AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com

Obrigado

sábado, 18 de julho de 2026

Os sinos da minha terra

 




Os sinos da minha terra

Não é para lembrar os “sinos da minha aldeia” de Almeida Garrett e como ele escreveria hoje sobre os mesmos sinos da sua aldeia... Bem como outros autores de nomeada da nossa literatura. Havia os sinos da Igreja de S. Nicolau de Mazarefes, padroeiro da paróquia de Mazarefes, minha terra natal. Por isso, eram esses que mandavam. Para além desses, havia e ainda há os sinos da Capela da Senhora das Boas Novas.

Naquele tempo, os sinos ouviam-se mais longe e tinham fins religiosos e civis. Assim, se houvesse um toque de um só sino, com o badalo a bater desordenadamente, sem jeito e rápido, era sinal de que havia algum perigo: um incêndio ou uma chamada para arranjar algum caminho, limpar, etc. As pessoas, quando se tratava de fogo, largavam tudo e, com baldes e outros instrumentos, corriam até ao local para salvar uma casa ou uma fábrica. Todos passavam baldes de água de mão em mão para atirar ao fogo. Às vezes, quando os bombeiros chegavam, já o fogo estava apagado.

Quando se tratava de arranjar caminhos, lá tocava o sino para lembrar o que tinha sido anunciado. Punham a enxada às costas e lá iam todos os que podiam. Assim, de forma solidária, resolviam-se os problemas da terra, onde toda a gente se conhecia. Numa manhã ou numa tarde, o caminho ficava limpo e próprio para passar.

A parte religiosa era o toque dos sinos para lembrar a hora da missa, pois nem todos tinham relógio. Antes de começar, davam três badaladas no sino. No entanto, foi resolvido acabar com as três badaladas porque os ladrões já sabiam que a missa tinha começado e andavam mais à vontade... Repicavam os sinos de festa para anunciar batizados e casamentos, ou de funerais de anjinhos. Também tocavam tristemente para anunciar uma morte, um falecimento, e tocavam várias vezes durante o dia...

Ao meio-dia, voltava a tocar para a oração do Angelus. Era o toque do meio-dia. As pessoas, quase sempre, estavam a trabalhar e descobriam a cabeça, faziam silêncio e rezavam. Os que não rezavam faziam silêncio em respeito aos outros.

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
R. E Ela concebeu do Espírito Santo. Ave Maria…
V. Eis a escrava do Senhor.
R. Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra. Ave Maria…
V. E o Verbo divino encarnou.
R. E habitou no meio de nós. Ave Maria…
V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos. Infundi, Senhor, como Vos pedimos, a Vossa graça nas nossas almas, para que nós, que pela Anunciação do Anjo conhecemos a Encarnação de Cristo, Vosso Filho, pela sua Paixão e Morte na Cruz, sejamos conduzidos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.

Quando não sabiam esta oração do Angelus, rezavam-se fórmulas como o Pai-Nosso, a Ave-Maria ou o Glória. À noite, voltava a tocar para anunciar que a noite tinha chegado e rezava-se a oração à Santíssima Trindade:

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores. Amém.

Havia a superstição de que, a partir dessa hora, as crianças só podiam estar dentro de casa ou, se saíssem, só o faziam ao colo do pai. Era a ideia do ar da noite, do escuro, onde apareciam os lobisomens, as procissões de defuntos e as almas penadas.

Os sinos da minha terra, como os das outras, ouviam-se longe, pois estavam bem alto, na sineira da alta torre. Mas, agora, não são só eles que estão altos; há outras coisas mais altas: barreiras, um meio ambiente poluído de poeiras, de tudo e de muito barulho. No meu tempo de criança, às vezes, chamava-se alguém a quase um quilómetro com um grito acabado em "Chilii…", do Monte para a Regadia ou da Regadia para algumas zonas do Monte. Acontecia em Mazarefes.

Hoje é impossível, porque o meio ambiente nos sufoca a todos e nos traz doenças auditivas, respiratórias, visuais, etc. O ambiente contaminado de lixo eliminará a nossa vida na Terra. Defenda o meio ambiente, obedeça às orientações do uso do plástico e de tudo o que é resíduo, porque lixo sobre lixo não é luxo. Embora eu saiba de alguém que é capaz de transformar lixo em luxo — mas é só um caso que conheço —, ele é capaz de transformar o lixo em luxo, mas apenas algum lixo.

 

Crucifixo é Sinal de Confiança

 

Crucifixo é Sinal de Confiança

Já aqui falámos de oratórios que existiam em cada casa. Alguns ainda existem em casas antigas e são verdadeiras obras de arte. Consta que o Senhor do Alívio fazia parte de um oratório duma família antiga da Abelheira que o doou à Capela, depois de o cruzeiro que lá existia com alpendre se ter transformado numa pequena capela, cuja bênção foi em 20 de outubro de 1916, com autorização concedida por D. Manuel Vieira de Matos, arcebispo de Braga.

Hoje, o crucifixo é pouco visível nas casas novas, nos apartamentos e, não sei, se ao peito das pessoas. Nunca devia ser usado como amuleto, como acontece com alguns. Trazem o crucifixo e outras coisas mais à mistura, o que perturba a mente de qualquer “semelhante” sensível ao discernimento de uma fé esclarecida.

O crucifixo é um objeto que deve inspirar-nos confiança. É bom contemplá-lo nas nossas casas, igrejas domésticas. Seria bom que cada um se fizesse acompanhar, ao peito ou no bolso, por essa imagem de um Deus feito Homem que, depois de nos comunicar a mensagem do Pai Eterno, expira pregado a uma cruz, com a cabeça coroada de espinhos e inclinada sobre o seu peito, com olhos vidrados e uma face sofredora cheia de precioso sangue coagulado. Contemplar os pés e as mãos trespassadas e as chagas dos algozes... Tudo isso por mim, por ti, por nós... Como é tão fraca a nossa fidelidade ao seu grande amor! Como nós devíamos ser uns para com os outros, retribuindo assim tão grande afeto de Cristo misericordioso, que tem uma paciência enorme para tolerar as nossas fraquezas, ódios, orgulhos e vaidades...

Antigamente, nas escolas, existia uma cruz nas salas de aula. Foram retiradas e, talvez por uma questão de liberdade religiosa, isso tivesse o seu sentido; mas nesta terra, onde a maioria ainda é cristã... talvez não viesse mal ao mundo por isso. Seja como for, também já nem se fala de Deus ou de Jesus às crianças... Os pais pedem o batismo para os filhos, mandam-nos à catequese, mas a oração ou o simplesmente falar de Jesus — de Deus que nos ama e que nos pede para sermos todos bons, amando os outros —, isso está esquecido, e em casa não há tempo para nada. O dinheiro, as coisas materiais, as comodidades da vida, o cartão de crédito, o pedido de crédito bancário, etc., são a maior preocupação.

Depois, os catequistas é que são exigentes. A Paróquia não tem catequese à semana e devia ter. “Vou para onde me der mais jeito.” Ao fim de semana é para descansar, passear e ir aos shoppings; não há tempo para a oração, para a missa, nem para a catequese, nem num lado, nem no outro. Com a desculpa de que vão à terra dos avós ao fim de semana, acabam por não ter prática religiosa em lado nenhum, nem os pais, nem as crianças.

“Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.”
“Tudo é possível àquele que crê.”

A confiança em Deus é a esperança de que Ele não nos deixará faltar nada. Ele será a nossa luz e a nossa salvação, e protege-nos. Ele há de ajudar-nos nas nossas necessidades materiais e não nos preocuparemos com o futuro. Se somos culpados, não tenhamos medo do Salvador; não foi por nós, especialmente, que Ele desceu à terra? Jesus perdoou a Madalena, à terceira negação de Pedro, a Zaqueu e abriu o céu ao bom ladrão.

Oh vós, que andais por aí... depressivos com problemas de vida, da vida de família, da vida conjugal, que casastes em segundas núpcias, com o estigma de condenados ou pecadores, Jesus continua a dizer-vos: “Vinde a Mim, que sou manso e humilde de coração.” Continuai a rezar, a confiar em quem tudo pode. O nosso Deus é grande em Misericórdia, em Bondade, no Amor e na Justiça. Ele há de salvar-nos.

Amigo, se me lês, não te esqueças de que este é um valor a defender. Se a tua fé for grande, será igual à tua esperança e seremos todos felizes porque, na tranquilidade e na serenidade, este objeto vivo nos inspira para uma vida eterna, afastará de nós todos os medos e, com este sinal da cruz, venceremos todos os males!

 

sábado, 11 de julho de 2026

 

Bem-vindos ao meu blogue! 

    Chamo-me Ângelo e sou estudante. Tenho um grande interesse pelo debate de ideias, pelo pensamento crítico e pela política. 

    Criei este espaço para partilhar as minhas opiniões e reflexões sobre política e outros temas que considero relevantes para a sociedade. Espero que os meus artigos incentivem os leitores, principalmente os mais jovens, a refletir sobre diferentes perspectivas e a formarem a sua própria opinião. Espero também motivar os jovens a interessarem-se pela vida pública e a compreenderem a importância da política, para que, quando chegarem à idade de votar, possam fazê-lo de forma informada, responsável e consciente. Acredito que todos, independentemente de quem sejam ou das suas opiniões, desempenham um papel importante na sociedade. Votar é uma forma de participar ativamente na democracia e contribuir para o futuro de todos. 

    Obrigado pela visita e sejam bem-vindos à A Voz Jovem.

Consulte também o Minho Digital 

sábado, 7 de março de 2026

A VIDA CONTINUOU II

 

E a vida continuou…(II)

Depois de deixar, em 30 de agosto de 1978, após as festas de S. João de Arga, no dia 2 de setembro, num sábado de sol, entrava eu às 18.15H na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima. Acompanharam-me conterrâneos e amigos da cidade e não só, até da Serra de Arga.

Um grupo coral bem preparado animou a missa e poucos paroquianos vieram à minha tomada de posse.

A Paróquia tinha sido criada em 1967. Tinha 11 anos.

Descobri que o motivo era de que não estava vincada a consciência da Comunidade Paroquial, apesar do trabalho de 4 anos do Pe. António Costa Neiva, hoje cónego em Braga e de 7 anos de trabalho insano do Pe. Rogério Fernandes da Cruz.

Tinha a Paróquia nessa altura um bom coro paroquial e um bom grupo de catequistas bem preparados, dos quais já não existe nenhum.

Como estava a entrar, primeiro comecei por conhecer o terreno, os paroquianos e fazia muita vida de café. Deparei que havia muita gente pobre, sem casas de banho. Às vezes da cozinha faziam tudo: quarto de banho, a lenha para cozinhar e água que iam buscar à fonte. Aí também dormiam. Era o Bairro da Bandeira.

Uma idosa para lavar o seu marido que lhe tinha dado um AVC trazia-o para o quintal e de mangueira como se de um carro se tratasse assim o lavava.

Logo pensei em ferramentas para o trabalho junto dos pobres e em fins de novembro, no dia 22, fundei a Conferência Vicentina. Eu próprio caminhava também com espírito de legionário de Maria, e então fundei a Legião de Maria, em 13 de maio de 1979, sete meses depois.

A Legião de Maria e a Conferência de S. Vicente de Paulo fundou um centro de Convívio de idosos, na sacristia.

Os Vicentinos também arranjaram algumas casas a terem condições necessárias de higiene e mataram a fome a muitas famílias.

Entretanto ia trabalhando em todas as frentes e com todos. Existia um Senado paroquial. Formou-se a Comissão Fabriqueira (Conselho Económico) e 2 anos depois o Conselho Paroquial de Pastoral. Os catequistas acompanhavam na catequese.

Foram pessoas para a formação de Ministro Extraordinários da Comunhão e  Cursilhistas. Alguns jovens fizeram o Curso de Iniciação para catequistas e mais tarde fizeram o Curso Complementar de catequese com estágio e entrega de diplomas pelo Bispo.

Agora só uma catequista tem o curso complementar, estágio e com diploma e algumas com o curso de iniciação e todas com formação básica para a catequese. Há uma que tem, para além disso, cinco anos de Instituto Católico com aproveitamento e um curso pela Universidade Católica.

Ao mesmo tempo que tudo decorria trabalhou-se pela Residência Paroquial, inaugurada pelo senhor D. Armindo Lopes Coelho, primeiro acto oficial, depois da sua tomada de posse em 8 de dezembro. Aconteceu em doze de dezembro de 1982.


 

Entretanto o Centro de Convívio deixou a sacristia e passou a usar o Centro Paroquial, o R/C da Residência Paroquial e adaptando-se às circunstâncias, passou a Centro de Dia, Refeitório Social, Serviço ao Domicílio apenas com a distribuição de refeições e sem acordos com a Segurança Social a não ser o do C.C….E mais tarde o Centro de Dia.

Organizaram-se várias jornadas paroquiais sujeitas ao tema idosos, ambiente, civismo, arquitetura, voluntariado, magustos para a catequese, catequese para todos (adultos de todos os ramos do saber,  durante 3 anos durante e vários anos e váris grupos seguindo o  catecumenato do Caminho de Emaús, campos de férias para jovens em S. João d’Arga, passeios com catequistas, corais e passeio de idosos do Centro de Dia por todo o país e Madrid, peregrinações na quaresma, passeios para vicentinos e Legião de Maria, passeios de crianças de catequese acompanhadas dos catequistas. Passeios de catequistas e corais não só no país, mas também para o estrangeiro. O mais interessante foi o das Ilhas Cies, ao Largo de Vigo, Santiago, Bom Jesus, Sameiro, Senhora da Penha e Fátima todos os anos. Também foram a Madrid, Barcelona e Alemanha (Glhen e Cidades, como Colónia, Dusseldorf e Neuss) Luxemburgo, Paris e Bruxelas.

Ficaram célebres os passeios mistérios.

Ao mesmo tempo, no Verão, organizaram-se passeios culturais e peregrinações por todo o País e pela Europa fora até aos russos e eslavos, como por toda a América, norte de África e ilhas. Assim viajaram comigo mais de 40 mil pessoas, das quais duas publicamente se converteram à fé e retomaram uma vida nova.

Exposições várias e muitas a primeira foi em 1979 de Filatelia aqui na igreja com repercussões a nível nacional, carimbo do primeiro dia que os CTT montaram um posto junto à exposição e de Lisboa houve participação com colecções de selos singulares da Colecção Nacional.

Não ficou por aí. Todos anos faziam-se exposições, de Filumenária no C. R. da SS, Agricultura na Abelheira, na casa da Madalena Cerqueira por ocasião da festa de Nossa Senhora das Necessidades, Imagens Marianas, Postais Marianos, Selos Marianos, Medalhística, Crucifixos, 25 anos de Paróquia, 25 anos de sacerdote, 40 anos de Paróquia, em S. Domingos, etc, etc, etc…    

Acompanhavam as exposições conferências relacionadas com o tema.

Formação sobre os sacramentos, os mandamentos, cristologia, evangelho, liturgia e oração de Vésperas cantadas aos domingos de tarde e o serviço aos pobres. Retiros para jovens, encontros vários; tema de anos internacionais com formação, exposição de trabalhos e festas, Festival cigano e  oração   cigana  na igreja.                                                                                                    ( É para continuar)

 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Era Assim… (2)

 

Era Assim… (2)

 




Não me ficava apenas pela cozinha. Gostava de fazer o que via os adultos. Estava a entrar na adolecência procurava tirar trabalho das mãos da família.

Deste modo, em casa lavava as paredes, caiava-as depois de secas, da cozinha de lareira e chaminé, com “olhar”, borralheiro, e secagem de chouriças e chouriços.  Preparava a cal e criava as mesmas de longe a longe. Todas as semanas ao sábado gostava de apresentar o “sobrado” da cozinha lavado com sabão amarelo e de joelhos sobre um caixote (joelheira) e nas mãos uma escova de piaçá.

Era um regalo esperar que chegassem a casa e vissem um “chão novo”.

Serrava tábuas e fazia prateleiras para o meu quarto para colocar coisas.

Aos 11 anos já mexia na luz eléctrica e mudava lâmpadas e fazia experiências, mas, uma vez, na igreja da minha terra, no  tempo de Natal fiquei agarrado à eletricidade do pinheiro alto do presépio parece-me que o meu instinto me terá salvado, saltando do escadote para o chão, estava sozinho. É que a energia não se vê, só se sente eo que se vê são efeitos…

Gostava de levar na hora do recreio da escola colegas pobres a minha casa onde  se comia do que houvesse a essa hora. Os meus pais nunca me reprovaram qualquer atitude, ainda que  levasse os colegas a comer, presunto, chouriço ou pão com azeite.

Outro trabalho que gostava de fazer era de levar o gado para o pasto e de chegar com ele de barriga cheia a casa ainda que para isso levasse o mesmo para onde havia melhor comida, isto é, passar da propriedade dos meus pais para outra propriedade de outro avô.

Havia dias seguidos a caminhar com o gado para a Veiga de Mazarefes, sobretudo, para a “Ponte da Veiga”.

Um dia, eu e o meu irmão fomos às bouças das Travessas, em Vila Fria, pela manhã cedo carregar um carro de mato que tinha ficado cortado no dia anterior. Sabendo disso e de que era necessário ir pela manhã, mas o trabalho da lavoura tinha de ter outro destino e, só de tarde, se poderia ir pelo mato. Nós só tínhamos de ir para a escola e a casa ficava muito perto, uns 100 metros, de fora e os colegas iam para a escola e nós com um carro de mato e colegas a ver-nos quando nós a passarmos com o carro de mato. Entramos no quinteiro onde tiramos as vacas do carro e a correr e a pegar na saca da escola e ir a correr para chegarmos à hora.

Na escola não era mau aluno, mas repeti, na minha vida de estudante, a 3ª classe porque num só ano tive duas professoras regentes e o ano não começou bem e acabou mal. Não foi o único.

Nos 1ª, 2ª e 4ª classe a professora foi a Isabel Ferreira de Sousa Santos Lima.

No fim da 4ª classe o meu pai pôs-me no Colégio do Minho a preparar-me para os exames de admissão às escolas de Viana e ao Seminário.

A professora D. Isabel não gostou muito por meu pai não lhe ter informado que ia estudar porque ela teria muito gosto em preparar-me para seguir estudo. Não precisava de ir para o Colégio.

Embora sempre fôssemos amigos e não só ela, mas os filhos e o marido mantínhamos boa amizade e aproximação e de convívio, mas o casal já faleceu e o filho mais velho também. Resta da família, a família do José Amado e a filha Dra. Maria Nadir de Sousa Santos Lima, aquela que entrou, de carro, em Mazarefes comigo presbítero ordenado nesse dia até perto da Capela da Senhora das Boas Novas, onde me esperava toda a freguesia e crianças da catequese.

Afinal os que não acreditavam que eu pudesse ser padre, acabou-se. Fizeram festa com o Sr. Padre Sebastião Ferreira, hoje, Vigário Geral Emérito da Diocese de Viana do Castelo, também agora a preparar-se para celebrar os 50 anos da sua fundação, como Diocese.


domingo, 1 de março de 2026

N A S V I A G E N S

 

Nas Viagens

Sempre, como já o escrevi: Era um menino “irrequieto”, sempre a descobrir coisas novas e fazer coisas, na escola e no tempo de estudante, sempre insatisfeito e sempre muito ocupado, como nas férias. Na minha terra, à minha volta, tudo se mexia como a folha do milho quando havia ventinho. Há colegas que me lembram isso “ com um pacote de bolachas fazias uma festa juntando rapazes de Mazarefes, Darque e Vila Fria a jogar a bola na Veiga”.


Fotos: Passeio pelo Alto Minho


EM Pamplona com o Freitas 
Na Alemanha



Pompeia



É verdade, irrequieto, insatisfeito mas cada vez mais energético que me vinha do meu próprio ser, mas também da minha fé com Deus e da relação com os outros, como de irmãos se tratassem sobretudo os mais frágeis material e moralmente falando.

Sempre fui amigo de viajar, aliás, o meu tio Abel Portela, o meu avô, levava-me para a Espanha: Vigo, Santiago, Corunha, Lugo, Orense…

No quarto ano do Seminário aluguei uma camionete à empresa Magalhães para que à hora legal da saída do Seminário para férias de Natal todos os seminaristas vianenses tivessem carro à porta do Seminário e regressar a Viana todos juntos, perante o “espanto” de colegas e superiores. Participei em passeios organizados pelo Seminário, recordo pormenores de um ao Alto Minho e outro a Lourdes…

Organizei viagens na Serra de Arga para os paroquianos, viajava sozinho sobretudo para Paris por motivos de saúde.

Quando vim para Viana, organizei viagens para vários países da Ásia, todos da Europa, à excepção da Moldávia, os antigos e os novos países da região Soviética, a Jugoslávia unida e ,depois, de dividida, toda a América latina e a América do Norte, norte de África viajaram em nome da Paróquia pessoas em grupos de 50, 100 e 200, de um dia, dois , três, oito e quinze dias, todos os anos de todo o país desde empregados domésticos, lavradores, médicos, professores, oficiais do exército, da Marinha, da Força aérea, e pessoas como: juristas, juízes, juízes desembargadores, sacerdotes, gente que vinha do Algarve, de Lisboa dormir em Viana para sair, no dia seguinte, pela manhã a partir de Viana ou do Porto.

Alguns começavam por experimentar Roma muitos anos só de autocarro e depois de autocarro e avião. Depois repetiam para outros lados. Nestas viagens criaram-se novos amigos e no fim de cada uma delas essa amizade perdurava.

Sempre era apontado o sentido religioso, mas com a liberdade dos filhos de Deus. Entretanto, algumas conversões ou reconversões existiram…

Um dia, na Grécia, fui com um grupo de 50 participantes, entre eles: 5 sacerdotes todos de Viana, o presidente da Câmara de Viana e o de Caminha e entramos num espectáculo de folclore e já lá estavam outros quatros sacerdotes de Viana a uma mesa. Nesta altura, entre eles, só um está vivo. Foi uma surpresa fantástica. Entretanto, nesta Paróquia fundámos o Centro de Convívio, o Centro de Dia, A Ceia de Natal dos Sós, Refeitório Social, Jardim de Infância, Alcoólicos Anónimos do americano Billw (hoje dois grupos de ingleses e um português), cofundador do Ozanan-Centro de Juventude, SAD, o CECAN /RD (Centro de Recolha e distribuição de roupas e mobílias a pobres, o Berço de Nossa Senhora das Necessidades, a Lojinha Social e, mais tarde, apresentamos um projecto ADI (pretendia-se um apoio de (24horas) com um acordo com o Centro , a ISS e o SNS. Ficou reduzido a 12 horas, mas, por fim,  não vingou por falta de apoios.

A maior parte começava-se e caía tão bem na opinião pública… Só depois viriam acordos de ajuda da parte do Estado em cerca de 60% dos custos…

Primeiramente só com voluntários e depois com funcionários.        

Artur Coutinho