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sábado, 18 de julho de 2026

Os sinos da minha terra

 




Os sinos da minha terra

Não é para lembrar os “sinos da minha aldeia” de Almeida Garrett e como ele escreveria hoje sobre os mesmos sinos da sua aldeia... Bem como outros autores de nomeada da nossa literatura. Havia os sinos da Igreja de S. Nicolau de Mazarefes, padroeiro da paróquia de Mazarefes, minha terra natal. Por isso, eram esses que mandavam. Para além desses, havia e ainda há os sinos da Capela da Senhora das Boas Novas.

Naquele tempo, os sinos ouviam-se mais longe e tinham fins religiosos e civis. Assim, se houvesse um toque de um só sino, com o badalo a bater desordenadamente, sem jeito e rápido, era sinal de que havia algum perigo: um incêndio ou uma chamada para arranjar algum caminho, limpar, etc. As pessoas, quando se tratava de fogo, largavam tudo e, com baldes e outros instrumentos, corriam até ao local para salvar uma casa ou uma fábrica. Todos passavam baldes de água de mão em mão para atirar ao fogo. Às vezes, quando os bombeiros chegavam, já o fogo estava apagado.

Quando se tratava de arranjar caminhos, lá tocava o sino para lembrar o que tinha sido anunciado. Punham a enxada às costas e lá iam todos os que podiam. Assim, de forma solidária, resolviam-se os problemas da terra, onde toda a gente se conhecia. Numa manhã ou numa tarde, o caminho ficava limpo e próprio para passar.

A parte religiosa era o toque dos sinos para lembrar a hora da missa, pois nem todos tinham relógio. Antes de começar, davam três badaladas no sino. No entanto, foi resolvido acabar com as três badaladas porque os ladrões já sabiam que a missa tinha começado e andavam mais à vontade... Repicavam os sinos de festa para anunciar batizados e casamentos, ou de funerais de anjinhos. Também tocavam tristemente para anunciar uma morte, um falecimento, e tocavam várias vezes durante o dia...

Ao meio-dia, voltava a tocar para a oração do Angelus. Era o toque do meio-dia. As pessoas, quase sempre, estavam a trabalhar e descobriam a cabeça, faziam silêncio e rezavam. Os que não rezavam faziam silêncio em respeito aos outros.

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
R. E Ela concebeu do Espírito Santo. Ave Maria…
V. Eis a escrava do Senhor.
R. Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra. Ave Maria…
V. E o Verbo divino encarnou.
R. E habitou no meio de nós. Ave Maria…
V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos. Infundi, Senhor, como Vos pedimos, a Vossa graça nas nossas almas, para que nós, que pela Anunciação do Anjo conhecemos a Encarnação de Cristo, Vosso Filho, pela sua Paixão e Morte na Cruz, sejamos conduzidos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.

Quando não sabiam esta oração do Angelus, rezavam-se fórmulas como o Pai-Nosso, a Ave-Maria ou o Glória. À noite, voltava a tocar para anunciar que a noite tinha chegado e rezava-se a oração à Santíssima Trindade:

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores. Amém.

Havia a superstição de que, a partir dessa hora, as crianças só podiam estar dentro de casa ou, se saíssem, só o faziam ao colo do pai. Era a ideia do ar da noite, do escuro, onde apareciam os lobisomens, as procissões de defuntos e as almas penadas.

Os sinos da minha terra, como os das outras, ouviam-se longe, pois estavam bem alto, na sineira da alta torre. Mas, agora, não são só eles que estão altos; há outras coisas mais altas: barreiras, um meio ambiente poluído de poeiras, de tudo e de muito barulho. No meu tempo de criança, às vezes, chamava-se alguém a quase um quilómetro com um grito acabado em "Chilii…", do Monte para a Regadia ou da Regadia para algumas zonas do Monte. Acontecia em Mazarefes.

Hoje é impossível, porque o meio ambiente nos sufoca a todos e nos traz doenças auditivas, respiratórias, visuais, etc. O ambiente contaminado de lixo eliminará a nossa vida na Terra. Defenda o meio ambiente, obedeça às orientações do uso do plástico e de tudo o que é resíduo, porque lixo sobre lixo não é luxo. Embora eu saiba de alguém que é capaz de transformar lixo em luxo — mas é só um caso que conheço —, ele é capaz de transformar o lixo em luxo, mas apenas algum lixo.

 

Crucifixo é Sinal de Confiança

 

Crucifixo é Sinal de Confiança

Já aqui falámos de oratórios que existiam em cada casa. Alguns ainda existem em casas antigas e são verdadeiras obras de arte. Consta que o Senhor do Alívio fazia parte de um oratório duma família antiga da Abelheira que o doou à Capela, depois de o cruzeiro que lá existia com alpendre se ter transformado numa pequena capela, cuja bênção foi em 20 de outubro de 1916, com autorização concedida por D. Manuel Vieira de Matos, arcebispo de Braga.

Hoje, o crucifixo é pouco visível nas casas novas, nos apartamentos e, não sei, se ao peito das pessoas. Nunca devia ser usado como amuleto, como acontece com alguns. Trazem o crucifixo e outras coisas mais à mistura, o que perturba a mente de qualquer “semelhante” sensível ao discernimento de uma fé esclarecida.

O crucifixo é um objeto que deve inspirar-nos confiança. É bom contemplá-lo nas nossas casas, igrejas domésticas. Seria bom que cada um se fizesse acompanhar, ao peito ou no bolso, por essa imagem de um Deus feito Homem que, depois de nos comunicar a mensagem do Pai Eterno, expira pregado a uma cruz, com a cabeça coroada de espinhos e inclinada sobre o seu peito, com olhos vidrados e uma face sofredora cheia de precioso sangue coagulado. Contemplar os pés e as mãos trespassadas e as chagas dos algozes... Tudo isso por mim, por ti, por nós... Como é tão fraca a nossa fidelidade ao seu grande amor! Como nós devíamos ser uns para com os outros, retribuindo assim tão grande afeto de Cristo misericordioso, que tem uma paciência enorme para tolerar as nossas fraquezas, ódios, orgulhos e vaidades...

Antigamente, nas escolas, existia uma cruz nas salas de aula. Foram retiradas e, talvez por uma questão de liberdade religiosa, isso tivesse o seu sentido; mas nesta terra, onde a maioria ainda é cristã... talvez não viesse mal ao mundo por isso. Seja como for, também já nem se fala de Deus ou de Jesus às crianças... Os pais pedem o batismo para os filhos, mandam-nos à catequese, mas a oração ou o simplesmente falar de Jesus — de Deus que nos ama e que nos pede para sermos todos bons, amando os outros —, isso está esquecido, e em casa não há tempo para nada. O dinheiro, as coisas materiais, as comodidades da vida, o cartão de crédito, o pedido de crédito bancário, etc., são a maior preocupação.

Depois, os catequistas é que são exigentes. A Paróquia não tem catequese à semana e devia ter. “Vou para onde me der mais jeito.” Ao fim de semana é para descansar, passear e ir aos shoppings; não há tempo para a oração, para a missa, nem para a catequese, nem num lado, nem no outro. Com a desculpa de que vão à terra dos avós ao fim de semana, acabam por não ter prática religiosa em lado nenhum, nem os pais, nem as crianças.

“Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.”
“Tudo é possível àquele que crê.”

A confiança em Deus é a esperança de que Ele não nos deixará faltar nada. Ele será a nossa luz e a nossa salvação, e protege-nos. Ele há de ajudar-nos nas nossas necessidades materiais e não nos preocuparemos com o futuro. Se somos culpados, não tenhamos medo do Salvador; não foi por nós, especialmente, que Ele desceu à terra? Jesus perdoou a Madalena, à terceira negação de Pedro, a Zaqueu e abriu o céu ao bom ladrão.

Oh vós, que andais por aí... depressivos com problemas de vida, da vida de família, da vida conjugal, que casastes em segundas núpcias, com o estigma de condenados ou pecadores, Jesus continua a dizer-vos: “Vinde a Mim, que sou manso e humilde de coração.” Continuai a rezar, a confiar em quem tudo pode. O nosso Deus é grande em Misericórdia, em Bondade, no Amor e na Justiça. Ele há de salvar-nos.

Amigo, se me lês, não te esqueças de que este é um valor a defender. Se a tua fé for grande, será igual à tua esperança e seremos todos felizes porque, na tranquilidade e na serenidade, este objeto vivo nos inspira para uma vida eterna, afastará de nós todos os medos e, com este sinal da cruz, venceremos todos os males!

 

sábado, 11 de julho de 2026

 

Bem-vindos ao meu blogue! 

    Chamo-me Ângelo e sou estudante. Tenho um grande interesse pelo debate de ideias, pelo pensamento crítico e pela política. 

    Criei este espaço para partilhar as minhas opiniões e reflexões sobre política e outros temas que considero relevantes para a sociedade. Espero que os meus artigos incentivem os leitores, principalmente os mais jovens, a refletir sobre diferentes perspectivas e a formarem a sua própria opinião. Espero também motivar os jovens a interessarem-se pela vida pública e a compreenderem a importância da política, para que, quando chegarem à idade de votar, possam fazê-lo de forma informada, responsável e consciente. Acredito que todos, independentemente de quem sejam ou das suas opiniões, desempenham um papel importante na sociedade. Votar é uma forma de participar ativamente na democracia e contribuir para o futuro de todos. 

    Obrigado pela visita e sejam bem-vindos à A Voz Jovem.

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