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Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A Iluminação - A CANDEIA



A Iluminação



Depois da descoberta do fogo através de uma fricção entre duas pedras e dum chispe resultante, surgiu também a luz até hoje falarmos da lâmpada, das suas qualidades e diversidades, das que dão mais luz e das que gastam menos até chegarmos às lâmpadas leds.
Ora a primeira iluminação teria começado por candeias de pedra até porque o sufixo cand, de origem celta, vem de pedra. Houve candeias de pedra, candeias de cerâmica, de argila, de cobre, de bronze, de prata, de ouro com desenhos inspirados segundo as proveniências dos deuses do tempo do paganismo e também pelo uso dado pelos reis, imperadores, os chefes das tribos até chegarmos às candeias de folha-de-flandres para depósito de combustível que seria o azeite, o óleo. Estas candeias ou lampiões que serviam para alumiar de noite os caminhos por onde se passava, para ver onde se podiam pôr os pés, ou dentro das cavernas, das casas, dos solares, com o zinco encaixilhavam vidros para poder trazer para o exterior os resultados da combustão da torcida inflamada pelo combustível.
A candeia conhece-se como vaso de metal ou de barro com asas, com desenhos gregos, em nome de deuses como serviam para beber para alumiar.
Podiam fazer lembrar noutros tempos a vela dos moribundos e daí a festa da candelária.
Tudo evoluiu a ponto de ter aparecido outro modo de combustível, como o petróleo, por exemplo.
Apareceram os petromaxes. Não sei quando, mas já os conheci no tempo de criança.
Neles havia um depósito para o combustível, uma armação em metal com vidro cilíndrico e uma camisa em seda em forma de lâmpada. No depósito havia um injector manual para criar pressão sobre o combustível que, ao entrar na referida camisa, chegado uma chispa de fogo, começava a iluminar com uma luz muito forte. Os gases libertados saíam por cima como por uma chaminé.








Outra experiência era a luz de acetileno, isto é, hidrocarbonetos gasosos que se obtêm pela acção da água sobre o carboneto de cálcio, dentro de uma garrafa de metal, por exemplo e um bico, tipo maçarico, que chegado ao lume, incendiava e fazia uma chama de cerca de 10 cm, que iluminava muito bem.













Às vezes só se utilizava este tipo de luz pelas festas de família, Natal, por exemplo.
A iluminação por acetileno era um pouco perigosa por causa de possíveis explosões dos gases.
Hoje, só nos países do terceiro mundo se usarão iluminações destas e, nem todos, porque a energia pela água e pelo vento é muito mais avantajada e todos os dias se descobrem coisa novas para o bem-estar das pessoas e das famílias.

A vela acesa num castiçal de esmalte, de cerâmica, de material mais rico ou mais pobre, foi outro instrumento que iluminava. À luz da candeia, ou da vela quantos livros se leram e quantos mais se escreveram; quantos contos e fadas, fábulas e histórias, ao serão, quantas lendas e quantas histórias de família passavam de geração em geração, quantas canções populares e fados enquanto se tangiam ou dedilhavam acordes de viola, guitarra, bandolim, cavaquinho e de concertina, de piano, afinando vozes desentoadas às vezes com aguardente ou vinho tinto açucarado...Quantos sonhos e quimeras acompanhavam para a cama depois de um serão animado e bem quente!...

sábado, 2 de dezembro de 2017

Celha ou Selha

Celha ou Selha

Normalmente, era um alguidar feito em madeira, com aduelas e arcos. Servia para tudo, mas era utilizado muitas vezes para lavagem do soalho da casa dos lavradores com sabão amarelo e uma escova de piaçá.

Eu fiz muitas vezes este trabalho e dava-me gozo que a minha família chegasse do campo e encontrasse uma cozinha lavada, ou uma varanda com soalho fresquinho, uma sala, um quarto…
De joelhos sobre um caixão a que também chamavam caixote, lá fazia aquele trabalho muitas vezes sem me ser pedido com nove ou dez anos. Sempre recomendado que esse trabalho não era para homens, mas só para mulheres, pois os homens que o fizessem ficavam sem barba na cara…Nunca acreditei nisso.
A selha, normalmente, tinha o mesmo diâmetro na base e na boca, com asas anelares, ou sem elas, geralmente eram mais pesadas que os alguidares e tinham uma altura de pouco mais de um plano.
Naquele tempo o esgoto da casa era sempre o mesmo: a fossa ou a estrumeira. De vez em quando era tapada com mato ou outros produtos que se degradavam e era aproveitado pelo lavrador para estrume, daí o nome de estrumeira. Embora fosse fraco, era estrume fora dos eidos dos animais, dos bois e das vacas ou ovelhas mas todas as águas sujas tinham todo o mesmo despejo, ou melhor, o mesmo destino.



Este vaso, normalmente, saía fora do esquema do alguidar porque era de madeira e de forma cilíndrica, portanto o diâmetro da base era igual ao do bordo ou boca. Não tenho foto deste objecto.
No entanto, havia selhas mais altas e abertas como uma (pipa) dorna com as aduelas a abrir como a fazer de cone, para os efeitos de uma dorna.

O alguidar

O alguidar

Trata-se de um vaso de barro vidrado ou por vidrar. O alguidar é muitas vezes substituído. Pela celha. Por ser de madeira toma o nome de “celha” ou “selha “de folha-de-flandres, plástico em forma de calote esférica com a boca mais larga, isto é maior diâmetro na boca que leva um rebordo, e uma base mais estreita. Era uma escudela.


O alguidar aparava o sangue quando o porco era morto e servia  para tudo; servia para deitar as carnes, cortá-las, levar as cebolas petadas, para fazer a mistura para os enchidos, pôr a carne em vinho d`alho. Servia para tudo que fosse necessário numa casa, como a malga, só que o alguidar era uma malga enorme. Também servia para por a roupa suja para lavar e esfregar no rio numa pedra inclinada e de joelhos, assim era no meu tempo; levar o fato do porco ser lavado em água corrente para o rio ; ou para tomar banho (em três tempos), lavar da cintura para cima, as pernas e os pés, depois lavar as partes íntimas. Tudo isto teve uma evolução porque já é do meu tempo o banho na banheira como se demonstra na foto e o banho de chuveiro como se vê também numa foto.

Havia o alguidar coador, furado no fundo para virar as batatas cozidas e coar as batatas da água de cozer, ou o bacalhau, enfim o que calhasse e daí começaram a servir os compostos da refeição pelos comensais.

A banheira do banho


A banheira do banho

Bacia não do tamanho de um alguidar, mas generosamente maior, primeiramente usado fora de casa para aproveitar as águas para regar as verduras e nada se perder, o que se tornava, hoje, no inverno algo impensável.
Quando começaram a canalizar as águas, então começaram, depois a passar para dentro de casa e, por num ralo, a água suja ir ter ao esgoto.
O banho é essencial e deve fazer parte de um princípio fundamental da nossa vida. Os banhos termais vêm dos gregos e dos romanos. O banho é sempre revigorante por isso tomado pela manhã deve ser a melhor opção, embora eu pessoalmente só gosto de banho de chuveiro, ou um bom duche que me relaxe e gosto de o fazer à noite ao deitar.






As primeiras banheiras eram feitas de ferro, esmalte, ou ferro esmaltado, em inox e agora de outros produtos mais leves, resinosos e mais práticos. Estão a deixar de se fabricar nos moldes antigos e a serem substituídas por outras formas mais confortáveis e com outros efeitos.
No entanto à casa do lavrador, à aldeia chegou a banheira que se apresenta na foto onde se podia sentar, encostar as costas, colocar o sabão em lugar próprio… Eram, enfim, depois dos alguidares, a banheira que só se destinava a isso, era movível e se não houvesse outro lugar destinado na casa, era na própria cozinha ou algum quarto mais confortável e discreto do resto do pessoal da casa.
Tendo em conta os banheiros domésticos e não as termas de maior ou menor uso, mas sempre de categoria superior como mo tempo dos  egípcios, os gregos, os japoneses e os romanos sabiam aproveitar e recriar.
Depois do banheiro doméstico movível apareceu como a foto mostra o banho de chuveiro, esse embora muito antigo nas usanças senhoriais e mais tarde chegou ao povo, foi mais tardio, mas depressa passou a desenvolver-se com a eletricidade a ser aquecida a água por esta energia e a tornar-se mais prático.


A dorna



A dorna


É uma espécie de pipa aberta de um dos lados e em forma cónica em calote com um diâmetro menor na base e maior na parte superior. As aduelas ou ripas são apertadas entre si pelos aros batidos.


Estas dornas, não deixam de ser uns vasos em madeira muito grandes que dão para carregar uvas, receber uvas esmagadas até à fermentação e o respetivo mosto até ao fim para colher o vinho por um batoque que se encontra a uma altura de 15 cm, mais ou menos, da base da dorna.
Para quem não tiver lagar e muita uva é o processo de colher vinho em casa, mas várias dornas facilitam certas misturas de castas, fazer misturas de fermentos ou outros ingredientes para tirar de bica-a Berta, isto é, ao começar a ferver e assim obter melhores qualidades da produção de vinhos quanto ao paladar, ao álcool, à acidez, à cor, ao aroma….
Esta dorna de fundo para o ar que vemos na foto duma adega onde fiz a fotografia durante o ano serve para dependurar um guarda-chuva e sobre o fundo e várias maçãs de madureiro.


Colher da talha


Colher da talha

Qualquer colher servia, até a de tirar a sopa, para tirar o azeite da talha, mas nem sempre foi assim. A colher que apresento é uma espécie de copo de 100 cl que foi de cerâmica ou de latão, folha-de-flandres com um cabo comprido com uma curva no cimo para ficar dependurada na respetiva talha. Depois veio a de  inox. Hoje a usar-se- ia, seria a de inox.
Esta colher dava para fazer prova do azeite para vender, dava para tirar para consumo da casa. Esta foi a colher que conheci na casa dos meus avós e seu tamanho era igual àquelas que conheci nas casas dos vizinhos que colhiam muito azeite, não só para consumo da casa, como para prova de coloração, do ranço e da acidez para vender a quem dele andasse à procura.




A “colher” que parece um copo com asa é a que tenho como registo.
Havia quem lhe chamasse caço, de andar a caçar o azeite, pois tem de ir ao fundo da talha e não havia a luz, noutros tempos, necessária.
Essas talhas eram colocadas na adega, onde se encontrava a salgadeira para a conservação das carnes de porco através do sal e até junto aos pipos do vinho.

Muitas vezes levei colegas pobres da escola a comer pão boroa com azeite