Ajuda da Luneta
Na janela um namorado
Pode-se usar de luneta,
Conversa como bem-amado
Em linguagem bem discretas
Se a ajeitar pelo cordão,
Como circular movimento,
Quer dizer: ao coração
Tu me dás contentamento.
Limpar-lhe os vidros é: penso
Que o teu amor será puro;
Fechá-la diz: gozo imenso,
Abri-la traduz-se: juro.
Olhar para o céu de luneta
Significa desconfiança,
Que me faz andar pateta
Em contínua contradança.
Suspendê-la diz: desejo
Dizer-te à noite um segredo,
Levá-la à boca: um beijo,
Pô-la no peito é mais cedo.
Muitas vezes repetidas
Pô-la e tirá-la é tormento,
Passo horas esquecidas
Contigo no pensamento.
Oscilante suspentida
Pelo cordão é: suspeita,
A tremer é triste: vida,
Se teu amor me rejeita.
AVISO
Meus caros Leitores,
Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.
A partir de agora poderão encontrar-me em:
http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com
Obrigado
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
A SOMBRINHA
Ajuda da Sombrinha
Fechar a sombrinha é: jura
De amor que o peito encerrou
Abri-la traduz: ventura
Que a nossa ideia sonhou.
Posta ao ombro em movimento
Como giro dos moinhos,
Diz: pensar em casamento
Venturoso entre passarinhos.
Suspendida pelo meio
E roçando-a no vestido,
Quer dizer: amo-te e creio
Que serás o meu marido.
Com a ponteira da sombrinha
Sobre o chão letras formar
Significa; uma cartinha
Que se tem para se entregar.
Pelo castão da ponteira
A sombrinha segurando,
Diz: armaste uma ratoeira
E em casa não estás pensando
Mostrando dificuldades
No abrir da sombrinha, então
Quer dizer: há falsidades
Na tua declaração.
Enfim, se a sombrinha é posta
Debaixo do braço dela,
É sinal que deles gostas,
Gosta tanto que se pela.
Fechar a sombrinha é: jura
De amor que o peito encerrou
Abri-la traduz: ventura
Que a nossa ideia sonhou.
Posta ao ombro em movimento
Como giro dos moinhos,
Diz: pensar em casamento
Venturoso entre passarinhos.
Suspendida pelo meio
E roçando-a no vestido,
Quer dizer: amo-te e creio
Que serás o meu marido.
Com a ponteira da sombrinha
Sobre o chão letras formar
Significa; uma cartinha
Que se tem para se entregar.
Pelo castão da ponteira
A sombrinha segurando,
Diz: armaste uma ratoeira
E em casa não estás pensando
Mostrando dificuldades
No abrir da sombrinha, então
Quer dizer: há falsidades
Na tua declaração.
Enfim, se a sombrinha é posta
Debaixo do braço dela,
É sinal que deles gostas,
Gosta tanto que se pela.
O Charuto
Ajuda do Charuto
Acender o namorado
Um charuto olhando a bela
É dizer; fico abrasado
Em te vendo há janela.
Três fumaças de charuto,
A seguir são três beijinhos
Que o galã mais fino e astuto
Da na boca aos amorzinhos.
As fumaças, para o ar
Significa: não suspeites,
Que tenções de te enganar
Posso eu ter, não me rejeites.
Se o charuto se apagar
E logo ele não acenda,
Quer dizer: hei-de amar-te
Toda a vida, minha prenda.
Assopra uma fumaça
Para a cinza do charuto,
Quer dizer: se por desgraça
Te perder, morro de- luto.
Odeitar a cinza fora
Do charuto significa:
Se algum homem te namora,
Não me enganes, minha rica.
Atirar para longe a ponta
Do charuto que se apaga
É dizer: não sejas tonta,
Porque o meu amor te afaga.
Acender o namorado
Um charuto olhando a bela
É dizer; fico abrasado
Em te vendo há janela.
Três fumaças de charuto,
A seguir são três beijinhos
Que o galã mais fino e astuto
Da na boca aos amorzinhos.
As fumaças, para o ar
Significa: não suspeites,
Que tenções de te enganar
Posso eu ter, não me rejeites.
Se o charuto se apagar
E logo ele não acenda,
Quer dizer: hei-de amar-te
Toda a vida, minha prenda.
Assopra uma fumaça
Para a cinza do charuto,
Quer dizer: se por desgraça
Te perder, morro de- luto.
Odeitar a cinza fora
Do charuto significa:
Se algum homem te namora,
Não me enganes, minha rica.
Atirar para longe a ponta
Do charuto que se apaga
É dizer: não sejas tonta,
Porque o meu amor te afaga.
A BENGALA
Ajuda da Bengala
E falhadora a bengala
E o namorado catita
A sua deusa falha,
Se a tem quieta ou se a agita.
Bater com ela no chão
E desespero, é ciúme,
É sentir o coração
A queimar-se em vivo lume.
Posta ao ombro é: sentinela
A dizer-lhe que anda a espreita,
Porque desconfia que ela
A corte de outro aceita.
Colocá-la horizontal
Nas duas mãos é; promessa
De um lacinho conjugal
Ambos terem bem depressa.
Como pêndula agitada
Em ligeira oscilação
Significa: o minha amada,
Bate assim meu coração.
E falhadora a bengala
E o namorado catita
A sua deusa falha,
Se a tem quieta ou se a agita.
Bater com ela no chão
E desespero, é ciúme,
É sentir o coração
A queimar-se em vivo lume.
Posta ao ombro é: sentinela
A dizer-lhe que anda a espreita,
Porque desconfia que ela
A corte de outro aceita.
Colocá-la horizontal
Nas duas mãos é; promessa
De um lacinho conjugal
Ambos terem bem depressa.
Como pêndula agitada
Em ligeira oscilação
Significa: o minha amada,
Bate assim meu coração.
As LUVAS
Ajuda das Luvas
Descalçar da mão direita
A luva, quer significar;
Minha mão, amor, aceita,
porque eu sempre te hei-de amar.
Com a luva descalçada
Bater na mão que a outra tem
Significa: estou zangada,
Capaz de morder a alguém.
Voltar as luvas de avesso
E guardá-las na algibeira,
Quer dizer; bem te conheço
E não caio na ratoeira.
No jardim estando sentada
E deixar cair a luva:
Pensas em falar na escada,
Mas tira o cavalo da chuva.
Morder na luva é: desejo
Muito ansioso de casar,
Ajeitá-la diz: motejo,
Não te posso acreditar.
A mão esquerda calçada
Com a luva, e a outra não
Traduz-se: vivo enganada,
De casares não tens tenção.
Prender a luva no seio
Entre os botões do corpete
Significa; não creio,
És um grande velhaquete.
Descalçar da mão direita
A luva, quer significar;
Minha mão, amor, aceita,
porque eu sempre te hei-de amar.
Com a luva descalçada
Bater na mão que a outra tem
Significa: estou zangada,
Capaz de morder a alguém.
Voltar as luvas de avesso
E guardá-las na algibeira,
Quer dizer; bem te conheço
E não caio na ratoeira.
No jardim estando sentada
E deixar cair a luva:
Pensas em falar na escada,
Mas tira o cavalo da chuva.
Morder na luva é: desejo
Muito ansioso de casar,
Ajeitá-la diz: motejo,
Não te posso acreditar.
A mão esquerda calçada
Com a luva, e a outra não
Traduz-se: vivo enganada,
De casares não tens tenção.
Prender a luva no seio
Entre os botões do corpete
Significa; não creio,
És um grande velhaquete.
O Livro
Ajuda do Livro
Há num livro a tradução
Dos desejos da mulher,
Abri-lo é dizer: paixão,
Sinto em meu peito nascer.
O folheá-lo significa:
Tenho dúvida e receio
De que tenha outros à bica
O galã que não é feio.
Posto debaixo do braço.
Do lado esquerdo é: pergunta;
Tem tenção de dar o laço
Que de duas almas "ajunta".
Lendo muito atentamente
A mulher o seu livro,
Quer dizer: não consente
Que para lá vão de carrinho.
Quem ao livro dobre folhas
Bem traduz a quem a olhar;
Para pecados não me escolha,
Que eu só penso em me casar.
Se cobrir com o livro o rosto,
A sorrir, a mulher diz:
O senhor é do meu gosto,
Quando o vejo, sou feliz.
Livro aberto contra o peito
É olhar de contemplação,
Significa; tenho eleito
Para lhe dar meu coração.
Há num livro a tradução
Dos desejos da mulher,
Abri-lo é dizer: paixão,
Sinto em meu peito nascer.
O folheá-lo significa:
Tenho dúvida e receio
De que tenha outros à bica
O galã que não é feio.
Posto debaixo do braço.
Do lado esquerdo é: pergunta;
Tem tenção de dar o laço
Que de duas almas "ajunta".
Lendo muito atentamente
A mulher o seu livro,
Quer dizer: não consente
Que para lá vão de carrinho.
Quem ao livro dobre folhas
Bem traduz a quem a olhar;
Para pecados não me escolha,
Que eu só penso em me casar.
Se cobrir com o livro o rosto,
A sorrir, a mulher diz:
O senhor é do meu gosto,
Quando o vejo, sou feliz.
Livro aberto contra o peito
É olhar de contemplação,
Significa; tenho eleito
Para lhe dar meu coração.
A Roupa
Ajuda na Roupa
Pôr uma toalha à janela
Que se fecha sem demora,
Quer dizer; toma cautela
Que o pai está cá, vai-te embora.
Vir à varanda escovar
Um vestido de passeio
Indica; vivo a penar,
No teu amor eu não creio.
No pescoço um cabeção
Por à janela traduz:
Já te dei meu coração,
O teu olhar me seduz.
Por um binóculo olhas
Duas vezes, três ou quatro,
Traduz-se: podes esperar-me,
À noite, vamos ao teatro.
Vir num xaile agasalhada
À varanda, quer dizer:
Quem me dera a hora chegada
De eu ser tua até morrer.
Na janela pôr a gaiola
É falar ao passarinho,
É dizer: só me consola
O pensar no teu carinho.
Pôr uma toalha à janela
Que se fecha sem demora,
Quer dizer; toma cautela
Que o pai está cá, vai-te embora.
Vir à varanda escovar
Um vestido de passeio
Indica; vivo a penar,
No teu amor eu não creio.
No pescoço um cabeção
Por à janela traduz:
Já te dei meu coração,
O teu olhar me seduz.
Por um binóculo olhas
Duas vezes, três ou quatro,
Traduz-se: podes esperar-me,
À noite, vamos ao teatro.
Vir num xaile agasalhada
À varanda, quer dizer:
Quem me dera a hora chegada
De eu ser tua até morrer.
Na janela pôr a gaiola
É falar ao passarinho,
É dizer: só me consola
O pensar no teu carinho.
O RELÓGIO
Ajuda no Relógio
Um janota namorado
Que Tem relógio e corrente,
Fala ao seu anjo adorado
Cá de longe belamente.
Por o relógio no ouvido,
Como para ver se parou,
Quer dizer - tenho sabido
Que alguém de amor de falou.
Limpar-lhe o vidro com o lenço
Deve ter por tradução:
Consagrei-te amor imenso,
Vivo morto de paixão.
Na corrente, por pôr os dedos
Ou os berloques ajeitar
Quer dizer - tenho segredos,
Meu amor, para te contar.
Dar corda ao relógio explica
Desejos de casamento,
Porque o amor nos mortifica
Sem o vaivém é tormento.
Ver muitas vezes as horas
É sinal que quer dizer :
Sei, meu bem, que tu namoras
Quem a mim me faz sofrer.
Um janota namorado
Que Tem relógio e corrente,
Fala ao seu anjo adorado
Cá de longe belamente.
Por o relógio no ouvido,
Como para ver se parou,
Quer dizer - tenho sabido
Que alguém de amor de falou.
Limpar-lhe o vidro com o lenço
Deve ter por tradução:
Consagrei-te amor imenso,
Vivo morto de paixão.
Na corrente, por pôr os dedos
Ou os berloques ajeitar
Quer dizer - tenho segredos,
Meu amor, para te contar.
Dar corda ao relógio explica
Desejos de casamento,
Porque o amor nos mortifica
Sem o vaivém é tormento.
Ver muitas vezes as horas
É sinal que quer dizer :
Sei, meu bem, que tu namoras
Quem a mim me faz sofrer.
Santa Iria
Santa Ira
Estando eu à janela
A coser numa almofada,
Minha agulha de oiro,
Meu dedal de prata.
Passa um cavalheiro,
Me pediu pousada,
Meu pai lha negou,
Quanto me pesava.
Roguei e pedi,
Mas ele não cessava,
Mas eu tanto fiz,
Que por fim deixava.
Fui-lhe abrir a porta,
Muito contente entrava,
Ao lar o levei»
Logo se sentava.
Nas mãos lhe dei água,
Nela se lavava,
A toalha lhe pus,
Nela se limpava.
Pus-lhe a ceia,
Muito bem ceava;
A cama lhe fiz,
Nela se deitava.
Lá pela meia-noite
Me eu sufocava.
Senti que me levavam
Com a boca tapada.
Levam-me: a cavalo,
Levam-me abraçada,
Correndo, correndo,
Sempre à desfilada.
Sem abrir os olhos,
Vi quem me roubava;
Calei-me e chorei,
Mas ele não falava.
Dali por muito longe
Ele me perguntava,
Lá na minha terra,
Como me chamava.
Chamavam-me Ira»
Ira afidalgada»
Agora por aqui,
Ira cansada.
Horas esquecidas.
Comigo lutava,
Sem forças nem rogas,
Tudo lhe mancava.
Virou um alforge,
Ali me matou»
Abriu uma cova,
Onde me enterrou.
Dali por sete anos,
Passa o cavalheiro,
Uma linda ermida
Viu naquele outeiro.
A Urtiga e o Pieiro
A Urtiga e o Pieiro
Que sua fala elegeu,
De tantas gemadas tomadas
Por fim enfraqueceu,
Os dentes da nossa urtiga
O ferreiro os limou,
De tanto papel cortar
Até se assim se ????Msou.
A boca da nossa urtiga
Tem uns dentes muito afiados,
Som beleza e formosura
Assim foram encantados.
As orelhinhas compridas
Seu rabinho auxiliava
E de várias olhadelas
Até de alegria saltava.
0 feno da nossa aldeia
Na beirinha do centeio
E lá o foram buscar
Para depois fazer paleio.
No alto daquela serra
Está ervinha a brilhar,
De tão nuas que andavam
Até lá a foram buscar.
Do pinheiro da saldanha
Fizeram a sua roca,
De vários fios torcidos
Chegaram à massaroca.
A urtiga e o pieiro
Foram aclamados p'ra rei,
Para tanto não saltarem
Até os tiçar lhe piei.
As cerejas da nossa aldeia
Estão agora a encarnar,
Aqui está a nossa urtiga
Quando nos quer arranhar.
As pedras fazem penedos,
Dos penedos fazem rochas,
De tantas coisas que tens
Aqui algumas me mostras.
As batatas da nossa aldeia
Estão agora a florir,
Assim é o meu pieiro
Quando mostra os dentes para rir.
0 tojeiro e a carmeisa
Estão agora a florir,
Nos imos não pressas,
Não nos dá vontade de rir.
No fundo daquele poço
Vê-se a minha fotografia,
A flor anda perra,
Não anda com alegria.
Ó urtiga, aonde estas?
Se cantasses, é que era!
A flor te ia buscar,
Que há tantos dias te espera
Ó Sobreiro do meu quintal»,
Para que: secaste: tão cedo?
Foi se calha o pieiro
Que te pôs um grande medo.
Ó minha fontinha verde,
Não dê água nem com agres;
Não venhas para a minha beira.
Porque fazes mil milagres.
A ideia não me vence
A escrever tudo que eu quero;
Estou à espera da urtiga,
Que há tanto tempo espero.
Estando eu à janela
A coser numa almofada,
Minha agulha de oiro,
Meu dedal de prata.
Passa um cavalheiro,
Me pediu pousada,
Meu pai lha negou,
Quanto me pesava.
Roguei e pedi,
Mas ele não cessava,
Mas eu tanto fiz,
Que por fim deixava.
Fui-lhe abrir a porta,
Muito contente entrava,
Ao lar o levei»
Logo se sentava.
Nas mãos lhe dei água,
Nela se lavava,
A toalha lhe pus,
Nela se limpava.
Pus-lhe a ceia,
Muito bem ceava;
A cama lhe fiz,
Nela se deitava.
Lá pela meia-noite
Me eu sufocava.
Senti que me levavam
Com a boca tapada.
Levam-me: a cavalo,
Levam-me abraçada,
Correndo, correndo,
Sempre à desfilada.
Sem abrir os olhos,
Vi quem me roubava;
Calei-me e chorei,
Mas ele não falava.
Dali por muito longe
Ele me perguntava,
Lá na minha terra,
Como me chamava.
Chamavam-me Ira»
Ira afidalgada»
Agora por aqui,
Ira cansada.
Horas esquecidas.
Comigo lutava,
Sem forças nem rogas,
Tudo lhe mancava.
Virou um alforge,
Ali me matou»
Abriu uma cova,
Onde me enterrou.
Dali por sete anos,
Passa o cavalheiro,
Uma linda ermida
Viu naquele outeiro.
A Urtiga e o Pieiro
A Urtiga e o Pieiro
Que sua fala elegeu,
De tantas gemadas tomadas
Por fim enfraqueceu,
Os dentes da nossa urtiga
O ferreiro os limou,
De tanto papel cortar
Até se assim se ????Msou.
A boca da nossa urtiga
Tem uns dentes muito afiados,
Som beleza e formosura
Assim foram encantados.
As orelhinhas compridas
Seu rabinho auxiliava
E de várias olhadelas
Até de alegria saltava.
0 feno da nossa aldeia
Na beirinha do centeio
E lá o foram buscar
Para depois fazer paleio.
No alto daquela serra
Está ervinha a brilhar,
De tão nuas que andavam
Até lá a foram buscar.
Do pinheiro da saldanha
Fizeram a sua roca,
De vários fios torcidos
Chegaram à massaroca.
A urtiga e o pieiro
Foram aclamados p'ra rei,
Para tanto não saltarem
Até os tiçar lhe piei.
As cerejas da nossa aldeia
Estão agora a encarnar,
Aqui está a nossa urtiga
Quando nos quer arranhar.
As pedras fazem penedos,
Dos penedos fazem rochas,
De tantas coisas que tens
Aqui algumas me mostras.
As batatas da nossa aldeia
Estão agora a florir,
Assim é o meu pieiro
Quando mostra os dentes para rir.
0 tojeiro e a carmeisa
Estão agora a florir,
Nos imos não pressas,
Não nos dá vontade de rir.
No fundo daquele poço
Vê-se a minha fotografia,
A flor anda perra,
Não anda com alegria.
Ó urtiga, aonde estas?
Se cantasses, é que era!
A flor te ia buscar,
Que há tantos dias te espera
Ó Sobreiro do meu quintal»,
Para que: secaste: tão cedo?
Foi se calha o pieiro
Que te pôs um grande medo.
Ó minha fontinha verde,
Não dê água nem com agres;
Não venhas para a minha beira.
Porque fazes mil milagres.
A ideia não me vence
A escrever tudo que eu quero;
Estou à espera da urtiga,
Que há tanto tempo espero.
A Água
A Água
Ó rio das águas, chore
Que vai correndo pró mar;
Os tormentos que eu padeço,
Ai, mãe, os vais declarar.
Não declara, que não pode
P não tem que declarar,
Pois, quem como tu é bela,
Não deve ter que penar.
0 que eu peno ninguém sabe,
Ninguém pode saber,
Porque eu peno e não me queixo,
Em segredo sei sofrer.
Pois o sofrer em silêncio
É um dobrado sofrer,
Melhor é contarmos tudo
A quem nos possa entender.
A quem nos possa entender
Tudo eu queria contar,
Mas os amigos são raros,
Não sei onde os encontrar.
Encontra-os a cada canto
Quem os queira encontrar,
É um dos mais verdadeiros
Aqui te está a escutar.
Vem livrar-me com teu olhar
Quem eu por eles me perdi;
Dá-me a vida com teus beijos,
Já que por beijos morri.
Meia-noite, tudo dorme,
Só eu não posso dormir,
Que me não deixa este amor,
Que me fizeste sentir,
Este amor que é a minha vida,
Vida do meu coração,
Atrás do qual meu suspira
E meus pensamentos vão.
De joelhos fui ao mar,
De joelhos fui ao fundo,
Mais vale acabar no mar
Que andar nas bocas do mundo.
Apartai-o, apartai-o,
O vinho tinto do branco,
A mim também me apartaram
De quem eu gostava tanto.
Apartai-o, apartai-o,
O cravo da Alexandria,
A mim também me apartaram
De quem eu tanto queria.
Viana já foi Viana,
Agora é Vianinha,
Já foi Viana do rei,
Agora é da rainha.
Eu bem sei que sabes,
Eu bem sei que sabes bem,
Bem sei que sabes dar
O valor a quem o tem.
Ó rio das águas, chore
Que vai correndo pró mar;
Os tormentos que eu padeço,
Ai, mãe, os vais declarar.
Não declara, que não pode
P não tem que declarar,
Pois, quem como tu é bela,
Não deve ter que penar.
0 que eu peno ninguém sabe,
Ninguém pode saber,
Porque eu peno e não me queixo,
Em segredo sei sofrer.
Pois o sofrer em silêncio
É um dobrado sofrer,
Melhor é contarmos tudo
A quem nos possa entender.
A quem nos possa entender
Tudo eu queria contar,
Mas os amigos são raros,
Não sei onde os encontrar.
Encontra-os a cada canto
Quem os queira encontrar,
É um dos mais verdadeiros
Aqui te está a escutar.
Vem livrar-me com teu olhar
Quem eu por eles me perdi;
Dá-me a vida com teus beijos,
Já que por beijos morri.
Meia-noite, tudo dorme,
Só eu não posso dormir,
Que me não deixa este amor,
Que me fizeste sentir,
Este amor que é a minha vida,
Vida do meu coração,
Atrás do qual meu suspira
E meus pensamentos vão.
De joelhos fui ao mar,
De joelhos fui ao fundo,
Mais vale acabar no mar
Que andar nas bocas do mundo.
Apartai-o, apartai-o,
O vinho tinto do branco,
A mim também me apartaram
De quem eu gostava tanto.
Apartai-o, apartai-o,
O cravo da Alexandria,
A mim também me apartaram
De quem eu tanto queria.
Viana já foi Viana,
Agora é Vianinha,
Já foi Viana do rei,
Agora é da rainha.
Eu bem sei que sabes,
Eu bem sei que sabes bem,
Bem sei que sabes dar
O valor a quem o tem.
Os SINOS
Os Sinos
O sino toca à Sardinha,
Hora da reza e saudade
E chora a gente velhinha,
Lembrando-lhe a mocidade.
Repica o sino vibrante
Em festas de romaria,
Assim se vão espalhando
Certas canções de alegria.
O sino toca à Sardinha,
Hora da reza e saudade
E chora a gente velhinha,
Lembrando-lhe a mocidade.
Repica o sino vibrante
Em festas de romaria,
Assim se vão espalhando
Certas canções de alegria.
Moinhos
Moinhos
Moinho que estás cansando,
A tua delha cantando,
Contente porque vais dando
Farinha para o nosso pão,
Gira o rodízio sem descansar
Em volta,
Espuma salta
Sempre a correr
A mó de pedra
Sempre a moer.
Moinho que estás cansando,
A tua delha cantando,
Contente porque vais dando
Farinha para o nosso pão,
Gira o rodízio sem descansar
Em volta,
Espuma salta
Sempre a correr
A mó de pedra
Sempre a moer.
O REI GRILO
Rei Grilo
Estando o Rei Grilo cantando
Nos campos da Matraqueira,
Rei Leão lhe pôs um pé,
Sem saber o que fazia.
Rei Grilo se escandalizou,
Desta maneira dizia:
- Ouve lá, ó meu amigo,
Tu vê bem com quem te metes,
Que eu, além de ser pequeno,
Tenho o diabo "a sete".
Disse o Rei Leão:
- Cala-te lá, bicho pequeno,
Que estás debaixo do chão;
Tu não sabes quem eu sou,
Sou o Rei coroado Leão.
Rei Grilo:
Pois se és o Rei Coroado Leão,
Dá-te por crucificado,
Que havemos de ter uma batalha
Nos campos da "Serra Brava",
A vinte e quatro de Maio.
Chegado o dia 24 de Maio, o Rei Grilo soltou as suas gentes: moscas, mosquitos, abelhas, vespas, etc… 0 Rei Leão soltou; cavalos, lobos, cães, elefantes, zebras, tigres, etc. Então, travou-se a batalha que foi ganha pelo Rei Grilo, pois a sua gente começou a picar na do Rei Leão e esta teve de fugir.
A raposa disse que, se não fosse um rio chamado o rio Sertão, levava-a o diabo naquela ocasião.
Estando o Rei Grilo cantando
Nos campos da Matraqueira,
Rei Leão lhe pôs um pé,
Sem saber o que fazia.
Rei Grilo se escandalizou,
Desta maneira dizia:
- Ouve lá, ó meu amigo,
Tu vê bem com quem te metes,
Que eu, além de ser pequeno,
Tenho o diabo "a sete".
Disse o Rei Leão:
- Cala-te lá, bicho pequeno,
Que estás debaixo do chão;
Tu não sabes quem eu sou,
Sou o Rei coroado Leão.
Rei Grilo:
Pois se és o Rei Coroado Leão,
Dá-te por crucificado,
Que havemos de ter uma batalha
Nos campos da "Serra Brava",
A vinte e quatro de Maio.
Chegado o dia 24 de Maio, o Rei Grilo soltou as suas gentes: moscas, mosquitos, abelhas, vespas, etc… 0 Rei Leão soltou; cavalos, lobos, cães, elefantes, zebras, tigres, etc. Então, travou-se a batalha que foi ganha pelo Rei Grilo, pois a sua gente começou a picar na do Rei Leão e esta teve de fugir.
A raposa disse que, se não fosse um rio chamado o rio Sertão, levava-a o diabo naquela ocasião.
à Lareira
À Lareira
A cena passa-se à lareira.
A avó, o avô e os dois netos conversam.
Neto: Ó avô. Como é que se vestiam os homens no seu tempo? É como agora?
Avô: - Oh, não! Muito diferente!
Neto: - Então como era?
Avô - Usavam cabeleiras postiças, grandes bigodes e pêra a chegar ao peito.
Neto - E você também usava?
Avô - Está claro que sim, pois eu vivia naquele tempo.
Neto: - E andavam nus?
Avô: - Não. Usavam calças apertadas, camisas de linho com punhos de renda, coletes e calçavam umas sandálias de couro.
Neto: - E na cabeça?
Avô - Quem queria, punha um chapéu.
Neto: - E as mulheres?
Avô: - Não sei» A avó que vos diga, pois ela está a chegar, que eu vou-me deitar.
Logo que o avô foi para a cama, entrou a avó.
Neto: - Avó, como é que se vestiam as mulheres no seu tempo?
Avó: - Usavam saias e aventais muito compridos, meias de lá de ovelha, coletes curtos a ver-se a cinta, etc…
Neto: - Então você não era da pré-história?
Avó: - Está claro que não. Tu és um peco.
Neto: - Então agora conte-nos uma história.
Avó: - Até te conto vinte ou trinta, se as tiver.
Neto- Quero que conte contos, mas não de dinheiro.
Avó: - Então vou contar-vos um;
Eram dois homens que iam para uma festa e um era muito peco e o outro foi alargando o seu passo. 0 peco, ia pecando atrás e perdeu-se no caminho, não soube o caminho para a festa. E vós também sois uns pecos e há-de acontecer-vos o mesmo.
Neto.: - Conte outro, avó»
Avó? - Não conto mais nada, vou-me embora»
A cena passa-se à lareira.
A avó, o avô e os dois netos conversam.
Neto: Ó avô. Como é que se vestiam os homens no seu tempo? É como agora?
Avô: - Oh, não! Muito diferente!
Neto: - Então como era?
Avô - Usavam cabeleiras postiças, grandes bigodes e pêra a chegar ao peito.
Neto - E você também usava?
Avô - Está claro que sim, pois eu vivia naquele tempo.
Neto: - E andavam nus?
Avô: - Não. Usavam calças apertadas, camisas de linho com punhos de renda, coletes e calçavam umas sandálias de couro.
Neto: - E na cabeça?
Avô - Quem queria, punha um chapéu.
Neto: - E as mulheres?
Avô: - Não sei» A avó que vos diga, pois ela está a chegar, que eu vou-me deitar.
Logo que o avô foi para a cama, entrou a avó.
Neto: - Avó, como é que se vestiam as mulheres no seu tempo?
Avó: - Usavam saias e aventais muito compridos, meias de lá de ovelha, coletes curtos a ver-se a cinta, etc…
Neto: - Então você não era da pré-história?
Avó: - Está claro que não. Tu és um peco.
Neto: - Então agora conte-nos uma história.
Avó: - Até te conto vinte ou trinta, se as tiver.
Neto- Quero que conte contos, mas não de dinheiro.
Avó: - Então vou contar-vos um;
Eram dois homens que iam para uma festa e um era muito peco e o outro foi alargando o seu passo. 0 peco, ia pecando atrás e perdeu-se no caminho, não soube o caminho para a festa. E vós também sois uns pecos e há-de acontecer-vos o mesmo.
Neto.: - Conte outro, avó»
Avó? - Não conto mais nada, vou-me embora»
A azeitona e a cereja
A Azeitonas e a Cereja
Diz a cereja:
- Azeitona, como amiga,
0 teu ser muito pesa;
Já vejo que pouco brilhas,
És feia de natureza.
Aqui está como eu brilho,
Vermelha e redondinha,}
Quanto deras, azeitona,
A tua cor ser a minha?
Sem o tempero do sal,
Nem o meu Deus te deseja!
Não preciso eu de tempero,
Quanto mais vale a cereja?
Tu, além da triste cor,
Não inculques no feitio;
No sabor és amargosa,
já não tens de que ter brio.
Que eu, logo ao romper da aurora,
Longe me vem arraiar,
Que me vem dar os bons-dias
Aos saltinhos, a cantar.
Sou a alegria das aves,
E dos jovens o encanto,
Até os mais inocentes
Comigo gastam seu tanto!
A toda a hora do dia
Me festejam passarinhos,
Cantando com alegria,
Socorrendo nos raminhos.
Azeitona:
- A tua mãe, ó cereja,
Só dura na Primavera;
Depois é um colete seco,
Toda a folha vai a terra.
E tu mesmo crias bichos,
Pois I a tua formosura;
Não duras mais de três dias,
Depois de que estas madura.
A minha mãe oliveira
Dura sempre florida;
Dura de Verão e de Inverno,
Até que no fim da vida.
Em meios civilizados
Tenho grande estimação;
Nunca perco o meu valor,
Quer de Inverno, quer de Verão.
Eu dou a luz ao moribundo
E estou pronta a servir,
Quando a alma, do corpo
Se aproximar a sair.
Cereja:
- Eu não estou, acredita,
Nem o posso entender,
Além de seres tão feia,
Tanto valor possas ter.
Azeitona;
- Tu verás no "framenino",
Damas feias e formosas,
Que muitas vezes as feias
Tem acções mais generosas.
Cereja;
- Desculpa, minha amiguinha,
Que eu já vejo que pequei,
Que por minha inocência
Foi que eu sem razão falei
Azeitona:
- Também tu, minha louquinha
Vieste de alta "vieira"
Falar sem considerar
É cair em grande asneira.
Cereja:
- Cá entre nos há remédios,
Escusamos de botica;
Tu és a mesma que eras
E eu a mesma que fica.
Azeitona;
- Cá entre nós há remédios.
E também muita virtude,
Amiguinhas como dantes,
Só te desejo saúde.
Diz a cereja:
- Azeitona, como amiga,
0 teu ser muito pesa;
Já vejo que pouco brilhas,
És feia de natureza.
Aqui está como eu brilho,
Vermelha e redondinha,}
Quanto deras, azeitona,
A tua cor ser a minha?
Sem o tempero do sal,
Nem o meu Deus te deseja!
Não preciso eu de tempero,
Quanto mais vale a cereja?
Tu, além da triste cor,
Não inculques no feitio;
No sabor és amargosa,
já não tens de que ter brio.
Que eu, logo ao romper da aurora,
Longe me vem arraiar,
Que me vem dar os bons-dias
Aos saltinhos, a cantar.
Sou a alegria das aves,
E dos jovens o encanto,
Até os mais inocentes
Comigo gastam seu tanto!
A toda a hora do dia
Me festejam passarinhos,
Cantando com alegria,
Socorrendo nos raminhos.
Azeitona:
- A tua mãe, ó cereja,
Só dura na Primavera;
Depois é um colete seco,
Toda a folha vai a terra.
E tu mesmo crias bichos,
Pois I a tua formosura;
Não duras mais de três dias,
Depois de que estas madura.
A minha mãe oliveira
Dura sempre florida;
Dura de Verão e de Inverno,
Até que no fim da vida.
Em meios civilizados
Tenho grande estimação;
Nunca perco o meu valor,
Quer de Inverno, quer de Verão.
Eu dou a luz ao moribundo
E estou pronta a servir,
Quando a alma, do corpo
Se aproximar a sair.
Cereja:
- Eu não estou, acredita,
Nem o posso entender,
Além de seres tão feia,
Tanto valor possas ter.
Azeitona;
- Tu verás no "framenino",
Damas feias e formosas,
Que muitas vezes as feias
Tem acções mais generosas.
Cereja;
- Desculpa, minha amiguinha,
Que eu já vejo que pequei,
Que por minha inocência
Foi que eu sem razão falei
Azeitona:
- Também tu, minha louquinha
Vieste de alta "vieira"
Falar sem considerar
É cair em grande asneira.
Cereja:
- Cá entre nos há remédios,
Escusamos de botica;
Tu és a mesma que eras
E eu a mesma que fica.
Azeitona;
- Cá entre nós há remédios.
E também muita virtude,
Amiguinhas como dantes,
Só te desejo saúde.
Um Pintainho
Um Pintainho
Era uma vez um ovo pequenino e branco que tinha dentro um pintainho. Esse pintainho queria sair para fora, pois não queria estar naquela escuridão. Com a cabeça, deu um empurrão na casca e esta quebrou um pedaço.
Nesse instante, o pintainho deitou a cabeça de fora e disse:
- Até que chegou o dia em que eu me vi livre de estar neste esconderijo.
Com muito esforço, sai cá para fora.
Esteve cinco minutos e, ao fim, perguntava a si mesmo;
- Eu não tenho salvação. Estou cheio de frio. Vou ver se sou capaz de me por de pé.
Experimentou e sempre se pôs de pé.
Nesse momento, cheio de alegria, disse;
- Já sou gente. Já posso ir dar passeios para muito longe, porque senão a minha dona, qualquer dia, mata-me. Para escapar, vou fazer descobertas por terras de França. Mas o pior de tudo é que se for muito frio e começar a chover... então é que morro. Eu, para já, ainda sou bebé, não posso apanhar frio nem chuva. Mas eu sei que tenho de morrer, tanto faz morrer aqui como em terras de França. Mas, o melhor de todo isto ainda é morrer aqui que não vou apanhar tempestades.
Era uma vez um ovo pequenino e branco que tinha dentro um pintainho. Esse pintainho queria sair para fora, pois não queria estar naquela escuridão. Com a cabeça, deu um empurrão na casca e esta quebrou um pedaço.
Nesse instante, o pintainho deitou a cabeça de fora e disse:
- Até que chegou o dia em que eu me vi livre de estar neste esconderijo.
Com muito esforço, sai cá para fora.
Esteve cinco minutos e, ao fim, perguntava a si mesmo;
- Eu não tenho salvação. Estou cheio de frio. Vou ver se sou capaz de me por de pé.
Experimentou e sempre se pôs de pé.
Nesse momento, cheio de alegria, disse;
- Já sou gente. Já posso ir dar passeios para muito longe, porque senão a minha dona, qualquer dia, mata-me. Para escapar, vou fazer descobertas por terras de França. Mas o pior de tudo é que se for muito frio e começar a chover... então é que morro. Eu, para já, ainda sou bebé, não posso apanhar frio nem chuva. Mas eu sei que tenho de morrer, tanto faz morrer aqui como em terras de França. Mas, o melhor de todo isto ainda é morrer aqui que não vou apanhar tempestades.
Vicente Marujo
Vicente Marujo
Era uma vez um homem chamado Vicente Marujo, que andava a passear, quando, de repente, encontrou o padre.
0 padre disse-lhe;
- Ó Vicente, quero-te confessar.
0 Vicente disse que sim.
0 padre mandou-o ir para a igreja, pois que ele já lá ia ter.
Bem o Vicente esperou, esperou e o padre não aparecia, até que, por fim, lá chegou.
Então o padre disse-lhe se ele sabia a doutrina e o Vicente respondeu-lhe;
- Olhe, padre, eu sabia, mas, enquanto aqui estive à espera, formou-se-me toda em pulhas.
Diz-lhe o padre:
- Então, diz lá uma, Vicente:
- Ferro-te o dedo no cu sem unha.
Padre:
- Ó homem, essa foi boa.
Vicente:
- Cago-te e mejo na boca.
Padre:
- Basta!
Vicente:
- No cu te ferro uma pasta.
Padre:
- Bonda!
Vicente:
- No cu te ferro uma tomba.
Padre:
- Abre-te, terra, leva-me este pecador.
Vicente:
- Levitai-vos, carvalhos, parti-me este confessor.
ferrar - pregar, espetar
pulhas - asneiras
tomba - espécie de remendo
Era uma vez um homem chamado Vicente Marujo, que andava a passear, quando, de repente, encontrou o padre.
0 padre disse-lhe;
- Ó Vicente, quero-te confessar.
0 Vicente disse que sim.
0 padre mandou-o ir para a igreja, pois que ele já lá ia ter.
Bem o Vicente esperou, esperou e o padre não aparecia, até que, por fim, lá chegou.
Então o padre disse-lhe se ele sabia a doutrina e o Vicente respondeu-lhe;
- Olhe, padre, eu sabia, mas, enquanto aqui estive à espera, formou-se-me toda em pulhas.
Diz-lhe o padre:
- Então, diz lá uma, Vicente:
- Ferro-te o dedo no cu sem unha.
Padre:
- Ó homem, essa foi boa.
Vicente:
- Cago-te e mejo na boca.
Padre:
- Basta!
Vicente:
- No cu te ferro uma pasta.
Padre:
- Bonda!
Vicente:
- No cu te ferro uma tomba.
Padre:
- Abre-te, terra, leva-me este pecador.
Vicente:
- Levitai-vos, carvalhos, parti-me este confessor.
ferrar - pregar, espetar
pulhas - asneiras
tomba - espécie de remendo
A Beata
A Beata
Era uma vez uma beata, muito beata, que ia todos os dias à igreja. Um dia, quando vinha da igreja, ainda muito cedo, encontrou dois homens que lhe perguntaram de onde vinha. Ela disse-lhes que vinha da igreja, de fazer a sua devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
Então, um dos homens disse que também gostava de fazer essa devoção, mas que, sozinho, não queria ir à igreja e que não sabia a hora a que a beata ia. Ela disse-lhe que o melhor era ele passar pela casa dela antes, para depois irem juntos.
Assim ficou combinado.
Mas o homem, com medo de chegar tarde, mal dormiu e ainda era de noite e já ele estava a bater à porta da beata. Ela abriu- lhe a porta e disse-lhe que ainda era muito cedo. Mas mandou-o entrar, e disse-lhe que, se se quisesse deitar, podia fazê-lo num banco que ela ali tinha.
0 homem assim fez.
Passados uns minutos, ela (que estava na cama) perguntou-lhe se estava bem.
0 homem respondeu-lhe que sim, só que a cama era muito estreita.
Depois, ela disse-lhe para se deitar em cima de uma caixa. Dali a bocado, ela voltou a perguntar-lhe se estava melhor.
Ele respondeu que sim, só que a cama era um pouco dura.
Mandou-o deitar aos pés da cama dela. Passado um bocado, voltou a perguntar-lhe se estava bem.
Ele respondeu-lhe
- Ai, estou, estou, minha senhora, só que a cama tem o travesseiro um bocado baixo.
Então, ela disse-lhe.
- Olha, deita-te aqui para cima.
E lá ficaram os dois na cama, sem nunca mais se lembrarem de ir à igreja.
Era uma vez uma beata, muito beata, que ia todos os dias à igreja. Um dia, quando vinha da igreja, ainda muito cedo, encontrou dois homens que lhe perguntaram de onde vinha. Ela disse-lhes que vinha da igreja, de fazer a sua devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
Então, um dos homens disse que também gostava de fazer essa devoção, mas que, sozinho, não queria ir à igreja e que não sabia a hora a que a beata ia. Ela disse-lhe que o melhor era ele passar pela casa dela antes, para depois irem juntos.
Assim ficou combinado.
Mas o homem, com medo de chegar tarde, mal dormiu e ainda era de noite e já ele estava a bater à porta da beata. Ela abriu- lhe a porta e disse-lhe que ainda era muito cedo. Mas mandou-o entrar, e disse-lhe que, se se quisesse deitar, podia fazê-lo num banco que ela ali tinha.
0 homem assim fez.
Passados uns minutos, ela (que estava na cama) perguntou-lhe se estava bem.
0 homem respondeu-lhe que sim, só que a cama era muito estreita.
Depois, ela disse-lhe para se deitar em cima de uma caixa. Dali a bocado, ela voltou a perguntar-lhe se estava melhor.
Ele respondeu que sim, só que a cama era um pouco dura.
Mandou-o deitar aos pés da cama dela. Passado um bocado, voltou a perguntar-lhe se estava bem.
Ele respondeu-lhe
- Ai, estou, estou, minha senhora, só que a cama tem o travesseiro um bocado baixo.
Então, ela disse-lhe.
- Olha, deita-te aqui para cima.
E lá ficaram os dois na cama, sem nunca mais se lembrarem de ir à igreja.
Ovelhinha Russa
Ovelhinha Russa
Certo dia, estava uma ovelha já muito velhinha a comer num prado muito verde, quando, de repente, lhe apareceu o lobo que se preparou logo para a comer.
Então, ela disse-lhe;
- Olha, não me comas, porque eu sou muito velhinha, só tenho ossos e podes estragar os teus dentes, mas fica descansado que eu digo-te de uns carneiros muito gordos. Olha, vai atrás daquele alto que lá estão muitos carneiros gordos e esses, podes comê-los todos.
Então, o lobo, todo feliz da vida, começa a correr até ao cimo do alto. A ovelha, logo que viu que o lobo já não a podia ver, deitou a correr directamente para a corte. Mal chegou, berrou (baliu) e o dono foi logo abrir a porta.
Então, o lobo, depois de ter procurado os carneiros gordos por todo o lado e não os ter encontrado, voltou para baixo e, ao chegar à porta da ovelha, disse;
- Desde que eu sou velho e cão, nunca tantos passos dei eu, não.
E, então, a ovelha respondeu-lhe:
- Desde que eu sou velhinha e russa, nunca tanto dei à "gussa".
Certo dia, estava uma ovelha já muito velhinha a comer num prado muito verde, quando, de repente, lhe apareceu o lobo que se preparou logo para a comer.
Então, ela disse-lhe;
- Olha, não me comas, porque eu sou muito velhinha, só tenho ossos e podes estragar os teus dentes, mas fica descansado que eu digo-te de uns carneiros muito gordos. Olha, vai atrás daquele alto que lá estão muitos carneiros gordos e esses, podes comê-los todos.
Então, o lobo, todo feliz da vida, começa a correr até ao cimo do alto. A ovelha, logo que viu que o lobo já não a podia ver, deitou a correr directamente para a corte. Mal chegou, berrou (baliu) e o dono foi logo abrir a porta.
Então, o lobo, depois de ter procurado os carneiros gordos por todo o lado e não os ter encontrado, voltou para baixo e, ao chegar à porta da ovelha, disse;
- Desde que eu sou velho e cão, nunca tantos passos dei eu, não.
E, então, a ovelha respondeu-lhe:
- Desde que eu sou velhinha e russa, nunca tanto dei à "gussa".
A minha galinha pinta
A minha Galinha Pinta
A minha galinha pinta
Põe-me três ovos por dia;
Se me pusesse: quatro.
Mais dinheiro me rendia.
já me davam pelo bico
As rendas de um arcebispo;
Já me davam pela crista
A casa da Boavista;
Já me davam pelo pescoço
Um cavalo com um moço;
Já me davam pelas asas
Morada e meia de casas;
Já me davam pelo rabo
A fita de um cruzado;
Já me davam pelas unhas
Cento e meio de agulhas;
Já me davam pela moela
Um cão e uma cadela.
Uma galinha que tanto rende
Deve-se meter num convento,
Onde as freiras passeiam
SÓ para fora e só para dentro.
A minha galinha pinta
Põe-me três ovos por dia;
Se me pusesse: quatro.
Mais dinheiro me rendia.
já me davam pelo bico
As rendas de um arcebispo;
Já me davam pela crista
A casa da Boavista;
Já me davam pelo pescoço
Um cavalo com um moço;
Já me davam pelas asas
Morada e meia de casas;
Já me davam pelo rabo
A fita de um cruzado;
Já me davam pelas unhas
Cento e meio de agulhas;
Já me davam pela moela
Um cão e uma cadela.
Uma galinha que tanto rende
Deve-se meter num convento,
Onde as freiras passeiam
SÓ para fora e só para dentro.
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