosa é um grupo de pessoas que vivem com objectivos comuns do âmbito religioso, onde a pessoa se realiza socialmente. Ninguém, pois, se pode realizar independentemente dos outros... Ninguém pode neste mundo ser uma ilha...
É na dimensão social do Homem que ele vive mais profundamente a comunidade religiosa e, através dela, forma uma comunhão pessoal de vida. É através da Comunidade que a pessoa comunica e participa, dá e recebe e onde exerce as virtudes da humildade e da generosidade, do compromisso e da partilha...
Está com os outros e é com os outros. Enriquece a sua espiritualidade porque “nem só de pão vive o homem”. É nela que se integra e se manifesta ser para os outros e ser com eles. Há aqui uma relação diferente quando ela é religiosa, cultural, pois vai mais além, é transcendente e não é aleatória; parte da vontade própria e sente a necessidade de intervir, de ser no mundo assim, com os outros e para os outros...
A base desta comunidade litúrgica está na trindade, onde ela é perfeita. A nossa, por mais perfeita que seja será sempre um sinal muito frágil da Trindade Santíssima.
Através da liturgia, os fiéis entram em comunhão com a Santíssima Trindade.
Pela encarnação do filho de Deus, Deus estabeleceu a sua morada entre nós, não está junto a nós, mas está connosco. Isto quer dizer que, pela encarnação do Verbo, nasceu a Igreja. A Igreja é a humanidade reunida e convocada para a comunhão com Deus, para a comunhão entre os Homens, e entre estes e Deus. Só assim é possível pelo Espírito vivermos congregados num só Corpo.
Nos Actos dos Apóstolos há uma passagem muito significativa quando se refere a Ananias e Safira que usurparam dos bens que lhes pertenciam não os entregando todos como os outros fizeram generosamente ao serviço da Comunidade. Pedro chama-lhes a atenção: “Mentistes contra o Espírito... contra Deus...”. Cf. Hebreus 5.
A comunidade deve discernir que não é ela própria que escolhe, mas Deus. Não somos nós que escolhemos, ou nos elegemos, para viver comunitariamente um ideal inspirado pelas nossas aspirações religioso-ascéticas. É Jesus que actua para a nossa santificação. Tem de aceitar que nela pode haver pluralidade de carismas. Se o Espírito Santo é a alma da comunidade, a pluralidade de carismas é natural porque onde está o espírito está a abundância das suas graças, na construção do Reino, onde sempre existirá o pecado entre os membros. Será uma comunidade de pecadores, e ininterruptamente chamados à conversão.
Já aqui abordei a origem da comunidade cristã.
E, como comecei, não há comunidade sem Liturgia, nem Liturgia sem comunidade, daí que até um sacerdote sozinho pode rezar, fazer a oração, rezar a liturgia das horas com toda a Igreja, mas não tem que celebrar a Eucaristia que é um acto estritamente comunitário, onde a comunhão se deve manifestar e o padre sem fiéis não tem motivo para esta oração, acção de Graças.
Toda a liturgia nasce da comunidade cultural. O culto é a fonte sempre insubstituível da vida e do desenvolvimento.
A liturgia da Igreja não tem como objectivo aplacar os desejos e os medos do homem, mas escutar e acolher Jesus ressuscitado.
A liturgia é, por isso, um mistério e renovar o ritualismo desta vivência cultual, exige grande trabalho, esforço de formação para que a espiritualidade que a liturgia envolve seja o mais concreta possível e de acordo com a espiritualidade de Jesus Cristo.
É por isso que sempre tivemos o cuidado de celebrar os sacramentos com a liturgia mais adequada, a começar pela Eucaristia que, depois do Baptismo, é aquela que alimenta a vida de Comunhão.
Logo em 1979 já tínhamos uma equipa de liturgia que preparava as missas de cada Domingo. Dela fizeram parte várias pessoas que, semanalmente, na sacristia, se reflectia sobre a liturgia da Palavra, etc..
Logo houve no princípio um curso de leitores que já se repetiu por quatro vezes. Embora tenhamos insistido, nem sempre se lê do melhor modo, o que me faz muita pena. Ainda outro dia ouvi um comentário destes, “O meu marido telefonou-me para que se fosse à missa desse atenção à primeira leitura e afinal não entendi uma palavra sequer”. E isto que eu estava a ouvir uma senhora a contar a outra, era na realidade, uma verdade porque tinha sido eu o celebrante e ouvi e calei-me. Muitas vezes acontece isso, um ou outro leitor não sabe o que vai ler e depois lê para ele e nem sequer ele, às tantas, foi capaz de compreender.
Tudo tem de ser preparado com antecedência.
Pessoas que nunca participaram em formação de leitores, só em caso de suplência devem ler, mas deve preparar-se antes, como qualquer outro o devia fazer.
Também em 1979, surge a primeira “Luz Dominical” de forma muito rudimentar, mas havia esse cuidado, com comentários às leituras e informações paroquiais. Nesta altura é de formato A5 e contém os cânticos da missa sobretudo da missa vespertina.
O coral a que chamamos coral litúrgico, é o coral dos mais velhos, formado de pessoas que ficaram do Espectáculo Marcos 9,37 animado por Joaquim Gomes. Aqueles que pertenciam ao coral quando aqui entrei continuaram, mas a pouco e pouco, por isto ou por aquilo, foram deixando, mas há um núcleo que vem desde 1979 ao qual já se juntaram vários colaboradores e, assim, se tem mantido o coral que anima a missa vespertina e festas importantes da Paróquia.
A missa da catequese sempre foi animada por outra gente, mas há 15 anos que a Célia Novo, formada em Arte e Design é a animadora de um grupo juvenil, sempre escolhendo cânticos ao gosto das crianças...
Aparece, mais tarde, um grupo de jovens que supriu a falta do “coral litúrgico” que também cantou na missa do meio-dia, a tomar este lugar. Na maioria são alunos da Academia de Música, cantam cânticos às vezes a 4 vozes, cânticos clássicos; enfim, uma missa diferente e que a assembleia também gosta.
Logo que aqui dei entrada pareceu-me litúrgico o sacerdote receber à porta da igreja todos os que chegavam para a celebração. Fiz isso muitos anos. Agora é raro, mas quando posso ainda me sinto bem a fazer esse acolhimento a quem chega para celebrar comigo.
Há sempre uma palavra diferente para um ou para outro, enfim... Vamos fazer comunhão poucos momentos depois...
No entanto, estão sempre dois paroquianos a receber quem chega a entregar a “Luz Dominical” e, certamente, a fazer um pouco aquilo que eu fazia... Um olá! Uma palavra! Um benvindo!... Como está?
Entretanto, enquanto se faz o acolhimento, o animador da assembleia e o coral faz os últimos ensaios dos cânticos para que a assembleia aproveite e possa acompanhar depois o coral, fazendo com que muitos participem no canto. O mesmo se diga dos salmistas que também têm sido preparados para que a celebração seja sempre muito digna.
Procuro não me alongar na homilia, apenas 5 a 7 minutos. Não vá a minha palavra ser mais importante que a palavra de Deus!... Também não tenho grande dom de palavra!...
Deste modo, são sempre os 45 a 50 minutos o tempo da celebração. Às vezes, por motivo de festa, pode ir mais longe...
Os Ministros Extraordinários da Comunhão não só colaboram na distribuição da Sagrada Comunhão, como levam a comunhão aos doentes.
Já há uns anos que fizemos paroquialmente formação para Acólitos Adultos e, desse modo, temos uma equipa que soleniza os dias de festa com o sacerdote, utilizando a procissão com o crucífero com a cruz levantada à frente, os ceroferários, o turiferário e o ajudante com a naveta, seguindo os dois acólitos e o sacerdote.
Mas, a missa não é o único acto de culto. Todos os outros sacramentos são actos de culto com liturgia também apropriada.
Lutamos pelos baptismos comunitários, celebrados em colectividade ou celebrados dentro das missas. Os pais são acolhidos por um casal e depois há preparação para pais e padrinhos mensalmente feita pelo pároco. Os párocos da cidade distribuíram ultimamente uns desdobráveis dando informações sobre o que é e as condições necessárias para o Baptismo. Um trabalho foi feito em comum com as paróquias da Meadela, N.ª Sr.ª de Fátima, S.ta M.ª Maior, Monserrate, Senhor do Socorro, Areosa e Darque.
Para o sacramento da Penitência que renova a graça baptismal, prejudicada pelo pecado, temos tempos fortes pela Páscoa e pelo Natal. Pela Páscoa temos 24 horas de acolhimento para a Confissão e, durante o ano, à quinta-feira, pela manhã antes da missa e à tarde também antes da missa.
Já se fizeram celebrações penitenciais por altura da Quaresma, mas as pessoas não aderiam com facilidade. O número era muito reduzido. Fazêmo-las agora na festa do Perdão para as crianças da catequese.
O sacramento da Confirmação é administrado, há 24 anos, aos jovens que completem 10 anos de catequese. No tempo de D. Armindo Lopes Coelho, de 2 em 2 anos sensivelmente vinha crismar aqui na Paróquia, embora alguns fossem à Sé para não esperar pela data da Paróquia. Com os critérios do novo Bispo de Viana alguns têm ido à Sé Catedral para serem crismados no dia de Pentecostes. Aqui agora só haverá crisma quando for marcada visita pastoral.
Para os que saem fora do esquema da catequese normal, e já têm idade adulta, há outro tipo de preparação para o Crisma.
O Sacramento da Santa Unção tem sido administrado anualmente a idosos e doentes na quarta-feira santa na Igreja, de forma comunitária, e ao domicílio quando pedem. Procuramos que cada ano seja diferente a festa da Administração do Sacramento da Santa Unção e da Comunhão Pascal.
Quanto ao Sacramento do Matrimónio é feito um acolhimento por um casal e depois é feito o C.P.M. (Centro de Preparação para o Matrimónio) ao Domingo pela manhã, no Colégio do Minho, de organização diocesana.
Temos tratado do processo civil para ajudar, ou facilitar, os noivos e organizamos o processo religioso, como não poderia deixar de ser. Quanto à liturgia procuramos dar a oportunidade aos noivos de escolherem as leituras e, até às vezes fazer uma liturgia apropriada a cada casamento para não ser tão repetitiva.
Quanto ao Sacramento da Ordem!... nada se tem feito a não ser o aconselhamento e o desafio feito para que despertem vocações sacerdotais ou religiosas, mas... infelizmente sem sucesso! Só houve um seminarista no Seminário Diocesano e no Seminário do Carmo, nestes 25 anos. E o último sacerdote que esta zona deu à Igreja foi o P.e Manuel Miranda; ainda não era Paróquia e já faleceu, assim como uma irmã religiosa.”
P.e Coutinho
A Paróquia e as Migrações
“A Comunidade Paroquial não pode estar alheia aos problemas das migrações. Esta comunidade já teve um número razoável de emigrantes, como em todos os lados. Não tanto talvez, como nas aldeias, porque na cidade sempre se abriam mais facilmente perspectivas aos necessitados de trabalho.
Quando para aqui entrei havia emigrantes em número de mais de vinte famílias. Algumas nunca tinham voltado a Portugal.
Hoje, as contas são forçosamente outras não porque os que cá estavam, tivessem saído, mas porque muitos emigraram de outras terras vizinhas e aqui compraram um apartamento para viver, ou por motivos profissionais, passarem a semana de trabalho, ou para passar férias. Esses em relação à comunidade, podemos considerá-los também imigrantes.
Nós somos emigrantes no Brasil, na França, na Argentina, na Venezuela, África do Sul, etc.. Sabemos o que custa ser emigrante, por isso, devíamos compreender a dificuldade daqueles que são hoje imigrantes na nossa terra.
Um problema novo que nos surge para reflexão e para um debate de carácter social, cultural, económico. A paróquia tem de criar processos dinâmicos de integração do imigrante e, para isso, há esforços que têm de ser feitos mutuamente, os que acolhem e os que são acolhidos. Exige uma interactividade, de igual para igual, caso contrário não conseguiremos a verdadeira integração dos que chegam, porque só assim haverá afecto comum que conduzirá ao respeito mútuo.
Onde os direitos e os deveres, a precaridade e vulnerabilidade, de empregadores sem escrúpulos, e equiparação dos salários aos nacionais, pois trabalho igual ... o facto de acesso à formação profissional...
Os imigrantes se chegam é porque fazem falta. Se houver ofertas de trabalho que não são preenchidas pelos nossos, devemo-nos sentir felizes porque há quem chegue e os imigrantes não só levam o dinheiro a que têm direito para a terra deles, mas também deixam obras e dinheiro à nossa terra. Em 2001, segundo dados estatísticos deram um rendimento público de 65.000.000 contos.
Mais uma razão para além da fraternidade cristã que uma comunidade deve acolher e defender às vezes perfilidades injustas e explorativas Há que potenciar e facilitar a comunicação e lutar contra a discriminação étnico-cultural.
Quando uns e outros puderem exercer a cidadania num país, isto é, exercer direitos e deveres iguais então temos uma integração social e cultural.
É importante que na Paróquia os movimentos ou as instituições participem num acolhimento claro e franco aos que chegam como gostaríamos que os outros, noutros tempos, ou ainda hoje, nos acolhessem aonde chegarmos.”
P.e Coutinho
A Paróquia e a Evangelização, numa diocese em Sínodo
“A Evangelização é uma das vertentes fundamentais da Teologia Pastoral da Igreja: “Ide e ensinai!...”
Trabalhai, dai testemunho e falai das coisas de Deus, da fé, aos homens de boa vontade, a “tempo e fora de tempo”. Esta é a missão de qualquer crente baptizado. A Evangelização não é só devida ao Bispo, ao padre ou ao diácono... – a eles pertence salvar a doutrina e ajudar a interpretá-la e ensiná-la, – mas falar de Deus, falar da fé, falar da vivência de uma fé autêntica e cristã é, sem dúvida nenhuma, um dever para qualquer um dos baptizados.
Evangelizar é oferecer uma Boa Nova, oferecer aos Homens que vivem, numa sociedade concreta, Jesus Cristo, como modelo da Humanidade.
A fé é um dom e esse dom recebe-se no Baptismo. A fé não é um conjunto de verdades estáticas, ela tem de ser, sobretudo, uma realidade dinâmica, pelo que conduz ao encontro, ao relacionamento com o outro, ao desenvolvimento normal de relações humanas, na medida em que ela se revela na pessoa do outro, porque os seus conteúdos não são o bastante para o convencer. Só há evangelização quando o outro começa a ter uma atitude diferente no modo de acolher o que o outro lhe comunica.
Quando mutuamente começamos a acolher a mensagem, a vivê-la no dia a dia, há compromisso, fé, evangelização...
Portanto, a fé é o resultado de um encontro interior com alguém que se nos revela, seja pelo outro, seja por qualquer sinal que tornou alguém atento e dinâmico, com vontade de o mostrar e não de o esconder. É como algo de maravilhoso na vida que o leva a comunicar-se igualmente como crente, porque se confrontou com a revelação de Deus e para quem esta teve sentido.
Cremos que muitos dos nossos cristãos não são religiosos. Todo o homem tem uma dimensão religiosa e isso defendemos, mas o “modus vivendi” de muitos... que está longe da religião que é algo em que se vê o senhor absoluto, transcendente, algo de divino, sobrenatural que tem uma relação de Amor com o Humano, a quem este obedece e para quem ordena toda a sua vida, segundo a sua vontade.
Não é uma tendência constante para o “religioso”, como um mito; isso será religiosidade mas não religião. Não é medo de lobisomens, de almas do outro mundo, do obscuro, para o que precisam de esconjuros ou ritos mágicos para aplacar o transcendente que domina e castiga.
Há muita falta de clareza de ideias, de descernimento nos nossos crentes, às vezes com projectos humanos tão próximos da realidade, e tão longe de Deus, que não é o “salva vidas”.
“Hoje, à medida que o Evangelho entra em contacto com áreas culturais que estiveram até agora fora do âmbito de irradiação do cristianismo, novas tarefas se abrem à inculturação. Colocam-se à nossa geração problemas análogos aos que a Igreja teve de enfrentar nos primeiros séculos”, segundo João Paulo II, in “A Fé e a Razão”.
A evangelização, nesta altura, é uma das vertentes da Igreja que mais necessita do empenho não só dos pastores, dos responsáveis hierárquicos, mas de todos os leigos que devem aproveitar todas as formas de catequese através dos Institutos Católicos, (em Viana temos um), como através da Catequese ou organizações sistemáticas, para jovens e adultos, ano a ano, para que fique, de uma vez para sempre, para trás a fé infantil, a fé dos bancos da catequese, a fé da tradição, a fé dos antepassados que já não oferece respostas aos problemas que o mundo de hoje apresenta.
Cada vez mais a nossa fé tem de ser pessoal, opcional, clara, tão dinâmica e luminosa que deixe passar a mensagem que se vive. Essa mensagem deve ser evangélica. O Evangelho nunca é contrário a esta ou àquela cultura, mas, sem as privar de nada, as estimula a admitirem-se à novidade da verdade evangélica, da qual recebem impulso para novos progressos”(Cf. “A Fé e a Razão” n.º 71).
É claro que o nascimento do homem novo encontra sempre alguma resistência tanto a nível pessoal, como social. É a experiência que temos quando em 1984 lançámos as catequeses quinzenais para adultos na Paróquia .
Quantos e quantos foram convidados, apesar dos apelos feitos nas missas de Domingo!... Sempre tão poucos os que aproveitam momentos de reflexão, estudo, para que cada um possa compreender os problemas da nossa sociedade de hoje e poder ter respostas de fé para as novas questões que nos são levantadas.
Cristo continua, hoje, a ter lugar na nossa esperança, na nossa vida, ainda que muitos tenham medo de o escrever como Alguém que mudou a história da Humanidade. Trouxe uma nova civilização, na qual a Europa se envolveu e se empenhou.
Esse medo é fruto do que dizia antes. Está visto que os nossos políticos, os que nos representam, como eleitos do povo, das Comunidades, também terão aquela fé infantil que não tem valor nenhum para os dias de hoje.
É isto que temos de combater. A Paróquia falha, se não se interessar por este sector da teologia pastoral. Nas Paróquias temos de acabar com a catequese infantil se não nos debruçarmos também e a sério numa catequese de adultos, dos pais e dos avós.
Tudo pode funcionar concomitantemente. Não podemos falar da catequese de Infância sem falarmos na necessidade que os adultos têm de frequentar cursos de Teologia, algumas cadeiras no Instituto Católico ou, ao menos, na Paróquia, aproveitar o que ela oferece para que não se fique com uma fé tão débil, porque o mundo de hoje exige muito mais de todos.
A Paróquia só pode dar sentido à celebração litúrgica se tiver fé, e ter fé é ter conhecimento, experiência vivencial de Deus, na vida em comunhão com os outros. Se for assim, a Paróquia pode ser uma comunidade acolhedora para fazer festa, celebrando-a na comunhão na alegria e no perdão.
A Paróquia, como célula viva da Igreja particular, a Igreja Diocesana, não se esgota na evangelização: ela é missionária, é evangelizadora, é acolhedora, participa na igreja universal através da igreja diocesana, à qual preside o Bispo.
Não pode haver Paróquia sem baptismo. No início, só a Igreja do Bispo tinha pia baptismal e tudo partia daí, mas, com o passar dos tempos, a evangelização teve de chegar ao campo, saindo da cidade. Assim, surgiu a necessidade de aparecerem igrejas mais ao longe com pia para o baptismo. Então o baptismo passou a ser feito também nessas igrejas.
A Igreja nasce do baptismo.
Muita gente tem sempre uma certa afeição, e muito justa, pela igreja onde foi baptizada, pela pia por onde passou, no Baptismo, a Homem Novo. Este sentimento é justo e respeitável.
Hoje, já se baptizam crianças crescidas, em idade de catequese de adultos para o que é necessária uma adequada preparação. O Baptismo será melhor entendido.
Não basta querer ser baptizado. É preciso saber por quê e para quê? É necessário conhecer a razão que é a razão de Cristo.
É por isso que se exige tempo e amadurecimento para este “querer ser baptizado”. Conhecer bem os objectivos de Cristo, a pessoa de Cristo, para iniciar então um caminho novo na vida, um caminho com olhos novos preparados para ver o outro e amá-lo até ao fim, à maneira do Bom Samaritano. No outro pode estar representada toda uma comunidade de fé, de escuta, de esperança vivida e comunicada, no trabalho com os doentes, nos que mais precisam, nos que passam fome ou têm sede, nos imigrantes, nos presos, nos que precisam seja lá do que for. Só assim entenderemos a Paróquia como uma Comunidade de Amor, feita de comunidades mais pequenas que são as famílias – a igreja doméstica. Estas serão as primeiras experiências de comunidade, de evangelização e complementaridade numa Comunidade maior que é a Paróquia, onde todos serão co-responsáveis e participativos, cada um segundo o seu carisma e vocação.
Inseridos, pelo baptismo, na comunhão dos filhos do Reino, no Corpo Místico de Cristo, vamos padres e leigos levar a mensagem com dignidade, fundamentalmente iguais perante Deus, fundamentalmente iguais perante a natureza humana. Para satisfação e salvação, peregrina e vocacional, conforme Jesus a assumiu. Os leigos, no mundo, têm eles a facilidade de sacralizar a família, o trabalho e a comunidade, não como quistos, mas na diversidade da unidade através da Legião de Maria, Vicentinos, Coralistas, catequistas, administradores, consultores, comissões de Pais, animadores, asseios e limpezas. Aos padres cabe o mesmo, mas o seu objectivo fundamental é acompanhar com a Palavra, alimentar com a Eucaristia, e salvar em Jesus Cristo o Homem caído.
Aliás, o Projecto de Deus sempre foi este, desde Adão e Eva, uma comunidade de Homens livres. Desde Abraão que, pela fé, fez a Comunidade dos Crentes; desde Moisés que pela lei fez a Comunidade Libertadora; desde os Profetas, que pela palavra, fizeram a Comunidade da Diáspora se preparar para receber Cristo. Pelos Apóstolos, chegou às pequenas comunidades, e só depois à Igreja, Povo de Baptizados, povo da Eucaristia e povo missionário (missa = enviado) até à Plenitude que será a Comunhão dos Santos.
Numa Comunidade envolvida em Sínodo Diocesano, a evangelização talvez seja o fundamental, porque a maioria dos cristãos não sabe sequer o que é um Sínodo, porque se o soubesse, e conhecesse a co-responsabilidade que os documentos conciliares lhes confere, iria trazer muitos efeitos de renovação, de Igreja nova, de homem novo, a começar pelos padres, até ao mais simples dos fiéis. Se assim fosse... os alheios ou não crentes poderiam sentir algo que os fizesse reflectir.
Vamo-nos contentando com o que se passa na sacristia?!...”
P.e Coutinho
A Paróquia e a Demografia
“Há vinte e cinco anos esta Paróquia tinha pouco mais de mil fogos e hoje tem mais de quatro mil.
Nada acontece para muita gente. Mas se olharmos à nossa volta verificamos que o litoral cresce em população contra a desintegração do interior.
Será que uma coisa destas pode deixar-nos a todos de mãos cruzadas a deixar que tudo corra como corre, sem regras, sem sugestões para um desenvolvimento harmonioso, também no interior. Isto mesmo no aspecto político.
Bom, mas o que aconteceu já não vai acontecer para gáudio de alguns porque o índice de natalidade desceu. Será esta a solução mais adequada e mais justa?
Vejamos na nossa cidade o seu crescimento populacional de há 25 anos para cá... Nas paróquias da cidade (Areosa, Meadela, N.ª Sr.ª de Fátima, Darque, Monserrate e Socorro).
Se formos um pouco mais além, vejamos o que aconteceu em Barroselas, Lanheses, freguesias do concelho para além de outras...
Não fiquemos por aqui, o que aconteceu, de há 25 anos para cá, nas vilas da nossa Diocese.
A nossa Diocese não é a mesma, os nossos arciprestados não são os mesmos, as nossas paróquias não são totalmente iguais.
O Concílio Vaticano II já foi há mais tempo e os documentos conciliares obrigam-nos a não ficarmos impassíveis com as mudanças sociais, os problemas novos da sociologia humana.
Quando passei algum tempo como arcipreste de Viana do Castelo tive oportunidade de organizar um convívio de sacerdotes do arciprestado. E à sombra dos pinheiros, junto à Urbanização Nova que se encontrava em construção na Praia da Amorosa, foi feita uma reflexão sobre a demografia das nossas paróquias, vilas e cidade. Isto levantou uma série de problemas pastorais reflectidos ali quanto ao acolhimento, quanto às iniciativas novas para poder atingir pastoralmente esta mobilidade de pessoas. Uma das questões foi até aos espaços litúrgicos na cidade e vilas ou paróquias. Por fim, na qualidade de arcipreste, fiquei de ser o porta-voz junto do Bispo em nome dos padres do Arciprestado para lhe comunicar a necessidade de se criar uma equipa pluridisciplinar, composta por Teólogo da Teologia Pastoral, Sociólogo, Engenheiro do Ambiente, Engenheiro Civil e um Arquitecto, para que, a nível diocesano, pudesse acompanhar os planos de pormenor concelhios ou os, na altura, P.D.M., para que estudando em equipa juntamente com os párocos, envolvidos em desenvolvimento demográfico inesperado, fossem ajudados a que a dimensão religiosa duma povoação, paróquia, vila ou cidade em que a maioria é católica, não fosse esquecida.
Deste modo, há mudanças do centro de gravidade, deslocamentos populacionais, as igrejas longe das povoações ou tão pequenas que não favorecem o empenhamento pastoral, a descoberta de respostas futuras para os problemas que já são de hoje, ou já eram de ontem.
Este é um problema de hoje, depois... há paróquias que não conseguem terreno para uma igreja, por exemplo, não é preciso ir mais longe, vejam o que aconteceu à Paróquia de N.ª Sr.ª de Fátima que, por este ou aquele motivo, ninguém compreendeu o pároco actual, nem aqueles com quem ele trabalhou e trabalharam a não ser o Dr. Defensor Moura, actual Presidente da Câmara Municipal que mesmo sem audiências de 30 pessoas, resolveu o problema...
Para já esperamos!... porque para outros lados, incluindo religiosos, as coisas parecem não ser tão prioritárias como deviam... uma Paróquia que nasceu em 1967 que se pensava numa residência, numa igreja nova, mas as coisas se interessavam a uns, não eram convenientes para outros. Vejam agora o deslocamento da igreja em relação à população em geral. O que fazer e como fazer acolhimento a tanta gente que aqui chega?
Há uns anos tentei participar no colóquio nacional de paróquias. Só estive um dia, mas gostava de continuar. Nem sempre me condizia com o meu programa de pastoral paroquial. Este ano, por motivos de saúde, não participei no Colóquio Europeu de Paróquias, como tanto gostava, na Suíça, de 6 a 10 de Julho, no seu já 22º colóquio.
Uma das conclusões é que as Paróquias continuam a manter estruturas passadas perante as transformações que se dão na sociedade de dia para dia.
As Paróquias, os Arciprestados e as Dioceses têm que continuar a oferecer ao homem de hoje o espiritual, a oração, a vida interior que tanto o homem procura, mas não pode ficar só por aqui. Tem de ser criativa para quebrar a rotina que o homem não gosta, a paróquia tem de ser criativa e oferecer oportunidades a todos os que se dizem paroquianos, tem de ser lugar para a festa, para o perdão, para a fraternidade e para a reconciliação. Não se pode fechar na sacristia ou reduzir-se a festas com sermões ou pregações.
Uma Paróquia que não proporcione ou não esteja atenta àquilo que é capaz de unir os paroquianos nos mesmos objectivos de fé, é paróquia que tende a morrer.
Dizia aqui noutra local que a Paróquia ou volta a ser aquilo que era no princípio ou, então, não há razão para existir e ir resistindo ao tempo, apenas para constar e fazer parte das estatísticas, também não vale a pena.
É claro que a evolução social e o crescimento demográfico, as novas vias rodoviárias, a democratização da cultura e da mentalidade corrente oferecem problemas novos não só aos políticos que agora querem ser concelhos e não o são.
O que acontece na política, por conta dos votos, não pode acontecer na Igreja, mas a Igreja às vezes peca em retardar demais ao ver que o padre não responde às exigências pastorais duma determinada Paróquia, não é sinal eficaz da presença da Igreja naquele local, a Igreja não tem resposta para poder beneficiar da qualidade de vida religiosa de muitos que ficaram isolados, longe da sua igreja paroquial...
O facto da Igreja ter em conta a evangelização, a celebração e a partilha fraternal, identidade cultural e religiosa não serão os únicos meios, ou argumentos, que podem levar um Bispo a exercer a competência da erecção de uma Paróquia quer lhe dê um padre ou um diácono; já que os padres podem escassear.
Os bispos como co-responsáveis que são na vida da Igreja tudo devem fazer para que a autoridade competente sinta a necessidade de uma acção eclesial mais eficaz. É importante hoje mais que noutros tempos a relação pessoal Bispo e Padre com o seu povo como elemento determinante para a fundação de uma Paróquia ou Diocese.
Caso contrário não se precisa de padres, bastam os diáconos e um Bispo, mas não creio que essas medidas evangélicas, sejam verdadeiramente proféticas para a fé dos nossos crentes.
Paróquia, volta àquilo que foste, lugar de culto, de fraternidade, de perdão e de festa e voltarás a ser alfobre de vocações a nascerem nas famílias.
Volta a ser comunidade aberta às outras comunidades, tenham elas os carismas que tiverem, desde que o Espírito seja o mesmo.”
P.e Coutinho
A Paróquia e o Domingo
“Não foi por acaso que, ao sétimo dia, Deus descansou, segundo o livro do Génesis. É de direito divino descansar ao menos um dia em cada semana. O Homem encontra-se consigo mesmo, com Deus e com os outros.
Desde o nascimento da Igreja, os primeiros cristãos começaram a celebrar o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição do Senhor, com cânticos dos salmos e leituras, começando depois a celebrar também a Eucaristia, o partir do pão e a bênção do mesmo, segundo a ordem de Jesus.
Como à Paróquia presidia um Bispo, era a comunidade maior sediada nas cidades, só quando passaram para o campo e mais tarde, pelo séc. III ou IV, atingiram as terras mais longínquas, aí surgiram Paróquias sem bispo, presididas por um presbítero ou diácono, umas com pia outras sem pia, isto é, umas com direito a baptizar e outras não, pois o ideal era sempre que alguns sacramentos, como os de iniciação cristã, fossem administrados pelo Bispo que, então, na igreja da cidade onde presidia, era já a diocese.
O Domingo foi sempre um dia sagrado para os cristãos, dia de oração, de missa, de encontro, de festa, de partilha, de fraternidade, de solidariedade, dia da família.
Criaram-se costumes interessantes que bem manifestam a importância do Domingo.
Antiga mente a roupa de Domingo era diferente da roupa da festa e da semana. A roupa era normalmente comprada para a “festa”, passava a ser a roupa domingueira e depois era a roupa da semana ou do trabalho.
Ao Domingo comia-se melhor, mas do que havia em casa, o chouriço, o presunto ou o toucinho ou outra parte do “frigo”, a salgadeira.
A carne de vaca ou da melhor rês do rebanho era coisa que se usava apenas nas festas.
Era ao Domingo que as pessoas reservavam tempo para ir à missa e, no final, encontravam-se com os amigos. Quando estes estivessem doentes havia que destinar tempo, na tarde de Domingo, para os visitar, em casa, ou no Hospital.
Um outro tempo do Domingo era passado em família e, muitas vezes, um almoço mais demorado, talvez um piquenique, juntava-se a família. Os casados visitavam os seus progenitores, juntando-se muitas vezes os irmãos em grande cavaqueira na casa paterna até altas horas da tarde.
Era um ritual que o Domingo trouxe para além do descanso, convívio familiar, encontro com Deus na Oração ou na Eucaristia, enfim, o encontro com os outros amigos da mesma terra que normalmente ao sair da missa havia mais uns minutos de cavaqueira, com este ou com aquele, porque todos eram conhecidos e viviam na mesma terra, às vezes com os mesmos problemas.
Não era difícil esses momentos serem também momentos de decisões importantes, de acordos, para a comunidade, e às vezes com a “bênção” do padre, outras vezes, ocasião para coisas em contrário à harmonia.
Ao Domingo também era o dia destinado para o passeio ou para a romaria...
Mas, para um cristão, Domingo sem missa, não era Domingo e consideravam o maior dos pecados porque era apenas uma questão de tempo, e o tempo Deus dá-o de graça.
A missa era assim como o principal elo de união entre os paroquianos à volta do seu pároco. Dela as pessoas voltavam mais alegres e felizes a casa, por terem encontrado o transcendente, o absoluto, o divino e tendo-o comungado, voltam às suas casas, a comungar do bem ou do mal, que muitas vezes descobriam com os amigos, no fim da mesma.
Por isso, o Domingo não é um dia qualquer para uma Comunidade Cristã, como deve ser uma Paróquia.”
P.e Coutinho
1967 – 1992
PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
VIANA DO CASTELO
I
É TEMPO DE REFLEXÃO NA PARÓQUIA
A nossa reflexão e participação vai ser enriquecida com a experiência consciente e com a colaboração pessoal de cada um.
Vamos dialogar para que juntos possamos discernir o caminho. Será esta a melhor maneira de ser Igreja, de ser comunidade paroquial.
Assim, pouco a pouco, podemos ir descobrindo que a Igreja é uma família de filhos de Deus, irmãos dos Homens, especialmente atentos a servir os mais desprotegidos, chamados a mostrar o rosto de Deus no mundo e eleitos para transformar a sociedade à luz do Evangelho e do Concílio Vaticano II.
Todos animados pelo mesmo espírito, unidos na mesma oração, juntos à volta da mesma mesa de reflexão e diálogo, estamos a viver a gozosa experiência pascal destes 25 Anos de Paróquia.
II
MODELO DE IGREJA DE ACORDO COM O VATICANO II
A igreja é concebida como «POVO DE DEUS», comunidade de crentes guiada pelo Espírito Santo:
a) Centrada na mensagem de Jesus, no espírito das Bem-aventuranças.
b) Evangelizada e Evangelizadora.
c) Coerente com o que prega.
d) Orante.
e) Fraterna na relação corresponsável entre pastores e leigos
f) Profética porque proclama a palavra de Deus para a libertação, denuncia as injustiças, solidariza-se com os que sofrem e luta por transformar a realidade.
g) Encarnada na realidade social, comprometida com os mais necessitados e ao serviço deles.
III
É TEMPO DE ACÇÃO NA PARÓQUIA
OBJECTIVOS A ATINGIR COM A CELEBRAÇÃO DOS 25 ANOS
* Sensibilizar a comunidade para a participação e vivência.
* Valorizar o espírito comunitário de partilha, de festa e de perdão.
* Incentivar à integração de todos na família paroquial, célula da Igreja Universal.
* Criar a necessidade de viver a fé na vida e a vida na fé em atitude coerente e assumida.
* Proporcionar um conhecimento mais detalhado da actividade já desenvolvida.
* Valorizar a cultura e os recursos naturais desta comunidade.
Para o efeito, importa promover acções formativas e celebrativas, animadoras à participação de todos.
Assim, o programa foi aceite do seguinte modo:
IV
PROGRAMA
1. Reflexão a partir do modelo de igreja, à luz do Vaticano II (Março a Junho).
2. Espaços de Oração para crianças, adolescentes e adultos, sobretudo na Quaresma.
Criação de grupos de Oração para os diversos níveis etários.
3. Celebração do Dia do Pai
21 de Março – Colóquio no Salão Paroquial, às 21h00, «O PAI NA FAMÍLIA»
22 de Março – Celebração Litúrgica (09.30h)
4. Festa Pascal da Família
3 de Abril – Mesa Redonda com a participação dos jovens e adolescentes no salão Paroquial às 21h00.
5 de Abril – Comunhão Pascal às 11h30.
5. Queimada do Judas (18 de Abril – Junto à Igreja)
6. Medalha Comemorativa (Maio)
7. Celebração do Dia da Mãe
2 de Maio – Colóquio no Salão Paroquial, às 21h00, «A MÃE NA FAMÍLIA»
3 de Maio – Celebração Litúrgica (09h30)
8. Exposição Retrospectiva dos 25 anos (Salão Paroquial – 6 a 12 de Maio).
9. VIGÍLIA DA PADROEIRA. Procissão de Velas, no dia 12 de Maio.
10. Dia da Padroeira
19h15 – Missa e renovação da Consagração da Paróquia a Nossa Senhora.
20h30 – Jantar Convívio.
11. Exposição Etnográfica
7 a 12 de Setembro – Abelheira.
12. Teatro. Revista dos 25 anos (Outubro)
13. Concurso a nível do Primeiro ciclo do Ensino Básico, em expressão plástica e(ou) literária. A PARÓQUIA VISTA PELAS CRIANÇAS.
14. Berço de Nossa Senhora das Necessidades (Abertura)
15. Criação duma Ludoteca e Mediateca (Novembro)
16. Exposição Mariana (Selos/Postais).
4 a 8 de Dezembro, Salão Paroquial.
17. Dia 8 de Dezembro, às 14.30h. Sessão Solene de Encerramento.
Paróquia de Nossa Senhora de Fátima
4900 Viana do Castelo
Tel./Fax: 058 823029 (Cartório)
25 ANOS DE PARÓQUIA
As Comemorações Jubilares dos 25 ANOS da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima estão a meio do seu programa e atingiram o seu ponto alto, como era de esperar, na festa da Padroeira.
Conforme foi largamente difundido pela imprensa, a Imagem de Nossa Senhora de Fátima peregrina percorreu os bairros novos de maior densidade populacional e, no dia 12, terminou com uma procissão de velas que saiu da Capela da Senhora das Necessidades para a Igreja Paroquial.
Esta acção levou os moradores das ruas, largos e praças a fazerem tapetes de flores, grandes obras de arte que há muitos anos se faziam na Abelheira, aquando da visita do Senhor aos Enfermos. Desta vez, a iniciativa começou pela Urbanização Capitães de Abril estendendo-se a todo o lugar da Abelheira, Urbanização Bela Vista, Senhor do Alívio, Senhora das Necessidades, Largo do Bairro do Jardim e Bandeira.
Em todos os actos, foram inúmeros os participantes, de um modo especial no dia 12, com um acompanhamento nunca visto numa procissão do género.
Foram vários os oradores como o P.e António Gonçalves (Carmelita), P.e José Ribeiro, P.e Dr. Barbosa Moreira e P.e Dr. Alípio Lima.
Houve muitos foguetes e fogo de artifício, principalmente no dia 12.
No dia 13, às 19h15, houve uma celebração dos 75 ANOS do aparecimento de Nossa Senhora, em Fátima, com vários sacerdotes, colaboradores na Paróquia, e, no final, a partilha de um gigantesco bolo confeccionado, para o efeito, por uma jovem catequista, Fátima Cambão, aluna de Turismo no Instituto Politécnico de Gestão e Turismo, em Viana do Castelo. Tudo foi devidamente acompanhado por música e uma iluminação muito original. Após a partilha, seguiu-se, pela noite dentro, um convívio paroquial no Centro Social.
Encerrou também no dia 13 a exposição retrospectiva dos 25 ANOS da Paróquia, a qual mereceu o maior interesse por parte de muitas centenas de pessoas, inclusive do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo.
Entretanto, no âmbito destas comemorações, estão a realizar-se as antigas marchas populares do Bairro da Bandeira e do Jardim, assim como o concurso, a nível do Ensino Básico, subordinado ao tema “ A PARÓQUIA VISTA PELAS CRIANÇAS”.
13/05/1992
GÉLITA
NOSSA SENHORA PEREGRINA NA ABELHEIRA
Prezado Amigo:
A população da Abelheira acedeu, alegremente, à sugestão do P.e Coutinho de assinalar os 25 ANOS da Paróquia fazendo com que a sua Padroeira – NOSSA SENHORA DE FÁTIMA – peregrine desde o dia 8 até ao dia 12 de Maio, de acordo com o programa em divulgação.
No dia 9, o Andor da Virgem sai da “Urbanização Capitães de Abril”, pelas 21h30 e vem para a Abelheira. Aqui será acolhida na Cave do Lote 14 da “Urbanização da Bela Vista”.
Reina em todos um grande entusiasmo e satisfação com esta iniciativa. É grande o propósito de um empenho sério para que esta peregrinação seja um êxito e se traduza numa grande jornada de louvor a Nossa Senhora, de cujas aparições em Fátima ocorre este ano o 75º Aniversário e que temos a graça de louvar como Patrona principal desta paróquia.
Sugerimos a participação de todos nesta manifestação de Fé, ainda que tal signifique e exija algum sacrifício que, estamos certos, ninguém deixará de oferecer. Esse sacrifício será gratidão pela existência desta paróquia e súplica para que nunca nos falte a protecção e a benção maternal da Senhora que vamos homenagear publicamente.
Em Igreja, e numa perspectiva de salvação, Nossa Senhora é Mãe. É assim que a sentimos e chamamos.
À Mãe nunca se diz “Não!”, ou seja: a Mãe é sempre a última pessoa cuja vontade deixamos de fazer (se é que alguma vez somos capazes de contrariar a vontade da nossa Mãe).
Em momentos difíceis, a Mãe é a primeira por quem chamamos e a última que esqueceremos no mundo das nossas recordações.
É sempre com muito amor e carinho que participamos na festa da Mãe. Da Mãe da Terra. Vamos fazer o mesmo com a nossa Mãe do Céu. A Mãe das nossas Mães.
Mês de Maio é Mês de Maria.
Mês da Mãe. Mês da Festa.
Vamos dizer SIM.
Vamos participar com alegria num dia de festa para a Mãe.
Presentes, vamos rezar, cantar e aclamar um esforço solidário de testemunhar o grande amor da nossa vida de Cristãos Católicos (mesmo que não ou pouco praticantes).
Contamos consigo e com todos os da sua casa!
Momentos principais do programa:
Dia 9 – 21h30 - Procissão de velas dos Capitães de Abril para a Abelheira e respectivo acolhimento na Bela Vista.
Dia 10 – 10h30 - Celebração da Eucaristia na Bela Vista.
18h30 - Mês de Maria para toda a paróquia, na Bela Vista.
20h30 - Oração Solene do Terço e Consagração.
21h30 - Levar Nossa Senhora, pela Socomina, para a Capela do Senhor do Alívio.
* Ao longo do percurso, acendam-se velas nas janelas e enfeitem-se as varandas e sacadas com colchas e flores.
* Convidam-se todas as crianças e adolescentes para se juntarem, em alas, para a chegada do Andor à Bela Vista, a fim de, sobre ele, lançarem pétalas de flores, que devem trazer em cestos e sacos.
* Para a Missa das 10h30, solicita-se a comparência de todos uns minutos antes para se fazer um ensaio dos cânticos.
* Pensou-se fazer, no interior da Urbanização, um tapete com flores para o dia da chegada à Bela Vista. O Andor entra na Urbanização da Bela Vista e segue, pela direita, para o Lote 14. À saída, acabará de dar a volta ao Bairro, saindo do Lote 14 pela direita.
* Para ornamentação e para o tapete, pede-se a colaboração de quem puder comparecer na tarde de Sábado, entregando verdes e flores no Lote 14.
* Se puder e quiser (tendo para isso boa vontade), inscreva-se para participar em turnos de oração, para que Nossa Senhora nunca esteja só, fechada numa cave, sobretudo durante a noite. É um acto de coragem e de sacrifício.
* Inscreva-se, também, para ajudar a transportar o Andor de Nossa Senhora de Fátima entre os Capitães de Abril e a Abelheira.
* No dia da saída, convidam-se novamente todas as crianças para formarem alas à saída de Nossa Senhora e atirarem sobre o Andor pétalas de flores.
* Para qualquer informação, contactar a Paróquia.
Prezados Amigos:
Venham.
Venham todos. Vamos fazer uma festa.
Venham à esta festa da MÃE.
Vamos festejar Nossa Senhora de Fátima e confiarmo-nos a Ela, sob a sua protecção, ao amor misericordioso do nosso Pai do Céu de quem imploramos benção nestes 25 ANOS da nossa Paróquia.
Muito obrigado a todos.
06/05/1992
Pela Comissão,
(António P. De Carvalho )
25 ANOS DE PARÓQUIA
CONVÍVIO PAROQUIAL
30 de Agosto de 1992
Local: No quintal da casa natal do vosso pároco, P.e Artur Coutinho
10h00 – Acolhimento e preparação para a Eucaristia.
11h00 – Eucaristia.
12h00 – Almoço típico com ambiente musical para animar o convívio, até às 15h00.
* Aparece!
* É o primeiro que se faz, no género, a nível Paroquial!
* Há meio de transporte gratuito a partir da Igreja, às 9,30 h.
* Os que quiserem podem ir preparados para, a partir das 15h00, fazer praia no rio Lima - na veiga de S. Simão.
* Também pode fazer equitação.
OBS.:
Este convívio destina-se a todos os que têm compromissos paroquiais em movimentos, obras ou comissões. No entanto, requer inscrição no Cartório, ou a entregar ao Sr. Simões, da Legião de Maria.
Precisamos de saber até 20 de Agosto quantos os interessados, como é óbvio, para preparação do almoço. É gratuito. Oferta do Pároco e familiares.
Paróquia de Nossa Senhora de Fátima
Contribuinte n.º 501 171 762
Rua da Bandeira, 639
4900 VIANA DO CASTELO
Cartório: Tel. / Fax - 058 823029 – Centro: 058 824722
Infantário / Berço: 058 821510 – Ozanan: 058 821538
Paroquianos:
Conforme é do conhecimento geral, no próximo dia 8, às 15h30, será a festa do Encerramento das Comemorações dos 25 anos da Paróquia.
A vós, que aqui sempre vivestes ou que aqui viveis há mais de 25 anos, há alguns anos ou mesmo há alguns dias, gostaria de vos comunicar que seria, para mim, um motivo de grande alegria ver a comunidade paroquial toda reunida, em comunhão, a participar neste acto de encerramento das comemorações.
Aliás, espero que ele seja mais que um encerramento, anseio que seja o início de uma nova era na pastoral desta comunidade, à qual me entreguei, em 2/9/1978, para fazer comunhão convosco na comunidade diocesana presidida pelo nosso Bispo D. Armando.
Todos temos procurado realizar aquilo que é possível no culto, na catequese e na acção social, quer sob o aspecto cultural, quer sob o aspecto da caridade e da solidariedade.
Venho, por isso, convidá-lo(a) a que, de algum modo, participe nesta celebração, pela qual muito nos prezamos.
Esperando a melhor atenção de cada um de vós, se subscreve desde já o vosso pároco e amigo.
15/11/1992
P.e Artur Coutinho
COMEMORAÇÕES DOS 25 ANOS DE PARÓQUIA
PROGRAMA DE ENCERRAMENTO
Dia 2 de Dezembro
– Abertura da Exposição de Postais e Selos Marianos
Dia 8 de Dezembro
* 14 h 00 – Entrada de uma famosa Banda de Música e concertos até às 15 h 20.
* 15 h 30 – Eucaristia e Administração do Crisma.
* 17 h 00 – Em frente à Igreja, partilha dum bolo monumental de aniversário e brinde com champanhe.
- Concerto pela Banda de Música até às 18.00h.
- Encerramento da Exposição de Postais e Selos Marianos.
A PARÓQUIA VISTA PELO PADRE COUTINHO
“O pastoreiro de paróquias pequenas requer um tratamento singular, diferente do que lhe temos dispensado até ao presente.
É conhecido o bairrismo exagerado das respectivas populações que defendem a sua manutenção como paróquias. Mas, na realidade, elas não representam mais do que pequenos lugares duma comunidade maior. No futuro, não fará sentido dizer-se que este ou aquele sacerdote tem a seu cargo 3 ou 5 ou 7 paróquias, mas uma comunidade paroquial, distribuída por vários centros. (...)
Esta indispensável mudança só será positiva se dispusermos de alguns leigos capazes de assumir maiores responsabilidades nessas pequenas comunidades cristãs. (...) A supervalorização das capacidades da razão humana, a absolutização dos métodos positivos do saber, a relativização dos valores, a concepção individualista da vida, a superocupação das pessoas centradas na produção e consumo de bens materiais, provocaram profundas mudanças na sociedade e nas pessoas. Afectam o modelo e as funções da célula familiar sobretudo com o trabalho feminino fora de casa, que saudamos, apesar dos desafios que levanta. Enfraquecem as motivações religiosas dos indivíduos e embotam a sensibilidade aos valores consistentes nos quais se incluem os valores religiosos e tudo o que aponta para o transcendente.(...)
Evangelizar dentro duma cultura secularizada, pode ter dificuldades acrescidas, mas deve despertar em nós um desafio entusiasmante.”
“Agora, às nossas comunidades cristãs estão a chegar imigrantes, vindos de países africanos ou de Leste, da América Latina ou simplesmente da União Europeia. Temos uma missão a cumprir para com eles.”
(Esse fenómeno) “requer tratamento pastoral próprio que passa pelo bom acolhimento, pelo respeito pelas diferenças culturais e mesmo religiosas, pela ajuda na aprendizagem da língua e na escolarização, pela colaboração no superar de outras carências como a procura de habitação, a congregação de toda a família, etc.”
“O pluralismo religioso, que se tornou uma das características da cultura do nosso tempo, até há pouco inexistente entre nós, será uma realidade presente em grande parte das nossas comunidades paroquiais. O fenómeno da mobilidade e a omnipresente comunicação social que traz até nós as diferentes experiências de vida e de crenças, põem-nos em contacto com pessoas de outras culturas, vivências religiosas, tradições e formas de manifestação religiosa. (...)
Um são e esclarecido ecumenismo favorecerá a convivência entre as pessoas, a tolerância e respeito mútuo pela vivência religiosa dos outros e a descoberta e assimilação daqueles valores de que essas Igrejas também são portadoras (...) Por motivos diferentes, mas com igual delicadeza e caridade, devemos manifestar estima pelas principais religiões não cristãs historicamente fundamentais como são: o Judaísmo e o Islamismo, religiões monoteístas, e ainda pelo Budismo, não só pelo elevado número de praticantes que congrega mas também porque ele «constitui um grande acontecimento da história».”
“Aos fiéis leigos – é nossa convicção – está reservada uma missão de evangelização desta cultura contemporânea marcada pela secularidade. (...)
Vós, melhor do que ninguém, podeis marcar presença junto dos vossos contemporâneos. Conheceis e utilizais a mesma linguagem, usufruís das mesmas ou semelhantes experiências de vida, ao nível pessoal, da família, do mundo do trabalho, da produção e consumo, dos locais de lazer, do sagrado e do profano. Tendes a experiência do positivo e do negativo da modernidade.”
“A paróquia não mais subsistirá como mundo fechado sobre si próprio. O pastor que não se abra à coordenação supra-paroquial perde, em boa parte, a capacidade de cumprir a missão de despertar o desabrochar da fé dos seus paroquianos e de alimentar o seu crescimento. A coordenação a nível de unidades pastorais, envolvendo várias paróquias com relações sociológicas de proximidade, a nível de zona, de arciprestado ou a nível diocesano, constitui um imperativo indispensável para a eficácia e frutuosidade da evangelização.”
“Tudo leva a crer que se venham a introduzir entre nós as celebrações da fé orientadas por Diáconos permanentes ou por leigos de reconhecida formação e competência. Urge promover a sua formação humana, teológica e pastoral.”
in Carta Pastoral de D. José Augusto Pedreira
(nos 25 anos da Diocese)
Já em Julho, no Conselho Paroquial de Pastoral, foi sugerida a realização de uma Missão Popular na Paróquia, neste ano de Pastoral. Voltou a ser discutido o mesmo assunto na última reunião de Outubro, por ocasião da apresentação, apreciação e aprovação do Plano de Pastoral para este ano, mas ninguém incluiu esta iniciativa e continua em discussão, o que não impede que ela seja uma realidade ainda este ano de pastoral.
Tudo indica que a acção, por aqui ou por acolá, seja uma realidade na Paróquia de N.ª Sr.ª de Fátima. Há necessidade de uma sacudidela especial e a Santa Missão é um tempo especial de intensiva e extensiva evangelização, de retiro espiritual popular, um tempo de misericórdia, de diálogo eclesial, de ecumenismo e de serviço pastoral e fraternal.
Qual o sentido a dar à vida e à história, assim como descobrir o mundo em que vivemos como sujeitos, os anseios que sentimos, a descoberta de respostas, o motivo da nossa fé cristã e o sentido da Comunidade serão objectivos que nos orientarão na estratégia para a eficácia da Missão.
O Conselho Paroquial de Pastoral e a Diocese em Sínodo
“O primeiro documento para estudo, ou para trabalho, distribuído pelo grupo dinamizador diocesano pelos organismos e movimentos não foi muito fácil de digerir pelos responsáveis da pastoral paroquial, devido à profundidade teológica das questões.
Os objectivos não foram talvez, por isso, alcançados na sua plenitude, mas é possível que valessem por si, para pôr os crentes mais responsáveis a reflectir e a tirar uma conclusão: falta algo importante para a caminhada- -formação e conversão.
Prevendo esta conclusão, já em Julho de 2002, no Conselho Pastoral Paroquial, foi lançado por mim um repto aos conselheiros: nunca poderemos ir longe se não houver um trabalho de base, e esse trabalho, penso eu, é incluir no programa de pastoral para 2003 um Missão Popular na Comunidade. Há necessidade de uma sacudidela especial e a Santa Missão é um tempo especial de intensiva e extensiva evangelização, de retiro espiritual popular, um tempo de misericórdia, de diálogo eclesial, de ecumenismo e de serviço pastoral e fraternal.
No fundo é isto que a Diocese quer em Sínodo e que uma paróquia deve procurar.
Uma Missão Popular ajuda a dar sentido à vida e à história, assim como a descobrir o mundo em que vivemos como sujeitos e os anseios que sentimos, as respostas que procuramos. O motivo da nossa fé cristã e o sentido da Comunidade serão os objectivos que nos orientarão na estratégia para a eficácia da Missão. Entendo que a Missão Popular seria uma rampa de lançamento e para a tornar mais renovada, convertida, comprometida e atenta aos reptos que vêm de cima, isto é, aos frutos dos trabalhos duma Diocese em sínodo. Houve discussão, e nenhum organismo ou movimento mais falou nisso, nem a isso se referiu na apresentação dos programas do Ano Pastoral.
Voltou a ser discutido o mesmo assunto na última reunião de Outubro, por ocasião da apresentação, apreciação e aprovação do Plano de Pastoral para este ano, mas ninguém incluiu esta iniciativa, o que não impede que ela seja uma realidade ainda neste ano de pastoral.
No próximo C.P.P. vamos ter testemunhos diversos de crentes atingidos por Missões Populares e por evangelizadores com diversas metodologias, com métodos verdadeiramente missionários de evangelização para os tempos de hoje.
Muitos poderão achar difícil, mas não é com coisas fáceis que se consegue viver sempre em tempo de páscoa.
A Ressurreição, Fundamento da nossa fé, custou um calvário bem mais doloroso.”
P.e Coutinho
O Conselho Económico Paroquial
“O Conselho Económico Paroquial ou, mais comummente conhecido por Comissão Fabriqueira, é o órgão que administra os bens, zela o património da Comunidade, responde por ele, desenvolve-o, regista-o e guarda-o. Dele dá contas à Comunidade e ao Bispo.
A este Conselho Económico preside, por natureza, o pároco coadjuvado por um grupo de leigos, onde há um secretário e um tesoureiro, ouvindo a comunidade através de pedidos de sugestões, ou eleições, conforme o pároco entender, pois ele tem um papel preponderante nas opções a fazer.
Reúne uma vez por mês ou mais, conforme as necessidades da Comunidade.
Numa comunidade pequena não será preciso tanto, mas quanto maior for a comunidade e a actividade desenvolvida por ela, pode levar a reuniões mais frequentes. Tudo depende do trabalho desenvolvido e dos bens patrimoniais.
Numa Diocese em Sínodo, nesta altura, parece que o que se deve procurar incutir a um C.E.P. é a uma maior abertura, não só à comunidade em si (paroquial), como também e, sobretudo, ao exterior, a começar pela Diocese.
A Igreja Diocesana é uma família. Ou não é? Eu acredito que é uma família, por isso os C.E.P.(s) devem estar abertos às partilhas a favor da Diocese como Igreja Mãe, Igreja Plena com o Bispo à frente e aberta às C.E.P.(s) das outras comunidades, sobretudo das mais pequenas ou com dificuldades e com grandes obras urgentes a fazer.
Não pode um C.E.P. considerar-se feliz, se outro, ao seu lado, porque é uma comunidade mais pobre, está em dificuldades sérias ou tem uma igreja a cair porque, de facto, os paroquianos são tão pobres que não podem sequer conservar o que têm de comum. Isto, a propósito do C.E.P., penso-o de igual modo a partir do Conselho Económico Diocesano ao qual preside o Bispo, que deve partilhar com as paróquias com evidentes necessidades.
Não posso esquecer que um incêndio deflagrou numa sacristia duma Igreja. Não faltou solidariedade e recordo um C.E.P., de Paróquia vizinha, que deu uma contribuição sem que tenha sido pedida. Esta abertura à solidariedade, numa situação destas, não é difícil, mas aquilo que mais sensibilizou foi a comunhão entre duas comunidades. É claro que os paroquianos contribuíram e até houve pessoas, completamente alheias a ela, que quiseram participar.
Uma Diocese em Sínodo, é uma diocese em mudança. Daí que, nesta área, também o C.E.P. se deve abrir à mudança e a dar testemunho de pertencer a um conjunto de famílias, sujeitas a uma só família que é a Diocese, célula, por sua vez, de uma grande família eclesial a que preside o Papa.
Foi com agrado que se recebeu o 2º Caderno da equipa do Sínodo sobre «As celebrações litúrgicas para o cristão de hoje», caderno muito mais feliz que o anterior porque muito melhor estruturado, mais claro ,mais conciso, mais acessível ao comum dos fiéis. Está de parabéns a equipa que o elaborou.
Se o nosso C.E.P. comprou umas dezenas, foi para ajudar os mais responsáveis a reunirem-se e a estudar um tema tão caro como é para nós a celebração da fé. Não foi por acaso que o CEP ofereceu a todos os lares da Comunidade em dia de Páscoa, 3520 exemplares de um livrinho sobre os diversos passos da liturgia eucarística, preparado pelo Padre Belo e que, mês a mês, foi publicando no Paróquia Nova. Tem feito isto como um adicionante à catequese ao domicílio.
Veio mesmo a calhar porque completam-se nesta área de tão grande significado para os cristãos.”
Paróquia e a Diocese – a Unidade
“A Paróquia, tal como se apresenta na nossa realidade, é uma Instituição eclesiástica, reconhecida pela ordem civil e administrativa, não deixando de ser uma instituição social de características próprias.
A palavra “paróquia” vem do grego e significava, no início, “habitação ou reunião de habitantes”. É o primeiro nome dado à diocese no início da Igreja, havendo, por vezes, confusão entre diocese e paróquia.
Segundo Miguel de Oliveira, em «As paróquias rurais portuguesas», qualquer destas etimologias se adapta ao primitivo significado de paróquia (paroikia em grego ou parochia em latim ) que era o primeiro habitáculo que um cristão ou uma igreja cristã encontram na peregrinação terrena, a caminho da pátria celeste.
Entrou no século IV na linguagem administrativa da Igreja. A palavra pároco teve três etimologias: do grego, párokos, colono ou cultivador; do latim, parochi, funcionário encarregado de subadministrar o necessário em nome de alguém; ou ainda do grego, paroikeo que significa morar na vizinhança. O pároco tinha de morar entre os paroquianos.
Até ao século III a Catedral era a única paróquia e o bispo o único pároco. Só as catedrais tinham Pia Baptismal e só lá eram feitos os baptismos. Com o aparecimento das igrejas rurais começou a criar-se a ideia da necessidade de criar também a Pia Baptismal, para que não se tivessem de dirigir à igreja onde estava o Bispo. Aparecem assim as igrejas paroquiais, a que, por confusão, também chamaram diocese. Também este facto deu origem a chamar Pias a algumas paróquias, porque tinham igreja com pia e Paróquias eram as dioceses. Essa confusão só passou quando, de facto se começou a chamar Diocese ao território sob a admnistração dum Bispo, conjunto de Paróquias.
A palavra ecclesia, igualmente do latim, tomou do grego o sentido de comunidade regularmente reunida ou, como hoje ainda, o local sagrado onde se reúne esta assembleia, com certa regularidade sob a direcção do chefe, em nome do Bispo. Na Igreja, enquanto ajuntamento dos fiéis, “filius” (filhos), nascerá o termo freguesia, o mesmo que agrupamento dos filhos da Igreja. A Freguesia, normalmente, era uma Paróquia. Hoje há Freguesias que têm mais que uma Paróquia, como no nosso caso - Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, freguesia de Santa Maria Maior, com a igreja matriz, hoje catedral ou Sé (Sede) do Bispo.
Uma vez que somos Paróquia autónoma e não freguesia, então não utilizarei freguesia, mas Paróquia, palavra esta que começou a ser usada com o significado que tem, depois do Concílio de Trento.
A Paróquia é hoje a divisão mais pequena, a célula da divisão territorial da Igreja, da Diocese, e define-se como: pessoa moral, jurídica, nascida por um acto da autoridade eclesiástica competente, uma vez que tenha povo e território, pároco e igreja, para a cura de almas. Com este acto vem o benefício eclesiástico, com dotes para a manutenção de lugar sagrado e para sustentação do sacerdote instituido de modo permanente e subordinado ao Bispo. Surgem paróquias urbanas e rurais.
A nossa paróquia foi um acto de D. Francisco Maria da Silva, Arcebispo de Braga, em 1967. Consta que na mesma altura criou também a do Senhor do Socorro. Foi a título experimental a do Senhor do Socorro e com carácter definitivo a de Nossa Senhora de Fátima. O decreto foi assinado pelo Arcebispo, segundo testemunhos da época, mas como o mesmo não apareceu, mais tarde presumiu-se que seria também a título exprimental, sendo D. Armindo Lopes Coelho, o então 2º Bispo de Viana, que a criou definitivamente, conforme o decreto que se transcreveu no livro «A Cidade de Viana, no presente e no Passado - da Bandeira à Abelheira». Este já não se perderá.
Na origem, o Cristianismo centrou-se nas cidades e as paróquias ou dioceses eram, portanto, de carácter urbano e presididas sempre por um Bispo, sucessor dos Apóstolos. Só mais tarde as comunidades com pia baptismal começaram a aparecer no meio rural. Até aí, os aldeões eram pagãos. Pagão era rural.
Os pagãos convertidos ao cristianismo deram origem a igrejas particulares e também rurais, tendo dos fiéis serem baptizados nas igrejas do Bispo porque só aí havia pia baptismal. Depois estas igrejas particulares e também rurais deram origem às paróquias rurais, aos seus párocos também, pelo que a Paróquia rural é posterior à urbana, que era a Diocese. E as primeiras paróquias rurais não tinham todo o culto, tinham ainda os fiéis de ir à Catedral participar na maior parte dos sacramentos, como o baptismo.
Por isso não foi uma disposição legal que criou as paróquias rurais, estas foram uma exigência espontânea pela conversão dos pagãos, longe da cidade. Inicialmente, por isso, os párocos eram: residentes uns e itinerantes ou visitadores outros. Devido a isso não se sabe como nasceram e quando nasceram a maioria das paróquias. Ao mesmo tempo era uma exigência apostólica, própria da fé, ir ao Campo levar a fé e a vida de fé... para sair das cidades...
No século III, o Concílio de Elvira, na Península Ibérica, mostrou uma grande difusão territorial do cristianismo e uma organização muito desenvolvida. Nesse Concílio participaram representantes das comunidades cristãs de mais de 50 povoações, das quais 20 eram episcopais e 19 tinham, ao menos, um sacerdote à frente; três dos Bispos eram da Lusitânea.
É claro que a unidade da diocese quebrou-se com o aparecimento das paróquias rurais, não só quanto ao culto como quanto ao património. Hoje há uma preocupação enorme para que se volte tudo para a Catedral, onde preside o Bispo. Aqui também pode andar a ideia de globalização, que sendo coisa boa, também traz irremediavelmente os seus erros, dum modo particular em relação à Religião. Isto tem muita lógica, mas, muitas vezes, as horas e os espaços litúrgicos duma Catedral são pequenos para que se possa congregar tudo num só lugar à volta do Bispo. O Bispo é, de facto, a plenitude do sacramento da Ordem, é o chefe da Igreja Particular. Não há celebração nenhuma, de nenhum dos grandes momentos ou dos sacramentos da Igreja que o Bispo celebre na Catedral, em que tenham de fechar as igrejas à volta. Era bom, mas temos de ter em conta as realidades como o espaço, o momento, a predisposição das pessoas, o conforto. Não está aí uma demonstração da unidade, às vezes pode trazer enfraquecimento da vida de fé, por se querer dar a ideia que é obrigação e medo de quebrar a unidade à volta do Bispo. Ainda que para isso não haja condições e queiramos viver sempre como parasitas à custa das catedrais ou das igrejas que os outros nos deixaram.
Vejamos, por exemplo, uma crismação, em dia de Pentecostes, de 150 pessoas, com os pais, os padrinhos, já para não falar nos irmãos, nos tios, ou nos avós, não há catedral nem igreja nenhuma em Viana que ofereça as condições mínimas para uma celebração condigna, em que 60% dos familiares não poderão ser testemunhas, não poderão assistir, não poderão fazer a unidade, a não ser espiritual e à distância... É certo que também tem valor, mas humanamente falando é errado. Muitos já nem vão. Esperam em casa ou no café...
A tão desejada e justa Unidade não se faz com a multidão acotovelada ou incomodamente instalada horas e horas. Só os mais pacientes muitas vezes fazem essa “unidade”, mas quantas vezes arreliada e a dizer impropérios, nada testemunhantes de uma sadia Unidade.
Não é preciso ir muito longe. Infelizmente, encontramos isso dentro de casa, na família. Todos em casa vivem, comem e dormem, são família e quantas vezes não há comunhão autêntica, falta de verdade?...
O mesmo pode acontecer na celebração à qual preside um Bispo ou um Pároco, em que, apesar de multidões acotoveladas, de “casa cheia”, pode haver menos comunhão e verdade do que com menos multidão. Mas, com gente que livremente participa e pelo conforto até escuta a Palavra e ouve o Bispo, comunga com ele e pela fé no Maior - Jesus Cristo - vai depois para o meio do mundo com a missão de prolongar a Unidade e a Comunhão com os irmãos .
A palavra paróquia, hoje, começa a perder o seu uso normal para se chamar, aliás, aquilo que sempre foi: “Comunidade”.
Ouve-se já, na era pós-conciliar, chamar comunidade paroquial para se distinguir de outras comunidades que não são paroquiais. A Comunidade Paroquial é a Paróquia que tem um padre nomeado pelo Bispo, e as outras comunidades não têm pároco. Assim, aqui entre nós, há a comunidade do Carmo que não tem pároco, mas é uma comunidade religiosa que depende do superior da Congregação dos Padres Carmelitas Descalços. A sua Paróquia, em razão da sua localização, é a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima. O seu superior é um sacerdote, mas não tem a missão de pároco, embora colaborante como paroquiano e sacerdote, como todos os seus colegas da comunidade que nesta altura não tantos como noutros tempos.
Isso não acontece com facilidade porque à Paróquia, geralmente, está ligado um território com fronteiras e um grupo de pessoas que se identificam sócio- -culturalmente. Hoje discute-se se a Paróquia ou a Comunidade e o pároco deve estar ligada ou definida por um território ou se por um conjunto de pessoas que fazem comunidade e que, muitas vezes, podem ser de culturas diversas, de territórios diferentes, que se juntam por relação de conhecimento, amizade, relação de serviço profissional ou por uma relação vivencial da fé.
No futuro, este sentido de Comunidade é o que irá prevalecer em prejuízo do da Paróquia, ou, melhor dizendo, virá a Paróquia a ser “Diocese” com o Bispo à frente, e as Comunidades com sacerdote ou diácono designado pelo Bispo, delegado dele junto das pequenas comunidades. E as comunidades serão menos comunidades em razão do espaço, mas maiores em razão do espírito, do carisma. Assim, haverá a comunidade que se pode confundir com uma paróquia actual, mas há a comunidade religiosa que vive à volta duma igreja, duma capela, dum carisma próprio como, por exemplo, a comunidade dos carismáticos, dos neo-catecumenais, da Opus Dei, e virão depois os que são focolares, legionários de Maria, Vicentinos, etc.. Hoje tudo isso já existe, mas em função da Paróquia territorial.
A Igreja do futuro irá estar mais aberta, será mais pobre, organizar-se-á de outra maneira e a sua administração será diferente, mas talvez vivencialmente mais rica, a confundir-se com as primeiras comunidades.
As Comunidades de Base, nascidas no Brasil, foram a primeira abertura a um espírito novo da Igreja e o desconhecimento do Concílio Ecuménico, pela parte de muitos leigos e outros “hierarquicamente superiores”, a propósito da co- -responsabilidade eclesial é que vai resistindo à lufada dum “espírito novo”...
P.e Coutinho
Os Movimentos numa diocese em sínodo
“Os Movimentos duma Paróquia podem ser de origem paroquial e devem ter a aprovação do Bispo, ou podem ser organismos ou movimentos que têm aprovação da Igreja Universal e são reconhecidos pelo Bispo da Diocese. Esses têm, normalmente, uma hierarquia própria através de Sedes Diocesanas, Nacionais, Internacionais... e são representados por Secretariados, Direcções, Delegações, Centros próprios, conforme a estrutura estatutária ou as orientações de cada Bispo na sua Diocese.
Há variadíssimos movimentos ou organismos, serviços e obras, conforme a diversidade de carismas existentes na Igreja. Não vou apontá-los porque seria uma lista interminável, mas não resisto em falar daqueles que melhor conhecemos porque até trabalhamos com eles na Paróquia.
Na Comunidade de N.ª Sr.ª de Fátima existe o Movimento dos Cursos de Cristandade, a Legião de Maria, a Sociedade de S. Vicente de Paulo, o Apostolado de Oração, o M.E.V. (Movimento Esperança e Vida), os Cruzados de Fátima, o Coral Litúrgico, o Coral Juvenil, o Coral de Música Clássica, o dos Leitores, o dos Ostiários, o da P. da Família, o da Catequese, o do Escutismo, o dos Acólitos, o dos Ministros Ext. da Comunhão, o do Acolhimento, o dos Zeladores; o Serviço de Comunicações Sociais (Luz Dominical e “Paróquia Nova”), o Centro Social Paroquial com as valências ( o Centro de Acolhimento de Bebés e Crianças Abandonadas ou de Alto Risco - vulgo Berço, o Jardim Infantil, o Centro de Deficientes (Samaritanos), o Centro de Cegos e Ambelíopes, o Centro de Dia, o Centro de Convívio, o de Assistência ao Domicílio Integrado, o do Serviço de Apoio ao Domicílio, o Refeitório Social (para passantes, vagos, ex-toxicodependentes, indigentes, sem-abrigo,) a Escola de Música, o Ozanan-Centro de Juventude (assistência aos tempos livres de crianças e jovens), o Cecan-rd ou Centro Comunitário de Apoio aos Necessitados- Recolha e Distribuição; a Comissão Fabriqueira, o Concelho Pastoral Paroquial. Na área da Paróquia, ainda existe um Seminário da Ordem do Carmo – Carmelitas Descalços, com alunos e com uma obra social de reintegração de pessoas de várias carências sociais (desde a indigência aos ex-toxicodepentes) e dirige ainda um Gabinete de Apoio à Família com o Projecto Casinha para as crianças das famílias que acolhe, Projecto “Viana sem Fronteiras” ao serviço dos imigrantes sobretudo do Leste, Rotas de Intervenção, Estrada com Horizontes em relação a pessoas da rua , Ecos (Prevenção Primária da Toxicodependência), Casa Abrigo, Casa de Acolhimento a mulheres vítimas de maus tratos ou vítimas da violência doméstica, assim como os seus filhos.
A Diocese é composta de tudo isto... e muito mais. Se se está em Sínodo, quer dizer que todos nós estamos envolvidos nesta tarefa da Igreja, como tempo de reflexão, de mudança. Quando digo nós, digo, os que estão ou não comprometidos em movimentos ou grupos, sejam de carácter diocesano, sejam de carácter paroquial ou sejam simples cristãos empenhados em tarefas temporais. Como nos partidos políticos, nos sindicatos, nas comissões de trabalhadores ou ainda sem nenhum compromisso oficial. Todos os baptizados devem sentir este movimento sinodal, movimento de conversão, de mudança, numa Igreja co-responsável, onde o Bispo sozinho não tem razão de existir, como sem o Bispo não há baptizados, não há expressão laical e co-responsabilidade. A Igreja faz-se desta comunhão não só com Deus, mas com os irmãos, com aqueles que se cruzam também connosco no trabalho, na rua, no café, ou dormem debaixo do mesmo tecto, com aqueles que se sentam à mesma mesa, em família.
Sendo assim, não se compreende que, nesta altura, um movimento paroquial ou não, desde que a trabalhar na Diocese, viva de costas voltadas ao trabalho do Sínodo, ou que este não seja motivo de discussão, de debate, de estudo nas respectivas reuniões e quem diz um grupo, diz um cristão isolado ou dedicado a obras temporais que devem ser sempre iluminadas com o espírito do Evangelho.
Ainda há pouco, celebrámos a Páscoa e ela foi celebrada depois de uma Sexta-feira Santa onde a Cruz foi a bandeira da glória para o crente e do fracasso para o malfeitor.
Nós celebrámos a Páscoa, somos crentes...Não podemos esquecer que se queremos permanecer em Páscoa, teimosamente temos que amar sem explorar o outro, sem lhe faltar ao respeito, sem lhe querer tirar o lugar mas, pelo contrário, partilhar, dar amor, para que o ressuscitado continue vivo no coração dos humanos, no coração da Diocese, em todos possa brilhar o testemunho d’Aquele que O descobrimos vivo e dinâmico. Quem sabe se, “desanimadamente”, Ele no irmão que está ao nosso lado, não venha a exclamar: “não valeu a pena”, “ continua tudo igual”, “se ao menos Deus me levasse...” ou não é verdade que ouvimos muitas vezes isto a muitos sofredores...
Que Ele possa brilhar em todos...
P.e Coutinho
A Administração de uma Paróquia
“A origem da maioria das nossas paróquias não a sabemos, como referi no número anterior, mas sabemos que muitas delas nasceram dos Castros existentes. Houve Castros que deram origem a várias igrejas rurais e privadas que, até ao séc. VII, nem funcionavam como paróquias porque se tinha de ir à igreja onde presidia o Bispo ou à igreja que, por este ou aquele motivo, já era possuidora de pia Baptismal. Portanto, algumas não tinham culto com carácter paroquial.
Também no início não estavam definidas estas paróquias por limites territoriais, como hoje. Tudo isso aparece mais tarde. Canonicamente, cada paróquia tinha a sua própria organização. Cada Comunidade criava a Instituição à sua maneira.
Com a organização e a fundação de Portugal, a diocese de Tuy por exemplo, perdeu as paróquias entre o Rio Minho e o Rio Lima. Também nessa altura, a divisão territorial das paróquias e dioceses não foi sempre pacífica. Os bispos e o Papa tinham de intervir. Às vezes, sem resultados tão claros como seria para desejar, como aconteceu com Viana do lado norte.
A invasão Árabe, encurralando os Ibéricos nas Astúrias, também foi obra e deixou marcas, sobretudo, na reconquista, o que alterou muitas formas de viver na igreja, fosse uma igreja particular, fosse paroquial. É nessa altura que dão mais valor ao padroeiro ou seu fundador. Desse tempo é a Senhora da Vinha, na Areosa; Senhora das Areias, em Darque; S. Simão da Junqueira, em Mazarefes, etc.
As igrejas particulares foram-se convertendo em igrejas públicas, e os bispos começaram a impedir a construção de igrejas que não tivessem um verdadeiro fundamento, isto é, tinha de haver grande motivo pastoral para facilitar aos fiéis o cumprimento dos actos do culto, sobretudo a missa, pelo que a distância, o aglomerado populacional, os rendimentos destinados à manutenção do templo e do culto eram algumas das condições fundamentais para a autorização. Tinha de haver uma dotação capaz da manutenção e, às vezes, como não chegasse, recorriam aos ex-votos que usavam como propriedade própria e que passavam de herdeiros para herdeiros...Estes abusos, ou intromissões no governo de ex-votos, bens esprituais, acabaram nas igrejas tornadas paroquiais. Aliás, na Idade Média, havia determinação hierárquica para usar os meios ao seu alcance a fim de conseguir que as igrejas, bens espirituais por excelência, deixassem de fazer parte da administração apenas e só pelos leigos ou mordomos.
O direito do patronato substituiu a propriedade e, já no séc. XI, grande número de igrejas rurais são oferecidas como esmolas pelos seus possuidores (padroados) aos cabidos das catedrais e aos mosteiros. Os templos consagrados ao culto eram considerados propriedade da Igreja e o Bispo nomeava o clérigo enquanto o padroado apenas ficou com o direito de apresentação, como uma honra, privilégio, mas ainda com a obrigação de alimentar, em caso de necessidade, de defender os seus bens e direitos. Tais privilégios, muitas vezes foram perdidos, porque alguns caíam na indigência ou eram dados como incapazes de assumir tais compromissos.
Até ao séc. XIV, por vezes, levavam os visitadores rendas, frutos que muitas vezes até faziam falta ao sustento do presbítero ou à manutenção do respectivo templo, ou da casa residencial do mordomo ou do pároco...
Começavam a receber a visita do Bispo ou dos seus visitadores, delegados do Bispo . Ainda assim acontecia no séc. XIX e ainda hoje, quando o Bispo faz uma visita pastoral a uma Paróquia, o Arcipreste faz uma visita canónica para apresentar um relatório, preparando a visita pastoral. Na alta Idade Média havia nobres que faziam capelas com dotes, para justificar o cumprimento do preceito dominical da família, dos criados e dos caseiros... um pouco contra o espírito de Paróquia, mas não de comunidade!...
A nossa Paróquia nasceu dum acto de D. Francisco, Arcebispo de Braga, em 1967, pois ainda fazia parte de Braga, portanto, a sua história é recente, como Comunidade Paroquial.
A Paróquia continua hoje a ter a sua própria administração, de que já se falou neste local aquando do Conselho Económico Paroquial, o C.E.P. ou Fábrica da Igreja Paroquial. Mas, a propósito, há ainda muita coisa a dizer.
Na administração duma Paróquia, temos, em primeiro lugar, o património :a igreja, as capelas, os seus recheios artísticos, como altares ou as talhas, a estatuária, ou imagens, as alfaias litúrgicas, todo o mobiliário, não só destinados directamente ao culto, como o destinado também aos escritórios ou a serviços dependentes da vida paroquial.
Mas o C.E.P. é o responsável, a nível paroquial, por todo o tipo de arquivo: orientações pastorais saídas do Papa ou do Bispo, registo dos actos, como reuniões, deliberações, correspondência recebida e expedida, o registo de documentos institucionais, registos dos baptismos, dos casamentos e dos óbitos; registos que temos verdadeiramente organizados e estão já informatizados para fácil consulta. Tem mensalmente de ter a contabilidade organizada dos dinheiros recebidos como donativos, partilhas feitas nos ofertórios das missas, ex-votos lançados nos peteiros da igreja ou capelas...legados, rendas, foros, rendimentos diversos, e guardar em lugar seguro as ofertas, ex-votos, em espécie, como objectos em ouro ou de outro valor, como um terreno ou uma casa, as quais não os pode vender sem expressa licença do Bispo. Fazer escrituras para eles precisa da autorização expressa do Bispo. Também lhe compete, seguidamente, fazer os respectivos registos de propriedade; zelar pela manutenção das igrejas ou capelas, fazendo obras de conservação, assim como dos terrenos ou casas desde que sejam propriedade da Paróquia. Tem ainda o registo dos ficheiros dos paroquianos, que habitam naquele território sob a jurisdição de um pároco. Poderá não estar actualizado porque as pessoas até mudam de residência com facilidade. Mudam de Paróquia e esquecem-se da sua fé religiosa, da inserção na comunidade. É que há freguesias que possuem várias paróquias, como Santa Maria Maior, com duas. Por isso este ano entregámos a todos os habitantes um mapa...
Há pessoas que só quando precisam de documentos para casamentos, para baptizados ou por óbitos, é que acordam e vêm fazer a sua inscrição paroquial. Às vezes, o pároco tem dificuldade de atestar aquilo que não conhece. Não conhece a pessoa, não conhece a família.... Como pode numa situação destas o pároco atestar idoneidade moral ou religiosa na organização de um processo de baptismo, de casamento?... E, às vezes, nem com a ajuda dos leigos vizinhos...
Não se fica por aqui a administração duma Paróquia. Vai mais longe. Estende-se a todos os sectores da vida da comunidade e, sobretudo, é mais complicada quando uma Paróquia tem nos seus diversos sectores da Pastoral uma actividade intensa e bem organizada, na Catequese, na Liturgia e na Acção Social e Caritativa. Nesta Acção Social há iniciativas que podem gerar instituições ou fundações que são autónomas na sua administração. Embora sempre integradas na Comunidade e tendo como pano de fundo esta que, às vezes, não só lhes serve de suporte moral, mas também económico, apesar de, para o mesmo efeito, ter possíveis apoios através de acordos com o Estado.
A conhecida por Comissão Fabriqueira deve prestar contas anualmente aos paroquianos e ao Bispo, assim como cada direcção de alguma instituição ou fundação o deve fazer. Estas também, em relação ao Estado, pois se com ele têm acordos, advêm-lhe o direito a saber como é que o dinheiro foi gerido.
De qualquer modo, gerir bens relacionados com os bens do espírito não é assim tão fácil como parece. Esta administração tem as suas regras canónicas e é de grande responsabilidade para aqueles que na Comunidade têm esta função. Desta o pároco não se pode abster e tem de ser o primeiro responsável com os leigos, que para o efeito foram eleitos. Esta é a co-responsabilidade em que o Concílio Vaticano II tanto se empenhou. Os padres não podem fazer tudo e os leigos devem ocupar o seu lugar em igreja tão responsavelmente como a hierarquia.”
P.e Coutinho
A Paróquia e a Espiritualidade...
“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles”. Estas palavras de Jesus aplicam-se à Comunidade em que sempre devemos estar integrados.
A descoberta de Deus trinitário leva à descoberta do outro. O nosso Deus é um Deus de relação. A descoberta de Deus leva necessariamente a uma relação de amor, de diálogo que se projecta para os irmãos do lado, porque não podendo ver a face de Deus, reconhecemos a sua transcendência e o seu poder absoluto, Ele é o Criador e Todos somos irmãos.
Ser irmão é relação fraternal, é ser amor e quem ama aproxima-se e dialoga, ou se não dialoga pelo menos gosta de estar ao pé de quem se ama. Se isto acontece em relação aos irmãos, o que se dirá em relação aos Pais e, em especial, ao Pai comum a quem chamamos Deus, Senhor do Céu e da Terra.
Deus não é exigente, mas é Amor.
Não é preciso grande arte para este diálogo que é oração, mas ela terá outro sabor, se fizermos o que fizeram os discípulos de Jesus: “Senhor, ensinai-nos a orar”. Também podemos rezar com arte, isto é, rezar bem, com fé, com humildade e confiança. Sempre devem estes itens ser objecto de uma relação filial em relação aos irmãos.
Importa rezar com fé, com amor, humildade e solidariedade porque no mundo não estamos sós e reconhecemos a Deus nos irmãos porque se amamos a Deus é porque amamos os irmãos, pois é mais fácil amar o que se conhece do que aquilo que não se conhece...
Já falamos da evangelização que nos abre os sentidos para o conhecimento de Deus e O amarmos mais.
A Humanidade tem necessidade deste diálogo amoroso com o seu Deus, um diálogo verdadeiro e autêntico, mas às vezes é capaz de ter as mãos cheias de sangue e Deus dizer como no Antigo Testamento: “cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem, caso contrário os meus olhos fecham-se perante os vossos actos e os meus ouvidos fechar-se-ão à voz das vossas súplicas”.
A nossa oração deve ser sempre nova, adaptada às circunstâncias e sempre em busca de uma nova imagem de Deus que nos chama à conversão, que quer o nosso bem e que, se o soubermos fazer, Ele sempre nos atenderá: “Batei, batei e abrir-se-vos-á...”.
Por vezes, somos tentados mais a pedir a Deus do que a louvá-Lo, quando temos mais motivos para louvar do que para pedir. Ele sabe do que cada um precisa. Conhece-nos e até sabe o número dos nossos cabelos.
A oração de petição sustenta a ideia de eficácia com Deus, pois Ele faz o que diz: “Quando um filho lhe pede peixe, dar-lhe-á um escorpião?”.
A Paróquia é um espaço composto de pessoas com cultura e costumes semelhantes, que têm os mesmos objectivos comuns como um povo em marcha. Daí que este espaço seja o espaço mais próprio para o crente que precisa de se relacionar com os outros e sente a necessidade de orar em conjunto com eles, porque a sua oração até parece ser diferente e ter mais força diante de Deus Pai.
É importante a oração individual, naturalmente, e é a partir dela que o orante sentirá a necessidade da oração comunitária, da oração com os outros, com os mais conhecidos.
A Paróquia é esse espaço privilegiado onde o crente encontra lugar e tempo próprio para a eucaristia, a oração por excelência do cristão, para outros momentos oferecidos pela Comunidade para a oração colectiva. Não só na administração de sacramentos, mas também noutros momentos paralitúrgicos...
Na Comunidade, o crente encontra o ambiente que dá expressão vital à fé e não é possível rezar e roubar ao mesmo tempo, atraiçoar, prejudicar, maldizer ou cometer toda a espécie de injustiças e atropelos à dignidade e aos direitos dos outros...
É também, na Comunidade, onde pode e deve encontrar a escola de oração para que a oração seja sempre um acto digno, um acto feito com arte, aquela arte que faz com que a oração seja a expressão sincera e autêntica, adequada e perfeita, confiante e humilde.
Não foi por acaso que este ano de pastoral 2002/2003 foi um ano em que o C.P.F. levou a efeito uma reflexão, ao longo de todo o ano, sobre a oração por especialistas nesta matéria, como são os senhores padres carmelitas.
Nós queremos uma vida com sabor, isto é, com qualidades, com entusiasmo, uma vida que seja sal da terra. Somos nós que, ao corrompermos a terra, deixamos de ser esse sal, que não serve para nada a não ser para ser lançado fora e ser pisado pelos homens (Cf. Mt. 5,13).
Ao vermos hoje tantas desgraças, tanta corrupção, tanta violência que mais é que havemos de esperar?
Renovar a nossa aliança com Deus e com os Homens.
É fazer com que este sal que somos não se deixe corromper neste mundo secularizado. É voltar à graça do baptismo que nos regenera pela Confissão e faz de nós membros activos, nos identifica com Cristo, nos abre o coração e a mente ao Espírito, nos faz disponíveis para os outros e nos põe à escuta interior que nos conduz à espontaneidade com alegria para a relação tanto com Ele, como com os Irmãos.
A Espiritualidade não consiste em escolher ou ir aqui ou acolá fazer exercícios espirituais, ou à igreja. Ela é algo mais fundamental como um desejo interior que nos arrasta para Deus e para a Humanidade... e nos conduz a Cristo que nos amou até ao fim, à caridade que é o Amor e à oração que é a fonte de toda a vida espiritual. A vida espiritual é que conduz à Liturgia onde ritualmente se envolve o silêncio, a palavra, a posição do nosso corpo, todos gestos com um significado adequado àquilo que se está a viver.
Por isso, a espiritualidade de um povo é o motivo mais forte que leva à Comunidade, é a alma da Comunidade. É o tal sopro que faz um povo viver como um só Corpo, um só Espírito porque baptizados num só Baptismo, no dizer de S. Paulo.
Esta espiritualidade, vivida na Paróquia de N.ª Sr.ª de Fátima, tem, naturalmente um outro sabor: é o sabor mariano, não fosse a Comunidade centrada no espírito de Maria, em N.ª Sr.ª de Fátima que é a Padroeira, a Senhora do Carmo outro centro importante com Igreja e Seminário dentro da Comunidade, assim como em N.ª Sr.ª das Necessidades com capela no coração do lugar da Abelheira.
A espiritualidade, como princípio de toda a vida sobrenatural, que é o Divino Espírito Santo é a posse da Graça de Deus, é chamada à Santidade, à unidade, e na diversidade dos seus dons, na variedade dos seus carismas.
Numa Diocese em Sínodo, como está a actuar o Espírito em cada uma das Paróquias, células da Diocese? A pergunta é extensiva a todas, inclusivé, à Paróquia de N.ª Sr.ª de Fátima.”
P.e Coutinho
A Liturgia e a Paróquia numa Diocese em Sínodo
“Sem evangelização não poderá haver liturgia, pois esta é fruto da experiência de fé para poder compreender vivencialmente a complexidade tão nobre, como é nos seus aspectos, compromissos e experiências pessoais e comunitárias para todos os que participam numa celebração litúrgica.
Não se celebra a liturgia sem comunhão entre os participantes, pelo menos, não será verdadeira liturgia. Não haverá liturgia autêntica se não houver comunidade e a comunidade é fruto da liturgia, sem que se despersonalize a pessoa que, na comunidade, participa. Uma comunidade religiosa é uma realidade social, quer queiramos, quer não, quer seja perfeita, quer seja imperfeita.
A comunidade religiosa é um grupo de pessoas que vivem com objectivos comuns do âmbito religioso, onde a pessoa se realiza socialmente. Ninguém, pois, se pode realizar independentemente dos outros... Ninguém pode neste mundo ser uma ilha...
É na dimensão social do Homem que ele vive mais profundamente a comunidade religiosa e, através dela, forma uma comunhão pessoal de vida. É através da Comunidade que a pessoa comunica e participa, dá e recebe e onde exerce as virtudes da humildade e da generosidade, do compromisso e da partilha...
Está com os outros e é com os outros. Enriquece a sua espiritualidade porque “nem só de pão vive o homem”. É nela que se integra e se manifesta ser para os outros e ser com eles. Há aqui uma relação diferente quando ela é religiosa, cultural, pois vai mais além, é transcendente e não é aleatória; parte da vontade própria e sente a necessidade de intervir, de ser no mundo assim, com os outros e para os outros...
A base desta comunidade litúrgica está na trindade, onde ela é perfeita. A nossa, por mais perfeita que seja será sempre um sinal muito frágil da Trindade Santíssima.
Através da liturgia, os fiéis entram em comunhão com a Santíssima Trindade.
Pela encarnação do filho de Deus, Deus estabeleceu a sua morada entre nós, não está junto a nós, mas está connosco. Isto quer dizer que, pela encarnação do Verbo, nasceu a Igreja. A Igreja é a humanidade reunida e convocada para a comunhão com Deus, para a comunhão entre os Homens, e entre estes e Deus. Só assim é possível pelo Espírito vivermos congregados num só Corpo.
Nos Actos dos Apóstolos há uma passagem muito significativa quando se refere a Ananias e Safira que usurparam dos bens que lhes pertenciam não os entregando todos como os outros fizeram generosamente ao serviço da Comunidade. Pedro chama-lhes a atenção: “Mentistes contra o Espírito... contra Deus...”. Cf. Hebreus 5.
A comunidade deve discernir que não é ela própria que escolhe, mas Deus. Não somos nós que escolhemos, ou nos elegemos, para viver comunitariamente um ideal inspirado pelas nossas aspirações religioso-ascéticas. É Jesus que actua para a nossa santificação. Tem de aceitar que nela pode haver pluralidade de carismas. Se o Espírito Santo é a alma da comunidade, a pluralidade de carismas é natural porque onde está o espírito está a abundância das suas graças, na construção do Reino, onde sempre existirá o pecado entre os membros. Será uma comunidade de pecadores, e ininterruptamente chamados à conversão.
Já aqui abordei a origem da comunidade cristã.
E, como comecei, não há comunidade sem Liturgia, nem Liturgia sem comunidade, daí que até um sacerdote sozinho pode rezar, fazer a oração, rezar a liturgia das horas com toda a Igreja, mas não tem que celebrar a Eucaristia que é um acto estritamente comunitário, onde a comunhão se deve manifestar e o padre sem fiéis não tem motivo para esta oração, acção de Graças.
Toda a liturgia nasce da comunidade cultural. O culto é a fonte sempre insubstituível da vida e do desenvolvimento.
A liturgia da Igreja não tem como objectivo aplacar os desejos e os medos do homem, mas escutar e acolher Jesus ressuscitado.
A liturgia é, por isso, um mistério e renovar o ritualismo desta vivência cultual, exige grande trabalho, esforço de formação para que a espiritualidade que a liturgia envolve seja o mais concreta possível e de acordo com a espiritualidade de Jesus Cristo.
É por isso que sempre tivemos o cuidado de celebrar os sacramentos com a liturgia mais adequada, a começar pela Eucaristia que, depois do Baptismo, é aquela que alimenta a vida de Comunhão.
Logo em 1979 já tínhamos uma equipa de liturgia que preparava as missas de cada Domingo. Dela fizeram parte várias pessoas que, semanalmente, na sacristia, se reflectia sobre a liturgia da Palavra, etc..
Logo houve no princípio um curso de leitores que já se repetiu por quatro vezes. Embora tenhamos insistido, nem sempre se lê do melhor modo, o que me faz muita pena. Ainda outro dia ouvi um comentário destes, “O meu marido telefonou-me para que se fosse à missa desse atenção à primeira leitura e afinal não entendi uma palavra sequer”. E isto que eu estava a ouvir uma senhora a contar a outra, era na realidade, uma verdade porque tinha sido eu o celebrante e ouvi e calei-me. Muitas vezes acontece isso, um ou outro leitor não sabe o que vai ler e depois lê para ele e nem sequer ele, às tantas, foi capaz de compreender.
Tudo tem de ser preparado com antecedência.
Pessoas que nunca participaram em formação de leitores, só em caso de suplência devem ler, mas deve preparar-se antes, como qualquer outro o devia fazer.
Também em 1979, surge a primeira “Luz Dominical” de forma muito rudimentar, mas havia esse cuidado, com comentários às leituras e informações paroquiais. Nesta altura é de formato A5 e contém os cânticos da missa sobretudo da missa vespertina.
O coral a que chamamos coral litúrgico, é o coral dos mais velhos, formado de pessoas que ficaram do Espectáculo Marcos 9,37 animado por Joaquim Gomes. Aqueles que pertenciam ao coral quando aqui entrei continuaram, mas a pouco e pouco, por isto ou por aquilo, foram deixando, mas há um núcleo que vem desde 1979 ao qual já se juntaram vários colaboradores e, assim, se tem mantido o coral que anima a missa vespertina e festas importantes da Paróquia.
A missa da catequese sempre foi animada por outra gente, mas há 15 anos que a Célia Novo, formada em Arte e Design é a animadora de um grupo juvenil, sempre escolhendo cânticos ao gosto das crianças...
Aparece, mais tarde, um grupo de jovens que supriu a falta do “coral litúrgico” que também cantou na missa do meio-dia, a tomar este lugar. Na maioria são alunos da Academia de Música, cantam cânticos às vezes a 4 vozes, cânticos clássicos; enfim, uma missa diferente e que a assembleia também gosta.
Logo que aqui dei entrada pareceu-me litúrgico o sacerdote receber à porta da igreja todos os que chegavam para a celebração. Fiz isso muitos anos. Agora é raro, mas quando posso ainda me sinto bem a fazer esse acolhimento a quem chega para celebrar comigo.
Há sempre uma palavra diferente para um ou para outro, enfim... Vamos fazer comunhão poucos momentos depois...
No entanto, estão sempre dois paroquianos a receber quem chega a entregar a “Luz Dominical” e, certamente, a fazer um pouco aquilo que eu fazia... Um olá! Uma palavra! Um benvindo!... Como está?
Entretanto, enquanto se faz o acolhimento, o animador da assembleia e o coral faz os últimos ensaios dos cânticos para que a assembleia aproveite e possa acompanhar depois o coral, fazendo com que muitos participem no canto. O mesmo se diga dos salmistas que também têm sido preparados para que a celebração seja sempre muito digna.
Procuro não me alongar na homilia, apenas 5 a 7 minutos. Não vá a minha palavra ser mais importante que a palavra de Deus!... Também não tenho grande dom de palavra!...
Deste modo, são sempre os 45 a 50 minutos o tempo da celebração. Às vezes, por motivo de festa, pode ir mais longe...
Os Ministros Extraordinários da Comunhão não só colaboram na distribuição da Sagrada Comunhão, como levam a comunhão aos doentes.
Já há uns anos que fizemos paroquialmente formação para Acólitos Adultos e, desse modo, temos uma equipa que soleniza os dias de festa com o sacerdote, utilizando a procissão com o crucífero com a cruz levantada à frente, os ceroferários, o turiferário e o ajudante com a naveta, seguindo os dois acólitos e o sacerdote.
Mas, a missa não é o único acto de culto. Todos os outros sacramentos são actos de culto com liturgia também apropriada.
Lutamos pelos baptismos comunitários, celebrados em colectividade ou celebrados dentro das missas. Os pais são acolhidos por um casal e depois há preparação para pais e padrinhos mensalmente feita pelo pároco. Os párocos da cidade distribuíram ultimamente uns desdobráveis dando informações sobre o que é e as condições necessárias para o Baptismo. Um trabalho foi feito em comum com as paróquias da Meadela, N.ª Sr.ª de Fátima, S.ta M.ª Maior, Monserrate, Senhor do Socorro, Areosa e Darque.
Para o sacramento da Penitência que renova a graça baptismal, prejudicada pelo pecado, temos tempos fortes pela Páscoa e pelo Natal. Pela Páscoa temos 24 horas de acolhimento para a Confissão e, durante o ano, à quinta-feira, pela manhã antes da missa e à tarde também antes da missa.
Já se fizeram celebrações penitenciais por altura da Quaresma, mas as pessoas não aderiam com facilidade. O número era muito reduzido. Fazêmo-las agora na festa do Perdão para as crianças da catequese.
O sacramento da Confirmação é administrado, há 24 anos, aos jovens que completem 10 anos de catequese. No tempo de D. Armindo Lopes Coelho, de 2 em 2 anos sensivelmente vinha crismar aqui na Paróquia, embora alguns fossem à Sé para não esperar pela data da Paróquia. Com os critérios do novo Bispo de Viana alguns têm ido à Sé Catedral para serem crismados no dia de Pentecostes. Aqui agora só haverá crisma quando for marcada visita pastoral.
Para os que saem fora do esquema da catequese normal, e já têm idade adulta, há outro tipo de preparação para o Crisma.
O Sacramento da Santa Unção tem sido administrado anualmente a idosos e doentes na quarta-feira santa na Igreja, de forma comunitária, e ao domicílio quando pedem. Procuramos que cada ano seja diferente a festa da Administração do Sacramento da Santa Unção e da Comunhão Pascal.
Quanto ao Sacramento do Matrimónio é feito um acolhimento por um casal e depois é feito o C.P.M. (Centro de Preparação para o Matrimónio) ao Domingo pela manhã, no Colégio do Minho, de organização diocesana.
Temos tratado do processo civil para ajudar, ou facilitar, os noivos e organizamos o processo religioso, como não poderia deixar de ser. Quanto à liturgia procuramos dar a oportunidade aos noivos de escolherem as leituras e, até às vezes fazer uma liturgia apropriada a cada casamento para não ser tão repetitiva.
Quanto ao Sacramento da Ordem!... nada se tem feito a não ser o aconselhamento e o desafio feito para que despertem vocações sacerdotais ou religiosas, mas... infelizmente sem sucesso! Só houve um seminarista no Seminário Diocesano e no Seminário do Carmo, nestes 25 anos. E o último sacerdote que esta zona deu à Igreja foi o P.e Manuel Miranda; ainda não era Paróquia e já faleceu, assim como uma irmã religiosa.”
P.e Coutinho
A Paróquia e as Migrações
“A Comunidade Paroquial não pode estar alheia aos problemas das migrações. Esta comunidade já teve um número razoável de emigrantes, como em todos os lados. Não tanto talvez, como nas aldeias, porque na cidade sempre se abriam mais facilmente perspectivas aos necessitados de trabalho.
Quando para aqui entrei havia emigrantes em número de mais de vinte famílias. Algumas nunca tinham voltado a Portugal.
Hoje, as contas são forçosamente outras não porque os que cá estavam, tivessem saído, mas porque muitos emigraram de outras terras vizinhas e aqui compraram um apartamento para viver, ou por motivos profissionais, passarem a semana de trabalho, ou para passar férias. Esses em relação à comunidade, podemos considerá-los também imigrantes.
Nós somos emigrantes no Brasil, na França, na Argentina, na Venezuela, África do Sul, etc.. Sabemos o que custa ser emigrante, por isso, devíamos compreender a dificuldade daqueles que são hoje imigrantes na nossa terra.
Um problema novo que nos surge para reflexão e para um debate de carácter social, cultural, económico. A paróquia tem de criar processos dinâmicos de integração do imigrante e, para isso, há esforços que têm de ser feitos mutuamente, os que acolhem e os que são acolhidos. Exige uma interactividade, de igual para igual, caso contrário não conseguiremos a verdadeira integração dos que chegam, porque só assim haverá afecto comum que conduzirá ao respeito mútuo.
Onde os direitos e os deveres, a precaridade e vulnerabilidade, de empregadores sem escrúpulos, e equiparação dos salários aos nacionais, pois trabalho igual ... o facto de acesso à formação profissional...
Os imigrantes se chegam é porque fazem falta. Se houver ofertas de trabalho que não são preenchidas pelos nossos, devemo-nos sentir felizes porque há quem chegue e os imigrantes não só levam o dinheiro a que têm direito para a terra deles, mas também deixam obras e dinheiro à nossa terra. Em 2001, segundo dados estatísticos deram um rendimento público de 65.000.000 contos.
Mais uma razão para além da fraternidade cristã que uma comunidade deve acolher e defender às vezes perfilidades injustas e explorativas Há que potenciar e facilitar a comunicação e lutar contra a discriminação étnico-cultural.
Quando uns e outros puderem exercer a cidadania num país, isto é, exercer direitos e deveres iguais então temos uma integração social e cultural.
É importante que na Paróquia os movimentos ou as instituições participem num acolhimento claro e franco aos que chegam como gostaríamos que os outros, noutros tempos, ou ainda hoje, nos acolhessem aonde chegarmos.”
P.e Coutinho
A Paróquia e a Evangelização, numa diocese em Sínodo
“A Evangelização é uma das vertentes fundamentais da Teologia Pastoral da Igreja: “Ide e ensinai!...”
Trabalhai, dai testemunho e falai das coisas de Deus, da fé, aos homens de boa vontade, a “tempo e fora de tempo”. Esta é a missão de qualquer crente baptizado. A Evangelização não é só devida ao Bispo, ao padre ou ao diácono... – a eles pertence salvar a doutrina e ajudar a interpretá-la e ensiná-la, – mas falar de Deus, falar da fé, falar da vivência de uma fé autêntica e cristã é, sem dúvida nenhuma, um dever para qualquer um dos baptizados.
Evangelizar é oferecer uma Boa Nova, oferecer aos Homens que vivem, numa sociedade concreta, Jesus Cristo, como modelo da Humanidade.
A fé é um dom e esse dom recebe-se no Baptismo. A fé não é um conjunto de verdades estáticas, ela tem de ser, sobretudo, uma realidade dinâmica, pelo que conduz ao encontro, ao relacionamento com o outro, ao desenvolvimento normal de relações humanas, na medida em que ela se revela na pessoa do outro, porque os seus conteúdos não são o bastante para o convencer. Só há evangelização quando o outro começa a ter uma atitude diferente no modo de acolher o que o outro lhe comunica.
Quando mutuamente começamos a acolher a mensagem, a vivê-la no dia a dia, há compromisso, fé, evangelização...
Portanto, a fé é o resultado de um encontro interior com alguém que se nos revela, seja pelo outro, seja por qualquer sinal que tornou alguém atento e dinâmico, com vontade de o mostrar e não de o esconder. É como algo de maravilhoso na vida que o leva a comunicar-se igualmente como crente, porque se confrontou com a revelação de Deus e para quem esta teve sentido.
Cremos que muitos dos nossos cristãos não são religiosos. Todo o homem tem uma dimensão religiosa e isso defendemos, mas o “modus vivendi” de muitos... que está longe da religião que é algo em que se vê o senhor absoluto, transcendente, algo de divino, sobrenatural que tem uma relação de Amor com o Humano, a quem este obedece e para quem ordena toda a sua vida, segundo a sua vontade.
Não é uma tendência constante para o “religioso”, como um mito; isso será religiosidade mas não religião. Não é medo de lobisomens, de almas do outro mundo, do obscuro, para o que precisam de esconjuros ou ritos mágicos para aplacar o transcendente que domina e castiga.
Há muita falta de clareza de ideias, de descernimento nos nossos crentes, às vezes com projectos humanos tão próximos da realidade, e tão longe de Deus, que não é o “salva vidas”.
“Hoje, à medida que o Evangelho entra em contacto com áreas culturais que estiveram até agora fora do âmbito de irradiação do cristianismo, novas tarefas se abrem à inculturação. Colocam-se à nossa geração problemas análogos aos que a Igreja teve de enfrentar nos primeiros séculos”, segundo João Paulo II, in “A Fé e a Razão”.
A evangelização, nesta altura, é uma das vertentes da Igreja que mais necessita do empenho não só dos pastores, dos responsáveis hierárquicos, mas de todos os leigos que devem aproveitar todas as formas de catequese através dos Institutos Católicos, (em Viana temos um), como através da Catequese ou organizações sistemáticas, para jovens e adultos, ano a ano, para que fique, de uma vez para sempre, para trás a fé infantil, a fé dos bancos da catequese, a fé da tradição, a fé dos antepassados que já não oferece respostas aos problemas que o mundo de hoje apresenta.
Cada vez mais a nossa fé tem de ser pessoal, opcional, clara, tão dinâmica e luminosa que deixe passar a mensagem que se vive. Essa mensagem deve ser evangélica. O Evangelho nunca é contrário a esta ou àquela cultura, mas, sem as privar de nada, as estimula a admitirem-se à novidade da verdade evangélica, da qual recebem impulso para novos progressos”(Cf. “A Fé e a Razão” n.º 71).
É claro que o nascimento do homem novo encontra sempre alguma resistência tanto a nível pessoal, como social. É a experiência que temos quando em 1984 lançámos as catequeses quinzenais para adultos na Paróquia .
Quantos e quantos foram convidados, apesar dos apelos feitos nas missas de Domingo!... Sempre tão poucos os que aproveitam momentos de reflexão, estudo, para que cada um possa compreender os problemas da nossa sociedade de hoje e poder ter respostas de fé para as novas questões que nos são levantadas.
Cristo continua, hoje, a ter lugar na nossa esperança, na nossa vida, ainda que muitos tenham medo de o escrever como Alguém que mudou a história da Humanidade. Trouxe uma nova civilização, na qual a Europa se envolveu e se empenhou.
Esse medo é fruto do que dizia antes. Está visto que os nossos políticos, os que nos representam, como eleitos do povo, das Comunidades, também terão aquela fé infantil que não tem valor nenhum para os dias de hoje.
É isto que temos de combater. A Paróquia falha, se não se interessar por este sector da teologia pastoral. Nas Paróquias temos de acabar com a catequese infantil se não nos debruçarmos também e a sério numa catequese de adultos, dos pais e dos avós.
Tudo pode funcionar concomitantemente. Não podemos falar da catequese de Infância sem falarmos na necessidade que os adultos têm de frequentar cursos de Teologia, algumas cadeiras no Instituto Católico ou, ao menos, na Paróquia, aproveitar o que ela oferece para que não se fique com uma fé tão débil, porque o mundo de hoje exige muito mais de todos.
A Paróquia só pode dar sentido à celebração litúrgica se tiver fé, e ter fé é ter conhecimento, experiência vivencial de Deus, na vida em comunhão com os outros. Se for assim, a Paróquia pode ser uma comunidade acolhedora para fazer festa, celebrando-a na comunhão na alegria e no perdão.
A Paróquia, como célula viva da Igreja particular, a Igreja Diocesana, não se esgota na evangelização: ela é missionária, é evangelizadora, é acolhedora, participa na igreja universal através da igreja diocesana, à qual preside o Bispo.
Não pode haver Paróquia sem baptismo. No início, só a Igreja do Bispo tinha pia baptismal e tudo partia daí, mas, com o passar dos tempos, a evangelização teve de chegar ao campo, saindo da cidade. Assim, surgiu a necessidade de aparecerem igrejas mais ao longe com pia para o baptismo. Então o baptismo passou a ser feito também nessas igrejas.
A Igreja nasce do baptismo.
Muita gente tem sempre uma certa afeição, e muito justa, pela igreja onde foi baptizada, pela pia por onde passou, no Baptismo, a Homem Novo. Este sentimento é justo e respeitável.
Hoje, já se baptizam crianças crescidas, em idade de catequese de adultos para o que é necessária uma adequada preparação. O Baptismo será melhor entendido.
Não basta querer ser baptizado. É preciso saber por quê e para quê? É necessário conhecer a razão que é a razão de Cristo.
É por isso que se exige tempo e amadurecimento para este “querer ser baptizado”. Conhecer bem os objectivos de Cristo, a pessoa de Cristo, para iniciar então um caminho novo na vida, um caminho com olhos novos preparados para ver o outro e amá-lo até ao fim, à maneira do Bom Samaritano. No outro pode estar representada toda uma comunidade de fé, de escuta, de esperança vivida e comunicada, no trabalho com os doentes, nos que mais precisam, nos que passam fome ou têm sede, nos imigrantes, nos presos, nos que precisam seja lá do que for. Só assim entenderemos a Paróquia como uma Comunidade de Amor, feita de comunidades mais pequenas que são as famílias – a igreja doméstica. Estas serão as primeiras experiências de comunidade, de evangelização e complementaridade numa Comunidade maior que é a Paróquia, onde todos serão co-responsáveis e participativos, cada um segundo o seu carisma e vocação.
Inseridos, pelo baptismo, na comunhão dos filhos do Reino, no Corpo Místico de Cristo, vamos padres e leigos levar a mensagem com dignidade, fundamentalmente iguais perante Deus, fundamentalmente iguais perante a natureza humana. Para satisfação e salvação, peregrina e vocacional, conforme Jesus a assumiu. Os leigos, no mundo, têm eles a facilidade de sacralizar a família, o trabalho e a comunidade, não como quistos, mas na diversidade da unidade através da Legião de Maria, Vicentinos, Coralistas, catequistas, administradores, consultores, comissões de Pais, animadores, asseios e limpezas. Aos padres cabe o mesmo, mas o seu objectivo fundamental é acompanhar com a Palavra, alimentar com a Eucaristia, e salvar em Jesus Cristo o Homem caído.
Aliás, o Projecto de Deus sempre foi este, desde Adão e Eva, uma comunidade de Homens livres. Desde Abraão que, pela fé, fez a Comunidade dos Crentes; desde Moisés que pela lei fez a Comunidade Libertadora; desde os Profetas, que pela palavra, fizeram a Comunidade da Diáspora se preparar para receber Cristo. Pelos Apóstolos, chegou às pequenas comunidades, e só depois à Igreja, Povo de Baptizados, povo da Eucaristia e povo missionário (missa = enviado) até à Plenitude que será a Comunhão dos Santos.
Numa Comunidade envolvida em Sínodo Diocesano, a evangelização talvez seja o fundamental, porque a maioria dos cristãos não sabe sequer o que é um Sínodo, porque se o soubesse, e conhecesse a co-responsabilidade que os documentos conciliares lhes confere, iria trazer muitos efeitos de renovação, de Igreja nova, de homem novo, a começar pelos padres, até ao mais simples dos fiéis. Se assim fosse... os alheios ou não crentes poderiam sentir algo que os fizesse reflectir.
Vamo-nos contentando com o que se passa na sacristia?!...”
P.e Coutinho
A Paróquia e a Demografia
“Há vinte e cinco anos esta Paróquia tinha pouco mais de mil fogos e hoje tem mais de quatro mil.
Nada acontece para muita gente. Mas se olharmos à nossa volta verificamos que o litoral cresce em população contra a desintegração do interior.
Será que uma coisa destas pode deixar-nos a todos de mãos cruzadas a deixar que tudo corra como corre, sem regras, sem sugestões para um desenvolvimento harmonioso, também no interior. Isto mesmo no aspecto político.
Bom, mas o que aconteceu já não vai acontecer para gáudio de alguns porque o índice de natalidade desceu. Será esta a solução mais adequada e mais justa?
Vejamos na nossa cidade o seu crescimento populacional de há 25 anos para cá... Nas paróquias da cidade (Areosa, Meadela, N.ª Sr.ª de Fátima, Darque, Monserrate e Socorro).
Se formos um pouco mais além, vejamos o que aconteceu em Barroselas, Lanheses, freguesias do concelho para além de outras...
Não fiquemos por aqui, o que aconteceu, de há 25 anos para cá, nas vilas da nossa Diocese.
A nossa Diocese não é a mesma, os nossos arciprestados não são os mesmos, as nossas paróquias não são totalmente iguais.
O Concílio Vaticano II já foi há mais tempo e os documentos conciliares obrigam-nos a não ficarmos impassíveis com as mudanças sociais, os problemas novos da sociologia humana.
Quando passei algum tempo como arcipreste de Viana do Castelo tive oportunidade de organizar um convívio de sacerdotes do arciprestado. E à sombra dos pinheiros, junto à Urbanização Nova que se encontrava em construção na Praia da Amorosa, foi feita uma reflexão sobre a demografia das nossas paróquias, vilas e cidade. Isto levantou uma série de problemas pastorais reflectidos ali quanto ao acolhimento, quanto às iniciativas novas para poder atingir pastoralmente esta mobilidade de pessoas. Uma das questões foi até aos espaços litúrgicos na cidade e vilas ou paróquias. Por fim, na qualidade de arcipreste, fiquei de ser o porta-voz junto do Bispo em nome dos padres do Arciprestado para lhe comunicar a necessidade de se criar uma equipa pluridisciplinar, composta por Teólogo da Teologia Pastoral, Sociólogo, Engenheiro do Ambiente, Engenheiro Civil e um Arquitecto, para que, a nível diocesano, pudesse acompanhar os planos de pormenor concelhios ou os, na altura, P.D.M., para que estudando em equipa juntamente com os párocos, envolvidos em desenvolvimento demográfico inesperado, fossem ajudados a que a dimensão religiosa duma povoação, paróquia, vila ou cidade em que a maioria é católica, não fosse esquecida.
Deste modo, há mudanças do centro de gravidade, deslocamentos populacionais, as igrejas longe das povoações ou tão pequenas que não favorecem o empenhamento pastoral, a descoberta de respostas futuras para os problemas que já são de hoje, ou já eram de ontem.
Este é um problema de hoje, depois... há paróquias que não conseguem terreno para uma igreja, por exemplo, não é preciso ir mais longe, vejam o que aconteceu à Paróquia de N.ª Sr.ª de Fátima que, por este ou aquele motivo, ninguém compreendeu o pároco actual, nem aqueles com quem ele trabalhou e trabalharam a não ser o Dr. Defensor Moura, actual Presidente da Câmara Municipal que mesmo sem audiências de 30 pessoas, resolveu o problema...
Para já esperamos!... porque para outros lados, incluindo religiosos, as coisas parecem não ser tão prioritárias como deviam... uma Paróquia que nasceu em 1967 que se pensava numa residência, numa igreja nova, mas as coisas se interessavam a uns, não eram convenientes para outros. Vejam agora o deslocamento da igreja em relação à população em geral. O que fazer e como fazer acolhimento a tanta gente que aqui chega?
Há uns anos tentei participar no colóquio nacional de paróquias. Só estive um dia, mas gostava de continuar. Nem sempre me condizia com o meu programa de pastoral paroquial. Este ano, por motivos de saúde, não participei no Colóquio Europeu de Paróquias, como tanto gostava, na Suíça, de 6 a 10 de Julho, no seu já 22º colóquio.
Uma das conclusões é que as Paróquias continuam a manter estruturas passadas perante as transformações que se dão na sociedade de dia para dia.
As Paróquias, os Arciprestados e as Dioceses têm que continuar a oferecer ao homem de hoje o espiritual, a oração, a vida interior que tanto o homem procura, mas não pode ficar só por aqui. Tem de ser criativa para quebrar a rotina que o homem não gosta, a paróquia tem de ser criativa e oferecer oportunidades a todos os que se dizem paroquianos, tem de ser lugar para a festa, para o perdão, para a fraternidade e para a reconciliação. Não se pode fechar na sacristia ou reduzir-se a festas com sermões ou pregações.
Uma Paróquia que não proporcione ou não esteja atenta àquilo que é capaz de unir os paroquianos nos mesmos objectivos de fé, é paróquia que tende a morrer.
Dizia aqui noutra local que a Paróquia ou volta a ser aquilo que era no princípio ou, então, não há razão para existir e ir resistindo ao tempo, apenas para constar e fazer parte das estatísticas, também não vale a pena.
É claro que a evolução social e o crescimento demográfico, as novas vias rodoviárias, a democratização da cultura e da mentalidade corrente oferecem problemas novos não só aos políticos que agora querem ser concelhos e não o são.
O que acontece na política, por conta dos votos, não pode acontecer na Igreja, mas a Igreja às vezes peca em retardar demais ao ver que o padre não responde às exigências pastorais duma determinada Paróquia, não é sinal eficaz da presença da Igreja naquele local, a Igreja não tem resposta para poder beneficiar da qualidade de vida religiosa de muitos que ficaram isolados, longe da sua igreja paroquial...
O facto da Igreja ter em conta a evangelização, a celebração e a partilha fraternal, identidade cultural e religiosa não serão os únicos meios, ou argumentos, que podem levar um Bispo a exercer a competência da erecção de uma Paróquia quer lhe dê um padre ou um diácono; já que os padres podem escassear.
Os bispos como co-responsáveis que são na vida da Igreja tudo devem fazer para que a autoridade competente sinta a necessidade de uma acção eclesial mais eficaz. É importante hoje mais que noutros tempos a relação pessoal Bispo e Padre com o seu povo como elemento determinante para a fundação de uma Paróquia ou Diocese.
Caso contrário não se precisa de padres, bastam os diáconos e um Bispo, mas não creio que essas medidas evangélicas, sejam verdadeiramente proféticas para a fé dos nossos crentes.
Paróquia, volta àquilo que foste, lugar de culto, de fraternidade, de perdão e de festa e voltarás a ser alfobre de vocações a nascerem nas famílias.
Volta a ser comunidade aberta às outras comunidades, tenham elas os carismas que tiverem, desde que o Espírito seja o mesmo.”
P.e Coutinho
A Paróquia e o Domingo
“Não foi por acaso que, ao sétimo dia, Deus descansou, segundo o livro do Génesis. É de direito divino descansar ao menos um dia em cada semana. O Homem encontra-se consigo mesmo, com Deus e com os outros.
Desde o nascimento da Igreja, os primeiros cristãos começaram a celebrar o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição do Senhor, com cânticos dos salmos e leituras, começando depois a celebrar também a Eucaristia, o partir do pão e a bênção do mesmo, segundo a ordem de Jesus.
Como à Paróquia presidia um Bispo, era a comunidade maior sediada nas cidades, só quando passaram para o campo e mais tarde, pelo séc. III ou IV, atingiram as terras mais longínquas, aí surgiram Paróquias sem bispo, presididas por um presbítero ou diácono, umas com pia outras sem pia, isto é, umas com direito a baptizar e outras não, pois o ideal era sempre que alguns sacramentos, como os de iniciação cristã, fossem administrados pelo Bispo que, então, na igreja da cidade onde presidia, era já a diocese.
O Domingo foi sempre um dia sagrado para os cristãos, dia de oração, de missa, de encontro, de festa, de partilha, de fraternidade, de solidariedade, dia da família.
Criaram-se costumes interessantes que bem manifestam a importância do Domingo.
Antiga mente a roupa de Domingo era diferente da roupa da festa e da semana. A roupa era normalmente comprada para a “festa”, passava a ser a roupa domingueira e depois era a roupa da semana ou do trabalho.
Ao Domingo comia-se melhor, mas do que havia em casa, o chouriço, o presunto ou o toucinho ou outra parte do “frigo”, a salgadeira.
A carne de vaca ou da melhor rês do rebanho era coisa que se usava apenas nas festas.
Era ao Domingo que as pessoas reservavam tempo para ir à missa e, no final, encontravam-se com os amigos. Quando estes estivessem doentes havia que destinar tempo, na tarde de Domingo, para os visitar, em casa, ou no Hospital.
Um outro tempo do Domingo era passado em família e, muitas vezes, um almoço mais demorado, talvez um piquenique, juntava-se a família. Os casados visitavam os seus progenitores, juntando-se muitas vezes os irmãos em grande cavaqueira na casa paterna até altas horas da tarde.
Era um ritual que o Domingo trouxe para além do descanso, convívio familiar, encontro com Deus na Oração ou na Eucaristia, enfim, o encontro com os outros amigos da mesma terra que normalmente ao sair da missa havia mais uns minutos de cavaqueira, com este ou com aquele, porque todos eram conhecidos e viviam na mesma terra, às vezes com os mesmos problemas.
Não era difícil esses momentos serem também momentos de decisões importantes, de acordos, para a comunidade, e às vezes com a “bênção” do padre, outras vezes, ocasião para coisas em contrário à harmonia.
Ao Domingo também era o dia destinado para o passeio ou para a romaria...
Mas, para um cristão, Domingo sem missa, não era Domingo e consideravam o maior dos pecados porque era apenas uma questão de tempo, e o tempo Deus dá-o de graça.
A missa era assim como o principal elo de união entre os paroquianos à volta do seu pároco. Dela as pessoas voltavam mais alegres e felizes a casa, por terem encontrado o transcendente, o absoluto, o divino e tendo-o comungado, voltam às suas casas, a comungar do bem ou do mal, que muitas vezes descobriam com os amigos, no fim da mesma.
Por isso, o Domingo não é um dia qualquer para uma Comunidade Cristã, como deve ser uma Paróquia.”
P.e Coutinho
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