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Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Franco de Castro, Homem do Direito e um activista de boas causas sociais e culturais

 

Franco de Castro, Homem do Direito e um activista de boas causas sociais e culturais

 

 

Em 25 de Novembro de 1936 nasceu em Lanheses um menino a quem lhe puseram, no baptismo, o nome de José. Seu pai, Manuel Alves de Castro, regedor que foi regedor e presidente da Junta de Lanheses, era um construtor civil. Foi ainda fiscal de obras dos Serviços Médico – Sociais em Vila Nova de Famalicão, Stº Tirso e Braga; e a sua mãe de nome Maria Franco da Silva, era doméstica e uma organista da Igreja Paroquial. Como tal, muitas vezes solicitada para tocar o orgão de foles em muitas outras igrejas vizinhas, sobretudo, em ocasião de festas.

O José Franco de Castro fez a 4ª Classe na escola de Lanheses e fez exame de admissão ao seminário sendo admitido com distinção, em 1948 onde estudou até 1957 tendo frequentando o 1º ano de teologia até 5 de Maio. Quando decidiu sar contra a vontade do Cónego Mouta Reis, mesmo assim, veio embora com a oferta de que ficava com as portas abertas para voltar.

Em Junho do mesmo ano fez o exame do 3º, 4º e 5 anos dos liceus na secção de Ciências. No ano seguinte fez o 6º e 7º ano na secção de Letras, tendo ficado dispensado de admissão à Universidade pela classificação que obteve no Liceu Sá de Miranda, em Braga, depois de ter frequentado o Colégio D. Diogo de Sousa.

Foi sempre dispensado da despesa de propinas. O Director do colégio Pe. Elisio, já falecido, dispensou-o, devido aos seus níveis de classificação, sobretudo, na disciplina de matemática em que era o melhor aluno nos liceus de Braga.

Em 1958 deu entrada na Universidade de Coimbra. Licenciou-se em direito, em Outubro de 1963 e matriculou-se no curso complementar de Ciências Jurídicas de 63/64, só com médias altas apesar da clivagem que na altura faziam.

Casou em 1966 com Maria Margarida Pereira de Brito, também Licenciada em medicina pela Universidade de Coimbra em 1965. A sua esposa foi autoridade de Saúde Pública em Vila Nova de Cerveira, e depois Viana do Castelo, donde se reformou. O casal tem duas filhas, uma delas já premiou os seus pais com um neto.

O Dr. José Franco de Castro foi delegado de Procurador da República Interino em Fevereiro de 1964.

 Em Novembro de 1964 concorreu a magistrado, ficou em 2º lugar tendo sido atribuído o primeiro lugar ao futuro Provedor Geral da República Narciso Cunha Rodrigues com muito bom e o Franco de Castro ficou com apenas “Bom com Distinção”.

Nessa altura veio exercer a magistratura na comarca de Caminha como Delegado e Provedor da República de 3ª classe efectivo, em 1965. Foi promovido a 2ª classe e foi para Ponte de Lima, em 1967, exercendo o mesmo cargo. Aí esteve pouco tempo. Pediu seguidamente para ser autorizado a concorrer ao cargo de Conservador para fazer mais companhia à família.

Como estava vaga a conservatória de Vila Nova de Cerveira, em 1968, ficou aí, por nomeação. Tratou do auto o Dr. Santos Carvalho da relação do Porto. Foi ainda Conservador do Registo Civil e Predial, após um ano e convidado a aceitar o cargo de Notário, exercendo três funções ao mesmo tempo, juntamente com o exercício do cargo de juiz municipal de Vila Nova de Cerveira, onde esteve até quase 1975. Em 1978, no mês de Novembro pediu transferência para a conservatória do Registo Predial e Comercial de Viana do Castelo que era de 1ª classe, tendo sido nomeado, exercendo o cargo durante 19 anos. Foram centenas de milhares largos de registos, que preparou, ou preparados pelos seus funcionários, que ao princípio eram dois, mas quando saiu eram dez, teve de verificar e assinar.

No princípio era primeiro substituto de juiz da Comarca de Viana o que aconteceu durante 2 a 3 anos.

Também algumas centenas largas de julgamentos entre Viana do Castelo, tribunal da Comarca e o Tribunal do Trabalho.

Conseguiu que a Conservatória do Registo Predial de Viana fosse a primeira a nível do país a ser informatizada.

Foi presidente da Comissão de Avaliação dos Prédios Urbanos do Conselho de Viana do Castelo conjuntamente com o Eng.º António Barroso, já falecido e com o Eng.º Felgueiras, este, funcionário da Câmara.

Durante 6 anos foi presidente do Conselho Juridicional  da Associação de futebol de Viana do Castelo, por eleição. Foi sócio fundador do Clube Desportivo de Cerveira, presidente da C. Instaladora e 1º Presidente da Assembleia Geral desportiva Clube de V. N. Cerveira.

Tendo em vista uma próxima passagem à situação de aposentado foi ocupar o lugar de Conservador do Registo Comercial do Porto durante 4 anos, entre 1993 e 1997, data em que regressou a Viana definitivamente, onde tinha residência na Estrada da Papanata, da freguesia de Sta. Maria Maior, Paróquia de Nossa Senhora de Fátima.

Em Viana, foi instado a aceitar a candidatura a presidente do Coral Polifónico , tendo aceitado a eleição cerca de 6 anos, onde continua como coralista.

Na qualidade de Presidente da Direcção do Coral Polifónico exerceu conjuntamente com os seus colegas e amigos uma acção que dinamizou o coral e o levou a várias actuações no país e no estrangeiro, assim como a tomar parte numa apresentação em Espanha, onde foi galardoado com o primeiro prémio. Foi nessa altura também que se tornou uma colectividade com maior nível artístico e social a ponto de ter recebido a medalha de mérito da Cidade de Viana do Castelo.

Ao ser aposentado continuou com uma tarefa bastante stressante, pois reinscreveu-se na Ordem dos Advogados pelo que não tem muito tempo disponível. Tem o seu gabinete à Praça 1º de Maio e, para concluir, o Dr. José Franco de Castro continua a ser coralista no Orfeão de Vila Praia de Âncora, para além do Pólifonico.

Foi vice-presidente da Direcção do Centro Social Paroquial de Nossa Senhora de Fátima, ao qual dá a sua contribuição preciosa nas decisões de Direcção e na substituição do Presidente.

Como advogado, só uma causa perdeu no Supremo Tribunal. Todas as outras ganhou. Em Cerveira tinha a fama por ganhar as causas todas e, em Viana, ganhava os recursos todos. Colegas de Trás-os-Montes e, de outros lados, às vezes telefonavam-lhe a pedir a sua opinião. Só interessava investir naquilo que a gente tenha razão, mas pode perder a razão. Não interessa, nos tempos de hoje, investir no que tem razão e deve pensar duas vezes antes de ir para tribunal porque pode sair sem razão. Mas, se não tiver razão, talvez valha a pena porque pode sair de lá com ela.

Sente-se um homem feliz por tudo o que fez na vida. Algumas não foram tão claras, mas, o saldo é positivo. Tudo o que fez, fê-lo com espírito de o fazer a favor da sociedade, ou melhor na defesa dos direitos do outro.

Ainda hoje é presidente da Assembleia Geral do mesmo do Coral Polifónico. É presidente da Assembleia Geral do Coral Polifónico de Vila Praia de Âncora, presidente do Concelho de Administração da Fundação da Cultura Musical Fernando e Lúcia Carvalho com sede em Viana.

Esteve na criação do Berço e manteve-se muito para além da Inauguração do novo com o Eng. Mota, o Comandante Martins, Drª Teresa Barroso, Engª Natália e Joaquim Arantes, conforme o registo à porta da Capela Jesus Maria José, construída em 1731, no dia da inauguração do novo Berço..

 



Depois foi sempre assim?

 

Depois foi sempre assim?

O meu coração apertadinho dos primeiros anos já se tinha ido!...

Estudava bem e tirava notas razoáveis, embora o meu coração estivesse em Viana. Por esse motivo, em dezembro, para prevenir a chegada das férias de natal contactei a Empresa Magalhães para arranjar uma camioneta para que, no dia da saída para férias os de Viana pudessem, ao toque da campainha e à abertura das portas do Seminário, entrarem nela e, mais depressa, chegarem a casa.

Não considerei isso acto heroico, mas alguns assim entenderam.

Tinha-me parecido que sair de mala de viagem à procura de transporte de camioneta ou de comboio, o mais prático era ter à porta a camioneta e seguir viagem para Viana. Foi, por isso, que contratei o autocarro que à hora prevista estava à nossa espera.

Todos, numa correria, enchemos a camioneta. E, Viana, era o nosso destino.

Pelo caminho foi uma festa. Ao passar nas terras, alguns iam ficando e, em Viana, os outros que as famílias de Perre e de freguesias vizinhas esperavam.

Este evento fez que os vianenses de filosofia e teologia, os da Colónia de Viana, apreciassem porque até ali ninguém se tinha lembrado de uma coisa destas. Alguns vianenses recordam esta iniciativa com admiração!

O 4º ano, hoje o 8º ano, foi feito com facilidade. Pensava-se nas férias, nas atividades das mesmas, e nas da Colónia Vianense que se faziam em férias. Eu próprio com os seminaristas da minha terra o José Maria Cunha, o José Augusto Barbosa e o Mário Gonçalves organizamos para os vianenses algumas festas em Mazarefes.

Depois das férias que fazíamos no Rio Lima, em S. Simão, voltamos ao Seminário.

No 5º ano assim foi... Batina, cabeção e a murça…E os sapatos de fivela.

Foi cedo de mais, mas não fez mal nenhum.

Aí deixamos de dormir em camaratas e cada um tinha o seu quarto. A melhor nota que tive foi a Inglês e também no 5º ano foi o ano em que melhor nota obtive em música desde o 1º ano. O Pe. Manuel Faria, sem desprimor para seus antecessores professores de música, foi aquele que, agarrado a um piano, me fez entender e distinguir o tempo e os meios tempos das notas, os sustenidos e os bemóis, aí comecei a cantar todas as escalas em menor ou maior.

Mais um ano bem passado e bem aproveitado. Cada vez me sentia mais eu e lá fui parar ao Curso de Filosofia.

Entrei na actividade extracurricular que foi a aula de pintura a aguarela, ou a óleo com o Mestre Luís Campos e em 1967 expus os meus primeiros quadros de que ainda conservo 3 ou 4, no Edifício do Turismo de Braga.

Entrei, noutra atividade extracurricular, na Legião de Maria que abracei toda a vida até ao fim da Teologia.

Foi este movimento que, experimentando o trabalho com os presos, com os ciganos e os doentes do Hospital de S. Marcos que mais me determinou na caminhada para padre.

Trabalhos, estes, que continuei no Curso de Teologia. Organizei, o que aconteceu pela primeira vez, uma catequese para os ciganos, na Capela de S. João, junto ao rio Este. Organizei uma Peregrinação com os ciganos à Senhora do Sameiro, a primeira e a única, onde se reuniram ciganos de Famalicão, Póvoa e os três acampamentos de Braga. Um domingo, de tarde com as alunas do Colégio do Sagrado Coração de Maria, organizei um baile na cadeia. Foi a primeira e a única vez, porque o director com argumentação que facilmente compreendi, era proibitivo...

Na cadeia passava muito tempo. Um dos presos escrevia umas coisas e arranjou uma máquina de escrever. Pedi-lhe para me mostrar escritos dele e depois levava-os para publicar no diário do Minho e assim, quando saiu da cadeia se fez jornalista e foi director de um jornal regional.

O curso de teologia não foi difícil, mas eu é que, entretido com os ciganos, com os quais, às vezes, comia nas tendas deles porque achava que era a melhor maneira de lhes mostrar que não desprezava a sua cultura, com os doentes no Hospital ou na Cadeia... Só estudava à noite o que ia para além das 22H., a hora de descanso e de fechar as luzes do quarto. Tapava o candeeiro com a murça e dirigia a luz para os livros, cada dia e noite estudava as aulas anteriores para no dia seguinte não fazer má figura e para se saber, claro.

Uma vez o Dr. José Areeiro, professor de História de Arte, convidou-me a dar uma aula sobre arte rupestre. Aceitei o  desfio. Suponho, não me lembra, mas fui o único a desempenhar esse papel, de tal modo que sempre fomos amigos.

Todos os anos foram em Teologia também aproveitados, só não gostava muito de Dogmática e reprovei a esta disciplina no último ano.

Tive de repetir o exame no fim das férias de Verão e acabei com êxito. Fui ordenado diácono e participei num curso Dominique a convite de um enfermeiro de Abrantes que o conheci, quando nas férias grandes de 1970, participei na expansão da Legião de Maria em freguesias de Abrantes, Portalegre e Castelo Branco, com meu colega João Alves Lima e um estudante de engenharia de Carcavelos que não recordo o nome