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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

A Caridade ´versus Filantropia

A Caridade cristã não é simples filantropia, "porque o cristão é sacerdote, profeta e rei. Como tal, ele vê os outros com os próprios olhos de Jesus". Por outro lado, procura ver o próprio Jesus no rosto dos pobres e dos sofredores. "Filantropia" é uma palavra composta de origem grega que significa "amigo do homem" ou "da humanidade". Já a Caridade diz respeito ao Amor — não a um amor qualquer, mas ao Amor que vem de Deus, porque Ele é o próprio Amor. Tudo o que é feito de bem ao próximo é motivado pela fé num Ser transcendente e Absoluto, ao qual aderimos pessoalmente. Por isso, os não crentes chamam à caridade filantropia; porém, a caridade permanece e a filantropia passa. Vemos isso em tantas obras que nasceram ao longo dos séculos por motivos puramente filantrópicos e que hoje já não existem. A Caridade jamais se deterá; é um caminho que se vai fazendo. Como reza o ditado, "a caridade começa em casa". Se no lar não existir um amor oblativo, muito menos existirá fora dela. Jesus pediu que nos amássemos uns aos outros como Ele nos amou. É este o mandato divino que não se pode esgotar na mera filantropia. A entrega de Jesus foi um acto de Amor puro. O exemplo de Cristo não foi um gesto filantrópico comum; foi muito mais longe. Até dar a vida pelo outro para o libertar eficazmente. Há quem faça muito bem aos outros sem ser crente. Isso é louvável, mas trata-se apenas de um acto humanitário. Nós, como cristãos, temos de deixar a nossa marca própria. Quem faz o bem hoje e sempre, sem se cansar, caminhando em direcção ao Bem e seguindo uma Luz — uma Estrela que ilumina —, realiza tudo em nome de Deus Pai. Isso brota de um coração cheio de misericórdia e de bondade, que ama a todos depois de amar a Deus sobre todas as coisas. A Caridade é uma virtude teologal, e Jesus Cristo fez dela o vínculo e o fundamento daqueles que amam a Deus. São Paulo afirmou que a maior de todas as virtudes é o Amor (a Caridade). E o Papa Francisco recorda: "A caridade é sempre a via mestra do caminho da fé, da perfeição da fé. No entanto, é necessário que as obras de solidariedade que realizamos não nos distraiam do contacto com o Senhor", na oração pessoal e comunitária. Um Amor assim, só um crente o pode verdadeiramente compreender… (…) Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’. (Lucas, 10)

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