AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sugestão final avançada pela Assistente Social Névoa :criar uma comissão de proteção sénior, à semelhança da comissão de proteção de menores.Secretariado Diocesano da Pastoral Social-Encontro do dia 23 de Fevereiro de 2012, no Centro Paulo VI, em Darque

Secretariado

 Diocesano

da Pastoral Social

Encontro do dia 23 de Fevereiro de 2012, no Centro Paulo VI, em Darque




















A crise é o resultado do homem competitivo, concorrente, sem capacidade de olhar para o outro como um irmão, mas como um objeto de exploração. É próprio do homem economicista que produz riqueza a qualquer preço à custa da natureza e de uma distribuição mal feita dos bens que produz. Uns têm direito a tudo, outros não têm nada ou muito pouco.


Quando o verdadeiro desenvolvimento integral e solidário atinge o homem todo e todos os homens, em todas as dimensões da vida humana: social, cultural, religiosa, espiritual, económica e por aí fora. A dimensão solidária é criar no homem os deveres de solidariedade, de justiça social, caridade (conf. Nº 44 da Solicitude Social da Igreja do Beato João Paulo II).

“A solidariedade é uma das pedras indispensáveis para a construção do desenvolvimento integral e integrado”, Eugénio de Fonseca – presidente da Caritas Nacional.

O desenvolvimento natural não basta para gerir a pobreza dos que são pobres ou o sofrimento dos que sofram (conf. nº 38 Solicitude Social da Igreja).

A solidariedade é a determinação perseverante, firme e constante de se empenhar pelo bem comum porque todos nós somos responsáveis por todos. “A solidariedade é afinal a atitude mais eficaz para vencer o corroído egoísmo” – Eugénio de Fonseca.


A caridade tem de ser libertadora, há que olhar e ver com os olhos do coração não é despachar para outros porque enquanto a batata quente queima a boca dos outros não queima a nossa. A caridade que falamos é pessoal, comunitária, universal é seguir o processo do bom samaritano. Proceder desta forma é criar futuro com esperança e desenvolvimento com futuro justo.

Desta forma olhamos com olhos do coração o crescimento das crianças e o envelhecimento com qualidade com a colaboração da Dra. Joana Arantes e da Dra. Marta Freitas Rosa, ambas psicólogas e professoras na Universidade do Minho.

Pela tarde, a mesa redonda multidisciplinar e multifunções foi uma amostra do muito trabalho desenvolvido nas IPSS e que o Dr. Paulo Gomes, diretor do NV e na redação do Diário do Minho moderou, foi um descer à realidade da nossa região e da qual saíram uma panóplia de ideias que terão de ser realidade entre as  IPSS, uma maior intervenção e com mais qualidade, uma maior interação entre as instituições, criar uma comissão de proteção sénior, à semelhança da comissão de proteção de menores.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Os agentes de Pastoral So­cial da Diocese de Viana do Castelo, ontem reunidos numa ação de debate e formação,Cuidar da formação do coração, reivindicaram a criação de uma Comissão Nacional de Proteção dos Seniores

As imagens são minhas




 por Paulo Gomes, in DM dia 24/02

Os agentes de Pastoral So­cial da Diocese de Viana do Castelo, ontem reunidos numa ação de debate e formação, reivindicaram a criação de uma Comissão Nacional de Proteção dos Seniores para uma defesa mais efetiva dos mais idosos, uma população com cada vez maior expres­são no nosso país.

A proposta saiu no contexto de uma mesa redonda na qual representantes de diversas Ins­tituições Particulares de Soli­dariedade Social (IPSS), par­tilharam «boas práticas» no quotidiano, em ordem a re­solver os problemas que en­frentam.

Maria Névoa, assistente so­cial do Centro Paroquial de Barroselas, após ter falado das iniciativas daquela instituição em ordem a um «maior envol­vimento» dos familiares dos utentes, sejam eles institucio­nalizados ou em Centro de Dia, realçou a necessidade de uma maior defesa da pessoa idosa. Infelizmente, como relatou, os mais idosos andam a ser en­ganados e espoliados, tarefa que se torna mais fácil devi­do ao abandono a que mui­tos são votados. Por isso, de­fendeu esta assistente social, à semelhança do que aconte­ce para a infância e juventude, também para a terceira idade urge uma maior proteção cuja comissão poderia trazer outra forma de agir.

Durante cerca de duas ho­ras, partilharam-se formas de enfrentar as problemáticas, seja de crianças abandona­das, como no caso do Berço, seja dos idosos através das valências de Apoio Domiciliá- rio, Centro de Dia ou Lar resi­dencial. Genericamente, a co­laboração interdisciplinar e in- terinstitucional são o modelo adotado para evoluir e ter res­postas mais adequadas para os utentes das instituições. 0 trabalho em rede vai fazendo o seu caminho, embora ainda não seja uma realidade insti­tucional. Vive mais das rela­ções pessoais.

Neste debate ficou-se a co­nhecer melhor a ação do Refei­tório Social, que hoje tem um acordo para servir «36 almo- ços e outros tantos jantares», mas que já chegou a servir 90 refeições porque «não se fecha a porta a ninguém que neces­site». Esta valência não se li­mita a dar uma refeição, hoje pedida por pessoas com uma vida desestruturada pelas de­pendências, mas também, na ordem dos «40 por cento», por aqueles que, sem emprego, até levam em marmita para comer em casa.


Os agentes da pastoral so­cial «não podem descuidar a formação do coração sob pena de se tornarem meros buro­cratas» advertiu Eugênio da


Fonseca, o presidente nacio­nal da Cáritas, durante a ma­nhã, nesta ação promovida pelo secretariado diocesano da pastoral social.

Dirigindo-se a dezenas de profissionais da área social, sobretudo de IPSS da Igreja e agentes da pastoral social, o responsável nacional da Cá­ritas sublinhou que «perante o que está desprotegido te­mos que ser sinais de salva­ção» fazendo «aquilo que está ao nosso alcance assumindo- -nos corresponsáveis» para ul­trapassar a situação.

Neste capítulo, teceu du­ras críticas a uma nova moda que dá pelo nome de «enca­minhamento» considerando que esta «nova terapêutica social» não passa de um pre­texto para «não dar uma so­lução de imediato» empurran­do a «brasa a arder na mão do outro».

Por seu turno, os agentes da pastoral social, membros de uma comunidade cristã, «têm de viver em coerência os princípios religiosos e éti­cos», «capazes de distinguir

o  erro de quem o comete» adotando como exemplo de ação a figura evangélica do "bom samaritano". Aquele rela­to pedagógico de Jesus Cristo apresenta valores que «deve­mos desenvolver», nomeada­mente «capacidade de apro­ximação», sendo para isso ne­cessário «ter compaixão», ou seja, «colocar-se na pele do outro» e «fazer do problema do outro o seu problema». É necessário, ainda, «saber ver sem passar ao lado», empe­nhando-se na resolução glo­bal da situação.

Este espírito será mais fá­cil desenvolver com a cons­ciência de se poder contar com a comunidade cristã porque a «paróquia é o pri­meiro agente da caridade». Nesse domínio, insistiu Eu­gênio da Fonseca, é preciso uma consciência bem forma­da para a «caridade global», para «evitar a sua redução à ação assistencial e à esfe­ra privada ou associativa» a fim de que a ajuda permita a superação dos problemas e não «apenas a gestão das necessidades».

Esta ação continuou com a intervenção de duas psi­cólogas da Universidade do Minho: Joana Arantes e Mar­ta Rosa.

Paróquias e dioceses, grandes ou pequenas. Que problemas para a Igreja?

A realidade ai está. Não se pode iludir. Tempos houve com muitos padres, criavam-se paróquias para lhes dar lugar. Agora, diminuiu a população, há paróquias desertas, que permanecem entidades canônicas, mal servidas por padres que correm, porque o seu número diminuiu. Há dioceses com menos população que grande paróquias das zonas urbanas, ao lado de dioceses normais e de outras, com uma extensão geográfica e popula­cional, que não lhes é fácil a ação pastoral renovadora, recomendada pelo Vaticano II. Tornou-se difícil operar a renovação da Igreja, mediante a ação direta junto das pessoas e a sua participação nas comu­nidades. Por razões óbvias, nas dioceses e paróquias com pouca gente, manter ou edificar comunidades vivas, com uma po­pulação residente diminuta, envelhecida e pouco dada a "novidades" na religião, parece pesadelo ou ideal sem consis­tência. Gente a mais por um lado, gente a menos por outro, num país pequeno, onde a mesma Igreja tem a responsabi­lidade de evangelizar, alimentar a fé e ajudar a crescer, onde quer que as pessoas vivam e qualquer que seja a sua idade e capacidade... Nesta Igreja, que deve ser uma comunhão efetiva de Igrejas Irmãs, subsistem comunidades, umas ricas com meios e recursos de sobra e onde se es­banja, e outras empobrecidas de pessoas e de meios, onde cada dia tudo se torna mais difícil, e onde a solidariedade se devia sentir. Esta, desde longe, uma realidade da Igreja em Portugal..
Na sociedade sente-se igual problema em relação a freguesias e municípios, o que levou o poder político a tomar medidas de solução não pacífica. Se a situação é semelhante, em regra as freguesias são paróquias, na Igreja e no Estado as propos­tas variam pela natureza das entidades, havendo, porém, vantagem de alguma reflexão em comum, não para reivindicar, mas para abrir caminhos. Diferentes, em­bora , os problemas não são separáveis. As respostas, dado o objetivo prosseguido, é que não são coincidentes. Enquanto no Estado se tenta um caminho que responda às necessidades dos cidadãos, suprimindo e anexando, na Igreja, o caminho deve ser outro. Há paróquias já anexadas e padres ao serviço de várias, que, todas juntas, nem sempre somam mil habitantes. Esta solução fora do tempo, pela referência e tônica clerical, que, além de transitória, nada tem de tranquilizadora, por estar cheia de novos problemas, sobretudo no que se refere ao equilíbrio humano e espiritual do? padres e à dificuldade de satisfazer direitos e deveres dos cristãos. Todas as estruturas da Igreja estão ao serviço das pessoas, são transitórias e duram enquanto promovem e não difi­cultam nem impedem a vida dos cristãos e das comunidades. Ao longo da história, muitas delas foram fruto de pressões e de interesses, estranhos ao sentido eclesial e ao bem espiritual. Passados séculos e, mais recentemente, dezenas de anos, o erro mantém-se e, apesar da vida que mudou, estruturas caducas permanecem intocáveis. O que se inova é tirado a ferros, e logo se fecham portas, não venha aí a tentação de mais novidades pastorais. A criação de seis novas dioceses no século passado, nunca foi pacífica, dado inte­resses tocados e prestígios beliscados. A história está feita. Entretanto, houve um concilio, muitas coisas mudaram na Igreja e na sociedade, deram-se orientações... Mas o povo continua sem voz e o zelo e o bom senso, apenas privilégio de alguns. O problema das paróquias e das dioceses, grandes ou pequenas, não é questão de números e territórios. Presente a neces­sidade de acertos, por vezes urgentes, o problema é de bairrismos ferrugentos, da mentalidade de quem preside, das pressões corporativas, da pouca liberdade de participação, permitida aos cristãos afetados. O padre é indispensável para o que lhe é específico, mas a solução é eclesial, não clerical. Há capacidades não aproveitadas no Povo de Deus, frente à realidade e urgência da missão. Criam-se, mundo fora, dioceses com um enorme ter­ritório e um número diminuto de padres. E funcionam, crescem e geram comuni­dades. Contam com o que têm, abertas à solidariedade de outras, nem sempre das mais ricas. Na Igreja, como na vida, quem mais ajuda os pobres, são os pobres.
No caso das paróquias do interior, há ca­minhos em aberto para explorar: unidades pastorais de espírito conciliar e prática sinodal; equipas eclesiais, com lugar de direito aos leigos e, com eles, em atitude ativa de procura e experiência; abertura a novos ministérios e a experiências válidas, já testadas noutras zonas; programação realista, olhando as pessoas, as suas ca­pacidades e necessidades; reflexão aberta sobre os problemas, a nível diocesano e nacional, com gente que conheça, pense e deixe pensar... O que se está a fazer, na maioria dos casos, não vai além de uma pastoral de conservação, sempre com base no padre, pronto para celebrar muitas mis­sas, mas sem tempo para rezar, estudar, acolher, educar na fé, e abrir horizontes de vida, àqueles a quem sempre foram fechados.
A Igreja em Portugal precisa de parar e repensar, não a partir das franjas pastorais, incômodas para quem vê de fora, mas da vida das pessoas e das comunidades. Precisa de conversão dos responsáveis, a exemplo de João XXIII e de Paulo VI, que se negaram a privilégios de séculos e escolheram o caminho de Paulo (Fil 2, 3-4), considerando os outros superiores a si próprios, procurando não o seu próprio interesse, mas o dos outros. Isto exige des­cer, voluntariamente, do carro do poder e das honras, e trilhar o caminho pedregoso dos pobres e falar aí a sua língua. O carro triunfal não volta. Acabou o tempo dos senhores e dos donos das pessoas e do templo. O lugar de Cristo só a Ele pertence. Agora, é o tempo, evangélico e privilegia­do, da Igreja serva e pobre, que, de pés no chão, luta e sofre para dar testemunho da verdade e ser sinal de salvação e de esperança. Poderá haver sempre e mais ainda em tempos de crise, algo de mais fascinante para um servo do Povo de Deus e que sente, dia a dia, as urgências do Reino?
D. Antônio Marcelino bispo emérito de Aveiro




segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Pastoral Paroquial de 2011-2012- Nª Sª de Fátima

A Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Concelho Paroquial de Pastoral realizada em em 21 de Outubro o Projecto, Plano e Calendário aprovou para 2011-2012. Ao mesmo tempo o Conselho aprovou a Missão, visão, valores e estratégias de trabalho para conseguir  cumprir a MISSÃO CRISTÃ.
Apreciou e aprovou a
 implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade, no Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora de Fátima que pretende garantir a sua sustentabilidade, aumentar a satisfação dos seus clientes, colaboradores e parceiros e prestar respostas sociais com elevados padrões de qualidade, o Projecto FAS2 com a duração de dois anos e tem como entidade formadora a Célula 2000, em ordem à sua certificação.




 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Oração da Manhã

Oração da manhã










net




Senhor!

No silêncio deste dia que desperta,

venho pedir-Vos paz, sabedoria e fortaleza.

Hoje quero olhar o mundo com olhos cheios de amor.

Quero ser paciente e compreensivo,

prudente, delicado e bom.

Quero ver os Vossos filhos

para além das aparências, como Vós os vedes,

não vendo em cada um deles

outra coisa senão o bem.

Fechai os meus ouvidos à calúnia

e guardai a minha língua da maledicência.

Que o meu coração não tenha

senão pensamentos de bênção.

Que eu seja tão bondoso e alegre

que todos quantos se aproximam de mim sintam a Vossa presença.

Revesti-me, Senhor, da Vossa beleza,

e que durante este dia eu Vos revele aos homens meus irmãos.

À Vossa misericórdia entrego o meu passado,

Ao Vosso amor consagro o meu presente,

À Vossa providência confio o meu futuro!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Homilia do novo Bispo de Viana + Comentário

Homilia de D. Anacleto Oliveira


na entrada solene na Diocese de Viana do Castelo



1. A primeira vez que visitei esta Diocese de Viana do Castelo, depois da minha nomeação para seu Bispo, foi há pouco mais de um mês: uma visita de apenas dois dias, mas na qual colhi impressões e experimentei sensações que desejo transmitir-vos.

Fui acompanhado pelo meu antecessor neste ministério, o Senhor Dom José Pedreira, a pessoa que certamente mais bem conhece esta Diocese. Nela nasceu, serviu-a longo tempo como presbítero e, durante quase 13 anos, como Bispo. Agradeço-lhe muito, Senhor Dom José, a disponibilidade com que me guiou nesse primeiro contacto com as gentes e as terras de Viana.

Tive oportunidade, em Darque, de conhecer o Centro Pastoral Paulo VI, o novo auditório e a Casa do Clero, onde contactei com alguns sacerdotes e familiares que aí vivem. Visitámos, depois, na cidade de Viana, a Cúria Diocesana, a igreja do Convento de São Domingos, rezando junto do sepulcro do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires, passámos pelo Colégio do Minho, detivemo-nos, um pouco mais longamente, no Seminário e na Catedral onde nos encontramos.

Reunimo-nos com os membros da Comissão Organizadora desta minha apresentação solene à comunidade de Viana do Castelo e ainda com o Colégio de Consultores, aos quais agradeço todo o empenhamento.

Tive ainda oportunidade de visitar as sedes de todos os restantes Arciprestados: Caminha, Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção, Ponte de Lima, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Melgaço e Paredes de Coura [exactamente por esta ordem, acrescentou].

Apesar de ter sido uma visita informal, não anunciada, encontrámo-nos, ainda que de passagem, com vários sacerdotes e cristãos leigos, muitos dos quais, para agradável surpresa minha, me reconheceram e saudaram com particular afabilidade.



Perante tudo o que fui recebendo e presenciando, confesso que dei comigo a ver as coisas com olhos e sentimentos de uma criança, que se deixa encantar pelo que vê e espera – aquela maneira de ver e sentir de que só como adultos nos damos verdadeiramente conta. Vou tentar esclarecer melhor.



2. Existem, ainda hoje, dois dos edifícios que muito marcaram a minha vida na infância e princípio da adolescência, mas nos quais, desde então, não voltei a entrar. Refiro-me à Escola Primária da minha terra natal, as Cortes, e ao edifício do Seminário Menor da Cova da Iria, em frente da Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo. Hoje, no meu imaginário, são dois edifícios enormes, com salas muitíssimo maiores do que, vistas de fora, na realidade podem ter. Como explicar esta discrepância?

É natural que, com o rodar dos anos, se mantenha a percepção desse tempo, sobretudo tratando-se de duas instituições que muito contribuíram para a minha formação. Sem tudo o que lá aprendi, não seria hoje quem sou. Esses símbolos continuam grandes para mim, pelo que de grandioso me proporcionaram. São grandes pelo lugar insubstituível que ocupam na minha existência.

Mas penso que há uma outra razão, que não é alheia a todo este processo: o modo como vemos as coisas depende muito do nosso estado de espírito e da situação em que nos encontramos, quando as vivenciamos. Para uma criança, tudo é grande, ainda que só mais tarde, em adulto, ganhe plena consciência dessa grandiosidade.

Mas também pode suceder o inverso: quanto mais grandiosas forem as coisas, os acontecimentos e as pessoas com que nos deparamos, seja a que nível for, mais pequenos poderemos sentir-nos. Mesmo sendo adultos. Mesmo então continuamos sujeitos a tantas limitações, fragilidades, dependências. Sem sermos infantis, transpomos connosco a criança que fomos.



3. Foi um pouco de tudo isto que senti, quando, no mês passado, ia percorrendo esta Diocese: meu Deus, como tudo isto é enorme para mim! Enorme, acima de tudo, pelo peso da responsabilidade que aqui me espera como vosso Bispo. Segundo o Directório para o Ministério Pastoral dos Bispos (n. 1), “o Bispo, ao ter-se em conta a si mesmo e às suas funções, deve ter presente, como centro que define a sua identidade e a sua missão, o mistério de Cristo e as características que o Senhor Jesus quis para a sua Igreja, «povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (L.G.)”.

E o mesmo Directório esclarece o que essa identidade, na prática, significa: “Vigário do «grande Pastor das ovelhas» (Heb 13, 20), o Bispo deve manifestar com a sua vida e com o seu ministério episcopal a paternidade de Deus, a bondade, a solicitude, a misericórdia, a doçura e a autoridade de Cristo, o qual veio para dar a vida e para fazer de todos os homens uma só família, reconciliada no amor do Pai, e a perene vitalidade do Espírito Santo que anima a Igreja e a apoia na sua debilidade humana” (Ibidem).

Vigário de Cristo, com uma missão divina, trinitária! – Mas quem sou eu para assumir tal responsabilidade? Uma missão repartida pelas três funções de ensinar, santificar e governar, que, por sua vez, se realizam numa imensidão de actividades que envolvem um sem número de pessoas, como agentes e destinatários – presbíteros, religiosos e leigos, cristãos e até não cristãos, com problemas e necessidades de toda a ordem! E todos à espera de uma palavra ou um gesto, uma orientação ou uma decisão da parte do Bispo.

Mais: nesse primeiro contacto fiquei com a impressão de que são grandes as expectativas que me esperam; o que é normal e até gratificante. Mas estarei eu à altura de merecer a confiança que depositam em mim?

É certo que nem tudo é novidade para mim. Dou graças a Deus pelos cinco anos que me concedeu no Patriarcado de Lisboa e pela experiência que fui adquirindo com o Senhor Cardeal Dom José Policarpo, os restantes bispos auxiliares, tantos padres, [como] diáconos, cristãos consagrados e leigos. Mas, tenho consciência de que irei encontrar aqui uma realidade diferente, quer a nível social, cultural e económico quer mesmo a nível religioso. Para não falar da responsabilidade de ser o primeiro animador da Fé. Razões, portanto, entre muitas outras que não vêm a propósito, para me sentir pequeno, como uma criança que tudo espera… mas confiante.



4. Sim, por estranho que pareça, é assim – pequeno como uma criança – que me reconheço. Mais: estou plenamente convencido de que só assim devo sentir-me. Por isso não mais entrei nos lugares da minha infância de que falei há pouco. Preciso de continuar a vê-los, como tantas outras coisas, com olhos de criança, para não perder de vista a importância de, mesmo em adulto, conservar a sensibilidade e a abertura de uma criança.

Não para fugir às responsabilidades que me esperam. Uma criança só evita aqueles em quem não confia. A quem lhe oferece motivos de confiança, ela entrega-se, muito mais do que um adulto. Entrega-se, porque, nas suas carências e necessidade de viver e crescer, precisa de quem lhe dê o que não tem. As crianças são, por natureza, dependentes. E é nesse sentido que Jesus faz delas modelos de fé. Aos discípulos, desejosos de saber “quem é o maior no reino dos Céus”, e depois de colocar uma criança no meio deles, diz Ele: “Em verdade vos digo: se não vos converterdes e vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos Céus. Quem for humilde como esta criança, esse será o maior no reino dos Céus” (Mt 18, 1-4).

Isto é, Deus só entra e reina na vida daqueles que d’Ele se tornam totalmente dependentes, a Ele se abandonam pela fé, como uma criança ao pai e à mãe que lhe são queridos. No dizer do Santo Padre, na sua recente peregrinação a Fátima, “a fé em Deus (…) pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo” (Homilia em Fátima, 13.05.2010)



Um dos maiores exemplos desta entrega de fé é o de Santa Maria, padroeira desta Diocese e que, nesta solenidade da sua Assunção, veneramos como a Maior. Maior por ser tão pequena. Ao ver-se eleita para a missão sobre-humana de ser Mãe do Filho do Altíssimo, foi então que ela mais se apercebeu da sua pequenez. Sentiu-o mais do que nunca, quando se viu extremamente agraciada por Deus. E foi, levada por essa graça, que se entregou: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1, 38). A graça do Senhor, que a fez sentir-se tão humilde, como uma escrava, foi essa mesma graça que a levou a dar-se ao Senhor, para a plena realização da sua palavra. E foi assim que o Filho de Deus ganhou corpo no seu corpo virginal: pela graça da fé – a graça que sempre precede, acompanha e alimenta toda a entrega de fé – como uma criança que, se ama o pai e a mãe, deve-o afinal ao amor que deles recebe.

E quão feliz Maria se sentiu assim, totalmente possuída pelo Senhor. Ouvimo-lo há pouco, de sua prima Santa Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.” A bênção do Filho apodera-se da Mãe. E esta é feliz, porque “acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor” (Lc 1, 42.45).

E como reagiu Maria às palavras de Isabel? – “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu salvador”. Repare-se como toda ela, neste louvor, se confia ao Senhor: com o corpo que fala, a alma que vibra e o espírito de que vive. Tudo isto, porque Ele, o Deus Salvador, “pôs os olhos na humildade da sua serva” (Lc 1, 46-48).



5. Por isso, desde então, todas as gerações lhe chamam “bem-aventurada”. Chamamos-lhe assim, na medida em que fazemos, também nós e no grau que nos é acessível, a sua experiência de fé. Também por meio de nós, o Senhor quer fazer “maravilhas”, fruto da “sua misericórdia”: a misericórdia que, ao mesmo tempo, nos faz sentir pequenos e nos capacita para sermos agentes de tudo aquilo que só Ele tem poder para realizar (Lc 1, 49.50).

Vejamos o que, sobre isso, as leituras bíblicas desta celebração ainda nos sugerem. Segundo a do livro do Apocalipse (12, 1-6), é o Senhor, na sua infinita misericórdia, que faz de nós o Seu Povo, aquela “mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça”: a mulher que Deus ama e que, à imagem de Maria e por meio dela, dá à luz o Messias; a mulher que, depois da glorificação de Cristo, tem de retirar-se para o deserto das carências e do sofrimento, mas onde recebe de Deus a energia necessária para enfrentar o poder do mal e não ceder à tentação de alinhar com os seus adoradores.

Ainda hoje a Igreja sofre perseguições; e é sua missão assegurar que os seus membros se não deixem conquistar por tantos ídolos destruidores. Em Fátima, o Papa chamava a nossa atenção, como Bispos, para isso: para o que se passa em vários âmbitos da nossa sociedade, onde, segundo as suas palavras, há “crentes envergonhados que dão as mãos ao secularismo, construtor de barreiras à inspiração cristã.” E exortava-nos a que, “mesmo aqueles que lá defendem com coragem um pensamento católico vigoroso e fiel ao Magistério continuem a receber o vosso estímulo e palavra esclarecedora para, como leigos, viverem a liberdade cristã” (Discurso aos Bispos, 13.05.2010).

E, em Lisboa, afirmava que “para fazer de cada mulher e homem cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do mundo, na família, na cultura, na economia, na política” – “para isso é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do Cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano” (Homilia em Lisboa, 12.05.2010).

Trata-se da mesma mensagem da ressurreição de Cristo que, há pouco, São Paulo proclamava como “primícias” da nossa ressurreição (1 Cor 15, 20.23). Também a essa mensagem podemos associar outras palavras do Santo Padre, neste caso relativas à esperança que nos anima: “Só Cristo pode satisfazer plenamente os anseios profundos de cada coração humano e responder às suas questões mais inquietantes acerca do sofrimento, da injustiça e do mal, sobre a morte e a vida do Além” (Ibidem).

Só Cristo! – O mesmo Cristo que passou pela terrível humilhação da cruz e pelo qual o Deus Todo-poderoso “manifestou o poder de seu braço e dispersou os soberbos; derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes; aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias” (Lc 1, 51-53).

Palavras que Maria coloca nos nossos lábios, como programa de vida: da minha como Bispo e da de cada um de vós, particularmente os da diocese que me é confiada, com colaboradores que o Senhor me concede e aos quais me confio… como uma criança.



6. Convido-vos, caríssimos Diocesanos, a fazermos todos o mesmo: a conservarmo-nos dependentes uns dos outros, unindo os carismas que o Espírito do Senhor suscita em cada um de nós, em ordem à construção das comunidades a que pertencemos e que precisam de todos. Só assim, poderemos, para já, realizar plenamente o Projecto Pastoral Diocesano, escolhido para o triénio que termina no próximo ano: o de encarnarmos nas nossas vidas e levarmos outros a encarnar, conforme o título dado a esse Projecto, “A Palavra de Deus feita amor entre nós.”

Que esse amor ganhe expressões concretas, dentro e fora das nossas comunidades cristãs, nomeadamente em relação a tantos carenciados e bens materiais e espirituais, entre os quais destaco, pela sua actualidade, os que têm estado a braços com os incêndios que têm assolado terras da nossa Diocese e fora dela.

Mas lembremo-nos de que esse amor só é possível ou, pelo menos, é muito mais possível, se todos nos entregarmos inteiramente nas mãos de Deus, deixando-nos encantar e conquistar pela sua misericórdia de Pai, para que Ele, em nós, continue a fazer maravilhas. Confiemo-nos a Ele, com estas palavras do Salmo 130 (131) que Ele próprio coloca nos meus lábios:



“Senhor, não se eleva soberbo o meu coração,

nem se levantam altivos os meus olhos.

Não ambiciono grandezas nem coisas superiores a mim.

Antes fico sossegado e tranquilo como criança ao colo da mãe.

Espera, Israel, no Senhor, agora e para sempre.”

Espera, Igreja de Viana, no Senhor

agora e para sempre!

Amen.



Viana do Castelo, 15 de Agosto de 2010

+ Anacleto de Oliveira, Bispo de Viana do Castelo






Comentada por Jorge Barbosa



Homilia de D. Anacleto Oliveira


na entrada solene na Diocese de Viana do Castelo

1. A primeira vez que visitei esta Diocese de Viana do Castelo, depois

da minha nomeação para seu Bispo, foi há pouco mais de um mês:

uma visita de apenas dois dias, mas na qual colhi impressões e

experimentei sensações que desejo transmitir-vos.

Fui acompanhado pelo meu antecessor neste ministério, o Senhor

Dom José Pedreira, a pessoa que certamente mais bem conhece esta

Diocese. Nela nasceu, serviu-a longo tempo como presbítero e,

durante quase 13 anos, como Bispo. Agradeço-lhe muito, Senhor

Dom José, a disponibilidade com que me guiou nesse primeiro

contacto com as gentes e as terras de Viana.

Tive oportunidade, em Darque, de conhecer o Centro Pastoral Paulo

VI, o novo auditório e a Casa do Clero, onde contactei com alguns

sacerdotes e familiares que aí vivem. Visitámos, depois, na cidade de

Viana, a Cúria Diocesana, a igreja do Convento de São Domingos,

rezando junto do sepulcro do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires,

passámos pelo Colégio do Minho, detivemo-nos, um pouco mais

longamente, no Seminário e na Catedral onde nos encontramos.

Reunimo-nos com os membros da Comissão Organizadora desta

minha apresentação solene à comunidade de Viana do Castelo e

ainda com o Colégio de Consultores, aos quais agradeço todo o

empenhamento.

Tive ainda oportunidade de visitar as sedes de todos os restantes

Arciprestados: Caminha, Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção,

Ponte de Lima, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Melgaço e Paredes

de Coura [exactamente por esta ordem, acrescentou].

Apesar de ter sido uma visita informal, não anunciada, encontrámonos,

ainda que de passagem, com vários sacerdotes e cristãos leigos,

muitos dos quais, para agradável surpresa minha, me reconheceram

e saudaram com particular afabilidade.

Perante tudo o que fui recebendo e presenciando, confesso que dei

comigo a ver as coisas com olhos e sentimentos de uma criança, que

se deixa encantar pelo que vê e espera – aquela maneira de ver e

sentir de que só como adultos nos damos verdadeiramente conta.

Vou tentar esclarecer melhor.

2. Existem, ainda hoje, dois dos edifícios que muito marcaram a

minha vida na infância e princípio da adolescência, mas nos quais,

desde então, não voltei a entrar. Refiro-me à Escola Primária da

minha terra natal, as Cortes, e ao edifício do Seminário Menor da

Cova da Iria, em frente da Casa de Retiros de Nossa Senhora do

Carmo. Hoje, no meu imaginário, são dois edifícios enormes, com

salas muitíssimo maiores do que, vistas de fora, na realidade podem

ter. Como explicar esta discrepância?

É natural que, com o rodar dos anos, se mantenha a percepção desse

tempo, sobretudo tratando-se de duas instituições que muito

contribuíram para a minha formação. Sem tudo o que lá aprendi, não

seria hoje quem sou. Esses símbolos continuam grandes para mim,

pelo que de grandioso me proporcionaram. São grandes pelo lugar

insubstituível que ocupam na minha existência.

Mas penso que há uma outra razão, que não é alheia a todo este

processo: o modo como vemos as coisas depende muito do nosso

estado de espírito e da situação em que nos encontramos, quando as

vivenciamos. Para uma criança, tudo é grande, ainda que só mais

tarde, em adulto, ganhe plena consciência dessa grandiosidade.

Mas também pode suceder o inverso: quanto mais grandiosas forem

as coisas, os acontecimentos e as pessoas com que nos deparamos,

seja a que nível for, mais pequenos poderemos sentir-nos. Mesmo

sendo adultos. Mesmo então continuamos sujeitos a tantas

Comentário [JAB1]: Não admira com a

facilidade de comunicação dos dias de hoje.

Abstenho-me de quaisquer outros

comentários sobre esta primeira parte para

além dos sublinhados; penso que

compreenderão porquê…

Comentário [JAB2]: Uma ideia muito

curiosa e que constitui o ponto fulcral de

toda a reflexão. Uma reflexão que encontro

muito mais próxima de uma catequese que

de uma homilia… não admira.

Comentário [JAB3]: Aqui penso que

está uma falha do raciocínio e que me

deixou em suspenso quando ouvi: o que

acontece e que justifica a reflexão é

exactamente o contrário. Quando nos

tornamos adultos essas coisas grandes

surgem-nos muito mais pequeninas… Por

isso, é melhor não voltar lá para não perder

a imagem de grandeza que recebemos em

criança.

limitações, fragilidades, dependências. Sem sermos infantis,

transpomos connosco a criança que fomos.

3. Foi um pouco de tudo isto que senti, quando, no mês passado, ia

percorrendo esta Diocese: meu Deus, como tudo isto é enorme para

mim! Enorme, acima de tudo, pelo peso da responsabilidade que aqui

me espera como vosso Bispo. Segundo o Directório para o Ministério

Pastoral dos Bispos (n. 1), “o Bispo, ao ter-se em conta a si mesmo e

às suas funções, deve ter presente, como centro que define a sua

identidade e a sua missão, o mistério de Cristo e as características

que o Senhor Jesus quis para a sua Igreja, «povo reunido na unidade

do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (L.G.)”.

E o mesmo Directório esclarece o que essa identidade, na prática,

significa: “Vigário do «grande Pastor das ovelhas» (Heb 13, 20), o

Bispo deve manifestar com a sua vida e com o seu ministério

episcopal a paternidade de Deus, a bondade, a solicitude, a

misericórdia, a doçura e a autoridade de Cristo, o qual veio para dar

a vida e para fazer de todos os homens uma só família, reconciliada

no amor do Pai, e a perene vitalidade do Espírito Santo que anima a

Igreja e a apoia na sua debilidade humana” (Ibidem).

Vigário de Cristo, com uma missão divina, trinitária! – Mas quem sou

eu para assumir tal responsabilidade? Uma missão repartida pelas

três funções de ensinar, santificar e governar, que, por sua vez, se

realizam numa imensidão de actividades que envolvem um sem

número de pessoas, como agentes e destinatários – presbíteros,

religiosos e leigos, cristãos e até não cristãos, com problemas e

necessidades de toda a ordem! E todos à espera de uma palavra ou

um gesto, uma orientação ou uma decisão da parte do Bispo.

Mais: nesse primeiro contacto fiquei com a impressão de que são

grandes as expectativas que me esperam; o que é normal e até

gratificante. Mas estarei eu à altura de merecer a confiança que

depositam em mim?

Comentário [JAB4]: !!!????

Comentário [JAB5]: Trata-se de uma

citação de São Cipriano, Oração Dominical,

23, transcrita para a LG, n. 4. Uma das

célebres definições da Igreja como analogia

do Mistério Trinitário

Comentário [JAB6]: Foi uma das

coisas a que aludiu Bento XVI em Fátima.

Não me perece que os nossos bispos levem

isto muito a sério…Que este seja

excepção!...

Comentário [JAB7]: Sim. Ainda bem

que percebeu. E foi-me dito que podemos

ter razões para tal.

É certo que nem tudo é novidade para mim. Dou graças a Deus pelos

cinco anos que me concedeu no Patriarcado de Lisboa e pela

experiência que fui adquirindo com o Senhor Cardeal Dom José

Policarpo, os restantes bispos auxiliares, tantos padres, [como]

diáconos, cristãos consagrados e leigos. Mas, tenho consciência de

que irei encontrar aqui uma realidade diferente, quer a nível social,

cultural e económico quer mesmo a nível religioso. Para não falar da

responsabilidade de ser o primeiro animador da Fé. Razões, portanto,

entre muitas outras que não vêm a propósito, para me sentir

pequeno, como uma criança que tudo espera… mas confiante.

4. Sim, por estranho que pareça, é assim – pequeno como uma

criança – que me reconheço. Mais: estou plenamente convencido de

que só assim devo sentir-me. Por isso não mais entrei nos lugares da

minha infância de que falei há pouco. Preciso de continuar a vê-los,

como tantas outras coisas, com olhos de criança, para não perder de

vista a importância de, mesmo em adulto, conservar a sensibilidade e

a abertura de uma criança.

Não para fugir às responsabilidades que me esperam. Uma criança só

evita aqueles em quem não confia. A quem lhe oferece motivos de

confiança, ela entrega-se, muito mais do que um adulto. Entrega-se,

porque, nas suas carências e necessidade de viver e crescer, precisa

de quem lhe dê o que não tem. As crianças são, por natureza,

dependentes. E é nesse sentido que Jesus faz delas modelos de fé.

Aos discípulos, desejosos de saber “quem é o maior no reino dos

Céus”, e depois de colocar uma criança no meio deles, diz Ele: “Em

verdade vos digo: se não vos converterdes e vos tornardes como

crianças, não entrareis no reino dos Céus. Quem for humilde como

esta criança, esse será o maior no reino dos Céus” (Mt 18, 1-4).

Isto é, Deus só entra e reina na vida daqueles que d’Ele se tornam

totalmente dependentes, a Ele se abandonam pela fé, como uma

criança ao pai e à mãe que lhe são queridos. No dizer do Santo

Comentário [JAB8]: É evidente que há

aqui uma componente pessoal e

psicológica, mas também bíblica (Isaías,

Oseias) para não falarmos da “infância

espiritual” de Teresa de Lisieux que se

explicita melhor no salmo com que conclui.

Comentário [JAB9]: Penso que abaixo

se explica melhor. Não me parece que o

sentido seja de “dependência”, mas de

“abandono” em Deus que, afinal, nos

remete para Teresa de Lisieux, a citação do

Papa que vem adiante e até o profetismo.

Comentário [JAB10]: Aqui entra num

tom mais homilético.

Padre, na sua recente peregrinação a Fátima, “a fé em Deus (…) pede

o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o

mundo” (Homilia em Fátima, 13.05.2010)

Um dos maiores exemplos desta entrega de fé é o de Santa Maria,

padroeira desta Diocese e que, nesta solenidade da sua Assunção,

veneramos como a Maior. Maior por ser tão pequena. Ao ver-se eleita

para a missão sobre-humana de ser Mãe do Filho do Altíssimo, foi

então que ela mais se apercebeu da sua pequenez. Sentiu-o mais do

que nunca, quando se viu extremamente agraciada por Deus. E foi,

levada por essa graça, que se entregou: “Eis a escrava do Senhor;

faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1, 38). A graça do

Senhor, que a fez sentir-se tão humilde, como uma escrava, foi essa

mesma graça que a levou a dar-se ao Senhor, para a plena realização

da sua palavra. E foi assim que o Filho de Deus ganhou corpo no seu

corpo virginal: pela graça da fé – a graça que sempre precede,

acompanha e alimenta toda a entrega de fé – como uma criança que,

se ama o pai e a mãe, deve-o afinal ao amor que deles recebe.

E quão feliz Maria se sentiu assim, totalmente possuída pelo Senhor.

Ouvimo-lo há pouco, de sua prima Santa Isabel: “Bendita és tu entre

as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.” A bênção do Filho

apodera-se da Mãe. E esta é feliz, porque “acreditou no cumprimento

de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor” (Lc 1, 42.45).

E como reagiu Maria às palavras de Isabel? – “A minha alma glorifica

o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu salvador”. Reparese

como toda ela, neste louvor, se confia ao Senhor: com o corpo que

fala, a alma que vibra e o espírito de que vive. Tudo isto, porque Ele,

o Deus Salvador, “pôs os olhos na humildade da sua serva” (Lc 1, 46-

48).

5. Por isso, desde então, todas as gerações lhe chamam “bemaventurada”.

Chamamos-lhe assim, na medida em que fazemos,

Comentário [JAB11]: É muito feliz

esta relação da “infância” com a

“humildade” de Maria no contexto da

liturgia da Assunção e na invocação de “A

Maior” que é padroeira da Diocese. Atender

às felizes intuições teológicas que seguem.

também nós e no grau que nos é acessível, a sua experiência de fé.

Também por meio de nós, o Senhor quer fazer “maravilhas”, fruto da

“sua misericórdia”: a misericórdia que, ao mesmo tempo, nos faz

sentir pequenos e nos capacita para sermos agentes de tudo aquilo

que só Ele tem poder para realizar (Lc 1, 49.50).

Vejamos o que, sobre isso, as leituras bíblicas desta celebração ainda

nos sugerem. Segundo a do livro do Apocalipse (12, 1-6), é o

Senhor, na sua infinita misericórdia, que faz de nós o Seu Povo,

aquela “mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma

coroa de doze estrelas na cabeça”: a mulher que Deus ama e que, à

imagem de Maria e por meio dela, dá à luz o Messias; a mulher que,

depois da glorificação de Cristo, tem de retirar-se para o deserto das

carências e do sofrimento, mas onde recebe de Deus a energia

necessária para enfrentar o poder do mal e não ceder à tentação de

alinhar com os seus adoradores.

Ainda hoje a Igreja sofre perseguições; e é sua missão assegurar que

os seus membros se não deixem conquistar por tantos ídolos

destruidores. Em Fátima, o Papa chamava a nossa atenção, como

Bispos, para isso: para o que se passa em vários âmbitos da nossa

sociedade, onde, segundo as suas palavras, há “crentes

envergonhados que dão as mãos ao secularismo, construtor de

barreiras à inspiração cristã.” E exortava-nos a que, “mesmo aqueles

que lá defendem com coragem um pensamento católico vigoroso e

fiel ao Magistério continuem a receber o vosso estímulo e palavra

esclarecedora para, como leigos, viverem a liberdade cristã”

(Discurso aos Bispos, 13.05.2010).

E, em Lisboa, afirmava que “para fazer de cada mulher e homem

cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do

mundo, na família, na cultura, na economia, na política” – “para isso

é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da

morte e ressurreição de Cristo, coração do Cristianismo, fulcro e

sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas,

Comentário [JAB12]: Por

coincidência, foi este o mote de um meu

“sermão” deste dia: “A nossa alma glorifica

o Senhor porque ele olhou para Maria, sua

humilde serva” glorificando-a. O nosso

Magnificat de hoje baseia-se na Assunção

de Maria…

Comentário [JAB13]: Penso que ficou

bem todo este conjunto de referências à

passagem do Papa por Portugal. É para

levar a sério, a começar pelos Bispos.

vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer

dúvida e cálculo humano” (Homilia em Lisboa, 12.05.2010).

Trata-se da mesma mensagem da ressurreição de Cristo que, há

pouco, São Paulo proclamava como “primícias” da nossa ressurreição

(1 Cor 15, 20.23). Também a essa mensagem podemos associar

outras palavras do Santo Padre, neste caso relativas à esperança que

nos anima: “Só Cristo pode satisfazer plenamente os anseios

profundos de cada coração humano e responder às suas questões

mais inquietantes acerca do sofrimento, da injustiça e do mal, sobre

a morte e a vida do Além” (Ibidem).

Só Cristo! – O mesmo Cristo que passou pela terrível humilhação da

cruz e pelo qual o Deus Todo-poderoso “manifestou o poder de seu

braço e dispersou os soberbos; derrubou os poderosos de seus tronos

e exaltou os humildes; aos famintos encheu de bens e aos ricos

despediu de mãos vazias” (Lc 1, 51-53).

Palavras que Maria coloca nos nossos lábios, como programa de vida:

da minha como Bispo e da de cada um de vós, particularmente os da

diocese que me é confiada, com colaboradores que o Senhor me

concede e aos quais me confio… como uma criança.

6. Convido-vos, caríssimos Diocesanos, a fazermos todos o mesmo: a

conservarmo-nos dependentes uns dos outros, unindo os carismas

que o Espírito do Senhor suscita em cada um de nós, em ordem à

construção das comunidades a que pertencemos e que precisam de

todos. Só assim, poderemos, para já, realizar plenamente o Projecto

Pastoral Diocesano, escolhido para o triénio que termina no próximo

ano: o de encarnarmos nas nossas vidas e levarmos outros a

encarnar, conforme o título dado a esse Projecto, “A Palavra de Deus

feita amor entre nós.”

Que esse amor ganhe expressões concretas, dentro e fora das nossas

comunidades cristãs, nomeadamente em relação a tantos carenciados

e bens materiais e espirituais, entre os quais destaco, pela sua

Comentário [JAB14]: Naquilo que eu

chamo o “Anti-Magníficat” vivido por

Maria junto à Cruz

Comentário [JAB15]: Percebo a ideia

mas não concordo com a palavra

“dependentes”. Preferiria cooperantes… sei

lá!

Comentário [JAB16]: Mas que

projecto?...

actualidade, os que têm estado a braços com os incêndios que têm

assolado terras da nossa Diocese e fora dela.

Mas lembremo-nos de que esse amor só é possível ou, pelo menos, é

muito mais possível, se todos nos entregarmos inteiramente nas

mãos de Deus, deixando-nos encantar e conquistar pela sua

misericórdia de Pai, para que Ele, em nós, continue a fazer

maravilhas. Confiemo-nos a Ele, com estas palavras do Salmo 130

(131) que Ele próprio coloca nos meus lábios:

“Senhor, não se eleva soberbo o meu coração,

nem se levantam altivos os meus olhos.

Não ambiciono grandezas nem coisas superiores a mim.

Antes fico sossegado e tranquilo como criança ao colo da mãe.

Espera, Israel, no Senhor, agora e para sempre.”

Espera, Igreja de Viana, no Senhor

agora e para sempre!

Amen.

Viana do Castelo, 15 de Agosto de 2010

+ Anacleto de Oliveira, Bispo de Viana do Castelo

Comentário [JAB17]: É este encanto

que caracteriza o olhar de criança que

informou toda a reflexão e que se expressa

agora no salmo 130.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pastoral do Turismo + Reflexão obrigatória e urgente

Após o Concílio, a Santa Sé deu logo orientações pastorais sobre uma atenção especial ao Turismo.

Hoje, praticamente, pouco é posto em prática.

Há Secretariados para tudo, mas para uma Pastoral de Turismo, não.

Não se deve confundir Secretariado de Pastoral da Mobilidade que tem como objectivo principal os migrantes, que por causa do trabalho, de sobrevivência, etc...emigram ou imigram.

A Pastoral de Turismo tem a ver com aqueles que se movem para passar férias, passear, conhecer e conviver com a cultura de uma região, usufruir de praias ou de montanhas, da paisagens e do modus vivendi de um país ou região.

Para além disso, há o turismo religioso, mas qualquer, fora da terra natal, precisa de que a Igreja tenha a consciência que deve estar onde estão as pessoas ainda que seja nos Campings ou na Praia, na montanha, na aldeia e na cidade...

É por isso que a Igreja, os cristãos comprometidos, podia aproveitar algum do seu tempo ou de reforma para cumprir um dever da Igreja como acolhedora, orientadora, cumpridora e propmotora de romarias, de festas para cumprir o Santoral, ou as tradições de um povo.

O Turista não procura só coisas, também procura muitas vezes a contemplação, o retiro em lugares próprios ou o convívio normal com um povo em festa.

Exige a Pastoral do Turismo como já aqui abordei, em primeiro lugar, as portas abertas das Igrejas, das Catedrais, dos Santuários, porque ou querem conhecer a arte, a beleza artística do templo, ou rezar.

Quem acolhe à porta da Igreja? Há formação para quem faz esse trabalho? Como apresentamos a casa de comunidade?

Ás vezes os turistas medem o valor de uma Comunidade pelo templo material e moral que os acolhe...

Já há muitos anos tenho panfletos que apresenta a história da Igreja paroquial de Nª Senhora de Fátima para aqueles que só são turistas e para aqueles que são turistas e crentes.

Num postal ao fundo da Igreja há uma palavra do pároco e, fora, um placard onde chama a atenção dos passantes que ali está uma igreja...

Organizamos a nível paroquial passeios em que, para além do turismo, se oferece propondo também o carácter religioso.

Era bom que todas as Dioceses do País tivessem uma organização e uma preocupação com os turistas para chegar às Paróquias, sobretudo, as mais procuradas pela sua história ou pela sua localização.

A organização não pode ser só para o estrangeiro ou para o país, muitos através de nós, conhecem o país inteiro, a Espanha toda, e pormenores da nossa terra como o “românico na Ribeira Lima”, o “românico na Ribeira Minho” a Serra Amarela, a Serra d’Arga, o Lindoso e a sua barragem, igrejas paroquiais de muitas freguesias, as romarias mais famosas da região e do País.

Esta organização a nível diocesano levaria a um melhor conhecimento da Diocese. Interessa-nos conhecer o País e as aldeias do Interior ou do litoral do Norte a Sul, como tantas vezes realizamos, mas a nossa terra natal, temos de a conhecer mais e melhor e conviver para fazer comunidade.

Já realizamos visitas guiadas a pé aos pontos centrais desta Paróquia.

Há necessidade desta pastoral que leva a uma interacção muito importante para criar a comunidade diocesana.

Há necessidade de dar orientações às Paróquias para reflectirem sobre o cumprimento desta missão cristã de acolher e orientar a quem chega, mostrar o seu templo se isso for desejado e útil para depois se criarem parecerias de interacção entre Paróquias e acções conjuntas.





Estamos muito longe do que estou a reflectir. Quantas paróquias têm um Conselho Paroquial de Pastoral?

Como pode haver um Conselho de Pastoral Diocesano sem haver Conselho Paroquial de Pastoral e Interparoquias, arciprestais para chegarmos a poder ser veículos de transmissão entre a hierarquia e os fiéis e os fiéis e a hierarquia numa verdadeira e autêntica corresponsabilidade eclesial.

Fantasias, foguetes, às vezes, não faltam; mas a fé que dá a cara?...deixa muito a desdejar. Parece que vivemos de uma fé mórbida que é preciso, pôr de lado, para não morrermos sufocados!...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Pastoral Social- D. Carlos Azevedo- Crise económica - a pobreza

Se fosse a solução definitiva era bom fazer o que D. Carlos sugeriu, mas o problema subsiste por não se saber se o dinheiro vai ou não resolver, definitavamente, o asssunto, a crise. Então, não só os políticos, mas também todos o que tivessem um salário igual  a 2000 euros com  uma percentagem menor a começar em 5% até aos 15% , proporcionalmente, ao que fosse acima. D. Carlos sugeriu...a crise é de todos. Os maiores culpados devem pagar mais, mas a culpa também é de todos porque, quem nos governou até agora,  foram para lá com os votos do Povo e quem não votou será talvez masis culpado. Eu só consigo entender a democracia assim.
Agora não é uma questão de caridade, é uma questão da sociedade e todos nos queremos ver livre desta fase.
Ninguém sabe o que pode acontecer de um dia para o outro. Há gente a fugir e a procurar viver, onde se sinta melhor...a Pátria para mim ainda é um valor, não por ser cristão católico...isto não diz só respeito aos cristãos, mas a todos os cidadãos sejam de que raça forem, sejam de que credo forem... Isto já não vai com csaridadezinhas, mas com uma consciencialização de todos e de cada umn e todos tomarem parte visível na solução.


  D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa, desafiou os políticos portugueses a abdicarem de 20 por cento dos seus salários, verba que será encaminhada para um fundo social. A proposta surgiu no seguimento da reunião extraordinária do Conselho Consultivo da Pastoral Social que pediu "mais responsabilidade social e política perante a crise" e "soluções corajosas" para a ultrapassar.




A Igreja Católica, pela voz do presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, fez ontem um forte apelo aos vários sectores da vida portuguesa para a realização no nosso país de um pacto social que possa de forma realista combater a pobreza e as desigualdades.


Para o Bispo Auxiliar de Lisboa a crise existente em Portugal neste momento é de tal forma profunda que lhe permite propor aos políticos católicos que abdiquem de 20 por cento dos seus salários para a criação de um fundo social.



Em declarações à RTPN, D. Carlos Azevedo apelou ao contributo dos políticos para que a crise e as suas vítimas não continuem a aumentar.



"Os políticos cristãos que têm como orientação na sua vida os princípios do evangelho poderiam dar este testemunho de modo voluntário renunciando a uma parte do seu salário para um fundo que vai ser criado junto da Caritas para atender às situações mais criticas e que serão veiculadas através das paróquias que conhecem as pessoas e sabemos que esta proximidade é fundamental para que a ajuda chegue a quem realmente precisa e não as pessoas que são mais expeditas a conseguir aqui e acolá", referiu D. Carlos Azevedo.



Estas declarações surgiram um dia depois do presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social ter referido que "a crise é tão grave" que Governo e oposição, patrões e sindicatos devem superar os conflitos "uns com os outros" porque estes "só provocam mais vítimas".

No final da reunião extraordinária do Conselho Consultivo da Pastoral Social, D. Carlos Azevedo, pediu a todos "mais responsabilidade social e política perante a crise" e "soluções corajosas" para a ultrapassar.



O bispo auxiliar de Lisboa não deixou de apelar a um "pacto social justo" e apontou a existência de "desigualdades gritantes" e "realidades dramáticas" que afectam os mais desfavorecidos ao mesmo tempo que lembrou o facto de o rendimento de inserção social ser uma "ajuda fundamental" para muitos ultrapassarem a sua pobreza profunda.
                                                                                                                                   In Diário do Minho

terça-feira, 20 de julho de 2010

CATEQUESE VIVA E ORIGINAL-O Papa e a Música


CATEQUESE VIVA E ORIGINAL


Audiência Geral na Aula Paulo VI sobre Romano o Melodista

21 de Maio de 2008

Romano, o Melodista, nascido por volta de 490 em Emesa (hoje,

Homs), na Síria. Teólogo, poeta e compositor, pertence à grande

plêiade de teólogos que transformaram a teologia em poesia.

Pensemos no seu compatriota, Santo Efrém da Síria, que viveu

duzentos anos antes dele. Mas pensemos também em teólogos do

Ocidente, como Santo Ambrósio, cujos hinos ainda hoje fazem parte

da nossa liturgia e sensibilizam também o coração; ou num teólogo,

num pensador de grande vigor como S. Tomás, que nos transmitiu os

hinos da festa do Corpus Christi de amanhã; pensemos em São João

da Cruz e em muitos outros. A fé é amor, e por isso cria poesia e

música. A fé é alegria, e por isso cria beleza.

Assim Romano, o Melodista, é um deles, um poeta e compositor

teólogo. Tendo aprendido os primeiros rudimentos de cultura grega e

síria na sua cidade natal, ele transferiu-se para Berito (Beirute),

aperfeiçoando aí a educação clássica e os conhecimentos rectóricos.

Tendo sido ordenado diácono permanente (515 ca.), ali foi pregador

durante três anos. Em seguida, transferiu-se para Constantinopla por

volta do final do reino de Anastácio I (518 ca.) e ali estabeleceu-se

no mosteiro, junto da igreja da Theotókos, a Mãe de Deus. Aí teve

lugar o episódio-chave da sua vida: o Sinaxário informa-nos sobre a

aparição em sonho da Mãe de Deus e sobre o dom do carisma

poético. Com efeito, Maria obrigou-o a engolir uma folha enrolada.

Quando acordou na manhã do dia seguinte era a festa da Natividade

do Senhor Romano começou a declamar do ambão: "Hoje, a Virgem

dá à luz o Transcendente" (Hino "Sobre a Natividade" I. Proémio).

Assim, tornou-se homilista-cantor até à sua morte (depois de 555).

Romano permanece na história como um dos mais representativos

autores de hinos litúrgicos. Nessa época, para os fiéis a homilia era

praticamente a única ocasião de educação catequética. Assim,

Romano apresenta-se como testemunha eminente do sentimento

religioso da sua época, mas também de um modo vivaz e original de

catequese. Através das suas composições, podemos dar-nos conta da

criatividade do pensamento teológico, da estética e da hinografia

sagrada daquela época. O lugar em que Romano pregava era um

santuário da periferia de Constantinopla: ele subia ao ambão, posto

no centro da igreja, e falava à comunidade recorrendo a uma

encenação bastante dispendiosa: utilizava representações murais ou

ícones dispostos sobre o ambão e recorria também ao diálogo. As

suas homilias eram métricas cantadas, chamadas "kontáki"

(kontákia). Parece que o termo kontákion, "pequena vara", se refere

à pequena haste ao redor da qual se envolvia o rolo de um

manuscrito litúrgico ou de outro tipo. Os kontákia que chegaram até

nós sob o nome de Romano são oitenta e nove, mas a tradição

atribui-lhe mil.

Em Romano, cada kontákion é composto de estrofes, sobretudo de

dezoito a vinte e quatro, com igual número de sílabas, estruturadas

segundo o modelo da primeira estrofe (irmo); os acentos rítmicos dos

versos de todas as estrofes modelam-se segundo os acentos do irmo.

Cada estrofe termina com um estribilho (efimnio), de resto idêntico

para criar a unidade poética. Além disso, as iniciais de cada uma das

estrofes indicam o nome do autor (acróstico), muitas vezes precedido

do adjectivo "humilde". Uma prece em relação aos gestos celebrados

ou evocados conclui o hino. Quando terminava a leitura bíblica,

Romano cantava o Proémio, sobretudo em forma de oração ou de

súplica. Assim, anunciava o tema da homilia e explicava o estribilho a

repetir em coro no final de cada uma das estrofes, por ele declamada

com cadência em voz alta.

Um exemplo significativo é-nos oferecido pelo kontákion para a

Sexta-Feira da Paixão: é um diálogo dramático entre Maria e o Filho,

que se desenvolve no caminho da cruz. Maria diz: "Aonde vais, Filho?

Por que percorres tão rapidamente o percurso da tua vida? / Jamais

teria acreditado, ó Filho, que te veria nesta condição, / e nunca teria

imaginado que a tal ponto de furor chegariam os ímpios / de lançar

as mãos sobre ti, contra toda a injustiça". Jesus responde: "Por que

choras, minha Mãe? [...] Não deveria eu padecer? Não deveria

morrer? / Então, como poderia salvar Adão?". O Filho de Maria

consola a Mãe, mas exorta-a ao seu papel na história da salvação:

"Depõe portanto, Mãe, depõe a tua dor: / não te corresponde o

gemer, porque foste chamada "cheia de graça"" (Maria aos pés da

cruz, 1-2; 4-5). Depois, no hino sobre o sacrifício de Abraão, Sara

reserva a si a decisão sobre a vida de Isaac. Abraão diz: "Quando

Sara ouvir, meu Senhor, todas as tuas palavras, / conhecendo esta

tua vontade, ela dir-me-á: / Se aquele que no-lo concedeu volta a

tomá-lo, por que no-lo deu? / [...] Tu, ó sentinela, deixa-me o meu

filho, / e quando aquele que te chamou o quiser, terá que dizê-lo a

mim" (O sacrifício de Abraão, 7).

Romano não adopta o solene grego bizantino da corte, mas um grego

simples, próximo à linguagem do povo. Aqui, gostaria de citar um

exemplo do seu modo vivaz e muito pessoal de falar do Senhor

Jesus: chama-lhe "fonte que não arde e luz contra as trevas", e diz:

"Ouso ter-te na mão como uma lâmpada; / com efeito, quem leva

uma candeia no meio dos homens é iluminado sem arder. / Iluminame,

pois, Tu que és a Lâmpada inextinguível" (A Apresentação, ou

Festa do Encontro, 8). A força de convicção das suas pregações

fundava-se na grande coerência entre as suas palavras e a sua vida.

Numa oração, ele diz: "Torna clara a minha língua, meu Salvador,

abre a minha boca / e, depois de a ter enchido, trespassa o meu

coração, para que o meu gesto / seja coerente com as minhas

palavras" (Missão dos Apóstolos, 2).

Agora, analisemos alguns dos seus temas principais. Um tema

fundamental da sua pregação é a unidade da acção de Deus na

história, a unidade entre criação e história da salvação, a unidade

entre o Antigo e o Novo Testamento. Outro tema importante é a

pneumatologia, ou seja, a doutrina sobre o Espírito Santo. Na Festa

do Pentecostes, ele ressalta a continuidade que existe entre Cristo

que subiu ao céu e os Apóstolos, ou seja, a Igreja, enquanto exalta a

sua acção missionária no mundo: "[...] com virtude divina

conquistaram todos os homens; / tomaram a cruz de Cristo como

uma caneta, / utilizaram as palavras como redes e, com elas,

pescaram o mundo, / tiveram o Verbo como anzol afiado, / como isca

tornou-se para eles / a carne do Soberano do universo" (O

Pentecostes, 2; 18).

Outro tema central é, naturalmente, a cristologia. Ele não entra no

problema dos conceitos difíceis da teologia, tão debatidos naquela

época, e que também muito dilaceraram a unidade não só entre os

teólogos, mas também entre os cristãos na Igreja. Ele prega uma

cristologia simples mas fundamental, a cristologia dos grandes

Concílios. Mas sobretudo, está próximo da piedade popular de resto,

os conceitos dos Concílios nasceram da piedade popular e do

conhecimento do coração cristão e assim Romano sublinha o facto de

que Cristo é verdadeiro homem e verdadeiro Deus, e sendo

verdadeiro Homem-Deus, é uma só pessoa, a síntese entre a criação

e o Criador: nas suas palavras humanas, ouvimos falar o próprio

Verbo de Deus. "Era homem diz Cristo, mas também era Deus, /

porém não dividido em dois: é Um só, Filho de um Pai que é Um só"

(A Paixão, 19). Quanto à mariologia, grato à Virgem pelo dom do

carisma poético, Romano recorda-a no final de quase todos os hinos

e dedica-lhe os seus kontáki mais lindos: Natividade, Anunciação,

Maternidade divina e Nova Eva.

Enfim, os ensinamentos morais referem-se ao juízo final (As dez

virgens, [II]). Ele conduz-nos para este momento da verdade da

nossa vida, do confronto com o Juiz justo, e por isso exorta à

conversão na penitência e no jejum. De modo positivo, o cristão deve

praticar a caridade, a esmola. Ele acentua o primado da caridade

sobre a continência em dois hinos, as Bodas de Caná e as Dez

virgens. A caridade é a maior das virtudes: "[...] dez virgens

possuíam a virtude da virgindade intacta, /mas para cinco delas o

árduo exercício não deu fruto. / As outras brilharam pelas lâmpadas

do amor pela humanidade, / e foi por isso que o esposo as convidou"

(As dez virgens, 1).

Humanidade palpitante, ardor de fé e profunda humildade permeiam

os cantos de Romano, o Melodista. Este grande poeta e compositor

recorda-nos todo o tesouro da cultura cristã, nascida da fé, nascida

do coração que se encontrou com Cristo, com o Filho de Deus. Deste

contacto do coração com a Verdade que é Amor nasce a cultura,

nasceu toda a grande cultura cristã. E se a fé permanecer viva,

também esta herança cultural não morrerá, mas permanecerá viva e

presente. Os ícones falam também hoje ao coração dos fiéis, não são

realidades do passado. As catedrais não são monumentos medievais,

mas casas de vida, onde nos sentimos "em casa": encontramo-nos

com Deus e encontramo-nos uns com os outros. Nem sequer a

grande música o gregoriano, ou Bach, ou Mozart é algo do passado,

mas vive da vitalidade da liturgia e da nossa fé. Se a fé for viva, a

cultura cristã não se tornará algo do "passado", mas permanecerá

viva e presente. E se a fé for viva, também hoje poderemos

responder ao imperativo que se reitera sempre de novo nos Salmos:

"Cantai ao Senhor um cântico novo". Criatividade, invocação, canto

novo, cultura nova e presença de toda a herança cultural na

vitalidade da fé não se excluem, mas são uma única realidade; são

presença da beleza de Deus e da alegria de ser seus filhos.