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sábado, 3 de outubro de 2026
Os Movimentos numa Paróquia
Os Movimentos numa Paróquia
Os movimentos duma paróquia podem ser de origem paroquial e devem ter a aprovação do Bispo, ou podem ser organismos ou movimentos que têm a aprovação da Igreja Universal e são reconhecidos pelo Bispo da Diocese. Estes têm, normalmente, uma hierarquia própria através de sedes diocesanas, nacionais e internacionais, sendo representados por secretariados, direcções, delegações ou centros próprios, conforme a estrutura estatutária ou as orientações de cada Bispo na sua diocese.
Há variadíssimos movimentos ou organismos, serviços e obras, conforme a diversidade de carismas existentes na Igreja. Não vou enumerá-los todos porque seria uma lista interminável, mas não resisto a falar daqueles que melhor conhecemos, por trabalharmos directamente com eles na paróquia.
Na Comunidade de Nossa Senhora de Fátima existem o Movimento dos Cursos de Cristandade, a Legião de Maria, a Sociedade de São Vicente de Paulo, o Apostolado da Oração, o MEV (Movimento Esperança e Vida), os Cruzados de Fátima, o Coral Litúrgico, o Coral Juvenil, o Coral de Música Clássica, o grupo dos leitores, o dos ostiários, o da Pastoral da Família, o da catequese, o do escutismo, o dos acólitos, o dos ministros extraordinários da Comunhão, o do acolhimento, o dos zeladores, etc.
Existe ainda o Serviço de Comunicação Social (Luz Dominical e “Paróquia Nova”) e o Centro Social Paroquial com as seguintes valências: o Centro de Acolhimento de Bebés e Crianças Abandonadas ou de Alto Risco (vulgo Berço), o Jardim de Infância, o Centro de Deficientes (Samaritanos), o Centro de Cegos e Amblíopes, o Centro de Dia, o Centro de Convívio, o Serviço de Assistência Domiciliária Integrada, o Serviço de Apoio ao Domicílio, o Refeitório Social (para passantes, toxicodependentes em recuperação, indigentes e sem-abrigo), a Escola de Música, o Centro de Juventude Ozanam (ocupação de tempos livres de crianças e jovens) e o CECAN-RD (Centro Comunitário de Apoio aos Necessitados - Recolha e Distribuição). Integram também a estrutura a Comissão Fabriqueira e o Conselho Pastoral Paroquial.
Na área da paróquia, ainda existe um seminário da Ordem dos Carmelitas Descalços, com alunos e uma obra social de reintegração de pessoas com várias carências — desde a indigência aos ex-toxicodependentes. Dirige ainda um Gabinete de Apoio à Família com vários projectos: Casinha (para crianças das famílias acolhidas), Viana sem Fronteiras (ao serviço dos imigrantes, sobretudo do Leste), Rotas de Intervenção, Estrada com Horizontes (para pessoas em situação de sem-abrigo), Ecos (prevenção primária da toxicodependência), além da Casa Abrigo e da Casa de Acolhimento para mulheres vítimas de violência doméstica e os respectivos filhos. A diocese é composta por tudo isto... e muito mais.
Se estamos em Sínodo, todos nós estamos envolvidos nesta tarefa da Igreja, que é um tempo de reflexão e de mudança. Quando digo «nós», refiro-me aos que estão ou não comprometidos em movimentos ou grupos (diocesanos ou paroquiais) e aos simples cristãos empenhados em tarefas temporais, seja na política, nos sindicatos, nas comissões de trabalhadores ou sem nenhum compromisso oficial. Todos os baptizados devem sentir este movimento sinodal de conversão e mudança numa Igreja co-responsável. O Bispo sozinho não tem razão de ser, assim como sem o Bispo não há baptizados, expressão laical ou co-responsabilidade.
A Igreja faz-se desta comunhão com Deus e com os irmãos: aqueles que se cruzam connosco no trabalho, na rua ou no café; os que dormem debaixo do mesmo teto ou se sentam à mesma mesa em família. Sendo assim, não se compreende que um movimento — paroquial ou não, desde que actue na diocese — viva de costas voltadas para o Sínodo, ou que este não seja motivo de debate e estudo nas reuniões. E quem diz um grupo, diz um cristão isolado ou dedicado a obras temporais, que devem ser sempre iluminadas pelo espírito do Evangelho.
Ainda há pouco celebrámos a Páscoa, precedida pela Sexta-feira Santa, em que a Cruz foi a bandeira da glória para o crente e do fracasso para o malfeitor. Somos crentes e celebrámos a Páscoa. Não podemos esquecer que, para permanecermos nela, temos de amar sem explorar o outro, sem faltar ao respeito e sem cobiçar o lugar alheio. Pelo contrário, devemos partilhar e dar amor para que o Ressuscitado continue vivo no coração dos humanos e da diocese, fazendo brilhar o testemunho d’Aquele que descobrimos vivo e dinâmico.
Quem sabe se, no irmão que está ao nosso lado, Ele não exclamará desanimadamente: «Não valeu a pena», «Continua tudo igual» ou «Se ao menos Deus me levasse...» — expressões que tantas vezes ouvimos aos que sofrem. Que Ele possa brilhar em todos!
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