AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

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terça-feira, 16 de julho de 2024

CRUCIFIXO É SINAL DE CONFIANÇA

 CRUCIFIXO É SINAL DE CONFIANÇA

Já aqui falámos de oratórios que existiam em cada casa. Alguns ainda existem em casas antigas e são verdadeiras obras de arte.
Consta que o Senhor do


Alívio fazia parte de um oratório duma família antiga da Abelheira que o doou à Capela, depois do cruzeiro que lá existia com alpendre se ter transformado numa pequena capela cuja bênção foi em 20 de Outubro 1916, concedida autorização por D. Manuel Vieira de Matos, arcebispo de Braga.
Hoje o crucifixo é pouco visível nas casas novas, nos apartamentos e não sei se ao peito das pessoas.
Nunca devia ser usado como amuleto, como acontece com alguns. Trazem o crucifixo e outras coisas mais à mistura que perturba a mente de qualquer “semelhante” sensível à gerência e à fé esclarecida.
O crucifixo é um objecto que deve inspirar-nos confiança. É bom contemplá-lo nas nossas casas, igrejas domésticas. É bom que cada um se fizesse acompanhar ao peito ou bolso essa imagem de um Deus feito Homem que, como tal depois de nos comunicar a mensagem do Pai Eterno, expira pregado a uma cruz com a cabeça coroada de espinhos e inclinada sobre o seu peito, com olhos vidrados, face sofredora cheia de sangue precioso coagulado. Contemplar os pés e as mãos trespassadas e as chagas dos algozes...
Tudo isso por mim, por ti, por nós...
Como é tão fraca a nossa fidelidade ao seu grande amor. Como nós devíamos ser uns para com os outros retribuindo assim tão grande afecto de Cristo misericordioso que tem uma paciência tão grande para tolerar as nossas fraquezas, ódios, orgulhos e vaidades...
Antigamente nas escolas existia uma cruz nas salas de aula. Foram retiradas e, talvez por uma questão de liberdade religiosa, tinha o seu sentido, mas nesta terra onde a maioria ainda é cristã...talvez não viesse mal ao mundo por isso. Seja como for, também já nem se fala de Deus ou de Jesus às crianças...Os pais pedem o baptismo para os filhos, mandam à catequese, mas a oração ou simplesmente falar de Jesus, de Deus que nos Ama e que nos pede para todos sermos bons, amando os outros, isso está esquecido e em casa não há tempo para nada.
O dinheiro, as coisas materiais, cómodas da vida, o cartão de crédito, o pedido de crédito bancário...etc...é a maior preocupação.
Depois os catequistas são uns exigentes. A Paróquia não tem catequese à semana e devia ter. “Vou para onde me der mais jeito”. Ao fim de semana é para descansar e passear e ir aos shoppings, não há tempo para a oração, para a missa, para a catequese, nem num lado, nem no outro.
À conta que vão à terra dos avós, ao fim de semana, acabam por não fazerem prática religiosa em lado nenhum, nem os pais, nem as crianças.
“Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”. “Tudo é possível àquele que crê”.
A confiança em Deus é uma esperança que Ele não nos faltará com nada. Ele será a nossa luz e a nossa salvação e nos protege. Ele há-de nos ajudar nas nossas necessidades materiais e não nos preocuparemos com o futuro.
Se somos culpados, não tenhamos medo do Salvador; não foi para nós, especialmente, que Ele desceu à terra?
Jesus perdoou a Madalena, à 3ª negação de Pedro, a Zaqueu e abriu o céu ao bom ladrão.
Oh vós, que andais para aí... depressivos com problemas de vida, da vida de família, da vida conjugal, que casastes em segundas núpcias, com o estigma de condenados ou pecadores, Jesus continua a dizer-vos: “Vinde a Mim que sou manso e humilde de coração”. Continuai a rezar, a confiar em quem tudo pode. O nosso Deus é grande em Misericórdia, na Bondade, no Amor, na justiça.
Ele nos há-de salvar.
Amigo, se me lês não te esqueças que este é um valor a defender. Se a tua fé é grande, será igual à tua esperança e seremos todos felizes porque, na tranquilidade e serenidade, este objecto vivo nos inspira para uma vida eterna, afastará de nós todos os medos e com este sinal da cruz, venceremos todos os males!... P. Coutinho


 

CATEQUESE DE 88/89

 

 Cerca de 50 catequistas de 88/89 na Paróquia com perto de 1000 crianças. Nesta altura preparava-se um novo Conselho Pastoral

 


FORNOS NA CIDADE DE VIANA DO MEU TEMPO DE CRIANÇA

 

Utilização dos fornos da cidade

Há trinta ou quarenta anos atrás a D. Augusta  Soares, cujo  marido era pescador,  como  outras pessoas da cidade, utilizavam o forno de  Lenha  do “Serafim do Forno”, situado na Rua do  Espírito Santo, ao pé da Capela das Malheiras.

As  filhas da D. Augusta pelas épocas festivas  levavam de casa um alguidar com a farinha,  os ovos, e o açúcar . Chegadas lá batiam os bolos, e nas formas, lá  iam ao forno do pão, que era aquecido com “gravalha “.

Outro  uso e costume  era o de ir cozer a Broa  de milho ao  forno da “Ritinha “ na Ribeira .

A D. Augusta amassava a broa em casa, levava a massa numa “gamela de madeira “ própria para a massa do pão, tapada com uma toalha branca.

No local do forno, na padaria, fazia as broas, que se polvilhavam com farinha, mas antes de irem ao forno, fazia – lhes a sua marca, o “Bolisco“, para depois de cozido identificar as suas broas.

Como iam mais pessoas cozer o pão ao mesmo tempo, cada uma fazia a sua marca que era diferente da dos outros.

Conta ainda a D. Augusta que outra prática corrente consistia em antes de fazer as broas, tirar uma pequena porção da massa, e, enquanto se metia o pão de milho para cozer, faziam – se umas “Filhoses”, ou seja, faziam-se pequenas bolas  com a massa que eram achatadas  com a pá do forno pelo padeiro ,  para ficarem muito finas, e iam ao forno. Retiravam – se essas “Filhoses“ antes de fechar o forno, e, comiam-se logo ali quentinhas. Ia – se então para casa e voltava – se mais tarde para buscar o pão já cozido, que iria durar para alguns dias, dependendo do tamanho da fornada e da família a alimentar.

 

SOU FELIZ NO MEU TRABALHO


 Sou feliz no meu trabalho
“Ora et labora” era o lema de S. Bento, hoje, padroeiro da Europa porque chegou depressa a todos os lados a prolongar a mensagem de Jesus Cristo.
É preciso orar e trabalhar e quem assim faz consegue motivar-se e decidir-se porque acredita que vale a pena sonhar e fazer projetos, arregaçar as mangas e dispor-se a trabalhar não para ser rico, mas para ser feliz porque a vida tem um sentido.
Há trabalhos que dão frutos rápidos e trabalhos que podem não se ver frutos, mas quando se trabalha com amor, é sempre uma conquista de felicidade, de realização pessoal, do dever cumprido que também nos dá tranquilidade porque só fiz o que devia.
Isto também me ajuda para o equilíbrio da saúde mental. Eu sei que sou singular no trabalho que faço porque esta singularidade é transversal a todos os seres humanos como se é singular nas impressões digitais.
Sinto-me realizado como homem e padre e isto motiva-me a trabalhar, se não for numa coisa, é noutra.
Reconheço os meus defeitos. Peço perdão a Deus e quem servi no meu ministério com o coração. Tais não me abatem porque tento vencer. A perfeição não é imediata, mas algo que se vai construindo, por isso sempre com o ombro encostado ao lado que tem mais peso, ou ao lado mais fraco.
Nunca estou parado e sempre positivo. Passo pelo café, falo com toda a gente e para toda a gente, atendo pessoas, visito doentes e os sós e não esqueço as crianças, os jovens, os idosos, os solitários e os pobres.
A cama só me serve para dormir e até esqueço a cama dos hospitais: Braga, Viana e Porto porque foi sempre um saldo positivo seja o que acontecer daqui por diante.
A felicidade do trabalho também a encontro nos diversificados desafios que me levam a ser criativo, evolutivo e a viver melhor, com amor, tolerância, harmonia e compreensão.
O meu trabalho é fundamental para a minha vida até que Deus queira.
Sei que uns me aceitam, outros não. Alguns pensam estar a mais e outros aceitam - me como ponto de referência. Há quem me levanta e há quem me machuque mas é no chão que somos fortes e não no ar que o vento leva e não me congrega…Cristo três vezes foi ao chão, mas foi vitorioso na morte
Não desisto, a não ser que seja essa a vontade de Deus, porque cada conquista, cada desafio superado, cada relacionamento que construa, maior é a paixão pelo que vou fazendo em benefício do outro.
Reconhecer o bem dos que me rodeiam e recompensar conforme posso. Realizei sempre um equilíbrio entre o trabalho particular, o trabalho pastoral e o trabalho profissional.
Assim sempre trabalhei a dobrar. Nunca faltei ao meu serviço pastoral nas paróquias, como nunca faltei ao meu trabalho profissional de professor e criava a empatia e admiração dos alunos.
Enquanto no ativo, rezei, estudei e trabalhei sempre com o rosto levantado porque não esperava a recompensa, a não ser a de Deus em quem acredito com toda a minha alma, o meu coração e a minha mente.
P. Coutinho

 

Com a Virgem Maria faço Caminho…
Nutro ainda o sentimento de procurar o oratório da casa de meus pais para rezar e acender lamparinas como se estivesse numa igreja e visse ali um Sacrário doméstico.
À noite, no fim da ceia, havia a oração do terço ora orientado pelo avô materno José ou pelo pai, e, quando estava com os avós paternos pelo avô António.
No entanto, quando todos os domingos ia à missa em latim ficava à beira do meu pai e junto do altar da Senhora de Fátima, ladeada pelo “beato Nuno de santa Maria” e pelo Santo António.
Não sei se, pela proximidade, olhava a Senhora de Fátima, como Mãe de Deus, e dizia-me muito de mãos erguidas, e assim me ensinaram a rezar também.
O oratório da minha casa e na Igreja, a Senhora de Fátima, que é a mesma Senhora do Carmo, ou do Carmelo que estamos a celebrar a sua festa na igreja do Carmo, aqui na Paróquia eram os dois lugares mais sagrados para mim, Conforme fui crescendo e ao fazer a 1ª Comunhão é que senti o valor do altar e do sacrário. Era Jesus sacramentado que descia ao meu coração e me tornava mais perto de Deus.
Sempre fui assim e continuei no Seminário com a fé a desenvolver-se e a interiorizar o mistério de Deus, mas, Maria, Mãe de Jesus, continuava a ser uma referência muito grande na minha vida. Depois de Cristo era ela que ocupava um lugar privilegiado no meu coração.
Não me seduzem devoções, mas a Palavra de Deus, a Eucaristia, o terço e as orações da Igreja, faziam uma oração em tudo. A Alma duma Mãe que se entrega “faça-se em mim segundo a Tua palavra” e na minha vida começa a entranhar-se uma relação, mais ou menos implícitas e explícitas por Amor.
Assim fui andando no Seminário até me convidarem para a Legião de Maria. É um movimento mariano da Senhora Medianeira de Todas a Graças, fundado em 1921 por FrunK Duff em 7 de Setembro. Aí senti um chamamento especial pela Mãe e procurei que Ela fizesse parte do meu caminhar e senti-me ser como Maria: estar ao serviço dos outros, ir ao encontro de quem precisa.
Então, fora do tempo de aulas “fugia “ do Seminário, para ir para os acampamentos dos ciganos, onde vim a fundar uma catequese na Capela de S. João da Ponte, em Braga, ia para o Hospital de S. Marcos acompanhar doentes, confortar e ainda ia para a Cadeia visitando os presos, estando com eles nas celas e sempre tanto a uns como a outros a procurar promover ou exaltar quem estava humilhado.
A minha vida de estudo no Seminário era de noite, “escondido” no meu quarto sob um raio de luz sobre os livros do candeeiro da secretária.
Suponho que os presos nunca tiveram tantas festas na cadeia e bailes como no meu tempo, nem os ciganos tiveram até hoje, que saiba, outra peregrinação de ciganos ao Sameiro, tendo os dois três acampamentos de Braga: Picoto, S. João e outro mais para poente, não lembro o nome, mas parece-me que ficava na ribeiro do Este, abaixo do Instituto Monsenhor Airosa, e desafiaram a comparecer os de Famalicão e os da Póvoa. Foi um dia excepecional onde tive de procurar transporte público da Câmara para os levar até à Falperra porque ir de João da Ponte, a pé, até ao Sameiro…Era muito… Tudo isto me arrancou um Sim ao sacerdócio e já vai com mais de 52 anos que Maria me conforta…
Cada família com os seus farnéis e eu com eles a comer do que levavam para, no fim, mesmo em recinto considerado sagrado, ao ar livre. Recinto vigiado pala GNR viraram a dançar. Quando a autoridade aparece, fui eu que disse deixem dançar, são ciganos. Vieram em peregrinação É uma festa para eles.
Nesta altura os ciganos continuaram a dançar e até andaram comigo no ar. Estou a falar um pouco de mim, mas Maria, a Mãe de Jesus na palavra de si mesma mas sempre com referência ao Filho e a Deus.
“Fazei tudo o que Ele vos disser” e Jesus também respondeu “Aqueles que fazem a Vontade de Meu Pai, esses são meu pai, minha mãe, minhas irmãs e meus irmãos!!
“Per Mariam ad Iesus”, Por Maria a Jesus era o lema de D. Francisco Maria da Silva, arcebispo de Braga a quem devo a minha ordenação sacerdotal em 9 de Julho, depois de um ano, em estágio, em Balazar, na terra da Alexandrina e na Casa dos Rapazes, em Viana. Com Maria na minha vida quero continuar a caminhar, enquanto puder, com Ela, para chegar a Bom Porto. Quando tinha 6 anos estive sentado na cama da Alexandrina e recorda-me das palavras com que se dirigiu à minha mãe. Mandou rezar e que ela ia rezar também. Naquela noite também eu rezei, para além do terço, na cama muitas Ave-marias até adormecer porque a minha irmã não estava bem e no dia seguinte a minha irmã estava boa. Foi uma alegria contagiante na família.
P. Coutinho

domingo, 16 de junho de 2024

 Apontamento de 1969. Numa casa da Regadia que na minha infância viviam as "carmelitas" e seria do Constantino já foi de José Barbosa Rodrigues, já falecido e, agora, de sua esposa Maria da Conceição da Valada, de Vila Franca e da filha Flora, ainda meus parentes, oriundos da casa dos Brasileiros.

Tem a data de 1737