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Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Toucas


Toucas

Cobrir a cabeça já vem dos tempos mais ancestrais da história da humanidade.
Cuidar da cabeça era algo natural e muito importante, pois a falta de higiene nos cabelos pode dar origem a parasitas. Cobrir os cabelos e a cabeça era modo de proteger os belos longos ou normais, cabelos com pontas secas e duplas, cabelos secos, ressecados, cabelos enfraquecidos, danificados ou tingidos e descoloridos, assim como o fortalecimento e o crescimento saudável dos fios das cabeleiras. Também tinham os seus remédios caseiros e as senhoras os seus artefactos para os ornamentar ou dar-lhes forma sedutora.
Qual foi a primeira indumentária para tapar a cabeça do frio, da chuva ou do sol, não posso afirmar.
Naturalmente seria o gorro ou a touca de origem indígena. Hoje a touca destina-se sobretudo para o banho, para a natação ou para higiene na cozinha.
A touca era naturalmente feita inicialmente à moda do turbante de origem asiática. Pelo contrário a palavra touca parece ter origem celtica.
O barrete surgiria mais tarde, o “barrete frígio” ou o “barrete de liberdade” espécie também de touca ou carapuça usados na antiga região da Ásia menor, onde hoje é a Turquia. No século XVII este “barrete frígio” tomou o nome de “barrete de liberdade” depois da guerra dos Estados Unidos da América e durante a Revolução Francesa. O barrete apareceu no brasão das armas da Argentina. O folclore moçambicano marcado com touca vermelha na cabeça e em Portugal existem as águas sulfúreas da touca Alpedrinha (casa do Fundão). Na língua mirandesa Touca é Galinha?
Há autores que dizem que o homem medieval dormia completamente nú e só usava uma touca a cobrir a cabeça.













O Turbante é uma forma de cobrir a cabeça. Há vários tipos de turbantes, de origem desconhecida, mas quem sabe se anterior ao gorro, à touca, ou a qualquer outro tipo de cobertura de cabeça? Ele era usado no Oriente antes do aparecimento do islamismo. De origem indiana? Turca? Árabe?
Tem a ver com o movimento e o ornamento que punham na cabeça das crianças.
Hoje é faixa de pano que cobre a cabeça com várias formas, feitios e coloridos ao gosto de cada um, da região ou da tendência islâmica.
O solidéu pequeno barrete de lã ou de seda usado pelos bispos e Papa em forma de calote e que significa enviado, isto é, tem  autoridade e identificando-se como a plenitude do sacerdócio em Jesus Cristo e embora os cónegos a possam usar é de outra cor, preta e não podem significar a plenitude do sacerdócio a não ser em colégio e em “sede vacante”.
A Kipá judaica é semelhante ao solidéu cristão, só que aí tem outro significado é que o judeu acha que acima do homem não está mais ninguém a não ser Javé e a Kipá é o tapete onde Javé pode poder os seus pés sobre o homem. Sobretudo, quando um judeu reza, cobre a cabeça com a Kipá.



Hoje a touca é uma peça de vestuário obrigatória para os cozinheiros, para os que usam piscinas públicas, nos serviços de saúde, etc…

O Barrete


O Barrete

O barrete semelhante ao gorro ou à carapuça e à touca. Só que esta terminologia apareceu mais tarde e significaria a materialização da república. “Enfias o barrete”, isto é o, adufe, tipo de pandeiro quadrado de origem árabe, ou as namoradas se orgulhavam dizendo “a todos enfiei o barrete”. Também se chamou barrete a uma capa de origem moçárabe usada para a chuva. Talvez hoje, ou mais tarde, tivesse tomado o nome de capuz.
Utilizava-se o barrete feito de lã e cinta preta enrolada à volta.
Do barrete surgiu a mitra, isto é, um barrete achatado e pontiagudo, geralmente de duas faixas, utilizado pelos bispos da Igreja Católica, Anglicana, os cardiais e o Papa.
No caso do Papa pode ter a forma de uma coroa tripla, que remota com uma cruz chamada tiara. O uso da tiara foi abolida pelo Papa Paulo VI para dar mais ênfase ao carácter pastoral do papa do que do poder temporal. Mitra é uma palavra que já vem do paganismo, pois existia a deusa Mitra, divindade persa que se aliou ao sol para obter o calor. Mitra é o génio da luz celestial…








No cristianismo a Mitra Diocesana era a origem de toda a vocação baptismal, era serviço e ministério que o cristão vai exercer ao longo da sua caminhada. Toda a criança que nasce tem na origem a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Esta é a beleza da nossa fé católica, onde tudo tem a sua razão e sentido segundo um escritor brasileiro.

A Iluminação - A CANDEIA



A Iluminação



Depois da descoberta do fogo através de uma fricção entre duas pedras e dum chispe resultante, surgiu também a luz até hoje falarmos da lâmpada, das suas qualidades e diversidades, das que dão mais luz e das que gastam menos até chegarmos às lâmpadas leds.
Ora a primeira iluminação teria começado por candeias de pedra até porque o sufixo cand, de origem celta, vem de pedra. Houve candeias de pedra, candeias de cerâmica, de argila, de cobre, de bronze, de prata, de ouro com desenhos inspirados segundo as proveniências dos deuses do tempo do paganismo e também pelo uso dado pelos reis, imperadores, os chefes das tribos até chegarmos às candeias de folha-de-flandres para depósito de combustível que seria o azeite, o óleo. Estas candeias ou lampiões que serviam para alumiar de noite os caminhos por onde se passava, para ver onde se podiam pôr os pés, ou dentro das cavernas, das casas, dos solares, com o zinco encaixilhavam vidros para poder trazer para o exterior os resultados da combustão da torcida inflamada pelo combustível.
A candeia conhece-se como vaso de metal ou de barro com asas, com desenhos gregos, em nome de deuses como serviam para beber para alumiar.
Podiam fazer lembrar noutros tempos a vela dos moribundos e daí a festa da candelária.
Tudo evoluiu a ponto de ter aparecido outro modo de combustível, como o petróleo, por exemplo.
Apareceram os petromaxes. Não sei quando, mas já os conheci no tempo de criança.
Neles havia um depósito para o combustível, uma armação em metal com vidro cilíndrico e uma camisa em seda em forma de lâmpada. No depósito havia um injector manual para criar pressão sobre o combustível que, ao entrar na referida camisa, chegado uma chispa de fogo, começava a iluminar com uma luz muito forte. Os gases libertados saíam por cima como por uma chaminé.








Outra experiência era a luz de acetileno, isto é, hidrocarbonetos gasosos que se obtêm pela acção da água sobre o carboneto de cálcio, dentro de uma garrafa de metal, por exemplo e um bico, tipo maçarico, que chegado ao lume, incendiava e fazia uma chama de cerca de 10 cm, que iluminava muito bem.













Às vezes só se utilizava este tipo de luz pelas festas de família, Natal, por exemplo.
A iluminação por acetileno era um pouco perigosa por causa de possíveis explosões dos gases.
Hoje, só nos países do terceiro mundo se usarão iluminações destas e, nem todos, porque a energia pela água e pelo vento é muito mais avantajada e todos os dias se descobrem coisa novas para o bem-estar das pessoas e das famílias.

A vela acesa num castiçal de esmalte, de cerâmica, de material mais rico ou mais pobre, foi outro instrumento que iluminava. À luz da candeia, ou da vela quantos livros se leram e quantos mais se escreveram; quantos contos e fadas, fábulas e histórias, ao serão, quantas lendas e quantas histórias de família passavam de geração em geração, quantas canções populares e fados enquanto se tangiam ou dedilhavam acordes de viola, guitarra, bandolim, cavaquinho e de concertina, de piano, afinando vozes desentoadas às vezes com aguardente ou vinho tinto açucarado...Quantos sonhos e quimeras acompanhavam para a cama depois de um serão animado e bem quente!...

sábado, 2 de dezembro de 2017

Celha ou Selha

Celha ou Selha

Normalmente, era um alguidar feito em madeira, com aduelas e arcos. Servia para tudo, mas era utilizado muitas vezes para lavagem do soalho da casa dos lavradores com sabão amarelo e uma escova de piaçá.

Eu fiz muitas vezes este trabalho e dava-me gozo que a minha família chegasse do campo e encontrasse uma cozinha lavada, ou uma varanda com soalho fresquinho, uma sala, um quarto…
De joelhos sobre um caixão a que também chamavam caixote, lá fazia aquele trabalho muitas vezes sem me ser pedido com nove ou dez anos. Sempre recomendado que esse trabalho não era para homens, mas só para mulheres, pois os homens que o fizessem ficavam sem barba na cara…Nunca acreditei nisso.
A selha, normalmente, tinha o mesmo diâmetro na base e na boca, com asas anelares, ou sem elas, geralmente eram mais pesadas que os alguidares e tinham uma altura de pouco mais de um plano.
Naquele tempo o esgoto da casa era sempre o mesmo: a fossa ou a estrumeira. De vez em quando era tapada com mato ou outros produtos que se degradavam e era aproveitado pelo lavrador para estrume, daí o nome de estrumeira. Embora fosse fraco, era estrume fora dos eidos dos animais, dos bois e das vacas ou ovelhas mas todas as águas sujas tinham todo o mesmo despejo, ou melhor, o mesmo destino.



Este vaso, normalmente, saía fora do esquema do alguidar porque era de madeira e de forma cilíndrica, portanto o diâmetro da base era igual ao do bordo ou boca. Não tenho foto deste objecto.
No entanto, havia selhas mais altas e abertas como uma (pipa) dorna com as aduelas a abrir como a fazer de cone, para os efeitos de uma dorna.

O alguidar

O alguidar

Trata-se de um vaso de barro vidrado ou por vidrar. O alguidar é muitas vezes substituído. Pela celha. Por ser de madeira toma o nome de “celha” ou “selha “de folha-de-flandres, plástico em forma de calote esférica com a boca mais larga, isto é maior diâmetro na boca que leva um rebordo, e uma base mais estreita. Era uma escudela.


O alguidar aparava o sangue quando o porco era morto e servia  para tudo; servia para deitar as carnes, cortá-las, levar as cebolas petadas, para fazer a mistura para os enchidos, pôr a carne em vinho d`alho. Servia para tudo que fosse necessário numa casa, como a malga, só que o alguidar era uma malga enorme. Também servia para por a roupa suja para lavar e esfregar no rio numa pedra inclinada e de joelhos, assim era no meu tempo; levar o fato do porco ser lavado em água corrente para o rio ; ou para tomar banho (em três tempos), lavar da cintura para cima, as pernas e os pés, depois lavar as partes íntimas. Tudo isto teve uma evolução porque já é do meu tempo o banho na banheira como se demonstra na foto e o banho de chuveiro como se vê também numa foto.

Havia o alguidar coador, furado no fundo para virar as batatas cozidas e coar as batatas da água de cozer, ou o bacalhau, enfim o que calhasse e daí começaram a servir os compostos da refeição pelos comensais.

A banheira do banho


A banheira do banho

Bacia não do tamanho de um alguidar, mas generosamente maior, primeiramente usado fora de casa para aproveitar as águas para regar as verduras e nada se perder, o que se tornava, hoje, no inverno algo impensável.
Quando começaram a canalizar as águas, então começaram, depois a passar para dentro de casa e, por num ralo, a água suja ir ter ao esgoto.
O banho é essencial e deve fazer parte de um princípio fundamental da nossa vida. Os banhos termais vêm dos gregos e dos romanos. O banho é sempre revigorante por isso tomado pela manhã deve ser a melhor opção, embora eu pessoalmente só gosto de banho de chuveiro, ou um bom duche que me relaxe e gosto de o fazer à noite ao deitar.






As primeiras banheiras eram feitas de ferro, esmalte, ou ferro esmaltado, em inox e agora de outros produtos mais leves, resinosos e mais práticos. Estão a deixar de se fabricar nos moldes antigos e a serem substituídas por outras formas mais confortáveis e com outros efeitos.
No entanto à casa do lavrador, à aldeia chegou a banheira que se apresenta na foto onde se podia sentar, encostar as costas, colocar o sabão em lugar próprio… Eram, enfim, depois dos alguidares, a banheira que só se destinava a isso, era movível e se não houvesse outro lugar destinado na casa, era na própria cozinha ou algum quarto mais confortável e discreto do resto do pessoal da casa.
Tendo em conta os banheiros domésticos e não as termas de maior ou menor uso, mas sempre de categoria superior como mo tempo dos  egípcios, os gregos, os japoneses e os romanos sabiam aproveitar e recriar.
Depois do banheiro doméstico movível apareceu como a foto mostra o banho de chuveiro, esse embora muito antigo nas usanças senhoriais e mais tarde chegou ao povo, foi mais tardio, mas depressa passou a desenvolver-se com a eletricidade a ser aquecida a água por esta energia e a tornar-se mais prático.