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sábado, 3 de outubro de 2026
PARÓQUIA EM FESTA: «NUNCA ESTIVE SÓ...»
Não posso esconder a minha alegria e satisfação pela festa que a Comunidade Paroquial levou a efeito para celebrar estes 25 anos de serviço e de aliança com este povo que o Bispo me entregou a 2 de Setembro de 1978. Queria, através do jornal, agradecer a todos os amigos que colaboraram: a começar pela Comissão Organizadora, liderada pelo Dr. Albino Ramalho, e a todos os que participaram de uma forma ou de outra na festa, com gestos, lembranças e donativos. Saúdo a presença de autoridades religiosas, civis e militares, bem como as mensagens enviadas por correio, e-mail, telemóvel, telefonemas ou telegramas, assim como os órgãos de imprensa que ecoaram esta efeméride. Sinto-me satisfeito e reconhecido, embora tudo o que foi feito tenha ido para além daquilo que eu merecia. Nunca estive só. A paróquia, no fim de contas, é que está de parabéns, porque tem feito o que pode na formação integral para a vida, na celebração da mesma e na partilha de bens, através da caridade e da solidariedade cristã e humana.
Por outro lado, sinto um certo vazio! A minha vida talvez não tenha sido o verdadeiro e autêntico testemunho de sacerdote, porque, sendo esta paróquia uma comunidade a mim confiada que até possui um seminário no seu território, não compreendo como não tem havido vocações para o sacerdócio. Nestes 25 anos, lembro-me apenas de duas vocações — uma no Seminário Diocesano e outra no Seminário Carmelitano — que não vingaram. Recordo que esta comunidade, antes de o ser, deu um sacerdote, já falecido e que todos conhecemos muito bem, o Padre Manuel Miranda. Que esta festa tenha sido expressão de alegria para todos, mas não podemos deixar de reflectir neste pormenor, porque isso me dói. Neste momento, já era tempo de sentir que alguém, muito próximo de mim, seguiria os meus passos... Sou padre há mais de 31 anos. Não me sinto tão humilde que aceite com facilidade que os frutos da semente lançada possam vir a ser colhidos muito mais tarde. Deus me perdoe! Tantas vezes peço às pessoas para darem testemunho da sua vocação nas missas das crianças e vejo os pais tão distantes de ajudar a encaminhar para o trabalho de uma seara tão grande, que é a do Reino de Deus. 2003
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