Nas Viagens
Sempre, como já o escrevi: Era um menino “irrequieto”, sempre a
descobrir coisas novas e fazer coisas, na escola e no tempo de estudante,
sempre insatisfeito e sempre muito ocupado, como nas férias. Na minha terra, à
minha volta, tudo se mexia como a folha do milho quando havia ventinho. Há
colegas que me lembram isso “ com um pacote de bolachas fazias uma festa
juntando rapazes de Mazarefes, Darque e Vila Fria a jogar a bola na Veiga”.
Fotos: Passeio pelo Alto Minho
É verdade, irrequieto, insatisfeito mas cada vez mais energético que
me vinha do meu próprio ser, mas também da minha fé com Deus e da relação com
os outros, como de irmãos se tratassem sobretudo os mais frágeis material e
moralmente falando.
Sempre fui amigo de viajar, aliás, o meu tio Abel Portela, o meu avô,
levava-me para a Espanha: Vigo, Santiago, Corunha, Lugo, Orense…
No quarto ano do Seminário aluguei uma camionete à empresa Magalhães
para que à hora legal da saída do Seminário para férias de Natal todos os
seminaristas vianenses tivessem carro à porta do Seminário e regressar a Viana
todos juntos, perante o “espanto” de colegas e superiores. Participei em
passeios organizados pelo Seminário, recordo pormenores de um ao Alto Minho e
outro a Lourdes…
Organizei viagens na Serra de Arga para os paroquianos, viajava
sozinho sobretudo para Paris por motivos de saúde.
Quando vim para Viana, organizei viagens para vários países da Ásia,
todos da Europa, à excepção da Moldávia, os antigos e os novos países da região
Soviética, a Jugoslávia unida e ,depois, de dividida, toda a América latina e a
América do Norte, norte de África viajaram em nome da Paróquia pessoas em
grupos de 50, 100 e 200, de um dia, dois , três, oito e quinze dias, todos os
anos de todo o país desde empregados domésticos, lavradores, médicos,
professores, oficiais do exército, da Marinha, da Força aérea, e pessoas como:
juristas, juízes, juízes desembargadores, sacerdotes, gente que vinha do Algarve,
de Lisboa dormir em Viana para sair, no dia seguinte, pela manhã a partir de
Viana ou do Porto.
Alguns começavam por experimentar Roma muitos anos só de autocarro e
depois de autocarro e avião. Depois repetiam para outros lados. Nestas viagens
criaram-se novos amigos e no fim de cada uma delas essa amizade perdurava.
Sempre era apontado o sentido religioso, mas com a liberdade dos
filhos de Deus. Entretanto, algumas conversões ou reconversões existiram…
Um dia, na Grécia, fui com um grupo de 50 participantes, entre eles: 5
sacerdotes todos de Viana, o presidente da Câmara de Viana e o de Caminha e
entramos num espectáculo de folclore e já lá estavam outros quatros sacerdotes
de Viana a uma mesa. Nesta altura, entre eles, só um está vivo. Foi uma
surpresa fantástica. Entretanto, nesta Paróquia fundámos o Centro de Convívio,
o Centro de Dia, A Ceia de Natal dos Sós, Refeitório Social, Jardim de
Infância, Alcoólicos Anónimos do americano Billw (hoje dois grupos de ingleses
e um português), cofundador do Ozanan-Centro de Juventude, SAD, o CECAN /RD
(Centro de Recolha e distribuição de roupas e mobílias a pobres, o Berço de
Nossa Senhora das Necessidades, a Lojinha Social e, mais tarde, apresentamos um
projecto ADI (pretendia-se um apoio de (24horas) com um acordo com o Centro , a
ISS e o SNS. Ficou reduzido a 12 horas, mas, por fim, não vingou por falta de apoios.
A maior parte começava-se e caía tão bem na opinião pública… Só depois
viriam acordos de ajuda da parte do Estado em cerca de 60% dos custos…
Primeiramente só com voluntários e depois com funcionários.
Artur Coutinho


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