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quarta-feira, 4 de março de 2026

Era Assim… (2)

 

Era Assim… (2)

 




Não me ficava apenas pela cozinha. Gostava de fazer o que via os adultos. Estava a entrar na adolecência procurava tirar trabalho das mãos da família.

Deste modo, em casa lavava as paredes, caiava-as depois de secas, da cozinha de lareira e chaminé, com “olhar”, borralheiro, e secagem de chouriças e chouriços.  Preparava a cal e criava as mesmas de longe a longe. Todas as semanas ao sábado gostava de apresentar o “sobrado” da cozinha lavado com sabão amarelo e de joelhos sobre um caixote (joelheira) e nas mãos uma escova de piaçá.

Era um regalo esperar que chegassem a casa e vissem um “chão novo”.

Serrava tábuas e fazia prateleiras para o meu quarto para colocar coisas.

Aos 11 anos já mexia na luz eléctrica e mudava lâmpadas e fazia experiências, mas, uma vez, na igreja da minha terra, no  tempo de Natal fiquei agarrado à eletricidade do pinheiro alto do presépio parece-me que o meu instinto me terá salvado, saltando do escadote para o chão, estava sozinho. É que a energia não se vê, só se sente eo que se vê são efeitos…

Gostava de levar na hora do recreio da escola colegas pobres a minha casa onde  se comia do que houvesse a essa hora. Os meus pais nunca me reprovaram qualquer atitude, ainda que  levasse os colegas a comer, presunto, chouriço ou pão com azeite.

Outro trabalho que gostava de fazer era de levar o gado para o pasto e de chegar com ele de barriga cheia a casa ainda que para isso levasse o mesmo para onde havia melhor comida, isto é, passar da propriedade dos meus pais para outra propriedade de outro avô.

Havia dias seguidos a caminhar com o gado para a Veiga de Mazarefes, sobretudo, para a “Ponte da Veiga”.

Um dia, eu e o meu irmão fomos às bouças das Travessas, em Vila Fria, pela manhã cedo carregar um carro de mato que tinha ficado cortado no dia anterior. Sabendo disso e de que era necessário ir pela manhã, mas o trabalho da lavoura tinha de ter outro destino e, só de tarde, se poderia ir pelo mato. Nós só tínhamos de ir para a escola e a casa ficava muito perto, uns 100 metros, de fora e os colegas iam para a escola e nós com um carro de mato e colegas a ver-nos quando nós a passarmos com o carro de mato. Entramos no quinteiro onde tiramos as vacas do carro e a correr e a pegar na saca da escola e ir a correr para chegarmos à hora.

Na escola não era mau aluno, mas repeti, na minha vida de estudante, a 3ª classe porque num só ano tive duas professoras regentes e o ano não começou bem e acabou mal. Não foi o único.

Nos 1ª, 2ª e 4ª classe a professora foi a Isabel Ferreira de Sousa Santos Lima.

No fim da 4ª classe o meu pai pôs-me no Colégio do Minho a preparar-me para os exames de admissão às escolas de Viana e ao Seminário.

A professora D. Isabel não gostou muito por meu pai não lhe ter informado que ia estudar porque ela teria muito gosto em preparar-me para seguir estudo. Não precisava de ir para o Colégio.

Embora sempre fôssemos amigos e não só ela, mas os filhos e o marido mantínhamos boa amizade e aproximação e de convívio, mas o casal já faleceu e o filho mais velho também. Resta da família, a família do José Amado e a filha Dra. Maria Nadir de Sousa Santos Lima, aquela que entrou, de carro, em Mazarefes comigo presbítero ordenado nesse dia até perto da Capela da Senhora das Boas Novas, onde me esperava toda a freguesia e crianças da catequese.

Afinal os que não acreditavam que eu pudesse ser padre, acabou-se. Fizeram festa com o Sr. Padre Sebastião Ferreira, hoje, Vigário Geral Emérito da Diocese de Viana do Castelo, também agora a preparar-se para celebrar os 50 anos da sua fundação, como Diocese.


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