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Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

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domingo, 17 de setembro de 2017

Raspadeira do calçado, limpa-pés…

Raspadeira do calçado, limpa-pés…


A Raspadeira do Calçado é um instrumento, uma peça normalmente de ferro, cobre ou bronze. O raspador era aquilo que raspava. Existiam destas peças às portas de casa para que fosse limpo o calçado (socos, chancas, botas ou sapatos) da lama ou terra seca, ou outra coisa que não se queria em casa, como por exemplo sujidade. Também é conhecida por limpa-pés porque, no meio de gente com os pés calçados, havia também a gente de “pé descalço”. Então, as pessoas raspavam na raspadeira, isto é, limpavam os pés ou o calçado como hoje fazemos nos tapetes…
Este instrumento era outra peça feita a gosto e até eram utilizadas formas zoomórficas, por exemplo, o desenho de um touro, para se raspar no dorso e, quem diz touro diz muitos outros animais, como: o cão, o dragão, o cavalo, etc…











Em Viana conheço duas, mas deve haver mais, uma no hall de entrada de uma casa da Rua da Bandeira e outra à porta, no lado de fora, da Casa de João Velho.
Não faltam raspadeiras. Estas são utilizadas pelos pintores de construção civil e não só, mas também pelas cozinheiras e os que coziam pão boroa em casa também as usavam para raspar a masseira. Eram instrumentos também do pessoal de medicina ou de cirurgia e, de uma forma geral, eram usados em todas as artes e ofícios.
Em muitas entradas de igrejas antigas havia um capacho de ferro forjado, isto é, uma grade de ferro fora da porta para limpar o calçado, tirar a terra, a lama, qualquer lixo ou sujidade, ou os pés para quem andasse descalço. Ainda hoje existem capachos de ferro forjado onde se pretende conservar o antigo. Hoje, capachos de sisal ou um tapete resolvem também este tipo de limpeza do calçado.
A propósito, e assim, a privacidade pode ser beliscada como conta Miguel Torga. Noutros tempos era assim: “A intimidade desta vida de aldeia é um espectáculo ao mesmo tempo repugnante e maravilhoso. Estrume da cabeça aos pés. Entre o porco e o dono não há destrinça. Mas, ao cabo, esta animalidade toda, de tão natural, acaba por ser pura e limpa como a bosta de boi.” – Miguel Torga

E com a bosta de boi tapava-se a porta do forno de cozer o pão. Apesar de tudo, o pão cozido em casa e, em muitos casos, só por homens, sabia muito bem e comia-se sempre mais…

sábado, 16 de setembro de 2017

Protectores de cantarias das portas


Protectores de cantarias das portas

Já vem de datas antigas quando começou a haver portas de alvenaria em casas onde entravam carros de cavalos.
Não encontrei, mas tinha uma fotografia das ruínas de Pompeia com a existência já, nessa altura, de pedra trabalhada que protegia as cadeias de alhetas que faziam ou encaixilhavam os umbrais das portas, isto é, o rasgamento dos enxalços para não os ferir, assim como às próprias portas. 




Assim existem por todo o lado, às vezes verdadeiras obras de arte em cantaria, em ferro forjado, e também fundido, com mais ou menos resistência. Também aqui vão buscar figuras de animais, desde as mais simples em pedra, ferro ou outros metais.







ui apresento só as que descobri na busca que fiz nas minhas pastas.É certo que um azar informático, em tempos, fez-me perder milhares de fotografias sobre elementos de portas, muita coisa do Sul e do Norte da América, de Espanha, de Macau, da China, da Índia, da Tailândia, de Goa, assim como dos países nórdicos. Agora que as queria não as tenho, nem vou por elas.





Algumas eram obras de arte que, só em vê-las, ficávamos com os olhos encantados, presos de verdadeira admiração. Usavam cabeças de cavalos, dragões, medalhões geométricos colados às ombreiras das portas e fora delas. Normalmente, encontravam-se nas portas largas de duas folhas, por onde entravam carros de cavalos.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Os puxadores

Os puxadores

Antigamente, assim se chamavam aos que começavam ou davam ordens, estimulavam, animavam em qualquer trabalho a determinado ritmo; assim, havia o puxador da malha do milho, do centeio, do linho; o guiador, o puxador do que pegava na soga de uma junta de bois. Hoje, isso, praticamente, já não existe. No entanto, ainda há o puxador de uma assembleia, o mesmo que animador, aquele que procura de algum modo animar o grupo para que todos lhe adiram, se aproximem e caminhem no mesmo sentido, ou no mesmo objectivo a atingir, tanto para trabalhar como para se divertir ou até rezar.
No entanto, eu não me refiro a esses puxadores que são pessoas e, só em sentido figurado, as podemos tratar, mas aos puxadores das portas.
Um puxador é algo que está à mão para puxar algo para si, para se aproximar de si, segundo alguns dicionários.












O puxador de uma porta pode ser a própria aldrava, pode ser uma peça fixa em forma de punho, ou noutras variadíssimas formas, mais ou menos trabalhada, com espelho na base ou sem ele, espetados ou pregados com a base à porta em local que é fácil deitar a mão para puxar quando se sai, mas também para empurrar quando se entra, embora o nome esteja no aproximar e não no afastar, daí puxador e não empurrador. Para mim, serve para as duas coisas: puxar e empurrar. Aproximar e afastar a porta de ser obstáculo para entrar ou para sair.
O puxador pode ser de uma gaveta de cómoda, de secretária, de armário, de guarda-jóias, de uma porta interior de uma casa, da porta principal da mesma, ou portada no seu quintal, assim como pode ser de um cofre ou de uma caixa de esmolas, de um peteiro, de porta de um carro, de um capoeiro, ou de vacaria.


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Ferramentas e outros elementos

Ferramentas e outros elementos


Para rasgar uma porta, antigamente, um instrumento utilizado era a marreta, o ponteiro, até ser possível levantar uma pilastra de pedra incrustada na parede ou alhetas em toda a extensão, isto é, um pilar, tanto de um lado como do outro, a que davam o nome popular de tranqueiro, mais ou menos trabalhado. Eram presas com uma ou duas pilastras transversais, uma em cima e outra em baixo, chamadas: à de cima, padieira e, à de baixo, soleira.
A estas ferramentas indicadas acima juntam-se outras, como por exemplo, para movimentar as pedras ou para as trabalhar melhor.
A marreta é uma espécie de martelo grande para partir pedra ou que bate no cinzel que é afiado e, como uma lâmina, por pressão da marreta corta ou parte a pedra.
Quem diz o cinzel, diz o ponteiro. Não se trata do ponteiro do relógio, mas de uma peça que acaba aguçada em forma de ponta (pontiaguda) e na outra extremidade tem um anel onde bate o martelo ou a marreta, e o bico, guiado pelo canteiro, vai trabalhando a pedra. Não basta o buraco para a porta, é preciso fazer a porta, que pode ser de material diversificado.













Outras ferramentas a utilizar são: o lápis de carpinteiro para marcar as medidas, que era pousado sobre a orelha; o metro para medidas certas; a serra que corta os montantes e as travessas. Estas são encaixadas e introduzidas nos montantes com a ajuda de um esquadro para fazer os justos encaixes. As dobradiças são necessárias para movimentar a porta, prendendo esta à ombreira; a fechadura para encerrar a porta e deixá-la ao dispor de quem tenha a chave para abrir ou fechar.
Tanto estas peças como outras exigem pregos para prender, para trancar, para segurar a estrutura e mantê-la. O prego pode ser de ferro, latão, alumínio, aço, etc… Tem uma haste com uma ponta, pontiaguda, e outra achatada para que leve pressões de um martelo movido pela força de um braço musculado de um carpinteiro e possa ir entrando na madeira para exercer a sua função. O prego já tem uma idade bem grande, pois já vem da cultura mesopotâmica.
Nas portas exteriores de uma casa encontramos outros apetrechos como os batentes, as aldravas, os puxadores, os visores, protectores, entradas para as caixas do correio e outros “ferrolhos”.
O martelo é uma cabeça de aço, por exemplo, com um olho ao centro onde recebe um cabo de madeira ou de outra liga metálica e, sobre a cabeça, existe uma orelha fendida que pode exercer a função de arrancar pregos… O cabo transmite à cabeça mais ou menos pressão e serve ainda para guiar o golpe ou a martelada, para não ir aos dedos de quem o segura ou ao lado da cabeça do prego ou cavilha. Deste modo, o cabo transmite e amplifica a força que o homem transmite com a sua musculação e habilidade. Às vezes não é preciso grande força, mas apenas um pouco de golpe de vista. Há várias espécies de martelo e, sobretudo, os martelos que, praticamente acabaram, o do ferreiro com uma cabeça muito pesada e um cabo comprido, assim como também o martelo dentado mais pequeno do pedreiro para amaciar a “almofada” da pedra.
O esquadro era um triângulo recto, um ângulo recto, em madeira ou ferro com um travessão para que os catetos não sofressem qualquer alteração com a função de que houvesse esquadria na porta e esta caber certa no caixilho que também tinha sido feito em esquadria. O esquadro tem sempre 90 graus. É o tal ângulo recto que serve para fazer a esquadria.
Uma soleira de uma porta tem de estar em esquadria, mas, como se trata de um espaço mais amplo e, se no seu todo houver alguma inclinação, a porta pode roçar. Então, é conveniente usar o nível que é um instrumento já preparado com uma bolha de água a marcar o nivelamento, tanto à largura como ao comprimento da mesma soleira.
Nenhuma abertura da porta pode estar correcta se o nível vertical não estiver em esquadria e, esta vê-se melhor, devido à altura, com o fio-de-prumo ou com um nível de grandes dimensões. Aliás, o nível veio substituir o fio-de-prumo que está a cair em desuso.
Usam-se também cavilhas e, hoje, nas portas pré-fabricadas com fechaduras embutidas, em madeiras aglomeradas e industrializadas são aplicados agrafos em vez de pregos.
As portas, hoje em dia, têm um caixilho de madeira com guarnições e batente para receber a porta por todos os lados e assim se ajustar a maior segurança, conforto,…
Neste trabalho, também se usa o formão para trabalhos de entablamento de madeira e ajustes necessários e o punção para fazer um furo ou marcar um determinado ponto.
O parafuso é uma peça metálica cónica em espiral que serve para prender ou fixar sob pressão os espelhos, as dobradiças, as testas das fechaduras, as bases dos batentes, os puxadores. Normalmente, tem uma base exterior com ranhura para ser trabalhado através de uma chave de fendas. Às vezes, em vez de uma fenda, na diagonal, pode ter uma cruz e tem de se usar uma chave de cruz ou estrela, conforme os casos. Há parafusos que em vez de chave de fendas precisam de chave de bocas, isto é, a cabeça do parafuso é mais alongada e tem a forma de prisma triangular, quadrangular, hexagonal… Estes parafusos, normalmente, são cilíndricos e fazem uma ligação de peças que se querem prender sobre pressão noutra peça chamada porca.

As anilhas são como argolas ou pequenos anéis móveis que se usam nas novas dobradiças e têm o fim de não roçarem os pinos das dobradiças que aguentam as portas com a parte superior que encaixa no pino. Às vezes rompem-se e é necessário substituir ou até aumentar para subir, por exemplo, a porta que já roça na soleira porque, entretanto, desceu.

Aldravas

Aldravas


Há aldravas que são batentes, mas nem todos os batentes são aldravas, pois o batente tem a função apenas de chamar, de bater, sem rodar nada. Os dicionários tratam tudo do mesmo modo: aldrava, tanto é batente como o que abre a porta.
A aldrava anda à volta, para abrir a porta e, se tiver asa, pode servir de batente. Daí a aldravice, a confusão. Quem faz rodopio fica confuso, rodar sobre si mesmo entra em confusão ou fica aldravado e cai.









































As aldravas que fazem de batentes funcionam através de uma asa ou algo que possa movimentar o “ferrolho” de uma porta por onde passa uma lingueta (um eixo), que move um pequeno trinquete, que está caído na escora (que recebe o trinquete) e este pode ser preso pelo gramilo (que caído e com eixo na própria escora se levanta e se coloca sobre o trinquete para fechar a porta por dentro), anterior à porta. Nesse caso, não abre a porta quem estiver de fora. Quando não está com gramilo abre-se a porta por fora.
No meu tempo de criança existiam espécies de palmatórias (uma parte circular de madeira na parte posterior da porta que atravessava a porta, o “ferrolho”) para manejar a tranqueta de madeira que, do lado de dentro (anterior), pousava na escora e servia de fecho da porta, sobretudo, nos espaços destinados ao gado.
Existe uma diversidade ilimitada de formas de aldravas: asas, torniquetes, balões, punhos, flores, folhas, etc…Tudo depende da região, do gosto, da criatividade e do executor.
Chamam também aldravas a outro tipo de estrutura, com uma asa tipo caneca, com o fundo para o ar fixo, composta de pingarelho, lingueta, trinquete (também conhecido por caravelha), escora (onde cai a caravelha) pelo lado anterior da porta e o dito gramilo que encerra a porta por dentro. Uma porta assim constituída é também conhecida por “porta de trinque”.
Precisamente, a aldrava de origem árabe significa protecção dentro de algo. Em inglês, é ferrolho, segurança e, noutras línguas, travão, tranca.

Há, como já afirmei, coisas diferentes, mas de facto, os árabes por cá passaram e deixaram algumas influências, como por exemplo, na língua, pois no dicionário constam palavras de origem árabe, (não aldravadas?), e a eles devemos a numerologia, que era a romana a utilizada e, isto, em matemática, aposto que não é fácil ser aldravado.

“Ferrolhos”

“Ferrolhos”


Aquilo a que o povo chama “ferrolho”, eu chamar-lhe-ia: trinquetas, tranquetas, trancas, trincos, pois estes são os ferros que correm movidos por chave ou, manualmente, por algum punho, uma pega para ser movimentado à mão.
Estes elementos de uma porta que já foram tratados podem ser sobre as portas, isto é, exteriormente, ou embutidos.


























Para mim, ferrolhos são os buracos das fechaduras antigas porque as novas já não servem para “espreitar ao ferro”, expressão que se usa para designar quem encosta o olho aos orifícios da fechadura para espreitar e ver algo que esteja para além do que deve…
Se se traduzir “ferrolho” por orifício, anel, buraco onde corre um ferro, então, por semelhança teremos um ferrolho e assim a tranca ou o trinco serão ferrolhos, mas a origem da palavra está no olho encostado ao buraco. Não será um olho de couve, mas um olho do nosso rosto que se abre, enquanto o outro se fecha.

Aqui ficam alguns dos “ferrolhos”, como popularmente são conhecidos.