AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com

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terça-feira, 17 de julho de 2018

FALAR DE VIANA

Viana do lado de lá
A falar de Viana, não sei se seria melhor falar do lado poente, do lado nascente, do lado norte ou do lado sul.
Viana é contemplada sobretudo do lado sul, de Darque, da entrada na Ponte nova, ou da Ponte velha.
No entanto, em cada dia há sempre uma Viana remoçada seja de que lado for, e sobretudo, do lado nascente para onde se expande mais, ou para o poente que pode ser observada do mar-alto.
Esta Viana do lado de lá é onde eu gostaria de estar para observar aquilo que me vai no coração, na alma de quem vive a cidade dos homens e neles pensar em elevá-los à dignidade e ao nível que todos ansiamos por uma cidade cada vez maior, mais bela, mais pacífica. Do norte ao sul, da nascente ao poente se quer como uma grande família, onde todos dêem as mãos para marchar em frente pelo bem-estar de todos e cada um.
Acordei eu!...
Sou suspeito para falar de Viana porque Viana é a terra onde a “minha alma gentil” camoniana, gravita. Para além disso “sou sujeito a estas distrações, a este sonhar acordado. Que lhe hei-de eu fazer? Andando, escrevendo, sonho e ando, sonho e falo, sonho e escrevo. Francamente me confesso de sonâmbulo, de solilóquio, de... Não, fica melhor com seu ar de grego (hoje tenho a bossa helénica num estado de tumescência pasmosa!); digamos sonílogo, sonígrafo... A minha opinião sincera e conscienciosa é que o leitor deve saltar estas folhas, e passar ao capítulo seguinte, que é outra casta de capítulo” segundo “Viagens na Minha Terra”, de Almeida Garret.
Virando a folha sentirá outra aragem, outra doçura, outro ambiente, outro conteúdo que o fará descer mais à realidade.
Acredito no outro lado do meu lado seja esquerdo ou direito, da frente ou de trás. É o lado da minha sombra. Sou eu. É a minha terra, o meu berço, a minha pátria, o meu torrão, o meu lar, porque Viana está no meu coração.
Olho para o rio e ao contemplá-lo gostava de cantar com o meu lado:
A água do rio Lima
Foge que desaparece;
Nem a água apaga a sede
Nem o meu amor me esquece.
A água do nosso rio
Bate toda em cachão,
Assim batem as penas
Do meu coração. (Cancioneiro da Serra de Arga)
Assim como a minha terra Mazarefes que é Viana, assim o meu outro lado que cantava a saudade:
A carta que te mandei
Foi escrita à candeia;
Com suspiros foi fechada,
De saudades vai cheia.
As cantigas são saudades,
Quem canta, saudades tem;
Quem canta para esquecer
É certo que lembra alguém. (Cancioneiro da Serra de Arga)
O outro lado é o outro ao qual eu quero sair ao seu encontro, para, de mãos dadas construirmos, lado a lado, a cultura vianense e criarmos uma comunhão que conduza a uma maior beleza desta cidade, desta terra que se chama Viana. Quem a visita esquece o outro lado por entrar na nostalgia de tudo o que é belo, desde o ambiente até à alma vianense de todos os outros que fazem uma festa e sabem acolher com alegria e amor quem chega.
Quero deixar de lado a mitologia do esquecimento, bem como a lembrança de Estrabão e estar ao lado do lutador romano, destemido e impulsivo, Júnio Bruto, sem esquecer o nosso lado da raiz límica, desde as suas nascentes, a 975 metros de altitude no monte Talariño, do lado poente, nas costas das nascentes do rio Sil, no Sarreaus, Couso (…) o rio, não do esquecimento, mas da lembrança, do encanto porque era terra do bem fascinante guardada na memória do coração de todos os que aqui chegam.
Tinha razão Júnio Bruto que, então, é mesmo verdade: “Quem gosta vem, quem ama fica!”
Tudo o que Deus fez é belo, mas para mim, Viana é o meu lado mais nobre, depois de Deus que adoro.
Viana é a terra do coração.
Padre Artur Coutinho




As duas primeira imagens mostram a nascente onde já fui com amigos. Lugar especial para repouso, muito silêncio...serenidade, no Couso perto de Xinzio do Lima. Local bom para contemplação, meditação, oração e elevação de corpo e alma.
A terceira é a nascente que fica mais longe no monte talariño camada a fonte de Sarreaus que oura nascente do Lima e na encosta virada a poente porque as fontes na encosta do lado nascente vão ter ao rio Sil da Ribeira Sacra.
Esta nascente do rio Lima, passa-lhe perto o Caminho de Santiago
A outra imagem a da Forxa Torre da Porqueira acerca de 40 Km do Xinzio do Lima de regresso a Portugal. Era uma torre de defesa dos povos límicos... Devia haver um estudo actual sobre as diferenças e as semelhanças entre os costumes, a linguagem popular, tradições, toponímia, etc de Viana a Xinxio do Lima. Talvez uma boa tese para estudantes esoanhóis e portuguses.
Aparecem mais três fotografias de Couso e as últimas são das margens do Rio em Mazarefes.
Isto é também Falar de Viana.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

QUEM AMA FICA!...

Quem ama fica!...



Era menino, ainda pequenino, e já corria de Mazarefes… ao colo da mãe, da tia, do pai ou do avô para a cidade. Acredito eu, como os meus pais e família, viviam as festas da Senhora da Agonia com alegria a todas as horas do dia e da sua devoção à Senhora, onde, na sua capela rezávamos e  eles deixavam as suas esmolas.

A minha família era muito bem relacionada com famílias de Viana, algumas já perdi de vista. A família da Ritinha do Forno, o Tenente Teixeira, do Carvalho, ferrageiro em Viana, a família do Dr. João Valença, o Camelo do Largo de S. Domingos, a família Bacelar, a família Sárrea, a família Carvalho da Ourivesaria, a dos Fidalgos, a família Alpoim, a família Queiroz, da Zefa Carqueija, dos Figueiredos, dos Gandras, muitas, mesmo muitas das famílias desde as mais simples às mais cultivadas. Era eu pequeno e batia à porta das famílias conhecidas.

Talvez por motivos de banhos quentes da praia norte que a minha avó paterna utilizava um mês no ano, em Agosto. Nesse tempo, normalmente, eu passava a maior parte dos dias na cidade, ainda no tempo de escola, até a minha avó desistir dos tratamentos que a ajudaram talvez, na altura, a superar algum dos seus sofrimentos. Este fator deve ter contribuído muito para estar em Viana, como se estivesse em Mazarefes, minha terra natal.

Era a minha terra. A minha ida para o Seminário e para a Serra d’Arga, assim como a minha solicitude pastoral, como sacerdote que sou, desviaram talvez muito os meus olhares e as minhas convivências com jovens da cidade e da minha idade… muitos encontrei-os e encontro-os na minha Paróquia. Caminhos diferentes para uns e para outros… Alguns amigos mais velhos já faleceram. Outros estamos apenas em alguma convivência e colaboração pontual ou ainda conservamos memórias que podemos considerar de outros tempos.

Ainda recordo outras famílias: os Dias, os Salgados, os “Russos”, os “de Outeiro”, os “Limas”, “Cerqueiras” da Abelheira, os Delgados, o Martins da Socomina e de Valverde, os Matos e os Farias.

Desse tempo recordo as festas d’Agonia como aquilo que mais era esperado pelo povo das aldeias e vivido com uma animação extraordinária, por toda a gente, sobretudo pela juventude, mas não havia idoso que ficasse em casa. No coração pulava sempre  sangue novo.

Eu nem vinha. Passava esses dias cá e era um “regalo” ver os comboios (cheios por dentro e por fora) apenhados de forasteiros agarrados às portas, aos degraus das escadas, às janelas, a qualquer sítio onde pudessem ter a que se agarrar, correndo até riscos ou pondo a vida em perigo. Depois… eram comboios de um lado para outro a várias horas!...

Mantinham-se os horários normais, mas fora disso, era um vaivém de comboios… de gente que vinha e de gente que ia…os que vinham a explodir de satisfação e os que iam cansados, mas com vontade de ficar!...

Aqui pelas ruas da cidade era um frenesim de alegria espantosa, um correr aos fontenários de Santo António, da Senhora d’Agonia, de Altamira, das Almas, etc… enquanto, por outro lado, pessoas amontoavam-se para entrar nos sanitários públicos da Rua General Luís do Rego, na Estação, no Mercado, no Jardim da beira-rio por baixo do coreto, no Jardim D. Fernando (S. Domingos) …

Água, limonada, pirolitos e laranjada!... Gritavam alto as mulheres ou os homens que, nesses dias, se dedicavam de cântaro aos ombros, ou mais tarde, com caneco de zinco coberto com cortiça. Era barato, custava o tostão. Caro por ser água com limão, mas barato por quem matava a sede ao

O mais interessante para mim, no tempo de criança, eram os cabeçudos, os gigantones, os bombos, o barulho e o vaivém das pessoas desde a Rua da Bandeira ao Templo da Agonia, a “Avenida das Camionetas” e dos Comboios, onde eram deixadas multidões de passageiros, que se dispersavam por todos os cantões de toda a cidade.

 O ponto de encontro era a Praça da República, mas o Campo d’Agonia era o espaço da grande festa à volta do templo e sempre cheio de gente e de miudagem que se entretinha a ver os brinquedos artesanais e a pedir, choramingando aos pais, à mãe, ao tio ou ao padrinho mais um brinquedo, um chupa-chupa feito de açúcar em caramelo à volta de um palito e em forma de um cone resguardado por um papel… Os carrocéis e as voltas que as crianças sempre deliram e gostavam de repetir até nunca mais se cansarem.

Sabia sempre a pouco, sendo certo que se voltava da festa com saudades de querer ficar, vindo agora o lema: “Quem gosta vem, quem ama fica”.

Comecei a viver as festas convivendo nesses dias sempre com famílias amigas em Viana e, ano a ano, é sempre uma romaria nova.

Sempre há uma novidade: Nesses dias Viana vive, como nunca, de outro modo, dias que arrastam à partilha, à convivência, à coesão e à sombra da senhora da Agonia abre caminhos para a comunhão, uma nova alegria que vem mesmo do coração, isto é, vêm de dentro, venerando a Senhora da Agonia não poem de lado a natural alegria que de dentro salta, como uma explosão, para uma vida nova, remoçada, ano a ano, e como acalentando na mão um bebé para que não caia ao chão.

É a ternura, é o amor, e é por isso que “Quem ama vem, quem gosta fica”.

                                                                                                                          A. Coutinho

domingo, 21 de novembro de 2010

Estaleiros de Viana


Será que a salvação chegou aos Estaleiros para libertar muitas famílias de mais miséria?