Famílias com rosto em 4 volumes e o 5º para sair
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domingo, 11 de agosto de 2019
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
O s F o r t e s
O s F o r t e s
Este apelido pode ser oriundo de Itália,
mas no século XII há em Portugal “Petrus Fortes”. No
século XVI aparece um documento com o nome de “João Forte”.
Os
apelidos Forte e Fortes é muito vulgar hoje em Portugal,
no Brasil e na Galiza.
Como topónimo aparece em Barcelos e
também na Galiza.
O apelido Afonso também já é muito
antigo nestas terras de
Mazarefes, anterior ao século XVI. Há, por isso, muita
gente no
século XVII com apelido Afonso. Daí aparecerem depois os
“Afonso Rato”
os “Afonso Forte”, até aos “Barbosa Forte”, os
“Martins Forte” e os “Alves Forte”. Todos parentes.
Domingos
Afonso Forte, filho de António Afonso Forte e
de Isabel Fernandes, da
Areosa, casou em Mazarefes com
Leocádia Rodrigues, do lugar da Namorada, de
quem teve duas
raparigas: A Custódia,1732 e a Luisa, em 1740; e um rapaz de
nome José em 1735.
Enviuvou e
voltou a casar, em 1750, com Isabel Gonçalves, filha de
António Gonçalves e de
Joana Barbosa, de Vila Fria de quem teve
mais dois rapazes: O José (1784), Teresa (1804) e Maria
(1805).
O
filho do João, nascido em 1755 casou com Maria
Gonçalves (Lugar da Namorada) e foi pai de Teresa, João (1789), Manuel (1795) e
José (1784).
O
José do 2º casamento casou no lugar da Namorada com Maria
Gonçalves e foi pai de José, Teresa e Maria.
O
José, nascido em 1784, casou com Maria Rodrigues, filha de
António Araújo e Maria Rodrigues e foi pai de Teresa casada com Domingos
Martins; Maria que casou com Manuel Alves Ferreira; José casado com Maria
Rodrigues; João casado em Viana com Antónia Alves Ferreira, morreu viúvo e sem
filhos; a Rosa; o Manuel (1818) que
veio a casar com Maria Fernandes Maciel, de Capareiros; António que casou com
Teresa Rodrigues Vieira e Ana.
O
Manuel, nascido em 1818 casou com Antónia Ribeiro foi pai
de Inácio, o primeiro cesteiro da Casa do Inácio Forte e que deu o nome à casa
por ter casado com Teresa Barbosa, filha de João Alves Ferreira Pericos e de
Maria Barbosa, e pai de Ana, José, António, Maria e o Manuel. Foi assim que
apareceram os “Barbosas Fortes” em 1869. Foi pai de Manuel que ficou na casa e
casou com Teresa Rodrigues, que por sua vez foi pai de José, casado com Rosa
Rodrigues, a (Barrola) de quem teve o Manuel que veio a casar para a casa do
Barrolo, a Teresa que casou com um primo para a casa do Inácio, o José que foi
para a França, o Avelino que foi para a Argentina onde deixou um filho de Maria
da Crasta com quem tinha casado, o João
que ficou solteiro e, sendo o mais novo,
de nascimento já tardio, pois a mãe teria 45 anos, não era muito perfeito,
viveu com o irmão António, que ficou na casa, casado com Maria Gonçalves de
Araújo.
O
António, filho de José e Maria Rodrigues casou com Teresa
Rodrigues Vieira em 1844 e foi pai de Maria que morreu aos 41 anos de idade, do
José que casou com Rosa Rodrigues em 1845, da Ana, do João que casou com Teresa
Fernandes Crasta, de Manuel que, com 13 anos, foi para o Brasil com a profissão
de alfaiate e veio a casar com uma cordoeira, filha de Luís Gandra e de Rosa
Gonçalves, a Ana Gonçalves, de quem teve 7 filhos, (morreram muito novos,
deixando a filha Rosa com 9 anos a tratar dos irmãos e veio esta a casar com o
primo Miguel Forte, a Teresa que
ficou solteira e morreu aos 44 anos de idade e o Domingos, que, como
carpinteiro, saiu para o Brasil e casou com Rosa Rodrigues, filha de Francisco
Ribeiro e Maria Rodrigues.
O
Miguel casou com Rosa Martins da Silva, filha de Domingos
Maciel e Ana Martins da Silva e foi pai de Manuel em 1885 e de Miguel 1893.
O
Inácio casou com Teresa Barbosa e foi pai de 9 filhos:
Maria, António, Rosa, Firmino, Ana, José, Manuel e Teresa.
A Rosa casou
para Vila Franca para a casa do limite, a conhecida casa da Recoca; a Maria
casou com José Matos e foi mãe de Rosa e Maria; a Ana casou com António
Felicidade; o José casou com Teresa Forte e foi pai de Armando e o Manuel casou
com Maria das Dores Rodrigues, de Sabariz.
Os
7 filhos do Manuel casado com a cordoeira foram: a Maria, o Manuel, Manuel
(2ºnome), João, Rosa, José e a Maria da Conceição, a mais nova.
Do
2º casamento do João Afonso Forte com Maria Alves Correia nasceram 2
filhos, o José e o Manuel que foram também para o Brasil. O Manuel saiu como
lavrador aos 26 anos de idade em 1981.
Conheci uma casa velhinha ao jeito
de uma curva da estrada da Senhora das Boas Novas, situada a noroeste da casa
do senhor Daniel Liquito, na Rua da Senhora das Boas Novas, do lado esquerdo de
quem vem no sentido norte-sul foi o primeiro berço duma geração de 9 irmãos e
foi conhecida pela casa do Inácio, antigo cesteiro, conhecida mais tarde também
pela casa do Armando Inácio, filho do José Barbosa Forte que casou com Teresa
Afonso Forte, prima, de quem teve 5 filhos: o Armando casou com Maria Gomes
Pinto e é pai de 2 filhos casados e com netos; o Evaristo ausentou-se para a
Argentina, a Maria que casou com o Ângelo Vieira, da Conchada, e foi mãe de 9
filhos; a Ana que casou com Francisco Sousa e Ermelinda que casou com Joaquim
Portela.
Nasceu, depois desta Casa do Inácio,
a casa do Manuel do Inácio no Largo do Bicho, no cruzamento, onde passava “a
procissão de defuntos”, pois o Manuel Barbosa Forte, filho do Inácio, cesteiro,
casou com Maria das Dores, de Sabariz e foi pai de 7 filhos. O Graciano casou
com uma do "Cordoeiro" e teve 2 filhos: a Maria Olívia e o Manuel
Luís; a Isménia que casou com o Zé Calçada, de Vila Fria, com 5 filhos; a Maria
das Dores que casou com Manuel Liquito que morreu novo e deixou 7 filhos; o
José casado com Olímpia, do Ribeiro (Vila Fria), com uma filha; a Albertina
casou com José Gonçalves, de Vila Franca; a Lurdes casou com António Dantas, de
Vila Fria, com 2 filhos e a Ludovina casada com Augusto Dantas, de Vila Fria, e
mãe de 2 filhas.
Esta casa do Manuel Inácio perpetuou
de algum modo este ramo dos "Barbosa Forte", assim como nos
"Afonso Forte" levou a palma, nesse ramo, a casa do Miguel Afonso
Forte que foi carpinteiro e filho de José Afonso Forte e Rosa Rodrigues, (a
"cordoeira") prima dos meus avós paternos. Foi pai de Manuel, Miguel,
José, Maria e Virgínia. O Miguel andou no Seminário uns 4 anos. Tendo
abandonado o Seminário, fez-se à arte de mecânico com tanta perspicácia que foi
considerado o melhor mecânico de Viana do Castelo e região, muito inteligente,
de boa e fácil comunicação, especialista sobretudo do coração dos carros, os
motores.
Não só pelas suas qualidades
intelectuais, mas também pelos seus dotes de solidariedade, granjeou muita
simpatia e admiração na população da terra natal, da cidade e de toda a região
do Alto-Minho. Foi presidente da Junta de Freguesia durante 8 anos e 4 como
Presidente da Assembleia de Freguesia. Foi vicentino, fez parte do Conselho dos
Assuntos Económicos da Paróquia e foi dirigente do Centro Social Paroquial;
casou com Maria do Carmo Barros Lima, foi pai de numerosa prole: José Miguel
(também andou no Seminário), Manuel, Rosa, Maria do Carmo, Isabel, uma que
faleceu, Anabela e Lucinda. O Manuel casou com Maria Cândida Sá de quem teve 4
filhos; o José casou com Maria Vieira e tem 2 filhos; a Maria casou com Augusto
Galhofa, Augusto Pinto da Costa e ficou viúva nova com três filhos e a Virgínia
casou com Manuel Rodrigues Cunha e é mãe de um casal de filhos.
quinta-feira, 30 de março de 2017
A Casa da Costinha de Baixo – Serra de Arga
A
Casa da Costinha de Baixo –
Serra de Arga
Conheci-a logo que tomei posse da Paróquia de
Arga de Baixo, Concelho de Caminha em plena Serra d`Arga.
Foi-me apresentado o senhor David de Jesus
Lourenço o detentor das chaves de tudo e receber alguma da orientação da igreja
e da residência, acompanhado pelo David Gonçalves da Costinha de Cima que
também fazia parte da Comissão Fabriqueira e Regedor.
O David da “Costinha de Baixo” assim
conhecido no vulgo, era um homem muito religioso e dava tudo o que podia pela
família, pelos outros e pela comunidade em geral. Era verdadeiramente um
cristão comprometido e para convencer os outros não lhe faltavam argumentos da
razão, de fé e da vida para levar os conterrâneos a darem-se à comunidade. A
todos ele desejava que dessem o passo igual ao dele, mas o dele era sempre um
passo maior sem deitar foguetes para que lhe batessem palmas. Era um homem fora
do comum, com uma personalidade muito peculiar, homem de princípios, humilde,
trabalhador, de carácter e serrano dos quatro costados em defesa da terra e da igreja
sempre aberto e amigo de fazer o bem.
Se assim o era, assim fazia, vem como a sua
esposa e os seus filhos.
O David da Costinha de Baixo nasceu na casa
do Sabugueiro e lá se foi para a Costinha de Baixo por ter casado com a Maria
das Dores Gonçalves. Era de Baixo porque havia a casa do Costinha de Cima, onde
vivia o David Gonçalves da Comissão fabriqueira e regedor da freguesia. Perto morava
o Carlos da Casa do Campo do Vale que era Presidente da Junta da qual o David “da
Costinha de Baixo” era também o tesoureiro.
O David era filho da Angelina de Sabugueiro
que não conheci, mas conheci uma irmã que vivia na casa a Maria José, tia do
David e de quem fiz o funeral. A Maria José era um poço sem fundo como se dizia
sobre a cultura da gente da Serra D`Arga estes de que trato aqui.
Eram nove irmãos que se espalharam por todo
mundo e já todos falecidos.
A Angelina, portanto, mãe do David da
Costinha de Baixo, ficou viúva e um dia, o senhor conhecido por violas, um
vizinho, não a queria deixar passar por onde sempre tinha passado para uma
propriedade desde criança, solteira, como casada e mãe de 9 filhos. – “Ora ou
me deixa passar ou dou-lhe com esta vara aguilhoada”. Não o convencendo e
julgando que ela não o faria, ela deu-lhe mesmo e partiu-lhe um dedo. O homem foi
queixar-se ao regedor da terra, e a resposta deste foi lapidar “então tu
metes-te com uma mulher viúva?” para a outra vez abre os olhos.
Assim era a sua mãe como viúva, sem homem mas
não tinha medo.O David foi para as carvoarias em Lisboa, depois passou a
trabalhar num restaurante e começou a gerir o conhecido e famoso “Restaurante
das Galegas” ao mesmo tempo trabalhava na agricultura nos meses que tinha
disponíveis.Por fim teve um restaurante com um sócio, mas deixou.
Não faleceu de velhice mas de Câncer,o tabaco
que muito usava não devia ser alheio à causa.
Partiu sereno deixando quatro filhos: o
Manuel casado em Castelo Branco, pai de uma filha, já falecido. A Fátima casada
com o Manuel Fernandes da casa de Riba, de Santo Aginha ( Arga de S. João) e com
dois filhos casados e com geração; a Lúcia, solteira e sem geração e o António casado
com Alice da Casa da Corga, Castanheira, de Arga de Baixo e com dois filhos.
Arga de Baixo tinha uma residência paroquial,
mas eu optei por uma sugestão vinda dos de Dem, viver em Dem e apresentavam
casa. Aceitei e, para não abandonar a residência oficial das Argas, onde vivi
uns tempos, passei mais tarde, de quinze em quinze dias, a ir lá passar a noite
de sábado para domingo. Foi o primeiro pároco que a tinha deixado, embora o meu
antecessor no pouco tempo que esteve também vivia em Covas com o Pároco de
Covas que tinha sido seu antecessor igualmente nas três Argas.
Então
a Maria da Costinha de Baixo não me deixava cozinhar queria que eu jantasse
quinzenalmente na casa dela com o marido e os filhos. Assim era.
Comer na cozinha ao lado da lareira cozido à
moda da serra, preparado no pote. Aí fiz as melhores refeições da minha vida e
aí passei os meus últimos serões à lareira.
Num sábado estava na cozinha e a Maria das
Dores como era de costume ia à janela da sala para ver se via o meu carro
chegar à estrada de Santo Aginha para calcular o tempo que levava para eu
chegar. Como um dia eu demorei muito depois de me ter visto, já ia toda a gente
à minha procura para ver se tinha caído em alguma ribanceira. Entretanto
cheguei e a família e vizinhos estavam todos em polvorosa.
A Fátima tocava órgão e alimentava um grupo
jeitoso do coral para animar as missas, animadora, mas um pouco mais reservada.
A Lúcia foi catequista e muito mais extrovertida, inteligente, brincalhona mas
com carácter bem personalizado e por minha indicação aos pais, ela com 15 anos começou
a estudar fazendo em três anos 3 exames: o do ciclo preparatório, o 5º ano do
liceu e o 7º ano também do liceu, hoje 12º que ela fez questão de o fazer, anos
depois, à noite quando já trabalhava.
Quando a sua mãe ficou viúva e chegou a uma
idade que não lhe merecia confiança para viver sozinha trouxe-a para a Caridade
e não passava um dia sem a ir ver e passear com ela, o tempo que podia e lhe
permitiam não lhe faltando com o afecto de uma boa filha, dando-lhe enquanto pôde
a sua presença e mãe e filha ficavam mutuamente consoladas até falecer na Caridade.
A Casa da Costinha de Baixo lá está no mesmo
local e é sempre um ponto de referência
para todos quantos conheceram este casa.
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