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Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

A VIDA CONTINUOU (I)

 



A VIDA CONTINUOU…  ( I )

 

Era o dia 9 de Julho de 1972. A família e alguns amigos estavam a contar e o pároco de Mazarefes, o pe. Sebastião Ferreira, hoje, Vigário Geral Emérito, tinha com a freguesia já preparada uma surpresa para a minha chegada. Depois da ordenação, na Apúlia, pela manhã e com regresso previsto para as 5 ou 6 horas da tarde.

Assim foi!... A juntar à alegria da minha ordenação sacerdotal pelo Arcebispo Primaz, D. francisco Maria da Silva que um ano antes me ameaçou que mesmo sendo diácono, não me ordenaria sacerdote.

Depois de um almoço na zona da Póvoa parece-me que à escolha do meu tio Abel Sá Portela, viemos para Mazarefes. No “Armazém do Sal “tive de abandonar o meu carro e ir para o carro da Dra. Maria Nadir Santos Lima que me conduziu em direção à Capela da Senhora das Boas Novas onde o Pe. Sebastião e, todos os que nos quiseram receber com as crianças da catequese, em festa, tendo a catequisanda Belém Liquito entregue um ramo de flores.

Lá fui, novamente para a Casa dos Rapazes onde estive até à minha nomeação como Pároco de Dem, Arga de S. João, Arga de baixo e Arga de Cima.

 

Dei lá entrada em 2 de outubro de 1972, depois da missa nova que foi celebrada em 13 de agosto no Adro das Boas Novas com a presença de mais de um milhar de pessoas: conterrâneos, colegas de escola, colegas seminaristas, sacerdotes, entidades religiosas, militares e civis, o coral da Meadela que foi o que animou a missa, jovens de Balazar e da Zona de Famalicão, Póvoa e Barcelos, que, de camionete e no fim da missa, regressaram, ou foram passear.

À mesa éramos mais de 340 pessoas, se a memória não me falha.

O cozinheiro foi o “criado” do Senhor Prior da Vila Franca e o Senhor Prior, Mestre da culinária tirava as provas à comida e também às sobremesas, tendo começado o trabalhar na sexta. Uma sobremesa foi preparada na Trofa e trazida de lá., sobretudo por jovens da Trofa.

Bom!

 

No dia 2 de outubro ficou tudo para trás e as minhas “ovelhas” eram outras, pobres, mas ricas de coração e almas generosas e abertas às mudanças, às obras nas igrejas e capelas como aconteceu, a começar em Arga de Baixo, Arga de S. João, Arga de Cima e depois a capela da Senhora das Neves, em Dem, melhorias na igreja de Dem e obras na capela de Stº Antão, da Senhora da Rocha e de S. João de Arga.

Nas três Argas houve inaugurações presididas pelo Senhor D. Francisco Maria da Silva e administração do Crisma.

Quando dei entrada não havia catequese em nenhuma das Paróquias, mas em Dezembro já tinha catequistas em todas elas. Foi difícil!... Mas consegui…

Procurei trabalhar com jovens, organizei programas para eles, convívios, ações formativas e informativas, como para adultos, cursos de espiritualidade, de jornalismo e alguns bem se lembram e outros já faleceram; concursos, etc. Procurei fazer encontros de jovens para os senilizar a participar na Mariápolis, em Fátima. Organizei passeios com os paroquianos.

Quis organizar a Legião de Maria mas não havia gente. Os Vicentinos não eram precisos porque os pobres contavam-se com menos de os dedos de uma mão.

Mas remediava-se…Recordo que no dia da Ceia de Natal fui dar com a pobre “Piedade”, de Dem, caída e morta na cozinha.

À Maria do Vale de Corsos, a Junta de Freguesia de Dem deu-lhe a mão retirando-a de viver isolada numa das antigas casas de apoio às minas do Vale de Corsos a norte da Aldeia. A Maria do Rio, de Arga de S. João, estava cuidada pela família do agente florestal Pinto.

Estava um caso em Arga de Cima e não se davam por mais. Aqui se aplicava o que dizia o Senhor D. Armindo Lopes Coelho: “A gente do Minho se tiver uma couve para cozinhar, já não quer mais…” isto é, contentava-se com pouco.

Esqueci a senhora que vivia numa das casas das do “Pereiro” a tia Guilhermina, cega e solitária, que a família do Pereiro deu a mão. Esta família e eu arranjamos a que viesse para a Casa da Congregação de Nª Sª da Caridade.

Levei ainda 3 homens a frequentar o Curso de Ministros Extraordinários da Comunhão no Centro Mater Eclesia, no Sameiro, Braga. Assim, nas Paróquias e no mês de maio quando não houvesse missa à semana ali ou acolá, lá estava o Grupo coral e os devotos de Maria a rezar o terço, a cantar, a fazer uma celebração da Palavra e a dar a Comunhão. E o povo até gostava e participava. Era isso que notava e sentia quando por aqui ou por acolá lá ia eu celebrar…

As festas lá se realizaram sempre, segundo os usos e costumes da altura, inclusivamente a de S. João de Arga. Para essa não era preciso publicidade.

O meu orientador pastoral era o pároco de Riba de Âncora, Padre Arlindo Domingues, tio da Glória, da Dolores que foram coralistas aqui na Paróquia e do médico José Francisco Domingues Oliveira meu Ex-condiscípulo e que morreu muito novo, deixando filhos que estão bem na vida.

Para um padre novo, como eu, na altura, não foi fácil, mas sempre fui fiel aos meus princípios e compromissos, e no meio de boa gente, ali vivi 6 anos no meio daquele povo, com todos como numa única família de Deus.

Um princípio que criei logo de começo com o meu avô e a minha “Maria” que me viu nascer foi o seguinte: de Direito Canónico era só comigo e em casa ninguém falaria de assuntos da Paróquia ou dos paroquianos, à mesa ou a outra hora. Eram assuntos meus e de mais ninguém.

Em 1978, em junho, vislumbrava-se a minha saída de lá. Depois da minha nomeação, num domingo de tarde, em São João de Arga, todos os arguenses até os velhinhos para lá saíram numa missa campal. As Argas despovoaram-se para sair para lá e ninguém conteve lágrimas e choro. Esta despedida foi a pedido dos paroquianos, Só um senhor me perguntou se ia para melhor…Eu disse que não sabia e ele continuou: vai e fica apenas a minha admiração e gratidão, Parabéns!

A seguir, num dia da semana, ao fim da tarde, foi em Dem, também a pedido dos de Dem..

Como havia um senhor que não ia à missa, mas até jogava a sueca comigo no café da terra, no Joaquim, na Chão do Porto, resolvi ir a casa dele despedir-me assim como ao Dr. Moreira. Descobri, nessa altura, coisas que tinham acontecido e não sabia de onde partiram, mas agora guardo-as comigo porque acabou por ser positiva a minha posição de me ir despedir a casa, já que não vinham à missa.

Oh! Se não foi bom?!...

Eu não queria, mas poucos não resistiram aos abraços e beijos de despedida. Fiquei convencido que todos me estimavam.

 

E lá vim eu… para Viana para uma Paróquia que foi difícil de aceitar.

Só, na altura, o Pe. Pedreira foi falar comigo mais que uma vez a convencer-me que eu era a pessoa indicada para aquela Paróquia que já tinha 11 anos, mas pouco tinha crescido no aspeto comunitário.

Apesar de muita argumentação chegou a altura que perdi a força porque me parecia que era da vontade de Deus que obedecesse ao Sr. D. Júlio.

Eu tinha muita consideração pelo senhor D. Júlio e num dos domingos de janeiro de 1978, pouco tempo depois da tomada de posse ele foi celebrar-me as missas do domingo. Começou às 8 em Dem e acabou às 12.30H em Arga de Cima. Depois de 4 missas celebradas…Ao almoço, diz-me: “Que estafa!...”

Foi assim que a 30 de Agosto de 1978 deixei aquelas terras depois da festa do S. João d’Arga para dar entrada no dia 2 se Setembro na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima.

Fui o último pároco que lá viveu com o povo. Tinha uma residência paroquial em Arga de Baixo  que utilizava e a de Dem alugada, ou emprestada, pela freguesia e que era mais do dia a dia da vida de pároco naquelas terras que ainda hoje são motivo para algum refúgio e matar saudades.

 
 

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Franco de Castro, Homem do Direito e um activista de boas causas sociais e culturais

 

Franco de Castro, Homem do Direito e um activista de boas causas sociais e culturais

 

 

Em 25 de Novembro de 1936 nasceu em Lanheses um menino a quem lhe puseram, no baptismo, o nome de José. Seu pai, Manuel Alves de Castro, regedor que foi regedor e presidente da Junta de Lanheses, era um construtor civil. Foi ainda fiscal de obras dos Serviços Médico – Sociais em Vila Nova de Famalicão, Stº Tirso e Braga; e a sua mãe de nome Maria Franco da Silva, era doméstica e uma organista da Igreja Paroquial. Como tal, muitas vezes solicitada para tocar o orgão de foles em muitas outras igrejas vizinhas, sobretudo, em ocasião de festas.

O José Franco de Castro fez a 4ª Classe na escola de Lanheses e fez exame de admissão ao seminário sendo admitido com distinção, em 1948 onde estudou até 1957 tendo frequentando o 1º ano de teologia até 5 de Maio. Quando decidiu sar contra a vontade do Cónego Mouta Reis, mesmo assim, veio embora com a oferta de que ficava com as portas abertas para voltar.

Em Junho do mesmo ano fez o exame do 3º, 4º e 5 anos dos liceus na secção de Ciências. No ano seguinte fez o 6º e 7º ano na secção de Letras, tendo ficado dispensado de admissão à Universidade pela classificação que obteve no Liceu Sá de Miranda, em Braga, depois de ter frequentado o Colégio D. Diogo de Sousa.

Foi sempre dispensado da despesa de propinas. O Director do colégio Pe. Elisio, já falecido, dispensou-o, devido aos seus níveis de classificação, sobretudo, na disciplina de matemática em que era o melhor aluno nos liceus de Braga.

Em 1958 deu entrada na Universidade de Coimbra. Licenciou-se em direito, em Outubro de 1963 e matriculou-se no curso complementar de Ciências Jurídicas de 63/64, só com médias altas apesar da clivagem que na altura faziam.

Casou em 1966 com Maria Margarida Pereira de Brito, também Licenciada em medicina pela Universidade de Coimbra em 1965. A sua esposa foi autoridade de Saúde Pública em Vila Nova de Cerveira, e depois Viana do Castelo, donde se reformou. O casal tem duas filhas, uma delas já premiou os seus pais com um neto.

O Dr. José Franco de Castro foi delegado de Procurador da República Interino em Fevereiro de 1964.

 Em Novembro de 1964 concorreu a magistrado, ficou em 2º lugar tendo sido atribuído o primeiro lugar ao futuro Provedor Geral da República Narciso Cunha Rodrigues com muito bom e o Franco de Castro ficou com apenas “Bom com Distinção”.

Nessa altura veio exercer a magistratura na comarca de Caminha como Delegado e Provedor da República de 3ª classe efectivo, em 1965. Foi promovido a 2ª classe e foi para Ponte de Lima, em 1967, exercendo o mesmo cargo. Aí esteve pouco tempo. Pediu seguidamente para ser autorizado a concorrer ao cargo de Conservador para fazer mais companhia à família.

Como estava vaga a conservatória de Vila Nova de Cerveira, em 1968, ficou aí, por nomeação. Tratou do auto o Dr. Santos Carvalho da relação do Porto. Foi ainda Conservador do Registo Civil e Predial, após um ano e convidado a aceitar o cargo de Notário, exercendo três funções ao mesmo tempo, juntamente com o exercício do cargo de juiz municipal de Vila Nova de Cerveira, onde esteve até quase 1975. Em 1978, no mês de Novembro pediu transferência para a conservatória do Registo Predial e Comercial de Viana do Castelo que era de 1ª classe, tendo sido nomeado, exercendo o cargo durante 19 anos. Foram centenas de milhares largos de registos, que preparou, ou preparados pelos seus funcionários, que ao princípio eram dois, mas quando saiu eram dez, teve de verificar e assinar.

No princípio era primeiro substituto de juiz da Comarca de Viana o que aconteceu durante 2 a 3 anos.

Também algumas centenas largas de julgamentos entre Viana do Castelo, tribunal da Comarca e o Tribunal do Trabalho.

Conseguiu que a Conservatória do Registo Predial de Viana fosse a primeira a nível do país a ser informatizada.

Foi presidente da Comissão de Avaliação dos Prédios Urbanos do Conselho de Viana do Castelo conjuntamente com o Eng.º António Barroso, já falecido e com o Eng.º Felgueiras, este, funcionário da Câmara.

Durante 6 anos foi presidente do Conselho Juridicional  da Associação de futebol de Viana do Castelo, por eleição. Foi sócio fundador do Clube Desportivo de Cerveira, presidente da C. Instaladora e 1º Presidente da Assembleia Geral desportiva Clube de V. N. Cerveira.

Tendo em vista uma próxima passagem à situação de aposentado foi ocupar o lugar de Conservador do Registo Comercial do Porto durante 4 anos, entre 1993 e 1997, data em que regressou a Viana definitivamente, onde tinha residência na Estrada da Papanata, da freguesia de Sta. Maria Maior, Paróquia de Nossa Senhora de Fátima.

Em Viana, foi instado a aceitar a candidatura a presidente do Coral Polifónico , tendo aceitado a eleição cerca de 6 anos, onde continua como coralista.

Na qualidade de Presidente da Direcção do Coral Polifónico exerceu conjuntamente com os seus colegas e amigos uma acção que dinamizou o coral e o levou a várias actuações no país e no estrangeiro, assim como a tomar parte numa apresentação em Espanha, onde foi galardoado com o primeiro prémio. Foi nessa altura também que se tornou uma colectividade com maior nível artístico e social a ponto de ter recebido a medalha de mérito da Cidade de Viana do Castelo.

Ao ser aposentado continuou com uma tarefa bastante stressante, pois reinscreveu-se na Ordem dos Advogados pelo que não tem muito tempo disponível. Tem o seu gabinete à Praça 1º de Maio e, para concluir, o Dr. José Franco de Castro continua a ser coralista no Orfeão de Vila Praia de Âncora, para além do Pólifonico.

Foi vice-presidente da Direcção do Centro Social Paroquial de Nossa Senhora de Fátima, ao qual dá a sua contribuição preciosa nas decisões de Direcção e na substituição do Presidente.

Como advogado, só uma causa perdeu no Supremo Tribunal. Todas as outras ganhou. Em Cerveira tinha a fama por ganhar as causas todas e, em Viana, ganhava os recursos todos. Colegas de Trás-os-Montes e, de outros lados, às vezes telefonavam-lhe a pedir a sua opinião. Só interessava investir naquilo que a gente tenha razão, mas pode perder a razão. Não interessa, nos tempos de hoje, investir no que tem razão e deve pensar duas vezes antes de ir para tribunal porque pode sair sem razão. Mas, se não tiver razão, talvez valha a pena porque pode sair de lá com ela.

Sente-se um homem feliz por tudo o que fez na vida. Algumas não foram tão claras, mas, o saldo é positivo. Tudo o que fez, fê-lo com espírito de o fazer a favor da sociedade, ou melhor na defesa dos direitos do outro.

Ainda hoje é presidente da Assembleia Geral do mesmo do Coral Polifónico. É presidente da Assembleia Geral do Coral Polifónico de Vila Praia de Âncora, presidente do Concelho de Administração da Fundação da Cultura Musical Fernando e Lúcia Carvalho com sede em Viana.

Esteve na criação do Berço e manteve-se muito para além da Inauguração do novo com o Eng. Mota, o Comandante Martins, Drª Teresa Barroso, Engª Natália e Joaquim Arantes, conforme o registo à porta da Capela Jesus Maria José, construída em 1731, no dia da inauguração do novo Berço..